sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

FIM

FIM

Não é assim que se terminam os filmes que assistimos no cinema, caso eles não tenham uma continuação? The end no caso dos americanos. Então, nós também chegamos ao fim. Esse sim é o último e derradeiro. Estou fechando a conta e passando a régua. Dessa postagem em diante nem adianta voltar aqui que não haverá mais novidades.

Claro que não posso dizer que isso é definitivo. Nada é definitivo. Nada é pra sempre. A única certeza que nós temos na vida é a de que algum dia iremos morrer. E hoje esse espaço aqui termina por questões ditas nas primeiras postagens desse ano.

Era uma tradição minha que esses dois últimos textos, das semanas do Natal e Réveillon fossem ‘ao vivo’, ou seja assim que eu os escrevesse imediatamente os postasse. Esse, por ser o último ano – e esse por ser o último texto – vai ser um pouco diferente. Sim, de todos os textos postados aqui durante o ano, esse que você lê agora é o único realmente escrito esse ano e o escrevo uma semana antes do Natal, dia 18 de dezembro, pra ser mais exato, e se não me engano a postagem está programada pro dia 29 de dezembro.

Apesar de não postar mais nada nesse espaço, não vou me desfazer dele imediatamente. Quem quiser, se interessar em ler, reler alguma postagem minha, o blog ainda vai ficar disponível pra isso pelos próximos quatro meses, ou seja, até fim de abril. Assim como estou me desfazendo do blog, penso também em me desfazer do facebook, e caso isso aconteça, o próximo dezembro é o mês limite pra isso, mas ainda tenho um ano pra me decidir. Hipótese cogitada. Gosto muito do Instagram. Cheguei a fazer um pra mim, mas depois desativei. Agora estou com tudo lá. Pode ser momento paixão com o universo novo, mas pensei também em adicionar meus amigos do face no insta, mas nem todos tem e/ou mexem nos dois. Isso e muito mais coisas tem que ser levadas em consideração pra definitivamente me desfazer do facebook.

Confesso que esse ano de 2017 não foi bom, mas deu pra levar. E apesar da falta de uma boa perspectiva pro próximo ano, não podemos parar e muito menos desistir. Mudar o foco é válido quando o anterior não motiva mais você. Mas antes disso acho que se deve utilizar de todas as armas pra que não se perca o foco. É bom mudar de ares de vez em quando até mesmo pra oxigenar aquilo que não consegue se desenvolver.

Eu tenho um desejo pra 2018 que não vou revelar aqui justamente pra que a esperança dele se realizar, apesar de eu achar um pouco remota, não se esvaia com o vento. Só não sei quais caminhos que devo tomar pra que esse sonho se forme e concretize. Sonhos, desejos, gratidões... essa é uma boa hora pra refletir, respirar fundo e se preparar pro ano que está pra chegar. Renovar energias e esperanças pro próximo ano. O que está por vir, o que nos espera, o que esperamos dele são perguntas que ao longo do ano serão respondidas.

E por aqui eu fico. Na esperança, na expectativa do que está por vir e com uma enorme gratidão pra quem por uma ou inúmeras vezes entrou nesse espaço e perdeu um pouco do seu precioso tempo lendo esses escritos que eu ousei em colocar aqui. Aprendi muito nesses anos todos de blog e compartilhei mutas coisas com vocês. Uma vez alguém me disse que nesse espaço aqui eu sou bem eu, desprovido de qualquer envólucro ou armadura, o que é verdade. Mas a gente tem que saber a hora de ir embora e sinto que essa é a minha hora. Vou sair desse espaço aqui pra ocupar outros de outras formas e em outros momentos e movimentos que estão por vir.


Meu mantra vale pra qualquer momento e é o que eu desejo pra todos. Sorte, saúde, sucesso, grana e milhões de alegrias. Um Feliz 2018, 19, 20, 21, 22... e mais uma vez e sempre o meu muito, muito, muito obrigado pra todos vocês.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

INÍCIO, FIM E MEIOS (publicado em 8 dez 2014)

INÍCIO, FIM E MEIOS (publicado em 8 dez 2014)

No final de 1865 havia um impasse nos Estados Unidos. O país estava numa guerra civil sangrenta, a chamada Guerra de Secessão, onde o sul era escravocrata e o norte com o regime livre. Quem estava sentado na cadeira mais importante do mundo era o 16º presidente americano Abraham Lincoln que havia dois meses tomara posse do segundo mandato do cargo. Numa tentativa de solucionar esse problema que já se arrastara desde o seu primeiro mandato, Lincoln propôs e enviou pro senado e pra câmara dos deputados seu projeto da 13ª emenda à carta magna daquele país.

Aprovada pelo senado, era a vez da câmara votar essa polêmica emenda. O texto dizia que a partir dali a escravidão estaria abolida definitivamente em território americano. Os estados do sul logicamente foram os que mais se opuseram a essa proposta, pois eles eram altamente dependentes da mão de obra escrava e não sabiam lidar com outro tipo de regime. Por meios não muito coesos Lincoln conseguiu fazer com que a emenda fosse aprovada. Os deputados que a princípio eram contra, representantes do sul, mudaram de ideia quando a eles eram oferecidas algumas vantagens, seja em dinheiro, seja em cargos ou em favores. Eles foram coagidos a mudar seus votos em troca de algo.

Cerca de 150 anos depois essa prática ainda é vigente, ou seja, a política não evoluiu muito nesse tempo. Aqui no Brasil então isso parece mais um câncer em metástase e sempre que se acha que não pode piorar, há a desgraça. A base aliada do governo pouco se lixa pro plano que esse traça pro país, só interessado no seu quinhão. Ninguém mais tem a consciência do que está fazendo quando se vê que pode tirar vantagem daquilo, principalmente pra enriquecer ainda mais. E quanto mais se aprova leis, mais brechas, mais lacunas são abertas pra que eles fiquem blindados.

Não estou defendendo o que Lincoln fez, mas dadas as circunstâncias, foi a única maneira dele defender a ideia encrustada na própria constituição americana de que a os estados Unidos era o país da liberdade. Foi pra defender a carta magna daquele país que ele se utilizou de meios escusos pra fazer valer o que estava escrito. Aquela velha história do escrever certo por linhas tortas. A guerra não acabou de imediato e pouco mais de dois meses depois de promulgada essa 13ª emenda, Lincoln foi assassinado.

Essa história está muito bem retratada no filme de Steven Spielberg com grande atuação de Daniel Day Lewis no papel do presidente. Tem uma frase quase no fim do filme que sintetiza tudo: “A maior medida do século XIX, aprovada com corrupção, apoiada e promovida pelo homem mais puro dos Estados Unidos”. Ao contrário dele, aqui ninguém põe a nação num grau de importância suprema. Nossos representantes não nos representam. Nada é feito diretamente direcionado ao povo brasileiro, não há interesse político em dar no mínimo o básico com qualidade.

Sempre digo que há uma lei que atravanca o progresso no nosso país. É a conhecida lei de Gérson que diz que o brasileiro quer levar vantagem em tudo. Que vantagem Lincoln levou ao corromper uma dezena de deputados? Estes sim tiveram uma vantagem. Entraram pra história e acho bem provável que a votação a favor da 13ª emenda sobressaiu ao gesto de serem corrompidos, ou seja, fizeram o bem pra nação. Se não fossem eles, seriam outros, mas a imposição da Casa Branca em acabar com a guerra e/ou a escravidão se daria de forma não muito diferente.


Anos levaram pra que um negro ou uma mulher pudessem votar, por exemplo. Cem anos depois os negros começaram a sua luta pra que esse ranço fosse apagado e a prova maior foi o Obama ter sentado na mesma cadeira que Lincoln. Eu não mudo o meu discurso de que um erro não justifica o outro, mas, depois de ter assistido ao filme, depende muito do fim pra que esse justifique os meios. 

sábado, 16 de dezembro de 2017

DEUS ME PROTEJA

DEUS ME PROTEJA

Uma curiosidade que eu vivi na Dinamarca foi a de ter ido numa igreja. Na verdade fui a duas em Copenhagen, mas como turista, pra conhecer, tirar fotos e tal. Essa em específico que eu estou falando foi com atividade eclesiástica.

Uma vez o Airton me levou em uma em Londres onde assistimos a uma palestra e depois nos reunimos em grupos pra discutir sobre o assunto palestrado. Foi interessante também. Pude acompanhar uma atividade que eles mantem lá uma vez por semana e com direito a jantar por cinco libras. Já nessa de Aahus, na Dinamarca, era bem diferente. Por fora a construção era realmente a de uma igreja como a gente conhece, mas por dentro era bem clean, branca mesmo, só com as cadeiras e sem imagens de santos. Isso foi o que me chamou mais atenção. Não lembro se a que eu fui em Londres tinha imagens de santos também, acho que não, mas isso faz tanto tempo que não tenho como precisr esse detalhe.

Essa descaracterização da igreja como a gente conhece me deixou com uma pulga atrás da orelha se de fato era uma igreja católica ou não. Tudo indicava que sim, inclusive o cemitério atrás dela. Eu e meu amigo estávamos dando uma volta na cidade, ali pelo litoral e marina de Aahus quando fomos a igreja pra depois continuarmos o passeio até a hora de eu pegar o ônibus pra voltar pra Copenhagen pra poder embarcar pra Londres. Ele costuma frequentar essa igreja aos domingos. Talvez não naquela hora em que fomos, pois estava tendo uma cerimonia de batizado. Sim, igreja cheia, várias famílias e algumas crianças.

Outra curiosidade que atiçou aquela mesma pulga foi que quem ministrava essa cerimonia era uma mulher vestida com uma capa preta, se não me engano, e uma gola elisabetana. Sabe aquelas sainhas de bailarina de filó que fica armada e redondinha. Pois era uma dessa que a ministra usava em torno do pescoço. Não tenho ideia de como são as normas eclesiásticas da Dinamarca, mas isso me chamou a atenção. Ela fazia de tudo, nem o que a gente conhece como coroinha tinha pra ajudá-la. Realmente fiquei surpreso com isso. Chegamos com a cerimonia começada. Meu amigo me deu um livreto pra que eu acompanhasse a missa, ou seja lá o que aquilo era. Como se meu dinamarquês estivesse tinindo. A única parte que eu participei, foi quando nos levantamos pra rezar um pai nosso. Claro que eu rezei em português. E saímos no meio de uma das canções pra não atrapalhar mais a celebração.

Gostei dessa experiência. Uma igreja clean, simples, branca, um altar não muito cheio de coisas que estava tendo um batizado dinamarquês ministrado por uma mulher. As vezes esse tipo de experiência é mais válida do que uma visita a um ponto turístico. Claro que uma não descarta a outra, mas viver o dia a dia de um local é muito mais agregados do que conhecer um local que sempre vai estar lá pra se visitar. Você pode não não voltar pra esse lugar e por isso visita o ponto turístico, mas realmente não é meu foco. Eu até vou pra um ou outro de vez em quando pra não perder a oportunidade, mas vivenciar a cidade é muito mais engrandecedor, pelo menos eu acho.  

Quando vou pra Londres já estou acostumado a vivenciar a cidade e procuro sempre ficar na casa de um amigo ao invés de um hotel. Sei que isso tem seus prós e contras, mas prefiro vivenciar o dia a dia e os afazeres de alguém que mora na cidade que visito do que fazer meu próprio roteiro e horário ao ficar num hotel. Claro que pra que isso aconteça eu tenho que concordar em fazer várias concessões, mas isso não é problema pra mim porque sei que é por uma temporada curta de alguns dias.


Experiências, vivências, sensações, essas nunca vão tirar de mim. Cada um que fizer isso vai ter as suas próprias e é isso que eu gosto de consumir numa viagem. São essas coisas que ficam e que marcam o meu interior, esse é o meu tipo de consumo. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

COMPRAS BRITÄNICAS

COMPRAS BRITÂNICAS

Sempre que vou pra Londres eu cumpro a minha lista de compras. Não sou uma pessoa consumista, mas tem coisas que eu só compro lá. Tenho que fazer o meu ritual, ou melhor, minha peregrinação por algumas lojas.

Todas as minhas meias e cuecas, por exemplo, são de lá. De uma loja bem barata e pelo visto administrada por indianos que é a Primark. As pessoas de lá não enxergam essa loja com bons olhos, acham que as roupas vendidas lá são descartáveis, que duram muito pouco. Realmente é uma loja pra se comprar em quantidade que é muito barata. Se você não liga pra marca de roupas assim como eu essa loja é ideal. Toda vez que eu vou pra Londres eu tenho que trazer no mínimo cinco cuecas e cinco pares de meias.

Outra coisa que não consigo deixar de trazer são os discos. Eu sou daqueles que ainda compra discos e se deixar fico horas numa loja desse gênero, o que está ficando raro atualmente. O Airton, por exemplo, achava que todas as lojas da HMV já tinham fechado. E olha que deviam ter umas três ou quatro só na Oxford Street, mas para a minha alegria isso ainda não aconteceu. Fico perdidinho quando entro lá. Vou pra parte de discos e me distraio com o que vejo. No entanto o que eu compro lá são coletâneas e geralmente os 100 hits de alguma coisa e na promoção de duas por dez libras. Como cada uma vem com cinco discos de vinte faixas cada, na verdade trago dez discos por dez libras e fico ouvindo e curtindo por um tempo até ganhar ou comprar outro, afinal são dez discos pra serem escutados. Depois de um tempo eles vão pra caixa onde estão todos os outros que já tiveram sua fase de vitrola também.

Dessa vez foram os 100 hits mais cool que eles chamam, músicas que tocam na sala de espera do dentista. Ou como eles mesmos rotularam são as cem músicas suaves essenciais. Não que eu esteja denegrindo quem fez a seleção musical, pelo contrário, tanto que eu comprei e gostei, mas é o estilo de música que toca num tipo de estação de rádio e que geralmente a gente escuta em sala de espera de consultório médico. São músicas  cantadas por Frank Sinatra, Tonny Bennet, Andy Wiliams, Mel Tormé, Nina Simone, Bobby Darin e Henri Mancini, por exemplo. Já os outros 100 hits são de musicais. Claro que na seleção não entraram todos, mas tem músicas de Cats, O fantasma da ópera, Os miseráveis, Evita, Oliver!, Grease, Miss Saigon, Chicago, Noviça Rebelde entre outros. Eu vou sempre correr atrás dessas coleções enquanto tiver sendo vendidas nessa loja. Pra quem gosta de vinil, filmes e camisas de temas lá é uma loja ideal pra se comprar.

Outra coisa que eu não saio sem de Londres é da minha calça jeans. Todas que tenho aqui comigo vem de lá. Dessa vez fiz um repeteco, mas valeu a pena. Calça Pierre Cardin por pouco mais de dez libras. Só que dessa vez eles só estavam vendendo o par, ou seja tinha que ser duas por vinte e uma libras. Mesmo assim vale a pena. Onde por aí se encontra um calça de marca e qualidade boa por esse preço. Ali em cima disse que não ligava pra marcas, e não ligo mesmo, mas também não sou tão estúpido de perder uma oportunidade como essa.


E pra finalizar, a cozinha. Guloseimas que não encontro aqui. Dessa última vez nem lá encontrei, apesar de estar chegando aqui o chocolate Kit Kat Dark, mas ainda assim é mais barato comprar em grande quantidade por lá e trazer. Dessa vez não deu. Na loja em que eu compro isso não tinha no estoque deles pelo menos no dia em que fui. Club, que tem de outros fabricantes também é um biscoito com uma pequena camadinha de creme de hortelã por cima e coberto por inteiro de chocolate. Irresistível pra mim. E o jaffa cake que é um pão de ló com uma geleinha de laranja em cima e mais por cima ainda uma cobertura de chocolate. Fora, enquanto tiverem idade pra tal, um brinquedinho pra cada um dos meus sobrinhos. Não saio de Londres sem isso tudo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CORTINAS LONDRINAS

CORTINAS LONDRINAS

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é ir ao teatro e outra é ir pra Londres. Quando se vai ao teatro em Londres então, une-se o útil ao agradável e é a melhor sensação que alguém pode ter. Eu tenho o privilégio de fazer isso de vez em quando. E não vou a grandes musicais que estão em cartaz nos grandes teatros de lá. Pra falar a verdade nunca fui a um musical fora do Brasil. Mas agora sei que exitem peças que cabem perfeitamente montá-las em palcos brasileiros.

Cheguei em Londres numa madrugada de domingo pra segunda e na terça já fui ver Underneath que pelo que eu entendi é a história de um defunto contando alguma experiencias de vida e de morte dele. Na quarta foi a melhor surpresa da viagem. Buried child (Criança enterrada), um texto do Sam Shepard interpretado por um elenco de sete atores encabeçados pelo Ed Harris e conta a história de um neto que com a namorada vem visitar os avós alguns anos depois e não é reconhecido pela família e daí surge o conflito. Esteve em cartaz num teatro na Trafalgar Square durante um bom tempo. A Glen Close também estava em cartaz com Sunset Boulevard, mas essa infelizmente eu não fui ver apesar de ter gostado muito do filme. Não sei se Buried Child se transforomou em filme também como a outra peça desse mesmo autor que fomos ver outro dia, mas logo falarei dela. Essa da Criança Enterrada é uma que eu vejo sendo montada aqui no Brasil. Na saída até fiquei comentando quem seria o Ed Harris brasileiro e nos veio um nome em comum, o do Francisco Cuoco.

Vamos por partes. Na quinta feira foi a vez de The Fucking Man, a história de um garoto de programa que acaba se envolvendo com filme pornô. Eu fui assistir essa com uma expectativa que não se concretizou. Pensei que ela fosse mais pesada, mais pornográfica e não foi nada disso. Apesar do tema foi bastante sutil. Na sexta foi dia de folga. Foi o dia em que o Airton resolveu não sair de casa e eu fiquei com ele vendo filme via you tube. Sábado foi dia de prestigias Frederico Garcia Lorca em Bodas de Sangue num espaço novíssimo que havia sido inaugurado vinte dias antes chamado Teatro Cervantes e por curiosidade essa peça também era exibida em espanhol, dependendo do horário e do dia da apresentação. Essa provavelmente já foi montada aqui no Brasil, apesar de eu nunca ter visto uma montagem aqui. Mas a Flávia, minha amiga, disse já ter feito essa peça em algum momento da carreira dela.

Domingo foi dia de fazer outro passeio que gosto muito lá. Andar de bicicleta. Foi o dia em que aproveitei pra ir fazer algumas compras em Nothing Hill. Tudo de bicicleta. Eu adoro. E segunda pra fechar a programação teatral dessa viagem outra peça de Sam Shepard, essa já tem um filme com ele próprio fazendo um dos personagens isso década de oitenta. Fool for Love que em português foi traduzido como Ligaçoes Quentes e que, de acordo com o wikipedia, conta a história de May que é uma mulher que tenta fugir do passado, e mora e trabalha num hotel decadente. Após um longo período, ela é encontrada por Eddie, um homem com quem tivera um relacionamento conturbado no passado.


Conseguimos assistir a essa maratona de peças graças a uma associação a qual o Airton faz parte chamada Audience Club. Quando eu entrei pra faculdade eu fui sócio da Câmara de Arte, que tinha mais ou menos essa mesma vantagem. Não me lembro direito como era feito aqui, mas lá se paga uma anuidade pra participar desse clube e cada vez que se marca pra assistir a uma peça paga-se uma pequena taxa equivalente a seis libras, ou seja, mais ou menos trinta reais por peça, seja ela qual for. Por isso que os musicais não entram nessa lista. Ou quando entram, pelo que o Airton me falou, é só pra algumas sessões especiais logo que estreia. Mas ainda terei oportunidade de assistir a um musical grande, desses que depois montam aqui, lá também. Quem sabe na próxima.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

UMA PUXA A OUTRA (publicado em 23 jan 2013)

UMA PUXA A OUTRA (publicado em 23 jan 2013)

A cada dia que passa, a tecnologia avança, isso é fato. Os tempos mudam de geração pra geração. E creio que a minha, ou seja pessoas nas faixa entre trinta e quarenta anos fazem parte de uma espécie em extinção. Pegamos a guinada mais brusca. Em poucos anos pulamos da maquina de escrever pro computador.

Me lembro que pra fazer qualquer tipo de pesquisa escolar tínhamos que utilizar as enciclopédias. Eram volumes e mais volumes de livros que abríamos a ponto de conhecer mais profundamente sobre o assunto abordado. Barsa era a mais famosa.

Com o acesso aos computadores  pessoais – inclusive estou utilizando um pra poder redigir esse texto – e principalmente com a chegada da internet, também sendo acessível a uma grande parte da população, a palavra enciclopédia perdeu seu espaço e atualmente ao invés de falarmos “consulte a enciclopédia” dizemos “põe no Google”. A facilidade com que pipocam links falando do tema que se quer pesquisar é enorme. E o mais engraçado é que você pode se auto pesquisar. Eu, por exemplo, achei vários homônimos de nome de guerra. O que tem de Rafa Barcelos com variações próprias (nome e sobrenome diferentes) não está no gibi. Outra expressão que está em desuso.

Será que as crianças de hoje em dia sabem o que é gibi e/ou lêem algum? Eu me lembro que lia alguns da Turma da Mônica, mas colecionava mesmo o gibi dos Trapalhões. Pra quem não conhece, ou não se lembra, Trapalhões era um programa de TV humorístico que era exibido aos domingos ás sete da noite e que tinha como espinha dorsal Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Por falar nisso a espinha dorsal mudou de nome? Porque alguns pedaços do corpo humano andaram trocando de nome também, principalmente as que tinham nomes de gente como a trompa de Eustáquio, no ouvido e a de Falópio que virou apenas uma tuba uterina.

Tuba também foi um instrumento que um dia fez parte de uma orquestra. Era de sopro, pesado e você praticamente tinha que vesti-la pra poder tocar. Meu primo teve um amigo que tocava tuba. Até fez parte de uma banda que já ganhou o título de melhor banda escolar do mundo, cujo maestro veio a falecer ano passado com seus mais de noventa anos. Eu cheguei a ir na sala dele uma vez pra tentar tocar saxofone.

Tenho um amigo, o Samuca, que comprou o sax dele lá em Londres mas só depois de voltar pro Brasil começou a dedicar um tempo a mais pros estudos do instrumento e hoje ele toca na banda da cidade dele, Graças a sua admiração pelo grupo Kid Abelha e em particular pelo saxofonista da banda, o George Israel.

Israel por sua vez é um território judeu criado depois da segunda guerra, mas que por ficar no oriente médio é cercado de muçulmanos por todos os lados.

Lados eram o A e o B de qualquer disco de vinil ou fita cassete. Para fins de lançamento, existiam os compactos simples com uma faixa em cada lado e o duplo com duas em cada lado antes mesmo de sair o disco de vinil. O Samuca tem o primeiro compacto do Kid Abelha autografado por quem participava da banda até então.

Várias foram as bandas que surgiram juntas com o Kid Abelha mas poucas sobrevivem até hoje. De qualquer forma, pra se saber, se ter idéia ou até mesmo ver, escutar e sentir o que erma essas bandas não precisa ir muito longe. Só botar no Google ou acessar o You Tube que pode se ver grande parte delas.

De algumas bandas desfeitas saíram músicos que hoje são conhecidos como o Paulinho Mosca – que agora se assina somente Moska – e que tinha uma banda chamada Inimigos do Rei cujo grande sucesso era uma música de nome “uma barata chamada Kafka".


Kafka foi... Quem foi Kafka mesmo? Vou consultar minha enciclopédia.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

EMBARCANDO NAS COMPRAS

EMBARCANDO NAS COMPRAS

Uma coisa que me deixou impressionado e percebi que é uma tendência mundial é a shoppinglização dos aeroportos. Sei que essa palavra não existe e nem tô aqui querendo criar um neologismo, mas chega a ser assustador.

Todo e qualquer aeroporto que são abastecidos com voos internacionais agora parecem grandes shopping centers com as marcas que são vendidas e consumidas nos free shoppings da vida. Além disso as lanchonetes e restaurantes que são abertos dentro do aeroporto podem fazer o passageiro perder o voo. E o mais estranho é que é um novo mundo que se abre pra você. Vou tentar explicar isso melhor.

Se você leva alguém no aeroporto, se despede dele por lá, dá as costas e volta embora não sabe o que acontece com a pessoa que embarca. Primeiro que está ficando tudo automatizado. Pra sair da área comum do embarque e entrar pro reservado agora tem que encostar o seu bilhete de viagem no leitor ótico pra se abrir a porta da esperança e você passar pra próxima etapa. Esse bilhete de viagem você só pega no balcão se você quiser. Agora existe o totem onde você escaneia o seu passaporte e imprime o seu bilhete. No balcão você só passa pra despachar mala caso haja necessidade. Se só tiver levando mala de mão o problema, se houver vai ser com a segurança.

Convergendo o ponto, a partir da passagem pela porta da esperança vem a etapa do streaptease. A hora em que se deve colocar tudo que tem a possibilidade de apitar na bandeja e passar pelo raio-x. Desse ponto em específico até o seu portão de embarque o que se vê é um temendo shopping center com todas as lojas vendendo todas as coisas que se pode comprar de última hora antes de embarcar. É difícil eu fazer isso no aeroporto de embarque. De desembarque também, a não ser que haja uma encomenda que eu não tenha conseguido achar ou que me pedem de última hora como foi o caso de um perfume em específico que eu não achei e nem tive tempo de procurar em Londres e tive que comprar no aeroporto de Heatrow. E em São Paulo, por ser o ponto de entrada do meu vôo e eu ser obrigado a fazer a alfandega lá, ao sair do avião fui pra esteira retirar minha mala e logo depois vem esse espaço enorme cheio de mercadorias. Tinha outra encomenda que era comprar uma caixa de uísque e foi o que fiz. Dali a gente passa pela receita federal e sai no saguão.

Da outra vez que eu fiz esse mesmo itinerário eu saí do finger e fiquei na sala de embarque esperando o vôo da conexão, mas não era esse esquema ainda em 2011. Naquela época se esperava que o serviço melhorasse pra Copa de 2014 e alguns aeroportos já estavam em reforma.

Tive que procurar a fila de conexão da companhia aérea pra despachar novamente a mala e agora a caixa de uísque também. Pela primeira vez vi como se embarcam os materiais frágeis. Eles tem um balcão especial pra se deixar essas coisas e, ao contrário das malas,  não as colocam de qualquer jeito no bagageiro do avião. Tanto que as garrafas de uísque chegaram todas inteiras. Pra retirar também esses materiais são colocados num balcão específico e não na esteira como outra mala qualquer. E só as colocam nesse balcão depois que todas as malas forem pra esteira.


Todo e qualquer tipo de produto é encontrado atualmente nesses aeroportos. E não são lojinhas como num comércio onde cada uma tem o seu espaço físico. É tudo misturado. Talvez seja dividido por categorias e não por marcas. Tem área de perfumes, cosméticos, bebidas sem contar as cadeias de restaurantes e lanchonetes que se proliferam na área destinada a isso. Viajar se tornou um negócio bem mais lucrativo não só pras companhias aéreas mas pras marcas e lojas que conseguem abrir e se manter em atividade no aeroporto. Acho que a gente paga taxa de aeroporto pra gastar mais lá.