sábado, 27 de julho de 2002

Santa Vera



Há uma senhora aqui no prédio, Vera Lúcia, que está prestes a virar santa.

Mãe das minhas amigas Sabrina e Gabriela, carinhosamente chamada de Pigú, o mais recente posto que ela ocupa, além do posto médico, é o de zeladora da imagem da Mãe Rainha. Ela é responsável por uma lista com trinta nomes do vicariato sul, se não me engano, e organiza os dias em que a imagem da santa passará por essas casas. Muito convencida de sua fé, é mestra em alcançar graças. Agora ela tem que ser canonizada e o primeiro devoto serei eu, fruto do seu primeiro milagre.



O milagre que ela operou foi me curar de uma diarréia da qual fui acometido entre segunda e terça dessa semana que passou. Abençoado seja o biscoitinho de nome 'Torcida' que comi enquanto estava jogando baralho com suas filhas e Juliana na noite de terça. Ou seria quarta. O milagre me deixou atordoado em relação ao tempo. Uma oferenda feita por aquelas mãos milagrosas e minha dor de barriga, que parecia ter passado, foi exonerada do meu intestino pra valer.



Estamos procurando agora uma característica pra ela. Será santa de que? pergunto eu. A princípio do pau oco. É mais ecológico.

Já estamos elaborando os famosos santinhos para Santa Vera. O ensaio fotográfico será na janela da casa dela. E não será apenas Ferraz de Vasconcelos que terá sua santa da janela. Quanto a oração que vem impresa no verso do papel está para ser concluída.



Depois de Madre Paulina, Santa Vera tem que passar pelas mãos de João Paulo II. E quem quiser fazer romaria ao santuário dela é só falar comigo.



Que Santa Vera abençoe todos nós. Amém.

quarta-feira, 24 de julho de 2002

Nada a declarar



Hoje não tenho nada a declarar. Estou colocando essas letrinhas na tela sem querer dizer alguma coisa porque nada me apetece. Poderia falar da campanha presidencial, do conflito na faixa de gaza ou da vida sexual das vespas na ilha de Tonga, mas nada tem me interessado para que eu dê uma ressalva. Só estou escrevendo porque, além do compromisso assumido com vocês, gosto de escrever, mesmo sem nada a declarar. Deixe no seu comentário um assunto para a próxima pauta por favor.

sábado, 13 de julho de 2002

O Canto da Sereia



Perguntei, sem obter respostas, como que surge uma sereia. Quis saber porque durante essa semana, enquanto fazia minhas caminhadas no calçadão da praia, me deparei com uma escultura curiosa.



De vez em quando o senhor 'Mulheres de Areia' baixa aqui em Niterói, na praia de Icaraí, construindo castelos de areia e o que mais suas idéias, combinadas com suas mãos, permitir. Essa semana estava em pauta uma sereia. Aí vem minha curiosidade.



A sereia que o sr. Mulheres de Areia esculpiu estava grávida e ao lado dela, pela feição, me deu a impressão de que estava um sereio. O que questiono é como a sereia engravidou e se aquela figura metade masculina era o pai. Pelo tamanho da barriga ela estava para parir a qualquer hora. Mas como que surge uma sereia? E existe sereio?



Há tempos atrás, se não me engano a rede Manchete exibiu um seriado em que as sereias se tornavam mulher. Por essas vias, eu até concordo com a gravidez, agora, sereio eu nunca vi nem em lendas. Outra dúvida: que ser sairia daquela barriga, um peixe? Uma seria ou um sereio? E se realmente existe sereio, como é a cópula desses seres em suas formas originais? Dúvidas, dúvidas, dúvidas...



Pelo que estava exposto ela se banhava com os raios do sol - no meu caso, quando a encontrava, com os raios da lua - exibindo sua redondíssima barriga, e o sereio se encontrava debruçado nas pedras, com a parte traseria da cauda amostra.



Sereio ou não sereio, eis a questão.



A imagem da sereia se foi dando lugar a um quadro sacro. Sorte deles que não foi servido peixe na última ceia. E na hora em que passei por lá, apenas Jesus e mais uns quatro amigos estavam à mesa. O resto devia estar engarrafado no trânsito.



Desejo mais sucesso pro senhor Mulheres de Areia.







segunda-feira, 8 de julho de 2002

Penta que Pariu



Devido a maciça divulgação do blog por minha tia Tania, recebi, via encaminhamento, um mail do Zeca, da Barra da Tijuca pedindo pra que eu comentasse 'sobre a coragem e a malandragem de Ronaldinho Gaúcho, Edimílson e Vampeta, quando, ao receberem as medalhas das mãos do FHC, deixaram-no de mão estendida, viraram-se para o povão com os braços erguidos e, sem cumprimentá-lo, deram-lhe as costas'. Segundo o Zeca, 'foi sublime, grandioso e eloquente'.

Também achei, Zeca. Não soube de nenhuma declaração do presidente sobre a atitude desses três jogadores, mas se eu fosse ele, diria que não estava com as mãos estendidas a toa. Falaria que estava fazendo o gesto do penta. A empolgação era grande. O cansaço também. Se eu, que vim da Cálifórnia, fiquei acabado depois de 14 horas de vôo, imagine eles depois de 20 e tantas. Chega uma hora que o organismo está no piloto automático, se auto anestesia e deixa rolar. Acho que foi o que aconteceu com eles. E não havia horário e cerimonial que fosse cumprido e os segurasse. Não estavam no fuso certo.



Não sabia que Brasília tinha tanta gente assim. Sempre achei que aquela era uma cidade fantasma, onde só existia vida inteligente (se é que se pode chamar de inteligência) entre terça e quinta. Já o pessoal do Rio se estrepou de verde e amarelo. Primeiro pelo atraso de 5 horas na programação, segundo que os jogadores desistiram de completar o percurso quando estavam em Botafogo. Lógico. Nem os super-pentas aguentam. E teve gente que foi a São Paulo desfilar no sambódromo as 6 da manhã. Vai gostar de festa assim na penta que pariu.



Kléberson é o nome daquele que chutou a bola no travessão e que deixou pro Rivaldo deixar pro Dentucinho, o fenômeno fazer o segundo gol. Valeu galera.



Estou desenvolvendo o assunto que vou falar na próxima semana e queria que vocês me ajudassem respondendo à seguinte questão: como surge uma sereia?

segunda-feira, 1 de julho de 2002

Penta



Hoje não vou nem pedir desculpas pelo meus erros de português. Ao menos hoje, se eu errar alguma coisa, que fique errado. Afinal de contas, minhas mãos ainda estão trêmulas de emoção e pode ser que eu coma uma letra ou troque outra. Não levava muita fé, mas somos penta. Mais uma vez levantamos a taça. Mais uma vez a taça do mundo é nossa. Nós somos a maior potência do futebol mundial, pelo menos até 2006, na casa da vice.



Conseguimos derrubar o muro de Berlim. Muito se falou do goleiro nazi-fascista Oliver Gengis-Kahn. Era o melhor, o menos vazado até ficar frente a frente com os pés de Dentucinho, o fenômeno. Não que os pés de Dentucinho sejam aquela coisa, mas, de alguma forma, foram eles que fizeram cair a muralha alemã por duas vezes. A segunda vez foi a que eu achei melhor. A deixada de Reivaldo pra Dentucinho, o fenômeno, é uma jogada típica dos antigos craques, aqueles que eu não vi jogando, só ouvi comentários e vi imagens sobre eles.



Aquele cabelinho que, segundo Rita Lee, é uma xereca capilar, é horrivel mesmo. Depois de todos aqueles problemas que o levou a botar várias vezes a mão no joelho, dar uma abaixadinha e mexer de dor achei que ele seria uma nova categoria do Zico que também ajoelhou e teve que rezar pra ficar bom. Taí. Quatro anos depois daquela fatídica final francesa e dois anos depois de cirurgias e recuperações, ele se declarou ferido, mas vivo, e põe vivo nisso. Próxima copa ele volta.



Qual é o nome daquele que chutou a bola no travessão no primeiro tempo? Gostei dele no jogo. Foi ele quem tocou pro Reivaldo que deixou pro Dentucinho? Acho que sim. Mas qual o nome dele?



E o Felipão? Tiro o chapéu pra ele. Nunca levei fé nessa seleção. Ele conseguiu. Mais aí volta aquela velha história: e o Romário? A ausência dele fez diferença? Talvez sim, se o Brasil tivesse sido eliminado em qualquer fase da competição. Felipão continua sendo o burro pelo fato de não ter convocado o Romário? Ou ele é mais um herói do escrete nacional que colou sua figurinha no album da galeria de ouro da história do futebol? Anjo ou Demônio? Afinal, agora, o que é o Felipão?



Foi ele quem fez todos nós abrirmos a mão hoje, esticar os cinco dedos, tal qual vossa excelência el rei Cardoso primeiro, mas por um motivo muito melhor e mais justo.



Somos PENTA. Cinco vezes campeões da Copa do Mundo. Até 2006, nessa e em outras diversas categorias, com brasileiro não há quem possa.



PENTACAMPEÃO.