sexta-feira, 16 de junho de 2017

SAUDADE,QUANTO TEMPO FAZ

SAUDADE, QUANTO TEMPO FAZ

Tem dias que me bate uma saudade, uma nostalgia de um tempo que não volta mais. É um pouco redundante falar isso. Nenhum tempo volta mais. É igual água de rio que corre pro mar ou que move moinho.

Vontade de voltar no tempo e reviver dias e momentos que marcaram minha infância. Era feliz e não sabia. Acho que sou feliz ainda, mas se há felicidade pra  mim hoje eu só vou descobrir no futuro. Mais momentos que dias especificamente. Passávamos eu e minha turma do prédio brincando de pique durante intermináveis horas e gostávamos de ficar juntos curtindo essas horas.

Às vezes esse tempo está bem longe de mim. Sinto saudade dos velhos jornalistas. Aqueles que tinham como sua principal arma a máquina de escrever e dela saiam textos eloquentes e grandiosos que valorizavam muito o vocabulário que se utilizava nas páginas impressas e que circulavam nas bancas de jornal. As pessoas pareciam ler mais, serem mais instruídas, mais envolvidas em política e cultura. Atualmente é tudo muito superficial, nada se aprofunda, muito menos o vocabulário que jornais e revistas trazem nos textos das suas matérias.

Até o ano passado aqui em casa se assinavam duas revistas de grande circulação e eu as lia não por tomar partido das suas editorias, mas até mesmo pra argumentar e contrapor o que elas publicavam. Mas também depois que acabou o contrato da assinatura não sinto nenhuma falta em lê-las. Costuma-se comprar jornal aos domingos também. Desse escolho alguns cadernos e/ou colunas para lê-los, principalmente o de cultura. Talvez se eu tivesse vivido algumas décadas antes o meu interesse pelo jornalismo teria se aguçado mais. Mas também quem daquela época iria imaginar em que ponto da tecnologia da informação chegamos?

Nem eu na minha tenra infância com meus amigos do prédio em que morava imaginava que iria viver com aparatos só vistos nos filmes de James Bond ou de ficção científica. Homens nunca conviveram com dinossauros até Spielberg vir com o Jurassic Park. Robôs nunca tiveram sentimentos até o mesmo Spielberg vir com o Inteligencia Artificial. Filmes que se bobear vão ter o mesmo destino dos aparatos do James Bond, ou seja a realidade. Sinto saudade do tempo em que pokemon era só um desenho japonês chato e não um jogo viciante onde as pessoas saem com o aparelho de telefone celular em punho pra caçar em lugares reais os bichinhos virtuais.

Será que meus pais viam mal na gente quando passávamos algumas horas jogando atari. Acho que não porque inconscientemente sabíamos dividir o nosso tempo, coisa que não vejo o meu sobrinho mais velho fazer. Por outro lado o computador ou a tela do celular é a única distração que tem aqui em casa. Existem outras, mas que não enchem os olhos dele mais, como jogos ou brinquedos de montar.

Na minha infância a gente vivia mudando de fase. Tinhamos a fase da bolinha de gude, do buraco, do jogo de damas, do jogo da vida, do war e de vários tantos outros que nem passávamos perto dos jogos eletrônicos. Nossa prioridade era a socialização com nossos coleguinhas, ou melhor, com amigos que carregamos pro resto da vida. Não vejo meu sobrinho socializando com as outras crianças desse prédio aqui. Sinais dos tempos? Pode ser. Talvez seja por isso que a gente sente saudade de um tempo que não volta mais. De uma época que a gente considera de ouro. Das dificuldades que passamos antes de chegar a evolução da tecnologia e facilitar tudo.


Ninguém mais vai se lembrar de como se fazia uma pesquisa escolar no tempo em que as fontes eram ou a biblioteca da escola ou pra quem tinha em casa a enciclopédia Barsa. Principalmente agora nos tempos do google. Taí a única coisa que eu posso afirmar de que não tenho saudade, não me dá nostalgia.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

No filme “O mágico de Oz”, para Doroty, a personagem principal, voltar pra casa tem que bater os sapatos de rubi no calcanhar e repetir três vezes: “Não há melhor lugar do que o nosso lar.” Tudo foi um sonho que ela teve, uma espécie de visão, uma realidade que não era a dela, apesar de alguns conhecidos também fazerem parte da história que ela viveu. Eu faço uma analogia desse”sonho” com o teatro.

Quando a gente senta pra assistir a um espetáculo vivemos outra realidade que não a nossa. As vezes pode chegar perto e a gente se identificar com alguma coisa, mas não é a nossa realidade. As vezes pode até chocar e fazer com que você reveja alguns conceitos ou tenha mais convicção dos seus preceitos, mas o que está sendo encenado não é a nossa vida, a nossa realidade. Sabemos que aquelas pessoas existem em algum lugar, mas ali elas se demonstram pra gente. O teatro é mágico sim, mais do que o cinema que está tudo pronto. No teatro é ao vivo, é real, é ali, é agora, é efêmero, é divino. O bichinho do teatro há muito me mordeu. Sempre gostei de assistir e depois que eu voltei a trabalhar com, se um dia eu tiver que largar vai ser difícil me desapegar dele. Caso isso aconteça continuarei assistindo e acompanhando meus amigos em seus espetáculos.

É uma pena que num país como o Brasil que tem uma história e bagagem teatral antiga e enorme ainda não se valorize a arte de um modo geral. É difícil montar uma peça, lançar um livro, divulgar um trabalho musical, fotográfico, plástico, enfim, é difícil fazer arte no Brasil e mais difícil ainda que essa arte seja valorizada, receba o retorno que precise pra se manter viva e pulsante. Não dá pra ficar refém de um patrocinador, não dá pra depender de um empresa gostar do seu projeto e bancá-lo porque isso só faz selecionar o que vale ou não a pena para a própria empresa e não pra quem o teatro é de direito, ou seja, a população. Talvez seja por causa dessa política que achamos os ingressos caros. É um custo alto bancar uma peça de teatro, não só por cenários, figurinos, elenco, técnicos de luz e som como principalmente pelo alto valor dos aluguéis das salas de espetáculos particulares.

Eu fico imaginando na época das grandes companhias de teatro que se apresentavam de terça a domingo com duas sessões em alguns dias da semana e só viviam disso já que ficavam em torno de dois meses em cartaz e emendavam um espetáculo em outro sem parar. Claro que nessa época a concorrência era quase nula. Não havia televisão e muito menos internet. As pessoas se interessavam mais no que estava acontecendo culturalmente, politicamente no país. Eram outros tempos.

Atualmente os musicais tem crescido bastante. Abriu-se um gênero que valguns anos atrás eram só vistos e comentados por quem assistiam em Londres ou Nova York. Hoje existem escolas de teatro especializadas em formação de atores especificamente pra musicais. Nesse campo eu só fico meio cabreiro com os musicais ou importados ou biográficos. Acho que já está ficando maçante, mas mesmo assim apoio por ser feito pela gente e mesmo eles também tem sua magia, sua capacidade de entreter e quem sabe até modificar o interior de alguém que vai assistir.
           
          É preciso a coragem de um leão pra levantar uma peça e o enfrentamento com outros leões de bandos diferentes pra brigar por manter em cartaz. É preciso a esperteza do cérebro de um espantalho pra driblar todos os contras em chamar o público e convence-lo de que ali se vive uma vida, se conta uma história de valor. E principalmente é preciso o coração de um homem de lata pra amar esse ofício que é o de estar em cena e tudo que envolve pra que a cena aconteça. E se não há melhor lugar que o nosso lar certamente em segundo lugar não há melhor lugar que uma sala de espetáculos teatrais. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ALERGIA, ALERGIA

ALERGIA, ALERGIA

Dizem que quanto mais a gente vai ficando velho, mais surpresa temos em relação ao que o nosso organismo mostra pra gente, ou seja mais doenças aparecem. Eu, por exemplo, descobri que tenho intolerancia a algum tipo de alimento que até agora eu não sei o que é.

Tudo começou no final da temporada de “7contra 1” em julho do ano passado. Foi só a temporada acabar pra começar a surgir pontinhos avermelhados pelo meu corpo. Os percebi na segunda, na terça assisti uma leitura dramatizada e na quarta baixei no hospital pra tentar identificar alguma coisa, inclusive se era zika. A médica perguntou até se eu tinha trocado recentemente de xampu.
No exame não acusou nada e ela me receitou um anti alérgico pra tomar por sete dias. Saí do hospital e passei logo na farmácia pra comprar e já começar a tomar. Ela também receitou outro pra caso começasse a coçar. Até coçava, mas não era aquela coceira fora do normal, desesperadora, tanto que esse nem comprei e nem tomei. Quando eu percebi que não estava amais pontilhado eu parei de tomar o remédio. Não cumpri o que a médica pediu. Tomei o remédio por  seis dias e não por sete, o que fez sobrarem quatro comprimidos na cartela e que eu guardei pra sorte minha.

Poucas semanas depois tornei a ficar com pontinhos avermelhados em algumas partes do corpo, principalmente pernas e tronco. Dessa vez não fui a lugar nenhum. Tomei os quatro comprimidos restantes do antialérgico, o suficiente pra que a tal alergia não evoluísse mais e começasse a regredir num ritmo mais lento. Talvez se eu tivesse tomado mais dois ou três comprimidos a involução teria sido mais rápida. Agora o que foi que provocou isso eu não tenho a menor idéia.

Eu me lembro bem quando foi a primeira vez que isso aconteceu comigo e não precisou nem de ir a médico pra diagnosticar. Foi uns quinze anos atrás e era véspera do batizado da Diana, filha da minha prima Livia. Fui comendo salaminho e quando vi a peça do embutido estava quase no fim. Na hora nada aconteceu, mas no dia seguinte acordei todo pipocado e coçando muito mais que dessas vezes. Eu só não me lembro o que eu fiz para sumir com os pontinhos avermelhados. Nunca mais tive problemas com salaminho e como sem pensar nisso. Esse foi o mais parecido caso que vivenciei frente a essa surpreendente alergia de alguma coisa que eu comi e não sei exatamente o que.

Toda vez que eu vou a algum médico, quando perguntado se tenho alergia a alguma coisa eu respondo penicilina. Segundo o que minha mãe conta, eu devia ter uns dois ou três anos e tive que tomar uma injeção de penicilina não sei pra que que me causou uma reação alérgica. Ela acha que se eu tomar hoje em dia é capaz de eu não ter reação nenhuma, já que se passaram quase quarenta anos, mas eu prefiro não me arriscar.

Outra coisa que eu evito é camarão. Não que eu seja realmente alérgico, mas parei de comer porque sempre que eu comia me dava a mesma sensação quando a casquinha do milho de pipoca agarra na goela. Não sei se isso é um tipo de alergia, mas que é uma sensação horrível isso é.


No final do ano passado eu comentei sobre a pedra na parótida, agora sobre essa alergia misteriosa. Qual será a próxima? Ou será que isso é a reação do organismo a como ele foi tratado durante minha vida toda e agora ele está querendo me dizer pra parar com alguma coisa, mudar alguns hábitos. Mas especificamente nesse caso o que foi que eu comi que me deixou assim? Será que eu tô ficando alérgico a alguma coisa que eu não era? Isso pode acontecer? Agora que passou tudo ainda devo consultar um alergista? Nossa, quantas dúvidas, quantas perguntas. Pelo menos nesse ponto eu não tenho alergia nenhuma e gosto de procurar saber.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

MEU MUNDO CAIU (publicado em 28 ago 2006)

MEU MUNDO CAIU(publicado em 28 ago 2006)

Uma decisão tomada essa semana por cientistas astrônomos do mundo inteiro e divulgada me deixou de queixo caído. A gente quando criança que começa a estudar e observar o mundo faz umas construções que depois ficam difíceis de serem derrubadas. Essa foi uma. Desde quando aprendi, creio que na 3ª série, decorei a ordem dos planetas no sistema solar. Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Depois ainda descobriram algo semelhante a um planeta que no caso seria o décimo, mas não concederam a patente de planeta pra ele, que nem me lembro mais o que era. Agora, decidiram que Plutão não é mais um planeta. Como assim? Só porque tá longe da Terra, ou tem um tamanho n vezes inferior ao planeta azul? Então por que o colocaram como planeta se as características que ele possui não dão o grau de componente do sistema solar? Pra mim Plutão sempre será o nono planeta do sistema solar, queiram ou não os cientistas desocupados que resolveram rebaixá-lo.

Seguindo essa linha de derrubada de mitos, tive medo de ir ao cinema e ver o filme do novo ‘Superman’. Sou conservador até na ficção. Na minha concepção o homem de aço é o Christopher Reeve que viveu o personagem em uma série de quatro filmes entre o fim da década de setenta e o início da de oitenta, ou seja, minha infância. Eu até acompanhava uma série chamada ‘Lois e Clark’ e uns poucos episódios do ‘Smallville’ que também falam do Super-homem pra linguagem da televisão. Mas no cinema, aquele ‘Superman’ é imbatível pra mim. Mesmo agora depois de morto. Fica até esquisito dizer que o Super-homem morreu, mas, obviamente, não é a personagem, mas o ator que a interpretou. Em maio de 95, após a queda de um cavalo ele fraturou uma vértebra e ficou tetraplégico. De lá pra cá se tornou cobaia em vários experimentos científicos, principalmente com células-tronco, mas infelizmente deve ter uns três anos que ele voou dessa pra melhor.

Mitos caem mesmo quando eles cientificamente não foram levantados. Outro exemplo é o olho. No curso que faço de pós-graduação aos sábados pela manhã, tem uma matéria que foi iniciada há duas semanas, abrindo o último módulo do curso, chamada Teoria da Imagem, que começou explicando o olho na sua parte fisiológica, o seu funcionamento físico e químico. E por conta dos cones e bastonetes que existem nele associados com a intensidade de raios incidentes nas superfícies dos objetos é possível – pelo menos foi isso que foi afirmado em sala de aula – distinguir a cor de cada objeto. Ou seja, a cor é só o reflexo da intensidade da luz de modo que uma coisa que se vê de cor cinza, por exemplo, não e cinza, e sim fruto da sua imaginação combinada com a física e química do seu olho. Pode ter uma explicação científica plausível, mas não me é convincente. Pra mim o cinza vai ser sempre cinza, o azul, o verde, o amarelo, o vermelho e qualquer outra cor, mesmo aquelas que eu não sei identificar, tipo fúcsia, serão sempre cores e não reação químico-física do meu olho.

O mundo está em constante transformação. Acompanhei a divisão do estado de Goiás em dois (Goiás e Tocantins) e os mais antigos acompanharam o mesmo com o estado de Mato Grosso. Isso eu aceito por que não houve a supressão de nada, apenas transformações, mas as terras continuam lá, do mesmo jeito que a Rússia para com a União Soviética, A Iugoslávia, para com a Bósnia, Sérvia, Montenegro e etc... Berlim para com a Alemanha.

            Mas tenha a santa paciência. Destituir Plutão do seu posto de nono planeta do sistema solar é uma sacanagem. Tudo bem que isso não vá interferir em nada na vida terráquea. Eu sou defensor ferrenho de Plutão. Ele não pode ser substituído, se é que tem outro planeta em vista para tal. Dizer que o mundo não é colorido, que tudo é fruto de efeitos físico-químicos também é demais. E esse ‘Superman’ não é convincente

sexta-feira, 19 de maio de 2017

SERIA SE NÃO FOSSE

SERIA SE NÃO FOSSE

Uma vez um amigo meu contou duas histórias engraçadas que fazem parte das situações anedotárias pelas quais ele já passou. Sabe aquele tipo de história que ninguém acredita se não se passa por elas? Pois bem ele passou.

Eu também já passei por várias, e quem não passa, sem contar parentes e amigos que também se encontram em situações cômicas, ou seja, todo nós temos no nosso consciente um acontecimento engraçado o qual já passamos e indubitavelmente nos pegamos rindo de vários deles quando pensamos nelas. A primeira que ele me contou foi uma história acontecida no carnaval.

Época propícia pra histórias desse gênero. Ele estava na fila do banheiro, já que além de ser um rapaz educado, não queria pagar multa por fazer xixi na rua e quando estava na vez dele se alivar, chegou o fiscal expulsando todo mundo do banheiro já que o mesmo estava virando um local de pegação e ele implorou pro tal fiscal que ele não tinha nada a ver com aquela sodomia toda e tudo o que ele queria era apenas dar uma mijadinha. Disse isso quase chorando tamanha vontade que ele estava e precisava se aliviar. Imagina você pedir pelo amor de Deus pra poder desaguar no lugar próprio pra isso por conta de meia dúzia de três ou quatro salientes que resolvem fazer das casinhas do banheiro locais de “fast foda” literalmente.

A outra que ele me contou foi que por uns seis meses da vida dele trabalhou num sex shop, talvez o único da cidade na época, quando esse tipo de loja estava chegando ao Brasil. De modo que esse fornecia material para as moças de vida fácil que atendiam no bordel de alta classe da ciade e o combinado entre a loja e o prostíbulo era de que se poderia devolver o material desde que não usado e lacrado em suas caixas ou plásticos de embalagem. Agora você imagina um amoça ou rapaz de aparência distinta entrando numa loja que era novidade, ou seja, todos gostariam de entrar mas poucos tinham coragem por conta do pudor e devolvendo mercadoria por falta de uso. Algo como:
- Olha! Vim devolver esse consolo porque minha cliente achou isso um exagero e ficou com medo que eu a penetrasse com isso.

Faço idéia do que ele não tenha passado e/ou escutado por ser um atendente vde sex shop. Se em um dia você pode presenciar fatos pitorescos noma loja desse tipo, imagina em seis meses. Eu nem chamo isso de gafe, já que existia um acordo. São situações cômicas, engraçadas pelas quais passamos devido a algum fator que nos levou a ela. Um exemplo disso é ficar preso no elevador por meia hora, se foi realmente isso, e ficar com mais quatro amigos esperando por alguma solução como aconteceu comigo, com esse meu amigo  que passou por essas situações descritas acima e mais três amigos na chegadas à festinha de encerramento da temporada de um espetáculo que fizemos em julho do ano passado.

Eu mesmo já passei por várias situações cômicas como ser convidado a entrar de penetra em um aniversário e como se não bastasse aí sim cometer a gafe e dar os parabéns pra pessoa errada. Já contei essa história aqui em algum lugar do passado. Acho que os grandes gênios das situações cômicas já nos deixaram. Grande Otelo, Oscarito, Mazzaropi, Golias, Chico Anísio, Walter D’Ávila, Max Nunes... Em suma, os gênios do humor no país desde o tempo de ouro do rádio. Esses sabiam divertir todos que os ouviam/assistiam passando pelas situações mais engraçadas e/ou contando histórias tão ou mais engraçadas quanto as que eu citei acima.


A vida não seria boa se só vivêssemos e pensássemos nas tragédias. Esses tipos de situação pelas quais passamos fazem o equilíbrio com o que o mundo nos apresenta, com o que o mundo nos faz viver. Como canta o palhaço “pra viver é melhor sempre rir”. 

domingo, 14 de maio de 2017

QUAL É A MÚSICA

QUAL É A MÚSICA?

Tem uma música dos Mutantes que diz “Posso perder minha mulher, minha mãe desde que eu tenha o meu rock and roll.” Isso significa que nada é mais importante do que a música. No caso dos Mutantes, por eles fazerem o rock’n roll, esse era o tipo de música que eles não viviam sem. A música realmente dá vida ao ambiente.

Eu enquanto estou escrevendo essa postagem assim como noventa e cinco porcento das outras escuto uma música. Ligo na rádio de minha preferencia e deixo rolar a programação até eu terminar de escrever. Se não é rádio é um disco ou um canal daqueles de música da tv a cabo, mas sempre deixo as ondas sonoras penetrarem nos meus tímpanos. No banheiro tenho um rádio pendurado no cano do chuveiro pra toda vez que eu vou demorar um pouco lá, liga-lo. Quando entro no carro umas das primeiras coisas que eu faço é ligar o som.

Música é um meio de comunicação e assim como um livro, um filme ou uma peça de teatro ela pode te alegrar, te entristecer, provocar algum tipo de sensação, te reportar pra algum lugar ou apenas te divertir. Atualmente tá cada vez mais difícil rotular um gênero musical. Não existe uma definição nítida de que música representa esse ou aquele seguimento. Claro que uma vez rotulado, por questão de catalogamento nas lojas que ainda vendem disco, tal cantor vai ser sempre parte daquele seguimento, mesmo que a proposta não seja mais aquela.

O gênero MPB, por exemplo, abrange muita coisa. Tenho pra mim que esse rótulo foi criado lá pelos anos sessenta, na época dos grandes festivais quando os chamados populares ouviam canções de Chico, Gal, Caetano, Gil, Bethania, Elis dentre tantos outros que levantaram e criaram essa bandeira da música popular brasileira. Quem atualmente rotula isso? Dos anos sessenta pra cá tanta coisa mudou. Hoje cada um pode produzir o seu disco no computador de casa, gravar um clipe também caseiro, colocar no you tube e virar um sucesso sem mesmo que esteja amparado por nenhuma gravadora.

Aliás, ainda exite gravadora? Existe, mas o processo não é mais o mesmo. Contrato mesmo só com um ou outro, tipo Ivete , Caetano... A grande maioria abriu sua própria gravadora e se utiliza das grandes pra parceria na distribuição, caso as próprias não consigam por si só, pela sua real independência. Essa evolução acabou com programas tipo o do Chacrinha, cujos artistas iam lá pra cantar seus lançamentos e sucessos. Hoje tudo se encontra na internet. Assim como a música te faz viajar, eu acho que fiz o mesmo falando sobre isso tudo.

O fato é que a música nunca vai deixar de existir, mesmo que modifiquem seus métodos de produção, de divulgação e por que não dizer também de execução. E enquanto existir música vai existir avivamento de ambiente independente do astral da música. Não haveria som se não houvesse o silêncio como canta o Lulu Santos, e não há melhor tipo de som do que um harmonioso , melodioso e até hipinótico como a música. Por mais que eu não goste de alguns rótulos, por mais que eu não consuma certos seguimentos acho que há espaço pra tudo e pra todos. Aqueles que conseguirem se manter vão se eternizar.

             Garanto que tem muita gente que deu as caras nos anos sessenta que ninguém sabe quem é ou por onde anda. Quando a música é boa e o artista que o suporta também tem qualidade o tempo vai se encarregar de perpetuar e eternizar o seu trabalho na memória de todos . Assim como tem gente que está em voga hoje e que daqui a alguns anos ninguém vai saber quem foi. As vezes conseguem emplacar um sucesso, tentam um segundo mas não passa do terceiro. De qualquer modo se agarram na música, tentam com ela e nela ficam, mesmo que ninguém as ouça.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

DO LAR

DO LAR

Do lar. Somente pouco tempo atrás isso foi reconhecido como profissão. Agora se pode aposentar como sendo do lar. A mulher que fica em casa cuidando a vida toda de um lar agora pode contar com a previdência social para o desfruto de uma aposentadoria. Uma pessoa que se considera do lar não tem o mesmo rótulo que doméstica ou diarista já que essas cuidam também da casa dos outros além das delas próprias e nem pode ser considerada desempregada pelo fato de um lar consumir tanta energia humana pra ser mantido e isso é um tipo de trabalho mesmo que não remunerado.

A minha vivência, a minha experiência indica que eu poderia ser uma pessoa do laer sem maiores empecilhos. Ao morar em Londres eu tive que aprender a me virar sozinho . Aqui eu já me virava um pouco, mas lá foi diferente. Foi aquela coisa de que se eu não fizesse não teria a quem recorrer, por mais que as pessoas da casa se ajudassem. Lá eu cozinhava minha própria comida, eu lavava minha própria roupa, eu limpava meu quarto, eu aprendi a me virar ainda mais. Essa experiência é grandiosa e uma ótima oportunidade pra quem pode vivenciá-la. Recomendo sempre. Tanto que depois que eu voltei de lá eu fiquei mais independente e quando nos mudamos  de apartamento, no meu quarto, no meu território quem faz tudo sou eu.

Uma vez por mês eu troco a roupa de cama, tiro as teias de aranha  que eventualmente se formam nas junções dos tetos com as paredes, passo aspirador, isso só no meu quarto. A Nadir até dá uma força passando a vassoura ou um pano úmido uma vez por semana. E todo ano eu limpo todo o meu armário. Tiro ítem por ítem, passo um perfex com veja, limpo a poeria acumulada do ano não só no armário, mas na escrivaninha e na mesinha do som e da TV também. Na cozinha eu cuido do meu mate que faço todo dia, ou quase, e do meu arroz que geralmente cozinho no domingo pra comer durante a semana até acabar o estoque.

Em Londres eu também tirava uma dia pra cozinhar, geralmente eram nas segundas quando eu voltava com as compras da semana e sentava pra descascar os legumes e cozinha-los. Quando se resolvia fazer jantar pro pessoal da casa quem fazia um macarrão a carbonara, modéstia parte gostoso, era eu. Mais ou menos quinze pessoas se deliciando com meu tempero. Era bom.

As únicas coisas das quais me queixo não saber fazer no que diz respeito a ser do lar são passar e costurar. Cheguei a me arriscar a passar alguma roupa em Londres e foi lá que percebi essa minha deficiência. Não fica perfeito. Fica tipo um desamassado enrugado. Mas como em Londres as roupas se escondem por baixo dos casacões grandese quentes ninguém ve se as roupas estão amassadas ou não e eu acho que eles estão tão acostumados a fazer isso que eles também nem passam passam as camisas de malha. Ou então levam pra lavanderia e deixam esse tipo de serviço a cargo de um terceirizado.

Já costurar eu nunca me arrisquei. Tinha épocas que minha mãe usava a máquina de costura dela pra ajeitar algumas peças de roupas nossas. Nem com a máquina eu me daria bem. Acho que não tenho dom pra isso. Não sei nem pegar um botão numa calça ou camisa. Se bem que ultimamente não tenho precisado, mas nua emergência eu não vou saber fazer. Primeiro se perde um bom tempo tentando enfiar a linha no buraco da agulha. Depois tem que passar pelo furo e quando chega a um determinado ponto dá-se um nó na linha.


Se for isso na teoria você até pode achar que costuro bem, mas na prática eu não consigo fazer nada disso. A parte linha, agulha e ferro de passar, pro resto do lar eu não me aperto.