quarta-feira, 25 de dezembro de 2002

ESPECIAL DE FIM DE ANO



Todo ano é a mesma coisa. Mas é diferente. Chega o fim de ano e os especiais de Natal pipocam na tela da televisão. Essa é a parte igual. Desde que eu me entendo por gente, o Natal não é Natal sem peru e sem especial de Roberto Carlos. Não me lembro bem, mas acho que já passei Natal sem peru. Filmes inéditos que são anunciados em março e que passam comedidamente ao longo do ano são desaguados no Natal. Os programas que casualmente estão nas grades de programação também ganham especiais de fim de ano. É sempre assim.



Resolvi então fazer o meu especial de fim de ano. Meu não, nosso. Meu porque eu que criei e seu por que está lendo. Aproveitando as duas primeiras frases do texto, elas também servem pro meu Natal, pro Natal que eu passo com a minha família por parte de pai. Isso já virou tradição. O que vocês vão ler a partir da próxima postagem, é fruto de um trabalho de antropologia que eu fiz pra faculdade no início do curso, não me lembro se no segundo ou terceiro semestres.



O que eu me lembro era que foi o primeiro verãozão que a gente passou estudando em virtude de uma greve enorme que a gente enfrentou em 1998, greve essa que começou em abril e acabou no dia seguinte da fatídica final da copa da França. Nesse período, além do trabalho de Natal teve o de carnaval. Essas foram as duas avaliações daquele período. Eu tive como nota 9,5 nos dois e, conseqüentemente, como média final. Esse especial de Natal que vocês vão acompanhar a partir da próxima postagem é referente ao Natal de 1998. De lá pra cá muita coisa mudou, mas a essência continua a mesma.



As mudanças mais radicais, além de quatro anos de mais idade serão relatadas agora. Primeiro é que tia Roseléa não é mais casada com o Paulo como consta na lista de presentes escolhidos pro amigo oculto. Por falar nisso, o meu pedido é o mesmo. O Natal, não é Natal sem peru, sem especial de Roberto Carlos e, no meu caso, sem Cd de Escola de Samba. Segundo é que não passamos mais o Natal na casa da tia Roseléa e sim do tio Roberto. Atualmente é o lugar mais amplo e espaçoso pros membros da família se reunirem. Terceiro que minha prima Jana, por motivo de força maior, não passa o Natal com a gente. Ela mora na Califórnia. São quando dá que ela vem fartar nossa ceia. Por enquanto, até agora, não deu. Mas a gente tem fé que um dia dê. Dê pra nós todos irmos pra Califórnia passar o Natal com ela.



Dada as devidas proporções e considerando essas mudanças, a essência do Natal na minha família é a que vocês vão ler. Não sei se tenho mais ressalvas a fazer. Não me lembro de outra coisa pra ser ressaltada, outra mudança radical de lá pra cá. Mesmo assim, é basicamente isso. Conforme for eu ponho notas de pé de página.



Tenho esperanças de conseguir o que eu quero, tenho esperanças de um futuro melhor pra todos nós, tenho esperanças... Eu acho que vou conseguir. Tenho meus motivos. Estão mais pra supertições que motivos. Mas se eu acredito neles, são motivos concretos, pelo menos pra mim. Sempre achei que os melhores anos da minha vida foram os ímpares, sem desmerecer os pares que foram muito bons também. Tenho atualmente 25 anos. Dois mais cinco dão sete. É o número que eu mais gosto. Enquanto transitei por essa idade produzi muito. Ano que vem é 2003. Dois mais três dão cinco. Outro número impar. Preciso de mais motivo pra acreditar que no próximo ano vou degringolar? O universo está conspirando ao meu favor. Espero ter sorte o suficiente para realizar o meu desejo.



No mais é isso aí. Como é a última vez esse ano que sento pra conversar com vocês, quero desejar a todos um Feliz Natal, um ano novo repleto de alegrias e realizações. Eu vou correr atrás da minha. Até a próxima inédita ano que vem. Beijos.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2002

ENQUANTO ISSO, NO MINISTÉRIO DA CULTURA...



O cenário é Brasília, mais precisamente no prédio do Ministério da Cultura. O dia? Terça-feira. Logo depois do almoço, já que pela manhã o ministro viajou para Brasília. Na segunda, ele descansou dos shows do fim de semana. O assessor do gabinete passa as informações.

- Bom dia ministro. Soube que seu show em Passo Fundo foi um sucesso.

- Traga-me um copo d’água. Tenho sede.

- Tudo bem. Aqui está. Fez boa viagem?

- De avião o tempo de uma saudade.

- Essa vida de aeroporto é mesmo cansativa, mas o senhor deve estar acostumado. Faz shows em tudo quanto é canto do mundo. Talvez a freqüência não fosse tão grande. Pensou que compartilhar apresentações com vida de ministro fosse moleza?

- Não me iludo. Tudo permanecerá do jeito que tem sido.

- Espero que você consiga conciliar as duas coisas. Podiam te liberar uma verba especial pra viagens ou então um meio de transporte mais rápido.

- O expresso 2222.

- Bem, vamos ao que realmente interessa. A classe teatral está reclamando da pouca verba para montagem de espetáculos. O Falabela quer produzir outro musical. Quem quer falar com você também é a Fernanda. A Tônia mandou um telegrama assinado por ela e pelo Paulo Autran. O que o senhor pretende fazer com a verba?

- Realce. Quanto mais purpurina melhor.

- E quanto aos outros seguimentos da arte. Não vão ser prejudicados?

- Não se incomode. O que a gente pode, pode. O que a gente não pode, explodirá.

- Essa é sua última palavra? O senhor não acha que vai criar um mal estar com os outros setores? Eles vão cobrar mais de você.

- Deus sabe a minha confissão. Não há o que perdoar e por isso mesmo é que há de haver mais compaixão.

- Então assina aqui. Ah! O Caetano ligou pra você. Sabe o recado que ele deixou?

- Aquele abraço.

- E, além disso, pediu pra entrar em contato com ele. Quer saber se o senhor vai ter espaço pra fazer uma apresentação beneficente junto com a Ivete e a Daniela.

- Toda menina baiana tem um jeito que Deus deu.

- O senhor se estressa pouco. Nem os problemas do ministério deixa o senhor agitado.

- A paz invadiu o meu coração. De repente se encheu de paz.

- Ministro, que ninguém nos ouça, cá entre nós, tenho que dar um jeito na minha vida. Tenho sentido que estou ficado muito agitado, muito nervoso. O senhor pode me dar um conselho?

- Caia já na gandaia.

- Não, não sou muito de curtir agitação. Queria ir pra um lugar mais tranqüilo, mais calmo, onde minha mente pode se desprender um pouco disso tudo aqui entendeu? E aí? Alguma idéia?

- Sítio do Pica Pau Amarelo.

- Só um instante, ministro, o telefone está tocando. Alô. Só um momento. Sua filha. (Minutos depois) E aí, ministro? Pode se saber o que ela falou pro senhor?

- Tá me esperando na janela. Não sei se vou me segurar.

sábado, 14 de dezembro de 2002

MAIS UM NA MULTIDÃO



Está chegando a época das festas de fim de ano. Faltam alguns dias para o Natal. Natal parece que é tempo de confraternização. E é. Mas, em se tratando de confraternização, é o que eu chamo de bonança. A bonança vem depois da tempestade.



A tempestade de Natal começa no início do mês de dezembro quando se arma no seio da família o modo de confraternizar o Natal daquele ano. Os parentes compartilham não só os presentes como a ceia. Raios e trovões já podem ser escutados a partir desse momento. Pra quem recebe, o décimo terceiro salário pode ser o indício de um tempo melhorzinho. Se ele for reservado pra quitar antigas dívidas, aí e que não tem indício nenhum e o tempo continua feio.



As confraternizações surgem em todos os cantos. Casa, trabalho, escola dos filhos... Tem Natal por perto, presentes vão rolar. Já começa aí. Qualquer ato desse tipo tem a já famosa e tradicional brincadeira do amigo oculto ou secreto. Se você é o tipo de pessoa que tem que comparecer a todos os tipos de confraternização natalina, prepare os dedos indicadores e polegares pra puxarem quantos papeizinhos bem dobrados forem necessários. É aí que a tromba d’água é formada. Principalmente se as exigências ou características do amigo oculto forem diferentes. Os menos favorecidos ou os mais pão duros já definem logo que o valor da mercadoria pra ser presenteada e ao mesmo tempo recebida não pode passar de R$ 1,99. Tem os pseudoamigos que são aqueles que estimam valores em R$ 10,00 só pra não dizer que não passou em branco e/ou pra esconder que está duro, sem um tostão furado no bolso. E tem os corretos, cujos valores estipulados dão pra comprar um bom presente. Quantos papeizinhos você tirou? Cuidado pra não confundir e dar um presente de R$ 30,00 no amigo secreto de R$ 1,99.



Tormenta armada vem a tempestade. Hora de encarar as lojas e shoppings. Dia de semana não dá tempo. Fim de semana fica intransitável e todas as mercadorias não estão completas, estão danificadas ou só tem aquela que está exposta, mas vai chegar mais na segunda ou terça feira. Quando você acha uma mercadoria boa, que você pode comprar e dar de presente, não necessariamente pra amigo secreto, mas também pra uma pessoa que você queira dar, por ter achado aquilo a cara dela, tem sempre uma outra pessoa que pensa o mesmo que você e pega o produto. As mais mal educadas o arrancam da sua mão. Aí é chuva na certa daquelas que alagam ruas, param o trânsito e deixam todos ilhados. Depois dessa disputa praticamente a tapas e com interferência do estoquista na definição de quem leva a mercadoria, vem aquela longa, interminável e imóvel fila pra que a mercadoria escolhida por você, que lhe rendeu hematomas e escoriações, pudesse ser paga. E essa foi só uma. Só uma loja, só um presente, só uma briga...



Se estiver dentro de um shopping, o tempo está propício a mais chuvas e trovoadas. Quando se consegue sair da loja, trava-se lutas e lutas pra poder sair do shopping. É uma verdadeira natação contra a corrente. Aquele mar de gente vindo em direção contrária. Você é apenas um na multidão. Mais duas horas pra poder ver o asfalto da rua. No mercado, quando se vai fazer as compras de comida pra ceia de Natal, é a mesma coisa. As uvas sempre amassadas, o peru não é lá aquele que enche os olhos e o bacalhau ta mais pra sardinha. Os problemas são os mesmos. Mudam somente o ambiente e os produtos.



Esse clima com tempo fechado começa a mudar depois que tudo estiver comprado. E na véspera de Natal, no dia 24, independente do tempo externo, o que paira sobre as nossas cabeças e coração é aquele sol radiante. Todo o sacrifício foi feito em troca do sorriso, da alegria e da felicidade daquele momento. Acaba que se esquece de tudo por que passou.

sábado, 7 de dezembro de 2002

PRESIDENTE POPSTAR



“Bossa nova mesmo é ser presidente/Desta terra descoberta por Cabral/ Para tanto basta ser tão simplesmente/ Simpático, risonho, original/ Depois desfrutar da maravilha/ De ser o presidente do Brasil/ Voar da velha cap pra Brasília/ Ver a Alvorada e voar de volta ao Rio/ Voar, voar, voar/ Voar, voar pra bem distante/ Até Versalhes onde duas mineirinhas/ Valsinhas dançam como debutante/ Interessante/ Mandar parente a jato pro dentista/ Almoçar com o tenista campeão/ Também poder ser um bom artista exclusivista/ Tomando com Dilermando/ Umas aulinhas de violão/ Isso é viver como se aprova/ É ser um presidente bossa nova.”



No final da década de 50 essa modinha composta por Juca Chaves fez o maior sucesso. O nome da música é ‘Presidente Bossa Nova’. Falava, como dá pra perceber, sobre o presidente Juscelino Kubitchek e suas aventuras na presidência do Brasil. Acho que esse foi o único presidente que a gente teve com nome complicado. Me perdoe se não é assim que se escreve. É assim que se fala, ao menos. Porém vamos trata-lo por JK, que é como ele costuma ser mencionado.



Presidente brasileiro tem nome bom pra ser abreviado. Por exemplo, estamos saindo da era FHC que tinha em JK um exemplo de bom presidente. Sem falar no Jango, abreviatura de João Goulart. Aqueles que não são abreviados como Sarney, Collor e Itamar, são apelidados por uma característica. Existe essa segunda vertente na presidência. O bigodão ou jaquetão do Sarney, o ‘aquilo roxo’ do Collor e o topete do Itamar são bons ganchos. E o Lula?



O Lula é um caso a parte. Lula já é apelido de Luis, ou seja, entra na primeira categoria. Mas também já é nome próprio que ele incorporou na identidade. Isso bate na segunda categoria. Pelo menos por enquanto não vejo característica marcante para que Lula, que já é apelido, possa ser apelidado novamente. Ele será o primeiro presidente do Brasil a ter dois apelidos que o identificam, caso isso aconteça.



Pegando o trecho da música do Juca Chaves que fala “Também pode ser um bom artista exclusivista/ Tomando com Dilermando/ Umas aulinhas de violão/ Isso é viver como se aprova/ É ser um presidente bossa nova”, dá pra ser feita uma analogia, aliás, como em toda música, mantendo as devidas proporções. Exclusivamente nesse trecho parece que o mesmo está acontecendo com o nosso presidente eleito.



Troquemos o violão pelo violino que ele andou tocando e sem ter aula, pelo menos que eu saiba. E ele está me saindo um bom artista. O Brasil nunca teve isso. Que bom que agora está tendo. Espero que esse seja o primeiro de uma infinidade de presidente popstars. Ele deveria exigir cachê alto pra suas aparições em grandes reuniões internacionais e, em cada hotel que se hospedasse, 267 toalhas brancas, 58 amarelas bebê, além de roupa de cama trocada de cinco em cinco horas, tinas e tinas de água Perrier além de 160 garrafas de vinho Romané-Conti (ou qualquer nome parecido). Quando ele sai ás ruas é tratado como ídolo. Fica uma população aglutinada onde quer que ele vá. Nem no cardiologista ele pode mais ir tranqüilo. Leva meia hora pra andar 5 metros. E ainda falta um pouco menos de um mês pra ele tomar posse e se tornar definitivamente nosso presidente. Imagina depois de empossado? Como todo bom astro, faz charme pra dizer qual será o repertório do seu ministério e sempre marca infindáveis reuniões com seus agentes de transição.



Há algumas semanas a rapaziada do Casseta e Planeta fez uma promoção para a escolha do bordão que seria utilizado pelo ‘Luis Inácio Bussunda da Silva’. O rapaz que mandou o bordão vencedor que é lá de Campinas, SP, foi iluminado quando criou e teve a ajuda de pessoas iluminadas e com apuradíssimo senso de humor que votaram nele pra gente se divertir por muito tempo. O bordão: “O companheiro aceita um autógrafo?”

sábado, 30 de novembro de 2002

OCASO PEDRINHO



Não estranhem. Não foi erro de digitação. È ocaso junto mesmo. Ocaso, segundo o dicionário Michaelis que dizer: “1. O pôr do Sol; o desaparecimento de qualquer astro no horizonte. 2. Ocidente, poente. 3. Decadência, declínio, ruína. 4. Fim, final, termo. 5. Morte.” E é sobre justamente isso de que eu vou falar.



Estava relutando pra não falar sobre essa polêmica, mas tá ficando impossível. Todo mundo fala, comenta, é manchete de jornais e revistas, assunto em roda de discussão... Vou dar o meu palpite também. Sem querer tomar partido de algum lado da história, mas já tomando, fico imaginando como é que está a cabeça desse rapaz, o Osvaldo.



Imagina só. Você está em casa um belo dia e abre o jornal. Lendo uma notícia, você descobre que não é filho do sei pai, muito menos da sua mãe que é vista como uma das maiores criminosas do país, que seus irmãos na verdade não são seus, que seu nome não é Osvaldo, mas sim Pedrinho. Como é que você ia ficar? Eu ia pirar de vez. Aí você abre a porta de casa e sofre uma pipocação de flashes na cara, câmeras e microfones praticamente sendo empurrados goela abaixo, pessoas perguntando o que você achava daquilo tudo.



Você? Você quem, cara pálida? Você não é mais quem era e muito menos será quem querem que seja. Arruinaram com todos os seus pilares, o alicerce de dezessete anos despencou como um Palace 2. Estão praticamente te matando e te ressuscitando com outra vida sem que seu coração parasse de bater. Sua vida está acabada, pelo menos durante um bom tempo. Sua liberdade então, nem se fala. Osvaldo Jr. não existe mais, mesmo depois de dezessete anos sendo ele. Agora você é Pedrinho. Filhos de outros pais, irmão de outros filhos, primo de outros primos, sobrinho de outros tios e neto de outros avós.



Não sei vocês sabem, mas tem um coração repleto de sentimentos e emoções vividas com aquela mulher. Como é que se renega uma mãe que te criou durante esse tempo todo? Onde ficam os valores, a educação e o caráter que ela depositou nele. Meio que faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Concordo que ela, a mãe Vilma, não tem valores, educação e caráter, mas ela construiu um ou fez com que Osvaldo Jr., vulgo Pedrinho, formasse um.



Não quero acobertar ninguém. Ela está errada em fazer isso. Sorte de Osvaldo pai ter morrido pra não passar pela humilhação de ter convivido com uma pessoa má. Se bem que pelo visto ele também não era flor que se cheirasse. Ela é má sim. Uma pessoa que pega uma criança do berçário do hospital como quem tivesse pegando um repolho de supermercado é má. O crime foi cometido sim. Tem que ser investigado e esclarecido. Não pode ficar impune e não tem punição maior pra uma mãe do que ficar sem um filho. Mesmo não sendo dela. Também não acho que Osvaldo Jr tem que ser o Pedrinho. Eu veria minha família biológica como amigos com quem eu pudesse contar, mas não conviveria com eles e nem trocaria minha identidade por causa disso. Acho que assim eu ficava mais próximo da minha mãe biológica, que foi quem mais sofreu com essa história toda e da família com a qual fui criado.



Agora tem a suspeita da Roberta, que parece também não ser Roberta, ter sido pega na maternidade do mesmo jeito que Pedrinho, vulgo Osvaldo Jr. A suposta mãe biológica de Roberta é quem está certa. Primeira coisa é esperar o resultado do exame de DNA pra que fosse confirmada a maternidade e depois se ela, a Roberta, quisesse falar com a mãe biológica, tudo bem. Ela, a suposta mãe biológica da Roberta, afirmou categoricamente que não iria criar expectativa em torno desse encontro pelo fato de Roberta já ter outra criação. Isso é que é mãe.

domingo, 24 de novembro de 2002

UMA CASA PORTUGUESA COM CERTEZA



Nessa semana Niterói, minha cidade, comemorou 429 anos. Ou seja, 73 anos e 7 meses depois da descoberta do Brasil, um dos melhores pedaços de terra fica com Araribóia. Como o índio não foi bobo, resolveu ficar de camarote só observando o Rio, do mesmo modo que sua estátua está colocada defronte a estação das barcas. Dizem que ele fica observando quem chega nas terras dele.



Falando em Araribóia, essa semana teve uma discussão pra saber qual seria o melhor símbolo da cidade. Se prevalecia a imagem do índio ou o Museu de Arte Contemporânea, o MAC, idealizado por Oscar Niemayer e inaugurado, se não me engano, em 1996. Sinceramente, acredito que a cara de Niterói é o índio. Niterói já é um nome indígena que significa Águas Escondidas (ou seria Águas Limpas?). E se não fosse por Araribóia, o MAC, não existiria. Ou melhor, poderia até existir, mas não estaria onde está agora.



Não quero tirar o mérito do Niemayer. O museu é uma das melhores obras feitas por ele. O local escolhido foi perfeito. Parece uma nave espacial onipresente e onipotente que paira sobre a orla de Icaraí (outra palavra indígena) e a vista tanto de dentro pra fora quanto de fora pra dentro do museu é um espetáculo à parte. No entanto, nessa mesma semana, foi inaugurado em Curitiba, PR, um outro museu, também idealizado pelo Oscar Niemayer que eu achei parecidíssimo com o MAC pela sua forma arrojada e pelas linhas curvas. Lá, ao invés de disco voador, é um olho.



Araribóia e MAC são a confirmação de que tradição e modernidade podem conviver lado a lado e, de alguma forma, antes deles dois vieram os portugueses. No aniversário da cidade a prefeitura promoveu, como todo ano, ou seja, já virou tradição, um show na praia. Esse ano fez-se brilhar a estrela de Bibi Ferreira. Dona de uma voz potente, no auge dos seus 81 anos, ela interpretou a cantora portuguesa Amália Rodrigues incluindo todos os grandes fados cantados por ela.



Confesso pras paredes também, que fiquei me sentindo o ser mais burro da face da terra. Tinha um certo preconceito com os fados e, pelo que foi apresentado pela Bibi, o fado pode até ser meio melancólico, mas é lindo. As melodias me fizeram ficar boquiaberto. Segundo a história contada durante o show, Amália Rodrigues sempre fez sucesso. Durante décadas ela foi bem quista pelos povos de todos os continentes e adorava o Brasil. Os poucos fados que conheci, devo a Roberto Leal. Certamente ele regravou um ou outro fado de Amália, mas ela continua sendo a maior. E ficou maior ainda na pele e na voz de Bibi Ferreira.



Estou apaixonado por Amália e por Bibi. Tão apaixonado que pensei, em um primeiro momento em prestar uma homenagem pessoal desfilando pela Viradouro, já que é ela o enredo da escola. Foi só num primeiro momento. Depois da homenagem que eles prestaram a ela no fim do show, tive que repensar. Primeiro por a terem deixado esperar um pouco. Pra relembrar alguns sambas. Dois pra ser mais exato. Vê se tem cabimento isso. A homenagem é pra Bibi Ferreira e eles começaram cantando o samba sobre Dercy Gonçalves. Isso é coisa que se faça com uma senhora de 81 anos que acabara de fazer um show? Depois cantaram o samba campeão do carnaval de 97 e por último cantaram o samba sobre a Bibi Ferreira.



Todos sabem que a minha escola é Viradouro, mas o samba desse ano é uma merda. Coitada da Bibi. Merecia coisa melhor. Vamos ver como ela vai se comportar na avenida. Eu não escutei os sambas das outras escolas, mas se for desse nível o carnaval tá acabado em termos de criatividade nas letras dos sambas. Por falar em samba, o Roberto Leal gravou ‘Casa Portuguesa’ em ritmo de samba. É como comer Bacalhau a Gomes de Sá com uma caipirinha.

segunda-feira, 18 de novembro de 2002

NASCE UMA ESTRELA



Na quinta feira, dia sete de novembro de 02, o Jornal Nacional exibiu uma matéria que parecia ser interessante. Justamente nesse dia eu, que assisto ao telejornal assiduamente, não pude parar pra acompanhar o noticiário por completo, já que o Pedro, meu sobrinho-primo (se não existe essa categoria a partir de agora passa a existir até porque eu já tenho cinco, três meninos: Daniel, Pedro e Victor Hugo e duas meninas: Ana Helena e Diana, essa, por enquanto, a caçula. Isso sem contar com o Ricardo da Luciana e do Waguinho, meus primos lá de Vila Velha) estava aqui em casa e eu estava revezando com minha mãe a vigilância em cima dele.

Numa pequena folga minha, parei pra ver a reportagem sobre uma estrela. Pra falar a verdade, não sei se era uma galáxia nova que os cientistas haviam descoberto ou se era sobre a primeira estrela avistada por esses cientistas. Não sei. Mas o que mais me chamou a atenção foi a nomenclatura que deram praquele ponto luminoso.



Todo mundo sabe que cientista é maluco mesmo. E alguns até são pagos pra fazerem estudos que não mudará em nada a nossa vida. Não quero criticar os astrônomos, pelo contrário, acho que eles fazem um trabalho importante em mapear o céu. Quem sabe eles não conseguem fazer contatos imediatos de primeiro grau com extra terrestres. Só acho que minha vida não vai melhorar por causa dessa descoberta. A não ser que o universo conspire a meu favor, mas mesmo assim vou custar a acreditar que foi somente por causa daquela estrela.



E não é pra rir? Sabe qual é o nome da estrela que virou notícia talvez no telejornal mais assistido do país? H10207MENOS5240. O que leva uma pessoa a batizar uma estrela assim? Poderia ter um nome comum como Valter, Jorge ou Lúcio. Eu ficaria honrado se tivesse uma estrela com meu nome.



Tudo bem, serei menos radical. Que se pusesse estrela Dalva ou Vésper. Já existem? Então que se pegasse o nome de outra companhia de telecomunicações. Era muito mais fácil ter uma estrela de nome OI do que H10207MENOS5240.



Ninguém em sã consciência olha pra um céu estrelado, tal qual aquele que se canta em festa de São João, aponta uma estrela e diz sem duvidar:

“Aquela ali é que é a H10207MENOS5240.”



Estou começando a admitir que a carreira de astrônomo deve ser a melhor do mundo. Já imaginou ganhar dinheiro só pra ficar olhando pra cima e inventar nomes como H10207MENOS5240 pra qualquer ponto novo que brilha no céu?

Por falar em inventar. A nossa propaganda é a melhor do mundo. Os comerciais estão ficando cada vez mais criativos e engraçados. E a graça, às vezes, vem das coisas mais inesperadas.



Tem um comercial do jornal O DIA, que eu também costumo dar uma olhada, que não é um grande filme publicitário, mas faz boa propaganda do jornal. Num dos filmes publicitários, o rosto de uma mulher sai detrás do jornal e estampa um sorriso no rosto. Só que os diretores da peça publicitária deram pra ela um jornal cuja manchete não era agradável.



As letras garrafais diziam, não com essas palavras, que o real desvalorizara tanto que estava tendo o mesmo valor que o peso argentino. O que eu gostaria realmente de saber era qual a parte do jornal que ela estava lendo pra aparecer com aqueles dentes arreganhados, já que a situação do país era extremamente preocupante.



Talvez um anúncio classificado erótico prometendo grandes milagres sexuais; a parte das reclamações de buracos numa rua do bairro de Seropédica ou de algum defunto conhecido do obituário que tenha esquecido de convida-la pro enterro.

sexta-feira, 8 de novembro de 2002

Sensações Indecentes



Dia desses, chegando em casa depois de ter dado um serão com s, c, x, ch, ss na estagiária que dá mole pra mim, encontrei com uma santa moça que mora em um bloco defronte ao meu no condomínio ‘Solar da Boa Esperança’ aqui em Belford Roxo.

Digamos que somos vizinhos de janela e, como Adalgisa, minha amada e cornuda esposa, estava na casa do padeiro, um grande amigo nosso, não resisti. Peguei o binóculo para ver mais de perto as entranhas dela.



Era um dia muito quente. Ela, uma loiríssima bastante voluptuosa, saía de seu banho noturno e ia em direção ao quarto com um andar de levantar a imoralidade e os maus costumes de qualquer homem de bem, assim como eu. As mãos dela pareciam duas luvas da mais pura seda; seus olhos, azuis celestiais hipnotizavam e petrificavam aquele que os olhasse profundamente, como a medusa.



Shirley, seu nome artístico, pelo menos como eu a conhecia, entrou no quarto com uma toalha cobrindo o seu corpo gostoso, objeto do desejo masculino, e, com o calor que fazia, deixou a toalha escorregar pelo seu perfeito corpo como folha caindo de uma árvore. Ela pisou na toalha e se esticou até alcançar o que ela queria, o sensual beibidol, e vestiu-se como uma deusa pondo seu manto louvado pelos seus servos.



Sentou-se defronte a penteadeira na qual ela guardava o que mais a embelezava: o seu espelho. Perfumou-se, passou cremes, esfregou as mãos e depois deslizou-as em suas maciças coxias roliças desejando mais o que a esperava.

O seu caminhar, da penteadeira até a cama, era como se estivesse bailando onipotentemente nos pensamentos dos machos da cidade inteira. Deitou eroticamente na cama, pronta para mais uma bela noite. Ao virar-se de lado, botando o seu bumbum de encontro aos raios lunares e aos meus olhares, estupefactuou-se ao vê-lo na cabeceira de sua cama. É, ele estava lá. O maior estivador de toda sua vida.



Por um instante senti ciúme e inveja daquele sujeito que, pra surpresa minha, estava lá ao lado dela. Ela pensou duas vezes, mas não resistiu. Começou a tirar-lhe a roupa de cima para baixo (afinal, do jeito que ela é, não queria perder essa oportunidade).



Começou a rir para ele numa tentativa de seduzi-lo, depois parou e começou a olhá-lo com aquele olhar de medusa. Vadia. Não teve jeito. Cachorra. Ele também não resistiu e ficou louquinho para penetrar na boca dela. Confesso que eu também



Ela agarrou-o e caiu de boca nele, e ele nada mais podia fazer contra as mordidas dela, pois ela era tarada por ele, e ele era apenas uma pobre e indefesa barra de ‘Diamante Negro’.



Numa hora dessas eu penso que seria bem melhor ser uma barra de chocolate, mesmo um ‘bis’, e sentir prazer em ser atacado por uma boca daquela, do que ficar no apartamento de frente só observando e ter que aturar uma Adalgisa do meu lado todos os dias.



Perceberam o que um chocolate pode fazer com uma pobre donzela?



*** Confesso pra vocês que esse texto teve inspiração e base nas colunas dominicais do Agamenon Mendes Pedreira no jornal O Globo. Lógico que o lado dele é mais jornalístico, sacaneando os fatos ocorridos no noticiário da semana. Faça-se justiça também que a coluna do Agamenon é escrita por alguns elementos que compõem o grupo humorístico Casseta e Planeta.

Me desculpem, mas é que fiquei meio sem tempo de bolar uma coisa nova pra essa semana. Foi por uma boa razão. Podem acreditar. No entanto já colhi material pra texto inédito que pretendo postar da próxima vez. Até lá.

sexta-feira, 1 de novembro de 2002

A ESPERANÇA VENCEU O MEDO



Essa deveria ser considerada a frase do ano. Não interessa se foi o Duda Mendonça ou o próprio Lula quem bolou. O fato é ela caiu como uma luva pro momento em que o país está passando e pra minha vida pessoal também.

Fiquei mais entusiasmado depois de domingo. Acho que tanto o país quanto eu estamos no rumo certo. Tenho plena consciência de que faremos, eu e o país, alguns sacrifícios no próximo ano. Será um ano difícil, puxado, mas necessário pra que no final tudo fique (quase) às mil maravilhas.



Acho que ninguém lê esse blog. Tenho esperança, agora mais fortalecida, de que alguém comente ou mande mails e exatamente por isso, e outras cositas mais, não deixarei de digitar essas letras aqui. Vamos em frente. Como diz o Superman ‘para o alto e avante’.



Não sou nenhum tipo de Nostradamus, porém olhem a sinopse da minha mais recente história. Esperança e medo são duas constantes nela:



O relato parte de um fato histórico – o naufrágio do vapor “Buenos Aires” na entrada da baía de Guanabara, em 1890 – e desenvolve-se nos dias atuais, com um breve regresso a 1948. Um casal moderno, com dois filhos pequenos e alguns problemas conjugais tenta reatar a ligação, com o auxílio dos pais do marido. Numa visita que fazem à histórica Fortaleza de Santa Cruz, Flávio – o marido – é sequestrado por um bucaneiro moderno, que dedicara sua vida e fortuna a recuperar um tesouro que seu avô ocultara sob as águas da baía, após o naufrágio do “Buenos Aires”.



Senhor de uma tecnologia futurista, o pirata pode interceptar e manipular qualquer mensagem enviada por meios eletrônicos, dentro de uma certa área. Assim, iludira os comandos costeiros e aportara junto à fortaleza em um navio de guerra disfarçado sob a aparência de galeão antigo. Dois outros navios, sob o mesmo disfarce, aguardavam fora da barra.

Com o refém a bordo, o pirata inicia as negociações com o major comandante da fortaleza, que está impossibilitado de fazer contato com seus superiores. Exige que lhe entreguem o objeto que almeja, descrevendo-o como “uma caixa pequena, com a aparência de um volume de enciclopédia”.



O major decide enviar secretamente um capitão, seu irmão, com a missão de contatar pessoalmente as autoridades. O prazo estipulado pelo seqüestrador é exíguo – apenas 24 horas, e ninguém parece ter idéia de onde encontrar o tal tesouro.



Próximo ao final do prazo, o capitão retorna, informando que o assunto está nas mãos do próprio Presidente da República. Este faz à população um comunicado em rede nacional. O pirata se julga traído, suspende inesperadamente as negociações e parte para a retaliação, ordenando um ataque suicida contra os pilares da ponte Rio-Niterói.



Na fortaleza, o pai do rapaz diz ao major que tem em seu poder uma caixa que corresponde à descrição do tesouro. Ele a encontrara em 1948 ao mergulhar do velho trampolim de Icaraí. Nunca a abrira, e não permitiria que ninguém a abrisse. Quer entregá-la intacta ao pirata em troca da vida do filho.



O major tenta entrar em contato com o pirata. Com os galeões já próximos à ponte, consegue afinal avisá-lo que seu tesouro fora encontrado. O bucaneiro aborta a missão e retorna à fortaleza, onde recebe a caixa, reconhece seu conteúdo e liberta Flávio.

Anistiado, o pirata participa de um churrasco na casa do major e em seguida parte com seus três galeões. No dia seguinte, os jornais noticiam o ocorrido e Flávio se torna um herói popular. É entrevistado por Jô Soares e Marília Gabriela e recebe uma comenda da Prefeitura de Niterói. Em seguida, a família toda viaja em férias para a Califórnia, onde tem a surpresa de encontrar o mesmo pirata, agora regenerado.



Agora a narrativa vai para 2016. Os filhos de Flávio, José Hugo e Ana Júlia, divertem-se na praia de Piratininga com um grupo de colegas de faculdade, saltando de uma grande pedra. Num dos seus mergulhos, José Hugo volta à tona quase sem fôlego, sobraçando uma pequena caixa. Os amigos o socorrem, e Ana Júlia comenta: “Vai começar tudo de novo...”

quarta-feira, 23 de outubro de 2002

EU TENHO MEDO



O assunto está ficando cada vez mais grave. Essa semana então a luz começou a piscar o sinal vermelho indicando perigo. Não. Não estou me referindo àquelas declarações de Regina Duarte e Beatriz Segal apoiando a candidatura de José Serra agora no segundo turno. O alerta vermelho é sobre o meu futuro e não o futuro que eu vou ajudar a dar para nosso país.



Tive uma conversa séria com minha mãe. Tudo começou quando revelei o resultado da avaliação de um projeto de pesquisa para um mestrado em comunicação que me inscrevi. Precisava tirar no mínimo 7 para fazer as provas e eu honrei a última posição no ranking obtendo a nota 4. Segundo o dito popular, os últimos serão os primeiros.



O título desse meu projeto é ‘A cultura do quarto poder: visões culturais da manipulação da mídia’ onde queria mostrar, dentro da nossa literatura, música e cinema essa influência e interferência dos órgãos da mídia na sociedade. Só para exemplificar, no caso do cinema eu trabalharia com o filme ‘O beijo no asfalto’ da obra de Nelson Rodrigues. Não creio que seja uma má idéia trabalhar sobre esse tema, mas o fato foi que a UFF não gostou muito.



Minha mãe perguntou por que eu achava humilhante ir até lá e perguntar onde errei, pedir uma explicação para que meu projeto fosse melhorado. Eu respondi que era aquilo, ou aceitam ou não. Ela achou isso egocentrismo da minha parte, por ser do jeito que eu quero. Será? Quer dizer então que tenho que seguir a formatação deles? Ou seja, fazendo analogia com uma calça, eu, que sou gordo, teria que emagrecer pra caber no modelo de calça deles? Por que estou errado de pensar assim?



Na segunda parte do papo a pergunta foi: ‘E agora, o que você vai fazer da vida?’ Pra quem não sabe tenho 25 anos e desde abril – porém a data oficial é 26 de setembro – sou formado em Ciências Sociais. Existe um ofício que eu exerço extra-oficialmente que é escrever. Tenho 2 livros devidamente registrados na Biblioteca Nacional como obras não-publicadas. Quanto à resposta, disse que queria continuar fazendo o que gosto e, juntando o útil ao agradável, ganhar dinheiro com isso. Que mal há em ser escritor? Gosto de criar. Me dá prazer e já tenho idéias pra mais três. Eu sei que há uma dificuldade no início, já que a recusa é muito grande. Tenho arquivados alguns mails recusando o texto somente pela sinopse. Afinal, continuo sendo mais um na multidão querendo um lugar ao sol das grandes editoras.



O principal embate é continuar a escrita como hobby e deixa-la em segundo plano ou coloca-la em evidência. Eu tenho medo. E o que me aflige ao acatar a primeira opção é a frustração de ter que trabalhar a contra gosto, fazendo uma coisa que não me agrade só pelo fato de receber um salário no fim do mês. E se eu acatar a segunda, por enquanto, terei a frustração de não ter um livro publicado, a não ser que se pague pra isso, o que não acho certo para um escritor.



É a razão da minha mãe de estar preocupada com meu futuro, querendo que eu trabalhe por um salário no fim do mês, contra a minha emoção por querer trabalhar com o que eu mais gosto de fazer. Ela acha que ser escritor não dá dinheiro e eu acho que eu não sendo escritor não terei tanto prazer quanto preencher a tela branca desse computador com minhas idéias e criações.

Eu tenho medo de me magoar a mim e a ela. Eu tenho medo de tomar uma decisão errada e de jogar minha vida no lixo. Não acho que isso seja viver de sonhos. O que eu faço? Que caminho tomar? Continuo escrevendo, isso é fato, mas em que plano a literatura deve preencher minha vida? Pode me dar uma luz?

quarta-feira, 16 de outubro de 2002

DOMINGO NA PRAIA



Domingo pode ser um dia morto pra uns e bastante produtivo pra outros. Os meus oscilam dessa forma. Se bem que ultimamente eles têm sido mais produtivos do que mortos. O ‘não se ter nada pra fazer’ no domingo é pior que o ‘não se ter nada pra fazer’ numa terça, quarta ou sexta. Domingo também é sinônimo de Silvio Santos, nada que preste na tv, – salvo a TVE Rede Brasil – guerra de audiência entre Faustão e Gugu, e o pior pra quem trabalha, é véspera de segunda feira.



Mas esse último domingo em especial foi marcante graças a um evento promovido por uma grande rede de supermercados na praia de Copacabana – mais precisamente no posto três, perto do Copacabana Palace – onde se apresentaram dois grandes artistas, Gilberto Gil e como convidada Rita Lee.



Ele está divulgando o seu mais recente CD com as músicas de Bob Marley. Pra quem gosta de Gil é um ótimo trabalho de reggae e pra quem gosta de Marley, Gil o lapidou como um diamante. Um verdadeiro tesouro pra quem gosta de boa música.



Era uma das 70 mil pessoas – público estimado – que deram o ar da sua graça nas areias da princesinha do mar. Fui com alguns amigos meus e soube de outros que também foram pro show, mas, diante daquele mar infindo de espectadores.



A Joana – uma das que foram e eu não encontrei – foi a protagonista da minha conversão para a seita de fãs de Rita Lee. (Sabendo que fã vem da palavra fanático, não acho que eu, e nem a Joana, sejamos tão fãs assim da Rita, apesar de ela ter a coleção completa dos trabalhos feitos pela Rita. Fã fanático, aquele que beira a loucura, tem recortes de jornais, revistas e vai atrás de entrevistas e reportagens feitas com o ídolo. Eu digo que sou um admirador dela e sempre que tiver oportunidade, como esse show na praia em que ela participou, a acompanharei em suas apresentações, caso que aconteceu no início do ano quando ela estreou o show em janeiro e voltou ao palco do Canecão em março. Pela primeira vez na minha vida assisti a um mesmo show mais de uma vez.)



Da turma que foi comigo – eu, Paulo, Nadine e Léo – a pessoa que mais se aproximava de mim em termos de Rita Lee era a Nadine. Não sei se essa alcunha já existe, se não, acabo de inventar, mas nós éramos os mais ‘ritaleiros’ do quarteto.



Gil a introduziu ao público como a coisa mais linda, mais cheia de graça. Concordo com ele. E a própria Rita também, pois enquanto ela ‘estiver viva e cheia de graça talvez ainda faça um monte de gente feliz’. A dúvida não cabe na frase dada a quantidade de pessoas que se direcionaram pra Copacabana – eu saí de Niterói – a fim de vê-la com Gilberto Gil. Pequenos encontros de grandes astros iluminam e engrandecem meu conceito de felicidade.



Dentre todas essas pessoas que foram assistir a um grandioso espetáculo na praia no último domingo, figuravam diversos Paulos, Léos, Lucienes, Joanas, Bobs, Ritas, Gilbertos, Josés, Joãos, Marias. Alguns eram as ovelhas negras de suas famílias, outros estavam se refazendo, mas todos se perguntavam se aquilo que estavam sentindo era amor fosse em qualquer nível. Porém um sujeito me chamou bastante a atenção.



Bem no clima da festa, com cabelo rasta, ele apareceu no palco já no fim da apresentação. Despojado e de olho nas ‘mina’, se apresentou como Aníbal. Me pareceu gente fina, que gosta de um bom papo, principalmente se o assunto for mulher.



Espero que o Aníbal não demore a visitar o Rio novamente e convença a Rita Lee de voltar também. De braços abertos, o Rio de Janeiro continua lindo. E pra Rita Lee aquele abraço.

quinta-feira, 10 de outubro de 2002

BOCA DE URNA



No jingle da sua campanha para uma boa campanha eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral afirmou em alto – dependendo do volume do rádio ou tv – e bom som que ‘votar é fazer valer a sua opinião’. Propaganda enganosa. Por essa e outras não fiquei satisfeito com os resultados que as urnas eletrônicas indicaram sobre as eleições aqui no Rio.



As constatações que estou fazendo aqui começaram antes mesmo do cumprimento do meu dever cívico. Espero que um dia a democracia seja mais democrática e acabe com a obrigatoriedade do voto.



Pra começar eu voto longe da minha casa. Dá pra ir a pé, mas é uma boa caminhada que dura cerca de dez a quinze minutos. Por sorte a maior parte do trajeto fiz de carona com Santa Vera em um milagre eleitoral, porém em um pequeno trecho tive que caminhar mesmo. Notei, e isso deve ser comum em todos os lugares, a zona que a cidade ficou com um tapete de santinhos de candidatos esparramados pelo chão e entregues pelas pessoas que, segundo a própria Santa Vera, ganharam esse ano R$ 10 para ficarem se escaldando debaixo daquele sol e sendo cúmplices na sujeira da cidade. Não tem uma lei que multa quem joga lixo no chão? Como é que uma pessoa quer legislar se ela mesma burla a lei? Isso tem que ser revisto para as próximas campanhas. Desde já minha opinião começa a não valer.



Já na minha seção, mais um teste de paciência. Fila. E olha que o máximo de pessoas que eu peguei na minha frente até então foram cinco. Esse ano a fila ficou em duas etapas. A primeira pra evitar que as pessoas subissem até o terceiro andar da escola em que eu voto, ou seja, uma fila com as quatro seções e mais, quando éramos liberados, ainda tínhamos que enfrentar a fila dos votantes especificamente das seções. Felizmente o tempo total da minha espera foi menor que a média do tempo total de uma fila de banco, nada que passasse dos seus vinte minutos. Nos noticiários vi gente que desistiu de votar por causa das filas.



Chegou na minha vez. Entre números e tecla verde foram em torno de vinte e cinco botões apertados.



Agora, com a divulgação da apuração, descobri que não tenho opinião, ou melhor, que tenho, mas não vale nada. Nenhuma das pessoas em que confiei meus votos se elegeram. Apenas um teve uma votação expressiva e foi para o segundo turno. Como que eu vou acreditar que votar é valer minha opinião se as opiniões não são respeitadas.



Veja o caso do Careca Barbudo de São Paulo. Mais de um milhão e meio de malucos votaram nele e por causa dessa palhaçada – mais um erro, na minha opinião - de coeficiente eleitoral, candidatos do Prona que não tiveram números de votos suficientes nem para o cargo de vereador, gente que eu nem sabia da existência, e muita gente também não, vão representar São Paulo na Câmara Federal. Bem feito pra eles.



Confesso que fui dormir na noite de domingo na expectativa de um segundo turno aqui pro Rio, mas a apuração da madrugada nos traiu. Com uma péssima idéia, 51, de percentagem de votos válidos, a candidata mal cheiRosinha ganhou o governo do estado. Bem feito pra gente.



Eu acho – e Noel Rosa já cantava que quem acha vive se perdendo – que essa mistura de religião com política não deveria existir. Uma coisa é a igreja ou templo religioso ou qualquer outra forma que signifique isso, seja de qualquer religião e a outra é o governo de um dos mais importantes estados do Brasil. Pelo visto, as pessoas que já eram, ficaram mais crentes de que ela fará um bom governo. Vamos ver no que essa crença toda vai dar.



Como minha opinião não é válida nem na boca de urna, vou parar por aqui.

quinta-feira, 3 de outubro de 2002

DEMÔNIO DO MUNDO



Acerca de 17 anos - foi em 1985 e nunca fui bom em matemática – ganhei um presente de aniversário da minha madrinha. Um disco de vinil. Até então, tudo bem. Sempre gostei de música. Mas esse disco tinha uma causa especial por detrás da gravação. Diversos artistas americanos, se não me engano liderados por Michael Jackson, se uniram para gravar uma canção de solidariedade aos paises africanos que enfrentavam o problema da fome. E a maioria continua enfrentando. O nome desse disco e o da faixa título é ‘We are the world’ que em português significa ‘Nós somos o mundo’.



Mais recentemente há mais ou menos 10 anos, foi exibida uma novela sobre vampiros cujo papel principal – noveleiros de plantão, me corrijam se minha memória estiver falhando – era da atriz Cláudia Ohana, onde ela interpretava uma cantora, estrela da música pop nacional e por acaso vampira, de nome Natasha. Por conseqüência do sucesso do folhetim, ela, Natasha, estourou com duas músicas na parada de sucessos – pelo menos dos que eu gosto de ouvir. Uma foi ‘Quero que vá tudo pro inferno’ de Roberto e Erasmo Carlos, e a outra se tratava de um sucesso dos Rolling Stones ‘Sympathy for the devil’, cuja tradução seria mais ou menos uma afeição a um demônio ou gênio do mau.



Fiquei sabendo alguns dias atrás – roqueiros de plantão, me corrijam se estou faltando com a verdade – da história da composição dessa música. Numa das suas primeiras visitas ao Brasil, fins de 60 ou início dos 70, eles visitaram um terreiro de macumba e surgiu a inspiração pra essa música.



Mas vamos falar de outra história, a que nós estamos vivenciando agora, ao final de 2002. A pergunta que eu faço é: o que tem a ver ‘We are the world’ com ‘Sympathy for the devil’? Deixa que eu mesmo respondo. Aliais dá pra convergir a resposta em um ponto ou um nome em se tratando dos dias atuais. George W. Bush. Por que? Pela afeição que ele tem em um terrível gênio do mau, Saddam Hussein. Isso porque ele e o Tony Blair acham que ele é um demônio. Tudo bem, concordo que ele não é uma flor que se cheire, mas daí a rotulá-lo como o inimigo mundial número um já é demais.



O ditador iraquiano já abriu as portas de algumas das supostas fábricas de armamentos químicos destruidores de massa em potencial, concordou com a volta dos inspetores das nações unidas ao país para fazerem uma checagem e nada do Bush recuar. A Organização das Nações Unidas, com exceção da Inglaterra, está contrária a invasão americana. Várias manifestações estão sendo feitas por toda parte para que esse perigo iminente não deixe de ser apenas iminente. Porém ele próprio em declaração bombástica – pra quem quer uma guerra essa palavra pode ser um estouro – disse que quer atacar o Iraque por razões pessoais. Provavelmente tem o dedo do papai Bush e reminiscências da Guerra do Golfo.



Pela frustração de não ter achado Osama Bin Laden, Bush tratou de arrumar um inimigo e apontar todas as armas pra ele. Sobrou para Saddam. E ainda diz que quem não está a favor dele, está contra. A ONU faz de tudo para que o estopim não seja estourado por livre e espontânea vontade de Bush.



Acho que agora é hora da entrada em cena da Organização Mundial da Saúde pra que seja colocada uma camisa de força no Bush. Enquanto ele é amarrado, grita aos quatro ventos: “O inimigo do mundo é ele. Estão internando o homem errado. A América só quer fazer o bem pro mundo. O mundo tem que derrotar o inimigo. Nós somos o mundo. Nós somos o mundo.”

Vamos ver quem será o louco que poderá impedir a loucura do presidente da maior potência mundial.

sexta-feira, 27 de setembro de 2002

O Louvável Deus KU



Analisando a fundos os anais antropológicos, entre o ir e vir de testículos, ou seja, de pequenos fragmentos de textos, gozo de dados subversivos e libidinosos a partir da oral de um professor em uma aula.



Se dizemos que no Brasil a bunda é a preferida de dez entre dez brasileiros, independente de credo, raça e muito menos sexo, no Havaí o KU é um Deus. (KU não leva acento porque além de ser monossílabo tônico terminado em u, mal ou bem já está contido em um e, dependendo do caso, às vezes mais agudo que o normal)



Existem diferenças fundamentais na semelhança entre o KU havaiano e a bunda brasileira. A mais importante é que a bunda é farta em seu território, gigante pela própria natureza, forte, bela, impávido colosso, cuja grandeza revelou abundância de talentos lombares como Gretchen, Carla Perez, Sheilas, Rita Cadilac, Tiazinha e outras, enquanto o KU é um buraco cercado de águas carnudas por todo lado e situado mais embaixo geográficamente.



Sem perder o rebolado, tomando no KU uma referencia pornocultural do arquipélago polinesiano, os havaianos que idolatram o Deus KU, não ficam muito atrás da paixão brasileira. Ficam no mesmo nível, geralmente sentados à mesa, com um copo de cerveja ou drink colorido, alimentando a paixão e endeusando o KU. Ambos (bunda e KU) se mexem com as cadeiras ao som de um pagode ou hula - hula.



Por falar em hula - hula, não faz tanto tempo, a bunda homenageou o KU. O grupo Tchan que se fosse formado nos tempos de outrora seria grupo Perereca da Vizinha, no seu contínuo balanço pélvico, também conhecido como destronca cacete, seduziu as pessoas com a ingênua sacanagem sexual pornoinfantojuvenil, balançando o traseiro e intrinsecamente reverenciando o KU.



A história é longa, comprida, enorme e não dá pra ser introduzida de uma vez só. Aos pouquinhos é mais fácil de se acostumar. Portanto, recomendo que os interessados no KU dos havaianos leiam o livro de Marshall Shalins (“Ilhas de história” Capítulo 5) Ele sim, como um excelente antropólogo, entende dessas coisas talvez até melhor do que um sexólogo. Tudo no sentido passivo da posição.



Caso você leia realmente esse livro e mesmo assim, depois de várias tentativas brochar no entendimento da leitura, se achou que foi complicado entender como o KU é tão querido, aqui vai toPICAmente uma pequena síntese, um pequeno resumo da história do Deus KU.



Louva-se o KU fazendo sacrifício humano

KU chega as ilhas e ocupa o poder

O rei luta com Lono (Deus rival do KU) protegendo o KU

Lono oferece linguiça de porco ao KU e volta para sua terra

O KU é reaberto com cerimônia

KU foi habilitado com as relações sexuais

O poder é de KU

KU quebrou o tabu de Lono

KU tornou-se um mortal quando Lono roubou suas mulheres

Foi inserido dentro do KU metáforas históricas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2002

O Verdadeiro BUG do Milênio



Vocês se lembram dele? Vou refrescar um pouco sua memória.



Nos últimos meses de 1999, discutiu-se muito sobre esse assunto. O bug era um verdadeiro bicho de sete cabeças espalhado pelos continentes que também são banhados pelos sete mares. Seria o bug uma coisa cabalística?



O mundo inteiro se preparou para brigar contra o tempo. Um segundo apenas poderia transportar toda a modernidade de volta a 1900, já que os computadores controladores do planeta fariam a passagem de 99 a 00, sem realmente computar (finalidade dos computadores) a mudança do Anno Domini corrente.

As preocupações da população, e suas investidas contra o ‘dragão da maldade’, iam desde uma simples conta bancária onde poderia repentinamente sumir ou aparecer enormes quantias de dinheiro nos extratos dos clientes, passando por blecautes, até os depósitos de ogivas nucleares espalhados pelo mundo da guerra fria que poderiam ser disparados em pleno reveillon. A previsão de Nostradamus, que já errara na data do fim do mundo em onze de agosto de noventa e nove, voltou a ganhar força com toda essa parafernália milenar. “De mil passarás; a dois mil não chegarás.”



Pois bem, o ano 2000 chegou e não superou todas as expectativas. Talvez por não ser cronologicamente a virada do milênio – estudiosos dizem estarmos em dois mil e sete pela confusão que o Papa Gregório causou ao implantar seu calendário e que nós seguimos rigorosamente – que só acontecerá de dois mil para dois mil e um.



Esse assunto não passou de mera publicidade. Nos EUA até kit de proteção do bug estava sendo vendido contendo entre outras coisas uma lanterna para iluminar o apocalipse que ocorreria durante a virada do ano. O criador desse monstro de três letras é a própria humanidade que deixou o planeta de ponta-cabeça (no sentido figurado) com essa história. A notícia não foi exatamente o bug, mas o que poderia acontecer com o mundo com o bug. Portanto, outra hipótese é surgida daí. O bug não era o bug, e sim sua espera.



Isso tudo para contar uma história verdadeira e que deveria entrar no ‘Guinnes Book.’



Reveillon de 99 pra 2000 na casa da tia Branca, em Niterói. Família inteira (ou quase. Faltavam dois primos), e mais alguns agregados, reunida. Uma festa de arromba. Logo na recepção se ganhava aqueles óculos 2000 para usar durante a comemoração. Por lá, o bug passou longe. A farra foi tão boa que nem tivemos tempo para pensar nisso. Comemoração única. (Digo isso por nossos relógios estarem devidamente não sincronizados. Não exatamente a meia noite, mas dois minutos antes – no meu relógio – estipulamos o horário em que íamos ‘bugar’. Imediatamente começamos a tradicional contagem regressiva e explodimos como bombas nucleares de alegria.) Confetes e serpentinas ‘carnavalizaram’ a comemoração. Lá ninguém regrediu, ninguém voltou a mil e novecentos e nem perdeu a memória, os dados (principalmente os pessoais) e arquivos. Mesmos os que beberam de cair se lembraram no dia seguinte do que (e não aonde) tinham tomado.



Juntando a fome do reveillon com a vontade de comer da família, rolou de quase tudo. Músicas, roda de viola e ‘excursão’ dos jovens às praias mais próximas, apesar da chuva, soma-se isso a mais alguma coisa e o sono começa a chegar somente na manhã do primeiro dia do ano novo.



A distribuição dos ‘hóspedes’ já estava previamente combinada, dividindo as mais de vinte pessoas em três casas. Uma ao lado da outra e a outra relativamente perto. Justamente nessa outra casa relativamente próxima das outras duas, que é do tio Rodolfo, aconteceu o tão esperado e verídico bug do milênio.



Quanto a casa, não ocorreu nada de grave. Não foi nenhum transformador de energia que explodiu deixando a casa às escuras, nenhuma bomba (com exceção do Daniel, neto dele) a destruiu. Em relação a conta bancária, não apareceu, mas sumiu dinheiro. Não em grande quantidade por ele não possuir tamanha quantia, mas com festas de fim de ano sabe-se que vai gastar. Aparecer seria o ideal. Nem isso.



O verdadeiro bug do milênio aconteceu em um utensílio da casa. Não foi microondas, computador ou aparelho de som. Foi em um relógio. Desses de parede que marcam as horas e o dia.

O dia. Foi exatamente nesse dispositivo ‘dia’ que o bug do milênio surgiu na casa do meu tio. Ao invés de, como todo relógio, o dia virar de trinta e um para primeiro, mudou de trinta e um para trinta e dois. Meu primo Tiago foi quem viu isso.



Inesperadamente, a expectativa do bug do milênio atingiu o relógio do meu tio. Não tivemos tempo de registrar no Guinnes o mês mais longo do ano de 99, talvez do segundo milênio. Ficamos aguardando a oportunidade de vinte e nove de fevereiro, posto que o ano 2000 era bissexto. A expectativa da minha família era a de que no calendário do relógio do meu tio, além de dezembro ter trinta e dois dias, fevereiro ter, no mínimo, trinta. A expectetiva do bug do milênio, pra gente, se transformou na expectativa do bug do mês de fevereiro, ou, pela proximidade, o bug do carnaval.



Infelizmente isso não aconteceu. Aí passou o ano 2000, 2001, 2002......

quinta-feira, 12 de setembro de 2002

11/9



Um ano se passou. Me lembro exatamente o que estava fazendo naquela manhã. A faculdade estava em greve e quando não tenho nada pra fazer na parte da manhã, durmo. As torres despencando e eu dormindo.



Minha mãe, na época trabalhando lá no Rio, ainda tentava me acordar por telefone. Como ela mesmo diz, o mundo pode acabar que eu não acordo. Coisas de profetiza?



Até que por fim eu acordei, minha mãe me ligou e acompanhei tudo. Não acreditava no que via e, apesar de repudiar veementemente os ataqures de qualquer natureza, confesso que sentia uma certa admiração pela mente que orquestrou os ataques. Pelo visto foi o Osama, ou quiseram que fosse ele, nunca se sabe.



Tenho uma certa simpatia pelas mentes criminosas. Isso não quer dizer que eu seja ou me torne um criminoso. Por Favor. Não vá andar na rua com medo de mim. Não faço mal nem a uma mosca. Mas acho que esse pessoal que articula ataques tipo de um ano atrás têm uma mente brilhante.



Nunca fui à Nova Iorque. Tenho vontade de ir pra ver o tamanho do buraco que ficou no chamado 'Ponto Zero'. Eles souberam começar do zero e causar uma reviravolta no mundo inteiro. Creio que deveriam construir alguma coisa ali. Não exatamente arranha céu de mais de cem andares, mas um edifício baixo, um memorial, sei lá, alguma coisa ali.



Um ano depois a vida continua.

quarta-feira, 4 de setembro de 2002

Do fundo do baú



Quando eu estava nos tempos do colegial, a proposta em uma das aulas de redação era escrever um texto cuja última frase teria que ser 'Vende-se uma moto.' Essa foi a mesma proposta que teria caido em um vestibular acho que de uma faculdade de São Paulo. Olhem o que eu fiz:



Marieta e Galileu



Há certas coisas na vida da gente, que acontecem inesperadamente e somos obrigados a nos conformar, como por exemplo, a perda de um ente querido.

Marieta e Galileu era um casal de velhinhos beirando os noventa anos. Viviam apaixonados desde 1930, quando Galileu batalhou na revolução e Marieta era voluntária de enfermagem, que cuidou dele quando levou um tiro entre as nádegas - maldito muro.

Passaram os anos 30 em eterna lua de mel. Nos anos 40 tiveram três filhos: Hugo, o mais velho, José, o do meio e Luís, o caçula; os anos 50 com problemas financeiros que conseguiram superar; nos anos 60 foram pra França exilados, voltaram nos anos 70 para cuidar dos netos, aposentaram-se nos anos 80 ganhando da previdência sempre o equivalente a dois salários mínimos, e agora, nos anos 90, aconteceu o tão esperado inesperado.

Galileu, como em toda manhã, acordou cedo, foi a padaria comprar o pão de cada dia e foi, também, comprar o seu jornalzinho matinal. Manchete do jornal: “Sobe o índice de pessoas mortas por atropelamentos.”

Como fazia após comprar o jornal, lia a manchete e voltava à sua casa que era ao lado de uma concessionária, defronte a padaria.

Ao atravessar a rua, Galileu morreu atropelado. Marieta correu para tentar acudi-lo, mas já não dava tempo. Ele tinha morrido mesmo.

O povo juntou para ver a cara do defunto enquanto na concessionária tinha um anuncio que até chamava a atenção de alguns curiosos. ‘Vende-se uma moto.’





E pensar que esse texto é do século passado. Estou ficando velho.

Até a próxima.

quinta-feira, 29 de agosto de 2002

Censura Eletrônica



Vou lhes confessar uma coisa. O meu maior medo quando escrevo aqui é a conexão cair. Até hoje isso não aconteceu. É melhor nem comentar pra que não aconteça. Mas que é uma coisa frustrante, isso é.



Imagine que eu esteja divagando sobre os rios que desembocam na margem esquerda do Rio Amazônas (Aliáis, quais são eles? Essa aula eu cabulei.) e me cai a conexão. Não tenho paciência de falar tudo novamente.



Gostaria de escrever laudas e laudas aqui, mas fico sempre correndo esse risco de ser cortado por uma linha telefônica.



Estamos na era da ditadura eletrônica. Apesar de não corrermos o risco de abrirmos o jornal e ler receita de bolos, como faziam nos anos de Regime Militar, se der uma pane geral, ou um bug como aquele que ficou de acontecer na virada do milênio, é capaz de nem vermos jornais circulando pelas ruas. Não haverá censura maior do que essa.



Deixa eu parar por aqui. A linha pode cair.



Até a próxima!

quarta-feira, 21 de agosto de 2002

Há gosto.



Só agora me toquei que estamos no mês de agosto. Como o ano tá passando rápido! Só agora, no fim do mês, que me dei conta de que agosto é o mês do cachorro louco. Será que continua sendo?



Há muito tempo o mês de agosto pra mim é igual ao de maio ou de novembro, mas com uma particularidade: fica entre julho e setembro. Se o cachoro é louco ele endoidou de vez. Não está mais definindo os meses. Além de louco ficou esclerosado. Nada mais de diferente ou especial tem acontecido em agosto. Não temos Getúlio para outro suicídio, não rola guerra pra bombas atômicas serem lançadas sobre Hiroshima ou Nagazaki....



É. Agosto está aí. No finalzinho. Ainda há tempo pra acontecer algo em 10 dias. Dias em que agosto pode voltar a ser aquele agosto nostálgico ou continuar a gosto de Deus.



No mais só me resta dar os parabéns para Tia Leila (4) Dayenny (11) André Restier (18) Jana (19) Thaís, que completa 15 anos (20)

Paulinho e Alexandre (21) Lilian Lady Laura (22) Tia Dora, Berna e Áurea (24) e Matheus (31).



Até a próxima, espero que ainda em agosto, para a última do mês.

quarta-feira, 14 de agosto de 2002

Eu odeio rodeio (2)



Essa parte fica restringida ao debate promovido pela Band no último domingo (11/8) entre os candidatos a governador.



A impressão que eu tive foi como se fosse uma disputa entre a patroa Garotinho e a empregada Benedita discutindo sobre os feitos e desfeitos do ex-patrão Garotinho, sobre o que ele fez e deixou de fazer dentro da casa chamada de Estado do Rio. Uma vizinha, sra Solange não diz que sim e nem que não. É contra a patroa e a empregada. Diz que está tudo errado e que nenhuma das duas sabe administrar a casa. O Jorginho tímida e nervosamente estava mostrando a casa do lado, que tanto patroa, empregada e vizinha meteram o malho também.



Continuo com o Jorge. Não é nenhum santo, claro, mas é um bom administrador. Niterói agradece muito a ele. Eu retribuo com o meu voto.



Até a próxima.

terça-feira, 6 de agosto de 2002

Eu odeio rodeio



Não estou falando sobre a causa liderada pela Rita Lee. Esse rodeio sobre o qual estou me refirindo foi o que foi apresentado no debate dos presidenciáveis no último domingo pela Band. Eleição é o mote dessa semana.



Sou contra a obrigatoriedade do voto, principalmente em se falando de democracia. Acho que tem que votar quem quer, mas, diante da situação em que o país se encontra, isso tá longe de acabar. Eu só defini o de presidente e governador do Rio até agora. Apesar do voto ser secreto, sempre revelei e vou continuar revelando em quem vou votar. Não tenho o que esconder sobre esse aspecto. Lula presidente e Jorge Roberto Silveira pra governador.



Jorge Roberto por que foi um bom prefeito aqui em Niterói, principalmente nos primeiros dos quatro mandatos dele. Ajeitou a cidade. Cometeu alguns absurdos como propor o fim de uma parte do Campo de São Bento pra fazer estacionamento. Acho que fez isso porque não tinha mais nada pra fazer depois de tantos anos esquentando a cadeira da prefeitura. Se ele fizer no estado do Rio um terço do que fez por Niterói, a diferença do que está pro que vai ficar será bastante visível, creio eu.



Lula porque tá aí a trocentos anos com uma proposta que ninguém paga pra ver. Eu pago. Gosto do Ciro também, mas ainda acredito que o Lula está mais preparado. Em termos de histórico ele pode ser comparado com o Lincon. (quem não recebeu aquele mail dizendo que o Lincon nunca chegou a cargo nenhum concorrido por ele, até que se tornou presidente) Acho que a principal vantagem que o Ciro tem diante do Lula é a candidata a primeira dama, Patrícia Pilar, de quem eu tenho uma admiração pelo trabalho que ela fez e pela pessoa dela.



O Serra eu dispenso e nem teço comentários, agora o Garotinho depois do debate de domingo ganhou um inimigo mortal. Que sujeitinho cheio de rodeios!!! E como você leu no título, eu odeio rodeio; logo eu odeio Garotinho. Aliáis já criaram essa página pra ele? E olha que eu pensei que ele fosse fazer um governo bom quando entrou. Doce ilusão a minha. Capotou logo na primeira curva.



Não sou de fazer campanha a favor de ninguém, mas contra o Garotinho serei o primeiro a tremular bandeiras e segurar faixa.

NÃO VOTE NO GAROTINHO.

sábado, 27 de julho de 2002

Santa Vera



Há uma senhora aqui no prédio, Vera Lúcia, que está prestes a virar santa.

Mãe das minhas amigas Sabrina e Gabriela, carinhosamente chamada de Pigú, o mais recente posto que ela ocupa, além do posto médico, é o de zeladora da imagem da Mãe Rainha. Ela é responsável por uma lista com trinta nomes do vicariato sul, se não me engano, e organiza os dias em que a imagem da santa passará por essas casas. Muito convencida de sua fé, é mestra em alcançar graças. Agora ela tem que ser canonizada e o primeiro devoto serei eu, fruto do seu primeiro milagre.



O milagre que ela operou foi me curar de uma diarréia da qual fui acometido entre segunda e terça dessa semana que passou. Abençoado seja o biscoitinho de nome 'Torcida' que comi enquanto estava jogando baralho com suas filhas e Juliana na noite de terça. Ou seria quarta. O milagre me deixou atordoado em relação ao tempo. Uma oferenda feita por aquelas mãos milagrosas e minha dor de barriga, que parecia ter passado, foi exonerada do meu intestino pra valer.



Estamos procurando agora uma característica pra ela. Será santa de que? pergunto eu. A princípio do pau oco. É mais ecológico.

Já estamos elaborando os famosos santinhos para Santa Vera. O ensaio fotográfico será na janela da casa dela. E não será apenas Ferraz de Vasconcelos que terá sua santa da janela. Quanto a oração que vem impresa no verso do papel está para ser concluída.



Depois de Madre Paulina, Santa Vera tem que passar pelas mãos de João Paulo II. E quem quiser fazer romaria ao santuário dela é só falar comigo.



Que Santa Vera abençoe todos nós. Amém.

quarta-feira, 24 de julho de 2002

Nada a declarar



Hoje não tenho nada a declarar. Estou colocando essas letrinhas na tela sem querer dizer alguma coisa porque nada me apetece. Poderia falar da campanha presidencial, do conflito na faixa de gaza ou da vida sexual das vespas na ilha de Tonga, mas nada tem me interessado para que eu dê uma ressalva. Só estou escrevendo porque, além do compromisso assumido com vocês, gosto de escrever, mesmo sem nada a declarar. Deixe no seu comentário um assunto para a próxima pauta por favor.

sábado, 13 de julho de 2002

O Canto da Sereia



Perguntei, sem obter respostas, como que surge uma sereia. Quis saber porque durante essa semana, enquanto fazia minhas caminhadas no calçadão da praia, me deparei com uma escultura curiosa.



De vez em quando o senhor 'Mulheres de Areia' baixa aqui em Niterói, na praia de Icaraí, construindo castelos de areia e o que mais suas idéias, combinadas com suas mãos, permitir. Essa semana estava em pauta uma sereia. Aí vem minha curiosidade.



A sereia que o sr. Mulheres de Areia esculpiu estava grávida e ao lado dela, pela feição, me deu a impressão de que estava um sereio. O que questiono é como a sereia engravidou e se aquela figura metade masculina era o pai. Pelo tamanho da barriga ela estava para parir a qualquer hora. Mas como que surge uma sereia? E existe sereio?



Há tempos atrás, se não me engano a rede Manchete exibiu um seriado em que as sereias se tornavam mulher. Por essas vias, eu até concordo com a gravidez, agora, sereio eu nunca vi nem em lendas. Outra dúvida: que ser sairia daquela barriga, um peixe? Uma seria ou um sereio? E se realmente existe sereio, como é a cópula desses seres em suas formas originais? Dúvidas, dúvidas, dúvidas...



Pelo que estava exposto ela se banhava com os raios do sol - no meu caso, quando a encontrava, com os raios da lua - exibindo sua redondíssima barriga, e o sereio se encontrava debruçado nas pedras, com a parte traseria da cauda amostra.



Sereio ou não sereio, eis a questão.



A imagem da sereia se foi dando lugar a um quadro sacro. Sorte deles que não foi servido peixe na última ceia. E na hora em que passei por lá, apenas Jesus e mais uns quatro amigos estavam à mesa. O resto devia estar engarrafado no trânsito.



Desejo mais sucesso pro senhor Mulheres de Areia.







segunda-feira, 8 de julho de 2002

Penta que Pariu



Devido a maciça divulgação do blog por minha tia Tania, recebi, via encaminhamento, um mail do Zeca, da Barra da Tijuca pedindo pra que eu comentasse 'sobre a coragem e a malandragem de Ronaldinho Gaúcho, Edimílson e Vampeta, quando, ao receberem as medalhas das mãos do FHC, deixaram-no de mão estendida, viraram-se para o povão com os braços erguidos e, sem cumprimentá-lo, deram-lhe as costas'. Segundo o Zeca, 'foi sublime, grandioso e eloquente'.

Também achei, Zeca. Não soube de nenhuma declaração do presidente sobre a atitude desses três jogadores, mas se eu fosse ele, diria que não estava com as mãos estendidas a toa. Falaria que estava fazendo o gesto do penta. A empolgação era grande. O cansaço também. Se eu, que vim da Cálifórnia, fiquei acabado depois de 14 horas de vôo, imagine eles depois de 20 e tantas. Chega uma hora que o organismo está no piloto automático, se auto anestesia e deixa rolar. Acho que foi o que aconteceu com eles. E não havia horário e cerimonial que fosse cumprido e os segurasse. Não estavam no fuso certo.



Não sabia que Brasília tinha tanta gente assim. Sempre achei que aquela era uma cidade fantasma, onde só existia vida inteligente (se é que se pode chamar de inteligência) entre terça e quinta. Já o pessoal do Rio se estrepou de verde e amarelo. Primeiro pelo atraso de 5 horas na programação, segundo que os jogadores desistiram de completar o percurso quando estavam em Botafogo. Lógico. Nem os super-pentas aguentam. E teve gente que foi a São Paulo desfilar no sambódromo as 6 da manhã. Vai gostar de festa assim na penta que pariu.



Kléberson é o nome daquele que chutou a bola no travessão e que deixou pro Rivaldo deixar pro Dentucinho, o fenômeno fazer o segundo gol. Valeu galera.



Estou desenvolvendo o assunto que vou falar na próxima semana e queria que vocês me ajudassem respondendo à seguinte questão: como surge uma sereia?

segunda-feira, 1 de julho de 2002

Penta



Hoje não vou nem pedir desculpas pelo meus erros de português. Ao menos hoje, se eu errar alguma coisa, que fique errado. Afinal de contas, minhas mãos ainda estão trêmulas de emoção e pode ser que eu coma uma letra ou troque outra. Não levava muita fé, mas somos penta. Mais uma vez levantamos a taça. Mais uma vez a taça do mundo é nossa. Nós somos a maior potência do futebol mundial, pelo menos até 2006, na casa da vice.



Conseguimos derrubar o muro de Berlim. Muito se falou do goleiro nazi-fascista Oliver Gengis-Kahn. Era o melhor, o menos vazado até ficar frente a frente com os pés de Dentucinho, o fenômeno. Não que os pés de Dentucinho sejam aquela coisa, mas, de alguma forma, foram eles que fizeram cair a muralha alemã por duas vezes. A segunda vez foi a que eu achei melhor. A deixada de Reivaldo pra Dentucinho, o fenômeno, é uma jogada típica dos antigos craques, aqueles que eu não vi jogando, só ouvi comentários e vi imagens sobre eles.



Aquele cabelinho que, segundo Rita Lee, é uma xereca capilar, é horrivel mesmo. Depois de todos aqueles problemas que o levou a botar várias vezes a mão no joelho, dar uma abaixadinha e mexer de dor achei que ele seria uma nova categoria do Zico que também ajoelhou e teve que rezar pra ficar bom. Taí. Quatro anos depois daquela fatídica final francesa e dois anos depois de cirurgias e recuperações, ele se declarou ferido, mas vivo, e põe vivo nisso. Próxima copa ele volta.



Qual é o nome daquele que chutou a bola no travessão no primeiro tempo? Gostei dele no jogo. Foi ele quem tocou pro Reivaldo que deixou pro Dentucinho? Acho que sim. Mas qual o nome dele?



E o Felipão? Tiro o chapéu pra ele. Nunca levei fé nessa seleção. Ele conseguiu. Mais aí volta aquela velha história: e o Romário? A ausência dele fez diferença? Talvez sim, se o Brasil tivesse sido eliminado em qualquer fase da competição. Felipão continua sendo o burro pelo fato de não ter convocado o Romário? Ou ele é mais um herói do escrete nacional que colou sua figurinha no album da galeria de ouro da história do futebol? Anjo ou Demônio? Afinal, agora, o que é o Felipão?



Foi ele quem fez todos nós abrirmos a mão hoje, esticar os cinco dedos, tal qual vossa excelência el rei Cardoso primeiro, mas por um motivo muito melhor e mais justo.



Somos PENTA. Cinco vezes campeões da Copa do Mundo. Até 2006, nessa e em outras diversas categorias, com brasileiro não há quem possa.



PENTACAMPEÃO.





quinta-feira, 27 de junho de 2002

Não vi o jogo contra a Turquia. Estava dormindo e fiquei com preguiça de levantar. Ouvi os foguetórios e a vibração da torcida no gol de Dentucinho, o fenômeno. Acompenhei pelos telejornais ao longo do dia os momentos marcantes do jogo. Ganhamos. Estamos em mais uma final, a sétima. A seleção germânica da Alemanha também. Apesar de não ser paranormal ou vidente e odiar funk, e de acordo com a declaração do Bira, baixista do Programa do Jô, que diz que a Alemanha perde até do Flamengo, como a torcida é muito grande e como torcedor brasileiro, serei otimista mesmo estando com o (*) na mão: "nós com os 'alemão' vamos 'se' divertir".Será??? Tomara que sim. Até depois da final.

sábado, 22 de junho de 2002

Deus, salve a rainha.





Que sufoco!!! Mas acho que valeu a pena ficar acordado até as 5:30 da manhã pra ver o jogo contra a Seleção Britânica Real da Inglaterra. O mais incômodo do jogo foi a narração do Galvão, mas isso já é praxe global principalmente pela Vênus Platinada deter todos os direitos de transmissão dos jogos da copa. Eu ainda tinha a opção de assistir pela SPORTV, mas fiquei, como os 90 milhões de amigos da Rede Globo em ação, acompanhando a partida.



Nossos canarinhos pisaram no campo de guerra tranquilos. Uma família Scolari bem comportada, sem ninguém segurando na mão de ninguém como nas copas anteriores. (A de 94 eu tenho certeza, mas na de 98 teve essa palhaçada? Respostas para o mail.) O hino nacional é um momento mágico. E verdade que 'Ouviram do Ipiranga às margens plácidas' as vezes se transforma em 'Ouvirumdum ipitanga as pargens flácidas', mas é o momento que meus olhos enchgem d'água. Não sei se tenho um patriotismo forte ou um coração de manteiga.



Viram a tradução do hino inglês? Era mais ou menos assim: Deus salve nossa rainha/ Nossa vangloriosa rainha/ Deus salve a querida rainha da Grã-Bretanha. Que coisa horrorosa. Parece que Betinha está passando por maus bocadosem Londres, a beira da morte e sem chegar aos 100 anos. Se eu fosse rei da Inglaterra a primeira atitude que iria tomar era trocar o hino. Iria ser um rock da pesada. Estou pensando em 'Simpathy for the Devil' dos Stones ou 'Lucy in the Sky whit Diamonds' dos Beatles. É a cara deles, né? Tem o Elton John, mas esse eu descarto logo porque iria enfeitar a melodia com perfumes e cor-de-rosa choque, e hino é um ponto sério, um pavilhão a ser defendido.



Vamos ao jogo. O juiz apita a saída de bola. A partir daí o apito não saiu da boca dele. Parecia que tinha engolido. Qualquer coisa era motivo pra ser apitado. Nem o Ciça, mestre de bateria da Viradouro, apita tanto quanto esse mexicano. Desde que eu pisei na Califórnia tomei raiva de mexicano. Não sei se vocês sabem, mas alegria de mexicano, principalmente do pessoal de Tijuana, cidade fronteira a San Diego, é cruzar a linha e levar muamba de volta para o México. Era difícil encontrar um caixa de mercado que fosse legítimo americano. Não se escutava outra coisa além do apito. Tossir, espirrar, engasgar, arrotar, tava lá o mexicano -prííííí´.



E o Spice Beckham Boy. Que figura! É muito estrelismo. Chuteira diferente, cabelo diferente, salário diferente... Não fui com a cara dele e não achei que ele joga tanto quanto dizem. Tudo bem, estava diante da Azulada Seleção Canarinho, que eu também não levava fé até esse jogo. Continuo não levando muita fé, mas vou passar a torçer fervorosamente. Faltam só dois. Quem sabe...



Quanto a expulsão do Dentucinho Gaucho logo depois do segundo gol, diga-se de passagem um golaço dele mesmo, não achei que fosse pra expulsão. O mexicano não deu nenhum cartão, quando levanta o primeiro faz merda. Pra compensar, depois ele amarelou um alemão. Foram os únicos que eu me lembre. O Arnaldo César Coelho, comentarista que se diz árbitro de futebol, disse que faria o mesmo. Ele conhece as regras e provou por A+B que era lance de expulsão, mas o garoto não foi na maldade. Como dizem que o que vale é a intensão, o vermelho foi exagero.



Foi apertado. Foi gostoso pela virada. Mostramos a eles que o chá das 5 é muito mais energizante quando tomado às 5:30 da manhã, que nossa rainha tem muito mais jogo do que a deles. Ela, corintiana e torcedora fanática dos canários brasileiros, tem o poder de transformar 'A Hard Day's Night' em samba-rock e 'I wanna hold your hand' em forró. Foi o que aconteceu ontem.



O impasse em que eu me encontro agora é que parte tomar caso o próximo jogo for contra o Senegal. É minha segunda seleção nessas quartas de final.



Beijos a todos e bom final de copa com ou sem penta.



PS - perdão pelos erros. joanaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 17 de junho de 2002

De repente Califórnia.

Assim como Lulu Santos, eu também fui à Califórnia. Vivi parte sobre as ondas. Literalmente. O que não falta nas praias de lá é pier pra ser visitado.Quanto a ser artista de cinema, infelizmente nenhum agente me viu andando por Bervely Hills ou pela Hollywood ou Sunset Boulevard. Se o meu destino é ser star, será aqui no Brasil. Demos uma boa volta. Queríamos (eu e minha mãe) ir até San Francisco, mas, por falta de tempo e dinheiro, a cidade mais ao norte que conseguimos ir foi Santa Bárbara que fica praticamente na metade do caminho. Foi um mergulho no escuro nos aventurarmos por aquelas veredas, principalmente as desconhecidas por Jana, minha prima que mora lá. 'Sartamos' de banda quando alguns preços nos assustavam. Na Califórnia é diferente, muito mais cara do que na Flórida, por exemplo. Mas dá pra ir além do sonho se você quiser correr atrás. A vida não passou tão lentamente. Quando eu estava me acostumando já era hora de voltar. Vinte dias voa... Tão de repente que se sente saudades do que já passou.

Se alguém quiser perguntar alguma coisa de lá, estamos aí. (rafabarcelos@zipmail.com.br)

Beijos e até a próxima.

PS. Esqueci como se corrige o texto. Caso ache algum erro de português, me desculpe e me avise. (Joana, socorro.)

terça-feira, 21 de maio de 2002

Acho que devo algumas explicações.

Existem dois motivos para minha estréia ser só no mês que vem.

O primeiro é que ainda falta me adaptar aos comandos desse blog, mas com a ajuda da minha blogueira de plantão, a Joana, - joanar.blogspot.com - vou conseguindo e, ao que parece, estou indo bem. Falta acertar alguns detalhes como incluir o espaço para os comentários. Caso não consiga, vocês terão que me enviar por e-mail mesmo. Quem não tem, anota aí: rafabarcelos@zipmail.com.br.

O segundo é que vou passar 20 dias na Califórnia. E volto com bastante novidades pra contar aqui também. Portanto, até o dia 15 de junho.

Beijos a todos.

Voltem sempre.

sexta-feira, 17 de maio de 2002