segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

ÚLTIMA DO ANO



Ele está chegando. Já percebemos o cansaço e o desgaste de 2004 e ali, cheio de vitalidade e energia, doido pra assumir o comando, o ano de 2005. Faltam pouquíssimos dias. Ele só está esperando o momento certo para segurar as nossas pontas. E esse momento será festejado nos quatro cantos do mundo.



É estranho, apesar e saber que é a realidade, quando os telejornais do último dia do ano anunciam que em alguma parte do mundo, e geralmente começa na Austrália e depois corta pro Japão e Hong Kong, na China, o ano já começou e nós aqui, esperando, por mais que faltem algumas horas, as luzes e o pipocar dos fogos de Copacabana. (Claro que existem luzes e pipocar de fogos em várias partes do país, mas todas as atenções são voltadas para Copacabana. Desde quando o reveillon da beira do rio São Francisco é pauta do noticiário internacional? E existe queima de fogos às margens do rio São Francisco?)



E os planos? Foram renovados? Os meus não. Planejar dá muito trabalho e a possibilidade de que não se concretizem causa uma frustração muito grande posteriormente. Não faço mais planos por futuro. O melhor, e o que chega mais perto dessa tática, são as metas. Dá muito mais certo e o resultado é bem mais plausível. Um exemplo: plano, voltar ao peso de antes do casamento; meta emagrecer dois quilos. Se jogarmos isso numa equação matemática, podemos dizer que várias metas bem sucedidas é maior que um plano mal sucedido. Metas eu tenho algumas. A cumprir esse ano uma certamente. Quanto às outras, também serão cumpridas sem o compromisso de estarem todas prontas até o fim desse ano, porém, caso isso aconteça será muito bom. Por um lado. Por outro nem tanto. Teria que inventar outras metas para 2006. Tenho quase certeza absoluta que a primeira hipótese é a mais tangível.



Pois bem. Chegou a vez das novidades para o ano, que serão colocadas aqui nesse espaço. E a grande novidade é a mudança estratégica para esse ano. Explicarei melhor. Nos anos anteriores eu aproveitava o mês de janeiro para curtir uma folga, sempre postando textos inéditos, porém, previamente elaborados. Mas, dando uma olhada no calendário de 2005 – de tempos em tempos isso acontece e calhou de ser esse ano para meu desgosto – vê-se que a terça feira gorda cai no dia 8 de fevereiro. Portanto, vamos seguir na caminhada até a folia de momo. Como todo ano, na semana que anteceder o reinado do bonachão, destilarei meu veneno sobre os sambas que serão apresentados na Marquês de Sapucaí na tradicional coluna carnavalesca ‘Na palma da mão’. Até lá, a princípio, continuarei relatando as aventuras mineiras do último feriado de finados. Depois, outros comentários serão normalmente postados, como de hábito.



É. O ano está acabando e o espaço em branco dessa folha também. Eu não tenho mais nada pra dizer esse ano, além do desejo de que todos ou grande parte de seus anseios se realizem no ano que vai nascer. Sem mais, vamos à contagem regressiva:



10



9



8



7



6



5



4



3



2



1



FELIZ ANO NOVO

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

FINDO ANO



Dentro de mais alguns dias o fim do mês dará vez ao início do próximo ano. É mais um ciclo que se fecha. Dentro desse ciclo, passamos por altos e baixos, oscilamos entre ascensões e glórias e quedas e declínios, como normalmente acontece. Certamente alguns de nós passamos um maior tempo numa ou noutra categoria além da expectativa gerada. Mas, enfim, mais uma vez, o fim está próximo e o começo também. Hora de fazer o balanço, ponderar atos e atitudes, colocar na balança os prós e contras e ver os créditos e os débitos que possam ser corrigidos.



Isso tudo se der tempo. O ano passa tão rápido que quando a gente vê faltam poucos dias pro Natal e tem aquela lista de gente que a gente não pode esquecer de presentear ou mesmo de dar uma lembrançinha pra não passar em branco. Parece impressionante, mas todo mundo só lembra disso a dez dias do Natal Aí, é uma invasão a mercados populares e shopping centers como não se vê durante o ano.



A princípio, poder-se-ia fazer uma espécie de promoção para compras de Natal no mês de agosto, por exemplo, mas compras de Natal dependem mesmo é do mês de dezembro. Tudo pelo fato de não se pagar décimo terceiro salário em agosto. Pois geralmente é por causa desse pagamento que as pessoas saem correndo de casa e gastam-no nas compras. Faço questão de não mencionar a proliferação de amigos ocultos com o agravante de, dependendo do ambiente, se tirar a pessoa com que se tem menos contato ou a que você ‘se dá’ menos.



Eu fico imaginando as pessoas que se engalfinham na disputa pelo último produto da prateleira de uma loja lotada na antevéspera de natal, já no fim do dia, depois de rodarem todas as lojas onde se imaginava estar esse produto, como elas se utilizam do espírito natalino para obter tal produto.



No mais, é aquela coisa de sempre. Nem candidato pleiteando cargo em câmara parlamentar recebe tantos votos como os simples mortais em época de natal. È tanto voto que nem o TRE daria conta de apurá-los. Os que recebem mais pontos são o de paz em primeiro lugar, saúde e harmonia disputando o segundo e os outros como sucesso, dinheiro, amor logo atrás.



E a tradicional ceia de natal. Outra coisa imutável nessa época do ano. Peru, bacalhau, chester e outras iguarias que aumentam a culpa e as inscrições de verão nas academias de ginástica para que a forma seja retomada até o carnaval. Eu associei essa tradição e consequentemente imutabilidade ao ganho dos CD’s de escolas de samba. Há tempos é assim. Desde o fim dos anos oitenta, à época com vinis e a partir do ano de 95, quando o preço dos discos compactos ficou mais acessível à população e gradativamente os vinis foram sumindo do mercado, com as bolachinhas prateadas.



A única coisa da qual eu sinto pena, sem contar as conseqüências das mazelas sociais visto que isso não precisa ser necessariamente Natal para se ter pena, é do pobre do tal Papai Noel. Tenho uma teoria sobre isso que poderíamos discutir talvez no próximo Natal, caso eu venha a lembrar.



Agora vamos à parte que me cabe nesse latifúndio. Eu estou aqui para agradecer. Agradecer por ter passado mais um ano sem grandes avarias. Foi um ano regular, normal onde nada de surpreendente ou especialíssimo aconteceu. Como eu já disse, altos e baixos foram vividos, mas a linha mestra permaneceu sendo seguida durante a maior parte do ano.



Agradecer também, e principalmente, a você. Mais um ano que termina e você me aturou com a classe, elegância e paciência que é peculiar de vossa senhoria. E continuará com a classe, elegância e paciência para me aturar no ano vindouro. Um mais do que Feliz Natal e um beijo no seu grandioso coração.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

AVENTURAS MINEIRAS (3)



Não vou me ater a detalhes da conversa por dois motivos: o primeiro é que prolongará ainda mais o relato da viagem e o segundo é que passados pouco mais de um mês eu já esqueci. Enfim, fomos para o hotel dormir e na manhã seguinte tive o prazer e a felicidade de tomar café da manhã por duas vezes. Uma no próprio hotel, cujo preço da diária já incluía a refeição e logo depois, na casa da tia Isa, quando passamos por lá para pegar tia Dôra e nos despedir temporariamente dela, da Isinha e da Ana. Antes de pegarmos por definitivo a estrada, ainda passamos num pequeno centro comercial para falarmos com a Ângela, na loja dela.



A idéia era durante o itinerário, passar na casa do Fernando Antônio, caçula da tia Isa, em Conselheiro Lafaiete para seguirmos viagem, mas o destino não quis que fosse assim. Ao sairmos da cidade de Barbacena, já na estrada e depois de uma parada estratégica para o abastecimento do veículo, mais uns cinco minutos de estrada e um grandioso engarrafamento de parar o trânsito literalmente. Uma hora parado até que providenciaram um pequeno desvio, em ambos os sentidos, pelas laterais da estrada para passagens dos automotores. Um caminhão do tipo baioneta estava tombado e bloqueando a estrada devido a um acidente sofrido, ao que tudo indicava, por perda de direção.



A passagem por Conselheiro Lafaiete, a princípio seria somente uma passagem. No entanto, devido ao incidente, chegamos lá por volta da hora do almoço. Fernando Antônio e Maggie já estavam preocupados com o nosso atraso, visto que eles foram avisados que nós passaríamos rapidamente por lá. Depois de explicada a situação e de revelado o objetivo da nossa viagem, o convite para o almoço, educadamente recusado e por sua vez, recusado a recusa com a insistência, também educadamente, comemos uma iguaria que não era tipicamente mineira, mas era gostosa da mesma forma. A receita, quem quiser, me peça depois. É o macarrão mais fácil e rápido de ser feito.



Como diz minha mãe, barriga cheia, mão lavada e pé na estrada. A hora corria mais que a gente e de lá, após algumas informações confirmadas pelo Fernando Antônio, a melhor opção de estrada para chegarmos à cidade de Ponte Nova era a Estrada Real que liga Conselheiro Lafaiete a Ouro Preto e de lá a gente iria pegar um trecho de outra estrada para finalmente aportarmos em Ponte Nova.



A Estrada Real talvez seja a mais bem conservada de Minas Gerais. Pelo menos, das que a gente passou, era a que menos oscilações tinham na pista, e olha que em termos de oscilações em estradas o Fiat Uno 1.0 do tio Marcos dá um show de resistência que carros mais novos provavelmente não suportariam. A estrada tem uma paisagem boa, merecida de fotografias, e eventualmente aparecem construções do tempo em que a realeza mandava nessas terras. Acredito que por esses motivos históricos é a mais bem conservada de modo que não é recomendada a passagem de caminhões por ela, apesar de algumas visíveis desobediências.



Ouro Preto certamente e Mariana, se não me engano, foram vistas de sua área perimetral. O sol já estava baixo quando chegamos a Ponte Nova, mais adiante. A dúvida que pairou era se aproveitaríamos pó pique e o espírito incumbido em nós e tocaríamos direto para Santa Cruz do Escalvado, ou se deixássemos essa visita para o dia seguinte, quando estivéssemos mais relaxados. Prevaleceu a primeira opção. Santa Cruz do Escalvado, aí fomos nós. A única parada que fizemos foi na padaria para pedir informações de qual o caminho adequado. Muito solícito, um nativo nos indicou e guiou até certo ponto. Creio que não dava mais de quarenta quilômetros de distância entre as duas cidades, mas, para quem estava indo pela primeira vez, parecia que não iria chegar nunca, mesmo com as placas indicativas. Apreensivos, chegamos onde tudo começou.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

AVENTURAS MINEIRAS (2)



Ao esgotarmos todas as possibilidades, perguntamos para a bibliotecária se não haveria um lugar onde poderíamos ver certidões e documentos da época. Ela nos indicou a casa paroquial que ficava na mesma rua a poucos passos dali. Fomos até lá e o responsável nos disse que não iríamos encontrar nada ali e seria melhor nós irmos até o tal CDH (Centro de Documentação Histórica) da cidade que é bancado pela universidade. Ele nos indicou o caminho. Pegamos o carro e fomos. Acabamos nos perdendo. Era pra ir prum lado e a gente foi pra outro. Coisas de forasteiros de primeira viagem. Por sorte, acaso, conspiração do destino ou seja lá que nome se dá a isso, na rua em que entramos por engano, no lado oposto da cidade ao qual deveríamos ir, paramos para pedir informação e o sujeito que nos situou era amigo de um dos responsáveis do CDH.



Finalmente chegamos ao CDH. Isso devia ser por volta das duas e meia da tarde mais ou menos. Foi uma tarde proveitosa, pois quase toda a documentação estava cadastrada num sistema informatizado. Era só digitar o ‘Barão de Santa Fé’ no campo de busca que vinha a relação dos documentos. E num deles a gente descobriu o nome de um sujeito, cujo nome não me recordo agora, que casado em segundas núpcias com uma das filhas do nosso barão, era um tremendo picareta e deu, ou pelo menos tentou dar, um golpe do baú justamente na época da decadência do império e do domínio do café. O documento trazia um pedido de ação jurídica contra esse sujeito impetrada pelo barão, cobrando uma dívida. Mas a gente descobriu que era segundas núpcias lá mesmo, no CDH, confrontando documentos com os nomes envolvidos. Havia a certidão de casamento desse sujeito com a primeira esposa, e pelas datas dos documentos a dedução se fez fato concreto.



Saímos saltitando de felicidade do CDH com boas, vastas e polpudas informações que nos valeram muito, por volta das cinco da tarde rumando dessa vez para a cidade mineira de Barbacena, fazer uma breve visita à parentada de lá e pernoitar para pegar mais estrada no dia seguinte. Aí que entram minha mãe e minha tia Dora. Elas saíram de Niterói num ônibus extra das três e meia da tarde e nós marcamos de nos encontrar na casa da tia Isa, em Barbacena, no entanto, pouco depois de nós entrarmos na estrada que liga o Rio a Minas, a BR-040, tentamos fazer contato quando atravessamos um pedágio por nos emparelharmos com um ônibus da empresa que faz a ligação entre as duas cidades, mas o telefone celular não deu sinal. Resolvemos então parar para ir ao banheiro e comer algo, pois já era em torno de sete da noite e nós não comíamos desde o almoço, meio dia e pouco. Foi quando o contato foi estabelecido, descobrimos que estávamos perto e o ônibus iria fazer uma parada a poucos quilômetros de onde eu e meu tio tínhamos parado. Rapidamente entramos no carro e saímos estrada a fora. Em poucos minutos quem estava nos seguindo? O ônibus em que elas estavam. Toca meu celular. Minha mãe confirmando esse ato. Trocamos de posição deixando o ônibus passar na nossa frente para escoltá-lo até a parada, já que nós não sabíamos onde era exatamente a parada estratégica que o ônibus iria fazer.



Se tivéssemos combinado, não teríamos acertado em cheio. Minha mãe aproveitou para se juntar a nós, já tia Dora, alegando ser o banco do ônibus mais confortável pra ela preferiu seguir viagem sem se transferir para o carro até a rodoviária de Barbacena. O combinado, então, foi de pegá-la na rodoviária da cidade e irmos para a casa da tia Isa, antes passando num hotel para reservarmos um quarto para o pernoite, exceto tia Dôra que iria ficar de qualquer jeito na casa da tia Isa. (Para fins de dúvida, tia Isa é tia da tia Dôra, da minha mãe e do tio Marcos.) Sabe como é mesa de mineiro. Aquela fartura. E em torno dela os dois dedos longos de prosa em que se agarra.

terça-feira, 30 de novembro de 2004

AVENTURAS MINEIRAS (1)



Depois de São Paulo, agora é Minas que vai ficar na berlinda durante um bom tempo. Há cerca de um mês, exatamente no decorrer do prolongado feriado de finados, escapei da rotina explorando alguns cantos mineiros. No total, fomos em quatro. Eu, minha mãe, minha tia Dora e meu tio Marcos. Para início de conversa – mineiro adora ‘garrar’ na conversa – na terça-feira anterior, quando minha mãe acertava alguns detalhes da aventura com tio Marcos, cogitei a hipótese de acompanhá-los nessa empreitada. Por ele ser o motorista e o principal incentivador da viagem, teria que haver a suprema autorização dele que foi concedida principalmente pelo fato de ainda ter espaço no carro.



Na quinta-feira, saí de casa por volta das três e meia da tarde rumo à rodoviária do Rio para pegar o ônibus que sai diariamente para Campos do Jordão e que passa, sendo meu ponto final em Guaratinguetá. Cheguei lá procurando o guichê da empresa Três Amigos. Rodei durante alguns minutos até pedir informação para o guichê do lado – se não me engano era o da 1001 – e eles me dizerem que era na cabine da ‘Beltour’ que eu teria que ir. Incidente contornado, às cinco da tarde em ponto parte o ônibus que sai do itinerário apenas para fazer uma rápida passagem em Barra Mansa e depois retorna à estrada fazendo a tradicional parada de vinte minutos, ás sete e quinze, em Resende – o único lugar em que eu faço questão de comer no Mc Donald. O ônibus me deixou em Guará por volta de nove da noite. Foi o primeiro de seis dias de estrada.



O segundo começou cedo. Por volta das oito da manhã saímos, eu e meu tio, com destino a cidade de Vassouras em busca de elos perdidos. Elos de um passado distante, galhos perdidos da árvore genealógica que meu tio está empenhado e deixá-la frondosa para que a minha e gerações posteriores a mantenha e cultive periodicamente. Questão de registro mesmo. Chegamos lá por volta das onze e meia da manha procurando uma biblioteca municipal para acharmos escritos sobre os antepassados. Na mão, um nome, ou melhor, um título nobiliárquico: o ‘Barão de Santa Fé’.



A cidade é bem cuidada no que diz respeito à história dela que se confunde com a era cafeeira do país. A igreja com um grande campo na sua frente, a prefeitura municipal, lá chamado de paço, a câmara de vereadores e a antiga estação de trem, atual reitoria da Universidade Severino Sombra, a que impera na cidade. Algumas casas coloniais, onde nasceram os barões da região, têm placas afixadas em suas paredes dando indicações de quem era, o que fez e etc... Atrás da igreja estão plantadas dezesseis figueiras representando os barões de cape que dominavam aquela área.



Pela hora que a gente chegou lá na biblioteca da cidade, também conhecida como Casa da Cultura, também no perímetro da igreja, não era um horário apropriado já que a responsável pelo serviço bibliotecário tinha saído para cumprir seu horário de almoço. Foi o que nós fizemos também, aproveitando o hiato de tempo. Atravessamos a praça defronte a igreja e entramos num restaurante caseiro de comida a quilo que ficava no porão de um daqueles casarões antigos. Eu disse porão mesmo, com paredes grossas e de pedras e as taboas do assoalho rangendo a cada passo que davam sobre nossas cabeças. Bastante interessante.



Pois bem, voltamos para a casa da cultura, agora com a responsável em seu devido posto. Tio Marcos explicou a ela a situação de nossa aparição pela cidade e perguntou se lá havia livros que faziam referências aos barões, em específico o de ‘Santa Fé’. Ela, muito solícita, nos ajudou trazendo alguns livros que, se não continham a informação, ao menos, os caminhos eram explicitados. Como o tio Marcos sabia o que procurava e eu estava lá meio que de bicão, procurava nos livros referências sobre os nomes que nos interessava e deixava aberto na página para dar menos trabalho a ele.

terça-feira, 23 de novembro de 2004

MINHA TERRA



Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, tamarindeiras onde canta o bem-te-vi, mangueiras onde cantam as andorinhas e vastos tipos de árvores onde diversas aves entoam seus cantos. Minha terra, rica e feliz, onde se plantando tudo se colhe, é quatrocentona há trinta e um anos, mas tem a jovialidade de uma dama com duzentas primaveras completadas. Nós, filhos dessa mãe gentil, somos tão, ou talvez mais abençoados que nossos irmãos e outras regiões do país. Somos conservadores nas nossas liberalidades. Apreciamos as curvas sinuosas da vizinha e não deixamos a desejar nas nossas. A água que nos banha tem uma capacidade enorme de nos refrescar e de quebra nos proporciona pontos de vista intrigantes e instigantes.

Minha terra é provinciana e bastante acolhedora. Quem te conhece não esquece jamais. Se não suas belezas, ao menos sua gente. Somos metropolitanos do interior onde adquirimos características e hábitos, bons e ruins, das duas vertentes. Quando nascemos, anjos, desses que tocam trombetas e vivem nas nuvens, às vezes os safados e chatos de uns querubins, nos disseram, pra sorte nossa que estávamos predestinados a nascer nessa terra, na minha terra.

Nossa marca, arquitetada pelo Oscar Niemeyer, atravessa as fronteiras do território nacional e é estampada nos quatro cantos do mundo. Quanto a isso ressaltam a construção de Brasília, o memorial da América Latina na região da Barra Funda em São Paulo. Não estou reduzindo a importância e beleza das construções projetadas pelo mestre da arquitetura em nenhum ponto do Brasil ou do mundo, mas minha terra foi a escolhida por ele, prometida com um caminho, que está sendo elaborado, onde suas criações pudessem ser apreciadas por todos, e nós, além de agraciados somos privilegiados. Uns escolheram o Oscar; o Niemeyer nos escolheu.

Nossa estampa, o sorriso. A cidade sorriso está prestes a completar sua arcada. O trigésimo segundo dente começa a nascer a partir de hoje. O orgulho de exibir incisivos, caninos e molares ganha o reforço do último dente siso, conhecido também como o do juízo, que já mostramos ter antes mesmo deste demonstrar seu gérmen. Algumas cáries, placas bacterianas e manchas, como nas grandes cidades, graças ao excesso de recomendações da própria população, foram cuidadas através da profilaxia bucal, e a clareza, o brilho e a brancura do sorriso se tornaram ofuscante.

O precursor da nossa felicidade foi um índio descido de uma estrela colorida e brilhante que lutou bravamente com unhas e dentes, sobretudo os dentes, para defender esse pedaço de chão que coube como parte do latifúndio da sua tribo. Araribóia deixou marcas até hoje cultivadas e cultuadas por nós, seus descendentes e afins. Uma delas, a paria de Itacoatiara tem o mais belo, singelo e generoso e naturalmente integralizado pôr-do-sol observado por seus freqüentadores. No entanto outras praias têm suas abundâncias em particular. Itaipu abunda, além da sua natureza, em espécies de peixes e frutos do mar. Piratininga abunda nos surfistas amadores e principiantes que temem o mar bravio e revolto quando o tempo o deixa de mau humor. Jurujuba abunda na colônia de pescadores sacrificada pelos sucessivos despejos de dejetos que dá a baía de Guanabara uma consistência mais suja e pastosa. Icaraí abunda na jovialidade dos freqüentadores do seu calçadão, fazendo todos os tipos de exercícios direcionados a todas as idades a qualquer hora do dia, transformando a praia numa verdadeira academia a céu aberto. Às vezes comparada com Copacabana e sem muito a ver uma com a outra, talvez apenas pelo estilo de vida dos moradores do bairro, Icaraí é centrada e concisa sanidade em relação à turbulenta vida da princesa do mar.

Minha terra tem é muito fôlego para soprar as 431 velas do bolo do seu aniversário e disposição para continuar sorridente por longos anos. Parabéns Niterói.

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

SUSTOS



Interrompendo um pouco o percurso natural que eu queria dar a esse espaço, agora nós temos que parar e respirar um pouco. A semana que passou foi cheia de sustos.



Sabe aquela piada o gato que subiu no telhado? Pois bem, o que tem de gato miando sobre as nossas cabeças não está no gibi. (Gostaria de saber de onde vem essa expressão.) Celebridades da música, televisão e política estamparam seus nomes não nas colunas sociais, mas nas páginas que diziam respeito, principalmente, à saúde. No entanto um desses sustos, que não foi tão assustador pode dar outras vertentes a um assunto de interesse mundial, mas esse a gente discute mais pro final.



Não os listarei em ordem cronológica. Vamos a eles. O primeiro susto foi com o cantor e compositor Paulinho da Viola. Baixou no hospital por estar passando mal, no entanto não foi nada de muito grave, já que os noticiários não se ativeram em demasiado sobre essa notícia.



Outro que sofreu o baque foi o grande ator Jorge Dória. Acometido de uma arritmia cardíaca, - na verdade não estou me lembrando se foi ele ou o Paulinho que teve esse problema, mas, pelo quadro apresentado, estou apostando nele – foi internado às pressas tendo que passar uma temporada na unidade de terapia intensiva para ficar em observação constante devido ao prontuário apresentado. Com coração não se brinca, e a idade avançada, apesar de não aparentar, dependendo do caso, pode ser um agravante da situação. Não estou afirmando que esse seria o caso dele e espero que ele se saia bem dessa para continuar nos divertindo.



Susto mais grave teve o apresentador Carlos Massa, o Ratinho. Ele estava no banco do carona de seu caro blindado acompanhado de seu motorista e mais dois amigos no banco de trás do carro, na rodovia Régis Bitencourt, a famosa rodovia da morte, que liga São Paulo a Curitiba, quando, de acordo com a perícia divulgada, óleo na pista fez com que um caminhão perdesse o controle e atingisse a lateral do carro do Ratinho. O impacto foi tão forte que o motorista e amigo dele, conhecido como João, não teve como escapar. Isso por que o carro era blindado, se não fosse, as conseqüências seriam mais drásticas.



Agora sim, vamos ao assunto do momento. Visto que o seu estado de saúde já indicava a proximidade do fim de sua vida, num hospital francês onde estava internado, morreu Yasser Arafat, líder e chefe da Organização para Libertação da Palestina. Uma pessoa que sempre dizia que carregava um ramo de oliveira em uma mão e uma arma na outra, amados por uns, odiado por outros e respeitados por todos, deixa por enquanto um vazio no seu cargo de liderança.



Figura constante nas negociações de paz entre árabes e judeus, ganhador, creio eu, do premio Nobel da paz juntamente com o primeiro ministro israelense Ytzak Rabin (perdoem-me os judeus quanto à grafia dos nomes, mas eu não sei mesmo).



Quanto a essa guerra entre árabes e judeus, está mais do que comprovado que toda essa confusão começou depois da segunda guerra mundial quando os judeus dizimados, sobretudo, pela Alemanha nazista passaram a habitar com o aval dos ingleses e americanos, comovidos com a situação daquele povo, a mesma terra em que os muçulmanos estavam. De lá pra cá apenas se intensificou o acirramento entre os dois povos. A solução para isso também é simples. Do mesmo jeito que os islâmicos têm que ir a Meca uma vez na vida, árabes e judeus deveriam vir uma vez ao Rio e passear pelo SAARA, onde a convivência entre os dois povos e de uma cordialidade infinita.



Passados os sustos, a vida continua e as postagens também. Só espero que a ninhada de gatos não subam de uma vez no telhado como agora.

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

SINAL DE ALERTA



Durante o último feriado de finados estive viajando. Essas peripécias serão relatadas aqui numa espécie de diário de bordo após a próxima postagem. Uma das minhas agonias quando ponho o pé na estrada é a falta de informação. Falta nem é a palavra que cabe nesse momento, mas o longo hiato que se forma, por motivos óbvios, entre a alvorada e o crepúsculo sem ter acesso a nenhum tipo de informação sobre os fatos que ocorreram no mundo naquelas horas é, no mínimo, agonizante. Apenas os portos seguros nos proporcionavam certa atualização assim mesmo quando o cansaço não nos vencia.



No entanto, duas notícias que eu considerava as mais importantes, uma ainda durante a viagem e a outra já ao chegar em minha casa. A primeira se referiu às eleições municipais. Meu interesse se ateve ao pleito paulistano e aos da região metropolitana do Rio, Niterói inclusive. (Percebe-se por essa informação que eu não votei no segundo turno e a justificativa se deu em um lugar muito especial, o qual citarei em seu tempo.) Em São Paulo a Marta perdeu do Serra; em Niterói, Godofredo ganhou disparado sobre o golpe dado pelo Garotinho que fez o Moreira Franco renunciar a sua candidatura do segundo turno fazendo João Sampaio competir apoiado pelo próprio Moreira e consequentemente pelo Garotinho que sonda a presidência do PDT. Não foi só aqui que ele perdeu. O índice de rejeição dele e da governadora cresce vertiginosamente a cada dia. Claramente isso foi notório nos pleitos disputados no grande Rio.



A segunda notícia e a pior de todas foi a reeleição do George W. Bush nos Estados Unidos. De acordo com as minhas expectativas, apesar de estar torcendo contra, sabia que ele iria ganhar. O povo americano, além de ser conservador e escutar do presidente durante a campanha a ênfase nos valores morais, estava coagido e acuado pelo medo, principalmente em se tratando do terrorismo. E o melhor no combate ao terrorismo seria um novato ou um experiente no assunto? Mais uma vez o umbigo teve voz e o egocentrismo saiu vitorioso.



Há um ditado popular que diz que ‘errar é humano, mas e insistir no erro é burrice’. Eu, e acredito que grande parte do mundo, acho que o povo americano cometeu a maior burrice do século vinte um. Por que agora, a atenção que teremos de ter com ele terá que ser redobrada. Como exemplo, a primeira atitude que teve depois de reeleito foi uma ofensiva militar na cidade de Falujah, no Iraque, onde o foco de resistência à invasão americana continua. E por mais que as eleições estejam marcadas para janeiro, seus resultados, pelo que tudo indica, não irão de encontro ao que querem os americanos.



Durante os próximos quatro anos, novamente as relações externas dos Estados Unidos serão o foco do noticiário internacional, e nós, reles cidadãos do mundo, teremos que estar sempre em sinal de alerta. De George Bush, espera-se qualquer coisa. Não duvidarei, por exemplo, se ele quiser invadir outro país como a Coréia do Norte ou o Irã, que ele já declarou como partes do eixo do mal. Se os americanos acham que se sentem mais seguros com ele na presidência, o resto do mundo, tirando a Inglaterra que é pau mandado, se sente mais inseguro com a direção do mundo nas mãos desse caipira texano.



Para quem não assistiu, aqui vai uma dica. Michael Moore, que garantiu seu emprego por mais quatro anos de principal crítico ferrenho de Bush, em seu último documentário exibido ‘Fahrenheit 11/9’, mostra todas as artimanhas e engrenagens que existem nos bastidores do poder americano desde as eleições do primeiro mandato até a guerra do Iraque. Vale a pena conferir.



Finalizando, uma dúvida que não quer calar apesar de quieta. Cadê o Osama?

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

APELO NATALINO



Eu poderia estar roubando. Eu poderia estar matando. Mas não. Eu estou apenas pedindo. Sei que mal entramos no mês de novembro e a princípio ainda é cedo para fazer esse tipo de pedido, porém engana-se. Num piscar de olhos já é Natal. Por isso estou pedindo encarecidamente para que colabore com a minha ceia de Natal. Farofa é fácil de ser feita, arroz também, salada, então, nem se fala. Confesso desde já que o meu problema será o famoso peru.



Tenho noção que a vida não está mole para ninguém e é justamente por esse fato que eu estou aqui, novamente ocupando o seu tempo e enchendo a sua paciência para que, com a sua voluntária, ou seja, não-obrigatória, porém altamente bem vinda contribuição eu consiga endurecer o meu peru (de Natal).



A proposta que vos faço é a mais simples e menos trabalhosa possível. Em época natalina a proliferação de amigos ocultos se dá em progressão geométrica. E pode ter certeza de que você nunca sabe qual é o presente, ou a lembrança que agrada a pessoa cujo nome está escrito naquele mínimo pedaço de papel dobrado de todas as formas possíveis e imagináveis (às vezes até inimagináveis). Pois para isso eu tenho a solução para os seus problemas sem mesmo fazer parte do conselho deliberativo das ‘Organizações Tabajara’.



No entanto, vamos supor que por uma felicidade do destino, você não participe esse ano de um amigo oculto. Minha proposta também abrange as pessoas militantes do SAO (Sem Amigo Oculto) e que têm que fazer um agrado a alguém, seja o chefe, a sogra, o cunhado chato, enfim, uma variedade de indivíduos que te cobram pelo resto do ano se não receberem uma lembrança de você.



Natal também significa época de shoppings lotados, lojas cheias onde mal se anda e quando se consegue dar um passo obrigatoriamente se esbarra em desconhecidos. Sem falar no produto o qual é de seu grado ou está esgotado ou está na mão de um ser que chegou cinco minutos antes de você e o adquiriu.



Aqui comigo há um livro. (Claro, o que eu lancei esse ano ‘Morte não é meu forte’) Livro esse que, se der sorte, encontra nas livrarias na faixa dos R$ 25. No entanto, para que o meu peru (de Natal) seja rijo, robusto, altivo e imponente na minha ceia de natal, teremos uma promoção que irá morrer de véspera, ou seja, no dia 24 de dezembro. A saber:



1 exemplar ao preço de R$ 20

2 exemplares ao preço de R$ 30, saindo cada exemplar a R$ 15

3 exemplares ao preço de R$ 40, com cada exemplar custando R$ 13,33

4 exemplares ao preço de R$ 50, nesse caso a R$ 12,50 cada



Essa promoção faz a alegria dos bons leitores.



Para que o meu peru (de Natal) encontre o forno que bem o aqueça, além dos exemplares em quantidades estabelecidas ao seu critério, serão inteiramente gratuitos três – não é apenas um nem tão somente o par, mas três - marcadores de livros por exemplar adquirido. Todos nós sairemos ganhando. Você se diverte com essa história sensacional em que você também é uma vítima ao morrer de rir e eu fico feliz com a nobre e frondosa ave sobre a mesa da minha ceia natalina.



Trocando em miúdos sem fazer alarde, a sua contribuição com a aquisição dos exemplares do meu livro nada mais é do que o fortalecimento, podemos até dizer o viagra, do meu Natal e, consequentemente, do meu peru.

segunda-feira, 25 de outubro de 2004

(Parte 4)



Não, minha senhora, filmes como eu sonho em ver um dia “não dão Ibope, nem rendem bilheteria”! Vide O rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas. Quem foi ver esse filme há 10 reais no cinema? A senhora foi? E sua filha?



Aliás, por falar nisso, não queira dizer às pessoas que filmes como o de Cazuza denigrem a imagem de nosso país, pois se assim fosse Elvis seria odiado nos Estados Unidos. O que “denigre nossa imagem” é o fato de que existem crianças fora das escolas e escolas abandonadas, 35 milhões de miseráveis, hospitais caindo aos pedaços, analfabetos, pessoas passando fome, nossas riquezas nas mãos dos estrangeiros, o comando delta e por aí vai. Esse é o tipo de retórica que odeio, dizer que um cantor vítima da AIDS e de seus próprios excessos seja um fator determinante para o nosso país não ser levado a sério...



Precisamos pôr na cabeça dessa turma da película que não é enganando o cidadão que se conseguirá fazê-lo participar das discussões. Essa discussão em torno de Cazuza é muito mais séria que se imagina. Tanto que somente um trecho da carta da mãe me deixou realmente preocupado:



Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro, ao admitir que ele trouxe drogas da Inglaterra, e quantas festinhas regadas a essas drogas ele promoveu? Um verdadeiro criminoso! Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não.



Até aí, nada demais a não ser por um detalhe: como pode esta ilustre senhora colocar no mesmo patamar Cazuza e Beira-Mar? Pode! Pois ela, assim como uma boa parte de nossa população, é mais uma dessas pessoas que não está por dentro dos fatos, uma vez que não tem acesso às informações, ou prefere apenas se deixar convencer com personagens fictícios da televisão. Essa visão estreita acaba jogando o foco principal da discussão para outro lugar e assim o verdadeiro elemento permanece impune.



Eu não quero acreditar que comércio de baseado e farinha é o suficiente para se ter uma dúzia de bazucas russas, uma centenas de fuzis e milhares de “profissionais liberais” do tráfico, tais como aviões e outros. Isso é impossível! Se alguém conseguir me provar isso, hoje mesmo vou ao morro do Amor e me alisto no Movimento, pois sei que se fizer um bom papel serei um Barão do Pó...



Um conselho eu dou a essa senhora: procure se informar melhor sobre o narcotráfico, pois assim não se deixará iludir por bravatas vindas de Siros Darlans da vida... O próprio Beira-Mar admitiu que “tem muita gente grande envolvida”, deixando claro que “grande” mesmo não é ele. E é isso mesmo. Os “grandes” não trocam tiros com PMs; assistem as Olimpíadas em uma telão de cristal líquido 40 polegadas, com uma garrafa de Chivas do lado, numa mansão paradisíaca em Bariloche...



Outra coisa: Cazuza “trouxe drogas da Inglaterra” para vender ou distribuir gratuitamente em suas festas? Que eu saiba, a palavra tráfico significa comércio ilegal e eu não creio que o elemento vendia pó aos seus parceiros. Isso eu gostaria de ser melhor esclarecido. Esse esclarecimento é muito importante, pois não devemos atribuir a alguém que não pode se defender algo que ele não foi. É através da verificação das informações que podemos formular opiniões. Ser viciado é uma coisa, ser traficante é outra. Mas como é mais fácil jogar nele todos os pecados do mundo, um pecado a mais ou a menos não faz muita diferença, não é mesmo?



E por fim:



Como no comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor. Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi conseqüência da educação errônea a que foi submetido. Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissessem NÃO quando necessário?

Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor. Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é educar, é a base! Não se preocupem em ser amigo de seus filhos. Eduque-o e mais tarde ele verá que você foi a pessoa que mais o amou. Que você foi, é e sempre será o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre.



Tomar o comercial da Fiat como exemplo é ótimo, mas tudo bem... Valeu a intenção, pois é verdade que os conceitos precisam ser melhor dispostos não apenas para nossos filhos, mas para nós mesmos. As perguntas que realmente devemos fazer são:

· Estou sendo um bom pai para meu filho?

· Estou sendo franco com ele, sem apelar para a pieguice das telinhas?

· Será que bravatas de juízes, intelectualóides e canetas de aluguel são a solução?

· O que meu filho tem ou faz para se divertir?

· Ele bebe muito ou não sabe beber? Ele fuma muito ou não sabe fumar? Enfim, ele faz tudo demais ou não sabe fazer coisa alguma?

· É possível que ele venha a ser igual ao cara que ele viu na telinha ou no telão? Será que ele tem personalidade para se dissociar do que é real e o que não é?

· Enfim, será que conheço bem o filho que eu tenho em casa?

· E o mais importante: será que eu, que tenho mais idade que meu filho, sei o que é certo e o que é errado?



Como finalizou a mãe aflita, “Pensem nisso !!!”

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

(Parte 3)

Vou mais longe: partir do pressuposto de que seu filho vai se tornar homossexual, se drogar, participar de bacanais e escrever “Faz parte do meu show” porque viu o filme do Cazuza é o mesmo que afirmar que quem assistiu Homem Aranha vai tentar ser picado por uma aranha para não só ganhar superpoderes como também para arrebatar uma ruiva gostosa qualquer... Esse é o tipo de pré-conceito que deve ser eliminado. É como se você não confiasse definitivamente na personalidade de seu filho e se esse for o caso acorrente-o, amordaçe-o e ligue para a polícia ou para a Colônia Juliano Moreira...



E mais: esse tipo de visão é mais comodista que propriamente esclarecedora. É mais fácil dizer “não beba, o álcool faz mal à saúde!” que dizer “meu filho, você está bebendo? Então peraí, aê mulher, traz café e broas pra mim e pro Argemiro! Beleza, valeu! Filho é o seguinte...” e aí o pai diz ao filho o que ele precisa ouvir e não ficar repetindo o que o filho está cansado de ouvir... Enquanto isso não ocorrer, os jovens realmente continuarão pensando em “liberdade, fama, sucesso”... Mas alto lá: esses jovens terão punição sim! Principalmente se forem filhos da classe média pra baixo...



Numa coisa eu concordo: se pelo menos se “copiasse” a atitude que Tim Maia e Lobão tinham em relação ao jabá, duvido que o lixo cultural vigente sobrevivesse por tanto tempo. Esse é o tipo de “transgressão” que todos, inclusive a autora do texto, deveriam copiar, boicotando programas dominicais e shows de lixo-music, além de não ir a uma loja de CDs e se abastecer dessas bobagens. Quanto ao fato de Tim ter morrido como morreu, bem aí já é uma outra questão. Pois se pegarmos a questão por esse lado, não se deveria prestar tributos a um bêbado esfarrapado que pôs a Inconfidência Mineira a perder e nem mesmo associá-lo a Jesus, pintando-o com cabelos longos e cara de quem carregou os pecados do Brasil...; não se deveria ter eleito um usuário de cocaína para o cargo de Presidente da República; e assim por diante.



Vamos lá:



Meu Deus, a que ponto chegamos! Será que não estamos exagerando? Será que não está na hora de crescer, de melhorar, de mostrar pros nossos filhos e lá fora, que nós temos coisas e pessoas infinitamente melhores pra cultuar e pra mostrar do nosso país!!!

Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada? Será que ser correto não dá ibope, não rende bilheteria?

Será que não deveríamos exigir mais qualidade? Será que não deveríamos boicotar esses filmes que só dão maus exemplos e denigrem a imagem do nosso país?



Chego ao ponto que julgo mais polêmico do ensaio. Eu disse que a faceta da autora da carta estava se desenhando. É que quando li esse texto da primeira vez tive uma impressão. Uma sensação de deja vù.



Não faz muito tempo: li uma carta em O Globo onde a autora se dizia “pasma” com o fato de que “ninguém mais queria ser marceneiro, pintor de paredes, serralheiro, carpinteiro, servente, padeiro e outras profissões de importância e relevância” e que todo mundo queria ser doutor! E era exatamente com essa frase que a criatura começava “Meu Deus, a que ponto chegamos!”



Ficou claro para mim que se tratava duma daquelas pessoas extremamente conservadoras, que não aceitam que alguém possa almejar algo a mais pelo simples fato de que veio de camadas menos privilegiadas. Entrei no site do Globo e escrevi o seguinte: “Em relação à carta de blábláblá, apenas duas perguntas: qual a sua profissão? Será que a senhora batalhará para que seu filho siga o exemplo de seu marido e seja um ladrilheiro (sem ser o do Maracanã...)?” Logicamente, minha carta não foi publicada...



Tracei um paralelo entre a mãe aflita e a mulher do ladrilheiro e pensei no seguinte: coincidência?



Não! Pois esse “rompante de indignação” é próprio de quem está habituado a ver o mundo com uma visão extremamente “não é comigo, então foda-se!” Não seria mais interessante acabar com esse simplismo cínico e encarar a questão de frente? Pois bastou que a filha dessa senhora fosse ver o tal filme para que a indignação chega-se ao seu extremo. E quanto ao fato de que essa ida ao cinema poderia ter sido evitada? Por que não chamar a filha e dizer o que esse sujeito chamado Agenor de Araújo, vulgo Cazuza, foi e fazer com que ela pensasse bem se gastava 10 reais para ver-lhe a história? Vocês verão no fim do ensaio que essa senhora já tinha lido o livro de Lucinha Araújo sobre seu filho, o que lhe dava argumentos de sobra para em sua visão impedir que a filha “use drogas, participe de bacanais e beba até cair”...



Temos muitos exemplos de pessoas que fizeram história em nosso país, não obstante ninguém faz filmes sobre essas pessoas a menos que haja algo que se possa subverter, como foi o caso de A Guerra de Canudos, que mostra um Beato Salú travestido de Antônio Conselheiro (ainda que José Wilker tenha sido perfeito...). Retratar Conselheiro como um Gentileza às avessas é fácil para que se tenha motivos para rir dele, ou melhor, para que se desvie o foco principal em torno do que ele fez e deixou de exemplo para nosso país. Por isso, não quero que façam o mesmo com Zumbi, Chico Mendes, João Cândido e outros menos cotados.

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

(Parte 2)

Esse é um ponto interessante. Todos sabemos que Agenor era um filho da burguesia. Mas quantos filhos de classe média vivem nessas condições de extrema “vagabundagem”? Não quero com isso defender os burgueses, mas existe uma fatia da classe menos abastada que vive como um burguês... ou pelo menos acha que vive. Conheço relatos de pessoas que afirmam que no Espigão do Méier o que mais tem é carro do ano zerado saindo da garagem, que mais parece o estacionamento do Barrashopping... Mas que 70% da galera está devendo condomínio! Como é que pode? Pode. Pois esse é o modelo vigente, o que diz que “não basta ser, é preciso parecer ser”, uma sentença que é a preferida dos capitalistas, em especial os que ocupam cargo que lhes confere poder. E status é sinônimo de um certo “algo mais”. E é isso que esses pais deixam de exemplo para seus filhos, não é muito diferente do que fizeram João e Lucinha Araújo, como afirma a mãe aflita (se bem que não sei se eles atrasam condomínio... Quem é rico paga condomínio? Com a palavra, Raphael Juju!).



Aliás, cuidado com esse tipo de conclusão. Será que realmente o pai e a mãe foram tão omissos assim? Será que não existe nada por trás dessa “omissão”? Eu conheço pais extremamente liberais que no entanto em se tratando de temas polêmicos são extremamente “caretas”. E aí?



Pois é assim que eu vejo essa classe extremamente degradante chamada classe média. Ela dita o ritmo por ser maioria dentro das decisões. Assim como a autora da carta. Mas alto lá, isso não quer dizer que compactuo com essa maioria, até porque sou vítima em potencial dessa maioria. Graças aos meus coleguinhas médios, não posso mais chegar em casa às 4 da matina sem ter medo de ser assaltado, baleado ou na pior das hipóteses parar numa blitz. São esses indivíduos que vão pra rua vestidos de branco gritar na Rio Branco por pessoas executadas no Novo Leblon... Esses filhos não podem ser maculados. Morei por 20 anos na Rua Hermengarda e jamais vi um piquete que fosse!!! (nem mesmo topográfico, Cardinho, você, Célio e seu pai podem explicar isso?!?) E olha que já vi cada cena... Mataram um malandro a tiros quase em frente à minha casa. Procurei saber se havia algum representante de ONG por ali. Não havia ninguém, além duma solitária vela posta no capô do carro...

En avant:



Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.

Fiquei preocupada também, porque sabemos que aqui no Brasil, os malandros, os transgressores são admirados e copiados!!! Os jovens querem ter liberdade, fama, sucesso, querem transgredir e se sentem o máximo por isso. E ainda não ter punição !



Há de se tomar cuidado com esses tipos de afirmação. Será que o filme quis passar o que ela afirma? Muitas vezes, a juventude copia um modelo como o descrito acima mais por “modinha” (besta, por sinal) que por faltar-lhes a noção de certo e errado. A prova disso é que todo mundo fez questão de dar a sua filhinha de 7 anos o shortinho da Carla Perez, enquanto esta “botava a mão no joelho e dava uma abaixadinha”. Será que nêgo pensou na gravidade desta questão? Não pensou! Ao contrário, havia “justificativas plausíveis” na cabeça dessa gente que deveriam ter sido temas de novela: “A maldade está na cabeça das pessoas”, “O tchan é inofensivo”, etc. Mas se seguirmos a mesma linha de raciocínio da mãe preocupada (cuja faceta está se desenhando em minha mente e eu falarei sobre isso também) veremos que tão nociva quanto a influência de Cazuza é a da galera da pornô-music, pois se o modelo “exagerado” de viver leva a uma auto-destruição em massa, o modelo “a baiana desce, havaiana sobe” (é isso ou o contrário “havaiana desce, a baiana sobe”? Questão de vestibular no futuro, podem anotar isso...) pode levar também a um aumento considerável de casos de pedofilia e outros estupros “menos aberrantes”. Ponham na balança: o que pesa mais? Eu digo: ambos!



Isso é uma realidade e os pais não podem simplesmente achar que não. Os pais devem dialogar com os filhos, mas no sentido de se trazer a discussão à baila e não com o discurso na ponta da língua do tipo “meu filho, isso é muito feio, não faça isso, faça aquilo!” Devemos nos lembrar que as crianças não são mais tão crianças assim, as coisas têm ocorrido para elas de forma precoce. Mundo de fantasia e criação em redoma de vidro tendem a piorar a situação quando estas crianças se tornarem jovens e posteriormente adultos. Discursos como esses são simplistas e tiram o foco da discussão.

segunda-feira, 4 de outubro de 2004

(Parte 1)

SOCIEDADE, VIVA CAZUZA?





Vida louca vida, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve



Esse refrão, escrito por Lobão nos anos 80, parece ter sido feito sob medida para o elemento central de meu primeiro ensaio oficial. Não à toa, o próprio gravou essa canção em seu show “O tempo não pára”, um show memorável que trazia um elemento já muito carcomido pela fatal e bestial AIDS.



É assim que abro esse texto sobre Agenor Araújo. Com uma frase emblemática. Tão emblemático quanto o nome Cazuza.



Eu já estava querendo escrever algo sobre o elemento em questão. Mas foi um texto de nosso querido Rafaello Barcelos, futuro imortal, que me fez pensar muito sobre o assunto. E o interessante é que ontem conversando com um amigo de meu irmão Alex Oluchi parecia até que a coisa conspirava e dizia “escreva sobre o assunto, escreva!”... E aqui estou eu.

Mas retornando a Rafaello... O texto que o niteroiense me mandou era um desabafo duma mãe que foi assistir o filme sobre Cazuza. Transcreverei o texto em partes para melhor analisá-lo.



Relato de uma mãe preocupada:



Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora. As pessoas estão cultivando ídolos errados. Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza? Concordo que suas letras são muito tocantes, que suas músicas tinham balanço, mas reverenciar um marginal como ele é, no mínimo, inadmissível. Marginal sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado.



Até que ponto um “marginal” pode ser redimido? Observem que ao mesmo tempo em que apedreja Cazuza, ela faz uma pequena concessão. Essa concessão pode ser explicada pelo fato de que Cazuza escrevia letras com teor engajado, como se dissesse à sociedade aí galera, sou burguês, mas não sou boçal! Essa é uma discussão antiga. A velha questão classe social ´ consciência social. Afinal de contas, pode soar como legítimo “um cabra ter grana e gritar por quem não tem”, como bradou Agnaldo Timóteo, numa entrevista ao Pasquim em 1973?



Esse tema foi bem descrito por Paulo César de Araújo no excelente Eu não sou cachorro não, onde o autor diz que temas de cunho conscientizador se feitos ou cantados por uma parcela de músicos do naipe de Chico Buarque ou Gonzaguinha, freqüentemente citados no livro, soam com falsos por artistas vindos dessa classe massacrada pelo capitalismo selvagem e que se esses mesmos artistas (os chamados bregas) o compusessem cairiam no ridículo, seriam achincalhados, etc. Sem entrar na qualidade musical das duas vertentes musicais, mas a discussão é realmente válida, principalmente em se tratando dum sujeito como Cazuza.



Todos sabemos de sua vida pregressa, embora tenham me dito que no filme a imagem que se passou foi a de um sujeito extremamente fútil, como se nada de bom tivesse. Não posso afirmar nada sobre o filme, pois não o vi, mas se de fato mostraram as facetas que muitos insistem em criticar, que bom não? Não é isso que todos queremos, menos hipocrisia e mais relaidade? Ou o filme foi irreal?



Que sociedade é essa que se “tenta construir a partir de noções de certo e errado”? Nem eu conheço essa sociedade... Essa eu destrincho logo mais.



Bem, continuando:



No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. Nunca teve limites. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta. São esses pais que devemos ter como exemplo? É esse jovem que queremos de exemplo para os nossos filhos? Vivia nas orgias, nas drogas, na vagabundagem... e agora é reverenciado por nossos adolescentes e jovens!

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

OLGA BUSCA OSCAR



Eram nove filmes concorrentes. Quatro deles, de diretores estreantes. O escolhido pelo Ministério da Cultura para a corrida a uma vaga na indicação hollywoodiana para representar o Brasil na categoria de filme estrangeiro foi a fita “Olga” do diretor estreante Jaime Monjardim.



A escolha foi certa. Não pelo filme propriamente dito, mas pela estrutura narrativa que ele apresenta. A espinha dorsal é que agrada a Academia de Cinema de Los Angeles. O tema abordado também. Os ianques têm certa queda pelos filmes que tratam do holocausto e suas variações. Como exemplo, temos a derrota do filme ‘Central do Brasil’ para o italiano ‘A vida é bela’ que tratava do assunto. Sem contar outros, que não me recordo se ganharam prêmios, tais quais ‘A lista de Schindler’ e ‘O Pianista’.



‘Olga’ é um filme bem tratado, bem acabado onde destaca-se, principalmente, a direção de arte, visto que foi totalmente rodado no Rio de Janeiro. Os atores que fazem os papéis principais, Camila Morgado como a Olga Benário e Caco Ciocler como Luís Carlos Prestes, estão simplesmente magníficos em suas interpretações. Isso é ponto pacífico.



O fato de o diretor ser consagrado em suas produções televisivas talvez tenha condenado a confecção do filme devido os meios serem completamente diferentes. Muito se escutou da opinião pública, expectadora do filme, que sua semelhança com a teledramaturgia é bastante gritante. De fato é. No entanto, em sendo seu primeiro filme e com a qualidade com que esse foi tratado, está razoável. Há muito que aprender com a sétima arte.



Outra polêmica discutida demasiadamente foi o fato da história ter sido romantizada. Houve uma certa inversão nos planos ficando em primeiro o romance entre eles e em segundo a saga política dos dois. Obviamente os dois planos se entrelaçam de forma bem atada. Os valores aprendidos e apreendidos dos livros de história enfatizam, e por essa razão captamos mais, a parte de lutas e embates sofridos pelos dois personagens. No entanto, todos os personagens secundários envolvidos na história são mostrados no filme, talvez não com o devido merecimento, mas ao menos tiveram menção.



Em minha opinião, vale a pena ver o filme. Apesar dos contras, é uma história bem contada. Além do mais, caso a película seja indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, apesar de não ter essa bola toda, terá minha torcida garantida. Isso prova que a qualidade dos filmes nacionais atingiu patamares técnicos de nível internacional. È necessário que grandes corporações como a Petrobrás Distribuidora mantenham a parceria e o apoio às produções nacionais e cada vez haja mais incentivo governamental e braços de emissoras de televisão, a exemplo do que ocorre com a Fox, Universal, Warner e Sony, agarrem esse filão. De certo, que temos que evoluir e criar uma ‘indústria cinematográfica’, no puro sentido da palavra. Temos potencial para tal. Porém somos uma ‘Brastemp’ se compararmos o cinema nacional feito no início da retomada e o que nos é apresentado atualmente.



*****



Na próxima semana estaremos entrando no mês de outubro, aniversário desse blog. Para comemorar os dois anos no ar, postarei um texto, dividido em quatro partes, que meu amigo Jéferson escreveu, guiado por outro texto repassado a ele por mim e enviado a mim pela minha tia Tania, sobre o filme ‘Cazuza’. Ele aproveitou e incluiu suas análises e comentários.



Desde já, agradeço por estarem comigo nessa jornada rumando ao terceiro ano.

terça-feira, 21 de setembro de 2004

O CABALÍSTICO NÚMERO SETE



Recebi esse mail há algum tempo e fiquei com a pulga atrás da orelha para criar uma nova história em cima do tema. Claro que a abrangência é maior. Aqui só vai uma parte.



7 são os dias da semana

7 foram as Chagas de Cristo

7 são as Divindades que comandam a Natureza

7 são as Cabeças da Hidra

7 são os Chacras entéricos

7 são os Plexos na matéria

SETH (7) era o nome do irmão de Osíris (Egito Antigo)

7 = Moisés deixou 5 livros e a lei se resume em 2 testamentos

São 7 os altares, 7 os bezerros e 7 os carneiros de Balac

7 anos gastos na construção do Templo de Salomão

7 casais de cada espécie de animal postos na Arca de Noé

No 7o mês a Arca de Noé repousa no Monte Ararat

O Candelabro de 7 braços

Os 7 castiçais de ouro

As fases dos 7 Anos

As 7 notas musicais

Os 7 palmos das sepulturas

Os 7 Planetas Sagrados

7 são as dores de NOSSA SENHORA:

a) A perda do menino Jesus no Templo

b) A fuga para o Egito

c) O encontro com Jesus na rua da amargura

d) A Crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo

e) A morte de Jesus Cristo

f) O Filho morto é colocado em seus braços

g) O sepultamento de Jesus

Os 7 Arcanjos ante o trono do Criador:

a) Gabriel

b) Rafael

c) Joriel

d) Miguel

e) Samuel

f) Ismael

g) Iramael

7 Cores refratadas pelo Prisma:

a) Violeta

b) Amarelo

c) Anil

d) Verde

e) Laranja

f) Azul

g) Vermelho



Tem muitos outros setes rondando a nossa atmosfera, perto ou do lado da gente que passam despercebidos. O meu conselho é: antes de fazer qualquer coisa pense sete vezes e em sete conseqüências que pode acarretar a concretização do ato.

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

EVENTO



Na semana que passou teve um feriado. Mais um dentre tantos – que bom que é assim – que habitam as famosas folinhas. Quedou-se numa terça-feira. Dia, juntamente com a quinta, que faz um feriado melhorar, pois se ‘enforca’ na segunda e sexta, quando há possibilidade.



Esse último foi o dia da independência. Dia em que a pátria se tornou livre politicamente de Portugal. No entanto, as relações familiares entre o rei de Portugal e o imperador do Brasil, casualmente pai e filho, continuaram como antes. Ou seja, mudou, mas não muito. O fato se tornou mais um evento, propriamente dito, que uma independência propriamente feita.



Por falar em evento, relações familiares e feriado de independência, o mesmo aconteceu aqui em Niterói. Não, a cidade não se tornou independente do Rio. O evento que teve aqui foi uma reunião de família. Da minha família. Que quando se reúne por completa (ou quase, visto que fica mais difícil um encontro de família na sua totalidade) é um evento.



O principal motivo para esse evento é que num intervalo de um mês, entre 24 de agosto e 23 de setembro, dois aniversários são comemorados e, esse ano, as idades se arredondaram. Tia Dora fez sessenta e tia Branca completa os mesmos cinqüenta sustentados pela minha mãe até março desse ano. E para que elas passassem a ser independentes de idades da década que deixaram pra trás, o rito de passagem durou quatro dias. Como já disse, o feriado foi prolongado.



No sábado foi a comemoração do aniversário da Tia Branca com uma pequena recepção para amigos íntimos e, claro, familiares, incluindo o longínquo Tio Sergio, recente curitibano. Domingo foi aquele churrascão, comidas acompanhantes, carnes à vontade, caixas de cerveja e refrigerantes diversos e uma boa roda de viola. Tudo que um típico churrasco precisa para ser um típico churrasco. Típico no conceito da nossa tradição familiar.



Domingo também foi reservado para a primeira mostra de um esboço do que virá a ser o ‘Memorial da Família’ sabiamente organizado pelo Tio Marcos. Ele está reunindo fotos de todas as épocas e ramos genealógicos para condensá-las em um catálogo de imagens e textos a fim de perpetuar a memória. Um gesto nobre e louvável, já que o tempo é implacável e a memória é passível de falhas e lacunas.



Segunda, para variar um pouco, foi feito um almoço. Sabe aquele almoço que começa às duas da tarde e não acaba. Foi o de segunda. Não acabou. Sobrou muita comida e como arremate ainda teve salgadinhos fritos lá pro início da noite. Isso sem contar as duas variedades de sobremesa distribuídas em quatro receitas de cada, ou seja, oito travessas de sobremesa. O movimento foi das duas da tarde até mais ou menos meia-noite.



Esse almoço de segunda, só foi acabar mesmo na terça, dia do feriado, e na casa do Tio Rodolfo. Foi o enterro dos ossos. No nosso caso já era a exumação deles, já que ninguém agüentava mais ver comida na frente. E não satisfeitos, para fechar com chave de ouro, o dia terminou com um jantar em estilo japonês na casa do Luis Antônio. Os anti-peixe cru, como eu, dividiram uma simples e humilde pizza. Tudo isso para aproveitar ao máximo a presença sempre marcante e rara do Tio Sérgio que viajou de volta a Curitiba, dando uma pequena parada em Guaratinguetá, na quarta-feira, visto que era feriado na cidade de origem, ou destino naquele determinado dia.



Independente de aniversário e datas festivas ou comemorativas, a reunião da minha família é sempre um evento, um acontecimento digno de uma grande família. Enormidade que pode ser vista tanto no número de pessoas quanto na qualidade delas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2004

ATENTADOS DA SEMANA



Três atentados marcaram a semana que passou. Verdadeiros atos que infringiram a integridade de suas vítimas.



O primeiro foi uma lástima. Como a Grécia, que investiu tanto em aparatos de segurança para que os jogos olímpicos corressem na mais perfeita ordem, permitiu que acontecesse um atentado contra o maratonista brasileiro. Última prova das olimpíadas e a mais tradicional delas teve um ato falho e imperdoável de segurança.



Faltavam poucos quilômetros para ele cruzar a linha de chegada e, com a vantagem que possuía sobre os outros concorrentes, por mais apertada que fosse, a possibilidade da medalha de ouro era grande. Isso aconteceria se não fosse um irlandês maluco que surgindo do meio da multidão, foi em direção ao Vanderlei, o maratonista brasileiro, e o agarrou de tal forma que os dois caíram no chão. Seria cômico se não fosse trágico.



O bom senso das pessoas que estavam em volta, assistindo lá, ao vivo, fez com que, pode até ser instintivo, elas se mobilizassem para tirar o irlandês de cima do Vanderlei. Disseram que essa foi a mesma pessoa que invadiu uma vez uma corrida de fórmula um protestando contra alguma coisa. Enquanto esse ato se desenrolava, dois concorrentes o ultrapassaram e, num ato de coragem, força de vontade e glória, Vanderlei se refez recuperando todo o preparo físico, tempo de respiração, marcação de passada e etc. sendo ovacionado ao chegar ao estádio olímpico e conquistando a medalha de bronze. Por esse motivo, agindo como um esportista, ganhou reconhecimento do mundo todo, uma medalha de honra do comitê olímpico internacional e a quantia em dinheiro prometida pelo seu patrocinador caso ele ganhasse o ouro. O comitê olímpico brasileiro recorreu no caso e tudo depende dos tramites legais e burocracia, para que o bronze de ouro do Vanderlei se transforme realmente em ouro.



O segundo atentado, também lastimável, foi mais chocante. Não é a primeira vez que acontece, mas foi a primeira em uma escola. Separatistas chechenos ligados ao terrorismo invadiram uma escola na cidade de Beslam, Rússia, e fizeram crianças e professores como reféns durante três dias. O final desse atentado terminou com mais de trezentos mortos sendo mais de cento e cinqüenta crianças. As que sobreviveram, relataram que quem estava lá dentro não podiam beber água ou ir ao banheiro. A última tragédia desse porte aconteceu num teatro e teve um número de vítimas equivalentes a esse. O presidente russo Wladimir Putin declarou que o terrorismo declarou guerra ao país. Sabe qual o maior bem financeiro da região da Chechênia? O petróleo. Preciso explicar mais sobre o motivo da Rússia não querer que aquela região se separe.

O terceiro e último atentado que vou mencionar aqui, não é lastimável e muito menos trágico. Vamos raciocinar juntos. Imagina que por um compromisso profissional você tenha que viajar com cerca de mais trinta homens. Até aí, nada de mais. Isso é passível de acontecer. Agora, imagina se a namorada de um aparece e fica de abraços, beijinhos e carinhos. Isso não é um atentado com quem deixou família e filhos para trás? Principalmente se a namorada desse um for a Daniela Cicarelli.



Não sou contra as namoradas, esposas e casos acompanharem os jogadores de futebol em concentrações. Eu só acho que esse direito deva ser igual para todos. Não é pelo fato de ser a Cicarelli que o Ronaldo tem que ser uma exceção. Mas, aparecer uma beldade como ela no meio de um bando de homens e sendo exclusiva de um é um atentado, isso é. Atentado contra a moral, os bons costumes e o pudor de muitos marmanjos por aí.



Que esses atentados não sirvam de exemplo para os próximos que estão por vir.

segunda-feira, 30 de agosto de 2004

CIRCO DE PULGAS



Menos um. Conto assim, de modo regressivo. Esse foi o primeiro mês em que freqüentei um circo de pulgas. Não que eu assista a um espetáculo circense em que esses seres quase microscópicos se apresentam fazendo malabarismos a um público com binóculos super potentes. Nesse caso, a pulga sou eu. Uma delas.



Vamos aos fatos. Estou matriculado num curso preparatório para concurso público. A turma em que eu fui incluso é direcionada ao concurso para o Banco Central, mas isso não impede a prestação de provas para outros tipos de concurso, principalmente se tiver matérias coincidentes às duas provas desde que eu estude. De cara vos digo, e creio que vocês são cientes disso, que não é o que desejo para minha vida. Entretanto, forças da circunstância me levam para esse caminho. E é exatamente por isso que eu chamo o local de estudos, o curso para concurso, de circo de pulgas.



Sou uma pulga rebelde, que não concorda com os métodos por eles estabelecidos para tal curso. Somos um bando de pulgas pelo fato de estarmos lá para sermos adestrados por eles para passar em concursos públicos. Todo e qualquer tipo de conhecimento, de aprendizado, de sabedoria é desprezado. E isso acaba emburrecendo as pessoas que se prestam a cursar a ‘escola de circo de pulgas’. Só para dar um exemplo, numa aula de português uma menina soltou que o plural de mal é mais. Há limite pra tudo.



Por outro lado, atualmente, ninguém consegue fazer um concurso público se não fizer cursinhos. A não ser que seja uma pessoa de QI altamente elevado ou que tenha ‘Quem Indique’ para um cargo público qualquer. Ou seja, quem não se rende a essa indústria de pulgas, fábrica de clones tem a possibilidade de passar reduzida em larga escala em relação a quem, ao menos, freqüenta cursinho.



Fazendo uma grossa analogia, é o mesmo caso da Coca Cola. Todo mundo sabe que ela é uma empresa americana, imperialista, ianque, que quer dominar a qualquer custo, e não mede esforços para tal, o mercado de refrigerantes e mesmo mediante a todos esses fatos, se bebe essa marca.



O primeiro dia em que surgi lá foi na segunda semana do início do curso e justamente na aula de economia, mais precisamente macroeconomia. Claro que não entendi nada, principalmente quando eram expostas fórmulas e mais fórmulas e cálculos de assuntos que nem vale a pena mencionar para não fundir e confundir mais a cabeça de ninguém. Só de malucos que vão fazer concurso pro Banco Central. O segundo dia foi regado de direito constitucional. É bem mais inteligível pra mim, mas também é mais sacal. Curiosidade: sabe quantos incisos tem o artigo cinco? Setenta e sete. E a gente soube de todos. Como é complicada a carta constitucional brasileira. O terceiro dia está sendo dominado pela língua portuguesa, matéria que tenho mais facilidade, onde se relembra de regras e classificações como oração subordinada substantiva objetiva direta.



A princípio é só. Três dias, três matérias. Uma por dia. É isso que me conforta. Mais, também seria abusar da boa vontade do meu cérebro. Tomara que fique assim até o fim do prazo que eles estipularam para o curso. A duração é entre sete e nove meses, ou seja, no máximo até abril.



Nesse circo de pulgas, eu não serei o palhaço de jogar todo o meu conhecimento fora, de me tornar um ignorante para ser adestrado só pelo fato de ter um concurso em vista cujo único atrativo é um bom salário. Desde a minha matrícula nesse cursinho tenho pra mim que qualquer pessoa, proveniente daquele bando, ao passar num concurso público teve sorte. Em se tratando da minha pessoa, não será sorte. Garantir uma vaga em um emprego público seria um grande azar, compensado por bom salário.

segunda-feira, 23 de agosto de 2004

UM BOM FILHO À CASA TORNA



Depois de cento e oito anos ele voltou pra casa. Teve uma festa maravilhosa onde foi relembrada toda a sua história focada no gigantesco legado que deixou como berço da civilização e de várias vertentes intelectuais, culturais, esportivas e etc... Graças aos deuses que lá habitavam, suas lendas perduram até hoje e são tão fascinantes que os estudos e pesquisas sempre estão em alta.



Como toda boa festa, demorou um pouco a terminar, principalmente por causa da chegada de cerca de duzentas delegações e seus participantes. A ornamentação estava impecável, o show pirotécnico excelente e mais uma vez a tecnologia foi uma grande parceira. Pode-se dizer que o mar virou sertão em pouquíssimo tempo.



Desde a última sexta-feira 13, até o fim do mês, o mundo está unido em Atenas, Grécia, para competir nos jogos olímpicos. Uma tradição que se repete de quatro em quatro anos, salvos os três campeonatos que foram impedidos de se realizarem durante as duas guerras mundiais, em locais diferentes. Dessa vez volta para o berço.



É estranho falar de competição, principalmente por que é a primeira vez que acontece um evento dessa importância desde quando eu criei esse blog. Estou sendo desvirginado no que diz respeito à relação blog e eventos esportivos mundiais. Oficialmente, considero o mês de outubro como aniversário desse meu espaço. No entanto, os cinco meses anteriores que foram de testes e acertos até chegar à forma definitiva, que é essa que está sendo exposta, aconteceu a Copa do Mundo em que a seleção canarinho foi pentacampeã e por esse fato não é considerado oficial enquanto existência do blog.



Primeira olimpíada do milênio e primeira da gente também. As chances de medalhas são visivelmente boas em modalidades tipo o vôlei, tanto o masculino quanto o feminino e o de praia, a vela e a ginástica olímpica. Não digo que são as favoritas. Aliás, o favoritismo existente poderia ser dobrado, triplicado se houvesse uma política de esporte melhor elaborada, investimentos maciços e centros desportivos como o de ginástica em Curitiba, no Paraná e o de vôlei em Saquarema, no Rio.



Primeira olimpíada da minha vida foi a de Moscou, em 80. Era pequeno, tinha três anos, mas uma imagem me marcou. Acho que a todos. A mim principalmente até pelo fato de ser uma criança na época. A lágrima que o mascote, o urso Micha, derramou na cerimônia de encerramento. A tecnologia da época não era lá grandes coisas, se comparada a de hoje, ainda vivíamos num mundo polarizado e os soviéticos formavam um país cuja cidade de Moscou era a capital. Mas o efeito especial dessa lágrima, com centenas de pessoas formando a figura com o mosaico de cartazes e os que estavam abaixo do olho do urso momentaneamente se tornavam branco causando um efeito marcante e inesquecível. Por incrível que pareça, essa olimpíada, e a seguinte, em Los Angeles, nos Estados Unidos, não obedeceram ao espírito dos jogos olímpicos pelos boicotes que um país fez ao outro e vice-versa.



Inesquecível, marcante e emocionante também foi a chegada daquela maratonista, se não me engano foi em Los Angeles mesmo, que esgotou todas as forças que tinha e que não tinha para cruzar a faixa final. Até hoje me comove aquela imagem sempre que a passam. Pra se ter uma idéia ela fez mais história nos jogos do que as medalhistas da maratona. (Se alguém tiver uma memória boa me diga o nome delas.)



No mais é torcer por nossos heróis e heroínas e tentar expurgar a urucubaca que nos colocaram em Sydney, na Austrália, há quatro anos atrás, onde trouxemos doze medalhas e dentre elas, nenhuma de ouro, seis de prata e seis de bronze. Que todas as divindades gregas mitológicas nos olhem, nos guiem e torçam pelos seus companheiros tupiniquins e nos presenteie com alguns ramos de louros ou oliveiras da vitória dourada.

segunda-feira, 9 de agosto de 2004

PARA INGLÊS VER



Londres sempre me passou a imagem de uma cidade sisuda, cinzenta, nebulosa, fria e formal, a mais completa tradução de uma cidade realmente inglesa, que o é de fato. E certas atitudes a fazem ficar mais londrina.



Atitudes estranhas como a que eles adotaram lá. Não sei se é lei, mas criou-se certa convenção que os nativos discípulos da rainha, ao tirarem fotografias, especificamente para passaportes, estão expressamente proibidos de sequer esboçar um sorriso. Ou seja, a sisudez do fotografado estará também no passaporte e caracterizará, além do brasão da capa, a origem do viajante inglês.



Geralmente fotos de documentos nunca saem boas. Sempre tem um olho mais sobressaltado que o outro, o nariz abatatado, a boca mais carnuda, um lado da face diferente da outra e a gente nunca fica satisfeito com a nossa cara e morre de vergonha se alguém, mesmo um amigo, pedir para ver a nossa carteira de identidade, por exemplo, onde, além dessas desgraças, ainda tem o agravante da idade. Aquela foto de muitos anos atrás que às vezes até você mesmo se assusta. Em umas você sorri e em outras está sério. Mas daí a fazer da imagem séria uma obrigação já é demais.



O argumento que eles utilizaram tinha relação com o terrorismo, ou com o contra-terrorismo. E eu, na minha santa ignorância me pergunto: O que a foto tem a ver com isso? Se alguém tiver uma explicação plausível, cartas para a redação, por favor.



Fico imaginando a seguinte situação. Digamos que um executivo inglês recebe a missão de representar sua empresa em outro país e tem que agilizar seu passaporte, mas está feliz – inglês também tem momentos de felicidade – por algum motivo. Ou por ter saboreado a vitória do time de futebol no dia anterior, ou por causa do nascimento do filho naquela semana, ou pela morte da sogra – não sei se vocês sabem, mas as sogras também morrem na Inglaterra – ou por ter inalado gás hilariante... não importa. Ele está feliz e vai tirar uma foto.



Aperta o nó da gravata, senta-se no banco com aquele fundo branco atrás, pendura a data no bolso do paletó e olha para a lente da máquina. Aí o fotógrafo lá diz:

- Não posso tirar a foto.

- Por quê?

- O senhor está muito feliz.

- E daí?

- Vai pegar mal seu rosto no passaporte. O governo não vai gostar. Segundo um outro cliente meu, eles podem até te impedir de sair do país.

- Por causa da minha cara?

- Mais especificamente por causa do seu sorriso.

- Isso não pode acontecer. A empresa já marcou a data da minha viajem. Tenho que tirar essa foto hoje para dar entrada nos papéis. Qual a sua sugestão?

- Fica sério.

- Como?

- Sei lá. Imagina uma situação de tristeza. Pensa, por exemplo, num gato morto. Você tem gato?

- Hahahahaha. Por mim todos os gatos poderiam morrer. Detesto gato. Meu animal de estimação é um furão.

- Pare de rir, senhor. Tem uma foto para ser tirada, não lembra?

- Tive uma idéia genial. Você tem computador?

- Sim senhor. Por quê?

- Então não teremos problema em tirar a foto com a minha cara alegre. E você sabe por quê? Afinal, pra que inventaram o fotoshop?

segunda-feira, 2 de agosto de 2004

SEU NOME É GAL



Gostaria de situar o caro leitor de que escrevo essas linhas hora e meia depois de ter chegado em casa da mais famosa casa de espetáculos do Rio de Janeiro, o Canecão. Ela foi a terceira artista, com exceção de Rita Lee, a me fazer deslocar de Niterói para Botafogo e se deliciar com o repertório escolhido para ser apresentado por ela. O show ‘Todas as coisas eu’, título também do seu mais recente trabalho, foi um dos espetáculos mais lindos em termos e concepção e mais comoventes em termos de emoção que eu me lembre de ter visto pelo menos nos últimos três anos. A saber, os outros dois artistas foram Ney Matogrosso quando acompanhei minha mãe e minha tia no show que fez do disco ‘Um Brasileiro’ sobre a obra de Chico Buarque e Marisa Monte na temporada da última apresentação que lá fez, exibindo seu trabalho chamado ‘Barulhinho Bom’. Confesso que foi depois desse show que comecei a acompanhar melhor o trabalho dela. Quanto a Rita Lee, bem, essa é uma outra história.



A minha relação com o trabalho da Gal data de quase dez anos. Ela estava dando uma entrevista para o Jô Soares a respeito do disco ‘O sorriso do gato de Alice’ e cantou uma composição do Djavan chamada ‘Nuvem Negra’, presente no disco, pela qual fiquei encantado. Dias depois adquiri o disco. Sobre esse mesmo trabalho, ela causou polêmica durante o show no extinto ‘Imperator’, uma casa de shows que havia no bairro do Méier, por mostrar os seios. (Não me recordo se na hora da execução da música ‘Vaca Profana’ do Caetano ou ‘Brasil’ do Cazuza, mas pela polêmica guardo essa foto até hoje no encarte do CD.)



Lá se vai algum tempo. A partir de então era ela lançar um disco e eu correr nas lojas para comprar. O gato de Alice, além do sorriso, me abriu os ouvidos para uma voz maravilhosa e inconfundível que me agrada e cativa a cada tom, bemol ou sustenido. Sempre falo isso e vou repetir. Se o Brasil tem as quatro damas da música, em termos de voz, são Gal, Bethânia, Elis e Marisa Monte.



Com um repertório fabuloso de canções que eu não conhecia, talvez pelos meus vinte e sete anos, ou por não terem sido resgatadas por ninguém até então, e outras mais conhecidas, principalmente pelas gerações anteriores a minha, é surpreendente e cativante. Os quatro músicos que a acompanham são espetaculares, os arranjos sensacionais, por mais minimalista que pareça, no palco, se torna grandioso, magistral.



O fato de ela ter posições pessoais no que diz respeito a tal senador baiano e que não agrada a alguns formadores de opinião, simplesmente desaparece diante do talento dessa mulher e da potência que carrega na sua garganta. O dia em que a voz for vista como um instrumento musical, a Gal será o mais valioso instrumento do mundo.



Sempre quis ir a um show de Gal Costa por ser um consumidor assíduo dos trabalhos dela, mas sempre me faltou oportunidade. Salvo uma vez, na praia de Copacabana, quando ela se apresentou ao lado de Bethânia, Caetano e Gil, numa reedição dos ‘Doces Bárbaros’. (Assistir ao vivo ela desfilando pela Mangueira em 94 conta? Acho que não.) A partir de agora, depois desse show que reportou minha memória a meu avô, responsável por eu saber grande parte das letras das canções apresentadas por ela, sempre que ela vier soltar a voz, estarei lá, todo ouvidos.



Temo em ser repetitivo quando, na verdade, quero ser enfático. O show é sensacional, os músicos são espetaculares, a concepção do espetáculo é um primor, a escolha do repertório é comovente e a Gal é a Gal. Não tem adjetivo que a qualifique. Ela já é superior, divina, diva.



Agora, tenho mais um motivo para que minha ida de Niterói para Botafogo compense o valor do ingresso, qualquer se seja ele. Mais uma cantora na certeira lista de shows. Além de Rita Lee, o Canecão terá o prazer de me receber nos shows de Gal.

domingo, 25 de julho de 2004

IANQUES



Logo depois de nós, cidadãos eleitores brasileiros, escolhermos nossos vereadores e prefeitos, os sábios americanos escolherão aquele que será o ser humano mais visado de todo mundo. Esclarecendo que, diferentemente daqui, o voto lá não é obrigatório, portanto, com o quadro que o mundo se forma na atual conjuntura, sábios são aqueles que votam. No entanto, nem todos os americanos que fazem questão de votar são sábios. O que eu chamo de sábios são aqueles que fazem questão de votar e tem consciência do que estão fazendo. Esses são a minha esperança pro próximo pleito eleitoral americano. Depois da duvidosa eleição do cavaleiro negro, espero que o povo americano tenha entendido que o buraco, mesmo aquele que eles furam na cédula eleitoral, está sendo mais em baixo.



Não falo só da política externa de guerra e de implantação forçada da visão imperialista ocidental sobre tradições e crenças do Oriente Médio como no caso do Iraque. É ululante que isso tudo envolve a questão do petróleo. Existe também a conduta correta e puritana de um povo. O fato de atitudes como a campanha contra o uso de contraceptivos e preservativos e a repulsa pelos casamentos gays – que além de opção é controle de população como Rita Lee explicita bem na música ‘Obrigado Não’ – resultam em discussões fúteis como condenar ou não a Janet Jackson por acidentalmente mostrar um seio numa apresentação na final do superbol. È de uma hipocrisia e de um falso puritanismo de doer o tutano do osso.



Entre republicano e democrata, tudo para que aquele asno saia da Casabranca. Não conheço seu rival político, nunca ouvi falar de John Kerray (?), não sei o que ele faz, se vai seguir a mesma linha do Clinton – que ostensivamente protagonizou mais um escândalo do falso puritanismo no episódio Mônica Lewinski e teve sua cabeça pedida por conta disso – nem quais são suas posições com relação à política externa. Mas acho que qualquer um tem mais discernimento, capacidade e competência que aquele que lá está.



Não sou anti-americano, pelo contrário, fui várias vezes pra lá, inclusive depois do atentado. O que eu não me conformo é o imperador texano que segura a pena deles. Tenho verdadeiro nojo, asco, repulsa, ódio e pavor do Dr. WC Bush. E a possibilidade de que ele seja reeleito é o que me deixa mais incompreensível.



Essa semana foi revelada uma espécie de dossiê que apontou as inúmeras falhas no sistema de segurança norte-americano. Pra ver a inteligência bitolada que controla o órgão federal da informação e espionagem americanos. Informações que não cruzavam em uma rede ampla de dados – parece até um país cuja maioria da sua extensão territorial fica abaixo da linha do equador – denunciavam como as pessoas consideradas mais ameaçadoras da paz norte-americana, pra não rotulá-los como terroristas, não eram impedidas de transitar em aeroporto, por exemplo. Ou seja, se realmente houvesse uma investigação mais rígida com dados que cruzassem ou complementassem uns aos outros, a tragédia que se abateu em onze de setembro poderia ter sido evitada. O dito popular ‘é melhor prevenir que remediar’ não deve ter uma tradução confiável.



Só que esse fato não teria sido o primeiro. Pelo que diz esse relatório, foram dez. Dez ataques, como o primeiro atentado ao WTC, em 93, o avião que caiu no Pentágono, enfim, foram dez furos que o SNI ianque por pura incompetência, não evitou. E olha que eles não têm um secretário de segurança como o Garotinho. Imagina se tivessem, como não se encontraria aquele país hoje.



E pra encerrar, só queria que alguém me esclarecesse uma dúvida. O Iraque já voltou a ser o Iraque sem Sadam, certo? Mas cadê as armas de destruição em massa que, segundo o Dr. WC Bush, estavam lá escondidas e foi o principal mote para a guerra?

segunda-feira, 19 de julho de 2004

COVARDE, SEI QUE TE PODEM CHAMAR 

  

Tem um adesivo que roda por aí e que por sua divulgação mais parece uma propaganda maciça com os seguintes dizeres: “Ande em Niterói e ganhe uma multa.” (Se não for exatamente isso, o significado é o mesmo.) Claro que isso tem um motivo. É o fato de terem se proliferado pela cidade aqueles pardais eletrônicos que fotografam os veículos que ultrapassam a velocidade estabelecida na placa que aquele pardal avisa, variando, na média, entre cinqüenta e sessenta quilômetros.

           

Acho válida qualquer intenção de melhorar o tráfego e limitar abusos de quem guia com a mínima, ou nenhuma, prudência e tem a possibilidade de causar acidentes até irreversíveis em terceiros. Todavia deve haver uma coerência e uma tolerância pouco maior em determinados casos. Dois exemplos familiares: meu irmão, indo para Cabo Frio no carnaval, às duas horas da manhã e foi flagrado por um pardal na região de São Pedro por ter ultrapassado o limite de velocidade. Ora, quem é que vai andar a cinqüenta quilômetros por hora de madrugada, por uma estrada, correndo risco de vida – por que com essa segurança que paira sobre nossas cidades e estradas, é risco de vida até em ir à padaria. Já comigo, o limite de velocidade era cinqüenta e eu passei a cinqüenta e seis por hora e numa situação indesejável para qualquer ser humano que não vem ao caso falar aqui. Cada caso é um caso e tem que ser analisado separadamente. Isso seria mais justo, mas não é.

           

Talvez por isso Niterói tenha um grande número de agentes de trânsito. Observando os motoristas ele pode, segundo a gíria, ‘canetar’ ou não a infração e/ou o infrator. Dizem as más línguas – que não são tão más quando se trata desse assunto – que esse cargo é o maior cabide de empregos e o que mais ocupa a folha de pagamento da prefeitura. Certamente as propinas, os subornos e as ‘gratificações’ estão incluídas nesse rolo todo, mas isso é uma outra história.

           

Boatos a parte, semana passada aconteceu um fato no mínimo inusitado entre um agente de trânsito e um motorista, ou melhor, uma família que se encontrava no interior de um veículo. No bairro do Fonseca, no cruzamento da Alameda São Boaventura com uma das ruas transversais, um carro avança o sinal vermelho. Quando o sinal amarela, a reação, pelo menos a minha, é tentar passar do limite do sinal, o que já é errado, pois nos países mais educados pára-se no sinal amarelo, agora, avançar o vermelho, aqui, só de madrugada e mesmo assim com muita cautela pra ver se vem um maluco desembestado perigando cruzar o seu caminho.

           

Pois bem. Ao perceber que o guardinha fez algum tipo de rabisco no talão de multas o carro pára pouco mais adiante. Descem dele o motorista que por ser médico pressupõe-se que seja uma pessoa educada, sua esposa e a filha adolescente para tirarem satisfação com o guardinha. Acontece que o sujeito, em seu horário de trabalho, cumprindo o que lhe foi instruído, foi absurdamente agredido. Uma verdadeira barbárie. Sorte que nem agressor e nem agredido empunhavam arma de fogo. O guarda foi covardemente espancado e não foi só pelo doutorzinho de merda. A família dele o ajudou a bater no agente, o segurando para não ter reação, chutando a cara dele e - veja você a que ponto chegou a educação familiar – a filha do casal mordeu a bochecha dele chegando a tirar pedaços. Um bando de vândalos covardes que não tiveram motivos concretos para fazer isso. E mesmo se tivessem não seria justificável essa atitude.

           

Cuidado com os médicos que cuidam de você, pois no fundo, se for cutucado com vara curta, ou melhor, com caneta curta, podem virar verdadeiros monstros e se proliferarem através da hereditariedade e inclusive pela osmose. A dúvida que fica no ar é como pessoas com essa índole podem se chocar com atitudes de pitboys em boates e participarem de caminhadas pela paz. Esse maldito médico é um covarde.

segunda-feira, 12 de julho de 2004

CINQUENTÃO



Elvis, Beatles, Rolling Stones, The Police, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Janis Joplin, B-52, Guns and Roses, Metálica, Aerosmith, Nirvana, Pixies, Queen, Ramones, REM, Red Hot Chili Peppers, The Cure, Pink Floyd, The Smiths, Oasis, The Who, Doors, Sex Pistols, Deep Purple, Rita Lee, Titãs, Paralamas, Erasmo Carlos, Lulu Santos, Cássia Eller, Ira, Capital Inicial, Legião, Los Hermanos, Barão Vermelho, Plebe Rude, Picassos Falsos, Nenhum de Nós, Raul Seixas, Blitz, Metrô, Dr. Silvana, Ultraje a Rigor, João Penca, Kid Abelha, Lobão, Magazine, Biquíni Cavadão e Mutantes.



Esses são só alguns exemplos, cinqüenta pra ser mais preciso, de pessoas ou grupos que quase na totalidade da sua existência, fizeram, fazem e ainda irão fazer bastante rock and roll.



Assumo em dizer que não estão todos aqui por falta de espaço – por isso foram selecionadas a mesma quantidade, vinte e cinco, divididos entre nacionais e internacionais – e que um ou outro talvez não tenha o mérito de compartilhar essa lista com os demais, no entanto esses cujo merecimento possivelmente não é bem visto, de alguma forma também passaram e deixaram seu legado dentro do ritmo que está completando cinqüenta anos. Consta que o registro inaugural oficial do rock, vem de uma gravação feita pelo imortal Elvis Presley ao registrar em acetato a música ‘That’s all right, mama’, em 1954. De lá pra cá, só quem pode parar ele foi a morte.



Essa semana, na MTV, passou um programa que há na grade deles chamado ‘Top top’ cujo tema era os ritmos que já eram, ou seja, que já estiveram durante um tempo no topo das paradas de sucesso e atualmente ou se fecharam em guetos ou caíram no ostracismo. Entre eles a macarena, o sertanejo, o pagode, o forró universitário, o poperô, a lambada e encabeçando a lista, em primeiro lugar o bom e velho rock and roll.



Quanto a esse título eu discordo plenamente. O rock não vai acabar nunca. Ele pode ter algumas vertentes que não agrade a todos ou leituras diferentes, mas a sua essência não vai se desfazer. Todos, em dado momento da vida já parou para dançar ou apenas escutar um roquezinho sequer, mesmo sendo no meio da curtição numa festa. Não é todo ritmo que se mantém durante cinqüenta anos contagiando grande massa da população, principalmente dos cinquentões para baixo.



O rock and roll é como uma tatuagem. Ele chega e fica. Por mais que se queira desvencilhar dele, não se consegue. Todo mundo é tomado por ele, mesmo aqueles que se recusam a ser. Duvido que ele não exerça nenhuma influência em músicos de outros gêneros. Filho amado da união do jazz com o diabo, é, porque o Raul Seixas já cantou que ‘o diabo é o pai do rock’, esse ritmo que completa cinqüenta anos, mas tem a ‘cabeça’ de um jovem de vinte é imortal e altamente mutável, o que é bom para a sua saúde.



Exércitos de seguidores saem para encontrá-lo em algum ponto como em bares, casas de show e rodas de amigos. No Brasil o melhor e mais bem sucedido exemplo disso é um festival que aconteceu três vezes nos últimos dez anos que propõe a união de várias vertentes musicais, porém, a principal é o rock até mesmo por comportar em seu nome esse ritmo. O Rock in Rio virou marca e esse ano fez sua primeira turnê em Lisboa, se tornando Rock in Rio Lisboa. Desde 1985 ficamos na expectativa se o festival acontece ou não durante o verão. Sua segunda edição versão foi em 91 e a mais recente em 2002 (ou 2003?). A característica roqueira do festival foi perdendo forças e músicos de outras correntes que não o rock foram ganhando espaço nesse festival.



Para encerar, o parabéns pra você será com um trecho de uma música da minha rainha, e do rock brasileiro também. Na letra de ‘Esse tal de rock enrow’ Rita Lee diz sabiamente: “Desconfio que não há mais cura pra esse tal de roque enrow”. Tem razão.

terça-feira, 6 de julho de 2004

CHUPANDO DROPS DE ANIZ



Sou uma pessoa privilegiada. Aliás, qualquer pessoa que assiste a um filme é privilegiada. Existem as outras formas de expressão como o teatro e a literatura que igualmente têm os seus méritos. Porém, hoje vou me ater às produções cinematográficas.



Tudo começa com um evento que o principal shopping daqui de Niterói está promovendo durante essa semana pelo fato de estar inaugurando até o fim do mês vigente salas de cinema. Durante um tempo existiram duas salas para exibição de filmes, no entanto agora há uma ‘profissionalização’ dessas salas, entre outras funções, para fazer concorrência com um outro shopping mais popular e próximo a esse. Quem é o responsável por essas salas é o Cinemark que já existe em vários outros pontos da cidade do Rio. E para inaugurar esse novo espaço para exibição de filmes três shows, dois bate-papos, oficinas e exposição de figurinos e máquinas utilizadas essenciais para a montagem dos filmes. Quanto aos shows, foram de Paulinho (atualmente descartado) Moska, Nando Reis e Edu Lobo e bate-papos ministrados por José Wilker. A ampliação do número de salas de cinema numa cidade é para ser aplaudido de pé. Espero que sirva de exemplo para teatros e outros centros culturais e que tenha uma percentagem para exibição de filmes nacionais cujas qualidades técnicas começam a competir com as de Hollywood.



Na última sexta-feira, para me atualizar quanto aos cartazes nacionais, os quais eu priorizo, fui ver o filme sobre o Cazuza. Não sou e nem pretendo ser um crítico, até por que acho que eles só falam mal, mas achei o filme aquém da expectativa que o marketing causa nos espectadores. Isso não quer dizer que o filme é ruim. É bem feito, bem produzido, prima pela trilha sonora indiscutível e vale a pena ver esse documento feito sobre o ser humano que foi o Cazuza.



Antes dele, os dois últimos filmes que eu vi foram ‘Diários de Motocicleta’ por duas vezes e ‘Do outro lado da rua’, graças a minha tia que por trabalhar na BR, grande patrocinadora e incentivadora das produções cinematográficas brasileiras, além de mantenedora do cinema Odeon, clássico e tradicional, sito à Cinelândia, centro do Rio, consegue arrumar várias cortesias, as quais eu me esforço para aproveitá-las por completo e ainda proporcionar aos meus amigos a fomentação desse prazer e privilégio de acompanhar a sétima arte.



Para encerrar, meu domingo também foi recheado de filmes. Infelizmente não na sala escura de exibição, mas no conforto residencial. Pelo avanço da tecnologia em termos audiovisuais ainda não ter dominado o território da estante da sala aqui de casa, recorri a essa mesma tia para assistir ao DVD do filme ‘Durval Discos’. Emprestado por uma amiga minha, não teve boas recomendações. No entanto, não achei que foi um filme ruim. Na minha opinião é regular, normal. O outro filme, agora no bom e velho vídeo cassete e emprestado pela mesma tia que vira durante o fim de semana e eu o assisti na madrugada de domingo para segunda foi o ‘21 gramas’. Excelente filme. Do tipo quebra-cabeças, onde as cenas não obedecem a uma seqüência lógica de início, meio e fim, visto que são histórias de três pessoas que se cruza em certo momento da vida, mas é muito bom.



Esse depoimento vale como despedida e ao mesmo tempo homenagem a um grande ator hollywoodiano que morreu aos oitenta anos de idade na última sexta-feira. Um dos filmes que a minha mãe mais gosta contou com a participação dele numa interpretação excelente, mais recentemente. Galã dos anos cinqüenta e sessenta caiu no ostracismo nos anos setenta, voltando ao auge do sucesso na pele de Don Corleone, na trilogia do ‘Poderoso Chefão’. A estrela de Marlon Brando foi brilhar no firmamento.