sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A PARADA DO CARRO

A PARADA DO CARRO

Deve ser implicância mesmo. Não adianta seguir as orientações que sempre acontece o que não deveria acontecer, pelo menos eu não acho normal. Toda vez que meus pais viajam eu fico na incumbência de fazer com que os carros sejam ligados periodicamente pra que as baterias não arriem. Por mais que eu faça isso vai ter sempre um carro pra me sacanear e sempre será o carro do meu pai. Quando não acontece quando ele está fora, acontece quando ele chega. Até porque ele saiu do avião aqui a responsabilidade volta a ser dele. E como ele tem ciúmes do carro o esquema que eu faço é sair com o carro da minha mãe quando necessário e apenas ligar o carro dele, mas nem sempre isso dá certo. Por mais que eu ligue cinco minutos por dia, se eu ficar três dias sem ligar a previsão da bateria arriar é muito grande.

Ano passado foi assim. Eles viajaram e eu ligava o carro todo santo dia por cinco minutos. Teve um dia que eu deixei de ligar, uma terça-feira, na quarta eu liguei apreensivo, mas funcionou. Na quinta eu fui pra São Paulo e só voltei no sábado a noite. A primeira coisa que fiz foi tentar ligar o carro e adivinha o que aconteceu. O carro não ligou. Pouco mais de dois dias sem virar a chave e nenhum sinal vital do motor. Não esquentei com aquilo naquele momento. Afinal estava chegando de viagem e queria descansar. O dia seguinte era domingo, tinha tempo pra fazer isso e mesmo assim o mecânico do seguro só chegou as oito da noite, fez a famosa chupeta, pediu pra deixar o carro ligado por quarenta minutos e foi embora. Não chegou a ficar dez minutos na garagem.

O que mais me deixou espantado foi que quando a gente aciona o seguro eles pedem pra quando o mecânico chegar ter em mãos os documentos. Eu estava tanto com o documento do carro quanto o meu no bolso e o mecânico não pediu absolutamente nada. Veio, fez o serviço dele e foi embora. Devia estar com pressa pra voltar pra casa já que no carro dele estava uma mulher que foi quem me ligou dizendo que eles iam atrasar um pouco  e umas quatro crianças e pelo que ela havia me dito eles estavam em botafogo e o transito estava ruim. Creio que estavam saindo de algum programa em família e ao ser acionado pra prestar o serviço, por morarem pelo lado de cá deve ter aceito e passou aqui pra prestar o socorro relâmpago. Foi muito rápido mesmo.

No dia seguinte eu tinha projeto escola e só cheguei em casa a noite. Vinte e quatro horas depois da chupeta estava eu diante do carro, apreensivo, pensando no pior, mas não. A chave virou e o motor funcionou. Dessa vez ao invés de cinco minutos deixei o carro ligado o triplo do tempo. Foram quinze cronometrados.

Pelo menos dessa vez foi enquanto ele estava viajando porque geralmente é quando ele volta e vê que o carro não está funcionando ele fica soltando fogo pelas ventas. No início eu ficava chateado, mas agora pode esbravejar a vontade. Eu faço a minha parte. Se o carro não cumpre a dele não é problema meu. Não foi a primeira e muito menos será a última vez que isso vai acontecer se o carro ficar alguns dias parados. Esse carro sempre foi meio esquisito desde quando foi comprado e essa fuga de energia da bateria, que provoca essas paradas, esses apagões deveria ser vista.

Eu acho que isso acontece por conta da não circulação do carro pelas ruas . Ligar e desligar até ajuda, mas se fica um tempo sem ligar acontece isso. Mas o mais curioso é que só acontece com o carro do meu pai. Com o da minha mãe não preciso acionar o seguro, no entanto circulo com ele de vez em quando. E como ele circula com o carro dele, enquanto não ele não viaja ele acontece esse imprevisto.


Já prevejo que na próxima viagem que ele fizer isso pode acontecer novamente, está na listagem do que fazer na ausência dele. Ligar o carro e chamar o seguro quando preciso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

Creio que será a última vez que tocarei nesse assunto. Ano passado fiz o mesmo, mas o foco foi outro. Aliás, ultimamaente o foco tem sido só dois. Dois motivos me levam a São Paulo. O primeiro, como relatado ano passado, são as peças de teatro. Sempre que posso vou assistir o que está em cartaz por lá. O segundo são as apresentaçcões, as participações que o Serguei é chamado pra fazer e que eu sempre vou acompanhando.

Ele já chegou a uma idade em que algumas coisas não pode fazer sozinho, como andar de avião, por exemplo. Não por conta da saúde física. Isso ele ainda tem um pouco, mas por causa da memória, cuja falta dela o prejudica bastante. Por isso combina-se tudo comigo e eu repasso a ele com filtros pra que ele se preocupe com menos coisas possíveis. Nesse caso foi o líder da banda Made in Brazil que novamente o convidou pra fazer uma participação no show de lançamento do DVD gravado em novembro do ano retrasado e lançado em setembro do ano passado num show particionado em dois dias com convidados e o Serguei participou do primeiro dia, na sexta.

Nossa rotina foi muito corrida nesses dias. Na quinta madrugamos pra pegar o voo. Ele saiu as 5:30 da manhã de Saquarema. Pra ele conseguir fazer isso ele não dorme durante a noite, ou seja, cochila um pouco dentro do ônibus e do avião, mas não repõe as energias como deveria. Próximo das oito da manhã ele desembarca na rodoviária e eu estou lá desde às 7:30 esperando por ele pra pegarmos um taxi e irmos pro aeroporto. Não existe taxi comum na rodoviária. Ali é máfia e tem preço tabelado . Quando o motorista me disse que era 40 reais a corrida reclamei e ele baixou pra 35. Ainda tá caro pelo fato de ter encurtado o trecho  entre esses dois pontos e não chegar a 10 km e na volta o trecho no taxímetro deu pouco mais de 20 reais. Poderíamos até arriscar o novo VLT , mas não podia dar mole com o horário do embarque no aeroporto.

Não tínhamos tomado café e depois de pegarmos o bilhete aéreo subimos pra comer e esperar o voo marcado pras 10 da manhã. Atrasou um pouco, uns 15 minutos. Chegamos em Guarulhos e o Klaus estava nos esperando por lá. Ainda estava cedo pra fazer o check in no hotel mas esperamos um pouco e conseguimos entrar. Optamos por descansar um pouco antes de irmos pro ensaio no estúdio.

Enquanto o Serguei dormia eu dei uma volta na vizinhança pra comprar algumas coisas pra deixar pra gente no hotel. Duas horas depois da entrada no hotel saímos para o ensaio no estúdio. Demos o ar da graça e fomos comer  no Mc Donalds que ficava ali do lado. Voltamos depois e ficamos no estúdio até o fim do ensaio. Depois nos levaram pra comer uma pizza na Pompéia. Chegamos no hotel por volta das 11 da noite. No sábado, dia do show, acordamos pra tomar café e voltamos pra dormir. Almoçamos no hotel mesmo e só depois do almoço que demos uma volta no shopping perto do hotel por uma horinha. Depois voltamos pro hotel e esperamos a hora combinada pra ir pro local do show as 7 da noite. O show foi bom e o Serguei foi o último convidado a se apresentar. Fomos so últimos a sair do local do show e ainda paramos pra comer um sanduba ali pelo bairro mesmo.


Sábado foi o dia da volta. Pra nossa sorte não precisamos deixar o hotel ao meio dia, pois fizeram a reserva até o domingo e como o avião saia no fim da tarde passamos a hora dando uma volta no parque Ceret que ficava em frente ao hotel em que estávamos e acontecia naquele fim de semana a festa do morango junto com o aniversário do bairro do Tatuapé. Foi um tal de tirar fotos, parar pra falar com o público – e o Serguei é movido a esse contato, a esse reconhecimento que foi o tempo perfeito, exato e ideal que a gente ficou por lá. Na hora certa voltamos pro Rio.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

MEXERICOS

MEXERICOS

Outro dia vi uma foto de um amigo meu com o Lulu Santos. Ele postou no facebook. Nada contra ele ou qualquer um postar fotos com seus ídolos ou famosos conhecidos numa rede social. Geralmente ele faz isso. Até entendo. Ele é do interior e o único acesso ao artista que ele tem é quando tem show na região que ele mora. A gente aqui no Rio não faz tanto isso. Quer dizer, até faz, mas por que a gente é mais cara de pau mesmojá que é comum esbarrarmos com mais frequência nesses artistas no Leblon, Gávea, Botafogo e Barra, por exemplo.

Eu já tive excelentes oportunidades de me fotografar com vários artistas de diversas áreas, mas não faço isso. A não ser com umas três ou quatro pessoas específicas que não moram no Rio e portanto fica mais difícil de esbarrar com elas por aqui. Só em shows ou apresentações mesmo. Esse meu amigo fica todo ouriçado quando vem pra cá se por ventura a gente sai e vai passear no Rio. Não é pra menos.

Eu sou de outro pensamento. Por mais que eu saiba que quando um artista se propõe a tirar uma foto a mesma tem 99% de chance de cair numa rede social eu não o exponho, faço parte do 1%. Se alguém tira foto comigo, me marca e posta na rede social eu não me oponho, mas se eu tiro foto com alguém que tenha certa notoriedade, ou mesmo com alguém da minha família ou um amigo, sou contra a exposição deles.

Aliás a minha política em rede social é não me expor. Ultimamente só tenho divulgado trabalhos quando muito e a única forma de exposição é um selfie em algum lugar pelo qual eu passeei. Isso eu faço. Depois de uma viagem selecionar as fotos que ficaram melhores e fazer um álbum novo só pra isso. Não gosto de expor nem a mim e muito menos quem por ventura estiver comigo, seja anônimo ou famoso.

Existe uma parte da mídia especializada em famosos que eles chama de repórter de celebridade. Eu particularmente chamo de fofoqueiro. Sei que isso tem há muito tempo e pelo que me contam a mais famosa das antigas foi a Candinha com seus mexericos. Sinceramente eu não me interesso pelo que as celebridades fazem ou deixam de fazer, onde elas frequentam, com quem se relacionam, por que casam ou separam. Nada disso me interessa. Nem com as celebridades com as quais eu convivo mais eu fico querendo saber de coisas que só dizem respeito a elas.

Confesso que eu fico um pouco chocado com as notícias bombásticas de separação. Não desses mais novos que casam e separam como quem troca de cueca, mas de casais que imaginávamos nunca mais se separar como o Edson Celulari e a Claudia Raia ou Fátima Bernardes e William Bonner que foi mais comentado ano passado. Ou teria sido Bread Pitt e Angelina Jolie?

Tenho medo de Tarcísio e Glória irem pelo mesmo caminho, mas ao mesmo tempo acho que eles já passaram da idade de se separar. Se isso acontecer a minha crença na instituição casamento de celebridade termina de vez. Eles formam o último pilar que sustenta essa mania de fofoca. Se bem que apesar deles também serem alvos da Candinha, não dão motivos pra que os exponham na mídia. A exceção de alguma estréia ou apresentação teatral como eu pude testemunhar no Terezão quando ela se apresentou na peça “Ensina-me a viver” e ele ficou sentadinho umas duas filas na minha frente a admirando.
            
           Nem sei se isso foi pra mídia. Acho que não por que não é notícia que vende jornal. E também não se vê nas redes sociais. Sempre haverá parte dessa imprensa exibicionista, marrom e sensacionalista e que na televisão ocupam o horário vespertino de emissoras que não dão muito ibope. Tô fora desse tipo de gente. Quero distância desse tipo de jornalista, apesar de ser amigo de um que é um ex repórter de celebridades. Mas já o conheci como ex. 

sábado, 2 de setembro de 2017

JOGO DA VIDA

JOGO DA VIDA

Não sei se acontece com todo mundo, mas eu acho que a vida é tipo um jogo de vídeo game onde se termina uma etapa, um nível e se avança pra outra fase. Coisas que eu fazia cinco anos atrás atualmente eu não tenho mais o hábito, o costume de fazer.

Em setembro do ano passado saí três dias seguidos, ou melhor, três noites seguidas. Isso pra mim já é um recorde nos tempos atuais. O primeiro dia, uma quinta-feira eu fui ao teatro. Um programa que eu gosto de fazer e faço constantemente, mas esse teatro em específico é um pouco longe da minha casa e fico o mesmo tempo ou até mais em trânsito do que no próprio teatro.

Na sexta foi dia de Lapa. Ah, a Lapa. Frequentei muito nos tempos de faculdade. Quase todo fim de semana eu batia ponto lá. Me lembro que a gente ia muito numa sinuca na rua do Riachuelo. Nesse dia eu passei lá em frente e vi que mudou muita coisa. Tá bem diferente, mais arrumadinho, reformado, com cara de descente. Na minha época era quase um pé sujo, talvez um nível acima do pé sujo. Hoje tá muito cheio de “não me toque”.

Cheguei no horário que costumava chegar, por volta das onze da noite, mas dessa vez fui direcionado a ir em um local específico e nem me cansei muito por ter ficado sentado boa parte do tempo. Mesmo assim por volta das três da manhã eu já estava voltando pra casa. Andei da Lapa até o terminal de ônibus e só fiz isso por conta do centro estar bem policiado por causa das paralimpíadas que estava rolando nessa época, senão pegava um táxi como costumava fazer das últimas vezes que fui pra lá. De qualquer modo se isso acontecesse alguns anos atrás eu não voltaria tão rápido. Ficaria por lá mais um tempo circulando no meio da multidão ou parando em algum lugar pra comer alguma coisa. Talvez até esperasse amanhecer pra poder voltar pra casa como eu fazia nos áureos tempos da faculdade. Não tenho mais pique pra isso. Já passei dessa fase.

No dia seguinte o programa foi mais cedo. Uma amiga minha comemorando o aniversário na praça são Salvador, ali em Laranjeiras. Ao contrário do dia anterior ali não tinha lugar pra se sentar e ficamos em pé durante o período que passamos lá. Havia uma roda de samba lá, quer dizer, um pessoal que se juntou pra fazer uma batucada bacana e até contagiante por assim dizer. Marquei com uns amigos de a gente se encontrar na estação do metrô do largo do machado às nove da noite e ficamos curtindo o aniversário até umas onze e meia quando voltamos pro metrô. Eles pegaram o metrô e eu andei até o ponto do meu ônibus. Por mais que esse tenha sido o tempo menor de gandaia dos três dias e o dia que eu cheguei mais cedo em casa, eu já me senti exausto pelo acúmulo dos três dias seguidos.

Creio que só faço isso no carnaval, mas eu me preparo psicologicamente pra isso e mesmo assim não fico pulando de bloco em bloco como eu fazia antigamente. Escolho um ou dois no máximo por dia pra curtir e já tá muito bom. Sei que pode haver pessoas que não perdem o pique e que continuam frequentando noitadas, boates, como se o tempo não passasse pra eles. Eu interpreto de outra forma. Pra mim essas pessoas ainda não conseguiram amadurecer, não passaram de fase, não subiram de nível e continuam na mesma etapa.

            Se existem empresários da noite que não gostam de sair a noite e mesmo assim administram suas casas noturnas por já terem também passado dessa fase, essas pessoas não sabem administrar o jogo da vida ou por que não querem mesmo amadurecer ou pelo fato de não estarem sabendo conscientemente conduzir o próprio jogo. Sabe quando você não consegue passar de fase e fica repetindo e repetindo aquele nível constantemente sem nenhum tipo de evolução? É assim que eu vejo esse povo.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

Numa bela tarde do ano de mil novecentos e noventa e sete recebo um telefonema da minha amiga Joana que, falando em tom baixo e um pouco estranho me transmitiu o seguinte recado: “Passa na minha casa, pegue todos os meus discos da Rita Lee, minha maquina Xereta e vem correndo pro centro do Rio. Te encontro no Centro Cultural Banco do Brasil.” Tentei tirar mais infomações dela, mas não consegui. Ela desligou o telefone logo. Eu obedeci.

Na época ela morava no meu prédio, num andar abaixo do meu e sabendo que eu era um estudante pré-vestibular, estaria a tarde em casa. Ela, estagiária de jornalismo, trabalhava numa revista de economia e negócios e estava pra fazer sua monografia. O tema: Rita Lee. Ela adorava a rainha do rock e realmente qualquer disco que saísse da cantora, fosse de carreira ou coletânea, ela adquiria.

Chegando lá, não deu tempo nem pra respirar. Fui seqüestrado. Ela me colocou dentro de um taxi e pediu pra seguir até a rua do Riachuelo, na sede do jornal ‘O Dia’. Sempre que eu perguntava o que estava acontecendo ela me respondia que eu iria ver. Simulou um mal estar no trabalho pra fazer aquela loucura. Até aquele momento, só ouvia falar das histórias malucas que fãs aprontavam pra ficar perto dos seus ídolos, mas aquela era a primeira que eu tava presenciando e vivenciando. Finalmente chegamos no endereço.

Na recepção ela disse que era estudante de jornalismo, mostrou a carteirinha, disse que estava fazendo um trabalho sobre Rita Lee e que gostaria de tirar algumas fotos da apresentação que ela estava fazendo na extinta rádio RPC. Fui seqüestrado pra ver uma apresentação de Rita Lee para um público bastente restrito, praticamente um pocket show, onde ela lançava o disco Santa Rita de Sampa. A partir desse momento Rita ganhava mais um fã. Joana me contagiou com o fanatismo dela.

Hoje posso dizer que sou adicto em Rita Lee e Joana me levou para um caminho sem volta, uma doença que apesar de ser controlada é incurável. Claro que conhecia e admirava o trabalho, as músicas da dupla Rita e Roberto, escutava no rádio, nas trilhas das novelas, mas daí a querer me aprofundar mais na carreira e na vida dela, havia uma lacuna,um hiato pra que isso acontecesse, e talvez me faltasse mesmo esse empurrãozinho de Joana. Se hoje sou fã de Rita, devo muito a Joana. Principalmente pelo fato do meu contato visual com a Rita ter sido feito dessa maneira repentina, num ambiente mais aconchegante do que um show propriamente dito, e nos intervalos do programa ela parava pra falar com a gente, atendia um a um, tirava fotos, ou seja, além das músicas a simpatia cativante dela fez com que meu interesse pelo trabalho e carreira dela surgisse, como se eu tivesse sido enfeitiçado por ela. E fui.

Todo e qualquer show que ela faça aqui no Rio eu vou. Depois que eu conheci o Serguei e promovi um reencontro dos dois que me deu acesso a ela, mas mais ainda ao Beto Lee, filho dela, procuro depois do show tentar sempre ir ao camarim pra falar com eles. Nem sempre é possível, principalmente quando o Serguei não pode me me acompanhar nos shows, mas permaneço até o fim, até a saída dela apostando tudo na esperança. Às vezes dá certo, às vezes não dá, mas tudo faz parte apesar de às vezes a “entourrage” não simpatizar com esses gestos de gente como eu, que me considero fã, e outras pessoas muito mais fãs que eu.


Geralmente ela costuma abrir turnê pelo Rio. Em janeiro ela encerrou a turnê de “Pic-Nic”,onde ela comemorava os tantos anos de carreira. Mal ela encerrou uma, abriu outra “ETC...” que passou pelo Rio em setembro último e, como de praxe, eu estava lá fazendo a minha festa, curtindo mais um show da rainha do rock. E mesmo não lançando disco de inéditas desde dois mil e três, a casa estava lotada, merecidamente.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

INFÂNCIA SEM INOCÊNCIA

INFÂNCIA SEM INOCÊNCIA

Pegando ainda o gancho da semana passada, uma noite de setembro do ano passado eu andei até o ponto do ônibus em frente a uma favela há algumas quadras aqui de casa pra poder ir pro Rio. Em frente a esse ponto, numa lage que instalaram há um bom tempo sobre o canal e fizeram desse espaço uma praça ao ar livre com brinquedos pras crianças, um espaço de convivência, estava acontecendo um evento como quase todo fim de semana com música de DJ, comes e bebes, o que tem em toda festa. Comunidade em boa parte estava ali desfrutando do lazer oferecido numa sexta a noite.

Como em boa parte das comunidades de um modo geral a música predominante era o funk e em boa parte dos funks executados eram aqueles em que a insinuação pornográfica é gritante. O que eu ouvi nesse dia foi uma cantora que pegou uma música infantil, tema dos anões do desenho da Branca de Neve e trocou a letra. Ao invés de “eu vou pra casa agora eu vou”ela cantava “eu vou sentar agora eu vou”. Fico estarrecido quando escuto essas atrocidades e o pior é que essas crianças moradoras, criadas nessas comunidades escutam essas músicas desde pequenas. São precoces no quesito sexualidade por serem bombardeadas por esses tipos de letras obscenas.

Essa cultura deveria ser modificada. Não estou aqui querendo acabar com essas festas comunitárias e muito menos com o funk. Mas deixar crianças escutarem a esse tipo de montagem musical, essas versões eróticas é um absurdo.

Quando eu era pequeno o público infantil tinha programas voltados especificamente pra ele. Assistimos a vários especiais musicais feito pra crianças, pensado pros pequenos. Curtíamos o Sítio do Pica Pau Amarelo, víamos produtos como Arca de Noé do Vinícius de Moraes, Pirlimpimpim que também tratava do universo do Sítio do Pica Pau, Plunct Plact Zum que era literalmente uma viagem , enfim, minha geração cresceu com isso. Não fui acostumado a escutar essas versões obscenas e insinuantes de músicas.

Sempre existiu e vão existir músicas de duplo sentido. Isso é uma coisa. A Dercy Gonçalves cantando a “Perereca da Vizinha”, por exemplo, é engraçado e por mais que a gente conheça o duplo sentido chega até a ser inocente perto do que se escuta hoje em dia. Acho que isso não pode se tornar normal, comum.

Quando esses programas de TV deram espaço a outro tipo de linguagem  - esqueci de mencionar o Balão Mágico. Esse sim eu considero o meu programa de infância que era feito por criança e para criança com musicas que mantinham e respeitavam a essência da inocência da criança – surgiu a figura da apresentadora de programa infantil e foi nessa onda que a Xuxa tomou o posto de rainha dos baixinhos, começaram a dizer que as crianças começaram a se “erotizar” pelas roupas curtas que ela usava no programa e as crianças a imitando também nas roupas. Eu discordo disso.

Se ela usava um short curto e os pais achavam aquilo um absurdo era só trocar o canal, mas não tinha jeito porque caia na Angélica, Mara Maravilha e tantas outras que surgiram e sumiram. Bem, se mudar de canal não resolvia era só não comprar o mesmo tipo de roupa usada pelas apresentadoras. As músicas que elas cantavam eram apenas pra se divertir, sem esse apelo sexual, pornográfico. É só escutar Ilariê por exemplo que se percebe que não tem nada demais nela.

No entanto, independente da moda, sabe-se que hoje as meninas a partir dos seus catorze, quinze anos predominantemente de comunidades como essas vão a bailes funk sem calcinha.
Outro dia uma amiga me mandou uma mensagem que dizia que as piores músicas feitas nos anos oitenta são melhores que as melhores feitas atualmente. Eu incluo aí os funks também.

sábado, 12 de agosto de 2017

VELHA INFÄNCIA

VELHA INFÂNCIA

Ano passado uma amiga minha me perguntou sobre a disposição do Teatro Rival, pois ela estava querendo comprar ingresso pra uma festa Ploc que aconteceu lá no fim de setembro. Festa Ploc é uma festa temática dos anos 80. Acho que em São Paulo se chama Trash.

Essa foi a década da minha infância. Minha e dos meus amigos de infância. Foi nessa época que consolidamos nossos caráteres, que crescemos e nos desenvolvemos e aprendemos a formar nossa base que nos acompanha pela nossa vida até agora e creio que eternamente. Claro que não dá e nem se pode comparar com infâncias de outras gerações. Cada uma se desenvolveu em certas condições econômicas, culturais e tecnológicas diferentes. Eu não vivi outras, por isso digo que a minha infância foi a melhor e pra mim realmente foi. Quando eu vejo o meu sobrinho mais velho grudado num telefone ou num computador jogando joguinho não consigo ver ali uma infância saudável onde ele possa interagir com outras pessoas como eu fazia com a turma do prédio onde eu morava. Mas era outra época.

Vídeo game era raro alguém ter. Um que eu tive junto com meu irmão , talvez o único da infância, foi o Atari e mesmo assim a gente jogava pouco. Preferíamos estar com nossos amigos brincando juntos. Hoje qualquer telefone celular vem com joguinhos pra crianças de qualquer idade ou aplicativos que levam a baixar esses joguinhos. Telefone celular na minha infância era coisa que víamos só nos filmes de James Bond e os telefones que quando chegaram tinham a função exclusivamente de fazer ligações hoje fazem de tudo, inclusive ligações. Não só servem pra função original dele como pra ser vídeo game, agenda, agencia de banco, maquina fotográfica entre outros.

Pra se ter uma idéia, quando eu fiz dez anos ganhei uma maquina de retrato do meu padrinho. Uma Kodak que tirava fotos tamanho 9x9 com o tipo de filme CB126. Sim, era filme negativo que depois a gente tinha que levar pra revelar. Já o meu sobrinho mais velho no Natal que ele tinha cinco anos, ou seja, metade da minha idade, ganhou um aparelho celular que inclusive tirava fotos. Mas isso foi pelo fato dos joguinhos estarem bem evoluídos e difundidos nesses aparelhos. Não que ele fique o dia todo pendurado jogando no telefone. Ele até faz outras atividades, o que eu acho bem mais saudável, como jogar bola que ele adora, e quando está com o pai andar de bicicleta entre outras coisas, mas o que faz ele ficar quieto é o joguinho eletrônico.

Somos de gerações diferentes, sou trinta anos mais velho que ele. Talvez ele brincasse como eu se tivesse nascido na mesma época que eu, ou eu fizesse o mesmo que ele se tivesse nascido a quase dez anos. Não estou julgando se é melhor ou pior. É diferente e não há comparação.

Agora me preocupa quais os valores de infância o meu sobrinho mais novo vai carregar com ele. Ainda é pequeno, tem pouco mais de um ano, mas já começa a observar o mundo e assimilar algumas coisas como toda criança nessa idade. A memória dele agora que vai começar não só a captar mas a registrar tudo o que ele vê, ouve e sente. Ele já é de uma outra geração com outra visão, outros objetivos de vida. Vida essa que tem muita pela frente.

Quando eles dois chegarem a minha idade e olharem pra trás será que eles vão dizer que valeu a pena que tiveram uma infância maravilhosa, que não podem reclamar de nada – essa acho um pouco difícil, mas uma reclamação branda, sem rancores até mesmo pela configuração de família que eles tem.


Quem vai tocar daqui a trinta, quarenta anos na festa Ploc que eles vão frequentar?