quarta-feira, 28 de maio de 2003

AVENTURA BIENAL



O próprio nome diz: bienal. Sinal de que são de dois em dois anos. Teve uma loura que disse que a bienal era tão boa que deveria ter todos os anos. No fundo ela está certa. A bienal tem todos os anos, só que talvez ela não soubesse quando disse isso que era um ano no Rio e outro em São Paulo. E talvez por esse motivo, por só ter bienal do livro no Rio daqui a dois anos eu fui duas vezes no evento. Uma pra constatar que eu fui e a outra pra compensar a não realização da feira no Rio no próximo ano. Ou seria no ano passado? Não importa. O fato é que eu explorei aqueles pavilhões por dois dias.



Da primeira vez fui na segunda feira. Tinha combinado com Isabela, minha prima e meio que com tia Tânia também. Saímos de casa mais ou menos as dez da manhã. Até chegar no Rio e pegarmos o ônibus o relógio havia dado as onze badaladas diurnas. No entanto só chegamos ao Riocentro ao meio dia e meia, pois o ônibus fez o caminho mais seguro, porém mais longo. Andamos por praticamente todo o litoral da cidade. Desde o aterro do Flamengo até a praia da Barra da Tijuca.



Chegamos lá com hora pra voltar. Isabela tinha um compromisso aqui em Niterói ás cinco da tarde. Calculei que daria tempo, já que chegamos ao meio dia e meia e se ficássemos uma hora em cada pavilhão às três e meia estávamos saindo da feira. Meus cálculos estariam certos se não houvesse grandes atrativos que hora me prendiam, hora prendiam Isabela e hora prendiam tia Tânia. Levamos pouco mais de uma hora no primeiro pavilhão e tentamos compensar nos outros. Tática errada. Conclusão: saímos da feira por volta das quatro da tarde. Mesmo assim eu aproveitei bastante as promoções.



Na Ediouro, por exemplo, os dois livros que comprei (Os 100 melhores contos de humor e de crime e mistério da literatura universal) que custam em média cinqüenta reais cada um, saiu por setenta e sete. Na Objetiva me aconteceu um fato engraçado. Enquanto consultava os preços, perguntei se havia desconto. O vendedor disse que eles estavam dando desconto pra estudante de até segundo grau, mas que se eu apresentasse minha carteira da faculdade, que eu ainda tenho e vale até agosto, eu também receberia o tal desconto. Mesmo assim me precavi pegando o primeiro moleque uniformizado. Não deu outra. Cheguei no balcão e perguntei se eu tinha desconto. O balconista perguntou se os livros que eu adquiri eram pro moleque. Na hora respondi que sim e o próprio balconista percebeu que não, mas ele me deu o descontão de cinqüenta por cento nos livros. Lá comprei Banquete com os Deuses do Veríssimo e James Lins do Mário Prata. Os dois pelo total de vinte e oito reais. Só aí gastei cento e cinco reais. Isso sem contar o livro com as letras das músicas (não todas) da Rita Lee por dez reais, ou seja, cento e quinze reais no total.



Na sexta feira voltei lá também muito bem acompanhado pelos meus amigos Mônica, Paulo, Léo e Bruno. Depois de a gente se aventurar pela Barra da Tijuca procurando o número trinta mil da avenida das Américas pra Mônica levar uma intimação. Os números da Avenida das Américas são muito loucos. A gente passa pelo dezessete mil, por exemplo, e logo em seguida eis que surge o número quinze mil trezentos e oitenta e sete pra depois voltar pro dezoito mil quinhentos e setenta e dois. Pois bem. Depois de muito andar a gente chegou no vinte e nove mil e quatrocentos que é pra lá da serra da grota numa espécie de vila militar. Desistimos e fomos pra bienal, que era a nossa finalidade. Chegamos lá acho que um pouco mais de seis da tarde e ficamos até quase dez. Dessa vez minhas aquisições se voltaram pra Fernanda Young novamente na Objetiva, infelizmente com apenas dez por cento de desconto. Quarenta e oito reais em ‘A sombra de vossas asas’ e ‘As pessoas dos livros’.



Aventuras como essas, agora, só daqui a dois anos. Até a próxima!!!

quinta-feira, 22 de maio de 2003

JUSTIÇA JUSTA?



Na semana passada, um pouco antes de sair pra trabalhar, o interfone tocou aqui em casa perguntando se minha mãe estava. Ela tinha ido a Petrópolis. Anunciaram que alguém estava subindo pra entregar um documento. A campainha tocou. Abri a porta. Era uma oficial de justiça que me entregou um papel onde estava escrito que a Néctar Juice teria que pagar a uma tal de Luciana um valor que ultrapassava os cinco mil e quinhentos reais.



A Néctar Juice foi uma firma que minha mãe, em sociedade com o meu tio Roberto, abriu logo assim que ela se aposentou em 1996. Essa firma durou cerca de um ano aberta e funcionando e foi fechada no fim de 1997. Um pouco antes de ser fechada, apareceu por lá uma notificação de um processo que essa tal Luciana impetrou (seria esse o termo usado? Direito tem tanto nome que eu não sei definir o que é o que) contra a firma na época em que ainda não estava sobre as posses da minha mãe.



Liguei pra Mônica, minha amiga que é oficial de justiça também, e perguntei a ela quais as providências que minha mãe tinha que tomar. Ela me falou que primeiramente essa oficial não tinha nada que me entregar o papel já que eu não tenho nada a ver com o processo e depois teria que ser analisado em que termos que o contrato foi assinado, se minha mãe tinha adquirido os ativos e os passivos, burocracia e etc...



Na certidão negativa não havia nada dizendo que existia alguém entrando com um processo contra a Néctar. Muito pelo contrário. Consta que a ação movida conta a firma foi inicializada na época da transação, ou seja, quando a antiga dona, a que não pagou a essa tal de Luciana, estava passando a firma para o nome da minha mãe. Ela realmente assumiu os ativos e os passivos, mas não imaginava a bomba que estava pra estourar na mão dela. Tanto pelo fracasso da firma devido a vários fatores que não cabe mencionar agora, quanto por esse rastilho de pólvora deixado desde antes da minha mãe assumir a firma e que está pra explodir em cima dela.



Quero deixar bem claro que não estou sendo contra o pagamento da dívida pra tal Luciana, mas nesse caso específico a justiça não está sendo feita. Minha mãe nem conhece a moça pessoalmente e ela nunca trabalhou lá enquanto minha mãe estava com as mãos na firma. Agora, além de a Luciana ser prejudicada e estar reivindicando pelos seus direitos, o que é normal, minha mãe também pode ser prejudicada em ter que pagar tal quantia pra ela. É justo pagar pelos erros dos outros? - O verbo pagar está aplicado nessa indagação no sentido financeiro mesmo. – Que justiça é essa que não enxerga a situação como um todo e apenas cumpre o que está escrito?



A tal Luciana tem que receber o que é de direito. Isso está mais do que claro e é ponto pacífico. Mas não será a minha mãe que terá que resolver a questão do pagamento dela. Quem a prejudicou, que foi a pessoa proprietária da firma antes de passar para a minha mãe, que tem que arcar com as conseqüências causadas por ela, que prejudicou a moça. Torço pra que essa moça consiga o que quer contanto que não saia do bolso da minha mãe.



Fala-se tanto em reformas na política, mas acho que também tem que haver reformas em setores que dão esse tipo de furo. O próprio presidente já falou, se não me engano, em mexer na caixa preta do judiciário. Tem que fazer reforma em tudo e mudar o visual também da justiça do país. Ela tem que ser, de fato, cega, em relação à raça, credo e sexo, mas não burra a ponto de prejudicar uma pessoa inocente, como minha mãe nesse caso, e outras pessoas que também sofrem com a burrice do setor judiciário. Obviamente não há uma generalidade com a magistratura. O que há são vários fatos isolados e inúmeros casos mal resolvidos como esse, o que não é justo. Que os advogados do diabo não leiam esse desabafo. Até a próxima!!!

quinta-feira, 15 de maio de 2003

PAUSA PARA A BIENAL



Essa semana, mais precisamente no dia 15 de maio, com duração de dez dias, terá início a Bienal do Livro. Pra quem é um leitor compulsivo como eu esse evento é um dos mais aguardados pros que têm fome de leitura. Há sempre uma referência e homenagem a um país e o privilegiado desse evento é a Itália.



Aproveitando o grande acontecimento literário que acontece aqui durante esse período, aproveito pra reproduzir um mail que recebi de uma amiga, Sabrina, que eu acho que vale a pena ser colocado aqui devido à mensagem que ele transmite. O título do texto esta aí logo abaixo e o autor é o Mário Quintana. Bem, não averigüei a veracidade do escrito, já que mail de internet não é cem por dento confiável, mas o texto segue abaixo. Faça o impossível para ir à Bienal do Livro. Até a próxima!!



'FELICIDADE REALISTA

(Mário Quintana)



A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos,

sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos

a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos

conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por

declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda

a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante pode, ou não, ser sinônimo de felicidade.

Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz

com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente

quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.

Não perder tempo juntando, juntando, juntando.

Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.

Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.’

quarta-feira, 7 de maio de 2003

OS REIS DO CAGAÇO



Nessa semana (re) vi um filme que me fez chegar a uma conclusão. Não que a conclusão que eu cheguei seja a mais pura e verdadeira, mas acho que uma coisa tem a ver com outra dada as devidas proporções de época e lugar. Mas eu corro o risco de estar falando uma tremenda bobagem já que não sou profundo conhecedor do assunto que vou abordar.



O filme, visto através do Canal Brasil, foi o Auto da Compadecida, um sucesso do cinema nacional que creio que tenha sido uma minissérie global antes de ser compactado para a película propriamente dita. O papel que me chamou atenção diante dos últimos acontecimentos foi o de Severino de Aracajú, interpretado pelo Marco Nanini. Severino de Aracajú era um cangaceiro que, na história, graças a astúcia e a esperteza de João Grilo, foi morto pelo próprio comparsa depois de aterrorizar a cidade com seu bando.

Agora dá uma olhada nas palavras que eu usei: bando, aterrorizar a cidade, morto, comparsa. Tem alguma coisa de diferente nos tempos de hoje? Apenas a troca da palavra cangaceiro para a palavra traficante que continuam a se articular em bandos ou facções criminosas e aterrorizando a cidade mandando fechar comércio e agora com a novidade de interferir também na educação ordenando que uma universidade do Rio suspenda as aulas e feche as portas.



Às vezes tenho a nítida impressão que o cangaço tinha um lado mais humano e social das atrocidades que cometiam. Uma espécie de Robin Hood cujo auxílio, se não era dado para o próprio bando, ao menos para os miseráveis era cedido o que restava dos saques às pequenas cidades atacadas. E mesmo que os cangaceiros de hoje tenham também um lado social, ajudando, de certa forma, a comunidade em que vivem, não tem como comparar, mesmo com as devidas proporções, o lado humano. Esse simplesmente não existe. Haja visto o que aconteceu com a estudante de 19 anos que cursava odontologia na Estácio. Na hora do intervalo, pelo fato de bandidos atirarem a ermo contra o pátio da universidade sem respeitarem nada e nem ninguém, uma bala atingiu seu rosto e se alojou entre a segunda e terceira vértebras tirando os movimentos dela e dificultando a respiração.



O cangaço de hoje em dia não fica isolado, tramando invasões em pequenos vilarejos. Eles vivem entre a gente, em megalópoles. E continuam fugindo ou enganando a polícia, quando não há consentimento de um comparsa policial que recebe sua propina pra fingir que não vê. Nesse ponto ainda estamos entre as décadas de 30 e 40, ou seja, nada mudou. Quanto aos armamentos, pelo que me parece, antigamente cangaceiros e defensores da lei tinham os mesmos tipos de armas quando se enfrentavam, sendo que as tropas fardadas tinham mais vantagem por possuírem um ou outro armamento mais evoluído. Nesse ponto os valores estão completamente mudados. Quem tem vários tipos de armamentos e um mais evoluído tecnologicamente que o outro são os cangaceiros. Enquanto isso a tropa fardada se têm armamentos, não são evoluídos; quando tem armamentos, não têm munição suficiente e se têm joaninhas, não têm dinheiro para por combustível.



Nossa sociedade está completamente assustada com essa meia dúzia de marginais que detêm o dito poder paralelo e indignada com o poder público que não toma atitude séria para que o poder se torne absolutamente único e justo para todos. Enquanto isso não acontece teremos que continuar a obedecer a ordens para não sairmos de casa e arriscar nossa vida indo trabalhar, estudar, ou mesmo comprar alguma coisa para não morrer de fome se quisermos viver, ou seja, estamos nos tornando súditos dos reis do cagaço. Até a próxima!!!

quinta-feira, 1 de maio de 2003

NA CAMA COM A DONA



- Ô Antonico, acorda.

- Não. Hoje não, Rosinha. Tive um dia cheio. Tomei posse pela manhã. Você já esperou até agora podia esperar mais um pouquinho. Eu por exemplo dei um prazo de dois meses pra tentar conseguir o que eu quero. Agora faz um favor pra gente. Volta a dormir.

- Não. Acorda. Tem que ser agora. Vamos discutir a relação. Amanhã minha agenda vai estar cheia.

- Mas são três da manhã. Tem que ser agora mesmo?

- Você vai desacatar uma ordem da sua governadora?

- Se minha resposta for positiva, qual a medida que você vai tomar?

- Posso mandar te pender.

- Prender? Mas agora eu sou o Secretário de Segurança. Eu é que devo mandar prender. E quem for preso vai costurar uniformes para os policiais. Quer humilhação maior?

- Humilhação?! A única pessoa que vejo humilhada dentro desse palácio é você.

- Eu? Por que?

- Porque você veio rastejando até mim, pedindo pra que eu te desse um cargo. Não agüentava mais cuidar sozinho dos nossos nove filhos, sem contar a faxina, a comida, às compras... E mais, ainda exigiu qual função queria exercer. Coitado. O pobre do Josias foi parar no ‘quintal’.

- Alto lá, Rosinha. Você sabe muito bem que eu estava esperando uma sobra lá em Brasília. Quando vi que eu não iria pegar nada foi que eu te sugeri me dar um cargo aqui.

- Sugeriu? Você praticamente passou por cima de minha autoridade.

- E você fez o mesmo quando era eu quem estava no comando.

- Não minta, ô Antonico. Você mais do que ninguém sabe que Deus pune os que utilizam a oratória para maldizer a outrem. Eu só disse que tinha capacidade de assumir a Secretaria de Ação Social. Você me nomeou. Meu trabalho foi tão bem aceito pela população do estado que eles votaram em mim e agora quem manda sou eu. Não venha me avacalhar. Parece até o pessoal do governo federal.

- Ta bom. Ta legal. Não vou mais discutir com você. Afinal, depois do elogio que você me fez hoje lá no quartel eu não preciso de mais nada. Só de uma boa noite de sono. Minha função de doméstico acabou. Agora tenho que me habituar com o poder novamente. Mesmo sabendo que esse é um pouco mais limitado do que o seu.

- É. Pensando melhor agora não é hora da gente discutir a relação. Mas quando a gente sentar pra debater sobre os programas de segurança, reservaremos uns dez minutos, a princípio, para falarmos sobre nossa situação. Hoje não dá. Justiça seja feita.

- Claro. Mas temos que agendar rápido essa nossa conversa. Tô pensando numas idéias aqui, além das que eu falei hoje no meu discurso... Agora eu quero dormir.

- Precisamos mesmo. Até concordo em fazer não sei quantas blitz policiais por noite em vários pontos da cidade, mas essa história de utilizar cinco helicópteros para patrulhar as vias expressas pode ser muito oneroso. Nós estamos falidos. Você sabe disso. Só vamos começar a pagar o 13° do ano passado em agosto e Brasília não tá nem aí pra gente. Só quero ver se... Ô Antonico, tá escutando esses barulhos?

- Que barulhos?

- Ô Antonico. Quando você dorme no ponto não acorda mesmo. Você não tá escutando eles metralhando o palácio novamente. Isso não pode ficar assim. Você tem que tomar uma atitude drástica imediatamente. Cadê a nossa segurança, hein, Antonico?