terça-feira, 27 de janeiro de 2004

ESPECIAL SAIA JUSTA - MÔNICA WALDVOGEL



“Vai dar na primeira edição cenas de sangue no bar da avenida São João.” Sabemos que esse é um trecho da música ‘Ronda’ de Paulo Vanzolini interpretada por inúmeras vozes do elenco musical brasileiro.



Nem só de música vive o jornalismo brasileiro, assim como nem só de jornalismo vive a música brasileira. No entanto, tenho plena certeza de que o ofício do jornalista e a música, como a cultura de um modo geral, estão de tal forma entrelaçadas que não dá pra desvencilhar uma da outra.



Você se lembra de Carmem Miranda – me soa meio esquisito te fazer essa pergunta porque parece que nós dois fomos contemporâneos da pequena notável – cantando “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar”? Não tenho como te dizer se, de fato, isso realmente procedeu, mas, reza a lenda, que quem anunciou foi a imprensa. – Peço licença para tecer um parecer que acabou de me ocorrer, portanto não é de fonte segura. Provavelmente o grande mote dessa música foi a brincadeira de rádio feita por Orson Wells que causou enorme confusão onde ele narrou de forma real a invasão do planeta terra por seres alienígenas. Porém, como não tenho em mãos os anos, tanto da música quanto da locução do cidadão Wells, fica esse parêntese sendo uma suposição minha. – ‘E...O mundo não se acabou’. A hipérbole da catástrofe a gente deixa a critério da imaginação do autor da música, Assis Valente, mas a inspiração veio de uma notícia de jornal.



Acabei de mencionar o título de outra música. ‘Notícia de jornal’ é uma música do Chico Buarque onde, na última frase, ele diz que “a dor da gente não sai no jornal”.



A própria rainha, sua companheira de programa, Rita Lee, na música ‘Barriga da mamãe’ diz: “Ai que pavor quando leio o jornal/ é só desgraça, é só baixo astral.” E em ‘Com a boca no mundo’ começa dizendo: “quantas vezes eles vão me perguntar”, isso sem contar as inúmeras outras canções que, creio que grande parte, que também tiveram inspirações em notícias veiculadas pela imprensa.



Retomando um pouco o mito da Carmem Miranda, quer fonte melhor pra música “disseram que eu voltei americanizada” do que as famigeradas críticas que saíram sobre a pessoa dela quando de volta ao Brasil?



Se eu fosse catalogar todas as músicas que citam de alguma forma o jornalismo faria um tratado, escreveria uma tese sobre isso. Porém existem outras ramificações culturais em que o jornalismo está presente e que vale a pena serem citados.



Na literatura, como um exemplo recente, a gente pode pegar o último livro da Coleção Plenos Pecados, editora Objetiva, o livro de ficção ‘Soberba – o vôo da rainha’ de Tomas Eloy Martinez onde se mistura a relação profissional e afetiva de um editor de jornal com sua subalterna. (Ficção misturada à realidade?)



Nas artes cênicas, ‘O beijo no asfalto’ da obra de Nelson Rodrigues onde a repercussão da notícia da realização de um último desejo de um moribundo provoca questionamentos na sociedade e na família do homem que atendeu ao pedido, visto que esse pedido não é comum.



Graças a sua profissão, Mônica, além de enriquecer-nos com as informações e suas atualizações, vocês jornalistas também têm a capacidade de contribuir com a cultura, inspirando artistas a construírem suas obras maravilhosas. Claro, nem sempre é pelo lado agradável. A moeda tem duas faces. E as duas podem ser musas inspiradoras.



Não é de hoje, principalmente depois do advento da internet, videofone e outros modos mais ligeiros de comunicação, que um dito popular, creio eu, pode ter sido exterminado de vez. É uma dúvida que constantemente anda comigo e você, como jornalista por excelência, pode saná-la. Por que notícia ruim corre rápida? Beijos. 30/08

terça-feira, 20 de janeiro de 2004

ESPECIAL SAIA JUSTA - MARISA ORTH



Marisa, morena Marisa. Menina meiga. Minha meta mesmo era ministrar um mail com um montante de manifestos mencionados com a letra m. Mas minha medíocre memória modificou esse mando. Mesmo assim vou tentar não sair da letra eme.



Você como atriz utiliza um instrumento que, bem ou mal, todo ser humano tem. A máscara. No entanto, atrizes e atores têm a capacidade de moldá-la com excelência dando a esse artifício um acabamento perfeito, anulando praticamente por completo a figura de quem impunha a máscara, como no seu caso. Não que a sua essência não esteja ali, naquela hora, com você, porém a camuflagem proporcionada pela imposição da máscara caracteriza o domínio do personagem sobre o a pessoa.



Numa escala menor, nós, reles humanos mortais, que não temos o estudo, a técnica e nem o preparo, ou seja, a capacidade de fabricar uma máscara, utilizamos ‘material’ mais barato, de qualidade inferior e acabamento idem e atuamos, mesmo que de forma rudimentar, seguindo o roteiro do dia-a-dia.



Querendo ou não, todo ser humano é um ator. Um ator social que brilha nos palcos da vida. Creio até que todo ator social é um ator, no sentido profissional da palavra, em potencial, que não tem a vocação e/ou o talento para o uso com excelência da máscara. A matéria prima fundamental para a confecção de uma máscara para os profissionais, somos nós, gente, atores sociais representando nossos papéis contribuindo para que vocês com seus talentos em moldá-las nos represente como nós representamos na sociedade.



Mudando um pouco o assunto sem sair da arte e muito menos sem deixar a máscara cair, gostaria de expor um outro comentário que somente você, atriz, pode avaliar mais profundamente.Não tenho idéia se já houve discussões, debates ou teses sobre o assunto e por causa dessa incerteza não vou atribuir à minha pessoa a autoria desse colóquio.



Há uma analogia que eu faço entre um espetáculo teatral e uma avenida no carnaval. Tanto um quanto o outro precisa de um fator essencial. O público. Todavia, a voz do povo, acho que quase nunca, é representada pela voz de um crítico ou pela sentença dada pelo jurado de um quesito qualquer. Nos dois casos há uma produção envolvida, e melhor aproveitada em se tratando de um espetáculo teatral, ensaios constantes em todos os setores, dentre eles elenco, técnica, cenografia e iluminação e uma enorme expectativa de estréia. – No caso do carnaval é estréia e encerramento de temporada ao mesmo tempo, com possibilidade de reapresentação no fim da semana. - Contudo em não havendo público, a máscara, a fantasia, de nada adianta.



Ou adianta? Agora está me batendo a dúvida. Será que o que eu disse até aqui não passa de uma tremenda bobagem? Porque visto o fenômeno dos ‘reality shows’ que têm acontecido na televisão mundial, quanto menos máscara melhor. Os atores confinados em uma jaula eletrônica não passam de atores sociais. Cada um defendendo seu personagem sem máscara. Será o fim da máscara? Não. Espero que não e levanto a bandeira a favor da máscara. Como sendo um componente da ‘população unida por um mundo mais justo’, exijo a minha parte em pão e circo. Repleto de máscaras.

Caso for possível, seria de bom grado que eu recebesse um feedback seu, por intermédio, ou não, do programa. Sei que a ‘Van van’ ocupa praticamente todo o seu tempo. Desde ‘Rainha da Sucata’, quando eu comecei a ver seu trabalho, suas máscaras têm se emoldurado perfeitamente no seu rosto.



Pra encerrar por definitivo vou cair no clichê conhecido e que é a mais pura verdade: Um país sem cultura é um país sem memória. Um país sem memória é... De que eu estava falando mesmo? Beijos justos. 24/07/03

terça-feira, 13 de janeiro de 2004

ESPECIAL SAIA JUSTA - RITA LEE



Rita, como seu metiê principal é a música, sem querer abusar, mas já abusando, aqui vai a letra que eu fiz sobre o 10º Prêmio Multishow de Música Brasileira, entregue no dia 3 de junho, no Rio, sobre melodia da sua composição ‘Arrombou a Festa 1’. Poderia ser a ‘Arrombou a Festa 2’ cuja melodia é a mesma. Enfim... ungido pelas luzes violetas emanadas em ondas ultra eletro magnéticas enviadas por vossa santidade, libero meu lado clownesco para que essa humilde e inocente brincadeira se volte a Santa Rita de Sampa como uma singela homenagem de um dos seus devotos e seguidores. Sua benção.







Ai ai meu Deus, o que foi que aconteceu

Com prêmio de música brasileira

Votação pela internet, de fã ídolo fica tiete

Termina tudo numa brincadeira



Ministro da cultura em nossa pátria mãe gentil

Prêmio de melhor cantor ficou com Gilberto Gil

O clipe desvendou um segredo do Frejat

Marisa, Arnaldo e Brown já sabem namorar

Melhor instrumentista foi o João Barone

Assim é que ele põe a sua boca no trombone

Tribalistas levaram melhor CD e DVD

Com tanto prêmio assim só fizeram aparecer



Eu sou de todo mundo e todo mundo é...



Ai ai meu Deus, o que foi que aconteceu

Com prêmio de música brasileira

Votação pela internet, de fã ídolo fica tiete

Termina tudo numa brincadeira



Se vê que a pivetada também participou

Se não Sandy e Júnior não levavam melhor show

E é graças a eles que o absurdo surge

Solo Luisa Possi e para grupo Rouge

Melhor grupo, Paralamas, realmente sem igual

Tremendão Erasmo Carlos homenagem especial

Sonho de Rita Lee infelizmente foi pro ralo

Prêmio melhor cantora foi pra Ivete Sangalo



Cauby Peixoto entrou, ‘Bastidores’ cantarolou

E por Tony Garrido se encantou

No prêmio de música brasileira

No prêmio de música



Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau

No prêmio de música brasileira

Kaya já, na gandaia kaya já

No prêmio de música brasileira

Eu fico sem saber até quando ainda estou vivo

No prêmio de música brasileira

Maresia, sente a maresia, maresia

No prêmio de música brasileira



Tá ligado, tá no Multishow 12/06/03

terça-feira, 6 de janeiro de 2004

ESPECIAL SAIA JUSTA - FERNANDA YOUNG



Decidi me comunicar com você da mesma forma que você se comunica com o mundo, ou seja, através das palavras. No seu caso elas são sábias, fortes, densas e penetrantes. Já eu, um reles espectador, as utilizo de outra forma, ligeiras, como em um bilhete, um telegrama. Se bem que, mesmo de uma forma eletrônica, mais parece uma carta.



Carta para alguém bem perto. Tão perto que já sinto intimidade para te enviar essa carta, principalmente pelo fato de abrir semanalmente a porta de casa, pelo meio televisionado, para que você desfie suas idéias, pensamentos, desabafos, através das palavras. No seu caso sábias, fortes, densas e penetrantes. E são por elas que você tem me cativado. Não só a mim quanto a inúmeros outros espectadores do ‘Saia Justa’. Uns pelo ódio a sua pessoa ou a algumas características suas, outros, e eu me enquadro neles, pela admiração e locupletação dos seus conceitos.



De vez em quando, ao acessar o site do programa para ver a pauta da semana, leio também as mensagens que outros deixam postadas. Tenho constatado que a sua popularidade é bastante discrepante. Se alguém te criticar, use a técnica Jair Rodrigues, aquela que ‘deixa que digam, que pense, que falem. Deixa isso pra lá. Vem pra cá, o que é que tem’. Ou então utilize o exemplo do Dias Gomes que dizia que ‘quem não nasceu pra provocar, não deveria nem ter nascido’.



Sua companheira de programa e minha rainha, Rita Lee, tem a sua mais completa tradução nos versos de uma das músicas dela: ‘diga que me odeia, mas diga que não vive sem mim’. Você personifica o ‘bem-me-quer, mal-me-quer’ dos espectadores e aqueles que te odeiam não vivem sem você. Esse é o meu ponto de vista e não ficarei magoado se você discordar e disser que não é nada disso. Mesmo discordando de mim continuarei concordando com grande parte de suas palavras. No seu caso sábio, forte, denso e penetrante.



Na semana que passou, aconteceu o maior evento literário do ano aqui no Rio; a bienal do Livro. E em dois dias em que percorri os três pavilhões do Riocentro repletos de livros de tudo quanto era tipo, tamanho, tema, tarja e tara, adquiri alguns bons livros, mas ainda sob o efeito urano, meu primeiro contato com sua literatura, ficaria com vergonha dos pés, dos meus, se não te procurasse novamente dentre aquelas prateleiras. Naqueles momentos em que estive rodeado por estandes atrativos me tornei e me senti uma entre as pessoas dos livros que necessitam desse evento como morfina para minha doença da compulsividade pela leitura. Estarei sempre à sombra de vossas asas, vós que sois, dentre outros tantos maiorais, destaque da nossa literatura.



Daqui da minha casa, daqui da sua terra natal, proponho recordações, mando lembranças e sugiro visitas. Niterói certamente está sempre de braços e portas abertas esperando que algum dia a filha pródiga volte e dê o ar da sua graça, simpatia e inteligência. Espero que nos encontremos aqui, ali, em qualquer lugar, nos esbarremos em cyber espaços e nos comuniquemos através de futura obra sua. Você conquistou mais um admirador. Forever Young. I wanna be forever Young.



Por aqui me despeço deixando, além dos seus, beijos para a Mônica, Marisa e a Rita. (Aliais, pede pra Rita fazer um show aqui no Rio. Com a situação em que a cidade se encontra, estamos ficando defasados no que diz respeito à alegria e ela é mestra em preencher esse tipo de carência.) Pode ter certeza de que eu não irei largar da barra da Saia de vocês quatro, mesmo que ela seja Justa. Transmita também meus abraços pro Alexandre Machado, seu marido. Considero vocês o ‘Tarcísio e Glória’ da teledramaturgia brasileira, de qualidade irrefutável e de palavras sábias, fortes, densas e penetrantes. 27/05/03