segunda-feira, 28 de junho de 2004

VOU PRA PORTO ALEGRE, TCHAU



Na última segunda-feira me despedi de um grande amigo. Fui acompanhá-lo, juntamente com a irmã dele, ao aeroporto de galeão – mais conhecido como o internacional – de onde partiu para a capital gaúcha para dar continuidade aos seus estudos, ao nível de mestrado, em relações internacionais. Ao chegar em casa, telefonei para um outro amigo meu que me participou a morte do líder político Leonel de Moura Brizola.



Coincidência? Um amigo meu do Rio começando a viver em Porto Alegre e o gaúcho do Brizola encerrando sua vida e sua carreira no Rio. Achei estranha essa ligação. No entanto, meu amigo não tem a mínima pretensão de seguir uma carreira política, muito menos como a do Brizola.



Uma outra atitude suspeita que eu vivenciei, foi que na sexta-feira anterior fui ao cinema com um outro amigo – percebe-se que sou cercado por eles – assistir ao filme com a Fernanda Montenegro, chamado ‘Do outro lado da rua’, no Odeon, e na saída, numa espécie de feira popular de livros, que de vez em quando armam ali na Cinelândia, ele passou por algumas barraquinhas que estavam já encerrando suas atividades, e viu o exemplar de um livro, fino por sinal, sobre a carreira política, ou parte dela, do Brizola. Perguntei a ele o que o motivou a comprar aquele livro. A resposta foi para conhecer o que o Brizola tinha feito de bom, já que era um pretenso candidato à prefeitura do Rio. A saber, o preço do livro foi apenas um real. Ligando novamente na terça à tarde para ele, ao questioná-lo sobre o fato mórbido, se assumiu, obviamente em tom de brincadeira, um premonitor por um lado e um sortudo por outro. E a sorte era que aquele pequeno exemplar adquirido por um real, iria se sobre valorizar. Eu só considerei essa atitude suspeita depois de segunda-feira.



Uma outra pessoa que me passou pela cabeça assim que eu soube do falecimento do Brizola, foi meu tio Aloísio. Atualmente está morando em Fortaleza e no dia em que o corpo foi enterrado, em São Borja, coincidentemente dia do aniversário da minha prima, ele telefonou para dar os parabéns pra ela. Quis saber como ele estava e a informação que foi passada pra mim era a de que ele já se recuperara. Havia chorado muito. Ele é brizolista convicto. Me lembro da apuração das eleições de oitenta e nove. Eu estava com ele no Freeway da Barra onde minha mãe e minha tia faziam compras. Volta e meia eu ia com ele atrás de um televisor e toda vez que era aumentado o número dele no resultado da eleição ele me falava: “Vamos comemorar.”



Não vou tecer os prós e muito menos os contras da ideologia brizolista. Isso foi maçantemente exposto nos jornais da semana passada, mas certamente foi uma pessoa que deixou sua marca no cenário político brasileiro. Popular e sempre coerente com suas idéias, ainda, e foi o último, ambientou certo ar de romantismo na política do Brasil.



Particularmente, ele teve duas idéias que me agradaram muito. Uma deu certo, a outra não deixaram dar. Ambas por interesse. A que deu certo foi o sambódromo. Até hoje eu passo por ele e fico admirando aquela construção. Se tornou mais um cartão-postal do Rio e transformou o carnaval deixando-o mais rico, luxuoso e competitivo. A outra foram os CIEP’s. concordo com ele quando dizia - e continuarei a levantar essa bandeira – que a educação é a solução para todos os problemas. Uma boa educação de base é fator predominante para a redução da violência, da desigualdade, do desemprego, da miséria, da precariedade em setores como a saúde e de tantas outras mazelas nas quais estamos mergulhados. Da atividade no Rio Grande do Sul antes do golpe à atividade no Rio de Janeiro depois do golpe, ele deu tchau ao país e fez sua última parada em Porto Alegre. Na última segunda-feira nos despedimos de um grande líder.

segunda-feira, 21 de junho de 2004

CELEBRIDADE



No fim dessa semana, nós vamos saber a resposta da pergunta que não quer calar. Quem matou Lineu Vasconcelos? Consequentemente o assassino de Bemvindo Queiroz também será revelado. Mais uma vez, majestosamente, Gilberto Braga pára o Brasil. Não é a primeira vez. Com Odete Roitman aconteceu o mesmo. Foi uma semana de especulações e apostas. Talvez essa seja a melhor vilã que tenha freqüentado as telenovelas brasileiras.



Outros crimes teledramatúrgicos também aguçaram a curiosidade como ‘quem explodiu o shopping’, ‘quem matou Salomão Waiala(?)’, quem era o assassino da próxima vítima’ e, mais recentemente do próprio Gilberto, ‘Força de um desejo’ e ‘Labirinto’, quem matou quem.



E ‘Celebridade’ não será descartada desse grupo de telenovelas onde pairam vibrações de Ágata Christie e Edgar Allan Poe. Os mais cotados são Ana Paula, Renato Mendes e Laura Prudente da Costa que visivelmente são maus. Mas, em se tratando de Gilberto Braga, até eu me considero suspeito do crime.



A única pessoa que eu descarto é a própria Maria Clara. Além de mocinha da história, foi ela com o finado Queiroz que descobriram o corpo do dono do Grupo Vasconcelos. Claro que foram dadas dicas para que todos pudessem ser suspeitos da morte dele. Fernando, Inácio, Beatriz, Darlene, Jaqueline, Corina, Ubaldo... resta a gente dividir as personalidades em dois balaios e no das pessoas podres escolher aquela que mais tem cara e motivo para se o assassino. Quer dizer, essa seria a lógica. Em se tratando de Gilberto Braga os assassinos costumam ser as pessoas mais inesperadas possíveis. Ou seja, somam-se aí os maus e seus agregados com os que não matam uma mosca como o Salvador, o Vanderlei, a dupla Kátia e Palmira, Eliete, Vladimir e a secretária Olga. Conclusão: todos são suspeitos. Não descarte ninguém.



Certamente essa novela manteve o trilho, estrapolando-o várias vezes. Essa expressão eu ouvi numa entrevista que o Jorge Fernando deu à Marilia Gabriela explicando, sobre o sucesso de ‘Chocolate com Pimenta’, que pra uma novela das seis se tornar boa em termos de audiência tem que trilhar entre 35 e 45 pontos no ibope; a das sete entre 40 e 50 e a das oito entre 45 e 55 pontos. Ele também mencionou que o fracasso da novela ‘As filhas da mãe’, que eu assistia e gostava, se deveu aos fatos externos, como se tivessem competindo com o mundo real visto que na semana seguinte ao da estréia a filha do Silvio Santos foi seqüestrada, na semana seguinte foi o próprio Sílvio, duas semanas depois foram os ataques terroristas, no mês seguinte a guerra do Afeganistão e as pessoas estavam com seus interesses nesses assuntos.



‘Celebridade’ substituiu ‘Mulheres Apaixonadas’ e não deixou a peteca do ibope cair. Pelo que parece ‘Senhora do Destino’ continuará mantendo a audiência em alta. Particularmente eu assistirei a primeira semana e tenho meus motivos para isso. Conforme for, passarei a acompanhá-la, ou não.



Uma vez, o Hugo Carvana disse que essa é a pergunta que mais fazem para ele nas ruas e ele sempre responde brincando com alguma celebridade falando, por exemplo, que quem tinha matado o Lineu tinha sido o Luís Fernando Veríssimo pelo fato dele não ter sido convidado para fazer parte de nenhuma publicação do Grupo Vasconcelos.



Só nos resta sentar, acompanhar e esperar pelo último capítulo. Que se seguir o que tem acontecido ultimamente, as gravações desse capítulo derradeiro, esse sim, com sigilo a ser revelado, só deverão ser feitas na própria sexta-feira. Isso seria uma estratégia para a imprensa especializada não noticiar antes e manter aquecida até a última hora os bolões feitos e as bolsas de apostas sobre quem é essa celebridade.

segunda-feira, 14 de junho de 2004

A VERA



Mantendo o mesmo tema, mas mudando o enfoque um pouco, continuo a falar das mulheres. Musas inspiradoras para músicas, romances, pinturas, enfim, arte em geral.



O Brasil é o país das cantoras, como se sabe. O que não se sabe mesmo, já que as ferinas e más línguas de bocas pequenas e que tornam as fofocas monstruosas fazendo com que o boato seja mais verídico, é se as cantoras se vêem realmente como cantoras. No entanto, nome de mulheres em títulos de música é o que não falta nas páginas do nosso cancioneiro. Marina, Luisa, Fátima, Carla, Ana Júlia, Maria e, infelizmente, até Florentina – não pelo nome em si, mas pela péssima qualidade musical.



Porém, o ponto no qual eu quero chegar é a beleza, e quanto a esse quesito, as gringas que me perdoem, mas brasilidade é fundamental, é um ponto a mais sobre qualquer outra seja de qual nacionalidade for. Claro que todos os outros países do mundo têm suas mocréias e suas beldades, mas as nossas são diferentes. Quem discorda diz que mocréia é mocréia em qualquer lugar. Concordo. Só acho que as mocréias brasileiras têm um charme a mais.



Descartando o círculo das feias – incluem-se aí as mocréias e também as barangas – vamos falar a vera de beleza, que é mais fundamental ainda. Aí cada uma tem a sua característica atrativa com mais potencialidade. No meu ponto de vista, considero como sendo três: a beleza física, a beleza inteligente e a beleza sensível.



A física ta na cara, no corpo, ou seja, na natureza plástica. Algumas se submetem a interferência humana para reformular essa plástica e nem sempre é bem sucedido. A beleza inteligente e a sensível praticamente andam juntas. Esses tipos rondam o campo das idéias e do modo como lidar coma pessoas e o mundo. Sim, porque arrogância e petulância, no fundo, é falta de inteligência. O ideal seria que todas as mulheres soubessem conciliar essas três belezas, o que nem sempre é compatível dependendo da mulher. Se bem que está aparecendo um número considerável de mulheres que as ajustam em si. Consequentemente se vê um acréscimo na qualidade do ser humano. Obviamente esse número não é ainda alarmante e a caminhada será longa até que essa utopia, como tantas outras, chegue à realidade.



Estou dissertando sobre tudo isso pra falar de uma moça. Longe de mim querer julgá-la. No entanto acho que ela, depois de muito tempo, chegou à maturidade convergindo as três belezas, mesmo que as duas últimas, de vez em quando, parecem por instantes, serem esquecidas, mas o esforço e o sacrifício para mantê-las conscientemente revelam o quão melhor ela quer ser.



Mais uma vez, semana passada, ela voltou a ser noticiada. E por uma boa causa. Sua beleza física é indiscutível e, agora, é um dos fatores que tem atraído as pessoas para vê-la em um espetáculo no Rio. Encarnando a Mrs. Robinson na peça ‘A primeira noite de um homem’, Vera Fisher causa impacto em seus expectadores ao fazer uma pequena aparição completamente nua.



Ela é uma das poucas – com a idade que tem – e boas – em vários sentidos – atrizes que se permitem ser vista nua, dentro do contexto da trama. Hoje em dia, partindo dela, pelo grau e excelência que ela atingiu, não há mais a gratuidade da nudez – até por que para assistir tem que desembolsar entre 40 e 50 pratas.



Sou daqueles que defendem Vera a tapas. Não mais a julgo e nem condeno. A história dela já fala por si só e s conseqüências quem sofre e ela. Não tenho nada a ver com isso. Apenas acredito que ela tenha amadurecido o suficiente para ficar nua e ser aplaudida de pé a partir de agora. Eu tenho coragem de levantar primeiro e gritar bravo.

segunda-feira, 7 de junho de 2004

PENSANDO NELAS



Pode ser que isso seja a maior besteira que eu tenha escrito em todas essas postagens de blogs, mas essa semana, em virtude e uma entrevista exibida no ‘Programa do Jô’ de um psi-alguma coisa que esqueci – que falava da relação ente homens e mulheres, me surgiu uma dúvida que nem minha parca experiência vivida conseguiu sanar. Não sou um expert no assunto, não sou um ‘Don Juan’ e muito menos o estereótipo do ‘homem galinha’. Faço questão de ser eu mesmo, doa a quem doer, e não me rotulo em nenhum arquétipo.



Homens e mulheres, graças a Deus, são seres diferentes e feitos um para o outro. Disso ninguém tem dúvida e, apesar das outras possibilidades, e que haja respeito com todas elas, vou tentar me ater puramente à questão sexual desses seres pra tentar ser o mais claro possível.



Para um homem é mais fácil aparentar a excitação. E para que isso aconteça é só passar uma mulher na frente dele, logicamente que o agrade, para que o ‘alerta’ seja acionado. Se houver trocas e toques então, é ‘alerta vermelho’. E para a mulher?



Essa é a minha dúvida. O que deixa uma mulher excitada. É apenas o corpo de um homem; se ele é bem torneado agradando aos olhos da mulher? Seria o cheiro do perfume que ele usa misturado com o ferormônio próprio? No quê, em se tratando de masculino, a mulher se sente atraída? Que fórmula é essa, se é que existe?



Uma vez, numa das discussões do programa ‘Saia Justa’, a Fernanda Young falou uma frase verídica e inegável. Disse que o homem conquista uma mulher com a finalidade de tirar a calcinha dela. Daí conclui-se que a finalidade é a cópula. Claro que devem ter variantes que influem nesse fim. No entanto, me pergunto se as mulheres compartilham do mesmo pensamento. Será que elas também, no fim, querem arrancar-lhes a cueca?



Os tempos são outros. Os namoros nas praças evoluíram pros encontros em shoppings. Trocas de olhares se transformaram em beijos na boca e o flerte agora é alcunhado como ‘ficar’. Mulheres estão tomando a iniciativa em iniciar uma relação, dure ela quinze minutos ou, com muito mais sorte, quinze anos.



Parafraseando o ‘poetinha’, “mulheres, melhor não tê-las, mas se tê-las como sabê-las”. Eu não sei. Rita Lee, na música ‘Cor de Rosa Choque’ fala que ‘mulher é um bicho esquisito/ todo mês sangra’. Creio que a esquisitice não vem só daí, apesar desse fator também influenciar no comportamento sexual das mulheres.



São os fatores externos à genitália feminina que compõem a sexualidade da mulher? Eu sou a favor do manual de instrução, da bula da mulher, de um lugar que venha dizendo seus componentes, posologia, contra-indicações. Cada uma tem seu jeito, sua formação e ficaria bem mais fácil para os homens entendê-las e manter uma relação boa e estável, caso isso fosse possível. Quem sabe um questionário? Seria uma metodologia melhor, talvez. Não sei se os colegiais hoje em dia fazem aquele caderno onde em cada folha há uma pergunta e todo o espaço restante era reservado pra respondê-las. Podia ser feito isso também. Facilitaria pro nosso lado. Seria um modo bem machista de ser encarado também.



A verdade é que mesmo com esses mistérios não conseguimos viver sem vocês, mulheres, seja como for. Ao vivo, em capas de Playboy, aturando ataques de TPM. E mesmo não conhecendo todas as suas funcionalidades, elas, um dia, ainda serão desvendadas na sua totalidade. Acho que esse é um dos xises do problema. A mulher é um ser que tem na sua essência a artimanha de se fazer de misteriosa para que o homem a desvende e descubra que mistérios são esses que circundam o ser mais sublime – e mais complicado – que a natureza já esculpiu dando forma e vida.