segunda-feira, 31 de maio de 2004

UM NOVO TEMPO



Antes de qualquer coisa, gostaria que me desculpasse por estar ausente na semana passada. Explicarei qual o motivo de força maior que me fez ausentar desse compromisso semanal sacramentado com quem ousa a entrar nesse blog, perde tempo e gasta paciência para ler essas linhas.



O mundo evolui constantemente. E por conta dessa evolução nós, aqui em casa, não queríamos ficar pra trás. Como disse, creio eu, várias postagens atrás, o primeiro computador pessoal chegou aqui em casa em 93, ou seja, lá se vão onze anos. Ao ser ‘desencaixotado’, utilizávamos dois sistemas operacionais. O Windows já ultrapassava, começando a se destacar, no entanto o MS-DOS não ficava muito atrás. De lá pra cá, além da veloz e massacrante entrada dos programas da Microsoft que praticamente domina os PC’s, de tempos em tempos o sistema operacional do Windows chega com novidades superando as versões anteriores, e o sistema MS-DOS, apesar de funcionar e ter sua utilidade, não é mais utilizado, principalmente pelos analfabetos cibernéticos, como eu.



Fazendo uma analogia com a evolução das espécies de Darwin e me concentrando basicamente nas minhas experiências pessoais, o primeiro Windows que chegou aqui foi o 3.1. Depois vieram o 95 e o 98 que, já caquético e cheio de probleminhas que no fim formaram um problemão, reinou nesse HD até a última segunda feira. Desde então estamos operando sob a direção do sistema operacional Windows XP.



Ainda, quando se cogitava a ascensão do XP nessa máquina, duas correntes foram geradas. As ‘contra’ e as ‘a favor’. Mais a favor do que contra. Decisão estudada e tomada, a evolução chegou aqui.



A operação foi complicada e demorada. Um pente de memória de 128 (?) teve que ser implantado para expandi-la e criar condições da atuação sem problemas do XP. Fiquei como assistente enquanto o doutor fazia a operação. Minha preocupação eram com as músicas, as fotos e os textos. O resto dava pra recuperar com o tempo e a paciência de sentar a bunda aqui e fazer o que tem pra ser feito.



Quem está pensando em trocar o Windows, eu aconselho o XP. Tá certo que ainda é muito cedo pra eu ficar aqui tecendo elogios, mas além de ser simpático, no sentido de apresentável, é mais funcional e não apresentou nenhum problema em uma semana de uso.



Devo confessar que essa operação não foi efetuada com o sucesso que deveria ter. Além da internet só voltar a funcionar na quinta, (com o velox acessando as páginas numa velocidade estonteante) as músicas vieram todas, cerca de quinhentas, mas as fotos e os textos foram perdidos alguma quantidade. As fotos, ainda dão pra recuperar algumas, as mais antigas, pois estão guardadas em disquetes. As que não estavam guardadas em sua grande maioria foram perdidas. Quanto aos textos, só os que se referiam a parte que me cabia nesse latifúndio virtual, sumiram alguns. Esses não dão pra recuperar e, entre eles, todos os textos que eu semanalmente escrevia e postava aqui, inclusive um inédito que preencheria a lacuna deixada nessa semana de mudanças.



No entanto, tanto o sistema operacional quanto as escritas semanais para esse blog estão entrando em um novo tempo. O sistema pelo fato de por enquanto não ter nenhum que deixe esse obsoleto (não se sabe até quando). As escritas semanais por que, como aconteceu esse pequeno acidente de percurso, essa que estou finalizando é a primeira escrita no XP e a primeira, depois de tantas outras, que eu não vejo na página de cima o da semana passada. De mudanças concretas, a princípio, só essas mesmo. No mais, é tocar o barco pra frente e, de preferência, a favor da correnteza.

segunda-feira, 17 de maio de 2004

AVENTURAS PAULISTANAS (4)



O relógio deu as duas badaladas vespertinas. Tomamos nossas posições. No stand quatro autores dividiam a mesma mesa. Eu era a única pessoa que não era de São Paulo, a única do sexo masculino, a única co menos de trinta anos e a única que não fazia parte do casting da editora Scortecci. Era muita exclusividade pro meu gosto.



Apesar de estar no maior evento literário do país expondo o meu produto, acabou que não vendi um exemplar sequer. Aliás, dos quatro autores que estavam dividindo a mesa, talvez a que tenha vendido mais foi uma senhora que vendeu no máximo uns dez exemplares, assim mesmo pra parentes e amigos que sabiam que ela estaria lá. Por esse ponto de vista, eu não vender nenhum tem uma explicação plausível já que minha base, meus amigos e meus contatos estão no Rio de Janeiro. A segunda no ranking de vendas foi a moça do livro infantil que atingiu o alto índice de meia dúzia de exemplares. Eu e mais uma outra dona lá ficamos no empate técnico com zero de venda.



Minha mãe e tia Tânia apareceram por lá por volta das quatro da tarde. Elas foram e voltaram de avião no mesmo dia. Ficaram comigo no stand até dar cinco e meia, quando eu saí pra comer uma coisinha e mudar de posição. A partir dali eu deixei de ser o autor pra ser o tiete, o fã.



A Fernanda Young, minha conterrânea, estava lançando no stand da Ediouro o novo romance dela: Aritmética. Não era por u ter uma credencial de autor que eu teria prioridade na fila. Já tive cinqüenta por cento de desconto na compra do livro dela, e quem sou eu diante de Fernanda Young. Entrei na fila como todos os mortais esperando chegar minha hora. Concedi um exemplar do meu livro pra ela enquanto autografava o dela pra mim. Na saída, outra pessoa que ganhou exemplar também foi a Mônica Waldvogel.



Pois bem. Como minha mãe e tia Tânia tinham pouco tempo, resolvemos rodar pela feira, já que nem eu e nem elas tínhamos feito isso. Rodamos. Vimos algumas coisas aqui, outras ali, a maioria que não me interessava, até dar a hora delas voltarem pro aeroporto. Me despedi delas. Voltei correndo pra ver se a Fernanda ainda estava lá. Positivo. Não pensei duas vezes. Fui no stand da antiga editora dela, a Objetiva, comprei os outros dois livros que faltavam pra fechar minha coleção e que também estão devidamente autografados, já abusando da boa vontade dela.



Ainda havia um exemplar pra dar como cortesia. Nas andanças com minha mãe e minha tia, em algum lugar a gente viu o Ziraldo. Fui atrás dele. Ainda o vi dando o último autógrafo em um livro pra se levantar e ir até a sala vip do stand. Infelizmente eu não consegui dar nas mãos dele, porém uma assessora dele foi muito solicita e disse que entregaria pra ele. Sem mais nada pra fazer, pra ver ou pra comprar – estava com quatro livros debaixo do braço; os três da Fernanda e os 100 melhores contos eróticos da literatura universal também da Ediouro e também pra completar a coleção – fui me embora. A fila pra pegar o ônibus pro metrô do Jabaquara estava enorme e ainda mofei uns quarenta minutos até conseguir.



Cheguei em casa, tomei um bom banho frio, como todos os outros, e fiquei conversando com o Lucinho e o Marcelo até eu sentir sono por volta das três da manhã. Lógico que o Lucinho já tinha ido dormir, mas o Marcelo, mesmo tendo que acordar cedo no domingo pra trabalhar, ainda ficou vendo as coisas da casa visto que ele ia fazer uma feijoada pros amigos dele no domingo à tarde. Me despedi dele por definitivo quando fui dormir.



No dia seguinte o Lucinho me acorda por volta das nove e meia e esperou eu me arrumar pra que ele pudesse, conforme havíamos combinado no dia anterior, me levar no aeroporto. Cheguei lá por volta das 11, o avião subiu ao meio dia e a 1 estava no Rio.

segunda-feira, 10 de maio de 2004

AVENTURAS PAULISTANAS (3)



Essa parte do centro de São Paulo é muito compacta. É tudo muito juntinho e dá pra conhecer em pouco tempo. Saindo do prédio da Caixa, com as indicações que o Marcelo me deu, passei pelo famoso Pátio do Colégio, lugar onde oficialmente a cidade de São Paulo surgiu. A construção não é lá essas coisas principalmente numa cidade onde os arranha-céus são imponentes, mas a simbologia é o que impera naquele pequeno espaço. Na hora em que eu passei por lá tinha um bando de crianças entrando no espaço, fazendo excursão de escola.



Em seguida fui pro prédio da bolsa de valores ver a outra parte da exposição da Anita Mafalti. Como era no hall do prédio e eu não queria gastar tempo vendo a centimetragem e o material usado nas telas, só lia os títulos e via as gravuras. Minutos depois saí dali. Ao lado desse edifício está o Banespão. Considerado o Empire States paulistano o prédio também abrigava uma exposição no hall que eu nem quis saber qual era. Perguntei logo como que eu fazia pra subir no topo.



Lá de cima São Paulo é outra. Quer dizer, é a mesma, mas de outro ângulo. Pra qualquer lugar que se olhe, não se vê fim na cidade. Claro que olhar o Rio de cima do Pão de Açúcar ou do Corcovado é mais bonito. A emoção do Banespão é diferente e durante uns vinte minutos fiquei com São Paulo aos meus pés. Desci. Passei em frente ao CCBB, mas não entrei e acabei na rua São João. Não aconteceu nada com meu coração visto que nem sei onde fica a Ipiranga.

Andei até encontrar uma escadaria em que desci e fui parar no Vale do Anhagabaú. Lugar bonito, bem cuidado, uma praça de lazer onde vi várias pessoas andarem de skate e famílias passeando além de um encontro meio que espontâneo de alguns 'encrachazados'. Subi a escadaria que dava na lateral do Municipal e voltei pelo Viaduto do Chá que passa sobre o Vale. Esse viaduto liga o Municipal à Prefeitura.



Olhei pra cima. O tempo não estava lá grandes coisas e tive medo de que a chuva me pegasse desprevenido. Voltei ao metro da Sé e carreguei minhas coisas pra casa. São Pedro me enganou. Saí de casa, passei no shopping ali perto pra tomar um ‘maltine médio’ e comer três esfirras e fui para o Memorial da América Latina, obra do Niemeyer que fica ao lado da estação da Barra Funda. Cheguei lá pouco mais de seis horas da tarde e a exposição do Di Cavalcante já não estava mais aberta pra visitas. Fiquei admirando a construção até voltar pra casa.



À noite, conversava bastante com o Marcelo, já que o Lucinho não podia ficar acordado pelo fato de ter que trabalhar cedo no dia seguinte, mesmo sendo sábado. Marcelo também tinha que trabalhar, mas não tão cedo.



Meu grande dia chegou. Acordei quando o Marcelo estava de saída. Pouco depois ele me telefona sugerindo que antes que eu fosse ao pavilhão de exposição da Imigrantes, desse um pulo na Avenida Paulista. Não fui. Não queria me cansar muito. O máximo que eu fiz foi lavar a louça e tornar a dormir. Não de ferrar no sono, um cochilo pra descansar mais ainda a minha beleza ofuscante.



Comecei a me arrumar pouco depois das onze pra poder sair ao meio dia, mas me atrasei um pouco e só fui sair ao meio dia e vinte. Andei até o metrô da Barra Funda, troquei de linha na Sé e fui até a estação terminal do Jabaquara. Lá havia ônibus gratuito que levava os visitantes até o Centro de Exposições Imigrantes que ficava a menos de um quilômetro dali. Cheguei lá, preenchi a ficha, dei pra balconista e peguei a minha credencial de autor.



Entrei preocupado com a hora, pois eu havia marcado as duas e faltavam quinze minutos. O tempo que eu previa pra comer algo e ir ao banheiro estava muito escasso, mas nada que um sanduíche pudesse garantir, ao menos até as cinco e meia.

segunda-feira, 3 de maio de 2004

AVENTURAS PAULISTANAS (2)



Ligo então pra garagem da 1001. Eles confirmam que o meu banner está em poder deles – para alívio meu – e me dão o endereço da garagem. Vila Guilherme – para minha apreensão. Como fazer? Liguei por Marcelo que havia saído de casa há uns vinte minutos e pedi sugestão de qual lugar eu iria passar primeiro. Pinheiros. Era só pegar um ônibus que passava em frente ao edifício. Peguei. Um desses micros. Só que lá não é o motorista que além de pilotar faz a vez do trocador. Há um cobrador que mais parece acompanhante de van que grita o itinerário. Pedi que me deixasse numa rua próxima a que eu ia. Eles me deixaram.



Mais uma quadra e eu já estava falando com a Fernanda da Scortecci. Tudo acertado e agora, pra me ver livre das obrigações só faltava a Vila Guilherme. A Fernanda me deu dica de duas linhas de ônibus que me deixava no terminal Tietê pra de lá me virar ou o metrô que ficava no final da rua na qual saltei do ônibus. Preferi o metrô. Já estava me acostumando. Andei um bom pedaço, como da Marquês de Sapucaí até a Candelária, e o pior é que era subida. Tudo bem. Peguei o metrô, linha dois, na estação Clínicas e troquei de linha na estação Paraíso.



Pelo guia de ruas a Vila Guilherme ficava próximo ao Carandiru. Saí do metrô, li na placa de um ônibus que o mesmo passava próximo à rua que eu estava querendo ir e entrei nele. Sentei na frente do trocador, abri o guia de ruas e disse pra ele apontando no mapa: ‘Quero chegar nessa rua aqui. Qual o ponto mais perto?’. Ele olhou o mapa durante uns cinco minutos – pra mim foi uma eternidade – e me indicou o ponto pra descer. Desci e fui andando. Em poucos passos estava diante de uma agência de correios. Entrei sem titubear e perguntei onde era a tal rua. Estava perto. Era a segunda rua à esquerda de onde eu estava. Mais um pouco e cheguei na garagem da 1001. Peguei meu banner e perguntei ao Josué, responsável pelos achados e perdidos, como ir pra estação de metrô mais próxima. Carona. Tinha um ônibus que iria sair ao meio dia e meia de São Paulo pra Ribeirão Preto e foi o que me deixou no Tietê.



Agora eu estava livre e podia fazer o que quiser. Minha intenção era me perder pela cidade. Ia começar pela Sé. Peguei o metrô e desci lá, do lado da catedral. Enquanto eu visitava a igreja, o padre terminava de rezar a missa de meio dia e meia. A catedral é enorme por dentro e tem partes que o acesso é restrito ao público. Por volta de uma hora saí da igreja.



O Marcelo estava ali perto, em frente à praça da Sé, trabalhando no edifício da Caixa Econômica Federal como monitor de uma exposição. Liguei pra ele e a gente se encontrou. Ele já tinha almoçado e eu estava com fome. Me indicou alguns restaurantes ali por perto e eu fui no de comida natural. Entre outros alimentos que estavam no eu prato, dei mais importância para a carne de soja. Não é ruim, mas também não tem o sabor de uma picanha. Acabado o almoço voltei pro edifício da Caixa conforme havíamos previamente combinado. Ele estava monitorando um grupo. Eu, pra não perder a viagem e conhecer também aquela atração, fui atrás. Perdi a explicação das três primeiras salas, se não me engano, mas continuei acompanhando com o grupo. Terminada a incursão pela história da Caixa, ele me indicou outros pontos ali perto para que eu aproveitasse e passasse por eles. Foi o que eu fiz. Lógico que não ia dar tempo de fazer tudo. Eu teria que escolher um ou outro.



Antes mesmo de sair do prédio da Caixa, vi uma parte da exposição da Anita Mafalti que estava lá. A outra parte estava no prédio da bolsa de valores que eu também fui ver já que estava perto. Gostei da exposição dela. Deu pra ver pelos quadros que ela não é uma mulher tradicional, que seguiu só uma linha. Ela foi uma mulher de fases devido à diversidade com que é apresentada sua obra.