quarta-feira, 25 de dezembro de 2002

ESPECIAL DE FIM DE ANO



Todo ano é a mesma coisa. Mas é diferente. Chega o fim de ano e os especiais de Natal pipocam na tela da televisão. Essa é a parte igual. Desde que eu me entendo por gente, o Natal não é Natal sem peru e sem especial de Roberto Carlos. Não me lembro bem, mas acho que já passei Natal sem peru. Filmes inéditos que são anunciados em março e que passam comedidamente ao longo do ano são desaguados no Natal. Os programas que casualmente estão nas grades de programação também ganham especiais de fim de ano. É sempre assim.



Resolvi então fazer o meu especial de fim de ano. Meu não, nosso. Meu porque eu que criei e seu por que está lendo. Aproveitando as duas primeiras frases do texto, elas também servem pro meu Natal, pro Natal que eu passo com a minha família por parte de pai. Isso já virou tradição. O que vocês vão ler a partir da próxima postagem, é fruto de um trabalho de antropologia que eu fiz pra faculdade no início do curso, não me lembro se no segundo ou terceiro semestres.



O que eu me lembro era que foi o primeiro verãozão que a gente passou estudando em virtude de uma greve enorme que a gente enfrentou em 1998, greve essa que começou em abril e acabou no dia seguinte da fatídica final da copa da França. Nesse período, além do trabalho de Natal teve o de carnaval. Essas foram as duas avaliações daquele período. Eu tive como nota 9,5 nos dois e, conseqüentemente, como média final. Esse especial de Natal que vocês vão acompanhar a partir da próxima postagem é referente ao Natal de 1998. De lá pra cá muita coisa mudou, mas a essência continua a mesma.



As mudanças mais radicais, além de quatro anos de mais idade serão relatadas agora. Primeiro é que tia Roseléa não é mais casada com o Paulo como consta na lista de presentes escolhidos pro amigo oculto. Por falar nisso, o meu pedido é o mesmo. O Natal, não é Natal sem peru, sem especial de Roberto Carlos e, no meu caso, sem Cd de Escola de Samba. Segundo é que não passamos mais o Natal na casa da tia Roseléa e sim do tio Roberto. Atualmente é o lugar mais amplo e espaçoso pros membros da família se reunirem. Terceiro que minha prima Jana, por motivo de força maior, não passa o Natal com a gente. Ela mora na Califórnia. São quando dá que ela vem fartar nossa ceia. Por enquanto, até agora, não deu. Mas a gente tem fé que um dia dê. Dê pra nós todos irmos pra Califórnia passar o Natal com ela.



Dada as devidas proporções e considerando essas mudanças, a essência do Natal na minha família é a que vocês vão ler. Não sei se tenho mais ressalvas a fazer. Não me lembro de outra coisa pra ser ressaltada, outra mudança radical de lá pra cá. Mesmo assim, é basicamente isso. Conforme for eu ponho notas de pé de página.



Tenho esperanças de conseguir o que eu quero, tenho esperanças de um futuro melhor pra todos nós, tenho esperanças... Eu acho que vou conseguir. Tenho meus motivos. Estão mais pra supertições que motivos. Mas se eu acredito neles, são motivos concretos, pelo menos pra mim. Sempre achei que os melhores anos da minha vida foram os ímpares, sem desmerecer os pares que foram muito bons também. Tenho atualmente 25 anos. Dois mais cinco dão sete. É o número que eu mais gosto. Enquanto transitei por essa idade produzi muito. Ano que vem é 2003. Dois mais três dão cinco. Outro número impar. Preciso de mais motivo pra acreditar que no próximo ano vou degringolar? O universo está conspirando ao meu favor. Espero ter sorte o suficiente para realizar o meu desejo.



No mais é isso aí. Como é a última vez esse ano que sento pra conversar com vocês, quero desejar a todos um Feliz Natal, um ano novo repleto de alegrias e realizações. Eu vou correr atrás da minha. Até a próxima inédita ano que vem. Beijos.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2002

ENQUANTO ISSO, NO MINISTÉRIO DA CULTURA...



O cenário é Brasília, mais precisamente no prédio do Ministério da Cultura. O dia? Terça-feira. Logo depois do almoço, já que pela manhã o ministro viajou para Brasília. Na segunda, ele descansou dos shows do fim de semana. O assessor do gabinete passa as informações.

- Bom dia ministro. Soube que seu show em Passo Fundo foi um sucesso.

- Traga-me um copo d’água. Tenho sede.

- Tudo bem. Aqui está. Fez boa viagem?

- De avião o tempo de uma saudade.

- Essa vida de aeroporto é mesmo cansativa, mas o senhor deve estar acostumado. Faz shows em tudo quanto é canto do mundo. Talvez a freqüência não fosse tão grande. Pensou que compartilhar apresentações com vida de ministro fosse moleza?

- Não me iludo. Tudo permanecerá do jeito que tem sido.

- Espero que você consiga conciliar as duas coisas. Podiam te liberar uma verba especial pra viagens ou então um meio de transporte mais rápido.

- O expresso 2222.

- Bem, vamos ao que realmente interessa. A classe teatral está reclamando da pouca verba para montagem de espetáculos. O Falabela quer produzir outro musical. Quem quer falar com você também é a Fernanda. A Tônia mandou um telegrama assinado por ela e pelo Paulo Autran. O que o senhor pretende fazer com a verba?

- Realce. Quanto mais purpurina melhor.

- E quanto aos outros seguimentos da arte. Não vão ser prejudicados?

- Não se incomode. O que a gente pode, pode. O que a gente não pode, explodirá.

- Essa é sua última palavra? O senhor não acha que vai criar um mal estar com os outros setores? Eles vão cobrar mais de você.

- Deus sabe a minha confissão. Não há o que perdoar e por isso mesmo é que há de haver mais compaixão.

- Então assina aqui. Ah! O Caetano ligou pra você. Sabe o recado que ele deixou?

- Aquele abraço.

- E, além disso, pediu pra entrar em contato com ele. Quer saber se o senhor vai ter espaço pra fazer uma apresentação beneficente junto com a Ivete e a Daniela.

- Toda menina baiana tem um jeito que Deus deu.

- O senhor se estressa pouco. Nem os problemas do ministério deixa o senhor agitado.

- A paz invadiu o meu coração. De repente se encheu de paz.

- Ministro, que ninguém nos ouça, cá entre nós, tenho que dar um jeito na minha vida. Tenho sentido que estou ficado muito agitado, muito nervoso. O senhor pode me dar um conselho?

- Caia já na gandaia.

- Não, não sou muito de curtir agitação. Queria ir pra um lugar mais tranqüilo, mais calmo, onde minha mente pode se desprender um pouco disso tudo aqui entendeu? E aí? Alguma idéia?

- Sítio do Pica Pau Amarelo.

- Só um instante, ministro, o telefone está tocando. Alô. Só um momento. Sua filha. (Minutos depois) E aí, ministro? Pode se saber o que ela falou pro senhor?

- Tá me esperando na janela. Não sei se vou me segurar.

sábado, 14 de dezembro de 2002

MAIS UM NA MULTIDÃO



Está chegando a época das festas de fim de ano. Faltam alguns dias para o Natal. Natal parece que é tempo de confraternização. E é. Mas, em se tratando de confraternização, é o que eu chamo de bonança. A bonança vem depois da tempestade.



A tempestade de Natal começa no início do mês de dezembro quando se arma no seio da família o modo de confraternizar o Natal daquele ano. Os parentes compartilham não só os presentes como a ceia. Raios e trovões já podem ser escutados a partir desse momento. Pra quem recebe, o décimo terceiro salário pode ser o indício de um tempo melhorzinho. Se ele for reservado pra quitar antigas dívidas, aí e que não tem indício nenhum e o tempo continua feio.



As confraternizações surgem em todos os cantos. Casa, trabalho, escola dos filhos... Tem Natal por perto, presentes vão rolar. Já começa aí. Qualquer ato desse tipo tem a já famosa e tradicional brincadeira do amigo oculto ou secreto. Se você é o tipo de pessoa que tem que comparecer a todos os tipos de confraternização natalina, prepare os dedos indicadores e polegares pra puxarem quantos papeizinhos bem dobrados forem necessários. É aí que a tromba d’água é formada. Principalmente se as exigências ou características do amigo oculto forem diferentes. Os menos favorecidos ou os mais pão duros já definem logo que o valor da mercadoria pra ser presenteada e ao mesmo tempo recebida não pode passar de R$ 1,99. Tem os pseudoamigos que são aqueles que estimam valores em R$ 10,00 só pra não dizer que não passou em branco e/ou pra esconder que está duro, sem um tostão furado no bolso. E tem os corretos, cujos valores estipulados dão pra comprar um bom presente. Quantos papeizinhos você tirou? Cuidado pra não confundir e dar um presente de R$ 30,00 no amigo secreto de R$ 1,99.



Tormenta armada vem a tempestade. Hora de encarar as lojas e shoppings. Dia de semana não dá tempo. Fim de semana fica intransitável e todas as mercadorias não estão completas, estão danificadas ou só tem aquela que está exposta, mas vai chegar mais na segunda ou terça feira. Quando você acha uma mercadoria boa, que você pode comprar e dar de presente, não necessariamente pra amigo secreto, mas também pra uma pessoa que você queira dar, por ter achado aquilo a cara dela, tem sempre uma outra pessoa que pensa o mesmo que você e pega o produto. As mais mal educadas o arrancam da sua mão. Aí é chuva na certa daquelas que alagam ruas, param o trânsito e deixam todos ilhados. Depois dessa disputa praticamente a tapas e com interferência do estoquista na definição de quem leva a mercadoria, vem aquela longa, interminável e imóvel fila pra que a mercadoria escolhida por você, que lhe rendeu hematomas e escoriações, pudesse ser paga. E essa foi só uma. Só uma loja, só um presente, só uma briga...



Se estiver dentro de um shopping, o tempo está propício a mais chuvas e trovoadas. Quando se consegue sair da loja, trava-se lutas e lutas pra poder sair do shopping. É uma verdadeira natação contra a corrente. Aquele mar de gente vindo em direção contrária. Você é apenas um na multidão. Mais duas horas pra poder ver o asfalto da rua. No mercado, quando se vai fazer as compras de comida pra ceia de Natal, é a mesma coisa. As uvas sempre amassadas, o peru não é lá aquele que enche os olhos e o bacalhau ta mais pra sardinha. Os problemas são os mesmos. Mudam somente o ambiente e os produtos.



Esse clima com tempo fechado começa a mudar depois que tudo estiver comprado. E na véspera de Natal, no dia 24, independente do tempo externo, o que paira sobre as nossas cabeças e coração é aquele sol radiante. Todo o sacrifício foi feito em troca do sorriso, da alegria e da felicidade daquele momento. Acaba que se esquece de tudo por que passou.

sábado, 7 de dezembro de 2002

PRESIDENTE POPSTAR



“Bossa nova mesmo é ser presidente/Desta terra descoberta por Cabral/ Para tanto basta ser tão simplesmente/ Simpático, risonho, original/ Depois desfrutar da maravilha/ De ser o presidente do Brasil/ Voar da velha cap pra Brasília/ Ver a Alvorada e voar de volta ao Rio/ Voar, voar, voar/ Voar, voar pra bem distante/ Até Versalhes onde duas mineirinhas/ Valsinhas dançam como debutante/ Interessante/ Mandar parente a jato pro dentista/ Almoçar com o tenista campeão/ Também poder ser um bom artista exclusivista/ Tomando com Dilermando/ Umas aulinhas de violão/ Isso é viver como se aprova/ É ser um presidente bossa nova.”



No final da década de 50 essa modinha composta por Juca Chaves fez o maior sucesso. O nome da música é ‘Presidente Bossa Nova’. Falava, como dá pra perceber, sobre o presidente Juscelino Kubitchek e suas aventuras na presidência do Brasil. Acho que esse foi o único presidente que a gente teve com nome complicado. Me perdoe se não é assim que se escreve. É assim que se fala, ao menos. Porém vamos trata-lo por JK, que é como ele costuma ser mencionado.



Presidente brasileiro tem nome bom pra ser abreviado. Por exemplo, estamos saindo da era FHC que tinha em JK um exemplo de bom presidente. Sem falar no Jango, abreviatura de João Goulart. Aqueles que não são abreviados como Sarney, Collor e Itamar, são apelidados por uma característica. Existe essa segunda vertente na presidência. O bigodão ou jaquetão do Sarney, o ‘aquilo roxo’ do Collor e o topete do Itamar são bons ganchos. E o Lula?



O Lula é um caso a parte. Lula já é apelido de Luis, ou seja, entra na primeira categoria. Mas também já é nome próprio que ele incorporou na identidade. Isso bate na segunda categoria. Pelo menos por enquanto não vejo característica marcante para que Lula, que já é apelido, possa ser apelidado novamente. Ele será o primeiro presidente do Brasil a ter dois apelidos que o identificam, caso isso aconteça.



Pegando o trecho da música do Juca Chaves que fala “Também pode ser um bom artista exclusivista/ Tomando com Dilermando/ Umas aulinhas de violão/ Isso é viver como se aprova/ É ser um presidente bossa nova”, dá pra ser feita uma analogia, aliás, como em toda música, mantendo as devidas proporções. Exclusivamente nesse trecho parece que o mesmo está acontecendo com o nosso presidente eleito.



Troquemos o violão pelo violino que ele andou tocando e sem ter aula, pelo menos que eu saiba. E ele está me saindo um bom artista. O Brasil nunca teve isso. Que bom que agora está tendo. Espero que esse seja o primeiro de uma infinidade de presidente popstars. Ele deveria exigir cachê alto pra suas aparições em grandes reuniões internacionais e, em cada hotel que se hospedasse, 267 toalhas brancas, 58 amarelas bebê, além de roupa de cama trocada de cinco em cinco horas, tinas e tinas de água Perrier além de 160 garrafas de vinho Romané-Conti (ou qualquer nome parecido). Quando ele sai ás ruas é tratado como ídolo. Fica uma população aglutinada onde quer que ele vá. Nem no cardiologista ele pode mais ir tranqüilo. Leva meia hora pra andar 5 metros. E ainda falta um pouco menos de um mês pra ele tomar posse e se tornar definitivamente nosso presidente. Imagina depois de empossado? Como todo bom astro, faz charme pra dizer qual será o repertório do seu ministério e sempre marca infindáveis reuniões com seus agentes de transição.



Há algumas semanas a rapaziada do Casseta e Planeta fez uma promoção para a escolha do bordão que seria utilizado pelo ‘Luis Inácio Bussunda da Silva’. O rapaz que mandou o bordão vencedor que é lá de Campinas, SP, foi iluminado quando criou e teve a ajuda de pessoas iluminadas e com apuradíssimo senso de humor que votaram nele pra gente se divertir por muito tempo. O bordão: “O companheiro aceita um autógrafo?”