domingo, 25 de julho de 2004

IANQUES



Logo depois de nós, cidadãos eleitores brasileiros, escolhermos nossos vereadores e prefeitos, os sábios americanos escolherão aquele que será o ser humano mais visado de todo mundo. Esclarecendo que, diferentemente daqui, o voto lá não é obrigatório, portanto, com o quadro que o mundo se forma na atual conjuntura, sábios são aqueles que votam. No entanto, nem todos os americanos que fazem questão de votar são sábios. O que eu chamo de sábios são aqueles que fazem questão de votar e tem consciência do que estão fazendo. Esses são a minha esperança pro próximo pleito eleitoral americano. Depois da duvidosa eleição do cavaleiro negro, espero que o povo americano tenha entendido que o buraco, mesmo aquele que eles furam na cédula eleitoral, está sendo mais em baixo.



Não falo só da política externa de guerra e de implantação forçada da visão imperialista ocidental sobre tradições e crenças do Oriente Médio como no caso do Iraque. É ululante que isso tudo envolve a questão do petróleo. Existe também a conduta correta e puritana de um povo. O fato de atitudes como a campanha contra o uso de contraceptivos e preservativos e a repulsa pelos casamentos gays – que além de opção é controle de população como Rita Lee explicita bem na música ‘Obrigado Não’ – resultam em discussões fúteis como condenar ou não a Janet Jackson por acidentalmente mostrar um seio numa apresentação na final do superbol. È de uma hipocrisia e de um falso puritanismo de doer o tutano do osso.



Entre republicano e democrata, tudo para que aquele asno saia da Casabranca. Não conheço seu rival político, nunca ouvi falar de John Kerray (?), não sei o que ele faz, se vai seguir a mesma linha do Clinton – que ostensivamente protagonizou mais um escândalo do falso puritanismo no episódio Mônica Lewinski e teve sua cabeça pedida por conta disso – nem quais são suas posições com relação à política externa. Mas acho que qualquer um tem mais discernimento, capacidade e competência que aquele que lá está.



Não sou anti-americano, pelo contrário, fui várias vezes pra lá, inclusive depois do atentado. O que eu não me conformo é o imperador texano que segura a pena deles. Tenho verdadeiro nojo, asco, repulsa, ódio e pavor do Dr. WC Bush. E a possibilidade de que ele seja reeleito é o que me deixa mais incompreensível.



Essa semana foi revelada uma espécie de dossiê que apontou as inúmeras falhas no sistema de segurança norte-americano. Pra ver a inteligência bitolada que controla o órgão federal da informação e espionagem americanos. Informações que não cruzavam em uma rede ampla de dados – parece até um país cuja maioria da sua extensão territorial fica abaixo da linha do equador – denunciavam como as pessoas consideradas mais ameaçadoras da paz norte-americana, pra não rotulá-los como terroristas, não eram impedidas de transitar em aeroporto, por exemplo. Ou seja, se realmente houvesse uma investigação mais rígida com dados que cruzassem ou complementassem uns aos outros, a tragédia que se abateu em onze de setembro poderia ter sido evitada. O dito popular ‘é melhor prevenir que remediar’ não deve ter uma tradução confiável.



Só que esse fato não teria sido o primeiro. Pelo que diz esse relatório, foram dez. Dez ataques, como o primeiro atentado ao WTC, em 93, o avião que caiu no Pentágono, enfim, foram dez furos que o SNI ianque por pura incompetência, não evitou. E olha que eles não têm um secretário de segurança como o Garotinho. Imagina se tivessem, como não se encontraria aquele país hoje.



E pra encerrar, só queria que alguém me esclarecesse uma dúvida. O Iraque já voltou a ser o Iraque sem Sadam, certo? Mas cadê as armas de destruição em massa que, segundo o Dr. WC Bush, estavam lá escondidas e foi o principal mote para a guerra?

segunda-feira, 19 de julho de 2004

COVARDE, SEI QUE TE PODEM CHAMAR 

  

Tem um adesivo que roda por aí e que por sua divulgação mais parece uma propaganda maciça com os seguintes dizeres: “Ande em Niterói e ganhe uma multa.” (Se não for exatamente isso, o significado é o mesmo.) Claro que isso tem um motivo. É o fato de terem se proliferado pela cidade aqueles pardais eletrônicos que fotografam os veículos que ultrapassam a velocidade estabelecida na placa que aquele pardal avisa, variando, na média, entre cinqüenta e sessenta quilômetros.

           

Acho válida qualquer intenção de melhorar o tráfego e limitar abusos de quem guia com a mínima, ou nenhuma, prudência e tem a possibilidade de causar acidentes até irreversíveis em terceiros. Todavia deve haver uma coerência e uma tolerância pouco maior em determinados casos. Dois exemplos familiares: meu irmão, indo para Cabo Frio no carnaval, às duas horas da manhã e foi flagrado por um pardal na região de São Pedro por ter ultrapassado o limite de velocidade. Ora, quem é que vai andar a cinqüenta quilômetros por hora de madrugada, por uma estrada, correndo risco de vida – por que com essa segurança que paira sobre nossas cidades e estradas, é risco de vida até em ir à padaria. Já comigo, o limite de velocidade era cinqüenta e eu passei a cinqüenta e seis por hora e numa situação indesejável para qualquer ser humano que não vem ao caso falar aqui. Cada caso é um caso e tem que ser analisado separadamente. Isso seria mais justo, mas não é.

           

Talvez por isso Niterói tenha um grande número de agentes de trânsito. Observando os motoristas ele pode, segundo a gíria, ‘canetar’ ou não a infração e/ou o infrator. Dizem as más línguas – que não são tão más quando se trata desse assunto – que esse cargo é o maior cabide de empregos e o que mais ocupa a folha de pagamento da prefeitura. Certamente as propinas, os subornos e as ‘gratificações’ estão incluídas nesse rolo todo, mas isso é uma outra história.

           

Boatos a parte, semana passada aconteceu um fato no mínimo inusitado entre um agente de trânsito e um motorista, ou melhor, uma família que se encontrava no interior de um veículo. No bairro do Fonseca, no cruzamento da Alameda São Boaventura com uma das ruas transversais, um carro avança o sinal vermelho. Quando o sinal amarela, a reação, pelo menos a minha, é tentar passar do limite do sinal, o que já é errado, pois nos países mais educados pára-se no sinal amarelo, agora, avançar o vermelho, aqui, só de madrugada e mesmo assim com muita cautela pra ver se vem um maluco desembestado perigando cruzar o seu caminho.

           

Pois bem. Ao perceber que o guardinha fez algum tipo de rabisco no talão de multas o carro pára pouco mais adiante. Descem dele o motorista que por ser médico pressupõe-se que seja uma pessoa educada, sua esposa e a filha adolescente para tirarem satisfação com o guardinha. Acontece que o sujeito, em seu horário de trabalho, cumprindo o que lhe foi instruído, foi absurdamente agredido. Uma verdadeira barbárie. Sorte que nem agressor e nem agredido empunhavam arma de fogo. O guarda foi covardemente espancado e não foi só pelo doutorzinho de merda. A família dele o ajudou a bater no agente, o segurando para não ter reação, chutando a cara dele e - veja você a que ponto chegou a educação familiar – a filha do casal mordeu a bochecha dele chegando a tirar pedaços. Um bando de vândalos covardes que não tiveram motivos concretos para fazer isso. E mesmo se tivessem não seria justificável essa atitude.

           

Cuidado com os médicos que cuidam de você, pois no fundo, se for cutucado com vara curta, ou melhor, com caneta curta, podem virar verdadeiros monstros e se proliferarem através da hereditariedade e inclusive pela osmose. A dúvida que fica no ar é como pessoas com essa índole podem se chocar com atitudes de pitboys em boates e participarem de caminhadas pela paz. Esse maldito médico é um covarde.

segunda-feira, 12 de julho de 2004

CINQUENTÃO



Elvis, Beatles, Rolling Stones, The Police, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Janis Joplin, B-52, Guns and Roses, Metálica, Aerosmith, Nirvana, Pixies, Queen, Ramones, REM, Red Hot Chili Peppers, The Cure, Pink Floyd, The Smiths, Oasis, The Who, Doors, Sex Pistols, Deep Purple, Rita Lee, Titãs, Paralamas, Erasmo Carlos, Lulu Santos, Cássia Eller, Ira, Capital Inicial, Legião, Los Hermanos, Barão Vermelho, Plebe Rude, Picassos Falsos, Nenhum de Nós, Raul Seixas, Blitz, Metrô, Dr. Silvana, Ultraje a Rigor, João Penca, Kid Abelha, Lobão, Magazine, Biquíni Cavadão e Mutantes.



Esses são só alguns exemplos, cinqüenta pra ser mais preciso, de pessoas ou grupos que quase na totalidade da sua existência, fizeram, fazem e ainda irão fazer bastante rock and roll.



Assumo em dizer que não estão todos aqui por falta de espaço – por isso foram selecionadas a mesma quantidade, vinte e cinco, divididos entre nacionais e internacionais – e que um ou outro talvez não tenha o mérito de compartilhar essa lista com os demais, no entanto esses cujo merecimento possivelmente não é bem visto, de alguma forma também passaram e deixaram seu legado dentro do ritmo que está completando cinqüenta anos. Consta que o registro inaugural oficial do rock, vem de uma gravação feita pelo imortal Elvis Presley ao registrar em acetato a música ‘That’s all right, mama’, em 1954. De lá pra cá, só quem pode parar ele foi a morte.



Essa semana, na MTV, passou um programa que há na grade deles chamado ‘Top top’ cujo tema era os ritmos que já eram, ou seja, que já estiveram durante um tempo no topo das paradas de sucesso e atualmente ou se fecharam em guetos ou caíram no ostracismo. Entre eles a macarena, o sertanejo, o pagode, o forró universitário, o poperô, a lambada e encabeçando a lista, em primeiro lugar o bom e velho rock and roll.



Quanto a esse título eu discordo plenamente. O rock não vai acabar nunca. Ele pode ter algumas vertentes que não agrade a todos ou leituras diferentes, mas a sua essência não vai se desfazer. Todos, em dado momento da vida já parou para dançar ou apenas escutar um roquezinho sequer, mesmo sendo no meio da curtição numa festa. Não é todo ritmo que se mantém durante cinqüenta anos contagiando grande massa da população, principalmente dos cinquentões para baixo.



O rock and roll é como uma tatuagem. Ele chega e fica. Por mais que se queira desvencilhar dele, não se consegue. Todo mundo é tomado por ele, mesmo aqueles que se recusam a ser. Duvido que ele não exerça nenhuma influência em músicos de outros gêneros. Filho amado da união do jazz com o diabo, é, porque o Raul Seixas já cantou que ‘o diabo é o pai do rock’, esse ritmo que completa cinqüenta anos, mas tem a ‘cabeça’ de um jovem de vinte é imortal e altamente mutável, o que é bom para a sua saúde.



Exércitos de seguidores saem para encontrá-lo em algum ponto como em bares, casas de show e rodas de amigos. No Brasil o melhor e mais bem sucedido exemplo disso é um festival que aconteceu três vezes nos últimos dez anos que propõe a união de várias vertentes musicais, porém, a principal é o rock até mesmo por comportar em seu nome esse ritmo. O Rock in Rio virou marca e esse ano fez sua primeira turnê em Lisboa, se tornando Rock in Rio Lisboa. Desde 1985 ficamos na expectativa se o festival acontece ou não durante o verão. Sua segunda edição versão foi em 91 e a mais recente em 2002 (ou 2003?). A característica roqueira do festival foi perdendo forças e músicos de outras correntes que não o rock foram ganhando espaço nesse festival.



Para encerar, o parabéns pra você será com um trecho de uma música da minha rainha, e do rock brasileiro também. Na letra de ‘Esse tal de rock enrow’ Rita Lee diz sabiamente: “Desconfio que não há mais cura pra esse tal de roque enrow”. Tem razão.

terça-feira, 6 de julho de 2004

CHUPANDO DROPS DE ANIZ



Sou uma pessoa privilegiada. Aliás, qualquer pessoa que assiste a um filme é privilegiada. Existem as outras formas de expressão como o teatro e a literatura que igualmente têm os seus méritos. Porém, hoje vou me ater às produções cinematográficas.



Tudo começa com um evento que o principal shopping daqui de Niterói está promovendo durante essa semana pelo fato de estar inaugurando até o fim do mês vigente salas de cinema. Durante um tempo existiram duas salas para exibição de filmes, no entanto agora há uma ‘profissionalização’ dessas salas, entre outras funções, para fazer concorrência com um outro shopping mais popular e próximo a esse. Quem é o responsável por essas salas é o Cinemark que já existe em vários outros pontos da cidade do Rio. E para inaugurar esse novo espaço para exibição de filmes três shows, dois bate-papos, oficinas e exposição de figurinos e máquinas utilizadas essenciais para a montagem dos filmes. Quanto aos shows, foram de Paulinho (atualmente descartado) Moska, Nando Reis e Edu Lobo e bate-papos ministrados por José Wilker. A ampliação do número de salas de cinema numa cidade é para ser aplaudido de pé. Espero que sirva de exemplo para teatros e outros centros culturais e que tenha uma percentagem para exibição de filmes nacionais cujas qualidades técnicas começam a competir com as de Hollywood.



Na última sexta-feira, para me atualizar quanto aos cartazes nacionais, os quais eu priorizo, fui ver o filme sobre o Cazuza. Não sou e nem pretendo ser um crítico, até por que acho que eles só falam mal, mas achei o filme aquém da expectativa que o marketing causa nos espectadores. Isso não quer dizer que o filme é ruim. É bem feito, bem produzido, prima pela trilha sonora indiscutível e vale a pena ver esse documento feito sobre o ser humano que foi o Cazuza.



Antes dele, os dois últimos filmes que eu vi foram ‘Diários de Motocicleta’ por duas vezes e ‘Do outro lado da rua’, graças a minha tia que por trabalhar na BR, grande patrocinadora e incentivadora das produções cinematográficas brasileiras, além de mantenedora do cinema Odeon, clássico e tradicional, sito à Cinelândia, centro do Rio, consegue arrumar várias cortesias, as quais eu me esforço para aproveitá-las por completo e ainda proporcionar aos meus amigos a fomentação desse prazer e privilégio de acompanhar a sétima arte.



Para encerrar, meu domingo também foi recheado de filmes. Infelizmente não na sala escura de exibição, mas no conforto residencial. Pelo avanço da tecnologia em termos audiovisuais ainda não ter dominado o território da estante da sala aqui de casa, recorri a essa mesma tia para assistir ao DVD do filme ‘Durval Discos’. Emprestado por uma amiga minha, não teve boas recomendações. No entanto, não achei que foi um filme ruim. Na minha opinião é regular, normal. O outro filme, agora no bom e velho vídeo cassete e emprestado pela mesma tia que vira durante o fim de semana e eu o assisti na madrugada de domingo para segunda foi o ‘21 gramas’. Excelente filme. Do tipo quebra-cabeças, onde as cenas não obedecem a uma seqüência lógica de início, meio e fim, visto que são histórias de três pessoas que se cruza em certo momento da vida, mas é muito bom.



Esse depoimento vale como despedida e ao mesmo tempo homenagem a um grande ator hollywoodiano que morreu aos oitenta anos de idade na última sexta-feira. Um dos filmes que a minha mãe mais gosta contou com a participação dele numa interpretação excelente, mais recentemente. Galã dos anos cinqüenta e sessenta caiu no ostracismo nos anos setenta, voltando ao auge do sucesso na pele de Don Corleone, na trilogia do ‘Poderoso Chefão’. A estrela de Marlon Brando foi brilhar no firmamento.