terça-feira, 30 de novembro de 2004

AVENTURAS MINEIRAS (1)



Depois de São Paulo, agora é Minas que vai ficar na berlinda durante um bom tempo. Há cerca de um mês, exatamente no decorrer do prolongado feriado de finados, escapei da rotina explorando alguns cantos mineiros. No total, fomos em quatro. Eu, minha mãe, minha tia Dora e meu tio Marcos. Para início de conversa – mineiro adora ‘garrar’ na conversa – na terça-feira anterior, quando minha mãe acertava alguns detalhes da aventura com tio Marcos, cogitei a hipótese de acompanhá-los nessa empreitada. Por ele ser o motorista e o principal incentivador da viagem, teria que haver a suprema autorização dele que foi concedida principalmente pelo fato de ainda ter espaço no carro.



Na quinta-feira, saí de casa por volta das três e meia da tarde rumo à rodoviária do Rio para pegar o ônibus que sai diariamente para Campos do Jordão e que passa, sendo meu ponto final em Guaratinguetá. Cheguei lá procurando o guichê da empresa Três Amigos. Rodei durante alguns minutos até pedir informação para o guichê do lado – se não me engano era o da 1001 – e eles me dizerem que era na cabine da ‘Beltour’ que eu teria que ir. Incidente contornado, às cinco da tarde em ponto parte o ônibus que sai do itinerário apenas para fazer uma rápida passagem em Barra Mansa e depois retorna à estrada fazendo a tradicional parada de vinte minutos, ás sete e quinze, em Resende – o único lugar em que eu faço questão de comer no Mc Donald. O ônibus me deixou em Guará por volta de nove da noite. Foi o primeiro de seis dias de estrada.



O segundo começou cedo. Por volta das oito da manhã saímos, eu e meu tio, com destino a cidade de Vassouras em busca de elos perdidos. Elos de um passado distante, galhos perdidos da árvore genealógica que meu tio está empenhado e deixá-la frondosa para que a minha e gerações posteriores a mantenha e cultive periodicamente. Questão de registro mesmo. Chegamos lá por volta das onze e meia da manha procurando uma biblioteca municipal para acharmos escritos sobre os antepassados. Na mão, um nome, ou melhor, um título nobiliárquico: o ‘Barão de Santa Fé’.



A cidade é bem cuidada no que diz respeito à história dela que se confunde com a era cafeeira do país. A igreja com um grande campo na sua frente, a prefeitura municipal, lá chamado de paço, a câmara de vereadores e a antiga estação de trem, atual reitoria da Universidade Severino Sombra, a que impera na cidade. Algumas casas coloniais, onde nasceram os barões da região, têm placas afixadas em suas paredes dando indicações de quem era, o que fez e etc... Atrás da igreja estão plantadas dezesseis figueiras representando os barões de cape que dominavam aquela área.



Pela hora que a gente chegou lá na biblioteca da cidade, também conhecida como Casa da Cultura, também no perímetro da igreja, não era um horário apropriado já que a responsável pelo serviço bibliotecário tinha saído para cumprir seu horário de almoço. Foi o que nós fizemos também, aproveitando o hiato de tempo. Atravessamos a praça defronte a igreja e entramos num restaurante caseiro de comida a quilo que ficava no porão de um daqueles casarões antigos. Eu disse porão mesmo, com paredes grossas e de pedras e as taboas do assoalho rangendo a cada passo que davam sobre nossas cabeças. Bastante interessante.



Pois bem, voltamos para a casa da cultura, agora com a responsável em seu devido posto. Tio Marcos explicou a ela a situação de nossa aparição pela cidade e perguntou se lá havia livros que faziam referências aos barões, em específico o de ‘Santa Fé’. Ela, muito solícita, nos ajudou trazendo alguns livros que, se não continham a informação, ao menos, os caminhos eram explicitados. Como o tio Marcos sabia o que procurava e eu estava lá meio que de bicão, procurava nos livros referências sobre os nomes que nos interessava e deixava aberto na página para dar menos trabalho a ele.

terça-feira, 23 de novembro de 2004

MINHA TERRA



Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, tamarindeiras onde canta o bem-te-vi, mangueiras onde cantam as andorinhas e vastos tipos de árvores onde diversas aves entoam seus cantos. Minha terra, rica e feliz, onde se plantando tudo se colhe, é quatrocentona há trinta e um anos, mas tem a jovialidade de uma dama com duzentas primaveras completadas. Nós, filhos dessa mãe gentil, somos tão, ou talvez mais abençoados que nossos irmãos e outras regiões do país. Somos conservadores nas nossas liberalidades. Apreciamos as curvas sinuosas da vizinha e não deixamos a desejar nas nossas. A água que nos banha tem uma capacidade enorme de nos refrescar e de quebra nos proporciona pontos de vista intrigantes e instigantes.

Minha terra é provinciana e bastante acolhedora. Quem te conhece não esquece jamais. Se não suas belezas, ao menos sua gente. Somos metropolitanos do interior onde adquirimos características e hábitos, bons e ruins, das duas vertentes. Quando nascemos, anjos, desses que tocam trombetas e vivem nas nuvens, às vezes os safados e chatos de uns querubins, nos disseram, pra sorte nossa que estávamos predestinados a nascer nessa terra, na minha terra.

Nossa marca, arquitetada pelo Oscar Niemeyer, atravessa as fronteiras do território nacional e é estampada nos quatro cantos do mundo. Quanto a isso ressaltam a construção de Brasília, o memorial da América Latina na região da Barra Funda em São Paulo. Não estou reduzindo a importância e beleza das construções projetadas pelo mestre da arquitetura em nenhum ponto do Brasil ou do mundo, mas minha terra foi a escolhida por ele, prometida com um caminho, que está sendo elaborado, onde suas criações pudessem ser apreciadas por todos, e nós, além de agraciados somos privilegiados. Uns escolheram o Oscar; o Niemeyer nos escolheu.

Nossa estampa, o sorriso. A cidade sorriso está prestes a completar sua arcada. O trigésimo segundo dente começa a nascer a partir de hoje. O orgulho de exibir incisivos, caninos e molares ganha o reforço do último dente siso, conhecido também como o do juízo, que já mostramos ter antes mesmo deste demonstrar seu gérmen. Algumas cáries, placas bacterianas e manchas, como nas grandes cidades, graças ao excesso de recomendações da própria população, foram cuidadas através da profilaxia bucal, e a clareza, o brilho e a brancura do sorriso se tornaram ofuscante.

O precursor da nossa felicidade foi um índio descido de uma estrela colorida e brilhante que lutou bravamente com unhas e dentes, sobretudo os dentes, para defender esse pedaço de chão que coube como parte do latifúndio da sua tribo. Araribóia deixou marcas até hoje cultivadas e cultuadas por nós, seus descendentes e afins. Uma delas, a paria de Itacoatiara tem o mais belo, singelo e generoso e naturalmente integralizado pôr-do-sol observado por seus freqüentadores. No entanto outras praias têm suas abundâncias em particular. Itaipu abunda, além da sua natureza, em espécies de peixes e frutos do mar. Piratininga abunda nos surfistas amadores e principiantes que temem o mar bravio e revolto quando o tempo o deixa de mau humor. Jurujuba abunda na colônia de pescadores sacrificada pelos sucessivos despejos de dejetos que dá a baía de Guanabara uma consistência mais suja e pastosa. Icaraí abunda na jovialidade dos freqüentadores do seu calçadão, fazendo todos os tipos de exercícios direcionados a todas as idades a qualquer hora do dia, transformando a praia numa verdadeira academia a céu aberto. Às vezes comparada com Copacabana e sem muito a ver uma com a outra, talvez apenas pelo estilo de vida dos moradores do bairro, Icaraí é centrada e concisa sanidade em relação à turbulenta vida da princesa do mar.

Minha terra tem é muito fôlego para soprar as 431 velas do bolo do seu aniversário e disposição para continuar sorridente por longos anos. Parabéns Niterói.

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

SUSTOS



Interrompendo um pouco o percurso natural que eu queria dar a esse espaço, agora nós temos que parar e respirar um pouco. A semana que passou foi cheia de sustos.



Sabe aquela piada o gato que subiu no telhado? Pois bem, o que tem de gato miando sobre as nossas cabeças não está no gibi. (Gostaria de saber de onde vem essa expressão.) Celebridades da música, televisão e política estamparam seus nomes não nas colunas sociais, mas nas páginas que diziam respeito, principalmente, à saúde. No entanto um desses sustos, que não foi tão assustador pode dar outras vertentes a um assunto de interesse mundial, mas esse a gente discute mais pro final.



Não os listarei em ordem cronológica. Vamos a eles. O primeiro susto foi com o cantor e compositor Paulinho da Viola. Baixou no hospital por estar passando mal, no entanto não foi nada de muito grave, já que os noticiários não se ativeram em demasiado sobre essa notícia.



Outro que sofreu o baque foi o grande ator Jorge Dória. Acometido de uma arritmia cardíaca, - na verdade não estou me lembrando se foi ele ou o Paulinho que teve esse problema, mas, pelo quadro apresentado, estou apostando nele – foi internado às pressas tendo que passar uma temporada na unidade de terapia intensiva para ficar em observação constante devido ao prontuário apresentado. Com coração não se brinca, e a idade avançada, apesar de não aparentar, dependendo do caso, pode ser um agravante da situação. Não estou afirmando que esse seria o caso dele e espero que ele se saia bem dessa para continuar nos divertindo.



Susto mais grave teve o apresentador Carlos Massa, o Ratinho. Ele estava no banco do carona de seu caro blindado acompanhado de seu motorista e mais dois amigos no banco de trás do carro, na rodovia Régis Bitencourt, a famosa rodovia da morte, que liga São Paulo a Curitiba, quando, de acordo com a perícia divulgada, óleo na pista fez com que um caminhão perdesse o controle e atingisse a lateral do carro do Ratinho. O impacto foi tão forte que o motorista e amigo dele, conhecido como João, não teve como escapar. Isso por que o carro era blindado, se não fosse, as conseqüências seriam mais drásticas.



Agora sim, vamos ao assunto do momento. Visto que o seu estado de saúde já indicava a proximidade do fim de sua vida, num hospital francês onde estava internado, morreu Yasser Arafat, líder e chefe da Organização para Libertação da Palestina. Uma pessoa que sempre dizia que carregava um ramo de oliveira em uma mão e uma arma na outra, amados por uns, odiado por outros e respeitados por todos, deixa por enquanto um vazio no seu cargo de liderança.



Figura constante nas negociações de paz entre árabes e judeus, ganhador, creio eu, do premio Nobel da paz juntamente com o primeiro ministro israelense Ytzak Rabin (perdoem-me os judeus quanto à grafia dos nomes, mas eu não sei mesmo).



Quanto a essa guerra entre árabes e judeus, está mais do que comprovado que toda essa confusão começou depois da segunda guerra mundial quando os judeus dizimados, sobretudo, pela Alemanha nazista passaram a habitar com o aval dos ingleses e americanos, comovidos com a situação daquele povo, a mesma terra em que os muçulmanos estavam. De lá pra cá apenas se intensificou o acirramento entre os dois povos. A solução para isso também é simples. Do mesmo jeito que os islâmicos têm que ir a Meca uma vez na vida, árabes e judeus deveriam vir uma vez ao Rio e passear pelo SAARA, onde a convivência entre os dois povos e de uma cordialidade infinita.



Passados os sustos, a vida continua e as postagens também. Só espero que a ninhada de gatos não subam de uma vez no telhado como agora.

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

SINAL DE ALERTA



Durante o último feriado de finados estive viajando. Essas peripécias serão relatadas aqui numa espécie de diário de bordo após a próxima postagem. Uma das minhas agonias quando ponho o pé na estrada é a falta de informação. Falta nem é a palavra que cabe nesse momento, mas o longo hiato que se forma, por motivos óbvios, entre a alvorada e o crepúsculo sem ter acesso a nenhum tipo de informação sobre os fatos que ocorreram no mundo naquelas horas é, no mínimo, agonizante. Apenas os portos seguros nos proporcionavam certa atualização assim mesmo quando o cansaço não nos vencia.



No entanto, duas notícias que eu considerava as mais importantes, uma ainda durante a viagem e a outra já ao chegar em minha casa. A primeira se referiu às eleições municipais. Meu interesse se ateve ao pleito paulistano e aos da região metropolitana do Rio, Niterói inclusive. (Percebe-se por essa informação que eu não votei no segundo turno e a justificativa se deu em um lugar muito especial, o qual citarei em seu tempo.) Em São Paulo a Marta perdeu do Serra; em Niterói, Godofredo ganhou disparado sobre o golpe dado pelo Garotinho que fez o Moreira Franco renunciar a sua candidatura do segundo turno fazendo João Sampaio competir apoiado pelo próprio Moreira e consequentemente pelo Garotinho que sonda a presidência do PDT. Não foi só aqui que ele perdeu. O índice de rejeição dele e da governadora cresce vertiginosamente a cada dia. Claramente isso foi notório nos pleitos disputados no grande Rio.



A segunda notícia e a pior de todas foi a reeleição do George W. Bush nos Estados Unidos. De acordo com as minhas expectativas, apesar de estar torcendo contra, sabia que ele iria ganhar. O povo americano, além de ser conservador e escutar do presidente durante a campanha a ênfase nos valores morais, estava coagido e acuado pelo medo, principalmente em se tratando do terrorismo. E o melhor no combate ao terrorismo seria um novato ou um experiente no assunto? Mais uma vez o umbigo teve voz e o egocentrismo saiu vitorioso.



Há um ditado popular que diz que ‘errar é humano, mas e insistir no erro é burrice’. Eu, e acredito que grande parte do mundo, acho que o povo americano cometeu a maior burrice do século vinte um. Por que agora, a atenção que teremos de ter com ele terá que ser redobrada. Como exemplo, a primeira atitude que teve depois de reeleito foi uma ofensiva militar na cidade de Falujah, no Iraque, onde o foco de resistência à invasão americana continua. E por mais que as eleições estejam marcadas para janeiro, seus resultados, pelo que tudo indica, não irão de encontro ao que querem os americanos.



Durante os próximos quatro anos, novamente as relações externas dos Estados Unidos serão o foco do noticiário internacional, e nós, reles cidadãos do mundo, teremos que estar sempre em sinal de alerta. De George Bush, espera-se qualquer coisa. Não duvidarei, por exemplo, se ele quiser invadir outro país como a Coréia do Norte ou o Irã, que ele já declarou como partes do eixo do mal. Se os americanos acham que se sentem mais seguros com ele na presidência, o resto do mundo, tirando a Inglaterra que é pau mandado, se sente mais inseguro com a direção do mundo nas mãos desse caipira texano.



Para quem não assistiu, aqui vai uma dica. Michael Moore, que garantiu seu emprego por mais quatro anos de principal crítico ferrenho de Bush, em seu último documentário exibido ‘Fahrenheit 11/9’, mostra todas as artimanhas e engrenagens que existem nos bastidores do poder americano desde as eleições do primeiro mandato até a guerra do Iraque. Vale a pena conferir.



Finalizando, uma dúvida que não quer calar apesar de quieta. Cadê o Osama?