quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003

NA PALMA DA MÃO



Até Momo reinar oficialmente sobre a cidade darei minha opinião sobre os sambas de enredo que serão apresentados pelas agremiações no início do mês de março. Para não parafrasear a já midificada coluna de um sujeito que não é mole não, Ivo Meireles, no telejornal de praça da vênus platinada, ao invés de ‘Diz no Pé’ essa se chamará ‘Na Palma da Mão’.



Os últimos serão os primeiros. Começarei com a campeã de acesso do ano passado que conquistou uma vaga entre as grandes e abre o desfile esse ano. A Acadêmicos de Santa Cruz apresenta o enredo ‘Do Universo teatral a ribalta do carnaval’ onde fala dos espetáculos teatrais desde a Grécia antiga, passando pelo circo e culminando com o espetáculo do carnaval. O samba não é empolgante e se não cativar o público e os jurados durante sua passagem na avenida é capaz de voltar ao grupo de acesso no próximo ano, fato que é bastante comum com esse tipo de escola. O refrão é o seguinte: ‘É Santa Cruz, pode aplaudir, alto astral / O nosso show hoje é aqui, mundial / Você faz esta festa, chegou, a hora é esta/ Carnaval.’



A Tradição quase foi para o grupo de acesso ano passado. Isso só não aconteceu pelo fato de, como em todo ano, o regulamento da LIESA ter sido mudado e só rebaixar uma agremiação, no caso a São Clemente. Amargurando atualmente o 13° lugar no ranking, ela apela novamente. Depois da popular homenagem ao homem do baú esse ano é a vez de Ronaldinho, apostando na dobradinha futebol e carnaval e apresentando o samba ‘O Brasil é Penta, R é 9, Fenômeno Iluminado’. O enredo é dividido em duas partes. Na primeira ele conta as conquistas das copas e na segunda foca a saga (até parece) de Ronaldinho. O refrão é curto e rápido pra ser aprendido: ‘É bola na rede / A nossa Tradição / É bola na rede / É pentacampeão.’



A Caprichosos de Pilares apresenta ‘Zumbi, rei de palmares e herói do Brasil. A história que não foi contada.’ Mais uma vez o quilombo dos palmares desfila na avenida. Temos que ver por qual ponto de vista dessa vez. O refrão é longo, difícil e não empolga muito: ‘No batuque, bateria, sou Zumbi / Onde há paz e alegria, eu to aí / quero amo e muito mais dignidade / A caprichosos luta pela igualdade.’



A Porto da Pedra vai virar a dona da rua durante a sua apresentação e vai mostrar quais as vantagens e desvantagens dessas vias públicas. ‘Os donos da rua, um jeitinho brasileiro de ser’ é o título do samba que tem um refrão não muito fácil: ‘Eu sou porto da pedra faço anjo sambar / Eu quero é mais / Quero ser querubim vem pra noite brincar / Vem que o bicho vai pegar.’



Nesse instante quem adentra a passarela é a Unidos da Tijuca com o enredo ‘Agudas, os que levaram a áfrica no coração e trouxeram para o coração da áfrica, o Brasil’. Assim como a caprichosos, a tijuca retrata um outro aspecto da negritude brasileira. A volta dos considerados afro-brasileiros para a sua origem africana. O samba não empolga e tem os dois refrões fracos. ‘Tem cheiro de benjoim no xirê alabê / Prepare o acarajé no dendê / Salve o chachá, salve toda negritude / A Tijuca vem contar uma história de atitude.’



A serrinha vai dar a luz. A Império Serrano traz ‘E onde houver trevas...que se faça a luz’. Um dos autores desse samba é o Arlindo Cruz. As luzes de todas as fontes possíveis serão acesas durante a passagem da Império na marques de Sapucaí. Apesar do mote ser a luz, a última escola, que eu me lembre, que falou sobre energia foi a União da Ilha que foi rebaixada nesse ano e logo depois o apagão pegou todos de surpresa. Espero que a Império não dê esse tipo de azar. Ela já amargurou muito e merece continuar entre as grandes. O samba não conquista logo de cara, mas empolga com o passar das repetições. ‘Uma prova de amor – perdão / Uma grande paixão – amor / A esperança é quem me conduz / Onde houver trevas que se faça a luz’.



A Portela vem com ‘Ontem, hoje, sempre cinelândia – o samba entra em cena na Broadway brasileira’. O refrão é: ‘Voa, voa, divina luz de Madureira / O samba na praça no embalo da massa / A Portela não é brincadeira’. É um dos poucos sambas agradáveis que se destacam esse ano. É leve, envolvente e empolgante.



A Grande Rio diz que ‘O nosso Brasil é que vale’ exaltando as belezas tanto naturais quanto criadas pelos homens do nosso país. ‘Vem, meu povo, a festa começou / Vem que a voz da alegria eu sou / Solta o grito da garganta, a Grande Rio chegou meu amor. Samba fraco, não empolga ninguém e apesar de ser Joãosinho Trinta o carnavalesco, sem querer desprezar o nome e a criatividade dele, acho que ele não surpreende mais.



Chega a vez de uma das escolas mais queridas do Rio. O Salgueiro faz aniversário e conta os seus 50 anos de história. ‘Salgueiro, minha paixão, minha raiz – 50 anos de glória’ é um samba fácil de decorar. Os dois refrões têm tudo pra cair na boca do povo e agitar a passarela. Pode ser que depois de ter pego o ita no norte, desembarque mais um título em comemoração ao meio século de vida da academia salgueirense do samba. ‘Explode coração é tanta emoção / Que embarcar na alegria eu vou / É a consagração da minha paixão / Renovando a cada dia, amor.’



‘A Viradouro canta e conta Bibi, uma homenagem ao teatro brasileiro’. A escola de Niterói – e por eu ser de Niterói torço por ela – leva Bibi Ferreira para a consagração merecida. O samba não é grande coisa se compararmos aos sambas que a viradouro apresentou nos últimos 6 anos, mas, em relação aos sambas desse ano, tem um certo destaque. O refrão é rápido e fácil: ‘O teatro consagrou e pede passagem / A Viradouro meu amor faz a homenagem.’



A Mocidade traz um samba de alerta para a nossa consciência. ‘Para sempre no seu coração – carnaval da doação’. Dizem que no Brasil tudo acaba em samba. Eu nunca achei que esse assunto pudesse vir a ser um samba. Só fico imaginando os carros alegóricos. Um representa um fígado, o outro um coração, o outro um rim ou uma córnea... Será? Só vendo. O refrão é: ‘Alô você / Abrace essa corrente pela vida / Sou doador, sou mocidade / dou um alerta para o bem da humanidade.’



Terminando a série carnavalesca sobre os sambas de 2003, trago na palma da mão as três primeiras colocadas do ano passado. A Imperatriz ficou com o 3° lugar depois do tricampeonato - que foi maracutaia – sobre a Beija-Flor e apresenta o enredo ‘Nem todo pirata tem a perna de pau, olho de vidro e a cara de mau’ que fala sobre os efeitos e defeitos da pirataria. Só espero que não pirateiem novamente o primeiro lugar. O refrão é fácil e empolgante: ‘Vem meu amor, vem me beijar / Hoje eu tô que tô, você tá que tá / Vem meu amor, vem me beijar / Beijo escondido pra ninguém clonar.’



A Beija-Flor teve seu último título em 98 quando dividiu o campeonato com a Mangueira. De lá pra cá ninguém tirou dela o título de vice. Ela vem com ‘O povo conta a sua história: “saco vazio não pára em pé - a mão que faz a guerra faz a paz”’ e com uma interessante proposta de mostrar a indignação do povo contra as mazelas sociais e se inclui como um foco de resistência devido ao seu trabalho social. O refrão não é difícil, mas também não é empolgante: ‘Oh meu Brasil / Overdose de amor nos traz / Se espelha na família Beija-Flor / Lutando eternamente pela paz.’



A Mangueira, campeã do ano passado com o nordeste, traz esse ano a história bíblica de Moisés e os 10 mandamentos. Acho que não conquista o bi-campeonato. Padre Cícero até poderia ser mangueirense, Moisés é mais difícil. ‘Os 10 mandamentos – o samba da paz canta a saga da liberdade’ é o samba que a verde e rosa leva pra avenida cujo refrão é ‘Quem plantar a paz, vai colher amor / Um grito forte de liberdade / Na estação primeira ecoou.’



Está difícil escolher um samba que vai levantar o povão só pelas faixas do CD. A qualidade, de um modo geral, caiu vertiginosamente. Mesmo assim o meu palpite pras cinco escolas que vão desfilar no sábado das campeãs, independente da ordem de classificação, serão:



Beija-Flor – pelos anos de injustiça contra ela



Viradouro – pra se manter no desfile das campeãs, o que acontece desde o ano em que ela ganhou e também pelo fato de ser a minha escola do coração.



Salgueiro – pelo aniversário e pelo excelente samba apresentado. Talvez o melhor do disco.



Portela – pelo bom samba e pelo fato de não ganhar há 20 anos. O último título foi em 84 juntamente com a Mangueira, onde essa última foi consagrada supercampeã do carnaval.



Império Serrano – também não ganha desde 82 e por isso dou crédito a ela. Além disso, o samba que me fez interessar pelo carnaval foi o bumbumpaticumbum prugurundum.



Que vença a melhor, ou melhor, que vença a que os jurados escolherem, que nem sempre é a melhor. Cabeça de jurado é uma coisa que não se entende, né? Até a próxima!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003

NEM TODO PIRATA TEM A PERNA DE PAU, OLHO DE VIDRO E A CARA DE MAU.



A frase acima foi tirada do samba que a Imperatriz Leopoldinense levará pra Marquês de Sapucaí no carnaval. Esse refrão ta em voga uma vez que, por conta também da pirataria, foi anunciado o fechamento da gravadora Abril Music. Agora, artistas como Capital Inicial, Ivan Lins, Gal costa, Erasmo Carlos, Titãs e Rita Lee estão ao Deus dará, além de outros grandes artistas como Paulinho da Viola e Jorge Ben Jor que aguardam posições de outras gravadoras, em relação a esse setor. Segundo Marcos Maynard, presidente da Abril Music, não foi a crise que fez a empresa fechar. Ele afirma que não há dúvidas e que mesmo com a pirataria imperando, a Abril Music foi a companhia que vendeu mais discos em julho de 2001. Pelo Grupo Abril redirecionar suas atividades para as revistas, a gravadora teve que ser prejudicada. Os catálogos estão sendo negociados com as outras gravadoras. Mas será que os catálogos incluem os artistas e seus novos projetos?



Às vezes acho que sou cúmplice desse crime. Não na questão do CD pirata. Me recuso a comprar um CD pirata, mas, por outro lado, tenho CD’s gravados de músicas ‘dawnloadadas’ pela internet. Não creio que isso prejudique ninguém. Nos tempos do vinil, cansei de fazer isso com fitas cassetes. Uma coisa é você copiar pra ter no seu acervo particular, outra coisa é você copiar com fins lucrativos. Eu ainda vou passar os meus discos de vinil pra CD. A grande maioria está fora de catálogo e não são encontrados.



Taí. Já que a tecnologia prejudica o artista – um exemplo disso é a Sony que tem um departamento musical, tem também um departamento tecnológico que fabrica gravadores de CD’s e há investimento em ambas as partes – vamos voltar aos primórdios de um tempo não tão antigo. Pra nenhum artista pertencer ao MSG (Movimento dos Sem Gravadora) que voltem a fazer discos de vinil. São muito mais difíceis de piratear e muito mais fácil de controlar, caso vendam CD’s dos vinis. Na passado se chegou a comentar a retirada das grandes gravadoras do Brasil por causa do alto número de CD’s piratas. Lobão e Beth Carvalho levantaram a bandeira da numeração como forma de clarear as ‘cifras’ contratuais entre gravadoras e artistas. Ou seja, esse assunto ainda tem muito a ser debatido pra que a resolução só prejudique a máfia da pirataria e não acabe em pizza. Só em samba. E bom samba.



Por falar em samba, a Beija Flor causou polêmica no início do mês divulgando uma cena da comissão de frente onde Cristo e o Capeta matavam uma pessoa ao mesmo tempo. Eu, particularmente, manteria a cena só tirando a arma de fogo da mão de Cristo. Agora eles mudaram a cena. O Diabo mata e cristo ressuscita a vítima, se não mudarem novamente. Não acho que isso seja ofensa a nenhuma religião, apesar da cena ser forte. Mas tem que chocar mesmo, principalmente por estar dentro da proposta da escola. A própria Beija Flor já teve outro Cristo censurado no carnaval de 89 quando apresentou ‘Ratos e Urubus’. Cristo veio desfilar com a fantasia de mendigo e não deixaram ele sambar. Cobriram ele com um pano preto e uma faixa com os dizeres ‘Mesmo proibido, olhai por nós.’ Não me recordo se a palavra era ‘proibido’ ou ‘censurado’, mas o protesto estava manifestado.



E por falar em Beija Flor, na próxima semana expressarei minha opinião sobre os sambas desse ano. São catorze escolas e catorze comentários sobre elas na semana anterior ao carnaval. Depois a gente comenta sobre o desfile propriamente dito e sobre as cinco escolas que mais se destacaram e garantiram vaga para o desfile das campeãs. Eu já tenho o meu palpite, concorde você ou não. Quais são? Surpresa. Mas só até a próxima semana. Na postagem que vem você ficará sabendo. É só uma semana. Aguarde. Até a próxima!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003

VAGAS PARA MOÇAS DE FINO TRATO



Queria começar dando os parabéns pra minha prima Isabela por ela ter passado no vestibular. È uma luta que a gente trava com a gente mesmo, ao mesmo tempo uma espécie de ritual de passagem que a sociedade, de um certo modo, exige que a gente faça, mesmo que meio precipitadamente. Creio que até os 20 anos não somos plenamente capazes de uma definição profissional, a não ser que a pessoa tenha um dom para uma certa carreira e desde cedo siga essa tendência. Isabela passou na UERJ para Geografia. Espero que ela não se desiluda com a escolha durante os anos da graduação.



Eu, por exemplo, gritava aos quatro ventos que queria ser jornalista, mas depois que percebi que havia a possibilidade de me utilizarem para manipular as mentes de receptores da mensagem, explícito no filme “O Quarto Poder”, deixei o jornalismo de lado. Tanto que no último vestibular que fiz, botei três opções diferentes: Letras, Cinema e Ciências Sociais, passando nessa última escolha e tendo gostado de cursar pelo leque de matérias que fiz. Sociologia, Ciência Política, Antropologia, História, Filosofia, Economia... A abrangência de assuntos é maior que na Comunicação. No entanto, se eu fizer uma pós-graduação ou por acaso pedir reingresso, certamente será em jornalismo.



Agora, a discussão gira em torno de percentagens de vagas, as chamadas cotas para negros nas universidades.Esse modelo, que foi implantado nos Estados Unidos e já está decadente, passa a ser aplicado no Brasil. Os Estados Unidos têm um histórico de racismo diferente do nosso. Lá a segregação é visível e mais exposta, a ponto de existirem banheiros públicos e bebedouros divididos para brancos e negros. Graças a Martin Luther King a segmentação começou a ser reduzida há mais ou menos quarenta anos. Eu sou completamente contra essas cotas. Essa divisão de vagas é altamente preconceituosa. Desde quando raça tem valor igual à inteligência?



Tem que haver outras alternativas de ingresso nas universidades públicas, que ainda são as melhores do país, apesar da crise. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) pode ser uma via. Mas antes deveria ocorrer uma reestruturação na aplicação desse tipo de teste. Ou então, em curto prazo, dois vestibulares. Um para alunos de escolas particulares e outro, com menor grau de dificuldade, para alunos de escolas públicas devido à precariedade do ensino nesses estabelecimentos. Aí sim, o problema de defasagem educacional entre os alunos que prestam vestibular desses dois tipos de instituições seria amenizado.



Radicalmente falando, as escolas de ensino particular tinham que ser extintas. O ideal é que a escola pública volte a ser a excelência em ensino, como foi até a década de 70, com professores competentes e capacitados a investir e investigar o aluno a querer saber mais e, principalmente, bem remunerados que dê gosto de assumir a profissão de Mestre. Se a base do ensino fosse igualmente oportuna para todos os alunos, a concorrência seria mais leal, sem sectarismo de vagas para nenhum tipo de população. A educação de base tem que ser mais bem atendida e trabalhada, uma verdadeira moça de fino trato.



Não tem muito tempo, foi comprovada a aprovação de um semi-analfabeto em um vestibular prestado para o curso de Direito de uma universidade particular aqui no Rio. Conclui-se que não é só a qualidade do ensino público, fundamental e médio, que é precária. Futuramente, por essas e outras, teremos maus profissionais, no caso maus advogados, circulando entre nós. Esses, por não conseguirem se alavancar por brilho próprio, certamente serão da aia de Silveirinha e seus comparsas que, movidos por subornos e propinas, desviam verbas públicas e abrem contas milionárias na Suíça.



A educação é a pedra fundamental para a condução da vida e da sociedade.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003

DE VOLTA PRA CASA



Ano novo, presidente novo, ministério novo e problemas antigos. Esse ano começou cheio de esperanças e o povo perdeu o medo de não mais ser feliz. E é otimista e esperançoso que eu volto depois de uma breve pausa no mês passado. Digo pausa de material inédito, mas você ficou sabendo mais ou menos como é o meu natal.



Ano novo, assuntos novos, acontecimentos novos – alguns nem tanto. Essa semana dois assuntos estão em pauta. O primeiro foi o ônibus espacial Columbia que explodiu ao tentar entrar na atmosfera terrestre. Já se sabe que no lançamento, em janeiro, a capa de proteção térmica se soltou, provocando assim a falta de isolamento da temperatura que chega em torno de 1.600°C. Fato desse tipo me leva a pensar nas conquistas que os Estados Unidos querem fazer. Além de dominar, ou pelo menos tentar, o mundo, eles querem ser os mestres do universo começando com o sistema solar. Pois que sejam. Acho muito mais válido eles gastarem dinheiro com experiências no espaço e com a estação espacial internacional do que com uma guerra contra o Iraque que não tem mais porque e nem como se defender senão atacando. Pra nós é óbvio que essa guerra vai pesar. Vemos e sofremos as conseqüências pela alta do preço do combustível e derivados do petróleo.



Reza a lenda que em 1986, com a explosão da Challenger logo após o seu lançamento, ficou a boca pequena, a história de que aquele acidente seria propositalmente provocado pra que o governo investisse mais nos projetos da Nasa. Não sei se é verdade. Na época eu era criança, mas não acredito nisso. Muito menos no fato desse acidente ser na verdade um ataque terrorista, como alguns especulavam por causa do judeu que estava a bordo.



O segundo é a explosão que a senadora pelo Estado das Alagoas, Heloisa Helena, provocou no Partido dos Trabalhadores. Não só ela, mas uma ala que eles chamam de radical. Ela esteve mais em voga por não concordar com que a presidência do senado fosse de José Sarney, resultado de um acordo firmado entre o PT e o PMDB, não votou, como o partido pediu, em favor dele. Ela não demonstra radicalismo apenas por suas convicções pessoais, suas idéias e ideais, mesmo não sendo compatíveis com as do partido e por mais que se aproximem dele, na frente das partidárias. Vem cá. Na medida em que a gente se filia a um partido, a gente é obrigado a seguir tudo que o partido manda fazer? Afinal de contas vivemos numa democracia onde quem manda é a ditadura dos partidos? Cartas para a redação.



Antes de encerrar, eu só queria reproduzir duas frases que eu ouvi nessa semana. Na verdade são três. Duas da Rita Lee, que falou no seu último show aqui no Rio dia 31, no Festival Skol Rio realizado no jóquei, na Gávea. Ela disse que em 55 anos de vida nunca viu o Brasil assim e bradou: “Tropicalismo no poder.” A outra: “Eu quero mais é que o Bush se foda.” Nossa rainha tá cheia de razão. Que Deus salve a rainha (do rock brasileiro). A outra frase que o Cacá Diegues falou no programa Sem Censura e repetiu no è Show da Adriane Galisteu é que pela primeira vez na vida dele “o Brasil tem um presidente que chora e um ministro da cultura que canta.”

Por falar em Cacá Diegues, vai uma dica. Assistam ao filme que ele está lançando, ‘Deus é brasileiro’. É muito bem estruturado, tem fotografias lindas de paisagens inimagináveis que nosso país oferece e um senso de humor ótimo. È simples em relação a algumas produções hollywoodianas, mas passa uma mensagem que poucos filmes americanos têm a capacidade de passar. Agora, se Deus é realmente brasileiro ou não, não compete a mim responder. Eu só tenho a garantia plena de uma coisa. Muitas pessoas já falaram isso comigo e eu estou começando a concordar e aceitar inclusive pra levantar meu ego de vez em quando. “Eu sou um anjo.”