sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004

CINZAS



Infelizmente meu desejo não foi atendido. De nada valeu a minha torcida contra. A Beija-Flor é bicampeã do carnaval carioca. Não que eu não goste da escola. Eu só não acho justo ela não dar chance para as outras, principalmente pelo fato de nos últimos sete anos ela ter sido campeã três vezes (98, 2003 e 2004) e vice quatro (99, 2000, 2001 atrás da Imperatriz e 2002 perdendo da Mangueira).



Concordo que a vitória do ano passado foi mais para desfazer a injustiça das quatro garfadas anteriores e dessa vez sim ela mostrou o seu potencial, mesmo com toda a chuva que caiu durante o desfile. No entanto, o fato é que ela já tinha ganhado ano passado e tinha que ter dado oportunidade para as outras que não estão no páreo há anos, como Portela, Salgueiro, Império e Mocidade.



A grande e adorável surpresa desse carnaval foi o vice-campeonato da Unidos da Tijuca. Eu não vi o desfile por completo, estava chegando em casa nessa hora, mas o único carro que eu vi foi o que agradou a todos, onde 127 pessoas representavam a cadeia de DNA. Ninguém dava nada pelo samba em si, todavia isso mostra o quanto uma escola pode crescer e surpreender na avenida mesmo com um samba que passa desapercebido. Ela já passou por esse tipo de ascensão ao subir pela última (e por enquanto definitiva) vez para o grupo especial quando conquistou o quinto lugar. E se a escola ganhasse seria, ao longo da competição de desfiles, a segunda vez que ela levaria o título. A primeira foi logo no início, na década de 30.



A minha Viradouro não conseguiu levar o título conquistado 8 anos atrás, mas elevou no ranking, comparado ao ano passado, em duas posições, passando de sexta para quarta colocada, ficando atrás da Mangueira, Tijuca e Beija Flor e se mantém entre as que desfilam nas campeãs desde sua vitória em 97.



Mas esse realmente foi um carnaval aguado, não só pelo enredo da bicampeã tocar nesse assunto, mas também pelo fato de ter chovido muito durante os festejos. Desde a abertura oficial do meu carnaval, no último ensaio da Viradouro na quinta feira São Pedro não estava lá de bom humor.



Sexta feira fui a um bloco famoso, mas não tão agradável como eu imaginava. O Bip-bip em Copacabana. É do tipo concentra, mas não sai. Sábado eu prefiro não considerar. Derrota total. Não desejo isso pro meu pior inimigo. Acabar o carnaval na rua Nóbrega é o que há de pior, principalmente se você não tem mais de 70 e menos de 10. E o pior é que às 11 horas da noite termina o carnaval lá. Se é que aquilo pode ser chamado de carnaval.



Domingo foi dia de ‘Simpatia é quase amor’ em Ipanema. Foi. A gente saiu tão tarde de casa e ainda o motor do carro ferveu que quando finalmente a gente chegou lá na praia o bloco já tinha passado. Pra nossa sorte vinha vindo um outro bloco que também desfilava pela orla de Ipanema e ficamos defronte ao Ceasar Park vendo a merda passar pela gente. O nome do bloco é ‘Que merda é essa’ e nós não fomos atrás. Ele passou pelo local que nós estávamos e seguiu seu rumo. A gente poderia ter ido atrás da merda como quase todos que lá estavam. Mas a gente preferiu ficar, visto que a merda já tinha acontecido naquele dia com o carro. Segunda foi o dia do bloco de segunda, na Cobal de Botafogo. É um dos melhores blocos de carnaval do Rio e gerou uma expectativa tão grande, que a gente chegou atrasado e acompanhamos a segunda metade do trajeto do bloco. Terça fui pro Carmelitas, em Santa Tereza, e depois fiquei na Lapa esperando a chuva passar pra poder voltar pra casa.



Apesar da água toda foi um bom carnaval. Claro que o do ano passado foi melhor. E a expectativa pro ano que vem é maior. Ainda mais que a Vila Isabel voltou pro grupo especial. Agora é só aguardar virar o ano pra re-esquentar os tamborins.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

NA PALMA DA MÃO 2004



Com a proximidade do carnaval, aqui vão minhas opiniões sobre os sambas que serão executados na Marquês de Sapucaí nos dias 21 e 22 de fevereiro, já sobre o comando de Momo, o rei da folia. Ordenarei a apresentação da seguinte forma: alternando os dias dos desfiles, porém seguindo a ordem de entrada na avenida. A primeira de domingo, a primeira de segunda, a segunda de domingo, a segunda de segunda e assim por diante.



Como quem sempre abre o carnaval é a escola que subiu do grupo de acesso (especula-se planos pra que essa regra seja mudada a partir do próximo ano), a São Clemente vem com “Boi voador sobre o Recife: o cordel da galhofa nacional”, uma forma bem humorada e polêmica de crítica ao jeitinho brasileiro com bastante sacanagem. Mas não é um samba que empolga muito, principalmente os viadinhos de pelotas, e ela é uma séria candidata a voltar de onde veio. O refrão principal é “Onde a zorra vai parar/ Eu to sofrendo, mas eu gozo no final/ A São Clemente faz a gente acreditar/ Que no Brasil o que é sério é carnaval”



A Tradição que pisou na bola ano passado com Ronaldinho e quase caiu, se recuperou majestosamente e faz a releitura de ‘Contos de Areia’, último samba que eles defenderam ainda como Portela e que valeu o título de campeã tal como a Mangueira vinte anos atrás, sendo que a verde e rosa foi consagrada a supercampeã daquele carnaval. Samba magnífico. “Okê-okê Oxossi/ Faz nossa gente sambar/ Okê-okê, Natal/ Portela é canto no ar.”



‘Xuxa e seu reino encantado no carnaval da imaginação’ é a aposta que a Caprichosos de Pilares faz pra ganhar o título esse ano. Sem comentários. Com tanta gente que fez mais pelo país merecendo homenagens, quem que eles escolhem? E olha a profundidade poética do refrão: “Batam palmas, ela já chegou/ Em meu coração um X marcou/ Xuxa, eu te amo, eu te amo, meu amor.”



O samba da Porto da Pedra está um samba gostoso de se ouvir, com uma cadência boa. Geralmente na avenida é mais acelerado que na gravação do disco. Se isso acontecer creio que ela vai perder um pouco da empolgação que pode vir a acontecer durante sua apresentação. ‘Sou tigre, sou porto, da pedra à internet – mensageiro da história da vida do leva-e-traz’. O título é quase do tamanho do samba que analisa a evolução das comunicações. “Alegria! Estou na rede, vou pro espaço sideral/ Sou Porto da Pedra, levando emoção/ Deixando um beijo no seu coração.”



A Unidos da Tijuca está com um samba que não fede e nem cheira. ‘O sonho da criação e a criação do sonho: a arte da ciência no tempo do impossível’ mostra como que o povo da época de Leonardo DaVincci imaginava, desenhava e criava o futuro. O que é a internet pra nós era a pena, o papel, o tinteiro e o mata borrão pra eles. Mais ou menos isso. “Sonhei, amor, e vou lutar/ Para o meu sonho ser real/ ...Com a Tijuca, campeã do carnaval.” Acho meio difícil, mas...



Acho que a Rosa Magalhães está bem fálica nesse ano. Enfiaram o Cabo (Frio) para apoiar o enredo que fala sobre o Pau (Brasil). Essa união meio aboiolada é o mastro em que a Imperatriz Leopoldinense vai se agarrar esse ano. ‘Breazail’ é o título do samba que tem como refrão principal “Hoje eu quero ver/ Caldeirão ferver nessa magia/ O Brasil deu a cor / Pra tingir de amor nossa folia.” O samba não é empolgante, mesmo assim ela sabe como transformar isso em título. Eu torço contra.



A união do Salgueiro faz o açúcar literalmente. Com o enredo ‘A cana que aqui se planta tudo dá, até energia... Álcool, o combustível do futuro’ a escola vai adoçar o carnaval na Sapucaí tendo outra vertente da cana de açúcar, já que a Imperatriz cantou a cana, propriamente dita, poucos anos atrás. “A cana que aqui se planta, tudo dá/ Dá samba até o dia clarear/ O combustível do futuro é brasileiro/ É energia que hoje embala meu salgueiro”. O samba não é bom na sua literariedade (isso existe?), mas empolga e é capaz de pegar por causa de ambos os refrãos.



A Império Serrano, depois do ostracismo que ela passou quando caiu pro grupo de acesso e as dificuldades em se firmar novamente no grupo especial, lugar dela, vem se mantendo lá pela faixa do décimo lugar. Esse ano, como uma das quatro escolas que reeditam enredos passados, fez uma bela escolha e, conforme sua apresentação, pode conquistar mais um título depois de 22 anos. ‘Aquarela Brasileira’ completa 40 anos e é sempre lembrada e cantada em rodas de samba até hoje. “Brasil/ Estas nossas verdes matas/ Cachoeiras e cascatas/ De colorido sutil/ E este lindo céu azul de anil/ Emolduram aquarela o meu Brasil.” É um samba-exaltação magnífico. Tem tudo pra ganhar.



Aderindo ao chamado samba conscientização, ‘Vamos vestir a camisinha, meu amor!’ é o grito de guerra da Grande Rio. O samba é gostosinho também, bem cadenciado e com as malícias e saliências da letra, corre sério risco de cair na boca do povo. “Se a Grande Rio chamou, eu vou/ Se o assunto é coisa de pele, eu to/ Por isso, bota a camisinha, bota, meu amor/ Foi o velho guerreiro quem mandou.”



A grande campeã do carnaval passado e mantenedora do título, por enquanto, tenta defender seu louro com um enredo sobre Manaus e a preservação da água e floresta. Lembra muito o enredo do ano passado em se tratando de cadência e ritmo. A Beija-Flor traz o enredo ‘Manôa – Manaus - Amazônia – Terra Santa... Que alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz’ e diz que “Se Deus me deu, vou preservar/ Meus filhos vão se orgulhar/ A Amazônia é Brasil, é luz do Criador/ Avante com a tribo Beija-Flor”.



A Mangueira está com um samba bom, tradicional na sua feitura e divisão harmônica e bem apresentável. Talvez seja a melhor gravação do disco. Outro samba com forte chance de ser cantado pelo povo. “Eu vou embarcar/ Na Estação Primeira/ Tesouro do samba, minha paixão/ Ê, trem bão!” deixa o estado de Minas Gerais todo de verde e rosa. Com o enredo ‘Mangueira redescobre a estrada real... e deste eldorado faz seu carnaval’, ela passeia pelos encantos das Minas Gerais.



Juntando o sacrossanto com o profano, a Viradouro relembra a ‘Festa do Círio de Nazaré’, enredo de 1975 da extinta São Carlos, que depois fundiu com a Estácio de Sá. ‘Pediu pra Pará, parou!... Com a Viradouro eu vou. Pro Círio de Nazaré’ evoca a fé dos romeiros na festa que pára o Pará. “Oh, Virgem Santa, olhai por nos/ Olhai por nós, oh, Virgem Santa/ Pois precisamos de paz”.



Encerrando o primeiro dia de desfiles, a Portela faz seu carnaval também reeditando um samba próprio de 1970, quando ela foi campeã pela antipenúltima vez. Depois disso dividiu os títulos de 80 e 84. ‘Lendas e mistérios da Amazônia’ é outro samba daqueles de tirar chapéu e que nem precisa de comentários. Simplesmente excelente. O refrão é “Esquindô, lá, lá/ Esquindô, lê, lê/ Olha só quem vem lá/ É o Saci-Pererê”.



E fechando o segundo dia de desfiles e a apresentação das escolas de samba vem a Mocidade também com o samba conscientização - cuja própria Mocidade fez no ano passado com a doação de órgãos – ‘Não corra, não mate, não morra, pegue carona com a Mocidade! Educação no trânsito.’ Mais uma vez perdeu a oportunidade de vir com samba forte como em ‘Vira Virou’ ou ‘Chuê, chuá, as águas vão rolar’. “Pare, pense/ Olha a sinalização/ Proteja quem te ama/ Siga em paz na direção.” A escola, atualmente, não está sendo boa no que já é.



Essa idéia que a Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) teve pra comemorar os vinte anos do sambódromo e da própria liga foi muito boa. Pena que só quatro escolas de samba acataram a decisão de fazer releitura de enredos antigos. Mas se as outras não quiseram, problema é delas. Acontece que os sambas que se apresentam ultimamente são uma porcaria. E se elas quiseram botar essas porcarias pra concorrer com os imortais ‘Aquarela Brasileira’, ‘Contos de Areia’, ‘Lendas e mistérios da Amazônia’ e ‘Festa do Círio de Nazaré’, depois não podem reclamar se uma dessas conquistar o título pelo fato de já serem sambas que conquistaram campeonatos passados. Só espero que daqui a vinte anos, se a LIESA ainda existir e propor a comemoração dos quarenta anos de sambódromo a Unidos do Autódromo de Jacarepaguá não me venha reeditar o enredo da Xuxa. Imagina a cena dantesca da Rainha dos Baixinhos, pra lá dos 60 anos, no abre alas. Nem com os peitos de fora, como fez a Dercy pra lá dos 80.



Tá na cara que as minhas preferências pra conquista do título, são pelas quatro escolas que estão reeditando sambas. E a Viradouro tem que voltar pra manter a tradição de desfilar entre as campeãs desde o ano que ela levou o título. Torcerei contra a Beija-Flor, Mangueira e Imperatriz, que dominam os primeiros lugares desde 98. Essas não podem conseguir o primeiro lugar de jeito nenhum. O vice é perdoável.



E, das que disputam a lanterninha, tem a já previsível São Clemente, atual representante das escolas tipo iô-iô, que sobe num ano e desce no outro e, claro, a Caprichosos. Porque ninguém agüenta um refrão que diz Xuxa eu te amo meu amor durante uma hora e meia.



Tiraremos nossas conclusões nas cinzas da quarta-feira. Que vença a melhor, ou melhor, que vença a que os jurados escolherem, que nem sempre é a melhor. Cabeça de jurado é uma coisa que não se entende, né?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

É DO BALACOBACO



O ano de 2004 começou de uma forma espetacular pra mim. Logo de cara, no décimo dia do primeiro mês tive a chance, a oportunidade, o prazer e a honra de assistir no Canecão o melhor show do ano. Podem vir outros, de vários artistas, mas nenhuma apresentação, de quem quer que seja, vai superar a magnitude e o esplendor desse show que eu fui, pelo menos até o fim desse ano.



Dando ao Rio o privilégio de estrear a turnê nacional do show Balacobaco, referente ao 31º álbum da sua carreira, a Elizabeth II brasileira, misto de Rainha e de Santa, Rita Lee foi bastante elogiada, não só pela crítica carioca, quanto pelo povo que habita a região do sovaco de Cristo. O sucesso foi tamanho que além dos quatro dias que ela já tinha reservado, teve que ser abrigada na casa de shows por mais dois.



Abrindo com a Gripe do Amor e a música que dá título ao disco e ao show, Rita e sua banda, incluindo o marido, Roberto de Carvalho e o filho Beto Lee, traçam um repertório que é envolvente e atraente. É como se ela fosse aquela luz arroxeada que fica em lanchonetes e nós, público, as moscas que são atraídas pra serem fritas. Claro que a luz de Rita é diferente. Ela não frita, cozinha. Cozinha nossas sensações, emoções e memória a ponto de chegar a um estado de torpor maravilhoso.



O show só ficou em 99% por causa de um acontecimento que não foi proveniente de nenhum organizador, produtor ou pessoal de apoio. Não posso confirmar também se os fatos aqui revelados chegaram ao conhecimento da Rita conforme essa versão por se tratar da nossa presença diante do ocorrido. Mas uma coisa é constatada. Ela perdeu um fã. Aliás, não se pode chamar uma pessoa com esse tipo de atitude de fã, mas que esse sujeito vai repudiar shows da Rita, isso vai. E tomara que aconteça porque ela não merece esse tipo de expectador.



Fim do show. Eu e minha prima fomos pra fila do camarim pra poder falar com ela, tirar fotos, autografar cd e dar o presente. Já tinha um rapaz na fila, era o primeiro, nós éramos os segundos e uma mãe com duas crianças eram os terceiros, fora outros fãs, uns trinta mais ou menos. Sempre que tem shows, principalmente no Canecão e em casas de espetáculos desse porte, é mais do que sabido que, mesmo com fila, os primeiros a entrarem no camarim de qualquer artista são as pessoas que tem um destaque a mais na sociedade como músicos e artistas de um modo geral.



Mas nem todo mundo entende isso. A confusão que aconteceu na porta do camarim foi desenlaçada por um homem baixo e gordinho que começou a bater boca com a, digamos, ‘porteira’ que controlava a entrada desses vips. A arrogância, petulância e violência verbal, gritando aos quatro ventos ‘quando que ela iria atender ao povo’, que ‘só viu entrar vip e gente que não paga pra assistir ao show’, que ‘o modo como o segurança pediu pra fechar a porta era uma agressão contra nós’ foi de tal modo assustador que ninguém concordava em nada de uma palavra que ele estava proferindo. Era o único deslocado dali. E mesmo falando, ou pensando que estava falando, em nome de todos os que estavam na fila, a vontade que a maioria estava, naquela hora, era de dar uma porrada na cara daquele sujeito. Os seguranças, coitados, ouvindo aquelas barbaridades sem poder fazer nada contra o gordinho babaca.



Rita, que mesmo sendo o terceiro dia de shows ainda se recuperava da infecção estomacal da qual foi acometida no início do ano, simplesmente, e com toda razão, desistiu de receber a todos que a aguardavam paciente e compreensivamente na fila. Eu, se fosse ela, também faria o mesmo. Infelizmente a foto e o autógrafo no cd eu não ganhei, mas o presente foi entregue pelo segurança na mão da Rita. Fato visto e confirmado por minha prima.



Ela ainda se apresenta essa semana, no dia 13. E sem babaca atrapalhando.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2004

SÁBADO Á NOITE TUDO PODE MUDAR



Voltei. A parada estratégica pra renovar o fôlego foi válida, a energia está recuperada e, a partir de agora, é encarar esse ano de 2004 de frente, com tudo que ele vai nos oferecer, seja de coisas boas ou de não tão boas assim.



Pra começarmos com o pé direito, que tal levantar logo o astral e o humor? Vamos realizar um pouco. Imagine aquele sábado à noite em que tudo o que se pensou em fazer foi por água abaixo. Ninguém gosta quando isso acontece.



Mês passado, nos sábados que não saí, descobri um programa que é comédia pura, daquelas que se racha de rir, principalmente pelo fato de ser horrível de brega. Obviamente é programa independente que aluga espaço na grade de programação da emissora porque nenhum dono de concessão televisiva teria a coragem de bancar um programa dessa estirpe. Por ser independente e semanal e pelo horário em que se passa, cerca de duas da manhã, provavelmente é a faixa de hora mais barata da televisão. Por essas e outras peculiaridades, é uma atração em que se curva de tanto dar gargalhada de tão mal feita que é. Parece produção de fundo de quintal. Nem o Canal 36 (Net – Niterói e São Gonçalo) faz programas dessa espécie.



A gargalhada começa com o nome do programa. ‘Alegria Alegria’. Só pelo título já se tem idéia do quanto ele alegra. Tem um casal de apresentadores que são aqueles famosos desconhecidos. Ela se chama Cássia Franco, é loura de farmácia e eu não me arriscaria a passar a noite com ela com medo do susto que eu iria levar na manhã seguinte. Não que ela seja horrível, apenas não tem uma beleza plástica interessante, o que ela não precisa pra apresentar o ‘Alegria Alegria’ ao lado de Dalto Cavalheiro.



A cara desse homem não tem definição. Eu acho que é a mistura do Bozo com o Krusty, dos Simpsons, com um toque de modelo de cadeia antiga de fast-food americano, como o KFC, usando uns paletós do Chacrinha. Sei lá. Você tem que ver pra tirar suas conclusões. Pra se ter uma idéia, o programa é tão engraçado de horrível que o apresentador Dalto Cavalheiro, quando a atração acaba de se apresentar, principalmente se for grupo, ele pergunta o nome das pessoas que se apresentaram. Isso sem contar as vezes em que ele se volta pra câmera e diz que o espectador é confirmado dele, coisa de evangélico, ou chama os comerciais em tom frenético.



Por falar em grupos, quem tem a coragem de se apresentar lá são os conhecidíssimos grupo Pixote (pagode), Pegada Quente (forró), Canto Pixaim (samba), Paulo Henrique e Rafael (tá na cara) e, pra minha surpresa, Salgadinho (ex Katinguelê). Ainda bem que esse Salgadinho passou da validade e só canta em playback no ‘Alegria Alegria’



No júri, duas das cinco pessoas me chamaram a atenção, apesar de eu achar que não muda nunca. Uma foi a dona de um salão de beleza chamado Santorini Hair. Imagina os cortes de cabelo feitos no Santorini Hair. E outro foi o senhor Leonel Aguiar, dono das Faculdades Leonel Aguiar cuja mensalidade é de meio salário mínimo. Qual a importância desse sujeito para a educação?



E as ‘alegretes’? O que são as ‘alegretes’? Mulheres celulitizadas cujas bundas gordas aparecem mais que as caras de suas donas, o que também não faz diferença. Algumas dançam com aquele peso de plástico que se enchem de água, logicamente vazios. Elas e os dançarinos sem camisa fazem parte da ‘Cia de Dança Megaxé’. E o auditório, com crianças de doze anos e mulheres com neném de colo?



Se quiserem mudar de astral no sábado á noite, assistam na Rede TV ao programa ‘Alegria Alegria’, com o patrocínio dos biscoitos Dunga - o biscoito e da BRA Transportes Aéreos. São Paulo tem condições de fazer coisas muito melhores.