quinta-feira, 27 de março de 2003

A TEORIA DA TOMADA



Assim como Roberto Carlos, eu também sou aquele amante a moda antiga, do tipo que ainda manda flores, caixas de bom-bom, cartões criativos e perfumados. Em suma, sou um romântico. Como tal sou uma espécie em extinção. Aliais não sei se é culpa minha ou das mulheres que não estão mais preferindo esse tipo de relacionamento. Será que o mundo atual não aceita mis essa espécie de pessoas da qual eu me enquadro? Isso é muito triste, principalmente num mundo onde não se tem mais tempo pra nada, nem pra nós mesmos. Talvez sejamos, eu e o Lulu, os últimos românticos dos litorais desse oceano atlântico.



Pensando sobre esse assunto, desenvolvi a teoria da tomada. Quero deixar bem claro de antemão que não estou plagiando ninguém, que eu saiba. Não sei se essa teoria foi inventada, por isso a defesa da minha patente. Pode-se perceber que um bom relacionamento é igual a uma tomada. Existe um ‘macho’ (aquela terminação do fio de energia) e uma ‘fêmea’ (a própria tomada ou o encaixe praquela terminação).



Façamos a analogia. O macho se encaixa na fêmea, porém, o fato de se encaixar não quer dizer nada. No caso de um relacionamento, essa imagem seria o sexo. O sexo apenas e somente pelo sexo. Só que pra fazer o aparelho funcionar realmente há uma corrente de energia que envolve tanto o aparelho quanto o lugar (tomada) em que ele está conectado. A isso eu chamo de contato. Ou seja, no meu entender, o contato que também pode ser chamado de relacionamento ou, mais profundamente, de amor é o que importa mais. A simples conexão (sexo) seria uma conseqüência do contato (amor). Entendeu? Cada um deve achar a tomada ideal pro seu aparelho ou o aparelho ideal pra sua tomada. È lógico que existem tomadas de 220 volts e aparelhos de 110 e vice versa. A idéia é combinar pra que os dois tenham a harmonia da mesma energia.



Aí alguém me perguntou onde entrava os relacionamentos homossexuais dentro dessa teoria. Não tive resposta na hora sendo inclusive taxado de machista por defender essa teoria. Mas pensando melhor depois, cheguei a uma conclusão. Como nem tudo é perfeito, o encaixe, nesse caso, também não é dos esperados. No entanto, sabe quando se corta uma parte dos fios e se junta a outros fios com fita isolante? Essa seria a teoria da tomada gay. Fios juntos, unidos de forma anormal, mas sempre mantendo o contato pra que a corrente elétrica faça a harmonia entre as duas partes.



Em se tratando de relacionamento, essa é a teoria que eu sigo. Além disso, ou por causa disso, o meu nível de exigência é muito maior que é apresentado pra mim pelas mulheres. Pra ambas as partes, um relacionamento exige renúncias de algo que se gosta de fazer em virtude da opção da pessoa amada em determinadas situações. E isso tem que ser feito por merecimento e não por pena, dó ou compaixão. Tem que ver se aquela pessoa age pra merecer uma renúncia do seu (a) companheiro (a). Essa é a garantia do bom funcionamento do produto.



Praqueles que não aceitam ou não seguem essa teoria, que acham que isso é uma furada, digo que não sou um fanático pra seguir essa teoria como doutrina e não quero converter ninguém a executá-la de modo fervoroso. Até gostaria de ser como vocês, mas não é de minha natureza. Por isso os respeito e os admiro. Não quero dizer que essa teoria é certa ou errada, mas no meu ponto de vista é a mais coerente. Novamente citando Lulu Santos: “e a gente vive junto/ e a gente se dá bem/ não desejamos mal/ a quase ninguém/ e a gente vai a luta/ e conhece a dor/ consideramos justa toda a forma de amor.” Até a próxima!



P.S. – Essa semana minha mãe faz 50 anos (25/03). Uma idade, como todas as outras, irreversível e inesquecível. Vamos comemorar com uma festa de arromba. Parabéns, mãe. Mil beijos. Te amo muito.

quarta-feira, 19 de março de 2003

CURTA CURTO



Na semana passada, como vocês sabem, fiz um rápido curso de roteiro com o Walcyr Carrasco. Foi apenas durante uma semana. Curso rápido e curto. Valeu a pena. Descobri que nunca vou escrever uma novela na minha vida. Dá muito trabalho. Talvez um ‘Caso Especial’ que dura menos tempo no ar que uma novela. Tem que ter muita paciência e dedicação praquilo. Eu gosto de escrever, mas manter uma trama e várias subtramas no ar durante quase um ano é um trabalho de estiva e eu não tenho essa capacidade ou, pelo menos por enquanto, essa maturidade.



Cheguei a conclusão de que novela é uma pizza onde o autor é o mestre cuca. Ele mesmo pode preparar a massa com ovos e farinha, esticá-la e colocar os ingredientes que precisa pra agradar grande parte da população brasileira. Ou então sobre uma massa semipronta, no caso uma obra literária já famosa como na novela do próprio Walcyr, ‘O Cravo e a Rosa’, onde teve por base ‘A Megera Indomada’ de Sheakespare, compor com mais ingredientes e temperos. Outro exemplo de pizza é aquela que botaram no forno e deixaram-na lá quase passando do ponto. Foi o caso de ‘Esperança’ que mais uma vez o Walcyr foi chamado pra dar os retoques finais nessa fornada. Sempre o Walcyr. Pra quem não sabe ele também bola os episódios do ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’. Ele é um gênio.



Eu ainda não cheguei nessa fase. E não chegarei tão cedo. Pra falar a verdade nunca acompanhei por inteiro uma novela do Walcyr Carrasco. Pouco vejo novelas. Só acompanho como compromisso os autores que gosto. São poucos. Só o Silvio de Abreu, Gilberto Braga e Aguinaldo Silva quando em dupla com o Ricardo Linhares. Das outras só o primeiro e o último capítulo e alguns esporadicamente. Prefiro os programas de entrevistas e os telejornais.



Por incrível que possa parecer, meu interesse por esse curso não foi a televisão ou ser um escritor de novelas. Talvez um redator de televisão para programas curtos ou de humor. Visei outro meio. Sou mais chegado ao cinema apesar de ver televisão. E se um dia alguém me pedir autorização pra poder fazer filmes a partir dos meus contos quero colaborar o máximo possível com o roteiro. Até por que vão falar dos ‘meus filhos’.



Agora vem o desafio final. Tenho até o dia vinte e quatro de março pra entregar um roteiro de no máximo dez páginas pra ser avaliado por eles. Uma história com começo, meio e fim, seguindo a estrutura passada por ele, ou não. Eu como escritor tenho muita imaginação. Tanta que chego a temer a décima primeira página, o que causaria uma recusa de imediato na minha história. Tem que ser curta e num curto espaço de tempo. Daí o meu trunfo. Pegarei uma parte da história de um conto meu e adaptarei. Só assim eu me preocupo com a apresentação e não com a história em si. Essa já tá pronta. Essa é a minha finalidade. É só treinar agora e esse é um bom exercício. A história que melhor for colocada em forma de roteiro será efetivamente produzida como resultado dos cinco cursos que estão sendo ministrados. Roteiro, direção, ator, figurino e iluminação. (Esse último eu não tenho certeza.)

Quem sabe daqui a algum tempo meu conto seja publicado, vire um best seller, e ainda seja adaptado pro cinema. Ainda na cozinha, a massa do bolo está sendo misturada agora. Resta encontrar um bom forno pra que ele possa crescer bastante e ser bem assado. Mas pó enquanto vou deixá-lo descansando com um pano de prato cobrindo-o e tentar deixá-lo afastado das pessoas que eventualmente passam o dedo pra descobrir o sabor, apesar de isso ser inevitável. Sei que tem gente que nessa tarefa se sairá melhor. Não vou fazer um roteiro com a finalidade de ser melhor e sim com a finalidade de ser um exercício de roteiro. Até a próxima!

quinta-feira, 13 de março de 2003

UM CEGO ARMADO



Ainda não é o meu ideal de vida e pode ser que não seja, mas agora estou me sentindo de fato um escritor. Meu projeto foi aprovado. Desde o natal esperava por uma resposta definitiva. Segunda-feira a resposta veio e com ela a responsabilidade de um compromisso assumido. Mão na massa, tocando pra frente.



O projeto é para escrever um livro sobre uma empresa, a Cory Comércio Exterior. Não foi um projeto pedido por eles e sim uma proposta feita por mim que eles acolheram. Terei até o fim do ano pra botar no papel a vida de uma empresa e o meu trabalho servirá de brinde de fim de ano para os clientes dessa empresa.



De alguma forma o meu desejo está sendo realizado. Unir o que eu gosto de fazer que é o fato de escrever mesmo que pra isso eu tenha que fazer uma pesquisa de embasamento e o fato de ganhar dinheiro com isso. Não é elegante dizer qual é o valor, mas entre março e dezembro vou ganhar a quantidade de dinheiro que, em média, um escritor recebe de uma editora pelos direitos autorais do seu livro.



No entanto estou dando um tiro no escuro. Tenho o hábito de escrever romances. Estou me atrevendo a escrever uma biografia que não é de uma pessoa e sim de uma empresa. Certamente a responsabilidade é um pouco maior. Vamos ver.



Outro tiro que estou dando, ou seja, outro atrevimento que estou fazendo, também na área da escrita é que durante essa semana (10 a 14 de março) estou fazendo um pequeno curso intensivo de roteiro. Quem ministra é nada mais e nada menos que o Walcyr Carrasco, autor de ‘O cravo e a rosa’ e da fae final da novela ‘Esperança’.



Quando entrei na sala de aula já não tinha quase lugar. São mais de cinqüenta pessoas que também estão fazendo esse curso. Dentre essas cinqüenta e tantas, alguns famosos também fazem parte do time de alunos. Lupe Giliote, irmã de Chico Anísio e mãe de Cininha de Paula, casualmente a coordenadora do curso, Alexandre Balilari e Luis Carlos Tourinho que fez o Ataíde do programa ‘Sai de Baixo’. Mas quem me chamou a atenção mesmo, a ponto de tirar minha concentração da aula foi a Suzana Werner. Também, com uma companheira de classe com esse nível de beleza, quem fica prestando atenção em aula? É pra desconcentrar mesmo.



Uma coisa que difere o eu romancista pro eu roteirista bem enfatizada pelo Walcyr, é que o roteiro tem que seguir o padrão da indústria cultural. O roteiro tem que ter uma linha de raciocínio com início, meio e fim – logicamente pode ser mudado durante a trama em se tratando de novela, o que é bastante comum – personagens com características definidas, cenários e estruturas bem armadas e definidas. Já o eu romancista, por mais que um livro se enquadre em uma indústria cultural, tem a total liberdade da imaginação sem se limitar a parâmetros pré-estabelecidos. Eu entendo perfeitamente, mas tenho uma certa dificuldade de seguir os ditames dessa tal indústria cultural. A conclusão que eu tiro disso tudo é que o romance e o roteiro, por mais que tenham a mesma base são extremamente diferentes devido o fator pessoal que é inserido no roteiro. Que por ter outras pessoas envolvidas num roteiro de tv, a imaginação ilimitada é podada e conforme for pode seguir outros caminhos não traçados por você.



Confesso que não sei se tenho o perfil de um biografo ou de um roteirista. Por isso me sinto um cego com uma arma na mão. Vai que uma bala perdida consiga atingir a pessoa certa na hora certa. É uma munição boa que não tem a intenção de prejudicar ou ferir ninguém. Por isso, como teste de roteirista vou pegar os meus romances e transformá-los em roteiros.



Tem uma frase atribuída a Santo Agostinho que diz ‘Se você tem algo a escrever, escreva. Se for bom, ajuda alguém. Se medíocre, não vai fazer mal a ninguém. E se for muito ruim, alguém vai se levantar e fazer melhor.’

sexta-feira, 7 de março de 2003

PRA TUDO SE ACABAR NA QUARTA-FEIRA...



O carnaval acabou. Agora, definitivamente, o ano está começado. Um pouco mais tarde já que esse ano a festa profana se deu no início do mês de março. Eu acho que deveria ser assim todos os anos somente pro dia do meu aniversário cair na época da Páscoa. Esse ano que corre coincide com a semana santa. Mas ainda vou me ater ao carnaval.



Gostaria desde já a começar a campanha para que as pessoas passem o carnaval fora do Rio. Principalmente as pessoas que acham que o carnaval carioca ficou reduzido ao desfile das escolas de samba. Continuem indo pra Bahia ou para a Região dos Lagos. É bom que a cidade fica um pouco mais vazia e dá pra aproveitar grande parte dos blocos que saem espalhados pela cidade.



Meu carnaval foi do tipo ‘atrás dos blocos só não vai quem já morreu’. Comecei esquentando meus tamborins na quinta feira com o último ensaio da Viradouro. Estava lá a maioria das estrelas participantes do desfile como Paula Burlamaqui, Juliana Paes, Beth Coelho, Tânia Alves e Selma Reis. Sexta fui pro ‘Bloco das Carmelitas’ em Santa Tereza. Cheguei lá na dispersão do bloco, no Largo dos Guimarães, mesmo assim estava bom e deu pra aproveitar. Sábado fui no ‘Dois pra lá, dois pra cá’ do Carlinhos de Jesus. Ano passado estava bem melhor. Tudo bem que ele seja mangueirense, mas com o vasto repertório de samba e da própria Mangueira não tinha a necessidade de ter overdose do samba desse ano durante o desfile do bloco. Mesmo assim aproveitei. Domingo foi dia de ‘Simpatia é quase amor’ em Ipanema. Cheguei depois que o bloco tinha passado e a tempo de pegar ele voltando. Curti apesar de poder ter curtido mais. Segunda sai o bloco que eu considero um dos melhores do Rio e o melhor que eu vou atrás. O ‘Bloco de Segunda’ que sai na Cobal de Botafogo. Apesar de ter caído uma chuva de verão durante o desfile e do carro de som ter quebrado, foi muito bom. O que mais aproveitei. Na terça voltamos pro ‘Carmelitas’ dessa vez voltando do largo dos Guimarães pro Curvelo. Lotado. Uma multidão assustadora. Ficamos pouco tempo. Nem deu pra curtir devido a falta de espaço. Nossa sorte é que nesse dia, na Lapa, teve show de Nelson Sargento, Monarco, Walter Alfaiate, Dorina entre outros sambistas.



Quanto às escolas de samba acompanhei Caprichosos, Portela, Mocidade e Imperatriz, mas vi o compacto de todas. Constatei que não sirvo pra ser jurado de nenhum quesito. O desfile é um momento único onde as escolas se mostram em apresentação inédita que dura oitenta minutos. Pra poucas, cento e sessenta minutos. Há os ensaios técnicos e tudo, mas do jeito que se mostram na avenida é estréia e última apresentação ao mesmo tempo. E eu não tenho competência pra tirar décimos de um trabalho que dura um ano pra ficar pronto e é mostrado uma vez.



Sobre as minhas apostas para as campeãs do carnaval, apenas duas se concretizaram. Na verdade uma. A Beija Flor ganhou o carnaval. Comecei torcendo pro Salgueiro, aí soube que ele perdera pontos por ter estourado o tempo. Passei a torcer pela Portela, mas teve problemas com carro alegóricos. Parei de torcer até a apuração. Entre Beija Flor, Viradouro, Salgueiro, Portela e Império só a Beija Flor ficou entre as cinco, em primeiro. Mangueira, Grande Rio, fazendo a estréia nas campeãs, Imperatriz e Mocidade são as outras quatro. Mas, pra minha felicidade, mesmo em sexto lugar a Viradouro volta a desfilar no sábado das campeãs mantendo a tradição. Não ficou entre as cinco, mas desfila entre as campeãs. È compensador.



Agora que tudo se acabou na quarta feira, com um pouco de resquício deixado pro sábado das campeãs, vamos começar o ano na segunda a exemplo da Beija Flor, merecendo nota dez em todas as atitudes que tomarmos para guiar nossa vida. Um nove ponto oito também não é de todo mal. Até a próxima!