quarta-feira, 30 de julho de 2003

A VISITA DO VELHO SENHOR



- Senhor, olhe. Tem alguém se aproximando do seu esconderijo. Devemos abrir fogo imediatamente contra ele?



- Estão agrupadas em grande número?



- Não senhor. É apenas uma pessoa sozinha.



- Qual é o aspecto dela?



- Parece cansada, senhor. Está ofegante. Ainda faltam alguns metros pra ela chegar mais perto. Não estou conseguindo identificar o rosto. Mas pelas vestimentas é um militar, senhor. Veste uma farda verde e usa um quepe avermelhado.



- Hum... Pelas suas descrições, soldado, me parece que...



- Ele parou. Parece que tem vista cansada. Botou os óculos e está vendo um pedaço de papel. Usa um vasto bigode preto. Senhor, ele tem a cara daquele seu amigo iraquiano.



- Sadam Hussein.



- Exatamente, senhor. Parece que é o Hussein. Mas não posso dizer precisamente porque não sei reconhecer se é ele ou algum sósia. O senhor quer ver com seus próprios olhos?



- Não há necessidade. Os sósias dele não têm a informação de onde fica a minha caverna atual. O papel provavelmente é o mapa que mandei um suicida fanático entregar para outro suicida fanãtico e esse entregar para alguém que fazia parte da cúpula do poder dele. Nunca soube se ele tinha recebido. Os dois suicidas fanáticos explodiram sem que antes eu tivesse a confirmação da entrega.



Minutos mais tarde...



- Senhor, ele já está aqui.



- Ora, soldado, não faça cerimônias. Mande-o entrar.



- Não gosto de ser mandado por subalternos como você e ouvi perfeitamente o que seu chefe disse. Pode se retirar que o assunto é particular.



- Sadam. Como vai?



- Bin, meu velho, há quanto tempo.



- Acho que a gente não se fala desde sete de setembro de 2001.



- Dias antes de eu concluir minha obra prima.



- Que espetáculo você fez, né? Foi maravilhoso. Nem tive tempo de parabenizá-lo por isso.



- Muito obrigado. Realmente foi inesquecível. Mas e você, como está?



- Péssimo. Não sei se aqui na caverna a televisão sintoniza alguma estação.



- Não. As informaçães que tenho recebo via soldado que vai na cidade comprar o jornal uma vez na semana. O que houve?



- Meus filhos morreram. Bem, isso é o que os americanos dizem e sabe que não acredito neles, mas a verdade é que tem vários dias que eles não falam comigo. A América até divulgou fotos como sendo cadáveres deles. Como o meu exército está sendo dizimado por aqueles garotos infelizes, estou dando um tempo fora. Eu gostaria de saber se posso ficar um tempo aqui com você, Bin. Se eles não te acharam até agora, não vão me achar também.



- Claro, Sadam. Pode ficar aqui o tempo que eu quiser. Cadê a mala com suas roupas?



- Eu sabia que você iria me compreender. Quanto às minhas coisas deixei lá com meus sósias pra se aquele idiota me matar, deixar pensar que ele, o Bush, me matou mesmo.



- Excelente idéia Sadam. Do jeito que ele é estúpido, acho que ele nem imagina que isso possa acontecer. Está com fome? Ainda tem alguns Big Macs que comprei.

terça-feira, 22 de julho de 2003

PUNIÇÃO POR NÃO MATAR



Um fato tem me preocupado. Não só a mim, mas a toda minha família de um modo geral. O Jesse vai ser preso.



Dando uma pequena recapitulada, o Jesse é o marido de Jana, minha prima. Algumas postagens atrás, foi dedicado um texto a eles em que eu tecia comentários sobre a estada deles por aqui durante quinze dias. Vou reproduzir dois parágrafos sobre esse comentário pra fazer um gancho.



“Ele pertence, pelo menos por enquanto, ao corpo de fuzileiros navais da marinha americana e tem cara de soldado americano mesmo. Eu falo por enquanto por dois motivos. O primeiro é que ele está querendo sair mesmo da marinha e o segundo é que ele está prestando serviço militar, e pelo que fiquei sabendo, enquanto aqui o serviço é obrigatório e dura um ano, (se bem que já tem quartel dispensando com quatro meses de serviços) lá é facultativo (e eu acho que eles até fazem isso por causa desse sistema aleatório) e o soldado, vamos assim dizer, fica ‘servindo’ durante três a quatro anos.



Jesse sempre foi contra a guerra, mesmo ele tendo que ir. Já que não tinha outro jeito – o que tinha era ficar preso durante um bom tempo – ele foi e isso só fez contribuir pro aumento do soldo dele. Acho que a consumação do casamento deles foi uma tentativa de evitar a ida dele pro Kuwait. Ele não foi pro front, mas ficou quase quatro meses na base militar de lá, longe da esposa. Essa passagem por aqui foi a lua-de-mel que não tiveram e eles aproveitaram bastante e a gente também.”



No entanto a lua-de-mel acabou. Forçaram o fim dela. Ele não foi pro front porque não quis e agora isso está pesando muito pro lado dele. O outro jeito – o de ficar preso por não querer ir pra guerra – acabou que voltou a ser uma regra para o tribunal da marinha americana.



Essa atitude tomada por ele de não querer ir pra luta literalmente e matar um pai de família iraquiana foi julgada e a condenação por isso foi a de ficar preso durante um ano, perder o dinheiro que ele iria receber pra pagar a faculdade e todas as regalias que um militar americano tem direito (por exemplo, ‘furar’ fila pra tirar passaporte, como aconteceu realmente com ele) serem extintas, ou seja, se tornar um cidadão civil comum.



É certo que ele desacatou uma ordem superior num estado de guerra – guerra forjada que ele próprio reconheceu ser – mas daí a ser preso é muito rigor. Se ao menos essa punição fosse descartada enquanto as outras fossem mantidas seria mais justo.



Enquanto isso, minha prima que estava começando a se estruturar sobre uma estabilidade que veio junto com o casamento, terá que mudar radicalmente de novo. Procurar outra casa pra ficar enquanto ele estiver preso, já que a casa em que eles moram numa base do deserto da Califórnia ficará disponível, e recomeçar todo um caminho que ela já havia traçado antes de conhece-lo.



Um país, cujo ponto turístico mais visitado é uma estátua que tem o nome de Liberdade tirar a liberdade de uma pessoa que teve a liberdade de contrariar uma ordem, cuja ação principal era tirar a liberdade da vida de outro ser humano em condições extremamente desiguais e com argumentos totalmente suspeitos, precisa de um governante que tenha uma visão mais livre, no sentido da amplitude do mundo e que realmente dê à palavra liberdade o verdadeiro significado dela; isenta de restrição externa ou coação física ou moral.



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Alguém pode me dizer como é que se tira esses pontos de interrogação das palavras acentuadas? Essa tecnologia está muito moderna pra mim. Até a próxima!!!

terça-feira, 15 de julho de 2003

AGORA É HORA DE ALEGRIA



Uma polêmica parou o país na semana passada. O apresentador mais carismático da televisão brasileira declarou que ia morrer. Como minha mãe diz, a única certeza da vida é a morte, ou seja, todos nós vamos morrer um dia. Ele, no entanto, disse que morreria em no máximo seis anos. Estava com uma doença degenerativa coronariana que limitava sua expectativa de vida. A declaração foi feita a uma das mais conceituadas revistas de fofoca que circulam no Brasil. Foi um susto nacional e durante dois ou três dias não se falou de mais nada.



Silvio Santos, o homem do baú, ainda tinha dito nessa mesma entrevista que o pequeno império que ele construíra, o Sistema Brasileiro de Televisão, estava sendo vendido por dois bilhões de reais e que na negociação a Televisa, empresa mexicana, e o Boni, ex-comandante da Globo, dividiriam a compra ficando cada um com metade do patrimônio do ‘patrão’. È sabido, público e notório que com a abertura para o capital internacional dos meios de comunicação, a Televisa está de olho, e provavelmente será a preferencial, da obtenção de trinta por cento, valor máximo que a lei permitirá, do patrimônio do SBT.



Porém, o próprio Silvio revelou que todas essas declarações dadas por ele eram gozações. Silvio, que atualmente está em um bairro de Orlando, Flórida, chamado Celebration, que fica na região da Disney, passando uma temporada de ‘férias’ foi surpreendido por um telefonema – vou reproduzir aqui as palavras dele que foram captadas por um repórter correspondente do programa do Gilberto Barros na Band, na última sexta feira – da tal repórter da Contigo, que tinha conseguido o número do telefone da casa dele por lá – casa essa que é avaliada em mais ou menos seiscentos mil dólares – e cuja primeira pergunta feita por ela foi se ele estaria aposentado. Com a inteligência dele e um raciocínio rápido, inventou toda essa história provando mais uma vez que sabe trabalhar o marketing da própria figura.



Voltar a atenção para ele sempre foi um bom negócio, mesmo que sem querer terceiros fizessem isso. Lembro de alguns episódios como o problema que teve na garganta que forçou ele a ficar menos tempo no ar aos domingos, dividindo as atrações e consolidando o Gugu Liberato no horário vespertino do dia dos programas dele, o lançamento da pré-candidatura para a presidência do Brasil que foi impedida pelo partido (que, se não me engano, era o PFL), e mais recentemente, aí que digo que feito por terceiros, a homenagem que a escola de samba Tradição fez a ele no carnaval de 2001 e o seqüestro ocorrido com a filha dele poucos meses depois, em que o meliante, dias depois de dar liberdade à menina voltou ao local do crime e ‘seqüestrou’ o próprio Silvio.



Não creio que seja característica de nenhum grande comunicador e/ou empresário dar declarações de tamanha importância, capaz de mobilizar a população e até modificar estratégias de conduta de várias empresas, para uma revista cujo conteúdo exposto é basicamente sobre fofoca de bastidores da mídia televisiva. Se as declarações que ele deu para a revista fossem verdade, não seria por meio dessa categoria de revista que viriam à tona. Existem revistas mais bem conceituadas e mesmo assim notícias desse peso são dignas de coletivas de imprensa. Ou então fazer como a Ana Maria Braga. Falar francamente sobre o seu quadro de saúde no programa comandado por ele.



Soube que ele participou e se desculpou ao vivo no programa do Gugu, mas eu raramente ligo a TV em algum canal aberto num dia de domingo e não fiquei sabendo quais foram as suas palavras sobre o fato acontecido.



Com essa confusão desfeita, esperem mais coisas surgidas da brilhante cabeça desse homem. Quanto menos se esperar, Silvio Santos vem aí. Até a próxima!!!

quarta-feira, 9 de julho de 2003

RIO 2012



Agora é oficial. Na última segunda feira (07/07/2003) a cidade do Rio de Janeiro, depois de disputar com São Paulo, foi escolhida a cidade brasileira pré-candidata a sediar as Olimpíadas 2012. Ela concorre com mais nove cidades, entre elas Nova Yorque, Madri e Moscou. Pelo visto, parece que ainda haverá uma preleção pra que dessas nove cidades, cinco se mantenham na disputa. Se bem que rola um boato que essa preleção será abolida. Vamos ver. Ao que tudo indica, a comemoração de hoje pode ser estendida por, no máximo, mais dois anos, quando em 2005 será escolhida em definitivo a cidade sede das Olimpíadas 2012.



Quando esse del?rio começou eu era contra. No meio da década passada foi criada uma pré-candidatura do Rio para as Olimp?adas do ano que vem. Inclusive essa hist?ria acabou em samba que a Mangueira levou pra avenida. Nessa época a idéia era construir a vila ol?mpica na ilha do fund?o. Bem coisa de brasileiro. Bota a galera toda no fund?o e pronto. Também circularam fichas de voluntariado para trabalhar no evento do tipo participar da cerimônia de abertura e encerramento, atendimento a turistas e etc. Ainda bem que essa febre passou r?pido. N?o achava, como se percebe, que a gente teria condiç?es e infraestrutura pra sediar as Olimp?adas de 2004.



Agora a quest?o muda de figura. Ainda n?o estou plenamente de acordo com a pré-candidatura do Rio, mas também n?o estou veementemente contra essa decis?o. Me sinto feliz pelo fato de ser o Rio que vai representar o Brasil e ao mesmo tempo receoso j? que ainda se tem muita coisa a fazer em termos de arrumaç?o da cidade. Isso inclui também a despoluiç?o das ?guas da lagoa e da ba?a e principalmente a segurança dos atletas e visitantes assim como a preparaç?o de hospitais e ambulat?rios de emergência.



O que me conforta diante desse quadro é o teste que a cidade ter? com os jogos Pan-americanos de 2007. Por mais que a cidade até esse ano j? tenha cerca de 70% da infraestrutura pronta pra sediar uma Olimp?ada, atualmente acho que o Rio devia sim concorrer pras Olimp?adas 2016 porque s? assim o Rio j? teria mostrado ao mundo, ou pelo menos à parte dele, se teria condiç?o de elevar a categoria esportiva das Américas para o mundo.



Um outro ponto que faz com que eu permaneça em cima do muro tendendo a cair pro lado da aceitaç?o, é o fato das cidades concorrentes fazerem parte de pa?ses que j? sediaram as Olimp?adas. Pegando os exemplos que eu citei l? no in?cio, Nova Yorque fica nos Estados Unidos onde ocorreram as Olimp?adas de 1984, em Los Angeles e 1996 em Atlanta, Madri é a capital da Espanha onde teve as Olimp?adas de Barcelona em 1992 e Moscou, na época socialista, foi sede das Olimp?adas de 1980 que por sinal foi a primeira da minha vida.



E por falar em primeira da minha vida, pelos meus c?lculos, nos jogos pan-americanos de 2007 estarei entrando na casa dos 30 anos e, se realmente as Olimp?adas vierem pro Rio, em 2012 estarei cinco anos mais velho, mas ainda com idade pra curtir aquele que pode ser o primeiro evento esportivo desse porte que verei ao vivo. O Rio tem condiç?es de realizar mega eventos, como j? foi demonstrado em v?rias ocasi?es. Por que n?o realizar mais um? No entanto a cautela com a preparaç?o da cidade tem que ser a prioridade maior de agora em diante para que em 2007 o mundo nos veja com um bel?ssimo potencial pra a chegada das Olimp?adas. Se n?o conseguirmos em 2012 ainda tem 2016, 2020, 2024.... Até a pr?xima!!!



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P.S. j? notei que h? um problema com as palavras acentuadas. Depois que remodelaram a p?gina tem acontecido esse problema que eu ainda n?o consegui resolver. Desculpem.