terça-feira, 30 de dezembro de 2003

HOJE A SAIA É JUSTA, HOJE A FESTA É NOSSA



O ano de 2003 termina no próximo dia 31 de dezembro, como todo ano. E também, como em todo ano, pipocam na programação televisiva vários especiais de fim de ano. Isso significa que, além do ano estar acabando, todos voltarão seus olhos para o calor insuportável do verão. Sol, praias, corpos malhados... Depois da fartura da ceia de Natal os corpos se ajustarão para o carnaval. E durante esse período frutas e líquidos terão mais prioridades do que aquelas comidas pesadas tipo rabada, feijoada, macarronada e outras ‘adas’ da gastronomia internacional.



Aviso aos navegantes que durante o mês de janeiro descansarei desse meu prazeroso lavor semanal. No entanto, enquanto o mês de janeiro persistir em imperar no ano de 2004, nos emanando raios ultravioletas de todas as espécies em graus mais intensos do que de costume, abençoarei vocês com quatro textos inéditos, escritos ao longo do ano, em ocasiões diferentes e que expressam minha opinião sobre quatro mulheres diferentes.



Me refiro as apresentadoras do programa Saia Justa, que é exibido todas as quartas-feiras à noite no canal a cabo GNT (Globosat/Net), a saber: Fernanda Young, Rita Lee, Marisa Orth e Mônica Valdwogel. O especial Saia Justa, elaborado por mim, irá ao ar semanalmente durante o primeiro mês do ano. A data em que eu criei os textos vêm no pé da página e as ocasiões nas quais eles nasceram, revelarei a seguir. Mas antes gostaria de ressaltar que todos os quatro textos foram enviados para a produção do programa para serem repassadas as suas respectivas homenageadas. Particularmente, acho que não foram entregues. Saberão o motivo dessa minha tese mais tarde.



A primeira vítima e/ou homenageada foi a Fernanda Young. Foi escolhida a primeira pelo foco de câmera. Se focalizarem o estúdio em plano geral ela é a ‘saia’ que tem seu posto na primeira poltrona vista da esquerda pra direita, e por se tratar de uma escritora, ótima por sinal, essa definição que eu fiz segue a mesma premissa de uma leitura, onde nós, que não somos orientais, lemos da esquerda para direita. E a inspiração para o texto em homenagem a ela foi a bienal do livro que havia se encerrado há pouco e suas próprias obras.



Seguindo a ordem tem Rita Lee. Na época ela estava concorrendo ao Prêmio Multishow de Música Brasileira na categoria de melhor cantora. Não levou. Utilizando minha criatividade e originalidade, essa última nem tanto, resumi a entrega do prêmio em uma letra com base na música de autoria dela chamada ‘Arrombou a Festa 2’ que foi feita em cima da música ‘Arrombou a Festa 1’.



Marisa Orth recebeu uma em que eu debatia sobre a relação das máscaras. Agora a revelação sobre a minha suspeita. No mês passado ela veio participar de um debate em um evento chamado Araribóia Cine Festival onde só era exibido filmes em curtas-metragens. Pois bem, perguntei a ela se tinha recebido o texto e ela me disse que não. Não sei se só não repassaram pra ela ou não foram repassados pra todas, como eu acho. Mas, enfim, tirei uma foto com ela e pouco me preocupei se os textos chegaram nas mãos de seus destinatários. Eu já havia mandado e não iria fazer isso novamente pra não parecer chato, apresar de eu achar que enchi muito o saco dela. Publicamente, se eu causei essa impressão, peço perdão pra ela e agradeço pela sua atenção e simpatia.



Pra Mônica o jornalismo foi a pauta principal do texto. E ela só vem a somar na minha galeria de jornalistas femininas que tem a Marília Gabriela como a ícone, principal e insubstituível líder dessa categoria no meu ponto de vista.



Agora é só acompanhar as postagens de janeiro pra conferir o especial Saia Justa. Até a retomada de inéditas em fevereiro. Desejo um ótimo ano novo cheio de sucesso pra todo mundo. Sucesso em todos os caminhos que a vida fizer você escolher.

terça-feira, 23 de dezembro de 2003

MEDO DA IDADE





Outro dia minha tia Dora fez um comentário que foi uma boa sugestão de pauta. Ela tem medo de deixar Diana, sua neta, fazer algumas estripulias. No entanto, essas mesmas estripulias que teme por Diana, eram feitas pelos seus filhos quando na idade da menina.



Parando pra analisar percebe-se que esse medo se encontra em dois fatores. O primeiro é a idade. Quanto mais velhas ficam as pessoas, mais medos elas vão adquirindo. Uma outra tia minha, tia Tânia, por exemplo, cerca de dez anos atrás saia de Niterói às dez horas da noite e ia pra Ilha do Governador ensaiar com a bateria da União da Ilha, pra voltar no primeiro ônibus pra Niterói. Por mais que ela ainda tivesse conhecimento do pessoal de lá, hoje ela não faria mais isso. Talvez sim, uma vez ou outra, mas não com a freqüência que ela fazia antigamente. Tinha outros exemplos pra dar que eram da minha avó, mas eu vou poupar esses visto que ela era hipocondríaca e exagerava nos medos dela.



O segundo é o tempo e suas circunstâncias. Eu estou querendo dizer que o medo do tempo, tempo atual, os dias de hoje, é um agravante para a temeridade em relação à proteção da Diana e da maioria dos infantes que povoam esse mundo. Digo em termos de violência, falta de segurança e desconfiança entre as pessoas.



O mais curioso é que comigo, pessoalmente, aconteceu o contrário. À medida que fui crescendo o medo foi diminuindo em relação inversamente proporcional. É claro que o medo coletivo, aquele que todos temos de ser assaltado ou nos vermos repentinamente no meio de um fogo cruzado, eu também sinto em proporções que eu considero normais diante das condições normais de temperatura e pressão. Nada que lembre uma síndrome do pânico, longe disso. A preocupação é natural.



Sabe com que idade eu andei pela primeira vez de montanha russa, daquelas que dá looping? Dezoito anos. Tinha medo. Ficava admirado, olhando lá debaixo aquele carrinho indo a toda velocidade e fazendo o itinerário louco dele até tomar coragem e entrar em um. Também, a primeira vez em que andei de montanha russa que dá looping não foi uma qualquer que a gente vê em parques tipo ‘pague para entrar e reze para sair’. Minha estréia foi na ‘Kumba’ no Bush Gardens, em Tampa, na Flórida (EUA). Gritei na primeira metade do circuito, já na segunda metade tinha perdido a graça e o medo e tinha deixado com uma pessoa que ficou me olhando de lá debaixo.



A coragem com uma pitada de inconseqüência e irresponsabilidade não é a mesma se compararmos as idades. Esse tipo de coragem é uma aos vinte anos e outra completamente reestruturada aos sessenta, por exemplo. A coragem precavida toma o espaço da coragem desbravadora conforme o ganho de idade. Não é medo, conforme eu escrevi no título de hoje, mas creio que isso é uma conseqüência natural da vida que pode até se assemelhar com medo e assim como minhas tias, eu e quaisquer outras pessoas podemos adquirir esses ‘medos’. Eu ainda não temo por nada devido a minha pouca idade. Não cheguei nessa parte da vida em que a idade trás seus medos.



O ano está acabando e tem gente que adquiriu mais uma temeridade. Um medinho a mais pra entrar a lista do que a gente não vai fazer de jeito nenhum a partir do ano que vem, geralmente por causa de alguma experiência mal sucedida pela qual passamos. Em compensação, as crianças, elas sim, e também os bêbados, pelo que diz o ditado popular, têm anjos da guarda de reforço. E partindo dessa premissa, não há idade, caso seja criança ou bêbado, para ter medo de nada. Eles, os anjos, de alguma forma, seguram e guiam essas duas categorias de seres humanos.



Vamos ver qual será o medo que vamos adquirir com o ano vindouro. Ou será que ele só vai fazer reforçar um medo antigo? Aguardemos, logo após o reveillon.

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

ACABOU?



No último fim de semana não se falou em outra coisa senão sobre a captura de Saddam Hussein pelas tropas aliadas em um esconderijo, no Iraque. O aspecto dele, barbudo e cabelos desgrenhados, se assemelhava ao de um mendigo de rua.



Pelo visto não houve resistência na sua descoberta e dessa vez foram dispensados até os seus sósias. Segundo os noticiários, quando viu que não ia mais ter jeito, ele disse “Não atirem. Sou Saddam Hussein. Presidente do Iraque.”



Presidente é modo de falar. O Iraque viveu quase trinta anos sobre seu punho de ferro. É mais do que sabido que o próprio ‘Tio Sam’ teve sua parcela de contribuição na formação ditatorial do Iraque ao fomentar Saddam contra os aiatolás iranianos. Mas será que com essa prisão o Iraque se tornará uma democracia de fato? Não se sabe.



Existem várias questões que ficaram pendentes diante desse fato e as respostas pra elas começarão a se revelar agora. Como será restabelecida a democracia no Iraque? A ONU terá papel fundamental na ‘organização da casa’ já que foi menosprezada na decisão do ataque? Os focos de resistência e apoio a Saddam irão parar com os ataques às tropas americanas ou, ao contrário, a elaboração e efetivação de um ataque com proporções semelhantes ao do World Trade Center deixarão o mundo e, principalmente, a América do Norte com a paranóia da apreensão para uma nova catástrofe?



Saddam não teve a mesma sorte que Osama Bin Laden, o procurado mais sumido do mundo. Poderia ter tido umas dicas dele. Uma palestra intitulada ‘Por onde anda você’ ministrada pelo Bin Laden deve render uma boa grana. A maior certeza sobre a vida de Osama é a dúvida.



O que mais aflige a mim é que essa captura tem a possibilidade de dar margem a várias facetas que não são agradáveis aos meus olhos e creio que aos olhos do mundo.



A primeira, e pior de todas, foi que a prisão de Saddam aconteceu no início da corrida pra campanha eleitoral e Bush, que é maluco, mas não é burro, usará esse fato como uma das bandeiras para sua permanência na Casabranca. A segunda é que o próprio Bush, com toda a insanidade que impera naquele cérebro, poderá usar esse mesmo fato para argumentar a favor de intervenções militares contra outros ditadores e/ou países cujos planos não o agradam muito. Essa é a minha dúvida. Será que acabou mesmo ou só acabou, aparentemente, no Iraque?



Os países que George W. Bush considera como fazendo parte do tal ‘Eixo do Mal’ terão seus dias de Iraque e Afeganistão, ou esses foram dois momentos isolados de invasão americana dentro da história recente do mundo? Se a captura de Saddam se tornar um pretexto pra outras invasões, tomadas militares e guerras entre os Estados Unidos e um outro país qualquer o mundo se tornará, mais do que já está, um pandemônio. Já pensaram, caso isso venha acontecer, na situação de Cuba guerreando contra os Estados Unidos, logo ali em cima do Brasil? E aqui do lado, na Venezuela, do jeito que as coisas vão com o Chaves, nem chamando o Chapolin pra tentar evitar que o país entre na lista negra. Pode ser que haja um exagero da minha parte, mas que não se pode prever o que se passa na cabeça de um louco, disso eu estou certo.



Por essas e outras, agora, mais do que nunca, vou me filiar, se é que já existe, se não, vou fundar um comitê de combate à reeleição do Bush. Fazer campanha contra sua permanência na cadeira mais importante do poder hegemônico, tirar do alcance das suas mãos aquele botãozinho vermelho capaz de destruir o mundo não sei quantas mil vezes. É difícil, mas torço para que o povo americano que é acostumado a ir as urnas não vá com sentimento nacionalista, de melhor do mundo por ter pegado Saddam e coroe novamente com louros esse caipira estúpido do Texas pra maiores sofrimentos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2003

MARCHA NUPCIAL



Os enlaces matrimoniais estão dando nó. O casamento sobrevive, ao decorrer do tempo, tal qual um animal em extinção. O vestido de noiva, o véu e a grinalda, a combinação básica, é, nos dias de hoje, o que menos passa na cabeça de uma mulher moderna.



Antigamente, o ‘casório’ era um jogo de interesse familiar em que, na sua maioria, os noivos noivavam em seus berços prometidos um ao outro, e a mulher, mesmo que não o quisesse era obrigado a aceitá-lo e a fazer a atividade que lhe cabia, dando margem a promiscuidade masculina nos prostíbulos. Chiquinha Gonzaga abriu alas para a opinião feminina, que à época pouco importava, e foi a pioneira no movimento feminista. Ponto para a Rosa de Ouro.



Vão-se os dedos e ficam-se os anéis. Essa frase cai como uma luva nos tempos contemporâneos. O casamento não duradouro deve-se ao fator único de que é a incompreensão que acarreta na decadência do respeito e, principalmente, do amor. A troca de alianças não tem mais o valor que deve ser dado. O ‘sim’ do altar é a palavra que mais tem que ser discutida, debatida e analisada antes de ser confirmada.



A mulher, cansada de ser submissa e/ou de ver seu castelo de sonhos desmoronar, e por estar ganhando espaço na sociedade, põe o casamento em último plano. A prioridade está no bolso, no contracheque e na conta bancária. O trabalho estafante, no caso inclui-se os dois sexos, também não dá tempo pra pensar nesse tema ínfimo que é o matrimonio.



O laço só é laço quando é dado com amor. A força motriz do casamento está sendo devastada pelas queimadas da rotina e o tempo de viagem está ficando mais longo do sonho á concretização. Se alguém tem algo contra, fale agora ou cale-se para todo o sempre.



Fico imaginando uma cena de um casal que chega em casa logo depois da festa e já começam a cavar a separação.



- Enfim sós.

- Graças a Deus. Não agüentava mais ficar com aquela cara de coringa do filme do Batman sorrindo praquelas pessoas. Tinha umas caras lá que eu nem sabia quem eram.

- Deviam ser o pessoal lá da firma.

- Aqueles cachaceiros. Bem que não largavam o copo. Você os chamou?

- Claro. Trabalham comigo.

- Porque você quer. Tens a capacidade de pleitear um cargo melhor numa firma mais bem conceituada. Mas isso não é hora e nem lugar pra gente discutir isso. Eu vou tomar um banho e quando voltar a gente começa.

- Quer que eu prepare algo pra gente beber?

- Mais? Pra que? A gente já bebeu tanto naquela festa. Falei pra papai que essa quantidade toda era exagero. É capaz até de sobrar.

- Então qual é a sua sugestão pra gente entrar no clima da nossa noite de núpcias?

- Noite de núpcias? Então eu acordo cedo e fico o dia inteiro me arrumando pra entrar na igreja e fazer a recepção e você ainda pensa nisso?

- Você mesma disse que a gente iria começar...

- ... a arrumar as malas. Ou se esqueceu de que a gente tem que pegar o vôo das oito da manhã pra Fortaleza pra gente passar a nossa lua de mel.

- Fortaleza? Não era Maceió?

- Era, mas quando mamãe foi comprar as passagens ela viu uma promoção muito mais em conta e comprou pra gente. Foi surpresa até pra mim. Ela não é um doce?

terça-feira, 2 de dezembro de 2003

AMIGO OCULTO



Dezembro já está aí. O clima das festas de fim de ano já está se armando e com ele a preocupação de que tudo se converta numa noite feliz de Natal, com ceia e presentes pra todos, aumente. É tempo de pegar lápis e papel, fazer as contas do décimo terceiro – quem consegue receber – pra ver se sobra alguma coisa e se essa ‘alguma coisa’ dá pra, pelo menos, comprar uma lembrancinha, nem que seja numa loja de R$ 1,99, para os parentes.



Crescente também, a cada ano que passa, é a brincadeira do amigo oculto, ou secreto, como quiser. É só papai Noel começar a aparecer na televisão para que se proliferem as listas de nomes que participam desse jogo. E não há quem não tenha participado e/ou não participe de no mínimo uma atividade com essa característica.



A primeira etapa é juntar o nome de todos que vão participar. Seja do setor em que você trabalha numa grande companhia, numa pequena empresa, entre professores de escola, amigos de uma mesma turma ou família. Depois sorteia-se e aí cada grupo define valor e/ou tipo do presente. Basicamente uma brincadeira de amigo oculto se resume a isso.



Até agora eu já entrei em três. O tradicional da minha família, onde eu sempre ganho o mesmo presente – esse ano será o décimo – que é o CD das escolas de samba, em que se estipula um valor médio e cada participante escolhe o que irá ganhar; elaborado no último sábado. O da turma do meu prédio, cuja definição do valor, R$10,00 e da data de entrega dos presentes, dia quatro de janeiro, foram discutidas na última sexta feira, e aí o presente fica a critério de quem sorteou. Quanto a esse, houve uma pequena evolução em relação ao valor. O último que a gente fez foi com presentes de 1,99. Esse ano a gente abriu um pouco mais a mão.



Há ainda um terceiro, cujo valor é o equivalente a uma barra de chocolate. Esse é o tipo de presente e ainda é o único que eu não tenho a mínima idéia do que eu vou pedir. Confesso que pra esse não tive escolha e fui obrigado a participar. Achei um pouco estranho quando fui informado que estava dentro. Não pelo jogo em si, mas justamente pelo tipo de presente que serei obrigado a comprar e consumir. Chocolate é pra época de páscoa e não de natal. No entanto, o que vou pedir? Penso naqueles bombons da Kopenhagen (?) que tem recheio de cereja ou licor. Mas o preço dele não equivale ao de uma barra de ‘Diamante Negro’, por exemplo. Então vou optar por um pacote de ‘Sonho de Valsa’ ou mesmo uma caixa de bombons comuns sortidos. Mas, enfim, transformemos o coelho em veadinho e, apesar do chocolate numa época de calorão em que há um risco total e absoluto de derretimento, entremos, se conseguir, em clima de natal.



A brincadeira do amigo oculto não faz jus ao nome. Não existe amigo secreto. Você conhece quem você sorteou e tudo indica que essa pessoa é seu(a) amigo(a). A única vantagem, ou desvantagem, dependendo do ponto de vista, e que faz a graça da brincadeira, é que esse segredo não pode ser revelado pra ele(a), principalmente, e pra quem está participando. O amigo não está e nem fica oculto nunca. Apenas não compartilha de uma de suas alegrias que é tê-lo sorteado nesse jogo.



Não recebi – e espero não receber – mais convites pra esse tipo de brincadeira esse ano. Acho que não tenho quorum de amigos suficiente para executar outra. Até tenho, mas eles, como eu, não ligam muito pra isso. Eu até participo de amigos ocultos, mas o único do qual eu realmente faço questão de participar, até por já ser tradição, é o da família. Não estou me desfazendo dos outros grupos que também fazem amigo secreto e que casualmente faço parte, mas esses amigos, fazendo ou não o jogo, nunca serão, estarão ou ficarão secretos. Exponho todos eles na galeria dos meus sentimentos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2003

MONSTRO



Não posso falar por todas. Me tiro como exemplo. Quando eu era criança morria de medo de monstros. Mesmo daqueles que não faziam mal nenhum. A primeira vez que fui ver o filme ‘ET – o extraterrestre’ chorava desesperadamente com medo daquele bicho. Devia ter uns seis ou sete anos. Os seres não humanos me impressionavam muito, a ponto de eu acordar repentinamente no meio da noite pra constatar que eles não estavam espionando meu sono.



Me lembro de uma ocasião, lá em Saquarema, em que assisti a outro filme com monstrinhos. Não sei se é ‘O bebê de Rosemary’, mas a história era sobre uns bebês verdes com umas unhas pretas que nasciam já sabendo engatinhar e matando todo mundo que viam pela frente. Eu dormia com meus pais na edícula que fica nos fundos do terreno, coisa de dez metros de distância. Pra atravessar no meio da noite, por mais que a casa estivesse movimentada, fazia numa carreira só. Parecia que eu estava disputando uma corrida de 100 metros rasos.



Nessa época, há mais ou menos vinte anos, ele já fazia sucesso e praticamente monopolizava o primeiro lugar nas paradas de sucesso das rádios. Nessa época também, ele lançou um vídeo clipe que eu considero revolucionário por não ser mais só fumaças de gelo seco com luzes coloridas piscando alucinadamente e algumas cenas no meio da rua. No entanto, eu era criança e também fiquei impressionado e com medo daqueles monstros saindo das tumbas e dançando com ele no meio da rua. Claro que agora que não sou mais criança, entendo que nada daquilo era verdade e se eu choro quando vejo ET hoje é porque eu fico com dó do menino Eliot por ele se separar do amigo.



Mas, voltando ao vídeo, falo do astro pop-rock Michael Jackson e do clipe de ‘Thriller’. A princípio esse clipe me marcou, como já disse, pelo medo que os monstros me puseram, depois, com um pouco mais de amadurecimento, que eu vi o quanto que ele era bom naquilo que ele fazia. As músicas, os clipes, em suma, o sucesso era mesmo merecido. Ele era o melhor. Eu ouso em conceder a ele o título de rei dos anos 80. Não só o ‘Thriller’, mas ‘Billie Jean’, ‘I’m bad’, ‘Say say say’ que ele canta com Paul McCartney, ‘Don’t stop til get enough’ entre tantos outros sucessos. Não vou botar a discografia dele aqui por que não tem espaço.



O último grande trabalho, opinião pessoal, feita por Michael Jackson foi o ‘Dangerous’, aquele que ele diz que tanto faz ser ‘Black or White’. Essa música talvez exprima uma desculpa pelo fato de ele estar completamente branco devido ao intenso – mesmo se não for, pela cor que ele apresenta parece ser intenso – tratamento de combate ao vitiligo, doença que dispigmenta a pele.



As sucessivas e inúmeras transformações pela qual a figura dele atravessou, o descaracterizou completamente. Creio que nem uma pessoa que passa por uma operação de mudança de sexo tem sua figura humana tão descaracterizada quanto ele. Isso configura numa doença grave. O fato dele não se gostar plasticamente e querer se reformular constantemente não tem outra explicação se não uma doença. E muito grave. A cara dele mais parece a de um habitante do Planeta dos Macacos. Sabe aquele ditado que diz que a emenda ficou pior que o soneto, então, ele, de tanta emenda mudou o soneto por completo.



Agora ele foi preso e algemado em Santa Bárbara, na Califórnia sob acusações não tão novas de ter abusado sexualmente de crianças. Pagou fiança, uma mixaria de três milhões de dólares pra responder o processo em liberdade. È um monstro não só pela aparência quanto por essas atrocidades.



Se eu tinha medo do que ele fazia quando eu era criança, agora tenho medo da figura dele e do que ele faz com as crianças. De monstro a monstro, Michael minguou.

quarta-feira, 19 de novembro de 2003

DESCULPAS ESFARRAPADAS



Minha culpa. Minha máxima culpa. Eu sei que nada é motivo para que eu me ausente de minhas postagens semanais e, por mais que ninguém leia esse blog, vou ficar com a consciência pesada durante um bom tempo pela falta que tive que cometer na semana passada.



Não são, mas, particularmente, a listagem que se segue soam como desculpas esfarrapadas pelo fato de eu não ter tido tempo hábil de colocar nenhum texto aqui para o deleite dos meus não leitores.



Tudo começou na quarta feira retrasada (5/11) quando decidi fazer a prova de reingresso ou aproveitamento de estudos para jornalismo na UERJ. Fui lá levar alguns documentos, mas ficaram faltando outros que levei na quinta feira. Na bibliografia constavam quatro livros para serem lidos, os quais corri atrás na sexta percorrendo os sebos da cidade sem êxito nenhum. Somente à noite procurei na biblioteca da UFF e encontrei dois, no entanto a biblioteca estava fechando e eu nada pude fazer. Estava desistindo de fazer a prova. Nesse mesmo dia, um pouco mais tarde, meu irmão chega com nossa nova máquina digital, dessa vez com muito mais recursos do que a que era a oficial até então.



No sábado viajei para Guaratinguetá (SP) devido à cerimônia de oficialização de noivado do meu primo Artur Otávio. Um belo motivo para testes com o ‘brinquedinho novo’. Voltei no domingo sem idéias do que eu iria postar e passei a noite tentando achar um meio de baixar as fotos da nova máquina. Domingo de madrugada (pra mim, domingo à noite) é quando os textos são elaborados para a postagem vinte e quatro horas depois e quando eu vi já era tarde - ou cedo, dependendo do ponto de vista.



Na segunda feira (10/11) minha mãe me acordou ao meio dia e me convenceu a fazer a tal prova. Passei à tarde na biblioteca da UFF lendo os dois livros que me restaram. Quanto à máquina, ainda era um mistério pra mim. Sem contar que eu estava finalizando um trabalho a parte.



Terça foi o dia da prova. Duas salas cheias para somente doze vagas no total, sendo que eu estava concorrendo a três. Dela fui a outro compromisso onde passei a tarde. Cheguei em casa e dormi pra acordar as nove e meia da noite e um pouco mais tarde sentar na frente do computador para o ritual de sempre (entrar em algumas páginas e checar mails), tentar descobrir o mistério da máquina e dar uma conferida no acabamento do trabalho. Confesso que até esbocei uma postagem nesse dia repassando mais um mail sobre signos que recebi da Marianinha, mas iria ficar grande demais e eu não estava com tempo e nem paciência pra formatá-lo.



Estava também ansioso, à espera de uma encomenda que tinha feito à Saraiva Mega Store e que ainda não havia chegado e na quarta feira escrevi um mail para a gráfica pedindo orçamento e tirando algumas dúvidas. Na quinta, a resposta veio como uma bomba. Teria que botar todas as fotos componentes do livro em uma única tonalidade acinzentada. Fiquei desesperado. O que me compensou foi a descoberta do mistério da máquina que se comporta como um driver removível, mas ainda tinha o desafio das cores, trabalho que acabei com muito esforço no domingo a noite.



Mas o pior ainda estava por vir. A gráfica me mandou um mail dizendo que eu tenho que levar o meu trabalho no máximo até quarta feira para ficar pronto ainda esse ano. O arquivo tem 100 megas de memória, o que não comporta num disquete. A solução é gravar em cd rom, mas eu não tenho gravador de cd e mandar por mail ou via icq pra alguém que tenha é inviável. Tenho urgência em descobrir uma maneira desse arquivo sair do meu computador e entrar em um cd para que tudo fique resolvido. Tudo correrá bem e eu não terei mais que me ausentar e dar desculpas esfarrapadas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2003

JORNALISMO E LITERATURA



Na foto, crianças estão ao lado da estátua de Carlos Drummond de Andrade que fica permanentemente exposta em um banco, no calçadão da praia de Copacabana. Sob a foto, a seguinte nota: “Estátuas Integradas: Fora de pedestais, monumentos ganham até carinho. Crianças que saíram de Magé para ver a estátua de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, aproveitam para abraçar e fazer carinho no poeta de bronze. Alguns monumentos ganham banho e outros, como a estátua de Zózimo Barroso do Amaral, no Leblon, servem de apoio para exercícios físicos. Cada vez mais cariocas interagem com as estátuas que passaram a ser instaladas nas calçadas. No dia 18, o Leme ganha a estátuas de Ary Barroso, como informa a coluna Gente Boa.” Essa foto e esses dizeres estão estampados na capa do jornal O Globo de domingo, dia 2 de novembro.



Tudo isso pra colocar em pauta um assunto no qual foi muito debatido durante o mês passado. A Academia Brasileira de Letras promoveu um encontro para discutir esse tema. Um não, vários. Quer dizer, na verdade, um a cada semana, o que resultou em quatro. Nomes consagrados da literatura e do jornalismo deram sua opinião sobre a matéria. Vários deles recordaram a publicação de Euclides da Cunha e seus ‘Sertões’ e se reportaram a antigas redações de jornais, citaram matutinos e vespertinos, contaram suas experiências nos dois ramos, entre outras coisas. Agora, resolvi deixar aqui a minha conclusão sobre três palestras que assisti.



Todo jornalista é necessariamente um escritor, mas nem todo escritor é necessariamente jornalista. Os jornalistas, esses que trabalham em redações, correndo atrás de notícias e as transferindo pro papel que a gente lê geralmente na manhã seguinte, são considerados escritores, pelo menos por mim, já que eles vivem diariamente em contato com as palavras e, queiram ou não, atuam em um tipo de literatura. Por mais que seja focada, datada e considerada descartável, ao menos está documentando, de alguma forma, acontecimentos cotidianos.



Há os que têm o poder e a sabedoria de juntar as duas correntes, geralmente fazendo do cotidiano, ou da própria notícia de jornal, fontes de abastecimento das suas colunas. Isso sem contar os romances que escrevem, casualmente verdadeiros best-sellers Como exemplo, cito Luís Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro e Carlos Heitor Cony.



Quanto à afirmação de que nem todo escritor é necessariamente jornalista, eu mesmo sou um exemplo. (Que pretensão a minha de colocar meu nome a altura de vários consagrados escritores.)

Agora, parando pra pensar mais profundamente, descobri que foi exatamente a divisão entre literatura e jornalismo que me fez afastar do meu desejo de ser mais um jornalista e me tornar um cientista social. Reza a lenda que o cientista social é um jornalista frustrado. Pode ser. Mas mesmo se eu fosse um jornalista, a literatura, na sua forma mais apresentada, iria falar alto do mesmo jeito e o fato de eu não poder ‘romantizar’ uma notícia de jornal, por exemplo, me tornaria um jornalista formado, mas infeliz. De qualquer forma, continuarei acompanhando palestra, cursos e seminários cujo jornalismo seja ou esteja em voga. E se a literatura acompanhar, ai sim me delicio com mais prazer.



Será que essas postagens que faço aqui são tratadas como literatura? Ou seria jornalismo um pouco velado? Tem dias que acho que é uma coisa, tem dias que acho que é outra e tem aqueles dias que não é nem uma coisa e nem outra, ou seja, é uma mistura de tudo e nada ao mesmo tempo. Uma mescla de jornalismo e literatura que tem uma mensagem, um emissor e receptores em comum com essas duas correntes.

terça-feira, 28 de outubro de 2003

UMA LIÇÃO: A,E,I,O, URCA

(Zuenir Ventura) 04/08/2001



Foi preciso o faro de uma repórter, a Joana Ribeiro, para introduzir um pouco de informação e memória nesse choque de opiniões apaixonadas em que se transformou a discussão sobre as Apacs (Área de Proteção do Ambiente Cultural), dividindo as pessoas em preservacionsitas e derrubacionistas, como se não houvesse possibilidade de construir um pouco de razão e bom senso no meio.

O que ela fez? Simplesmente descobriu que a Urca tem Apac há 23 anos, a primeira do Rio, e foi lá verificar o que aconteceu com o bairro depois de 1978, quando um decreto determinou a preservação de vários imóveis, impedindo que eles fossem demolidos ou modificados.



Tudo bem que a Urca não é o Leblon, como já se alegou, e que cada lugar tem suas peculiaridades, mas o fato é que 23 anos de proteção ambiental fizeram muito bem ao bairro, sem que acontecesse lá o que muitos temem vir a acontecer no Leblon ou em todas as áreas atingidas pelas Apacs.

“Quando o decreto foi assinado”, explicou a presidente da Associação dos Moradores da Urca, “houve quem achasse que sua casa seria desvalorizada, mas foi justamente o contrário. Todos os imóveis, mesmo os que são preservados, foram bastante valorizados”.



Além disso, essas restrições não impediram que a Urca se transformasse em um bairro de elevado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): está em 6 lugar, à frente de Ipanema e Copacabana, e atrás da Lagoa, Gávea, Jardim Botânico, Leblon e Barra da Tijuca. É bem verdade que já esteve melhor: nos anos 80, o bairro ocupava o primeiro lugar do ranking, com desenvolvimento humano comparável ao da Bélgica. Mas parece que isso não tem nada a ver com as Apacs, e moradores históricos como o publicitário Jomar Pereira da Silva acreditam que o bairro vai voltar ao primeiro lugar.



Tenho pela Urca o maior carinho, pois fui um apaixonado urcaniano, como foi também Arnaldo Jabor e como continuam sendo Ricardo Cravo Albin, Técio Lins e Silva, Amauri de Souza, Ana Lecticia, Roberto Carlos. Morei dez anos lá, onde meus filhos foram nascidos e criados. Com eles pesquei nas pedras, brinquei na praia e vi Mario Vianna, já velho, jogando dupla de vôlei na areia.



No meu simpático sobrado da Otavio Correia, 34, em que não havia chave na porta (era só empurrar o vidro, enfiar o braço e abrir o trinco; os amigos já sabiam e os ladrões só não sabiam porque não existiam), reunia-se uma turma da pesada, sem falar no melhor, que eram os campeonatos de futebol de botão (até Gato Barbieri jogou no meu campo). Desconfio que foi depois de perder uma partida para Ziraldo que Carlos Leonam criou a expressão “esquerda festiva”.



Lá, Glauber Rocha e Leon Hirszman discutiram interminavalmente “O capital”, de Marx, que um não tinha lido e o outro, lido mal. Foi na varanda da frente, durante uma festa, que Paulo Francis e Fernando Gabeira travaram um acalorado debate ideológico, em meio ao qual se ouviu a frase que ficaria famosa — “do caos nasce uma nova ordem” — atribuída a Gabeira, mas que não confirmo, pois convenientemente eu não estava por perto. Lá também se ouviu, nessa ou em outra noite, Milton Temer (na época, no Partidão) lançar sobre Gabeira (já sonhando com a luta armada) uma maldição em forma de presságio: “Você ainda vai estar à minha direita”. O tempo adora fazer humor.



Numa tarde chuvosa, uma jovem cantora levada por Norma Pereira Rego, uma certa Gracinha, dedilhou uns acordes de violão e cantou algumas músicas. Seu nome depois foi Gal. Em outro dia, Jabor e eu saímos pela vizinhança recolhendo colchões velhos, roupas de cama, qualquer coisa para levar de Kombi até a PUC, base da campanha de ajuda aos desabrigados da enchente e desabamentos daquele verão de 1966, acho.



Mudei-me da Urca há uns quase 30 anos, quando era mais fácil comprar um apartamento barato aqui do que lá. Adoro Ipanema, sou um ipanemense convicto, mas isso não impede que, de vez em quando, eu tenha acessos de nostalgia urcaniana. A sua experiência dá o que pensar. Sei que há outras áreas de Apacs com resultados diferentes. Tudo bem. Mas se a Urca não for um exemplo a ser copiado, deve ser pelo menos uma lição a ser estudada, nesse momento em que muitos acham que preservação é sinômino de atraso e obscurantismo.

terça-feira, 21 de outubro de 2003

UM ANO



Cada dia que passa, passa mais rápido que o dia anterior. Isso parece que é uma constatação geral. As vinte e quatro horas de duração de um dia, não são as mesmas do mesmo dia cinco anos atrás. A impressão que se tem é que tudo o que foi inventado pra facilitar a vida da gente, como telefone celular, por exemplo, estão nos deixando cada vez mais atarefados e dependentes da tecnologia.



Se eu estivesse escrevendo esse texto numa máquina datilográfica, poderia faltar luz tranqüilamente que de qualquer forma ele sairia. Hoje não. Depois da proliferação dos computadores pessoais estamos dependentes da corrente elétrica, ou seja, se faltar luz ninguém mais produz nada. Cruzam-se os braços a espera da re-estabilização de energia.



Confesso a vocês que eu sou um neurótico-paranóico quando falta luz. Me sinto um impotente e inútil. Eu já estou completamente dependente e submisso ao computador. Não consigo dormir (quando estou em casa) sem dar uma checada nos mails e visitar algumas páginas da internet. Incluindo essa pra ver se alguma alma caridosa deixou um comentário pra mim, – o que não acontece - mas a esperança é a última que morre.



Vocês podem não imaginar, ou pode não parecer, mas nesse mês de outubro esse blog está completando um ano. Na verdade um ano e quatro meses, mas os primeiros quatro meses foram de adaptação e ajuste ao novo tipo de mídia. De maio a setembro foi começando devagar até estrear esse modelo de layout em outubro. O primeiro texto ‘sério’ que eu escrevi pra ser postado tem o título de ‘Demônio do mundo’ e fala – mal, é claro – do presidente americano na iminência de ser estourada a guerra do Iraque.



O primeiro blog que eu vi, e a partir dele comecei a perceber que estava cada vez mais concreta uma realização pessoal minha, foi o Joanar. Esse blog foi desativado logo depois das eleições presidenciais – época em que estava consolidando o meu – e era administrado pela minha amiga, confidente, guru e ídola Joana. Foi ela quem me ensinou e ajudou a dar os primeiros passos nesse avassalador mundo virtual das palavras, onde podemos expor o que a gente pensa sobre todos os assuntos e sem nenhum tipo de censura.



Se colocarmos na balança, apenas uma semana que deixei de postar – e não faz muito tempo – por motivos técnicos. No entanto, a postagem que eu fiz no carnaval valeu por duas semanas, ou seja, deu resultado de soma zero. Mesmo assim o saldo foi positivo apesar de eu ainda achar que ninguém lê esse blog, que escrevo pras moscas, já que não aparece nenhum comentário. Tudo bem. Continuarei jogando palavras ao vento. Isso não me desanima nem me desestimula.



Passou rápido. Um ano-luz. Muita coisa aconteceu de lá pra cá. Algumas aqui expostas e outras aqui omissas. Opiniões e palpites que podem ser derrubados a qualquer momento, ou não. Um bolo de palavras preparadas com paciência e com cobertura de muita dedicação. Sendo servido fatia por fatia, semanalmente, para apreço com deleite ou desgosto daqueles que perdem alguns minutos pra abrirem essa página e me investigaram.



Como forma de agradecimento a Joana pelo incentivo e apoio e pra comemorar esse ano de vida do meu blog terei a ousadia, com todo o respeito, honra e créditos merecidos, de me apropriar de um artigo feito pelo Zuenir Ventura, cuja escrita é bastante apreciada por mim, para o jornal O Globo, onde ele cita uma reportagem que Joana fez pro mesmo jornal sobre alguma coisa, que não me lembro bem, da Urca – acho que era sobre o patrimônio cultural ou arquitetônico, sei lá. Confira na próxima semana. Parabéns pra nós, muito obrigado e até a próxima!!!

terça-feira, 14 de outubro de 2003

ENFIM, O FIM



Depois de duzentos e três capítulos, no ar desde pouco antes do carnaval, chegou ao fim, finalmente, a novela ‘Mulheres Apaixonadas’. Uma novela polêmica e marcante como a maioria das novelas do autor Manoel Carlos que foram exibidas no horário nobre. Se lembra de ‘Laços de Família’?



De acordo com o que foi divulgado nos jornais, foram 59 pontos de ibope com picos de 65, o que equivalia a 77% de aparelhos ligados no último capítulo da novela. (Eu, sinceramente, até hoje não sei como se faz essa medição.) E mais. Parece que a Central Globo de Produção em Jacarepaguá teve seu dia de Fórmula 1 na sexta-feira. É que o último capítulo foi escrito na quinta feira e gravado, editado e finalizado momentos antes de ir ao ar. Enquanto era exibido o segundo bloco, por exemplo, o quarto era sonorizado para se exibido em instantes. Provavelmente esse foi o motivo desse capítulo em especial levar duas horas para ser exibido por completo. A duração que um filme de cinema tem, em média.



Essa novela, em especial, não tinha necessidade do último capítulo ser feito às pressas. Os fins dos personagens já eram previsíveis e não havia suspense necessário para que esse esquema fosse armado. Se fosse desvendado um crime sendo revelado um assassino, como em ‘A Próxima Vítima’, ou quem havia explodido o shopping – ‘Torre de Babel’; ambas do Sílvio de Abreu e por isso que me lembro – aí sim esse esquema de corre-corre teria um sentido mais concreto.



Apesar de não ter acompanhado a novela, a não ser pelos comentários das pessoas na rua, e por mais previsível e fantasioso que é, acho que não só o Manoel Carlos, ele é o que está em evidência, mas todos as pessoas envolvidas nesse tipo de produto – novela é considerada produto como uma goiabada industrializada – são uns heróis. O autor por criar e sustentar uma loucura durante meses, e a equipe de produção por tornar a loucura viável.



Manoel Carlos, ele ainda, disse que não quer mais escrever novelões como essa última. Ele se prontifica a escrever minisséries de até 50 capítulos. Porém, se for pedido a ele uma outra sinopse até 2008 ele tem que entregar. (Eu tenho quase certeza que vem outra obra dele por aí antes dele repensar o contrato. Tem mais cinco anos pela frente.) Quanto a essa decisão que ele pretende tomar, eu sou partidário. Só maluco pra embarcar nessa. Vamos às contas. Quarenta páginas por capítulo. Uma semana equivale a 6 capítulos, ou seja, 240 páginas por semana. Agora, se a gente multiplicar o número de páginas por capítulo pelo número de capítulos, o resultado é 8.120 páginas. Nem eu, que gosto de escrever, por mais que me esforçasse, conseguiria atingir esse número no tempo de uma gestação, praticamente. E por isso que tiro o chapéu pra todos eles, embora não acompanhe assiduamente seus trabalhos.



Eu já tinha dito, no início do ano, que só acompanhava novelas, como compromisso, se for escrita por Silvio de Abreu, Agnaldo Silva quando em parceria com Ricardo Linhares e pelo Gilberto Braga. A substituta das ‘Mulheres Apaixonadas’ do Manoel Carlos é a ‘Celebridade’ do Gilberto Braga. Não sei se tenho mais paciência pra acompanhar novela diariamente. Farei um esforço pra ver o primeiro e o último capítulo, como em todas (ou quase) as novelas globais, e um esforço ainda maior pra tentar recuperar o hábito de parar para ver novela, coisa que eu não faço desde o tempo de ‘Porto dos Milagres’ e ‘As Filhas da Mãe’.



Bem, em termos de novela, certamente a melhor é aquela em que nós somos os autores e protagonistas; a novela de nossas vidas. Quanto ao roteiro, muitos dizem que está escrito nas estrelas. Estando ou não, somos nós que fazemos os melhores dramas e comédias e que as mulheres apaixonadas se tornarem celebridades em nossas vidas.

terça-feira, 7 de outubro de 2003

DIVAS



Nesse exato momento em que começo a escrever, passa na televisão um especial de Maria Rita. Tanto a cara, quando focalizada em alguns ângulos, quanto a voz em quase todos os momentos, além dos trejeitos com os quais ela interpreta algumas músicas, reportam a minha lembrança para a imagem da mãe dela.



Não acompanhei a carreira de Elis Regina. Era pequeno quando ela morreu e só comecei a tomar conhecimento da grandiosidade, do brilho da estrela de Elis a partir do fim da minha adolescência, apesar de sempre ouvi-la em discos e rádios quando lembravam de executar suas músicas. Pelo que me parece, Elis Regina teve uma carreira meteórica e veio a falecer no auge dela. Essa rapidez juntamente com o estrondoso sucesso se assemelha com outra cantora que se encaixa nessas mesmas características: Cássia Eller.



Maria Rita, filha do casamento de Elis Regina e César Camargo Mariano e irmã de Pedro Mariano que também já consolidou sua carreira como cantor, não está chegando para substituir a mãe, mas quer ter seu espaço, assim como milhares de outras cantoras anônimas, e está conseguindo sem sombra de dúvidas e sem sombra de ninguém. A comparação é inevitável, não há dúvidas, mas os momentos são extremamente diferentes e certamente dá pra conseguir desvencilhar uma da outra. Apesar das semelhanças citadas acima, dá pra cortar o cordão umbilical. Mesmo tendo uma gerado a outra, terem ido pelo mesmo caminho profissional (será que é uma questão de genética?), as estradas são diferentes. A própria Maria Rita já declarou que relutou muito antes de ser uma cantora profissional até mesmo pra evitar comentários de ser ‘filha da Elis’. Ela tem dom e talento para a profissão dela e mesmo se não fosse filha de quem é, querendo abraçar a carreira, conseguiria, talvez não com a velocidade atingida, mas certamente seu espaço no mercado fonográfico estaria garantido. Foi assim com tantas outras cantoras que fazem sucesso por aí. (Eu disse cantoras e não produtos)



Sempre gostei mais das vozes femininas e acho que as vozes das cantoras brasileiras contemporâneas descendem de quatro grandes damas. Assim como as cores primárias azul, amarelo e vermelho quando misturadas dão origem a outras, tenho uma tese de que as vozes das cantoras vêm da mistura das que eu chamo de quatro divas da música contemporânea. (Lê-se contemporâneo aquelas que foram mais ativas na minha existência) Marisa Monte, Maria Bethânia, Elis Regina e Gal Costa.



Quanto a esta última, começou contrato novo já com problemas. Em matéria publicada no ‘Segundo Caderno’ do jornal O Globo do último domingo (5/10), após adiamento do show de gravação do seu próximo disco, ‘Todas as coisas e eu’, houve o cancelamento do show e o disco, cujo repertório será de músicas que fizeram sucesso entre as décadas de 20 e 50, será gravado em estúdio.



Sem gravadora desde o fechamento no início do ano da Abril Music, Gal assinou contrato com a Indie Records indicando o nome de Bia Lessa para a direção desse tal show. Apresentado e aprovado o projeto dela, agora não pode realizar o projeto tal como foi concebido, descaracterizando-o agora quando reduzido.



E nós, público dela, como ficamos? Quando teremos oportunidade de ver um show bem estruturado de uma diva? Artistas do porte, do calibre de Gal Costa não pode ficar sofrendo jogo de intriga de gravadora, muito pelo contrário. Pela história de vida artística que ela construiu ao longo da carreira as gravadoras deveriam se estapear para que ela entrasse no elenco. Isso reforça mais ainda a tese de que nas gravadoras o lucro tem preferência deixando a qualidade musical em segundo plano, quando na verdade o resultado tem que vir ao contrário. Até a próxima!!!

terça-feira, 30 de setembro de 2003

SEM PALAVRAS



Se eu for listar o nome das pessoas que compareceram ao evento do lançamento do meu livro, vai ficar parecendo uma lista telefônica sem os respectivos números. Não esperava receber a quantidade de gente que foi me prestigiar. Lógico que o número de convidados foi bem superior, - até por que foram confeccionados e distribuídos mil convites oficiais, fora os não oficiais – mas as pessoas que foram, em torno de setenta, deram um brilho extra ao evento. Estou sem palavras para agradecer a cada um de vocês que foram lá no Spaghetti. Mesmo os que não foram por algum motivo e me cumprimentaram depois, por mail, telefonema ou pessoalmente, considerem-se incluídos no meu agradecimento. Rostos que nunca imaginava ver naquela hora, surgiram estampando no meu rosto uma felicidade que eu não estava conseguindo conter.



O secretário de cultura da cidade, que não pode comparecer por ficar preso em um outro evento, foi muito generoso em mandar um fotógrafo para registrar os momentos da festa. Na edição de número 431 da Folha de Niterói, que circulará a partir da próxima sexta-feira dia 3 de outubro, provavelmente sairá uma foto e uma nota a respeito do evento. Como é impossível publicar todas as fotos, a gentileza do secretário se estendeu em me ceder o filme já devidamente revelado. Acho que não merecia tanto, mas todo o apoio pra quem está querendo começar em alguma empreitada é indispensável.



Sem palavras mesmo eu fiquei num programa de televisão. Vou relatar esse caso.



Minha tia Tânia, com o intuito de fazer a divulgação pra minha noite de autógrafos no clube que ela freqüenta, comentou sobre o evento com uma conhecida dela que trabalha na produção do programa Serginho Total. Esse programa é veiculado na Net, tv a cabo, nas cidades de Niterói e São Gonçalo através do canal 36. A produtora convidou a minha tia para ir lá no programa falar sobre o evento e, conseqüentemente, sobre o livro. Ela concordou. Mais tarde, ela pensou em mim e ligou para a produtora perguntando se eu mesmo não poderia ir lá fazer o convite e uma pequena explanação sobre o livro. Tudo certo. Na própria quarta-feira, antes do evento, lá fomos nós.



Saí de casa um pouco antes das três horas e fui me encontrar com tia Tânia no ponto de ônibus. Fomos até o trevo de Piratininga, onde fica o shopping em que aconteceu o evento. De lá pegamos outro e saltamos em frente ao condomínio da tia Branca, que encontrou com a gente lá mesmo e nos levou de carro até o estúdio da tv no Haras São Sebastião.



Esperamos um pouco até a produtora chegar. Pouco depois que ela chegou o programa do Serginho Total começou. É programa ao vivo, diário e com duas horas de duração. Eu estava ficando mais nervoso ainda, até pela hora do evento que se aproximava, fiquei gelado. No entanto, mais cedo ou mais tarde eu teria que enfrentar esse medo. Retardei o máximo possível. Entramos no ar logo depois da hora da Ave Maria. Eu e tia Tânia. Tia Branca e o Cláudio ficaram por trás das câmeras, nos bastidores. Nas primeiras perguntas até que me saí bem, mas quando ele me perguntou sobre a história do livro, me deu um branco, esqueci uma palavra e fiquei um tempo, que pareceu uma eternidade, tentando contornar até que consegui.



Sorte que pouca gente vê esse programa. E uma amiga da tia Dora teve a coragem de gravar o meu silêncio. Naquela hora fiquei literalmente sem palavras. Foi tão pavoroso que a tal fita está aqui em casa, na minha frente e eu estou sem coragem pra ver. Todos que viram discordam de mim. Nem faço questão de ver. Até a próxima!!!

segunda-feira, 22 de setembro de 2003

FOI ASSIM...



Na próxima quarta-feira, dia 24 de setembro, estarei fazendo o lançamento oficial do meu primeiro livro ‘Maria Joana – A cidade do prazer’ no restaurante Spaghetti, situado no Itaipu Multicenter.



Eu sempre gostei de escrever. Minhas redações de escola, principalmente no segundo grau, em sua grande maioria, eram as que tinham uma expectativa maior para serem lidas para a turma. Lógico que essa não era uma regra geral. Havia dias em que a inspiração não vinha e os resultados finais dessas não eram agradáveis nem pra mim. No entanto, foi a partir daí que eu percebi que minha criatividade estava ligada a inventar e contar histórias. Por exemplo: em uma certa aula a proposta de redação, já com a finalidade de treinamento para vestibular, era de fazer uma dissertação cuja última frase seria ‘Vende-se uma moto’. Pois bem, escrevi sobre a saga de um casal pelas décadas até que um certo dia o marido morre atropelado defronte a uma concessionária onde havia uma placa com essa frase.



Um dia tive uma idéia pra uma trama e comecei a desenvolve-la já criando hábito para o hobbie de escrever. A idéia surgiu do nada, como surgem as boas idéias. Queria pegar um tema que fosse, de uma certa forma, dramático e desenvolver um lado cômico nele, nem que para isso a realidade do livro fosse inexistente, uma realidade fantástica.

Foi o meu primeiro desafio. Sustentar uma trama por várias páginas e sem a pressão das aulas de redação onde tempo e prazo de entrega eram estabelecidos. Na época estava começando a fazer um cursinho pré-vestibular e esse momento em que concebia a arte solitária da criação escrita se tornou a válvula de escape da pressão que é sofrida na época do vestibular. Cada dia útil equivalia a uma lauda escrita e nos fins de semana, geralmente, eu ‘folgava’, mas sempre com possibilidade de flexibilização.



Porém a idéia original foi praticamente trocada, não na sua totalidade, já que esse meu primeiro livro seria uma espécie de introdução à história da minha idéia original.



Além do hábito que estava formando enquanto criava, o gosto que eu tinha por esse ofício foi se tornando paixão. Fui ficando tomado por essa tarefa lúdica e saudável de jogar com as palavras. Só que, por ser hobbie, não dizia pra ninguém que eu estava escrevendo um livro ou que tinha escrito um livro depois de tê-lo acabado. Engavetava tudo e esquecia, até pelo fato de ainda não me ver e nem me considerar como um autor ou escritor.



O ‘Maria Joana – A cidade do prazer’ levou, na velocidade que eu disse, de agosto de 1997 até março de 1998 para ficar da forma apresentada. Depois foi só ajustes, mas nada que comprometesse a história já montada. Ela ficou esquecida até o Natal do ano 2000 quando resolvi dar de presente alguns exemplares, ainda xerocados e encadernados para meus tios, numa tentativa de mostrar pra eles o que eu gostava de fazer, até como futura profissão. Todos gostaram. Fui elogiado e acho que todos sentiram orgulho de mim. Quanto a fazer disso uma futura profissão...



Nesse ínterim, passei pra faculdade e a cursei normalmente. Cheguei a começar a escrever o ‘Maria Joana 2 – A outra’, que um dia vai sair, mas eu, talvez por ser novato ou por ficar muito empolgado, perdi o controle da trama e a engavetei sem colocar um ponto final. Está lá, arquivada. Sinto que será meio doloroso trabalhar novamente sobre ela. È um sacrifício do qual ainda me esquivo, no entanto, mais cedo ou mais tarde, terei que sofrer. Não é um sofrimento masoquista, pelo contrário, é um dos mais agradáveis sofrimentos pelo qual irei passar.



E assim se dá a criação. Idéias são o que não faltam. Até a próxima!!!

terça-feira, 16 de setembro de 2003

TIROS PELA PAZ



No último domingo – é estranho escrever assim quando se começa a escrever o texto no sábado de madrugada, antes de acontecer o fato – mais uma vez um grupo de pessoas se reuniu, dessa vez na orla de Copacabana, em ato público pedindo paz.



Concordo que a situação da violência é periclitante para não dizer calamitosa, mas eu não agüento mais as pessoas se reunindo pra pedir paz. A desculpa é que a pressão da sociedade irá mobilizar os políticos para que eles possam mudar a legislação principalmente na área da segurança.



Como se essas caminhadas bastassem. Eu apoio qualquer manifestação pacífica e bem intencionada como essas, mas já há um bom tempo que essas caminhadas, marchas, desfiles pela paz são feitas e não resolvem nada. Ninguém agüenta mais o tamanho da violência com a qual a gente tem que conviver diariamente, mas ninguém também não faz nada para diminuir essa violência. Se o máximo que você consegue é segurar um cartaz e clamar por paz num dia de domingo, numa caminhada desse tipo, atualmente, com o que tem sido feito você se assemelha com o beija-flor da fábula da floresta em chamas onde enquanto todos fogem do incêndio, ele faz o trajeto rio-mata carregando água no seu bico para apagar as labaredas. Tudo bem, você está fazendo a sua parte, mas infelizmente vai ser em vão. E é por isso que eu não participo, apesar de apoiar, de nenhuma caminhada dessas, porque a gente corre o risco de, ao sair de uma marcha dessas, tomar um tiro e morrer ali mesmo, pela paz.



Do mesmo jeito que um beija-flor não apaga incêndio, uma andorinha só não faz verão. As caminhadas somente pelas caminhadas não bastam. Tem que haver um acordo, um pacto entre a sociedade e as autoridades para que essas marchas resolvam alguma coisa. Acho que uma das coisas que travam o resultado desses desfiles são os hipócritas. Aqueles pais de família que levantam seus cartazes, mas chegam em casa e a primeira coisa que fazem é lustrar o revólver de estimação. São contra as armas de fogo na mão dos outros, na dele pode. Ou aqueles jovens que acompanham suas namoradas na caminhada, mas quando saem à noite partem logo para a briga na primeira oportunidade que aparece.



Antes de qualquer atitude, principalmente as precipitadas, recomendo a todos os cidadãos, inclusive a esses que se dispõem a sair num domingo de chuva, às dez horas da manhã – agora podem fazer uma passagem de espaço-tempo para se situar na madrugada de domingo pra segunda, as duas da manhã, depois do fato realmente ter acontecido – o filme vencedor do Oscar de melhor documentário de longa duração desse ano, ‘Tiros em Columbine’ de Michael Moore. Pra refrescar a memória, quando ele foi receber o prêmio, metade da platéia o aplaudiu e metade o vaiou. E em seu discurso de agradecimento ele gritou aos quatro ventos que ‘Nós (no caso, os americanos) temos vergonha de você, seu Bush’. Na época as tropas americanas estavam começando a atacar o Iraque.



O documentário trata da legalidade do porte de armas para os cidadãos americanos e a conseqüência que isso acarreta quando essas armas caem em mãos despreparadas – se bem que eu acho que nenhuma mão é preparada pra pegar em armas – e mãos de pessoas com cabeças despreparadas e por causa disso ocorrem tragédias como os tiroteios em escolas ou outros espaços públicos. De acordo com o filme, a indústria do medo é uma das razões que eleva a aquisição das armas de fogo.



Uma das partes do filme, talvez a mais comovente, é quando Michael Moore tenta mostrar para o ator Charlton Heston (acho que é assim que se escreve), o membro mais importante da Associação Nacional do Rifle, que por causa de uma arma, uma criança de seis anos matou outra da mesma idade. Veja o documentário. Até a próxima!!

terça-feira, 9 de setembro de 2003

INDEPENDÊNCIA OU MORTE



Sobre o lombo do seu burricozinho, às margens do pequeno córrego do Ipiranga, Pedro, o escamoso, ou melhor, o primeiro, bradou retumbantemente esse grito de independência ou morte. O que pouca gente sabe, ou não se dá conta, é que seu próprio pai, D. João, o fujão, ou melhor, o sexto, disse pra ele antes de voltar pra Portugal, não com essas palavras, mas com esse sentido: Filho, se der merda segura esse rojão você mesmo antes que qualquer outro tabaréu o faça. E foi justamente o que ele fez no dia sete de setembro de mil oitocentos e vinte e dois, ou seja, há 181 anos. O que eu lamento, e isso é culpa dos livros de história, é que ninguém sabe exatamente há que horas foi dado esse grito. Isso ajudaria bastante os astrólogos a fazerem o mapa astral do país pra ver se há um jeito definitivo, ou ficaremos fadados ao que nos cercam e mostram constantemente nos jornais, principalmente em termos de corrupção e violência. Outra coisa que me deixa intrigado é se D. Pedro I ao dar o grito posou, juntamente com os homens que o acompanhava, pro pintor que fez aquele quadro que aparece estampado em todos os livros de história do Brasil. Por ele pode-se deduzir que o grito foi dado debaixo do sol da liberdade em raios fúlgidos. Mas o que daquela arte foi real e o que foi devaneio do pintor?



Dúvidas e simbologias à parte, esse ano o dia da pátria caiu no domingo, o que nada significa pro povo brasileiro que só considera feriado quando cai em dia de semana, mesmo numa quarta feira que não dá pra enforcar. Eu me lembro que quando era criança eu desfilei no mínimo duas vezes representando as escolas em que estudei. Lembro mais do desfile de quando era bem mais novo, ainda na primeira dessas duas escolas das quais me refiro, em que eu, agora, olhando pra traz, percebi o que é ser antipatriota. Não sei se antipatriota é o termo certo ou foi mais um caso de rebeldia pura, sem causa nenhuma. O fato é que eu estava desfilando com minha classe – se não me engano eu estava na terceira série – quando senti alguma coisa cair no meu pé esquerdo (que não é o que faz a marcação da batida do tambor). Olhei pra baixo e vi uma mancha amarelada no meu tênis e vários caquinhos brancos espatifados pelo chão. Tinham me tacado um ovo. Como estávamos passando pela frente de um edifício, olhei pra cima e vi dois ou três vultos em uma das janelas olhando pra baixo. Não sei nem se foram eles que tacaram. Dei uma de cavalo em dia de parada. Caguei pra isso e continuei sendo aplaudido pelos pais e parentes que acompanhavam a parada.



Não sei se as escolas ainda desfilam. Eu era obrigado, creio que, por dois motivos: ameaça de queda de nota no fim do bimestre e por mais que já estivéssemos na nova república, em oitenta e seis e oitenta e sete, ainda havia resquícios da ditadura militar no que dizia respeito a atos cívicos. A constituição promulgada em oitenta e oito, e que vigora até hoje, ainda estava sendo discutida. No entanto, voltando para o ano corrente, no sábado pela manhã, eu estava dormindo quando comecei a escutar aquela banda de escola que mais parecia a charanga da torcida do Bangu, com a marcação feita pelo bumbo. Alguma escola estava desfilando pelos arredores da minha casa em comemoração ao dia que ainda iria demorar algumas horas para chegar de fato. Só pra atazanar meu sono. Sorte minha que passou rápido e eu nem levantei da cama. Se eu tivesse realmente acordado talvez seria eu quem tacaria um ovo naquelas criancinhas.



Depois das considerações sobre a independência, a morte. Dia onze de setembro serão completados dois anos de ataques terroristas ao World Trade Center em Nova Yorque. Pode soar um pouco forçosa a analogia que eu vou fazer, mas esse dia foi quando uma parte do mundo que não aceita a dependência do mundo de modo geral para com os Estados Unidos, declarou morte a mais de três mil pessoas atacando e derrubando o símbolo do poderio americano. Até a próxima!!!

quarta-feira, 3 de setembro de 2003

EMBORMANDO



Bem, estou de volta. Fiz os testes na semana passada com esse blog e acho que consegui me livrar dos problemas dos pontos de interrogação que me apareciam em letras acentuadas. Os testes deram certos, no entanto só estarei convencido se esse texto aparecer às claras, sem nenhuma deturpação eletrônica e involuntária. Ainda não sei como fazer pra botar fotos ilustrando a página. Terei que recorrer mais uma vez a especialistas em blog porque o simples fato de recortar a figura de seu diretório original e colá-la aqui não deu certo.



E como eu ainda estou com a pulga atrás da orelha quanto a essa postagem vou falar de coisas bastante irrelevantes, principalmente pra quem está lendo esse texto agora. Por exemplo. A minha última aquisição musical foi um disco antigo – lá se vão dois anos de lançamento – do tremendão Erasmo Carlos. O que você, leitor, tem a ver com isso. Absolutamente nada. No entanto continuarei falando do disco.



São 25 faixas divididas em dois discos, com um número um pouco maior de músicas, que variam desde as mais famosas até as mais desconhecidas. Eu mesmo não sabia que ele já havia se enveredado pro lado do samba. Desde o seu lançamento me bateu vontade de comprar esse disco, vontade essa que acirrou com a entrega do Prêmio Multishow de Música Brasileira pelo conjunto da obra. Esse disco é um tipo compacto do conjunto da obra. Quem quiser a obra completa, recentemente foi lançada uma caixa com, praticamente, todos os álbuns completos e acho que dois em espanhol.



Não. Não estou sendo pago por ninguém pra ficar aqui falando do Erasmo Carlos, mas esse último disco ao vivo dele, pra quem curtia sem nunca se mobilizar pra comprar um disco do cara, é muito bom. E para mudar um pouco os artistas vou contar como eu estou fazendo até adquirir novos discos.



Segunda feira, que já foi dia de Maria Bethânia fazer seu show no meu cd player com sua consagrada ‘Maricotinha Ao Vivo’, cedeu lugar, depois da aquisição do Erasmo, para Gilberto Gil e o tributo a Bob Marley ‘Kaya n’Gandaya’. Terças feiras, de um tempo pra cá, são os dias em que o ‘Acústico MTV’ de Marina Lima reina nas caixas de som. Quarta feira, que outrora foi dia de Gilberto Gil, atualmente impera um ótimo disco confeccionado pelo meu também ótimo amigo Jeferson com 24 músicas da década de 70 compostas e cantadas por Sérgio Sampaio, sendo que duas na voz de Zeca Baleiro e uma interpretada por Luiz Melodia. Quinta feira é dia de 40 sucessos dos Bee Gees, que por sua vez cedeu a sexta feira para o Erasmo Carlos. Os mais cotados pra sair da lista de cd’s executados no meu aparelho, assim que um outro qualquer for adquirido, são Gil, Marina ou Bee Gees que dentre esses são, vamos por assim dizer, os mais ‘antigos’.



Da música pra letra. Na parte literária estou muito bem guarnecido. Desde as aventuras bienais, já contadas aqui, tenho lido constantemente. Está rolando, aqui no Rio pelo ‘O Globo’, lançamentos semanais dos livros mais queridos do século XX, ou algo parecido. Desde o mês de junho – a bienal acabou em 25 de maio – todo domingo há um livro diferente sendo vendido nas bancas. Adquiro todos religiosamente, porém não os leio como beato, ou seja, se no último domingo foi lançado o número 13, é porque eu vou começar a ler o 12º naquela semana.



Quanto aos livros que vieram comigo da bienal, já foram lidos todos. Minto. Tem apenas um que ainda não foi aberto justamente pelo fato de eu estar acompanhando essa coleção. Deixei para lê-lo no verão quando voltarei a freqüentar livrarias em busca de novos lançamentos. ‘Os 100 melhores contos de humor da literatura universal’ vão me garantir um princípio do ano que vem mais leve, mais tranqüilo, mais relax e muito mais engraçado. Até a próxima!!!

domingo, 31 de agosto de 2003

Caríssimos, aguardem a próxima semana. Depois a paradinha para acertos - que espero ter conseguido e a princípio me parece que sim - inéditas virão. Até a próxima!!!

sexta-feira, 29 de agosto de 2003

Até lá!!!
Esqueci de botar o acento na palavra próxima. Agora sim.
Parece que a acentuação foi resolvida. Mas a prova dos nove só será tirada na proxima postgem. Até lá!!!
Tenho pela Urca o maior carinho, pois fui um apaixonado urcaniano, como foi também Arnaldo Jabor e como continuam sendo Ricardo Cravo Albin, Técio Lins e Silva, Amauri de Souza, Ana Lecticia, Roberto Carlos. Morei dez anos lá, onde meus filhos foram nascidos e criados. Com eles pesquei nas pedras, brinquei na praia e vi Mario Vianna, já velho, jogando dupla de vôlei na areia.



No meu simpático sobrado da Otavio Correia, 34, em que não havia chave na porta (era só empurrar o vidro, enfiar o braço e abrir o trinco; os amigos já sabiam e os ladrões só não sabiam porque não existiam), reunia-se uma turma da pesada, sem falar no melhor, que eram os campeonatos de futebol de botão (até Gato Barbieri jogou no meu campo). Desconfio que foi depois de perder uma partida para Ziraldo que Carlos Leonam criou a expressão “esquerda festiva”.



Lá, Glauber Rocha e Leon Hirszman discutiram interminavalmente “O capital”, de Marx, que um não tinha lido e o outro, lido mal. Foi na varanda da frente, durante uma festa, que Paulo Francis e Fernando Gabeira travaram um acalorado debate ideológico, em meio ao qual se ouviu a frase que ficaria famosa — “do caos nasce uma nova ordem” — atribuída a Gabeira, mas que não confirmo, pois convenientemente eu não estava por perto. Lá também se ouviu, nessa ou em outra noite, Milton Temer (na época, no Partidão) lançar sobre Gabeira (já sonhando com a luta armada) uma maldição em forma de presságio: “Você ainda vai estar à minha direita”. O tempo adora fazer humor.



Numa tarde chuvosa, uma jovem cantora levada por Norma Pereira Rego, uma certa Gracinha, dedilhou uns acordes de violão e cantou algumas músicas. Seu nome depois foi Gal. Em outro dia, Jabor e eu saímos pela vizinhança recolhendo colchões velhos, roupas de cama, qualquer coisa para levar de Kombi até a PUC, base da campanha de ajuda aos desabrigados da enchente e desabamentos daquele verão de 1966, acho.



Mudei-me da Urca há uns quase 30 anos, quando era mais fácil comprar um apartamento barato aqui do que lá. Adoro Ipanema, sou um ipanemense convicto, mas isso não impede que, de vez em quando, eu tenha acessos de nostalgia urcaniana. A sua experiência dá o que pensar. Sei que há outras áreas de Apacs com resultados diferentes. Tudo bem. Mas se a Urca não for um exemplo a ser copiado, deve ser pelo menos uma lição a ser estudada, nesse momento em que muitos acham que preservação é sinômino de atraso e obscurantismo.

Mais uma bateria de teste. Pode ser que sejam os últimos. E ainda não sei como colocá-las aqui. Tô falando das fotos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2003

Mais um teste. Será que dessa vez dá?
como eu ponho uma foto aqui?
04/08/2001



Uma lição: a,e,i,o, Urca



Foi preciso o faro de uma repórter, a Joana Ribeiro, para introduzir um pouco de informação e memória nesse choque de opiniões apaixonadas em que se transformou a discussão sobre as Apacs (Ã?rea de Proteção do Ambiente Cultural), dividindo as pessoas em preservacionsitas e derrubacionistas, como se não houvesse possibilidade de construir um pouco de razão e bom senso no meio.



O que ela fez? Simplesmente descobriu que a Urca tem Apac há 23 anos, a primeira do Rio, e foi lá verificar o que aconteceu com o bairro depois de 1978, quando um decreto determinou a preservação de vários imóveis, impedindo que eles fossem demolidos ou modificados.



Tudo bem que a Urca não é o Leblon, como já se alegou, e que cada lugar tem suas peculiaridades, mas o fato é que 23 anos de proteção ambiental fizeram muito bem ao bairro, sem que acontecesse lá o que muitos temem vir a acontecer no Leblon ou em todas as áreas atingidas pelas Apacs.



“Quando o decreto foi assinado�, explicou a presidente da Associação dos Moradores da Urca, “houve quem achasse que sua casa seria desvalorizada, mas foi justamente o contrário. Todos os imóveis, mesmo os que são preservados, foram bastante valorizados�.

terça-feira, 19 de agosto de 2003

DIRIGINDO NO ESCURO



Quem não se lembra de um inverno que nós, brasileiros, tivemos que economizar energia elétrica porque o sistema de gera��o de energia perigava entrar em colapso? Aquelas metas de conta de luz cuja adapta��o foi complicada pra quem n�o estava acostumado � economia, as amea�as e corte, as sobretaxas e principalmente os riscos de apag�o que chegamos a sofrer por duas ocasi�es. Segundo a declara��o da ministra das minas e energia, Dilma Hussef, atualmente o nosso sistema de distribui��o de energia j� est� bem melhor com os investimentos feitos dessa �poca, que n�o � muito remota, pra c�. No entanto ela n�o ousou afirmar que o risco de acontecer tudo novamente, apesar de ser bem menor, ainda existe.



Devido ao intenso e descomunal calor que tem feito no ver�o europeu, onde a temperatura chega a equivaler com a do ver�o dos tr�picos, com o aumento no consumo de ventiladores e ares condicionados, o velho mundo come�a a racionar �gua para que n�o ocorra tamb�m um colapso de energia.



O mesmo n�o aconteceu com Nova Yorque na semana passada. Foram mais de trinta horas no escuro e a cidade conhecida, entre outras coisas, pelas suas luzes passou um dia apagada do mapa. Nada funcionava. Muita gente teve que ficar na rua por n�o ter como voltar pra casa. E aqueles que tinham como voltar pra casa, praticamente n�o voltaram. Quer dizer, at� voltaram, mas ficaram horas, mais do que de costume, nos longos, mais do que de costume, engarrafamentos para chegarem a seus lares que tamb�m estavam no escuro. Com os sinais de tr�nsitos apagados as filas quilom�tricas de carros e �nibus os motoristas dirigiam no escuro.



Bem que esse poderia ser uma fonte pro pr�ximo filme do Woody Allen. Esse �ltimo que ele lan�ou, �Dirigindo no escuro� conta a hist�ria de um diretor de cinema que durante as filmagens do filme que � a retomada da sua carreira, fica cego e sua cegueira � escondida dos produtores do filme que apostam alto nele.



Seria, o escuro, uma profecia do Woody Allen pra sua Manhattan querida? N�o s� para Manhattan como para outras cidades e estados dos Estados Unidos e algumas do Canad�. De quem � a culpa? Houve um jogo de empurras e alguma autoridade do Canad� lan�ou uma d�vida deixando no ar esse sentido de indaga��o: E os Estados Unidos assumem alguma coisa de errado que eles fazem?



Esse black-out que teve foco mais importante em Nova Yorque mais uma vez refor�ou o terror paran�ico em que a cidade vive desde os ataques terroristas de onze de setembro. A possibilidade de a cidade estar sendo novamente v�tima de algum grupo terrorista foi a primeira a ser cogitada pela popula��o, cuja tens�o s� foi aliviada com a confirma��o da not�cia de apag�o.



N�o sei se nesses momentos de tens�o aumenta mais a desconfian�a ou a solidariedade da popula��o nova iorquina. Se um espirro dado por um transeunte qualquer aciona outra pessoa a dizer sa�de ou a sair correndo pensando que o que espirrou seja um terrorista bioqu�mico que est� espalhando um v�rus mortal. Paran�ia minha? Cartas para a reda��o.



Que os pr�ximos apag�es que acontecerem nos Estados Unidos n�o sejam no escuro, mas sim embaixo de uma claridade cujo �nico �rg�o que n�o enxerga � o governo, em ver que eles est�o implantando um c�ncer no mundo. A superpot�ncia norte americana se imp�e pra dirigir o mundo na escurid�o da ideologia do governo que l� est�. At� a pr�xima!!!



*****



P.S. � Aten��o! N�o ser� protesto, mas na pr�xima semana n�o haver� texto. Estarei utilizando o espa�o no blog pra fazer uma experi�ncia que h� muito estava querendo.

terça-feira, 12 de agosto de 2003

PROTESTO



Como ninguém lê esse blog, pelo menos é isso que eu acho visto que não há retorno nem pelos comentários e nem por e-mails, meu protesto passou em branco.



Por falar em protesto, semana passada eu vi dois completamente diferentes um do outro. Um foi mais grave. Aconteceu em Brasília no dia da votação da reforma da providência onde várias pessoas avançaram de encontro ao Congresso Nacional e demonstraram atitude de vândalos, quebrando vidraças e destruindo o patrimônio público, quando participavam de manifestação ‘pacífica’ – reforma da previdência é um assunto que tem rondado a minha pauta e provavelmente irá ganhar espaço depois que a poeira baixar. O outro protesto foi mais divertido. Lá em Nova Yorque tem um bando de maluco que protesta sem causa própria. Eles se dividem em três grupos espalhados pela cidade, recebem uma missão e se juntam para executá-la. Por exemplo: um protesto numa loja de brinquedo. Entra aquele número excessivo de pessoas na loja, para tensão dos vendedores, se dirigem a um dinossauro em tamanho mini-natural e ficam reverenciando esse bicho e depois saem de lá como se nada tivesse acontecido. Um protesto não por um direito ou outra coisa senão por um protesto simplesmente.



Pois bem, voltemos ao meu protesto particular. Eu protestei contra mim mesmo. Simplesmente não postei semana passada. Não que eu não tinha nada pra dizer, ou não estava inspirado... Nada disso. Não postei porque não quis postar. Em protesto.



O motivo do protesto? Pode parecer uma coisa boba, mas pra mim é de fundamental importância. Toda vez que eu posto um texto, desde que houve uma reformulação da página do blog, meu escrito não sai na íntegra. Há sempre uns pontos de interrogação que aparecem nas palavras acentuadas e eu estou ficando desesperado por não saber como retirá-los para que se obtenha um texto normal, sem nenhuma interrupção tecnológica.



Bem, para resolver esse problema ‘irresolvível’ – até palavra nova estou inventando – ao menos por enquanto, decidi destruir com todas as palavras acentuadas. Não quero comprar briga com a gramática e nem com professores de língua portuguesa, mas enquanto perdurar minha revolta com os pontos de interrogação que invadem os meus textos na postagem do blog, os acentos não vão aparecer. Porém, para indicar que aquela palavra é acentuada, ao lado dela haverá uma indicação com as letras a e c dentro de um parêntese.



Adotarei essa medida até o ponto em que minha paciência se esgotar. Talvez nos próximos textos eu tenha a dedicação de me policiar para que tudo seja o mais direito possível. Mas com o tempo tudo vai voltar como era antes, ou melhor, até agora. Isso se eu não conseguir a fórmula do elixir para a postagem do texto perfeito do blog.



Ou então mudar de endereço. Ir para o blogger brasileiro, aquele que tem um br no final. Também estou pensando nisso. Mas nesse caso eu teria que me reacostumar com tudo de novo. Eu ainda vou tentar acertar esse pequeno deslize que está me causando uma ira descomunal com o hospedeiro dos meus textos, uma negociação. Não se assustem se por acaso aparecerem textos repetidos na página. Eles irão surgir com a palavra teste ou experiência ao lado o título caso isso tenha que ocorrer.



Sei lá. Pode ser que nada disso aconteça visto que eu acho que ninguém lê o que eu escrevo mesmo. No entanto uma coisa é certa, eu ainda continuarei dando os meus pitacos nesse cantinho. Foi criado por mim pra isso e essa função não vai desaparecer jamais.



Confesso que meu protesto foi um pouco doloroso, mas agora tá feito e espero não ter que repetir esse gesto de me calar por livre e espontânea vontade contra míseros pontos de interrogações. Não se preocupem com eles. Deixe pra mim. Até a próxima!!!

quarta-feira, 30 de julho de 2003

A VISITA DO VELHO SENHOR



- Senhor, olhe. Tem alguém se aproximando do seu esconderijo. Devemos abrir fogo imediatamente contra ele?



- Estão agrupadas em grande número?



- Não senhor. É apenas uma pessoa sozinha.



- Qual é o aspecto dela?



- Parece cansada, senhor. Está ofegante. Ainda faltam alguns metros pra ela chegar mais perto. Não estou conseguindo identificar o rosto. Mas pelas vestimentas é um militar, senhor. Veste uma farda verde e usa um quepe avermelhado.



- Hum... Pelas suas descrições, soldado, me parece que...



- Ele parou. Parece que tem vista cansada. Botou os óculos e está vendo um pedaço de papel. Usa um vasto bigode preto. Senhor, ele tem a cara daquele seu amigo iraquiano.



- Sadam Hussein.



- Exatamente, senhor. Parece que é o Hussein. Mas não posso dizer precisamente porque não sei reconhecer se é ele ou algum sósia. O senhor quer ver com seus próprios olhos?



- Não há necessidade. Os sósias dele não têm a informação de onde fica a minha caverna atual. O papel provavelmente é o mapa que mandei um suicida fanático entregar para outro suicida fanãtico e esse entregar para alguém que fazia parte da cúpula do poder dele. Nunca soube se ele tinha recebido. Os dois suicidas fanáticos explodiram sem que antes eu tivesse a confirmação da entrega.



Minutos mais tarde...



- Senhor, ele já está aqui.



- Ora, soldado, não faça cerimônias. Mande-o entrar.



- Não gosto de ser mandado por subalternos como você e ouvi perfeitamente o que seu chefe disse. Pode se retirar que o assunto é particular.



- Sadam. Como vai?



- Bin, meu velho, há quanto tempo.



- Acho que a gente não se fala desde sete de setembro de 2001.



- Dias antes de eu concluir minha obra prima.



- Que espetáculo você fez, né? Foi maravilhoso. Nem tive tempo de parabenizá-lo por isso.



- Muito obrigado. Realmente foi inesquecível. Mas e você, como está?



- Péssimo. Não sei se aqui na caverna a televisão sintoniza alguma estação.



- Não. As informaçães que tenho recebo via soldado que vai na cidade comprar o jornal uma vez na semana. O que houve?



- Meus filhos morreram. Bem, isso é o que os americanos dizem e sabe que não acredito neles, mas a verdade é que tem vários dias que eles não falam comigo. A América até divulgou fotos como sendo cadáveres deles. Como o meu exército está sendo dizimado por aqueles garotos infelizes, estou dando um tempo fora. Eu gostaria de saber se posso ficar um tempo aqui com você, Bin. Se eles não te acharam até agora, não vão me achar também.



- Claro, Sadam. Pode ficar aqui o tempo que eu quiser. Cadê a mala com suas roupas?



- Eu sabia que você iria me compreender. Quanto às minhas coisas deixei lá com meus sósias pra se aquele idiota me matar, deixar pensar que ele, o Bush, me matou mesmo.



- Excelente idéia Sadam. Do jeito que ele é estúpido, acho que ele nem imagina que isso possa acontecer. Está com fome? Ainda tem alguns Big Macs que comprei.

terça-feira, 22 de julho de 2003

PUNIÇÃO POR NÃO MATAR



Um fato tem me preocupado. Não só a mim, mas a toda minha família de um modo geral. O Jesse vai ser preso.



Dando uma pequena recapitulada, o Jesse é o marido de Jana, minha prima. Algumas postagens atrás, foi dedicado um texto a eles em que eu tecia comentários sobre a estada deles por aqui durante quinze dias. Vou reproduzir dois parágrafos sobre esse comentário pra fazer um gancho.



“Ele pertence, pelo menos por enquanto, ao corpo de fuzileiros navais da marinha americana e tem cara de soldado americano mesmo. Eu falo por enquanto por dois motivos. O primeiro é que ele está querendo sair mesmo da marinha e o segundo é que ele está prestando serviço militar, e pelo que fiquei sabendo, enquanto aqui o serviço é obrigatório e dura um ano, (se bem que já tem quartel dispensando com quatro meses de serviços) lá é facultativo (e eu acho que eles até fazem isso por causa desse sistema aleatório) e o soldado, vamos assim dizer, fica ‘servindo’ durante três a quatro anos.



Jesse sempre foi contra a guerra, mesmo ele tendo que ir. Já que não tinha outro jeito – o que tinha era ficar preso durante um bom tempo – ele foi e isso só fez contribuir pro aumento do soldo dele. Acho que a consumação do casamento deles foi uma tentativa de evitar a ida dele pro Kuwait. Ele não foi pro front, mas ficou quase quatro meses na base militar de lá, longe da esposa. Essa passagem por aqui foi a lua-de-mel que não tiveram e eles aproveitaram bastante e a gente também.”



No entanto a lua-de-mel acabou. Forçaram o fim dela. Ele não foi pro front porque não quis e agora isso está pesando muito pro lado dele. O outro jeito – o de ficar preso por não querer ir pra guerra – acabou que voltou a ser uma regra para o tribunal da marinha americana.



Essa atitude tomada por ele de não querer ir pra luta literalmente e matar um pai de família iraquiana foi julgada e a condenação por isso foi a de ficar preso durante um ano, perder o dinheiro que ele iria receber pra pagar a faculdade e todas as regalias que um militar americano tem direito (por exemplo, ‘furar’ fila pra tirar passaporte, como aconteceu realmente com ele) serem extintas, ou seja, se tornar um cidadão civil comum.



É certo que ele desacatou uma ordem superior num estado de guerra – guerra forjada que ele próprio reconheceu ser – mas daí a ser preso é muito rigor. Se ao menos essa punição fosse descartada enquanto as outras fossem mantidas seria mais justo.



Enquanto isso, minha prima que estava começando a se estruturar sobre uma estabilidade que veio junto com o casamento, terá que mudar radicalmente de novo. Procurar outra casa pra ficar enquanto ele estiver preso, já que a casa em que eles moram numa base do deserto da Califórnia ficará disponível, e recomeçar todo um caminho que ela já havia traçado antes de conhece-lo.



Um país, cujo ponto turístico mais visitado é uma estátua que tem o nome de Liberdade tirar a liberdade de uma pessoa que teve a liberdade de contrariar uma ordem, cuja ação principal era tirar a liberdade da vida de outro ser humano em condições extremamente desiguais e com argumentos totalmente suspeitos, precisa de um governante que tenha uma visão mais livre, no sentido da amplitude do mundo e que realmente dê à palavra liberdade o verdadeiro significado dela; isenta de restrição externa ou coação física ou moral.



***



Alguém pode me dizer como é que se tira esses pontos de interrogação das palavras acentuadas? Essa tecnologia está muito moderna pra mim. Até a próxima!!!

terça-feira, 15 de julho de 2003

AGORA É HORA DE ALEGRIA



Uma polêmica parou o país na semana passada. O apresentador mais carismático da televisão brasileira declarou que ia morrer. Como minha mãe diz, a única certeza da vida é a morte, ou seja, todos nós vamos morrer um dia. Ele, no entanto, disse que morreria em no máximo seis anos. Estava com uma doença degenerativa coronariana que limitava sua expectativa de vida. A declaração foi feita a uma das mais conceituadas revistas de fofoca que circulam no Brasil. Foi um susto nacional e durante dois ou três dias não se falou de mais nada.



Silvio Santos, o homem do baú, ainda tinha dito nessa mesma entrevista que o pequeno império que ele construíra, o Sistema Brasileiro de Televisão, estava sendo vendido por dois bilhões de reais e que na negociação a Televisa, empresa mexicana, e o Boni, ex-comandante da Globo, dividiriam a compra ficando cada um com metade do patrimônio do ‘patrão’. È sabido, público e notório que com a abertura para o capital internacional dos meios de comunicação, a Televisa está de olho, e provavelmente será a preferencial, da obtenção de trinta por cento, valor máximo que a lei permitirá, do patrimônio do SBT.



Porém, o próprio Silvio revelou que todas essas declarações dadas por ele eram gozações. Silvio, que atualmente está em um bairro de Orlando, Flórida, chamado Celebration, que fica na região da Disney, passando uma temporada de ‘férias’ foi surpreendido por um telefonema – vou reproduzir aqui as palavras dele que foram captadas por um repórter correspondente do programa do Gilberto Barros na Band, na última sexta feira – da tal repórter da Contigo, que tinha conseguido o número do telefone da casa dele por lá – casa essa que é avaliada em mais ou menos seiscentos mil dólares – e cuja primeira pergunta feita por ela foi se ele estaria aposentado. Com a inteligência dele e um raciocínio rápido, inventou toda essa história provando mais uma vez que sabe trabalhar o marketing da própria figura.



Voltar a atenção para ele sempre foi um bom negócio, mesmo que sem querer terceiros fizessem isso. Lembro de alguns episódios como o problema que teve na garganta que forçou ele a ficar menos tempo no ar aos domingos, dividindo as atrações e consolidando o Gugu Liberato no horário vespertino do dia dos programas dele, o lançamento da pré-candidatura para a presidência do Brasil que foi impedida pelo partido (que, se não me engano, era o PFL), e mais recentemente, aí que digo que feito por terceiros, a homenagem que a escola de samba Tradição fez a ele no carnaval de 2001 e o seqüestro ocorrido com a filha dele poucos meses depois, em que o meliante, dias depois de dar liberdade à menina voltou ao local do crime e ‘seqüestrou’ o próprio Silvio.



Não creio que seja característica de nenhum grande comunicador e/ou empresário dar declarações de tamanha importância, capaz de mobilizar a população e até modificar estratégias de conduta de várias empresas, para uma revista cujo conteúdo exposto é basicamente sobre fofoca de bastidores da mídia televisiva. Se as declarações que ele deu para a revista fossem verdade, não seria por meio dessa categoria de revista que viriam à tona. Existem revistas mais bem conceituadas e mesmo assim notícias desse peso são dignas de coletivas de imprensa. Ou então fazer como a Ana Maria Braga. Falar francamente sobre o seu quadro de saúde no programa comandado por ele.



Soube que ele participou e se desculpou ao vivo no programa do Gugu, mas eu raramente ligo a TV em algum canal aberto num dia de domingo e não fiquei sabendo quais foram as suas palavras sobre o fato acontecido.



Com essa confusão desfeita, esperem mais coisas surgidas da brilhante cabeça desse homem. Quanto menos se esperar, Silvio Santos vem aí. Até a próxima!!!

quarta-feira, 9 de julho de 2003

RIO 2012



Agora é oficial. Na última segunda feira (07/07/2003) a cidade do Rio de Janeiro, depois de disputar com São Paulo, foi escolhida a cidade brasileira pré-candidata a sediar as Olimpíadas 2012. Ela concorre com mais nove cidades, entre elas Nova Yorque, Madri e Moscou. Pelo visto, parece que ainda haverá uma preleção pra que dessas nove cidades, cinco se mantenham na disputa. Se bem que rola um boato que essa preleção será abolida. Vamos ver. Ao que tudo indica, a comemoração de hoje pode ser estendida por, no máximo, mais dois anos, quando em 2005 será escolhida em definitivo a cidade sede das Olimpíadas 2012.



Quando esse del?rio começou eu era contra. No meio da década passada foi criada uma pré-candidatura do Rio para as Olimp?adas do ano que vem. Inclusive essa hist?ria acabou em samba que a Mangueira levou pra avenida. Nessa época a idéia era construir a vila ol?mpica na ilha do fund?o. Bem coisa de brasileiro. Bota a galera toda no fund?o e pronto. Também circularam fichas de voluntariado para trabalhar no evento do tipo participar da cerimônia de abertura e encerramento, atendimento a turistas e etc. Ainda bem que essa febre passou r?pido. N?o achava, como se percebe, que a gente teria condiç?es e infraestrutura pra sediar as Olimp?adas de 2004.



Agora a quest?o muda de figura. Ainda n?o estou plenamente de acordo com a pré-candidatura do Rio, mas também n?o estou veementemente contra essa decis?o. Me sinto feliz pelo fato de ser o Rio que vai representar o Brasil e ao mesmo tempo receoso j? que ainda se tem muita coisa a fazer em termos de arrumaç?o da cidade. Isso inclui também a despoluiç?o das ?guas da lagoa e da ba?a e principalmente a segurança dos atletas e visitantes assim como a preparaç?o de hospitais e ambulat?rios de emergência.



O que me conforta diante desse quadro é o teste que a cidade ter? com os jogos Pan-americanos de 2007. Por mais que a cidade até esse ano j? tenha cerca de 70% da infraestrutura pronta pra sediar uma Olimp?ada, atualmente acho que o Rio devia sim concorrer pras Olimp?adas 2016 porque s? assim o Rio j? teria mostrado ao mundo, ou pelo menos à parte dele, se teria condiç?o de elevar a categoria esportiva das Américas para o mundo.



Um outro ponto que faz com que eu permaneça em cima do muro tendendo a cair pro lado da aceitaç?o, é o fato das cidades concorrentes fazerem parte de pa?ses que j? sediaram as Olimp?adas. Pegando os exemplos que eu citei l? no in?cio, Nova Yorque fica nos Estados Unidos onde ocorreram as Olimp?adas de 1984, em Los Angeles e 1996 em Atlanta, Madri é a capital da Espanha onde teve as Olimp?adas de Barcelona em 1992 e Moscou, na época socialista, foi sede das Olimp?adas de 1980 que por sinal foi a primeira da minha vida.



E por falar em primeira da minha vida, pelos meus c?lculos, nos jogos pan-americanos de 2007 estarei entrando na casa dos 30 anos e, se realmente as Olimp?adas vierem pro Rio, em 2012 estarei cinco anos mais velho, mas ainda com idade pra curtir aquele que pode ser o primeiro evento esportivo desse porte que verei ao vivo. O Rio tem condiç?es de realizar mega eventos, como j? foi demonstrado em v?rias ocasi?es. Por que n?o realizar mais um? No entanto a cautela com a preparaç?o da cidade tem que ser a prioridade maior de agora em diante para que em 2007 o mundo nos veja com um bel?ssimo potencial pra a chegada das Olimp?adas. Se n?o conseguirmos em 2012 ainda tem 2016, 2020, 2024.... Até a pr?xima!!!



*****



P.S. j? notei que h? um problema com as palavras acentuadas. Depois que remodelaram a p?gina tem acontecido esse problema que eu ainda n?o consegui resolver. Desculpem.

segunda-feira, 30 de junho de 2003

CRIADOR E CRIATURA



Na última quinta feira (26/06) eu fiz uma coisa que há tempos eu não fazia. Fui ao teatro. De vez em quando aconselho fazerem isso. Eu sei que a situação está difícil e que a maioria dos preços de um espetáculo teatral não são convidativos. Ninguém tem 30, 40 ou 50 reais pra gastar de quinta a domingo, ou seja, quatro vezes na semana. Quando muito quatro vezes por mês, ou nem isso. O que eu vou fazer é escolher uma peça por mês e assisti-la. Se possível duas ou mais. E a do mês de julho já está escolhida.



Não tendo companhia, encarei sozinho. Saí de casa um pouco antes das sete pra pegar o ônibus mais ou menos nesse horário. Acabou que eu não fui de ônibus, mas de van. (Me lembrei da música do Ed Mota que ta tocando nas rádios atualmente. Aquela que diz que tem espaço na van.) Confesso que não gosto muito de andar de van quando estou sem companhia, mas estava tão preocupado com a hora que essa minha cisma foi deixada de lado. Pouco mais de uma hora de traslado.



Cheguei no Shopping da Gávea às oito e meia procurando a bilheteria do teatro e correndo contra o tempo. À toa. Eu estava crente que a peça ia começar as nove e na verdade começou as nove e meia. Fiquei uma hora rodando feito um carrossel dentro daquele shopping. Sem problemas. Estava, digamos, ‘estudando’ a minha próxima aventura no mesmo local.



A peça que eu fui ver encerrou sua temporada no Rio e, como eu não sei se eles vão excursionar pelo Brasil e vir pra Niterói, já garanti a minha parcela de satisfação pessoal indo até lá. Tem outra que eu quero ver também está em cartaz lá com probabilidade bem maior de baixar pro lado de cá da ponte e a que eu reservei pro mês que vem está pra estrear lá pelo dia 11.



Com Clara Carvalho, Bete Coelho, Mika Lins e Paulo Gorgulho, dirigido por Jô Soares, Frankensteins é uma comédia. É bastante engraçado mesmo. Só de imaginar que alguém imaginou um encontro caloroso entre os escritores e suas escrituras, ou seja, criador e criatura, já é um ponto positivo pra comédia. E se as criaturas resolvem mandar nos criadores, então é que fica mais engraçado ainda.



Não sou daqueles que contam o filme todo pra primeira pessoa que pergunta se é bom. Só digo que é excelente e conto uma ou outra peculiaridade pra deixar a pessoa com água na boca. Por exemplo, a personagem da Clara Carvalho (Mary Shadow) chama sua criatura, o monstro, de Percival pelo fato de ser o nome de um cavalo.



Mas a discussão proposta no diálogo da peça é bastante interessante. Fazendo uma analogia, é como se a gente não estivesse contente com a nossa vida e chegasse pro nosso criador e o obrigasse a mudar o nosso destino. E os dois personagens ‘criaturas’ que eternamente fazem parte do mundo de seus criadores, mesmo depois que esses útimos, digamos, ‘odiarem’ suas crias e morrerem, ficarão eternizadas, imortalizadas como estão até hoje.



Quem tiver oportunidade, vá assistir a essa peça. E ria, por que no dia que eu fui, a platéia me pareceu distante, fria e tímida. Eu não. Eu gargalhei mesmo. Talvez por eu estar conectado à trama da peça pelo fato de eu criar meus ‘monstros’, ter minhas criaturas e ficar imaginando aquela situação acontecer comigo.



Estou lembrando daquela música do Fábio Júnior – Ed Mota, Fábio Júnior, as referências musicais estão emanando hoje – que diz ‘carne e unha/ alma gêmea/ bate coração/ as metades da laranja/ dois amantes, dois irmãos/ duas forças que se atraem/ sonho lindo de viver/ tô morrendo de vontade de você'. Por mais que na peça os criadores odeiem as suas criaturas, não tem como elas se desvencilharem. O porquê do Fábio Júnior, sei lá, me veio na cabeça. Pelo amor ou ódio um não vive sem o outro. Até a próxima!!!

sexta-feira, 27 de junho de 2003

FESTA (NÃO MAIS) DO INTERIOR



Junho é o mês dos santos. Quer dizer, na verdade todo dia é dia de santo, mas em junho três deles se destacam. Santo Antônio no dia 13, São João no dia 24 e São Pedro no dia 29. Como o Brasil é um país festeiro e predominantemente católico, tudo é motivo de comemoração e pra esses santos, mais ainda.



Santo Antônio é o famoso santo casamenteiro. São João eu acho que é aquele apóstolo de Cristo, não sei. Atenção para os conhecedores bíblicos. O São João de junho é quem? E São Pedro é o apóstolo, disso eu não tenho dúvidas porque é quando a colônia de pescadores de Jurujuba faz aquele festão. O pessoal de Itaipu (pra quem não conhece, Itaipu e Jurujuba são dois bairros de Niterói que têm colônias de pescadores) não é tão metódico. Fazem festa também, mas geralmente é em um fim de semana e menos tradicional no sentido do espírito da festa. (Me parece uma heresia em falar de espírito quando se trata de festa junina.)



As duas festas são tradicionais. Não estou desmerecendo a de Itaipu, mas a de Jurujuba conserva mais as tradições de uma festa do interior apesar de estar quase descaracterizada. Mas tenho observado que isso não acontece só em Niterói. Pelo que tenho visto através dos noticiários, as festas juninas, assim como o carnaval, deixaram de ser tipicamente regionais pra serem mais globalizadas. Mesmo lá pro Nordeste onde a tradição é mais forte, as quadrilhas mais parecem alas de passo marcado das escolas de samba. A brincadeira de dançar quadrilha virou coisa séria, pra concurso onde há um julgamento e uma quadrilha vencedora. Campina Grande e Caruaru se espelharam, suponho que erradamente, na disputa entre Rio e São Paulo pra ver quem é que faz o melhor desfile.



As roupas que são apresentadas são fabricadas especialmente para aquela ocasião, como uma fantasia da Sapucaí. Não são mais os remendos que a gente fingia em botar na calça jeans, a camisa de flanela quadriculada com um lenço vermelho e uma caixa de fósforos imitando uma gravata e o dente pintado de preto representando a própria ausência dele.



A gente aqui (eu pelo menos) ainda confunde, quando se trata de festa junina, que nem sempre é feita em junho – eu mesmo já fui a uma festa junina em agosto – se o personagem principal é do interior do Nordeste ou do interior de Minas. ‘Nóis puxa uma prosa como se fosse minero, mas dança forró como se fosse do nordeste.’ Afinal, de qual parte do país vem o caipira? Se bem que agora não importa mais. Atualmente não vem de lugar nenhum e ao mesmo tempo vem de todos.



O caipira não é mais o matuto que o Mazaroppi fazia nos seus filmes do Jeca, não está mais representado nas vozes de Alvarenga e Ranchinho, ou Tonico e Tinoco, nem mesmo na do Gonzagão se a gente for mais pro nordeste e muito menos se come como um caipira. Onde já se viu festa junina com pizza, que é comida típica da Itália e cachorro quente americano. Se é uma festa genuinamente brasileira e tradicional, as adaptações que tinham que ser feitas, já foram. Não adianta querer inovar. Aliais inovaram tanto que a festa do interior já não é a que ardia aquela fogueira que me esquentava a vida inteira eterna noite.



Não tem nem fogueira pra esquentar o frio do inverno. Os ecologicamente corretos não dão trégua nem em noite de São João. Balão, então, eles apagaram todos. O céu não fica mais pintadinho de balão. Fogos de artifício parece que só ficaram restritos ao reveillon e decisão de campeonato de futebol.



Eu se fosse Antônio, João ou Pedro, pedia pra mudar o mês já que desconfiguraram toda a tradição, e pedia um dia no meio do carnaval. De preferência numa terça-feira gorda. Até a próxima!!!