sexta-feira, 21 de julho de 2017

TAXIANDO

TAXIANDO

Como um bom viajante frequento aeroportos pelo mundo, inclusive dormindo em alguns deles. Mas o que mais frequento por conta tanto da proximidade quanto pelas inúmeras viagens que minha mãe faz é o do Galeão. Ali eu me sinto num playground. Sou do tempo em que era apenas um terminal de passageiros com os acessos divididos por cores azul, vermelho e verde. Lembro de uma vez que meu tio Rodolfo, ainda na ativa da aeronáutica, nos levou eu e aos meus primos pra torre de controle do aeroporto pra gente conhecer e assistir não lembro se o pouso ou a decolagem do Concorde, o avião que já foi o mais rápido da rota Rio – Paris.

De lá pra cá muita coisa mudou. Principalmente o fluxo de passageiros  e com isso tiveram que construir um segundo terminal de passageiros. Na verdade, de acordo com o projeto inicial era pra ter quatro terminais. Como o primeiro foi construído lá pelos anos 70 e o segundo mais ou menos vinte anos depois, dava pra ver claramente a diferença de estilos entre um terminal e outro. As novelas mais antigas mostram muito o aeroporto quando era um terminal só. Hoje está tudo mais padronizado. O segundo terminal fez com que o primeiro mudasse um pouco de cara, mas ainda há resquícios dos primórdios do aeroporto do galeão.

Acho que antigamente só o Santos Dumont que servia a cidade do Rio. Me lembro, por exemplo, de Vargas frequentando o Santos Dumont. Já vi essa imagem em algum documentário. Assim como os aeroportos, os aviões também evoluíram e creio também que foi por isso a necessidade de se criar no Rio um aeroporto para atender a demanda maior de voos e principalmente os que venham de fora do país. Daí um aeroporto internacional no que dizia ser o seu padrão na época em que foi construído.
Uma coisa que me incomoda depois de frequentar vários aeroportos no mundo é o fato de os modais não se comunicarem. O que isso quer dizer? Qual o único meio de se sair do aeroporto sem ser de carro particular? Taxi, ou se você tiver paciência, ônibus. Grande parte dos aeroportos lá de fora te indicam não só esses meios de transporte, mas trem e metro também, ou seja, você pode sair como você desejar e a grande maioria opta por pegar um trem ou metrô.

Aqui tentaram com o tal BRT pro aeroporto internacional e o VLT pro Santos Dumont. A questão do BRT é só pra gente que tem o destino certo e que fica no itinerário do ônibus ou faz uma baldeação pra chegar ao local final. Já o VLT faz a ligação da rodoviáriado Rio com o aeroporto Santos Dumont. Acho interessante e esse caminho foi todo montado, formado, recuperado pros jogos olímpicos do ano passado. Vale a pena fazer esse trajeto pra conhecer o caminho. Mas ainda assim falta.

Por exemplo, uma pessoa que pegar o modal pra ir pra Copacabana teria que pegar o VLT no Santos Dumont, descer na Cinelândia ou Carioca e pegar o metrô até o bairro. Já quem chega pelo Galeão não tem essa opção. O BRT não vai até Copacabana. Só pagando o preço acachopante cobrados nos guichês que oferecem taxi pros passageiros do aeroporto. Me dá pena principalmente dos turistas que contratam esse tipo de serviço e nem sequer podem ter a opção de pegar um uber pra ter uma opção mais em conta e ficar refém mesmo da máfia dos taxistas que se amontinam no aeroporto atrás das suas presas fáceis.
          
          Tivemos uma evolução, não vou negar. Pelo menos uma opção a mais foi oferecida, mas ainda é pouco pra se chegar a um progresso mais digno e eficiente. Parece que ficou uma coisa mais cômoda, mais convencional mais um paliativo e vai se deixar assim por um bom tempo até que a cabeça de quem comanda esse tipo de transformação urbana, seja de que esfera for, não for iluminada pra facilitar o acesso a um bem público.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

Hoje estou a fim de fazer uma brincadeira que eu já vi sendo feita em chá de panela – ou seria de fralda – enfim, nesses encontros que a famíia faz quando uma mudança está por vir – ou um casamento ou uma criança, agora não me recordo bem.

A brincadeira consiste em pegar frases soltas no ar, ditas pelas pessoas sendo que uma tem o trabalho de anotar pra depois no final juntar todas elas e criar o que antigamente se dizia ser o samba do crioulo doido. No meu caso aqui e agora vai ser diferente. Não estou em nenhuma reunião nesse sentido, mas, como sempre tem uma música rolando enquanto escrevo, vou juntar trechos de várias delas pra ver que bicho que vai dar. Aliás, não são só as músicas, mas o que a locutora falar também. Acho uma brincadeira interessante, principalmente pra quem não sabe sobre o que escrever hoje, pra quem está com a síndrome da página em branco e não sabe sobre o que dissertar.

Vou começar. E os remédios pegam mal quando esquece do prazer. Agora tá tocando o refrão da música que eu vou pular até mesmo pra dificultar a identificação da música e não dá margem a futuros e possíveis processos caso os autores leiam isso e se irritem com essa proposta. Vamos a outra música.

Para realinhar as órbitas dos planetas. Derrubando com assombro exemplar. Essa a maioria conhece. Antes que eu visse você disse e eu não pude acreditar. Eu só queria te contar. Voltou pro início. Não vou repertir, mas descobriram de quem se trata? Seu telefone irá tocar. Eu só queria te contar. E a vida que ardia sem explicação. Não tem explicação. Essa foi fácil. Agora uma mais antiga.

Às vezes parece até que a gente deu nó. Você não vai me acertar a queima roupa. Hoje eu quero sair só. Não demora eu tô de volta. A lua me chama eu tenho que ir pra rua. Essa me faz lembrar exatamente onde eu tava da primeira vez que eu a escutei. No avião indo pra Miami e tocou num canal de musicas se não me engano chamado de new world. Década de noventa do século passado. Foi aí que eu conheci esse artista e comecei a descobrir mais composições dele. Agora a locutora tá falando.

Sorteio Silvana de Oliveira Leite ganhou ingresso pra gravação do Palco MPB com Fernanda Abreu. Agora vem o intervalo da programação. Continuo a brincadeira? Faço o mesmo com os anúncios? Por que não? Já que comecei vou até o fim. Vamos lá.

Venha curtir grandes shows da nova cena musical. Todo mundo ama Maria Gadu. Classicos MPB. As músicas que marcaram a sua vida  - programa novo estreiando agora. O ser humano tá na maior fissura. Down down down o high socity. A crise tá virando zona. Tem muito rei aí pedindo alforria. Alô, alô marciano. A coisa dá ficando russa. Alah. Música de Rita Lee na voz de Elis Regina. Pra variar estamos em guerra. E pensar que essa música continua atual.

Não adianta nem me abandonar. Já mudou de música. Que eu que dois que dez que dez milhões todos iguais. Mistério sempre há de pintar por aí. Que não sabe nada que morre afogada por mim. Voz, letra e música de Gilberto Gil. Até que nem tanto exotérico assim. Se eu sou algo incompreensível meu Deus é mais. Essa frase diz tudo.

Não sei como botar assovios no papel. Mais uma pra encerrar. Dessa eu não me lembro. Nossos bailes no clube da esquina quanta saudade. Será que algum dia ... cantar as canções que a gente quer ouvir. Sem querer fui me lembrar de uma flor e seus ramalhetes. Não sei de quem é letra, música e voz.


Também chega de brincar. Não foi exatamente igual até porque homem não liga muito pra esses tipos de brincadeiras, mas pelo menos tentei manter a chama do gracejo aceso, o espírito da brincadeira de um modo diferente, peculiar, inventado de última hora, mas mantendo, ou ao menos tentando o que se faz normalmente.

sábado, 8 de julho de 2017

FORA DE SÉRIE

FORA DE SÉRIE

Não sou chegado a seriados. Sei que é uma heresia dizer isso principalmente pra uma pessoa que trabalha na produção de um. Mas não acompanho nenhum deles. Não sei também até quando vou ser assim. Pode ser que eu me interesse por um ou outro como já aconteceu e assista em forma de maratona. Isso que me incomoda um pouco em acompanhar um seriado e esperar uma semana pra ver o capítulo seguinte. Por isso se eu não colocá-lo pra gravar continuamente tenho que ir na locadora e pegar a temporada pra assistir.

O primeiro seriado que acompanhei foi logo assim que a TV a cabo chegou em casa que foi o “The Nanny”. Depois passei a ver “Friends” que estava no auge da sua quarta temporada. Não sei se vi todas as temporadas, mas a sétima foi estilo maratona no dia de natal que eu passei em Londres quando a gente não tinha nada pra fazer, mas nessa altura eu já tinha parado de ver “Friends” também. . Um outro que me interessou e que vi via internet e depois via maratona foi o “Downtown Abby” que se passa no início do século passado em Londres e eu só vi até a terceira temporada faltando duas pra encerrar.

Com a lei que estipula uma percentagem para seriados nacionais na TV a cabo – creio que são trinta porcento – alguns canais investiram nas histórias tupiniquins. Um seriado nacional que eu acompanhei foi o “Magnífica 70”, exibido em treze episódios pela HBO na sua primeira temporada. E agora meu grupo de amigos está fazendo um cuja idéia nos foi apresentada em meados de 2015 e até maturar a idéia , criar os cinco primeiros episódios, adiquirir os equipamentos todos, começar a reunir as pessoas pra começar a realmente a gravar foi quase um ano. Isso porque estamos sem apoio, sem verba, sem patrocínio e andando com as nossas próprias pernas, aprendendo a cada dia de filmagem. Não temos estrutura grande como um estúdio ou uma cenografia a nossa disposição e dependemos de locações que a gente mesmo arruma. É tudo como se fosse um ação entre amigos, uma cooperativa onde todos no fim do processo ganham o que é cabido.  

Vai ser longo até tudo ficar pronto sim, vai ser demorado sim, mas vai ficar lindo e não vai deixar a desejar pra nenhuma dessas produções principalmente de nível nacional que a gente vê sendo exibida nesses canis a cabo. Vamos atingir desse patamar pra cima. É claro que a nossa intensão com a nossa série, o “Esquina 22” é também a exibição num canal desses ou até mesmo na própria Netflix. Aquele que quiser comprar por um preço que a gente achar justo e exibir na íntegra o conteúdo que estamos preparando será bem vindo. No entanto, em último caso temos um aliado em potencial que é o you tube. De qualquer forma, em algum dia, em alguma plataforma será exibido.

Os autores do “Esquina 22” que foram os mesmos da peça “Quem matou Laura Fausto?”, meus amigos, beberam muito na fonte de outro seriado chamado “Breaking Bad” e utilizaram como referência pra fazer alguns takes. Não somente, mas principalmente esse. Eu confesso que até o momento em que escrevo esse rascunho nunca vi sequer um capítulo desse seriado. Não me enchem os olhos os seriados de um modo geral. Os exibidos.


O “Esquina 22” é um causa, uma bandeira levantada, um projeto abraçado por mim também e um dos meus projetos de vida até ficar pronto, finalizado, editado e ser exibido. Depois não sabemos o que faremos se é que vamos fazer outra coisa nesse sentido. Não nos falta vontade e nem equipamento, mas vamos por etapas. Uma coisa de cada vez. Não adianta atropelar um projeto começando outro. Cada qual ao seu tempo.  

sexta-feira, 30 de junho de 2017

VIAJE BEM

VIAJE BEM

Uma das coisas que eu gosto de fazer e que me faz um bem enorme é viajar. Sinto um prazer enorme em fazer as malas e sair por aí, mesmo que seja pra ir pra São Paulo. Adoro a atmosfera que envolve esse evento apesar de não gostar muito de ficar no aeroporto. Por mim entrava direto no avião, mas como temos que cumprir certas normas é necessário chegar algumas horas antes e ficar por lá matando o tempo.

Eu já tive oportunidade de ir pra vários lugares do mundo. Tem uns que não faço questão de voltar, outros me sinto na obrigação de passar, mas tem inúmeros que eu ainda não conheço e quero conhecer quando tiver oportunidade . Alguns eu só passei algumas horas e conheci o básico do básico mesmo, sem me embrenhar nos locais como fazia os bandeirantes, mas deu pra visitar e conhecer alguma coisa.

Cada um investe seu dinheiro da maneira que lhe convém. Eu trabalho, junto e gasto viajando. Geralmente pra lugares que eu não conheço. A última viagem internacional que eu fiz ano passado, por exemplo, foi pra Copenhagen, na Dinamarca e pra Londres que é o lugar que eu faço questão de voltar pelo menos enquanto o Airton estiver por lá.

Da primeira vez que viajei pelo mundo ou por parte dele, selecionei três lugares pra voltar. Roma, Paris e Barcelona. Tive oportunidade de voltar a dois deles de modo que em Barcelona foi apenas aquela parada de um dia, mas em Roma não. Acho que foram mais dois ou três dias. Agora me falta Paris, mas entre voltar pra um lugar que eu conheço e desbravar um que eu nunca fui prefiro a segunda opção. Conhecer culturas novas, obter conhecimento, desvendar como um povo diferente e distante de você faz pra viver, ouvir uma língua totalmente diferente da sua, os hábitos deles é o que me instiga.

Sei que o mundo é enorme e tem uma quantidade de países que ultrapassa os duzentos. Nem todos me apetecem, nem todos são a minha primeira opção, principalmente os países asiáticos. Em primeiro lugar quero gastar todos os meus cartuchos, minhas possibilidades, meus euros com a Europa. Depois que eu fuçar todos os buracos europeus que eu tiver capacidade e coragem de ir aí sim eu mudo de continente e vou desbravar outro. Claro que tendo oportunidade não vou jogar fora. Se me pintar uma viagem pra Tonga parando no Japão é claro que eu vou, mas não vou economizar a ponto dessa viagem ser a minha primeira opção, o meu sonho de consumo.

Recentemente tem me batido uma vontade de voltar a viajar pros Estados Unidos pra ir na Disney. Já fui quatro vezes na de Orlando e uma na da Califórnia, mas isso já tem quase vinte anos e como muitos parques e brinquedos novos  abriram nesse tempo eu tenho que me atualizar. Confesso que os Estados Unidos não me apetecem hoje tanto quanto a Europa ou quando eu tinha os meus quinze anos que foi a minha primeira vez lá. As únicas coisas que me atraem lá atualmente, além dessa atualização da Disney são Nova York – que só fiquei uma semana e quero voltar porque não tive tempo de ver nada – e visitar minha prima Jana que mora lá e a última vez que fui pros EUA foi justamente pra visitá-la ainda quando ela morava no estado da Virginia. Hoje ela mora na Flórida. Isso faz sete anos já. O filho mais velho dela estava pra fazer cinco anos. Hoje ele tem onze com uma irmã de quase quatro.


Mas não adianta. Sempre que planejo uma viagem, a europa domina o mapa mundi dos lugares que eu não conheço e quero conhecer. Não sei ainda quando, mas preciso pensar no destino da próxima viagem e trabalhar pra juntar dinheiro pra poder ir. Enquanto junto vou vendo os locais e fazendo esquemas pra passar no maior número de lugares possíveis ou me fixar num ponto e explorar ao máximo possível o local.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

RAZÃO DO CORAÇÃO (publicado em 24 set 2007)

RAZÃO DO CORAÇÃO (publicado em 24 set 2007)

Quando eu era pequeno meu avô cantava uma música de não me lembro quem chamada “Aos pés da santa cruz”. Como grande maioria das canções da época, aliás, todas as épocas têm canções desse tipo, era uma música de fossa. Um dos versos dessa musica é de uma franqueza, sinceridade e verdade ímpar e que bem ou mal ministra uma área da nossa vida, a parte sentimental. Repara na veracidade desse verso: ‘O coração tem razões que a própria razão desconhece.’ Engraçado que tá me vindo outro verso de outra música que eu nem sei se tem a ver com que eu quero dizer aqui hoje, mas mesmo assim eu vou escrever. ‘Só se encontra a felicidade quando se entrega o coração.’ Esse é dá música “Tudo passará” interpretada pelo Nelson Ned.

Agora vamos tentar aproximar as duas. Se encontra a felicidade quando se entrega o coração que tem razões que tem razões desconhecidas pela própria razão. Muitas vezes, creio que no início das paixões arrebatadoras daquelas que a gente troca juras e jura que é para sempre, mesmo que dure uma semana, no entanto é eternizada, a gente entrega o coração com o único intuito de ser feliz e ele mesmo tracejando seus caminhos descobre uma razão que se a gente for parar pra pensar não tem uma lógica racional. Será que consegui me explicar?

Depois, com o tempo, a luz do convívio esclarece e assenta alguma coisa e a gente começa a pensar, ou não. Por isso que atualmente existem relacionamentos que eu acho válido e que eu apelido de ‘adicto em recuperação’. Sabe o lema de um ex qualquer coisa que diz ‘só por hoje eu não vou...’ Então, se encontra a felicidade entregando o coração só por aquele dia ou momento. E durante aquele curto período de tempo tem-se um ao outro. Isso é o que a juventude chama de ficar. Há pouco tempo também descobri que aqueles que formam o mesmo casal durante vários encontros são os ‘peguetes’ um do outro.

Relacionamentos sem compromisso que podem permanecer nessa constante ou se transformar em algo mais visceral, mais tesudo, por que não dizer, mais comprometido. Aí o amor muda sua configuração e toma outros rumos mais sérios, mais normatizados. Até alguns anos atrás eu pessoalmente não era adepto e nem sequer me atinava para esse tipo de relacionamento relâmpago. Mas depois, mal comparando, aliás, muito mal comparando, diga-se de passagem, percebi que um jogador de golfe reduz suas tacadas gradativamente, que um nadador só ganha depois de muito treinar e perder.

O risco faz parte do jogo da sedução. E como é um jogo se perde e se ganha. É raro uma pessoa entrar numa casa lotérica com seis dezenas e acertar sozinho na mega sena. Eu pensava que em se tratando de relacionamentos as prerrogativas eram diferentes. Agora tô percebendo que não e que não é tão mal ter relacionamentos relâmpagos. Não creias tu que saio por aí passando o rodo como se diz. Encontro sim a felicidade quando entrego meu coração a alguém mesmo que essa felicidade dure dez minutos. E não penso, ou melhor, não consigo descobrir a lógica da razão que rege meu músculo cardíaco. Quer saber, ficar livre, leve e solto é muito bom. Quando cansar é só se prender por um tempo ou para sempre.


O amor é um bem durável, no meu caso eterno, o que o transforma são as variações de intensidade que é irradiado pra cada pessoa. Acho que agora cheguei onde queria. E até que os trechos das músicas ajudaram a abrir um caminho, a traçar uma trilha, um ponto de apoio. Agora é só seguir os mandamentos do coração pra ser feliz. Bem, nesse segmento eu, por enquanto, to começando a me sair relativamente bem. O meu eu conservador deu o braço a torcer pro meu eu moderno, liberal. Vamos ver qual o outro setor que sofrerá com mudanças também.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

SAUDADE,QUANTO TEMPO FAZ

SAUDADE, QUANTO TEMPO FAZ

Tem dias que me bate uma saudade, uma nostalgia de um tempo que não volta mais. É um pouco redundante falar isso. Nenhum tempo volta mais. É igual água de rio que corre pro mar ou que move moinho.

Vontade de voltar no tempo e reviver dias e momentos que marcaram minha infância. Era feliz e não sabia. Acho que sou feliz ainda, mas se há felicidade pra  mim hoje eu só vou descobrir no futuro. Mais momentos que dias especificamente. Passávamos eu e minha turma do prédio brincando de pique durante intermináveis horas e gostávamos de ficar juntos curtindo essas horas.

Às vezes esse tempo está bem longe de mim. Sinto saudade dos velhos jornalistas. Aqueles que tinham como sua principal arma a máquina de escrever e dela saiam textos eloquentes e grandiosos que valorizavam muito o vocabulário que se utilizava nas páginas impressas e que circulavam nas bancas de jornal. As pessoas pareciam ler mais, serem mais instruídas, mais envolvidas em política e cultura. Atualmente é tudo muito superficial, nada se aprofunda, muito menos o vocabulário que jornais e revistas trazem nos textos das suas matérias.

Até o ano passado aqui em casa se assinavam duas revistas de grande circulação e eu as lia não por tomar partido das suas editorias, mas até mesmo pra argumentar e contrapor o que elas publicavam. Mas também depois que acabou o contrato da assinatura não sinto nenhuma falta em lê-las. Costuma-se comprar jornal aos domingos também. Desse escolho alguns cadernos e/ou colunas para lê-los, principalmente o de cultura. Talvez se eu tivesse vivido algumas décadas antes o meu interesse pelo jornalismo teria se aguçado mais. Mas também quem daquela época iria imaginar em que ponto da tecnologia da informação chegamos?

Nem eu na minha tenra infância com meus amigos do prédio em que morava imaginava que iria viver com aparatos só vistos nos filmes de James Bond ou de ficção científica. Homens nunca conviveram com dinossauros até Spielberg vir com o Jurassic Park. Robôs nunca tiveram sentimentos até o mesmo Spielberg vir com o Inteligencia Artificial. Filmes que se bobear vão ter o mesmo destino dos aparatos do James Bond, ou seja a realidade. Sinto saudade do tempo em que pokemon era só um desenho japonês chato e não um jogo viciante onde as pessoas saem com o aparelho de telefone celular em punho pra caçar em lugares reais os bichinhos virtuais.

Será que meus pais viam mal na gente quando passávamos algumas horas jogando atari. Acho que não porque inconscientemente sabíamos dividir o nosso tempo, coisa que não vejo o meu sobrinho mais velho fazer. Por outro lado o computador ou a tela do celular é a única distração que tem aqui em casa. Existem outras, mas que não enchem os olhos dele mais, como jogos ou brinquedos de montar.

Na minha infância a gente vivia mudando de fase. Tinhamos a fase da bolinha de gude, do buraco, do jogo de damas, do jogo da vida, do war e de vários tantos outros que nem passávamos perto dos jogos eletrônicos. Nossa prioridade era a socialização com nossos coleguinhas, ou melhor, com amigos que carregamos pro resto da vida. Não vejo meu sobrinho socializando com as outras crianças desse prédio aqui. Sinais dos tempos? Pode ser. Talvez seja por isso que a gente sente saudade de um tempo que não volta mais. De uma época que a gente considera de ouro. Das dificuldades que passamos antes de chegar a evolução da tecnologia e facilitar tudo.


Ninguém mais vai se lembrar de como se fazia uma pesquisa escolar no tempo em que as fontes eram ou a biblioteca da escola ou pra quem tinha em casa a enciclopédia Barsa. Principalmente agora nos tempos do google. Taí a única coisa que eu posso afirmar de que não tenho saudade, não me dá nostalgia.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

No filme “O mágico de Oz”, para Doroty, a personagem principal, voltar pra casa tem que bater os sapatos de rubi no calcanhar e repetir três vezes: “Não há melhor lugar do que o nosso lar.” Tudo foi um sonho que ela teve, uma espécie de visão, uma realidade que não era a dela, apesar de alguns conhecidos também fazerem parte da história que ela viveu. Eu faço uma analogia desse”sonho” com o teatro.

Quando a gente senta pra assistir a um espetáculo vivemos outra realidade que não a nossa. As vezes pode chegar perto e a gente se identificar com alguma coisa, mas não é a nossa realidade. As vezes pode até chocar e fazer com que você reveja alguns conceitos ou tenha mais convicção dos seus preceitos, mas o que está sendo encenado não é a nossa vida, a nossa realidade. Sabemos que aquelas pessoas existem em algum lugar, mas ali elas se demonstram pra gente. O teatro é mágico sim, mais do que o cinema que está tudo pronto. No teatro é ao vivo, é real, é ali, é agora, é efêmero, é divino. O bichinho do teatro há muito me mordeu. Sempre gostei de assistir e depois que eu voltei a trabalhar com, se um dia eu tiver que largar vai ser difícil me desapegar dele. Caso isso aconteça continuarei assistindo e acompanhando meus amigos em seus espetáculos.

É uma pena que num país como o Brasil que tem uma história e bagagem teatral antiga e enorme ainda não se valorize a arte de um modo geral. É difícil montar uma peça, lançar um livro, divulgar um trabalho musical, fotográfico, plástico, enfim, é difícil fazer arte no Brasil e mais difícil ainda que essa arte seja valorizada, receba o retorno que precise pra se manter viva e pulsante. Não dá pra ficar refém de um patrocinador, não dá pra depender de um empresa gostar do seu projeto e bancá-lo porque isso só faz selecionar o que vale ou não a pena para a própria empresa e não pra quem o teatro é de direito, ou seja, a população. Talvez seja por causa dessa política que achamos os ingressos caros. É um custo alto bancar uma peça de teatro, não só por cenários, figurinos, elenco, técnicos de luz e som como principalmente pelo alto valor dos aluguéis das salas de espetáculos particulares.

Eu fico imaginando na época das grandes companhias de teatro que se apresentavam de terça a domingo com duas sessões em alguns dias da semana e só viviam disso já que ficavam em torno de dois meses em cartaz e emendavam um espetáculo em outro sem parar. Claro que nessa época a concorrência era quase nula. Não havia televisão e muito menos internet. As pessoas se interessavam mais no que estava acontecendo culturalmente, politicamente no país. Eram outros tempos.

Atualmente os musicais tem crescido bastante. Abriu-se um gênero que valguns anos atrás eram só vistos e comentados por quem assistiam em Londres ou Nova York. Hoje existem escolas de teatro especializadas em formação de atores especificamente pra musicais. Nesse campo eu só fico meio cabreiro com os musicais ou importados ou biográficos. Acho que já está ficando maçante, mas mesmo assim apoio por ser feito pela gente e mesmo eles também tem sua magia, sua capacidade de entreter e quem sabe até modificar o interior de alguém que vai assistir.
           
          É preciso a coragem de um leão pra levantar uma peça e o enfrentamento com outros leões de bandos diferentes pra brigar por manter em cartaz. É preciso a esperteza do cérebro de um espantalho pra driblar todos os contras em chamar o público e convence-lo de que ali se vive uma vida, se conta uma história de valor. E principalmente é preciso o coração de um homem de lata pra amar esse ofício que é o de estar em cena e tudo que envolve pra que a cena aconteça. E se não há melhor lugar que o nosso lar certamente em segundo lugar não há melhor lugar que uma sala de espetáculos teatrais.