segunda-feira, 30 de junho de 2003

CRIADOR E CRIATURA



Na última quinta feira (26/06) eu fiz uma coisa que há tempos eu não fazia. Fui ao teatro. De vez em quando aconselho fazerem isso. Eu sei que a situação está difícil e que a maioria dos preços de um espetáculo teatral não são convidativos. Ninguém tem 30, 40 ou 50 reais pra gastar de quinta a domingo, ou seja, quatro vezes na semana. Quando muito quatro vezes por mês, ou nem isso. O que eu vou fazer é escolher uma peça por mês e assisti-la. Se possível duas ou mais. E a do mês de julho já está escolhida.



Não tendo companhia, encarei sozinho. Saí de casa um pouco antes das sete pra pegar o ônibus mais ou menos nesse horário. Acabou que eu não fui de ônibus, mas de van. (Me lembrei da música do Ed Mota que ta tocando nas rádios atualmente. Aquela que diz que tem espaço na van.) Confesso que não gosto muito de andar de van quando estou sem companhia, mas estava tão preocupado com a hora que essa minha cisma foi deixada de lado. Pouco mais de uma hora de traslado.



Cheguei no Shopping da Gávea às oito e meia procurando a bilheteria do teatro e correndo contra o tempo. À toa. Eu estava crente que a peça ia começar as nove e na verdade começou as nove e meia. Fiquei uma hora rodando feito um carrossel dentro daquele shopping. Sem problemas. Estava, digamos, ‘estudando’ a minha próxima aventura no mesmo local.



A peça que eu fui ver encerrou sua temporada no Rio e, como eu não sei se eles vão excursionar pelo Brasil e vir pra Niterói, já garanti a minha parcela de satisfação pessoal indo até lá. Tem outra que eu quero ver também está em cartaz lá com probabilidade bem maior de baixar pro lado de cá da ponte e a que eu reservei pro mês que vem está pra estrear lá pelo dia 11.



Com Clara Carvalho, Bete Coelho, Mika Lins e Paulo Gorgulho, dirigido por Jô Soares, Frankensteins é uma comédia. É bastante engraçado mesmo. Só de imaginar que alguém imaginou um encontro caloroso entre os escritores e suas escrituras, ou seja, criador e criatura, já é um ponto positivo pra comédia. E se as criaturas resolvem mandar nos criadores, então é que fica mais engraçado ainda.



Não sou daqueles que contam o filme todo pra primeira pessoa que pergunta se é bom. Só digo que é excelente e conto uma ou outra peculiaridade pra deixar a pessoa com água na boca. Por exemplo, a personagem da Clara Carvalho (Mary Shadow) chama sua criatura, o monstro, de Percival pelo fato de ser o nome de um cavalo.



Mas a discussão proposta no diálogo da peça é bastante interessante. Fazendo uma analogia, é como se a gente não estivesse contente com a nossa vida e chegasse pro nosso criador e o obrigasse a mudar o nosso destino. E os dois personagens ‘criaturas’ que eternamente fazem parte do mundo de seus criadores, mesmo depois que esses útimos, digamos, ‘odiarem’ suas crias e morrerem, ficarão eternizadas, imortalizadas como estão até hoje.



Quem tiver oportunidade, vá assistir a essa peça. E ria, por que no dia que eu fui, a platéia me pareceu distante, fria e tímida. Eu não. Eu gargalhei mesmo. Talvez por eu estar conectado à trama da peça pelo fato de eu criar meus ‘monstros’, ter minhas criaturas e ficar imaginando aquela situação acontecer comigo.



Estou lembrando daquela música do Fábio Júnior – Ed Mota, Fábio Júnior, as referências musicais estão emanando hoje – que diz ‘carne e unha/ alma gêmea/ bate coração/ as metades da laranja/ dois amantes, dois irmãos/ duas forças que se atraem/ sonho lindo de viver/ tô morrendo de vontade de você'. Por mais que na peça os criadores odeiem as suas criaturas, não tem como elas se desvencilharem. O porquê do Fábio Júnior, sei lá, me veio na cabeça. Pelo amor ou ódio um não vive sem o outro. Até a próxima!!!

sexta-feira, 27 de junho de 2003

FESTA (NÃO MAIS) DO INTERIOR



Junho é o mês dos santos. Quer dizer, na verdade todo dia é dia de santo, mas em junho três deles se destacam. Santo Antônio no dia 13, São João no dia 24 e São Pedro no dia 29. Como o Brasil é um país festeiro e predominantemente católico, tudo é motivo de comemoração e pra esses santos, mais ainda.



Santo Antônio é o famoso santo casamenteiro. São João eu acho que é aquele apóstolo de Cristo, não sei. Atenção para os conhecedores bíblicos. O São João de junho é quem? E São Pedro é o apóstolo, disso eu não tenho dúvidas porque é quando a colônia de pescadores de Jurujuba faz aquele festão. O pessoal de Itaipu (pra quem não conhece, Itaipu e Jurujuba são dois bairros de Niterói que têm colônias de pescadores) não é tão metódico. Fazem festa também, mas geralmente é em um fim de semana e menos tradicional no sentido do espírito da festa. (Me parece uma heresia em falar de espírito quando se trata de festa junina.)



As duas festas são tradicionais. Não estou desmerecendo a de Itaipu, mas a de Jurujuba conserva mais as tradições de uma festa do interior apesar de estar quase descaracterizada. Mas tenho observado que isso não acontece só em Niterói. Pelo que tenho visto através dos noticiários, as festas juninas, assim como o carnaval, deixaram de ser tipicamente regionais pra serem mais globalizadas. Mesmo lá pro Nordeste onde a tradição é mais forte, as quadrilhas mais parecem alas de passo marcado das escolas de samba. A brincadeira de dançar quadrilha virou coisa séria, pra concurso onde há um julgamento e uma quadrilha vencedora. Campina Grande e Caruaru se espelharam, suponho que erradamente, na disputa entre Rio e São Paulo pra ver quem é que faz o melhor desfile.



As roupas que são apresentadas são fabricadas especialmente para aquela ocasião, como uma fantasia da Sapucaí. Não são mais os remendos que a gente fingia em botar na calça jeans, a camisa de flanela quadriculada com um lenço vermelho e uma caixa de fósforos imitando uma gravata e o dente pintado de preto representando a própria ausência dele.



A gente aqui (eu pelo menos) ainda confunde, quando se trata de festa junina, que nem sempre é feita em junho – eu mesmo já fui a uma festa junina em agosto – se o personagem principal é do interior do Nordeste ou do interior de Minas. ‘Nóis puxa uma prosa como se fosse minero, mas dança forró como se fosse do nordeste.’ Afinal, de qual parte do país vem o caipira? Se bem que agora não importa mais. Atualmente não vem de lugar nenhum e ao mesmo tempo vem de todos.



O caipira não é mais o matuto que o Mazaroppi fazia nos seus filmes do Jeca, não está mais representado nas vozes de Alvarenga e Ranchinho, ou Tonico e Tinoco, nem mesmo na do Gonzagão se a gente for mais pro nordeste e muito menos se come como um caipira. Onde já se viu festa junina com pizza, que é comida típica da Itália e cachorro quente americano. Se é uma festa genuinamente brasileira e tradicional, as adaptações que tinham que ser feitas, já foram. Não adianta querer inovar. Aliais inovaram tanto que a festa do interior já não é a que ardia aquela fogueira que me esquentava a vida inteira eterna noite.



Não tem nem fogueira pra esquentar o frio do inverno. Os ecologicamente corretos não dão trégua nem em noite de São João. Balão, então, eles apagaram todos. O céu não fica mais pintadinho de balão. Fogos de artifício parece que só ficaram restritos ao reveillon e decisão de campeonato de futebol.



Eu se fosse Antônio, João ou Pedro, pedia pra mudar o mês já que desconfiguraram toda a tradição, e pedia um dia no meio do carnaval. De preferência numa terça-feira gorda. Até a próxima!!!

quinta-feira, 19 de junho de 2003

ATÉ QUE NEM TANTO ESOTÉRICO ASSIM...



Horóscopo é uma coisa que eu não acredito, mas, às vezes, sigo. Aliais, comigo acontece muito o seguinte: Ou bate, ou não bate. Tem dias que eu leio o meu, touro, e diz que eu vou dar uma topada muito forte numa perda, por exemplo. E naquele dia eu dou uma porrada de arrancar a unha. Em outros, quando diz que eu vou dar uma topada numa pedra, passo o dia sem ver uma.



Disse que o meu signo é touro. Ainda tenho dúvidas sobre isso por que sou do primeiro dia. Fiz um mapa astral na minha vida que disse que sou touro com ascendente em áries.



Estou falando sobre horóscopo e signos porque recebi um mail da minha prima Janaina, um dos primeiros que ela me mandou depois de ter voltado daqui, com o seguinte título “o lado negro dos signos”. O meu, por exemplo, a exceção das profissões sugeridas, calhou certinho.



Aquário

Você tem uma mente inventiva e dirigida para o progresso. Você mente e comete os mesmos erros repetidamente porque é imbecil e teimoso. Adora novelas, se reunir em grupos e ser fashion. Se você é homem....cuidado! Os aquarianos são ótimos sindicalistas e estilistas, às vezes, ambos ao mesmo tempo.



Peixes

Você é do tipo sonhador, místico, sensível e costuma se doar muito. Se você é homem, as suas chances de ser viado são muito grandes.... Você é cheio de conselhos fúteis e não faz nada além de encher o saco de todos que se aproximam de você. As piscianas dão boas apresentadoras de programa infantil e atrizes pornôs.



Áries

Você se acha muito honesto, integro, independente e poderoso.... bom é o que você acha. Você adora mandar e botar tudo pra "ferver", desde que do seu jeito, mesmo que seja na porrada. Você não consegue influenciar ninguém, apesar de ficar o tempo todo tentando exibir seu poder. Os arianos são ótimos juízes, sogras e lutadores de jiu-jitsu.



Touro

Você tem uma determinação e trabalha como um condenado. A maioria das pessoas pensa que você é um pão-duro e cabeça- dura e estão certas. Sua persistência faz de você um puta de um chato. Você é guloso, adora a natureza, o belo e ser amado. Taurinos são bons triatletas, vendedores de enciclopédias e decoradores.





Gêmeos

Você é comunicativo, curioso, bem humorado, inteligente e tem duas caras. Sua inconstância e preguiça fazem de você um manipulador de primeira. Você não liga pro que os outros sentem e adora distribuir chifres por aí. Geminianos costumam fazer muito sucesso na política, no circo, na novela das oito e pulando cerca.



Câncer

Você é solitário, defensivo e compreensivo com os problemas das outras pessoas, o que faz de você um xarope. Você se acha pé frio e mal amado. Sua compaixão, sensibilidade e emotividade fazem do homem de câncer uma tremenda de uma bichona. Os cancerianos são ótimos cabeleireiros, melhores amigas e leitores de romances.



Leão

Você se considera um líder natural. Os outros acham você um idiota completo. Você é vaidoso, arrogante, orgulhoso e impaciente, como e fosse a última coca-cola gelada do deserto e costuma lidar com críticas na base da porrada. Os leoninos são excelentes guardas de trânsito, ditadores e emergentes.





Virgem

Você é do tipo lógico, trabalhador, analítico, tímido e odeia desordem. Sua atitude detalhista e organizada é enjoante para seus amigos e colegas de trabalho. Você é frio, não tem emoções e freqüentemente dorme enquanto está trepando. Virginianos dão bons cobradores de ônibus, costureiras e montadores de quebra-cabeças.



Libra

Você é do tipo artístico, discreto equilibrado e idealista, com muito gosto pelo harmonioso e esteticamente belo. Se você for homem, provalvemente é viado. Você sente necessidade de proteger os outros e lutar contra as injustiças, mas esperando algo em troca. Os librianos são perfeitos na advocacia, arquitetura e gerenciando casas noturnas.



Escorpião

Você é o pior de todos: Desconfiado, vingativo, obsessivo, rancoroso, frio, orgulhoso, pessimista, malicioso, cínico, fofoqueiro e traiçoeiro nos negócios. Você é o perfeito filho da puta, só ama a sua mãe e a si mesmo. O escorpiano leva jeito para terrorista, nazista, dentista, fiscal de receita e juiz de futebol.



Sagitário

Você é otimista, aventureiro, entusiástico e tem uma forte tendência a confiar na sorte. O que é necessário para quem é imprudente, exagerado, indisciplinado, irresponsável, infantil, sem concentração e limitado. Isso explica porque a maioria dos sagitarianos são bêbados. São ótimos garçons, jornalistas e bicheiros.



Capricórnio

Você é conservador, sério, frio e inflexível como uma baixela de inox. Sua fidelidade e paciências não encobrem seu lado materialista e ambicioso, mas quem se importa? Se a grana está entrando.... Os capricornianos são um sucesso como bancários, banqueiros, agiotas ou mesmo contando dinheiro em casa.



Bem, pode ser que sim, mas também pode ser que não. Não sou nenhum astrólogo, tarólogo ou esotérico de modo geral. Mas de vez em quando dou aquela checada.



Confesso que dessa vez me prolonguei mais que o normal. Ia repassar isso por mail. Mas como fiquei meio sem tempo pra escrever durante essa semana, preferi postar.



Na próxima semana prometo que escreverei de próprio punho e não farei mais o papel de uma simples fotocópia. De vez em quando, quando acontecem imprevistos como esse, preciso, mas não sou o homem que copia. Até a próxima!!!

quinta-feira, 12 de junho de 2003

MACABRA COINCIDÊNCIA



A vida tem dessas coisas. Os sinistros que ocorrem, quando com uma pessoa próxima é intensificado e ganha uma dimensão grandiosa de proporções gigantescas. Esse não foi o primeiro e muito menos será o último, mas foi perto, o que dá uma visão mais ampla e, ao mesmo tempo, profunda da situação.



Tudo começou por um motivo. Na última sexta-feira, seis de junho, foi aniversário do Victor Hugo (fez 3 anos), filho de Leonardo e Bianca e neto da Tia Branca. Como no sábado é o dia do aniversário do Daniel (fez 7 anos), filho de Beatriz e Alexandre, neto do Tio Rodolfo, (Branca e Rodolfo são irmãos da minha mãe) os dois comemoraram juntos, no próprio sábado aqui mesmo no salão de festas do meu prédio, onde também o Léo e a Bianca moram desde o último carnaval.



Foi uma festa de criança onde, como em toda festa de criança, além de nós, parentes, também vieram os convidados – praticamente convidados mais dos pais do que das próprias crianças. Em uma mesa grande, mais pra perto de onde fica o som, ficaram destacados alguns convidados da Bianca. A cunhada dela com os filhos e a irmã da cunhada dela com os filhos e o marido. O tal motivo era o melhor e mais alegre possível por se tratar de uma festa em comemoração a dois aniversários. Só pra enfatizar, a festa foi no sábado, dia sete.



O domingo correu tranqüilo. Havia sobrado bastante comida da festa. Panelão de cachorro quente, garrafas de refrigerantes e, pasmem os beberrões de plantão, quase que uma caixa de cerveja por inteiro, entre outras iguarias.



A madrugada de domingo pra segunda começou chuvosa. Uma chuva como outra qualquer. Nem tão forte, nem tão fraca. Certamente chuvas piores já desaguaram sobre nossas cabeças e até então nada tinha acontecido. Mas essa madrugada, com a chuva que estava caindo, aconteceu. No morro do Pires, por causa da chuva, uma pedra rolou e despencou sobre duas casas soterrando e matando seis pessoas, sendo três crianças e quatro pessoas da mesma família dentre essas seis vítimas.



Mesma família. Quando se fala em família, o pensamento, pelo menos o meu, se remete a pai, mãe, filhos, tios, avós, irmãos, cunhados... Acho que com essas duas últimas palavras o mistério da macabra coincidência pode ser desvendado. O pessoal que estava destacado na mesa grande perto do som, não exatamente a cunhada dela, mas a irmã da cunhada dela com os filhos e o marido é o mesmo que ficou soterrado pela pedra que despencou no morro. A casa da cunhada de Bianca que ficava ao lado da casa da irmã da cunhada de Bianca também ficou totalmente destruída, mas por sorte – não sei se a melhor palavra a ser usada nesse momento é sorte – a parte mais danificada não foram os quartos, mas sim a parte da frente. Ela perdeu todos os bens e tiveram que terminar de demolir a casa dela.



Se não me falhe a memória, os nomes das irmãs são Marlene e Marlete e essa última foi uma das vítimas fatais desse desastre. Um caso curioso é que das seis pessoas, a única que não compareceu na festa foi o Hamilton. Na mesma hora da celebração aqui, ele estava sendo consagrado ministro da eucaristia da igreja dele.



Eu sei que várias fatalidades como essa vão acontecer em outros dias e locais, mas é uma sensação completamente estranha você servir cachorro quente pra uma pessoa que no dia seguinte é soterrada por uma pedra e morre. Não que eu tivesse intimidade para com essas pessoas. Se eu as vi duas vezes foram muitas, mas só em saber que a gente se viu e se falou no dia anterior ao da fatalidade, mesmo que com um ‘oi’, me deixa um pouco atordoado.



Relembrando o poetinha, tristeza não tem fim, felicidade sim. O destino botou uma pedra sobre a felicidade dessa família.

quinta-feira, 5 de junho de 2003

JANA E JESSE



Eles chegaram aqui no dia 17 e foram embora no dia 31. Durante essas duas semanas a gente aproveitou a presença deles pra matar as saudades da Jana, conhecer o Jesse e observar que, a princípio, e que seja eterno enquanto dure, foram feitos um para o outro.



Estou falando de Janainna, minha prima, que largou tudo aqui no Brasil e foi com a cara e a coragem tentar a vida na América. Depois de ser humilhada a ponto de obrigarem a ela a tirar a comida que ela iria comer do prato, chegou ao status que quase todos sonham em ter: cidadã americana com greencard e tudo. Merecidamente. A nossa torcida aqui para o sucesso dela lá é enorme.



Danada, ela ainda deu sorte em relação aos atentados terroristas. A última vez que ela veio ao Brasil foi em agosto de 2001 pra pegar o visto de estudante, já que ela tinha conseguido praticamente se matricular num condado perto de Los Angeles, chamado de Orange County e só faltava a autorização do consulado aqui no Brasil. Ficando também por duas semanas e voltando exatamente no dia 21 de agosto daquele ano, dois dias depois do aniversário dela, conseguiu chegar e entrar no país a tempo de presenciar de lá de dentro os atentados terroristas de 11 de setembro, ou seja, antes da paranóia toda começar.



Se bem que no ano seguinte, a paranóia não estava tão paranóica. Ano passado eu fui lá com a minha mãe fazer uma visita a ela. Chegamos no dia 23 de maio. No entanto, no nosso passaporte está carimbado 23 de junho e nessa data nós já estávamos de volta ao Brasil. Conclusão: nós saímos do país antes mesmo de entrar. Aproveitamos durante vinte dias. Entre Santa Bárbara e San Diego passeamos pela costa, além de passarmos um dia em Las Vegas. Jana aproveitou para também fazer sua transferência de Orange County para San Diego e começou a estudar lá em setembro, época em que conheceu o Jesse.



Ele pertence, pelo menos por enquanto, ao corpo de fuzileiros navais da marinha americana e tem cara de soldado americano mesmo. Eu falo por enquanto por dois motivos. O primeiro é que ele está querendo sair mesmo da marinha e o segundo é que ele está prestando serviço militar, e pelo que fiquei sabendo, enquanto aqui o serviço é obrigatório e dura um ano, (se bem que já tem quartel dispensando com quatro meses de serviços) lá é facultativo (e eu acho que eles até fazem isso por causa desse sistema aleatório) e o soldado, vamos assim dizer, fica ‘servindo’ durante três a quatro anos.



Jesse sempre foi contra a guerra, mesmo ele tendo que ir. Já que não tinha outro jeito – o que tinha era ficar preso durante um bom tempo – ele foi e isso só fez contribuir pro aumento do soldo dele. Acho que a consumação do casamento deles foi uma tentativa de evitar a ida dele pro Kuwait. Ele não foi pro front, mas ficou quase quatro meses na base militar de lá, longe da esposa. Essa passagem por aqui foi a lua-de-mel que não tiveram e eles aproveitaram bastante e a gente também.



Temos, agora já apresentado pra nós, mais um membro na família. Jesse já tem sua cadeira cativa na mesa do almoço de domingo, logicamente quando estiver por aqui. A barreira dá língua é transponível, os gestos são universais e a mímica ajuda na compreensão de algo incompreensível. Além de ser uma pessoa bacana, Jesse tem nitidamente exposta uma característica que é recíproca em Jana. Eles se gostam muito e isso quebra todas as teses e hipóteses de que ela só casou por causa do papel. Claro que isso facilitou e muito a vida dela lá, mas esse não foi o fator determinante da união matrimonial. Chances de casar apenas pra pegar o greencard, o que seria sensato e racional, ela teve de sobra e não quis aproveitá-las. Como cantava meu avô, o coração tem razões que a própria razão desconhece. Lembranças eternas pra Jana e Jesse. Até!!!