segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

ÚLTIMA DO ANO



Ele está chegando. Já percebemos o cansaço e o desgaste de 2004 e ali, cheio de vitalidade e energia, doido pra assumir o comando, o ano de 2005. Faltam pouquíssimos dias. Ele só está esperando o momento certo para segurar as nossas pontas. E esse momento será festejado nos quatro cantos do mundo.



É estranho, apesar e saber que é a realidade, quando os telejornais do último dia do ano anunciam que em alguma parte do mundo, e geralmente começa na Austrália e depois corta pro Japão e Hong Kong, na China, o ano já começou e nós aqui, esperando, por mais que faltem algumas horas, as luzes e o pipocar dos fogos de Copacabana. (Claro que existem luzes e pipocar de fogos em várias partes do país, mas todas as atenções são voltadas para Copacabana. Desde quando o reveillon da beira do rio São Francisco é pauta do noticiário internacional? E existe queima de fogos às margens do rio São Francisco?)



E os planos? Foram renovados? Os meus não. Planejar dá muito trabalho e a possibilidade de que não se concretizem causa uma frustração muito grande posteriormente. Não faço mais planos por futuro. O melhor, e o que chega mais perto dessa tática, são as metas. Dá muito mais certo e o resultado é bem mais plausível. Um exemplo: plano, voltar ao peso de antes do casamento; meta emagrecer dois quilos. Se jogarmos isso numa equação matemática, podemos dizer que várias metas bem sucedidas é maior que um plano mal sucedido. Metas eu tenho algumas. A cumprir esse ano uma certamente. Quanto às outras, também serão cumpridas sem o compromisso de estarem todas prontas até o fim desse ano, porém, caso isso aconteça será muito bom. Por um lado. Por outro nem tanto. Teria que inventar outras metas para 2006. Tenho quase certeza absoluta que a primeira hipótese é a mais tangível.



Pois bem. Chegou a vez das novidades para o ano, que serão colocadas aqui nesse espaço. E a grande novidade é a mudança estratégica para esse ano. Explicarei melhor. Nos anos anteriores eu aproveitava o mês de janeiro para curtir uma folga, sempre postando textos inéditos, porém, previamente elaborados. Mas, dando uma olhada no calendário de 2005 – de tempos em tempos isso acontece e calhou de ser esse ano para meu desgosto – vê-se que a terça feira gorda cai no dia 8 de fevereiro. Portanto, vamos seguir na caminhada até a folia de momo. Como todo ano, na semana que anteceder o reinado do bonachão, destilarei meu veneno sobre os sambas que serão apresentados na Marquês de Sapucaí na tradicional coluna carnavalesca ‘Na palma da mão’. Até lá, a princípio, continuarei relatando as aventuras mineiras do último feriado de finados. Depois, outros comentários serão normalmente postados, como de hábito.



É. O ano está acabando e o espaço em branco dessa folha também. Eu não tenho mais nada pra dizer esse ano, além do desejo de que todos ou grande parte de seus anseios se realizem no ano que vai nascer. Sem mais, vamos à contagem regressiva:



10



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6



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3



2



1



FELIZ ANO NOVO

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

FINDO ANO



Dentro de mais alguns dias o fim do mês dará vez ao início do próximo ano. É mais um ciclo que se fecha. Dentro desse ciclo, passamos por altos e baixos, oscilamos entre ascensões e glórias e quedas e declínios, como normalmente acontece. Certamente alguns de nós passamos um maior tempo numa ou noutra categoria além da expectativa gerada. Mas, enfim, mais uma vez, o fim está próximo e o começo também. Hora de fazer o balanço, ponderar atos e atitudes, colocar na balança os prós e contras e ver os créditos e os débitos que possam ser corrigidos.



Isso tudo se der tempo. O ano passa tão rápido que quando a gente vê faltam poucos dias pro Natal e tem aquela lista de gente que a gente não pode esquecer de presentear ou mesmo de dar uma lembrançinha pra não passar em branco. Parece impressionante, mas todo mundo só lembra disso a dez dias do Natal Aí, é uma invasão a mercados populares e shopping centers como não se vê durante o ano.



A princípio, poder-se-ia fazer uma espécie de promoção para compras de Natal no mês de agosto, por exemplo, mas compras de Natal dependem mesmo é do mês de dezembro. Tudo pelo fato de não se pagar décimo terceiro salário em agosto. Pois geralmente é por causa desse pagamento que as pessoas saem correndo de casa e gastam-no nas compras. Faço questão de não mencionar a proliferação de amigos ocultos com o agravante de, dependendo do ambiente, se tirar a pessoa com que se tem menos contato ou a que você ‘se dá’ menos.



Eu fico imaginando as pessoas que se engalfinham na disputa pelo último produto da prateleira de uma loja lotada na antevéspera de natal, já no fim do dia, depois de rodarem todas as lojas onde se imaginava estar esse produto, como elas se utilizam do espírito natalino para obter tal produto.



No mais, é aquela coisa de sempre. Nem candidato pleiteando cargo em câmara parlamentar recebe tantos votos como os simples mortais em época de natal. È tanto voto que nem o TRE daria conta de apurá-los. Os que recebem mais pontos são o de paz em primeiro lugar, saúde e harmonia disputando o segundo e os outros como sucesso, dinheiro, amor logo atrás.



E a tradicional ceia de natal. Outra coisa imutável nessa época do ano. Peru, bacalhau, chester e outras iguarias que aumentam a culpa e as inscrições de verão nas academias de ginástica para que a forma seja retomada até o carnaval. Eu associei essa tradição e consequentemente imutabilidade ao ganho dos CD’s de escolas de samba. Há tempos é assim. Desde o fim dos anos oitenta, à época com vinis e a partir do ano de 95, quando o preço dos discos compactos ficou mais acessível à população e gradativamente os vinis foram sumindo do mercado, com as bolachinhas prateadas.



A única coisa da qual eu sinto pena, sem contar as conseqüências das mazelas sociais visto que isso não precisa ser necessariamente Natal para se ter pena, é do pobre do tal Papai Noel. Tenho uma teoria sobre isso que poderíamos discutir talvez no próximo Natal, caso eu venha a lembrar.



Agora vamos à parte que me cabe nesse latifúndio. Eu estou aqui para agradecer. Agradecer por ter passado mais um ano sem grandes avarias. Foi um ano regular, normal onde nada de surpreendente ou especialíssimo aconteceu. Como eu já disse, altos e baixos foram vividos, mas a linha mestra permaneceu sendo seguida durante a maior parte do ano.



Agradecer também, e principalmente, a você. Mais um ano que termina e você me aturou com a classe, elegância e paciência que é peculiar de vossa senhoria. E continuará com a classe, elegância e paciência para me aturar no ano vindouro. Um mais do que Feliz Natal e um beijo no seu grandioso coração.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

AVENTURAS MINEIRAS (3)



Não vou me ater a detalhes da conversa por dois motivos: o primeiro é que prolongará ainda mais o relato da viagem e o segundo é que passados pouco mais de um mês eu já esqueci. Enfim, fomos para o hotel dormir e na manhã seguinte tive o prazer e a felicidade de tomar café da manhã por duas vezes. Uma no próprio hotel, cujo preço da diária já incluía a refeição e logo depois, na casa da tia Isa, quando passamos por lá para pegar tia Dôra e nos despedir temporariamente dela, da Isinha e da Ana. Antes de pegarmos por definitivo a estrada, ainda passamos num pequeno centro comercial para falarmos com a Ângela, na loja dela.



A idéia era durante o itinerário, passar na casa do Fernando Antônio, caçula da tia Isa, em Conselheiro Lafaiete para seguirmos viagem, mas o destino não quis que fosse assim. Ao sairmos da cidade de Barbacena, já na estrada e depois de uma parada estratégica para o abastecimento do veículo, mais uns cinco minutos de estrada e um grandioso engarrafamento de parar o trânsito literalmente. Uma hora parado até que providenciaram um pequeno desvio, em ambos os sentidos, pelas laterais da estrada para passagens dos automotores. Um caminhão do tipo baioneta estava tombado e bloqueando a estrada devido a um acidente sofrido, ao que tudo indicava, por perda de direção.



A passagem por Conselheiro Lafaiete, a princípio seria somente uma passagem. No entanto, devido ao incidente, chegamos lá por volta da hora do almoço. Fernando Antônio e Maggie já estavam preocupados com o nosso atraso, visto que eles foram avisados que nós passaríamos rapidamente por lá. Depois de explicada a situação e de revelado o objetivo da nossa viagem, o convite para o almoço, educadamente recusado e por sua vez, recusado a recusa com a insistência, também educadamente, comemos uma iguaria que não era tipicamente mineira, mas era gostosa da mesma forma. A receita, quem quiser, me peça depois. É o macarrão mais fácil e rápido de ser feito.



Como diz minha mãe, barriga cheia, mão lavada e pé na estrada. A hora corria mais que a gente e de lá, após algumas informações confirmadas pelo Fernando Antônio, a melhor opção de estrada para chegarmos à cidade de Ponte Nova era a Estrada Real que liga Conselheiro Lafaiete a Ouro Preto e de lá a gente iria pegar um trecho de outra estrada para finalmente aportarmos em Ponte Nova.



A Estrada Real talvez seja a mais bem conservada de Minas Gerais. Pelo menos, das que a gente passou, era a que menos oscilações tinham na pista, e olha que em termos de oscilações em estradas o Fiat Uno 1.0 do tio Marcos dá um show de resistência que carros mais novos provavelmente não suportariam. A estrada tem uma paisagem boa, merecida de fotografias, e eventualmente aparecem construções do tempo em que a realeza mandava nessas terras. Acredito que por esses motivos históricos é a mais bem conservada de modo que não é recomendada a passagem de caminhões por ela, apesar de algumas visíveis desobediências.



Ouro Preto certamente e Mariana, se não me engano, foram vistas de sua área perimetral. O sol já estava baixo quando chegamos a Ponte Nova, mais adiante. A dúvida que pairou era se aproveitaríamos pó pique e o espírito incumbido em nós e tocaríamos direto para Santa Cruz do Escalvado, ou se deixássemos essa visita para o dia seguinte, quando estivéssemos mais relaxados. Prevaleceu a primeira opção. Santa Cruz do Escalvado, aí fomos nós. A única parada que fizemos foi na padaria para pedir informações de qual o caminho adequado. Muito solícito, um nativo nos indicou e guiou até certo ponto. Creio que não dava mais de quarenta quilômetros de distância entre as duas cidades, mas, para quem estava indo pela primeira vez, parecia que não iria chegar nunca, mesmo com as placas indicativas. Apreensivos, chegamos onde tudo começou.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

AVENTURAS MINEIRAS (2)



Ao esgotarmos todas as possibilidades, perguntamos para a bibliotecária se não haveria um lugar onde poderíamos ver certidões e documentos da época. Ela nos indicou a casa paroquial que ficava na mesma rua a poucos passos dali. Fomos até lá e o responsável nos disse que não iríamos encontrar nada ali e seria melhor nós irmos até o tal CDH (Centro de Documentação Histórica) da cidade que é bancado pela universidade. Ele nos indicou o caminho. Pegamos o carro e fomos. Acabamos nos perdendo. Era pra ir prum lado e a gente foi pra outro. Coisas de forasteiros de primeira viagem. Por sorte, acaso, conspiração do destino ou seja lá que nome se dá a isso, na rua em que entramos por engano, no lado oposto da cidade ao qual deveríamos ir, paramos para pedir informação e o sujeito que nos situou era amigo de um dos responsáveis do CDH.



Finalmente chegamos ao CDH. Isso devia ser por volta das duas e meia da tarde mais ou menos. Foi uma tarde proveitosa, pois quase toda a documentação estava cadastrada num sistema informatizado. Era só digitar o ‘Barão de Santa Fé’ no campo de busca que vinha a relação dos documentos. E num deles a gente descobriu o nome de um sujeito, cujo nome não me recordo agora, que casado em segundas núpcias com uma das filhas do nosso barão, era um tremendo picareta e deu, ou pelo menos tentou dar, um golpe do baú justamente na época da decadência do império e do domínio do café. O documento trazia um pedido de ação jurídica contra esse sujeito impetrada pelo barão, cobrando uma dívida. Mas a gente descobriu que era segundas núpcias lá mesmo, no CDH, confrontando documentos com os nomes envolvidos. Havia a certidão de casamento desse sujeito com a primeira esposa, e pelas datas dos documentos a dedução se fez fato concreto.



Saímos saltitando de felicidade do CDH com boas, vastas e polpudas informações que nos valeram muito, por volta das cinco da tarde rumando dessa vez para a cidade mineira de Barbacena, fazer uma breve visita à parentada de lá e pernoitar para pegar mais estrada no dia seguinte. Aí que entram minha mãe e minha tia Dora. Elas saíram de Niterói num ônibus extra das três e meia da tarde e nós marcamos de nos encontrar na casa da tia Isa, em Barbacena, no entanto, pouco depois de nós entrarmos na estrada que liga o Rio a Minas, a BR-040, tentamos fazer contato quando atravessamos um pedágio por nos emparelharmos com um ônibus da empresa que faz a ligação entre as duas cidades, mas o telefone celular não deu sinal. Resolvemos então parar para ir ao banheiro e comer algo, pois já era em torno de sete da noite e nós não comíamos desde o almoço, meio dia e pouco. Foi quando o contato foi estabelecido, descobrimos que estávamos perto e o ônibus iria fazer uma parada a poucos quilômetros de onde eu e meu tio tínhamos parado. Rapidamente entramos no carro e saímos estrada a fora. Em poucos minutos quem estava nos seguindo? O ônibus em que elas estavam. Toca meu celular. Minha mãe confirmando esse ato. Trocamos de posição deixando o ônibus passar na nossa frente para escoltá-lo até a parada, já que nós não sabíamos onde era exatamente a parada estratégica que o ônibus iria fazer.



Se tivéssemos combinado, não teríamos acertado em cheio. Minha mãe aproveitou para se juntar a nós, já tia Dora, alegando ser o banco do ônibus mais confortável pra ela preferiu seguir viagem sem se transferir para o carro até a rodoviária de Barbacena. O combinado, então, foi de pegá-la na rodoviária da cidade e irmos para a casa da tia Isa, antes passando num hotel para reservarmos um quarto para o pernoite, exceto tia Dôra que iria ficar de qualquer jeito na casa da tia Isa. (Para fins de dúvida, tia Isa é tia da tia Dôra, da minha mãe e do tio Marcos.) Sabe como é mesa de mineiro. Aquela fartura. E em torno dela os dois dedos longos de prosa em que se agarra.