quarta-feira, 26 de novembro de 2003

MONSTRO



Não posso falar por todas. Me tiro como exemplo. Quando eu era criança morria de medo de monstros. Mesmo daqueles que não faziam mal nenhum. A primeira vez que fui ver o filme ‘ET – o extraterrestre’ chorava desesperadamente com medo daquele bicho. Devia ter uns seis ou sete anos. Os seres não humanos me impressionavam muito, a ponto de eu acordar repentinamente no meio da noite pra constatar que eles não estavam espionando meu sono.



Me lembro de uma ocasião, lá em Saquarema, em que assisti a outro filme com monstrinhos. Não sei se é ‘O bebê de Rosemary’, mas a história era sobre uns bebês verdes com umas unhas pretas que nasciam já sabendo engatinhar e matando todo mundo que viam pela frente. Eu dormia com meus pais na edícula que fica nos fundos do terreno, coisa de dez metros de distância. Pra atravessar no meio da noite, por mais que a casa estivesse movimentada, fazia numa carreira só. Parecia que eu estava disputando uma corrida de 100 metros rasos.



Nessa época, há mais ou menos vinte anos, ele já fazia sucesso e praticamente monopolizava o primeiro lugar nas paradas de sucesso das rádios. Nessa época também, ele lançou um vídeo clipe que eu considero revolucionário por não ser mais só fumaças de gelo seco com luzes coloridas piscando alucinadamente e algumas cenas no meio da rua. No entanto, eu era criança e também fiquei impressionado e com medo daqueles monstros saindo das tumbas e dançando com ele no meio da rua. Claro que agora que não sou mais criança, entendo que nada daquilo era verdade e se eu choro quando vejo ET hoje é porque eu fico com dó do menino Eliot por ele se separar do amigo.



Mas, voltando ao vídeo, falo do astro pop-rock Michael Jackson e do clipe de ‘Thriller’. A princípio esse clipe me marcou, como já disse, pelo medo que os monstros me puseram, depois, com um pouco mais de amadurecimento, que eu vi o quanto que ele era bom naquilo que ele fazia. As músicas, os clipes, em suma, o sucesso era mesmo merecido. Ele era o melhor. Eu ouso em conceder a ele o título de rei dos anos 80. Não só o ‘Thriller’, mas ‘Billie Jean’, ‘I’m bad’, ‘Say say say’ que ele canta com Paul McCartney, ‘Don’t stop til get enough’ entre tantos outros sucessos. Não vou botar a discografia dele aqui por que não tem espaço.



O último grande trabalho, opinião pessoal, feita por Michael Jackson foi o ‘Dangerous’, aquele que ele diz que tanto faz ser ‘Black or White’. Essa música talvez exprima uma desculpa pelo fato de ele estar completamente branco devido ao intenso – mesmo se não for, pela cor que ele apresenta parece ser intenso – tratamento de combate ao vitiligo, doença que dispigmenta a pele.



As sucessivas e inúmeras transformações pela qual a figura dele atravessou, o descaracterizou completamente. Creio que nem uma pessoa que passa por uma operação de mudança de sexo tem sua figura humana tão descaracterizada quanto ele. Isso configura numa doença grave. O fato dele não se gostar plasticamente e querer se reformular constantemente não tem outra explicação se não uma doença. E muito grave. A cara dele mais parece a de um habitante do Planeta dos Macacos. Sabe aquele ditado que diz que a emenda ficou pior que o soneto, então, ele, de tanta emenda mudou o soneto por completo.



Agora ele foi preso e algemado em Santa Bárbara, na Califórnia sob acusações não tão novas de ter abusado sexualmente de crianças. Pagou fiança, uma mixaria de três milhões de dólares pra responder o processo em liberdade. È um monstro não só pela aparência quanto por essas atrocidades.



Se eu tinha medo do que ele fazia quando eu era criança, agora tenho medo da figura dele e do que ele faz com as crianças. De monstro a monstro, Michael minguou.

quarta-feira, 19 de novembro de 2003

DESCULPAS ESFARRAPADAS



Minha culpa. Minha máxima culpa. Eu sei que nada é motivo para que eu me ausente de minhas postagens semanais e, por mais que ninguém leia esse blog, vou ficar com a consciência pesada durante um bom tempo pela falta que tive que cometer na semana passada.



Não são, mas, particularmente, a listagem que se segue soam como desculpas esfarrapadas pelo fato de eu não ter tido tempo hábil de colocar nenhum texto aqui para o deleite dos meus não leitores.



Tudo começou na quarta feira retrasada (5/11) quando decidi fazer a prova de reingresso ou aproveitamento de estudos para jornalismo na UERJ. Fui lá levar alguns documentos, mas ficaram faltando outros que levei na quinta feira. Na bibliografia constavam quatro livros para serem lidos, os quais corri atrás na sexta percorrendo os sebos da cidade sem êxito nenhum. Somente à noite procurei na biblioteca da UFF e encontrei dois, no entanto a biblioteca estava fechando e eu nada pude fazer. Estava desistindo de fazer a prova. Nesse mesmo dia, um pouco mais tarde, meu irmão chega com nossa nova máquina digital, dessa vez com muito mais recursos do que a que era a oficial até então.



No sábado viajei para Guaratinguetá (SP) devido à cerimônia de oficialização de noivado do meu primo Artur Otávio. Um belo motivo para testes com o ‘brinquedinho novo’. Voltei no domingo sem idéias do que eu iria postar e passei a noite tentando achar um meio de baixar as fotos da nova máquina. Domingo de madrugada (pra mim, domingo à noite) é quando os textos são elaborados para a postagem vinte e quatro horas depois e quando eu vi já era tarde - ou cedo, dependendo do ponto de vista.



Na segunda feira (10/11) minha mãe me acordou ao meio dia e me convenceu a fazer a tal prova. Passei à tarde na biblioteca da UFF lendo os dois livros que me restaram. Quanto à máquina, ainda era um mistério pra mim. Sem contar que eu estava finalizando um trabalho a parte.



Terça foi o dia da prova. Duas salas cheias para somente doze vagas no total, sendo que eu estava concorrendo a três. Dela fui a outro compromisso onde passei a tarde. Cheguei em casa e dormi pra acordar as nove e meia da noite e um pouco mais tarde sentar na frente do computador para o ritual de sempre (entrar em algumas páginas e checar mails), tentar descobrir o mistério da máquina e dar uma conferida no acabamento do trabalho. Confesso que até esbocei uma postagem nesse dia repassando mais um mail sobre signos que recebi da Marianinha, mas iria ficar grande demais e eu não estava com tempo e nem paciência pra formatá-lo.



Estava também ansioso, à espera de uma encomenda que tinha feito à Saraiva Mega Store e que ainda não havia chegado e na quarta feira escrevi um mail para a gráfica pedindo orçamento e tirando algumas dúvidas. Na quinta, a resposta veio como uma bomba. Teria que botar todas as fotos componentes do livro em uma única tonalidade acinzentada. Fiquei desesperado. O que me compensou foi a descoberta do mistério da máquina que se comporta como um driver removível, mas ainda tinha o desafio das cores, trabalho que acabei com muito esforço no domingo a noite.



Mas o pior ainda estava por vir. A gráfica me mandou um mail dizendo que eu tenho que levar o meu trabalho no máximo até quarta feira para ficar pronto ainda esse ano. O arquivo tem 100 megas de memória, o que não comporta num disquete. A solução é gravar em cd rom, mas eu não tenho gravador de cd e mandar por mail ou via icq pra alguém que tenha é inviável. Tenho urgência em descobrir uma maneira desse arquivo sair do meu computador e entrar em um cd para que tudo fique resolvido. Tudo correrá bem e eu não terei mais que me ausentar e dar desculpas esfarrapadas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2003

JORNALISMO E LITERATURA



Na foto, crianças estão ao lado da estátua de Carlos Drummond de Andrade que fica permanentemente exposta em um banco, no calçadão da praia de Copacabana. Sob a foto, a seguinte nota: “Estátuas Integradas: Fora de pedestais, monumentos ganham até carinho. Crianças que saíram de Magé para ver a estátua de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, aproveitam para abraçar e fazer carinho no poeta de bronze. Alguns monumentos ganham banho e outros, como a estátua de Zózimo Barroso do Amaral, no Leblon, servem de apoio para exercícios físicos. Cada vez mais cariocas interagem com as estátuas que passaram a ser instaladas nas calçadas. No dia 18, o Leme ganha a estátuas de Ary Barroso, como informa a coluna Gente Boa.” Essa foto e esses dizeres estão estampados na capa do jornal O Globo de domingo, dia 2 de novembro.



Tudo isso pra colocar em pauta um assunto no qual foi muito debatido durante o mês passado. A Academia Brasileira de Letras promoveu um encontro para discutir esse tema. Um não, vários. Quer dizer, na verdade, um a cada semana, o que resultou em quatro. Nomes consagrados da literatura e do jornalismo deram sua opinião sobre a matéria. Vários deles recordaram a publicação de Euclides da Cunha e seus ‘Sertões’ e se reportaram a antigas redações de jornais, citaram matutinos e vespertinos, contaram suas experiências nos dois ramos, entre outras coisas. Agora, resolvi deixar aqui a minha conclusão sobre três palestras que assisti.



Todo jornalista é necessariamente um escritor, mas nem todo escritor é necessariamente jornalista. Os jornalistas, esses que trabalham em redações, correndo atrás de notícias e as transferindo pro papel que a gente lê geralmente na manhã seguinte, são considerados escritores, pelo menos por mim, já que eles vivem diariamente em contato com as palavras e, queiram ou não, atuam em um tipo de literatura. Por mais que seja focada, datada e considerada descartável, ao menos está documentando, de alguma forma, acontecimentos cotidianos.



Há os que têm o poder e a sabedoria de juntar as duas correntes, geralmente fazendo do cotidiano, ou da própria notícia de jornal, fontes de abastecimento das suas colunas. Isso sem contar os romances que escrevem, casualmente verdadeiros best-sellers Como exemplo, cito Luís Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro e Carlos Heitor Cony.



Quanto à afirmação de que nem todo escritor é necessariamente jornalista, eu mesmo sou um exemplo. (Que pretensão a minha de colocar meu nome a altura de vários consagrados escritores.)

Agora, parando pra pensar mais profundamente, descobri que foi exatamente a divisão entre literatura e jornalismo que me fez afastar do meu desejo de ser mais um jornalista e me tornar um cientista social. Reza a lenda que o cientista social é um jornalista frustrado. Pode ser. Mas mesmo se eu fosse um jornalista, a literatura, na sua forma mais apresentada, iria falar alto do mesmo jeito e o fato de eu não poder ‘romantizar’ uma notícia de jornal, por exemplo, me tornaria um jornalista formado, mas infeliz. De qualquer forma, continuarei acompanhando palestra, cursos e seminários cujo jornalismo seja ou esteja em voga. E se a literatura acompanhar, ai sim me delicio com mais prazer.



Será que essas postagens que faço aqui são tratadas como literatura? Ou seria jornalismo um pouco velado? Tem dias que acho que é uma coisa, tem dias que acho que é outra e tem aqueles dias que não é nem uma coisa e nem outra, ou seja, é uma mistura de tudo e nada ao mesmo tempo. Uma mescla de jornalismo e literatura que tem uma mensagem, um emissor e receptores em comum com essas duas correntes.