segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

BALANÇO DO ANO

O Natal acabou de passar e no próximo domingo já estaremos no ano novo. Dois mil e cinco está dando a vez para dois mil e seis. Coincidências existem? Por que eu começarei o ano novo do mesmo jeito que comecei esse que termina, ou seja, num curso. Dessa vez é diferente pelo fato do curso ser um que eu corri atrás pra fazer durante pouco mais de um ano e não uma escola de adestramento como fiquei entre agosto de dois mil e quatro e abril de dois mil e cinco e que me valeu de pouco. A pós-graduação em Jornalismo Cultural pela Universidade Estácio de Sá, campus Tom Jobim – Barra da Tijuca, que eu freqüento todos os sábados entre oito da manhã e uma e meia da tarde, desde a volta da viagem ao sul me trouxe de volta o prazer de estudar. Como se assimila bem melhor as coisas quando se quer aprender do que ser forçado a fazer um curso que não tem nada a ver com a sua personalidade, não? Esse foi um ponto positivo no ano que acaba. Fazer uma pós-graduação que se tem vontade de fazer. E durante todo o ano novo, aos sábados o compromisso está selado. É cedo, é longe, é aos sábados, mas não reclamo por que eu quis que fosse assim.

Quanto aos meus alfarrábios, seguem normalmente o fluxo. Faltam dois capítulos, a princípio, pra eu dar por encerrado mais uma loucura literária. A de dois mil e quatro, ainda inédita, requer uma revisão – tarefa pro tio Rodolfo e a ele entregue como presente de aniversário em meados de fevereiro passado – para passar pelo meu último crivo antes de ganhar o público. A desse ano está parada desde a viagem, esperando sua complementação que será dada certamente até o próximo aniversário do tio Rodolfo, ou, no mais tardar, até o carnaval. A pausa proposital foi em favor da minha memória. Quanto a trama elaborada, uma releitura estratégica para a retomada de fôlego e consequentemente a conclusão da história ficou em segundo plano para que eu pudesse escrever todos os ‘diários de bordo’ do sul. A série completa conta no total com mais oito aventuras gaúchas, além das já publicadas, e oito curitibanas. Pelo calendário, excetuando a postagem tradicional do carnaval, a última postagem de todas as aventuras será no feriado do dia do trabalho, ou seja, direcionei todo o foco para a viagem desde a minha volta, pra não perder mais detalhes do passeio que as falhas da minha memória já o fizeram.

A viagem foi proporcionada por um outro fator que marcou meu ano. Graças aos cachês recebidos e juntando parte deles que consegui viajar. No mês de março comecei a fazer figuração na Globo com a minissérie ‘Mad Maria’. Em abril entrei em ‘América’ onde permaneci até o dia sete de setembro. A partir daí a agência na qual era cadastrado perdeu o produto e consequentemente perdi o trabalho. Depois dessa, a debandada da agência foi grande também. No entanto, em compensação, durante esses seis meses ganhei várias novas e verdadeiras amizades. Achei outros reais tesouros da minha vida. Tanto que foi por causa deles que me mantive no ramo sendo chamado no fim do mês de novembro por outra agencia e por intermédio de outro desertor da minha agência inicial pra fazer participações por, até agora, uma vez em ‘Belíssima’, duas no ‘Didi’ e quatro em ‘JK’. E as perspectivas nessa área apontam para um bom horizonte.

Todas essas conquistas do ano foram baqueadas por uma perda. No fim das contas a balança ficou equilibrada. Talvez um pouco mais pendendo pro déficit que pra todos esses saldos. A morte do meu tio Tarcísio foi um trauma muito forte. Acometido por uma pancreatite aguda grave necro-emorrágica e lutando contra suas conseqüências por praticamente três meses, não resistiu e nos deixou cinqüenta e três dias antes de completar meio século de vida. Desfalcando a sétima posição de um time de oito herdeiros dos meus avós maternos, estamos aprendendo a conviver com a ausência e saudade dele. A mais trágica lição que esse ano nos deixou. Vivendo e aprendendo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (7)

Quando acabou o meu tempo na Lan House pensei: tenho que matar o tempo até o Paulinho voltar. Cogitei de ficar dando voltas no parque Redenção, mas nessa fração de segundos que minha mente processou isso tudo, meu celular toca. Era o Paulinho dizendo que a o compromisso dele havia acabado e que estava voltando pra casa. Não tive dúvidas em voltar o mais rápido possível. Mostrei a ele todos os panfletos que tinha pegado na casa de cultura, não só em relação à viagem que a gente ia fazer, mas outras coisas também, principalmente um mapa da região metropolitana.

Nesse mapa tinha vários números úteis de telefone, inclusive o da rodoviária. Passei a mão no aparelho e liguei pra lá pra pegar os horários do turno da manhã dos ônibus que iriam pra Gramado. Estávamos decididos em ir no dia seguinte e voltar no subseqüente e a idéia inicial era essa de ir na parte da manhã. Mas ficou sendo somente a inicial.

Mais uma vez peço perdão pela minha memória, ou melhor, pela falta dela, uma vez que deixarei um hiato entre esse meio de tarde e o fim de noite que, essa sim, foi realmente inesquecível. Não me lembro exatamente o que fizemos nesse período, mas certamente mais algumas páginas do livro foram devoradas.

Aquele dia era aniversário do Solimar. Esse sujeito é primo do Diego, o camarada com quem o Paulinho dividia o apartamento antes de morar sozinho, e é quase que uma lenda. Não que todos da cidade o conheçam, mas pra quem de certo modo convive com ele, mesmo que somente em bares da Cidade Baixa, já é uma pessoa lendária. Ele ligou pro Paulinho e disse que por volta das dez da noite estaria passando lá para comemorar mais um ano de vida. Quando a gente desceu do apê pra encontrar com ele e o irmão que eu de fato o conheci pessoalmente e consequentemente personifiquei o tão escutado Solimar com suas hilariantes aventuras. Em seguida, passamos no apê do Diego a uns cinqüenta metros adiante. Primeira parada: Bells. Nós cinco, incluindo aí também o irmão do Solimar, se não me engano chamado Rodrigo. Eu não bebo cerveja e o Rodrigo também não, mas nesse ponto ele é mais radical. Bebe água tônica, subentendendo que álcool nem pensar e não come nenhum tipo de carne. Vegetariano convicto. Meu paladar só reprova a cerveja mesmo, portanto a boa, velha e generosa caipirinha de cachaça preenche o espaço etílico.

Essa noite tinha mesmo que ficar pros anais da minha história. Depois do bar decidiram, e como eu era apenas um convidado-turista fui no bolo, ir à casa noturna Druida ali perto. Perguntado o valor do ingresso na porta o segurança respondeu dez reais. Porém, uma menina nos ofereceu outro convite cujo valor era dois reais mais barato. Ela estava fantasiada de bruxa. Na verdade, os estudantes do oitavo período do curso de odontologia da UFRGS estavam promovendo naquele dia e naquela boate uma festa a fantasia. Eu me senti como um peregrino em terras pagãs. Estava ali caído de pára-quedas. Depois de análises das mais diversas formas e conteúdos estavam decididos a entrar. Somente o Diego que não quis se arriscar e voltou pra casa.

Boate é boate em qualquer lugar do mundo, certo? E as músicas que tocam acompanham as tendências das regiões em que elas se situam. Esse seria o normal, mas em se tratando daquela específica noite e daquele local em que estávamos o conceito de normalidade é bastante discutível. Até mesmo pelo fato de nós quatro termos disposição para freqüentar uma festa gerenciada por aspirantes a dentistas fantasiados dos mais diversos personagens do imaginário. Desde quando isso é normal? Onde estávamos com a cabeça, ou melhor, onde eles estavam com a cabeça? É impressionante como estudantes de uma das mais bem conceituadas universidades do país se acabam em requebrar diante do que alguns chamam de música cujos versos têm profundidade pífia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (6)

Na volta, para encerrarmos de vez toda essa caminhada e exploração pelos pontos turísticos do centro da cidade, comemos um sanduíche numa cadeia de fast-food própria de Porto Alegre, o Cavanhas. Tinha sanduíche de tudo quanto é tipo, até de estrogonofe. Eu comi um que eu acho que só tem lá, um cuja carne do recheio era um aglomerado de coração de galinha. Diferente, mas muito bom. O sanduíche valia uma refeição e era mais barato do que qualquer promoção dessas de ‘Mc Donalds’ da vida. Além do coração de galinha, o Paulinho me apresentou o tal do pão de cervejinha. De cervejinha mesmo só o nome que o gosto passa longe. Eu bobeei. Poderia ter pedido o sanduíche com esse pão, mas pedi com o pão normal mesmo. Ficou para a próxima.

Chegamos em casa depois das nove da noite. Andamos o dia todo. Não me lembro, mas tenho quase certeza de que aquela noite a gente não saiu para tomar umas nos bares da vizinhança. Até pelo fato de o Paulinho ter que cumprir seus compromissos na manhã do dia seguinte e da gente ter se cansado de andar tanto durante o dia todo. Antes da gente dormir, tínhamos que resolver a questão do dia seguinte. Eram vários compromissos que o Paulinho tinha para apenas uma chave do apartamento, ou seja, ou eu ficava preso do lado de dentro de casa, ou do lado de fora. O decidido por mim foi ficar do lado de dentro pela manhã, dormindo, e quando ele fosse pros compromissos vespertinos eu saia junto e retornasse junto com ele. Dito e feito.

Quando eu acordei na quinta feira, dia 20 de outubro, estava preso dentro de casa. O Paulinho já tinha saído e eu fiquei lendo o ‘Fortaleza Digital’ até ele chegar. Perto da hora do almoço surge meu amigo me libertando do cárcere. Ele sugeriu que eu fosse novamente à Casa de Cultura Mário Quintana para pegar informações sobre a cidade de Gramado, já que a idéia de visitá-la estava bem ativa e o fim de semana estava chegando. Almoçamos num restaurante de comida natural, perto da casa dele. Como já disse, a comida lá é barata e gostosa. Depois ele foi pra faculdade e eu tinha que fazer alguma coisa pra passar o tempo. Conforme sugerido, voltei na casa de cultura, me dirigi ao balcão de informações turísticas e comecei a pegar tais informações. Pensei que fosse me perder, pois dessa vez estava sem cicerone, mas até que me saí bem e não precisei perguntar pra ninguém que caminho tomar ou como chegar até a casa de cultura. A atendente foi me dando várias dicas e me entregando mapas e vários folders sobre as cidades da serra gaúcha. Na minha santa ignorância, achava que Gramado e Canela não ficavam na serra gaúcha, mas o fato é que a será gaúcha é dividida em três áreas onde se destacam, além das duas cidades que a gente queria visitar, Caxias do Sul, Bento Gonçalves entre outras. Enquanto eu perguntava e a atendente respondia no balcão, uma mulher mais ou menos da minha faixa etária se aproxima e me dá a dica de hospedagem de um albergue. Segundo ela, já havia reservado para a semana seguinte para quando ela fosse. Ela era de São Paulo e também estava passeando por lá. Disse a ela que iríamos num dia pra voltar no outro, já que eu tinha pouco tempo. Ela também aproveitou para pegar as informações que precisava.

De lá, corri pro mercado municipal, pois tinha em mente trazer uma lembrança da cidade e nada melhor que a representasse se não a cuia, a bomba, que não passa de um canudinho para a ira dos tradicionais, e um pouco de erva para fazer o tradicional chimarrão. E nada melhor que o mercado municipal pra comprar esse tipo de mercadoria por um preço bastante accessível, inclusive pra turista. Voltei para próximo de casa. No caminho tive uma vontade louca de tomar um caldo de cana, mas acabei mesmo foi tomando duas garrafinhas das de vidro de Coca, que na minha opinião é a mais saborosa, e pegando o troco em balas para, em seguida, me dirigir a Lan House e gastar um tempinho lendo meus mails e mandando scraps para a minha lista do orkut.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (5)

Fomos os primeiros a chegar uns quinze minutos antes do último horário do tour que o ônibus faz às seis horas da tarde. O funcionário colocou um vídeo pra que a gente pudesse esperar formar o grupo. O vídeo dizia sobre as maravilhas da cidade e, pasme, uma das cenas era a do trem que não anda funcionando. Deviam ser imagens do teste. Até o Paulinho se surpreendeu em ver aquele trem andando. Enquanto o vídeo ia passando mais gente ia chegando e querendo participar do mesmo passeio. Não chegou a juntar dez pessoas. Éramos oito no total. No entanto, recebemos a informação de uma funcionária que devido a uma ‘tranqueira’ o passeio iria atrasar no mínimo uma meia hora. Traduzindo do gauchês pro português, a palavra tranqueira que eu sempre interpretei como sendo ‘coisa’, eles vêem como o que a gente conhece por engarrafamento. É engraçado quando o significado de uma palavra se encaixa em um contexto completamente diferente do que você está acostumado.

Por conta desse atraso o Paulinho decidiu passar em casa e eu fui junto. Dava tempo de beber água, ir ao banheiro e voltar pra lá, pois era a alguns metros dali. Foi o que a gente fez. Porém, quando voltamos, pra nossa surpresa, não havia mais ninguém lá. Pensei logo que eles foram embora sem a gente. Na verdade foi isso que aconteceu, mas cada um pro seu canto. O passeio tinha sido cancelado. Principalmente por causa daquela ‘tranqueira’. O motivo do engarrafamento, e consequentemente do atraso que culminou com o cancelamento desse passeio era uma partida de futebol no Beira-Rio entre o colorado Internacional e o argentino Boca Júniors. O ônibus, em virtude do atraso, não teria tempo hábil de passar pelos pontos turísticos, já que ele tinha tempo pra ser recolhido. Não foi daquela vez. Deixamos para uma outra ocasião. Quem sabe no fim de semana? Veríamos.

Visitamos o parque da Redenção com seu amplo espaço ao ar livre para se fazer atividades físicas, dar aquela caminhada de fim de tarde, levar crianças e cachorros pra dar uma volta e encontrar a turma. Um lugar bastante agradável, apesar de se comentar sobre o perigo de circular sozinho ali pela noite. Só que a gente não fomos loucos de nos arriscar a fazer isso, por mais que tenhamos a tarimba de violência daqui do Rio. Por falar nisso, o maior índice de violência lá é o de roubo de automóveis.

Uma passada defronte a prefeitura para que uma foto tipicamente turística fosse tirada e ao lado dela não poderia ter coisa melhor do que o mercado municipal de porto alegre. Infelizmente, ao chegarmos lá, pelo avançado da hora, grande parte das lojas já estavam fechando. De acordo com a lenda do lugar, aquilo tinha sido num passado remoto o lugar onde eram aglutinados os escravos para que fossem escolhidos e vendidos a quem os comprasse. Hoje, como mercado, está bem estruturado, organizado, não só com barracas de venda de artigos pra todos os gostos, principalmente em se tratando de cozinha, mas também com os bares e restaurantes que servem de tudo, inclusive comida japonesa, localizados na parte superior com seus mezaninos.

Em frente a entrada principal do mercado municipal há um bar e restaurante que estava tendo uma happy hour. De couvert artístico pagava-se apenas um real pro sujeito que tocava um violão razoavelmente bem. O nome desse local é Praça XV. Talvez pela sua estrutura arquitetônica se assemelhar com o antigo mercado que avistamos da barca ao nos aproximarmos do Rio. No pátio, embaixo, amplo espaço para as mesas com um número considerável de gente. Ainda havia um pequeno salão fechado, coberto para casos de chuva. Claro que nem se compara ao espaço de fora. E em cima, onde ficamos o tempo necessário para tomar, no meu caso, um chá gelado, uma vista mais panorâmica tanto do próprio mercado municipal, quanto das pessoas que freqüentavam a parte inferior do bar. O clima ameno contribuiu para a boa degustação visual do local.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (4)

Vimos rapidamente toda a exposição. A instalação que mais me chamou atenção foi a de um uruguaio. Acho que era essa a nacionalidade dele. Ele gravou cinco cd’s diferentes cada um com sons e palavras sem nexo nenhum. É uma coisa de maluco mesmo. Tanto eu quanto o Paulinho morremos de rir.

Me lembro que fomos em mais dois outros prédios onde tinham mais exposição da bienal de artes do mercosul. Um deles ficava ao lado desse centro cultural do Banco Santander, o outro eu não me lembro aonde ficava. È muita informação para uma mente só. O que eu estou me lembrando agora é que num deles outra coisa de louco chamou nossa atenção. Estava sendo exibido um vídeo com uma espécie de curandeiro apache fazendo suas rezas e aplicando agulhas de acumpultura com bandeiras afixadas na outra ponta dessas agulhas. A mulher estava completamente nua, deitada na mesa, parecendo ser em um local público, cheia de agulhas e, por sorte ou segurança dessa doidera, havia um médico no local supervisionando aquilo tudo. No final as pessoas chegavam perto da mulher e tiravam as agulhas do corpo dela e levavam de lembrança. Maluquice, não?

Outro local que a gente visitou foi a Casa de Cultura Mário Quintana. É um lugar bastante interessante e cheio de atrativos, como cinema, teatro, biblioteca, palestras, pequenos shows mais íntimos e outras coisas mais. Essa não fazia parte dos centros de exposições da bienal do mercosul. Antigamente essa casa de cultura era o hotel em que o poeta morava. Queriam destruir o local, mas, graças a consciência inteligente do povo, resolveram manter o lugar como casa de cultura em homenagem ao seu hóspede-morador mais ilustre. Inclusive o quarto em que ele vivia está lá permanentemente exposto, com todos os móveis, objetos e utensílios que ele usava no dia-a-dia. Digno de uma foto também tirada. Como se fosse sua vizinha da porta de frente, o quarto, agora transformado em ampla sala, uma exposição permanente com os discos, recortes de jornais e revistas, fotografias do acervo pessoal de outra ilustre gaúcha, a pimentinha Elis Regina. No telão, exibição constante de um documentário recém lançado em dvd com uma entrevista pontuadas com canções imortalizadas pela sua voz ímpar. No último andar existe um café onde se pode ver parte do porto e pedaços do famoso rio - ou lago como dizem outros – Guaíba.

A Usina do Gasômetro foi outro local visitado por nós. Na beira do rio, ela também fazia parte da bienal e havia vários trabalhos de artistas malucos também. Nos fundos da Usina, um terraço nos dá a dimensão mais detalhada de tamanho e largura do rio em um determinado trecho da cidade. Todos que vão para Porto Alegre dizem que o pôr-do-sol visto às margens do Guaíba é imperdível. Eu perdi e não me arrependo de ter perdido. O terraço que fica mais abaixo um pouco e na parte da frente da usina revela uma curiosidade da cidade. Ali fica exposto um projeto que não deu certo na cidade, uma obra faraônica com investimento alto, mas que nunca funcionou. Em frente ao Gasômetro tem um trem daqueles, tipo trem bala, ou monorail, parado, apodrecendo ao sabor do tempo. Parece que esse projeto não teve a viabilidade necessária para que dessem continuidade à obra e foram construídos alguns metros de ‘trilhos’, ou seja, o trem vai do nada pro lugar nenhum. Aliás, ele não vai pra lugar nenhum por que não sai do nada. O trem não funciona mesmo.

Andamos um pouco mais, passamos em frente ao prédio da sede administrativa do governo do estado que é um prédio bonito e diferente mais pro lado do moderno e não os que estão no centro da cidade. Foto nele. Até que paramos perto de um centro de informações turísticas, já perto de casa, onde tem um ônibus que dá uma volta por alguns pontos turísticos da cidade. Perguntamos se ainda havia a possibilidade de se fazer um tour, e a resposta foi que, a princípio, se juntasse dez pessoas no mínimo, teria.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (3)

No dia seguinte acordei, me arrumei e esperei o Paulinho fazer o mesmo. Enquanto isso continuava entretido no ‘Fortaleza Digital’ até a hora de a gente sair. Pela hora que a gente foi dormir já era de se esperar que acordássemos tarde do dia. Café da manhã nem pensar. A gente saiu de casa e fomos a um restaurante a quilo, mas que se passasse de um determinado peso o preço se tornava fixo e assim poderia se comer a vontade. Claro que eu ultrapassei essa barreira limite. A comida lá é barata e farta em se comparando com os restaurantes onde se costuma almoçar no centro do Rio, por exemplo.

Aquele dia nós resolvemos andar. Tudo pelo turismo. O Paulinho me apresentou o centro de Porto Alegre que por praticamente ser do lado do bairro da Cidade Baixa é perto da onde nós estávamos. O primeiro ponto diferente que eu vi foi uma espécie de viaduto. Não sei o nome, mas foi também o objeto das minhas primeiras fotos na cidade. É uma avenida grande, larga, de mão dupla que passa por baixo de uma rua e justamente as calçadas que ladeiam a avenida sobem até essa rua de cima em construção que parece ser de décadas passadas. Mas quem não quiser subir e seguir na calçada da avenidona também pode. Na minha opinião lembra um pouco o Viaduto do Chá em São Paulo. O segundo ponto em que a gente parou foi a praça principal da cidade. Não que seja realmente a principal, mas é a praça que tem a igreja, o fórum, a assembléia legislativa e umas casinhas bonitas, também de estilo antigo, mas que infelizmente alojam sedes de partidos políticos. Péssimo fim pra uma arquitetura tão bonita.

Visitamos a igreja, muito bonita por sinal. Tirei foto dela e de um prédio que fica do lado da igreja, acho que é o fórum. Depois passamos em frente ao Palácio Farroupilha, a assembléia legislativa (ou seria a câmara municipal?). Do outro lado da praça, defronte à igreja, tem o maravilhoso teatro São Pedro, o municipal, quer dizer, eu não posso precisar se aquele teatro é o municipal de Porto Alegre, mas que ele tem todas as características de um teatro municipal, até por parecer com o daqui de Niterói, isso é fato. Entramos nele e deu pra reparar nessas características mais de perto. A rotunda – o pano preto que fica atrás do palco – e as pernas – os que delimitam a coxia – estavam suspensos e a luminosidade que entrava dava um clima diferente ao de teatro. Mereceu e obteve uma foto. Aliás, fui tirando tanta foto, mas tanta foto que no fim do dia tive que apagar algumas da máquina até pra caber as fotos da ida à serra gaúcha que pretendíamos fazer mais pro fim da semana.

Quando estávamos passando na frente do Palácio Farroupilha, reparei que vários ônibus de excursão escolar estavam chegando na cidade. Assim como nós, essas crianças também tiraram aquele dia pra visitar a bienal de artes do mercosul que preenchia vários espaços culturais da capital gaúcha. Eu, pessoalmente, iria visitar aqueles espaços culturais independente de participarem de bienal ou não. No entanto, como coincidiu, lá fomos nós.

Não me lembro exatamente do roteiro que fizemos cronologicamente falando, mas como eu me lembro do último lugar em que estivemos, os relatos serão descritos sem obedecer a ordem cronológica das visitas a esses lugares.

Há uma rua de pedestres, a Rua dos Andradas, que tem uma praça onde, por sinal, estavam montando uma feirinha de livros, como essa que volta e meia aparece na Cinelândia, mas que infelizmente eu não estaria por lá pra visitar, onde também se encontram dois centros culturais. Um é o do Banco Santander, onde alguns quadros, objetos e instalações que algumas pessoas cismam em chamar de arte estavam expostas. Coisas ou muito absurdas ou muito simples, mas a grande maioria dentro da capacidade de criação de qualquer ser normal, às vezes até de uma criança, foram visualizadas lá.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (2)

Postado na última fila do avião, na janela, afivelei o cinto e esperei o avião decolar. Tem gente que morre de medo, mas eu adoro voar. E a melhor sensação, que me deixa eufórico e entusiasmado é justamente na hora da decolagem e do pouso. Depois que o avião parou de subir e se estabilizou lá em cima, abri a minha mochila e tirei a minha áudio key pra continuar ouvindo as músicas e o livro do Dan Brown ‘Fortaleza Digital’ para mergulhar em mais uma história consistente, verossímil e intrigante como o best seller ‘Código da Vinci’.

Foram duas horas de vôo direto, sem nenhuma escala. Pra gente foi servido um sanduíche com cara de natural e uma bebida que, no meu caso, foi um suco. (Não lembro o sabor, acho que foi de laranja mesmo.) Por volta das onze da noite o avião pousa no destino. Chego numa Porto Alegre com clima ameno. Em relação ao Rio poderia estar um pouco mais frio, mas ainda assim dava para ficar de camisa de manga normal. No saguão do aeroporto, meu amigo de fé, irmão camarada Paulinho me aguardava. Carregando minha mochila e puxando a malinha, esperamos um ônibus que nos deixava mais próximo da onde ele está morando, depois de uma informação solicitada.

Saltamos próximo. Tinha um bom pedaço pra ser andado e como as calçadas não deixavam as rodinhas da mala rodarem homogeneamente, fui carregando a malinha na mão. Não estava pesada, mas de tempos em tempos tinha que trocar a mala de mão pra ter um certo equilíbrio. Quando a gente chegou no bairro da Cidade Baixa, onde ele vive, tivemos que passar onde ele morava antes, quando dividia o apartamento com outras pessoas, para pegar um colchão pra mim. Missão abortada quando ao chegarmos no apartamento o dono do colchão estava ocupado, digamos, acompanhado por uma senhorita e justamente no ‘aposento’ em que o colchão se encontrava, que era o dele próprio. Enfim, por uma comunicação através da porta fechada ficou combinado que quando ele pudesse, mas em pouco tempo, ele se encarregava de levar o colchão pra gente.

Mais ou menos uns cem metros à frente, na primeira rua transversal à esquerda do antigo apê, chegamos ao que está sendo ocupado por ele desde o início desse ano. Fica logo no primeiro andar. É uma quitinete. Três cômodos. Cozinha, banheiro e uma sala que serve de quarto e vice-versa. Um espaço bom, amplo pra quem está morando sozinho. Deixei minhas coisas lá, liguei pra casa pra avisar que tinha chegado bem e ficamos esperando o colchão chegar, entregue com uma meia hora de diferença da nossa chegada no apê. Apesar de o colchão ter finalmente chegado, não fomos dormir.

O bairro da Cidade Baixa, em Porto Alegre, é um bairro onde atualmente se concentra o maior número de bares e casas noturnas da cidade. O Paulinho fez questão de me apresentar a todos. Não vou discriminar o nome deles aqui até pelo fato de eu não me lembrar do nome de todos, mas passamos na frente de todos. O primeiro bar que eu fui foi o do tiozinho colorado, onde eu tomei uma caipirinha, aliás, uma generosa caipirinha de cachaça. Quatro reais um copo grande. Acho que tem mais de trezentos mililitros de líquido ali. Ou será que a gente foi no Bells direto? Ou a gente foi nos dois? Agora não to lembrando. Só sei que depois da primeira parada a gente rodou, rodou, rodou por todas as fachadas dos bares da Cidade Baixa, que é um bairro tranqüilo pra se morar e é perto do centro da cidade. Só sei que depois da gente andar bastante por lá voltamos ao Bells pra comer um hambúrguer. Eu comi dois. Isso já devia ser por volta e três e pouca da manhã. Voltamos pra casa aí sim pra finalmente dormir. Conheci a vida noturna da vizinhança do bem instalado Paulinho e olha que eu acabara de chegar abaixo do paralelo trinta e ainda tinha muita coisa pra se fazer até o domingo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (1)

Essas aventuras gaúchas começam antes mesmo de se iniciarem de fato. Isso porque quando eu liguei pra BRA, a companhia aérea pela qual minhas passagens foram compradas, no sábado anterior ao dia marcado do vôo, fui informado que a viagem ao invés de ser na segunda à tarde, seria na terça a noite. Quando eu entrei na internet no sábado à noite pra confirmar os dados, uma outra surpresa preencheu meu rosto. Não seria daquela vez que iria viajar pela BRA. Fui relocado para um vôo da Varig direto entre Rio e Porto Alegre às oito e meia da noite de terça.

Pois é daí que começarei meu relato. Terça feira, dia dezoito de outubro, saí de casa às cinco da tarde carregando uma mala pequena e uma mochila. Meu pai me levou de carro até o ponto do ônibus que fica a algumas quadras daqui de casa, ali perto da saída do túnel. Minha mãe que se ocupou de um curso nas tardes de terça me encontrou lá pra me dar um beijo de despedida também. Esperei um pouco até o ônibus que vai pro Galeão passar. Claro que todos os outros que vão pros diversos pontos do Rio passaram na frente. È sempre assim. Essa linha não é expressa, ou seja, não vai direto pro aeroporto e por isso não pega a linha vermelha. Ele vai pra Ilha do Governador pela Avenida Brasil e passa pela Ilha do Fundão. Foi justamente nessa hora que eu comecei a ficar preocupado com a hora. O ônibus faz um verdadeiro city tour pela cidade universitária da UFRJ. Passa em quase todos os prédios e isso atrasava mais ainda minha chegada no aeroporto.

Desci do ônibus no terminal um, o mais antigo, onde fica o balcão da BRA. Como fui relocado para a Varig, o atendente me disse que era só apresentar minha identidade na Varig que meu nome já estava no sistema deles. A Varig, assim como todas as outras companhias aéreas nacionais, com exceção, claro, da BRA, fica no terminal dois, o mais recente. Andei o mais depressa possível na passarela entre os dois terminais. As rodinhas da mala faziam um barulho ensurdecedor quando sobre as esteiras rolantes, pelo menos pra mim que estava carregando ela, não sei se a propagação daquele barulho foi realmente efetivada por que se foi, muita gente que passava ali na hora deve ter me xingado horrores. Eu mesmo não agüentei e mais pro fim do percurso saí da esteira e andei pelo chão mesmo. Além disso, tinha umas pessoas sem pressa na esteira. Esse foi outro fator que me fez sair dela.

Cheguei na fila da Varig em torno de uma hora antes do vôo sair, talvez um pouco menos. Esperei chegar minha vez pacientemente. Já estava lá e dali em diante eu sabia que daria tempo para embarcar. Pedi pra ficar numa janela. A atendente me disse que só tinha na última fila. Não tinha problema, não iria dormi mesmo. Eram só duas horas de viagem então pra que poltrona reclinável? Quando eu recebi o boarding pass restavam dez minutos para que fosse aberto o portão da sala de espera. Foi o tempo de ir ao Bob’s e comprar um milk shake de Ovomaltine, o melhor de todos. Comprei o balde, o maior, de quase um litro e nele foram gastos os sete reais de troco do ônibus. Não tinha acabado de tomar o líquido, até por que não estava líquido e sim bastante pastoso, bastante grosso, quando entrei na sala de espera do avião e me dirigi aos assentos próximos ao portão marcado que era o vinte e dois.

O embarque mudou para o portão vinte e cinco. Um avião da TAM, que devia estar atrasado e entrou na frente do da Varig no portão vinte e dois fez com que o embarque do vôo que eu peguei se deslocasse pro portão vinte e cinco. Enquanto não abriam o avião pra gente entrar, fui no banheiro e já perto do vinte e cinco sentei e comecei a escutar a audio key que carreguei comigo até eles anunciarem que o avião já estava aberto aos passageiros. Mulheres crianças idosos e deficientes têm preferência. Depois eles abriram da fila dez em diante. A minha era a última e fui o último a entrar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

VOU PRA PORTO ALEGRE, TCHAU

Estou deixando vocês. Calma, não se desesperem. É só por alguns dias. Nas próximas duas semanas não estarei por aqui. Viajarei para o sul e passarei essas duas últimas semanas do mês de outubro entre as cidades de Porto Alegre e Curitiba, portanto, aguardem. Depois de São Paulo e de Minas Gerais será a vez de compartilhar as aventuras gaúchas e paranaenses a partir de novembro.

A idéia é antiga. (Se considerarmos o mês de março desse ano como já ultrapassado é antiga mesmo.) Desde quando comecei a fazer figuração nas produções globais, principalmente quando tive uma certa regularidade no horário nobre, destinei mais ou menos metade dos cachês que recebi para realizar essa viagem. Tracei isso como meta e, a princípio iria logo após o término da novela, mas, dado os fatos que ocorreram, já relatados anteriormente, antecipei minha viagem para a segunda quinzena do mês de outubro.

Quando estive no projac levando a Diana, encontrei com um assistente de direção da novela que perguntou por que eu tinha sumido. Respondi o óbvio, que ele já sabia. Então ele disse que a solução seria trocar de agência, como várias pessoas fizeram. Eu disse a ele que àquela altura da novela não adiantaria de nada, visto que as gravações as quais eu era solicitado estavam acontecendo em um apenas um dia da semana de modo que a mesma turma que grava a cidade grava também a boate e eram poucas cenas em ambos os ambientes. Além disso, as perspectivas da próxima novela aumentaram e assim que eu voltar dessa minha viagem já deverá pintar trabalho. Não tenho certeza se será na novela ou em outra produção, mas tudo indica que será a novela.

Uns dias de folga também não faz mal a ninguém. Eu estarei complementando o mês de férias a que todos os trabalhadores têm direito de modo que já gozei de uma parte delas no mês de maio. É estranho falar isso pelo fato de que escrevo aqui por puro prazer e não tenho carteira assinada por conseqüência disso. Mas isso também não impede de tirar alguns dias de folga, principalmente se esses dias servirem de inspiração, servirem como experiência empírica para serem relatadas nesse mesmo espaço. Como nesse caso eu mesmo faço meu horário, sou meu próprio patrão e a única pessoa que tem direito em dar bronca em mim mesmo, decidi por mérito meu me dar essa quinzena de folga.

A proposta que eu me fiz de separar as metades dos cachês ganhos deu certo. A primeira meta traçada que seria essa viagem foi devidamente cumprida e em seis meses deu pra juntar metades suficientes pra viajar e sobreviver durante a viagem. Agora, tenho outros planos pras demais metades. O carnaval daqui a pouco está aí e se der esse ano eu quero desfilar. (Todo ano eu digo isso e o animo sobe logo depois do natal, mas a grana sempre é curta. Dessa vez, dependendo do número de trabalhos que pintar na minha volta, a possibilidade aumenta substancialmente. Deixo bem claro que não está nada certo.) Estou querendo voltar em São Paulo e visitar uma amiga minha em Brasília. No entanto a meta principal é a aquisição de um carro.

Tá certo. Um carro não custa o mesmo que passagem de avião para o sul, mas também não é um sonho impossível. Não consegui juntar pra viajar? Por que não posso juntar pra comprar um carro? Claro que não será o carro dos meus sonhos ou que tenha um conforto maior, mas nem que seja um fusquinha do ano de sessenta e seis eu vou conseguir comprar um carrinho pra mim.

Só espero que o volume de trabalho aumente para que eu possa juntar dinheiro mais rápido e ter o meu carrinho o mais cedo possível. Mas esse é um objetivo que vou começar a traçar mais severamente na volta da viagem. Muito obrigado e até novembro.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

PRIMEIRO ‘MÊSVERSÁRIO’ DO DIEGO

Ele completa um mês nesta terça-feira. Nascendo em pleno dia onze de setembro, durante todo esse mês deve ter sido fotografado mais do que modelo de capas de revista em alta, do tipo que só dá aquela cara até em revista de decoração. Nem todas, até pelo fato de serem muitas, foram reveladas e menos ainda divulgadas, mas todo o registro fotográfico está concentrado em dois discos.

Já nasceu dúbio. Não me refiro ao sexo. È macho e tem a genitália avantajada. Aliás, não só a genitália, mas outras partes do corpo como pés e mãos também. Chega a ser impressionante e assustador. Capaz de ser maior que eu, sinal de que puxou o pai. Entretanto, voltando à dubialidade, a que me refiro é a nacionalidade. Americano de nascença e por parte de pai e brasileiro por parte de mãe (e é nessa parte em que me incluo) ele terá dois passaportes e todas as vantagens e desvantagens oferecidas pelos Estados Unidos e Brasil.

Teve a companhia da avó brasileira que o acompanhou dos três últimos dias de vida intra-uterina até a última quarta-feira. Na quinta ela chegou trazendo notícias e a enorme resma de fotografias reveladas, de modo que sua corujice pode ser mostrada a todas as pessoas que perguntam como foi de viagem. Como tem o dito popular que fala que uma imagem vale mais do que mil palavras, imagina o tamanho das histórias que ele conta somente em mostrar o catatau de fotografias que ela trouxe. E olha que está restrito às fotos já reveladas.

É uma criança tranqüila e, pelo que se tem apresentado, não deu sinais de ser parecido com a mãe em gênio, número e grau, e, ao que consta, também não se assemelha com o pai nesse sentido. Não se tem uma pessoa de exemplo para que o garoto possa ser espelhado, pelo menos a princípio. Acho que se continuar assim, o menino vai se parecer comigo. Ele já é fofo por natureza. Quer semelhança maior comigo do que essa? Claro que ele tem a vantagem de ser praticamente um recém nascido e todos e corações da família e os olhos, inclusive os meus, mesmo estando longe do estado americano da Pensilvânia, estão voltados para essa simpática criaturinha. Obviamente com exceção da avó, estamos todos nós aqui, ansiosos pela visita dele aqui, ou pela nossa lá, o que é mais difícil, mas esperando ver de perto aquelas bochechas que já estão aptas o suficiente para serem devidamente apertadas.

Seu nome é uma homenagem à cidade de encontro entre seus pais. Com a ajuda da conspiração favorável do universo e as bênçãos de uma luz divina não foi em Pindamonhangaba. O primeiro encontro dos dois se deu em San Diego. Eu tenho pra mim que se fosse em Pindamonhangaba essa homenagem não teria um valor significativo. Quer dizer, poderia até ter, mas não a ponto de se eternizar em um nome de pessoa. Até por que é muito mais plausível e sonoro uma pessoa com o nome de Diego do que uma com o nome de Pindamonhangaba. Não duvido que exista uma pessoa chamada Pindamonhangaba. Já vi vários nomes registrados em cartório pior que Pindamonhangaba. Em época mais remota os cartórios registravam qualquer coisa.

Todos os dois lados da moeda, digo, do Diego – tanto o americano quanto o brasileiro, e desse eu sou suspeito pra falar – estão alegres com a sua chegada ao mundo. E é pra comemorar esse primeiro mês de longa vida para o Diego que estou postando esse texto. Apesar de todos os altos e baixos que tem acontecido com a minha prima Jana, mais uma vez ela está de parabéns por estar tirando a maternidade de letra, sobretudo num país diferente, onde hábitos, costumes e cultura apesar de se assemelharem não são exatamente os mesmos, vide a história do parto, e longe da família. A cada dia que passa eu fico mais fã dela. Tomara que o Diego siga o exemplo da mãe nesse sentido de coragem, garra e obstinação. Mas ainda virão muitos meses...

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

BRILHA, BRILHA ESTRELINHA

Depois de três semanas sem pisar no projac, na quarta feira voltei lá. Não tinha nada a ver com a minha pessoa, afinal de contas, na minha família, eu sou apenas o coadjuvante. A estrela principal é a caçulinha Diana. Mais uma vez ela foi selecionada pra fazer uma participação em uma produção global. Depois da estréia no ‘Sítio do Picapau Amarelo’ e uma rápida e marcante presença na minissérie ‘Um só coração’, dessa vez foi a atual novela das seis da tarde, ‘Alma Gêmea’, que foi abrilhantada pela presença de Diana.

No estúdio, que começava a dar sinais de movimentação àquela hora com as camareiras, maquiadoras, figurinistas que se mobilizaram pra dar o apoio necessário ao elenco durante aquele dia de gravação, chega Diana dando uma de Medusa, ou seja, enfeitiçando qualquer um que olhava pra ela. Ela cativou a todos sem exceção. Chegou a entrar na sala de maquiagem já conquistando alguns atores, mas acharam melhor primeiramente ela passar no figurino pra trocar a roupa e ficar pronta antes de qualquer coisa. Dentro do camarim foi outra farra. Eram duas pessoas pra botar a roupa nela e ela não parava quieta. Ia de um lado para o outro, subia no banquinho pra contar os números mais altos dos armários, ficava em pé numa arara de roupas, entrava no provador, aceitou três bolachas de biscoito maizena de uma das moças pra ver se ela parava um pouco... custou, mas a roupa foi colocada.

Volta com Diana para a sala de maquiagem. Na verdade ela nem foi maquiada, mas tiveram que fazer uns cachinhos mais homogêneos nela. No início ela reclamava da quentura do ferro, mas depois de uma caixinha de suco, com uma revista em quadrinhos na mão e com o timing da cabeleireira de virar a cadeira dela para a televisão e sintonizar num desenho animado, o trabalho dela foi mais bem feito. Quando o dedinho inquieto dela começou a desfazer alguns dos cachos rapidamente sapecaram nela uma daquelas redes para segurar o penteado. E assim ela ficou a maior parte do tempo. Caracterizada e pronta para gravar como todo o resto do elenco.

A princípio foi distraída pela mãe de uma atriz mirim enquanto a mesma lia o gibi fazendo vozes diferentes para cada personagem. Depois, começou a correr o estúdio pra lá e pra cá atrás da Serena, personagem da Priscila Fantin na novela. Uma verdadeira aula de aeróbica pra mim. Resolvemos pedir o almoço pras crianças – havia outro menino, o Euclides, que contracenou com ela, também acompanhado por um responsável. Demorou um pouco, mas chegou. Pra não sujar o figurino, puseram um roupãozinho nela, porque a comida pra ela também vira brinquedo e ela brinca e se suja mais do que come.

Foi só o fato de a comida chegar e dela começar a comer que a produção chamou pra gravar. Daí uma das pirraças dela. E pra tirar a comida da frente da criança? Mais uma batalha e a gente andou de carrinho elétrico do estúdio até a locação que não era muito longe. Chegou na locação externa, reconheceu o território começou a brincar (a cena era essa com o Euclides e a Elizabeth Savalla) até baixar um ‘Alberto Roberto’ e em outro piti ela dizer ‘Eu não gravo’. Mais uma vez a galera teve que contornar a situação. Por fim gravou. Na volta, a continuação da brincadeira do almoço. Ela acabou com um dos dois bifes e o purê de batata deixando o outro bife e o arroz que recebeu todos os sachês de sal que estavam ao alcance da mão dela.

Quando recebi a informação de que ela estava liberada limpei a bagunça deixada do almoço e consequentemente ela também. A levei pro camarim para trocar a roupa e ficamos fazendo hora lá no projac até que a mãe dela chegasse. Continuava a chamar a atenção de todos, menos do Murilo ‘Tião’ Benício que, ocupado falando ao celular, foi sumariamente perseguido por ela, frustrando seu desejo de ‘Sol’ e ganhar um beijo dele.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

DEPOIS DA TEMPESTADE...

Segundo o dito popular, quando Deus fecha uma porta, sempre abre uma janela. Como a vida não tem só uma porta, mas várias e em todos os campos alcançados pelo ser humano, as janelas também são diversas. Uma delas se abriu pra mim nessa semana.

Apesar de a minha produtora ter perdido a novela, não quis me desvencilhar da agência, como comentei na última postagem. No entanto, nesse ínterim algumas pessoas me deram outros contatos para que eu fosse atrás. E foi justamente isso que eu fiz na quarta-feira passada. Como nós fizemos uma pequena despedida na terça à noite pro Mike que voltou pros Estados Unidos pra rever a família na quinta-feira, cantando num videokê de um dos quiosques da praia da Barra, dormi por lá mesmo.

Despertado pelo sol matutino às nove e meia, saí à procura de uma das duas agências que ficava ali mesmo na estrada dos bandeirantes. Apesar de um pequeno problema de direção (o número do prédio que eu tinha que ir era pela altura dos quatro mil e oitocentos e eu desci da Kombi por volta do número setecentos) andei – e muito – até chegar ao meu destino final. Na verdade andei por que, pelos meus cálculos financeiros, se eu pegasse outra Kombi de volta me arriscava a não chegar em casa.

Cheguei na agência pouco antes de meio-dia. Fiz minha ficha, deixei minhas fotos e saí de lá na esperança de ser recompensado, pelo menos pelo tanto que andei. Foi só eu atravessar a rua e estar esperando pelo ônibus pra ir em outra agência em Copacabana, quando o meu celular tocou e a indicação da chamada era dessa mesma agência a qual eu acabara de deixar. Naquele instante chegou um pedido de figurantes para fazer a novela da Record e eu voltei lá para pegar o endereço, pois tinha que estar lá no dia seguinte às sete da manhã. Conclusão: fui recompensado da caminhada. Me dirigi a Copacabana e fiz o mesmo em outra agência, essa mais especializada em filmes e comerciais. Nessa, por enquanto, ainda não aconteceu nada.

A Recnov é mais longe que o Projac. Fica em Vargem Grande. Os dois centros de produção ficam na mesma Estrada dos Bandeirantes, o Projac na altura do número oito mil e a Recnov no número cinqüenta e três mil quinhentos e cinco. (Como se percebe, um parêntese: Recnov é abreviatura de Record Novelas, situada nos antigos estúdios Renato Aragão comprado pela emissora paulista pra fazer concorrência.)

Acordei às quatro e quinze. Por não saber ao certo a distância entre as duas seria melhor chegar mais cedo do que se atrasar. Calculei que chegando no Projac até às seis e meia da manhã daria tempo de chegar na Record às sete, mesmo tendo que tomar uma condução à mais. Por volta das seis e dez o ônibus passava na frente do Projac. Saltei um pouco mais à frente, no espigão, e esperei pelo ônibus indicado. Poderia ter pegado Kombi, mas estava bastante adiantado e resolvi esperar pelo ônibus. Cheguei na porta da Recnov às vinte pras sete e esperei dar sete horas pra poder entrar. A fiscal da minha agência nem tinha chegado ainda.

Um pouco mais tarde e começa a movimentação. Passa-se no figurino, troca-se de roupa. A criançada que lá estava se fantasiou toda. A princípio iam para um baile de carnaval, mas a locação era numa praça perto da estrada da joatinga, no início da Barra. Eram só pra ser três cenas. A primeira demorou pra sair e mesmo assim não ficou válida. O tempo também não estava ajudando. Apesar de eles terem dito que era cena de verão, a chuva volta e meia caia fina e o vento também não colaborava. As crianças que chegaram de fantasia tiraram a fantasia e alguns adultos que puseram roupa de verão trocaram pelas suas roupas pessoais mesmo.

Ou seja, a Record tem muito que aprender e o que investir pra chegar num padrão ‘globo’ de qualidade. Não adianta arrebanhar atores e diretores globais se ainda não tem uma estrutura que esteja a par de competir com as outras emissoras.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

DESGRAÇA

Desgraça pouca é bobagem. Dizem que quando vem a porrada, pra ser uma porrada de bom porte, ela tem que ser bem dada. Eu não fugi a regra. Não bastasse a perda do meu tio, perdi também o emprego. Não que seja um emprego, mas era o que ultimamente me dava um troco no fim do mês. Também ninguém virou pra mim e disse ‘não estamos satisfeitos com seu desempenho’, pelo contrário, meu desempenho, modéstia à parte, era satisfatório até demais. Sabe aquela foto que fica no balcão do McDonalds do funcionário-padrão do mês? Se lá tivesse isso eu era um forte candidato a ter meu rostinho estampado.

Na verdade não só eu que perdeu o emprego, e sim todas as pessoas da minha agência que eram chamadas pra gravar a boate e Miami Beach, ou seja, a minha produtora que perdeu o espaço na novela. Isso foi em decorrência de uma série de fatores que vieram ocorrendo durante o curso da novela e que culminou com um falso pedido.

Um esquema do qual só fiquei sabendo quando recebi essa notícia era o de que existe um produtor intermediando o pedido que a produção faz do perfil e do número de figurantes que são chamados. Esse produtor é e outra agência que não a minha, que grava a novela também. E ele tinha a responsabilidade maior que a dos outros em virtude desse destaque. Eu tenho pra mim – posso estar enganado – que por causa dessa posição que ele ocupa, fez com que essa perda que prejudicou a minha produtora e consequentemente a agência e nós, os figurantes cadastrados nela, fosse, de certo modo, proposital. Estou querendo dizer que ele passou a perna na minha produtora, que foi proposital mesmo. E o pior não é isso. Ele é argentino. Não tinha contato com ele. O via algumas vezes nos sets de gravação. Não sei como é o jeito dele. Mas que o defeito dele ser argentino é mais agravante que todas as qualidades juntas, isso é.

A gente até pode – e tem gente que está fazendo isso – sair da agência, entrar em outra e continuar a gravar ou ‘América’ ou outro programa (que no nosso jargão é chamado de produto), mas tenho que pesar várias coisas pra saber se vale a pena fazer isso também. Principalmente em relação ao cachê.

Bem, de acordo com o andamento da novela, a protagonista se encontra no Rio, não mais em Miami e, se realmente a novela acabar no prazo e não for esticada, será muito difícil de ela voltar pra Miami, se bem que de novela se pode esperar tudo, mesmo no mês e meio que resta de gravação. Isso que me consola quando recebo uma notícia como essa. O cenário de Miami não vai ser tão explorado quanto no percurso normal da novela. Além disso, minha agência será uma das que farão a próxima novela das oito e estará também trabalhando com a minissérie sobre a vida de JK. Enquanto essa pendenga não se resolve e o meu futuro é duvidoso, vou correr outras agências que fazem filmes e/ou comerciais pra deixar minhas fotos e esperar pra ver se pinta algo do tipo.

A minha maior preocupação agora é entregar as encomendas. É que no último dia em que fui gravar, no feriado, eu levei três discos que gravei com a trilha internacional da novela incluindo as músicas da boate. Dois foram entregues e um ainda não, que é o da minha produtora. A dona de um desses dois pediu pra que eu pedisse que o Caco Ciocler dedicasse à filha dela que tinha gravado ‘Chocolate com Pimenta’ com ele e tal. Quando eu dei o disco pra ele, me fez uma pergunta: ‘E o meu?’ Disse que ia fazer um pra ele e fiz. A Débora me chamou de maluco por que ela não agüenta mais ouvir aquelas músicas, mas uma assistente dela pediu um apenas com as músicas da boate. Conclusão: fiz mais cinco. Esses dois, outros dois pra outras duas pessoas e um que sobrou fica pra quem quiser. Só tenho que dar um jeito de entrar lá e entregar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

SEJA BEM VINDO

Olá, irmão. Seja bem vindo. Não lhe vou perguntar como estás, pois eu sei que aqui estás bem, aliás, aqui todos estão bem. Deves estar me reconhecendo de algum lugar e estás correto em tua imaginação. Talvez minhas barbas estejam mais longas e esbranquiçadas do que de costume. É o tempo que interage comigo deste modo, mas, provavelmente, as chaves que carrego dependuradas na minha cintura confirmam tua suspeita. Sou eu sim. Pedro.

Como és recente aqui, deves estar um pouco desnorteado, mas os querubins que me auxiliam com os novatos te escolheram para trazer à minha presença pela grandeza de pessoa que foste lá na terra e por conta disso eu, pessoalmente, lhe mostrarei o mecanismo de funcionamento dessa área celestial, que, como se percebe, não é pequena. Não te anseie em ver tua família. Ela está pronta aqui em uma pequena área preparando uma grande recepção para ti.

Pela tua expressão, notaste muita coisa diferente. È como um dito que alguns humanos costumam falar querendo passar a idéia de que há diferenças entre o céu e a terra do que supõe a vã filosofia das pessoas de corpo carnal. Não irei aqui entrar no mérito do juízo final. Essa parte não cabe a mim, no entanto, pelo visto, já que estás aqui comigo, passaste por ele com louvor.

Veja. Olhe em volta de nós. Aqui só há pessoas bonitas, alegres e iluminadas de modo que é essa luminosidade que as deixa com esse aspecto belo. Já se olhou no espelho? Não precisa. Aqui nem espelho tem. Eu estava acompanhando tua caminhada dali até aqui e eu reparei que a sua luz é um pouco mais ofuscante que o normal das pessoas que cá chegam. Isso é um bom sinal. Sinal de que tu foste cercado de pessoas de bem, do bem e bonitas. Aqui todas as almas, e eu sei que a tua também, pois já praticava isso antes de vir pra cá, estão dispostas a ajudar aos outros.

Deves estar preocupado com sua família e o legado que deixaste no plano material. Não te preocupes, pois assim como é difícil para eles se acostumarem com a tua falta, tu também sentirás a ausência deles agora no início, porém o tempo é o melhor remédio para que se acostume com não presença deles. Mas fique tranqüilo, todos vocês se encontrarão aqui, nesse mesmo local, em algum dia. Poderia ter ficado mais tempo entre eles, no entanto ninguém pode ir de encontro ao designo de Deus.

Seu merecimento é grande aqui na área celestial. Serás de grande utilidade aqui no céu tal qual foste lá na Terra. Por ter chegado há poucas horas – não se assuste, o que chamamos de dias lá na Terra aqui podemos considerar horas de modo que nosso espaço-tempo é uma eternidade – começará seu desempenho como aprendiz de anjo da guarda. Conheces esse papel tão bem, porém de outra forma e guardando apenas três pessoas que foram sua esposa e filhos. Pois bem, agora, aqui de cima, dessa posição em que se encontra, além deles terá que guardar seus irmãos, cunhados, sobrinhos, enfim toda sua família além dos amigos que você quiser, e, pra ser sincero, pelo que eu vi não seriam poucos o que gostariam de ter esse privilégio.

Não te apresses quanto ao início dessa tua tarefa. Terás um período para conhecer todas as instalações aqui e levarás um bom tempo para falar e conhecer pessoalmente todos os anjos, arcanjos, santos e papas. Mas agora, nesse exato momento, esses mesmos dois querubins que o acompanharam até este portão irão te levar ao local onde teus pais e todas as pessoas que conviveram contigo no plano terreno esperam pela tua chegada para a recepção a qual me referi anteriormente. Vá lá e tenha uma boa estada aqui conosco.

Esse texto é uma criação pessoal e se trata da minha singela homenagem o meu amado tio Tarcísio que nos deixou na semana passada. * 31/10/1955 + 08/09/2005?

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

BANG-BANG

Bem, como eu já disse há algum tempo atrás, não serei mais um a falar sobre a crise política que assola o país. Os jornais e os palpiteiros já fazem plantão direto de Brasília. Eu, sinceramente, apesar de tudo que tem vindo à tona tenho mais medo do Severino do que do Lula. Vi o Gabeira no plenário falando mal e metendo o pau no presidente da Câmara dos Deputados e, particularmente, fico do lado dele. Mas, parando de falar nisso, vamos ao que não interessa.

Na última quinta-feira começou o Bang-Bang. Não falo das palavras disparadas pelos congressistas na capital federal que podem atingir um ou outro parlamentar do mesmo jeito que bala perdida e acarretar uma outra investigação gerando mais CPI, mas sim das gravações da próxima novela do horário das sete da Rede Globo.

Serei enfático, pra não dizer repetitivo. Eu sei que está chato eu ficar aqui falando dos bastidores das novelas da Globo, mas é que o noticiário está todo voltado pro planalto central e não tenho nada pra me basear além do meu divertimento. É. Por que pra mim é um divertimento. Eu digo e afirmo que quem faz figuração é um bando de vagabundos que não tem nada pra fazer e vai pro projac fazer nada e ainda ganha pra isso. Como ninguém diz que eu tô enchendo o saco falando da novela, eu vou continuar a falar. Melhor do que encher o saco depondo em CPI.

Ainda não conheço a cidade cenográfica, mas fica ali, próxima a boate de Miami e do lado de Miami Média e Boiadeiros. De onde a gente fica dá pra ver os cumes das casas, saloons e igreja de uma cidade do tipo velho oeste, de modo que a fictícia história a ser contada terá como cenário essa cidade. Não sei como será a trama, no entanto, provavelmente devem começar a anunciá-la quando os primeiros capítulos estiverem prontos, o que não deve demorar muito já que a previsão de estréia dela é dia três de outubro.

Quando a gente chegou lá na CC3 (que eu imagino ser a sigla para a terceira área de cidade cenográfica) havia várias pessoas, a grande maioria que eu não conheço, apesar de ter uns dois ou três que viajaram no tempo saindo da contemporânea ‘América’ para a de época’Bang-Bang’, estavam lá esperando para gravar, coisa que a gente faz de modo exemplar, caracterizados de fraque, cartola se homem e longos vestidos cheios de bordados e babados se mulher. O tempo ainda tem ajudado um pouco, mas aquela roupa toda no verão será uma tortura para quem as colocar.

Vi várias pessoas, artistas, chegando pra gravar, mas só reconheci duas. Quer dizer, uma eu acho que foi a Ana Bárbara, mais conhecida como Babi, e a outra foi a Marisa Orth. Claro que com maquiagem ela estava um pouco diferente, mas eu tive certeza de que era ela chegando naqueles carrinhos elétricos que circulam por lá.

Sabe aqueles cinco segundos que são eternos até sua ficha cair e você reconhecer uma pessoa, de modo que você a encara insistentemente? Pois foi isso que aconteceu comigo até ela acenar e dar um simpático sorriso. Acho que não foi por isso, mas quero crer que ela me reconheceu, pois nós temos uma foto juntos e passamos umas horas no mesmo evento. Na verdade eu fui nesse tal evento mais por causa dela mesma. Agora é só aguardar pra ver o que será dessa novela escrita por Mário Prata que volta a teledramaturgia depois de anos afastado dela.

Por falar em teledramaturgia, tem rolado um boato de que ‘América’ ultrapassará a previsão inicial dos duzentos e três capítulos. Quanto a isso, perguntei a dois assistentes de direção se realmente a novela vai ficar no ar até o início de janeiro. Um me respondeu que não, que vai ficar mesmo nos duzentos e três, já a outra, que é a primeira na hierarquia dos assistentes de direção, não disse nem que sim e nem que não, que ela está por dentro da boataria que rola, mas não tem como confirmar nada.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

FURACÃO

Há algum tempo atrás relatei aqui que numa das viagens que fizemos à Disney, na volta, perdemos o vôo entre Miami e Rio por causa de um furacão que tinha sido formado nas redondezas da Flórida. A gente não passou por aqueles procedimentos que os americanos fazem de correr para o abrigo e tal. Não foi preciso já que o olho do furacão não estava vigiando exatamente a gente, no entanto houve conseqüências drásticas, tanto que nós perdemos o vôo.

Na última quarta-feira, eu entendi mais ou menos o que é estar no olho do furacão. Tudo falso, mas que parecia real graças ao pessoal do efeito especial. Foi letreiro explodindo, vidro quebrando, coqueiro caindo, placas e papéis voando, sem contar a chuva que caiu depois.

Também há algum tempo atrás, relatei que pela primeira vez gravei em duas frentes da novela. Dessa vez não foi diferente. Na parte da manhã, para a qual eu realmente fui escalado, fizemos a boate. Também com confusão, pois a polícia invadiu o local atrás da protagonista além de outras cenas. Como começou cedo, antes das nove da manhã já estávamos no set gravando, acabou cedo também, na hora do almoço. Comentei com um ‘colega de trabalho’ que eu ficaria pra ver a cena do furacão. Ele se animou e também quis ficar pra ver como que se fazia uma furação de mentira. Antes, como não poderia deixar de ser, falamos com a nossa produtora, e lá no set perguntamos ao assistente de direção se haveria algum problema de a gente ficar lá pra assistir e possivelmente participar, o que aconteceu pra nosso gosto.

É bastante interessante. A gente pensa que é só ligar aquele ventilador que mais parece uma turbina de avião, mas não. Primeiro que não é só um ventilador daquele, mas no caso da novela, foram dois. Um era um pouco menor que o outro, mas tinha a vantagem de, além do vento, jogar e, consequentemente, direcionar água também pra cena da chuva. Fora o material de cena que eles guardam pra jogar na frente do ventilador e voar na nossa direção.

Não sei se foi proposital, mas as cenas da chuva forma feitas quando a gente não tinha mais claridade natural, ou seja, consideradas noturna, enquanto apenas o vento foi feito às claras. Nessa parte das cenas noturnas de chuva, coube a mim de fazer um policial. Na verdade tinham dois, mas um teve que ir embora em virtude das aulas da faculdade e acabou sobrando pra mim. Vesti a farda preta, coloquei o cinto de mil e uma utilidades com algemas, revólver, munição e cassetete, um rádio intercomunicador de plástico e estava pronto.

Confesso que fiquei meio perdido, sem saber o que fazer, já que nunca na minha vida enfrentei um furacão de verdade, muito menos sendo um policial. Eu estava mais gesticulando como um guarda de trânsito tentando controlar o estouro de boiada com as pessoas correndo em minha direção. Na verdade elas iam e vinham o tempo todo e por causa do barulho ensurdecedor dos ventiladores não dava pra escutar o gravando do diretor e consequentemente o que valia para a cena, mas toda vez que eles corriam em minha direção eu fazia o mesmo gesto conduzindo-os para um único suposto lugar. Numa dessas idas e vindas uma das meninas caiu e eu e meu parceiro, como bom policial que ajuda a sociedade fomos solícitos e a ajudamos a levantá-la e conduzí-la sem a afobação do desespero que tomavam conta das pessoas.

Só espero que nos dois meses que faltam para o fim da novela, não criem, pelo menos lá em Miami, outros fenômenos da natureza tipo terremoto, maremoto, tsunami e outras catástrofes, apesar de geralmente não atingir a cidade americana. Apesar de não acompanhar a novela no ar, ficar fazendo o que eu faço às vezes de entrar em duas frentes só sendo muito ‘loco por ti, América’.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

POLÊMICA NO AR

Mais uma dos bastidores de América para não perder o hábito. Tudo começou com um encontro para gravação num set, mais precisamente na boate. O Edson e a Cléo (desculpem, mas é a força do hábito chamá-los pelo primeiro nome ou apelidos afetivos, no caso, Edson é o Celulari e Cléo é a Pires) entrariam na boate justamente onde eu estava marcado para fazer a cena. Entre os ensaios para marcação de câmera, luz e posições, comentei com a Cléo que aquela boate era a única que eu freqüentava com apenas quatro músicas de repertório. Ela comentou que em toda novela é assim. Não entendi muito bem, mas concordei e deixei rolar.

Nesse mesmo dia algumas pessoas, incluindo essa pessoa que vos fala, foram selecionadas para fazer duas cenas no aeroporto – que não passa das entradas dos estúdios E e F camuflados como saguão. A primeira cena do aeroporto, das duas que a gente gravou, quem encontro lá? O Edson e a Cléo. Ela me reconheceu como ‘o amigo da boate’ e comentou isso com o Edson que também me cumprimentou.

Num outro dia de gravações com os dois novamente lá também, de novo ela falou comigo. O Edson chegou a brincar perguntando: ‘Você por aqui?’ e eu respondi que estava sempre por ali. Aproveitei pra voltar aos meus velhos tempos de perguntador oficial e soltei uma. Lógico que eu me atrapalhei na hora em dois momentos: um na hora de fazer a pergunta e a outra na hora de dizer o autor da frase que peguei como base para o questionamento. Vamos à pergunta: Edson, tem uma frase de Oscar Wilde que diz que a única maneira de se livrar de uma tentação é ceder. Você acha que o seu personagem, o Glauco, está seguindo isso à risca? Bem, na hora eu esqueci da frase ma logo depois lembrei. Não sei se disse exatamente com essas palavras, mas dei esse sentido e na hora disse que a frase era do Orson Wells. Lancei a polêmica pra ele e ele disse que iria pensar sobre só pra me dar um crédito. E, no fundo, eu gostei disso.

Mais um dia de gravação. Dessa vez a cena era deles dois andando de patins. O Edson completamente sem jeito e nem entrosamento com os patins, andava meio desequilibrado. Perguntei se ele queria ajuda. Disse que não e se sentou no banco junto com a Cléo. Quando ele me viu disse que ainda não tinha pensado na frase de Shakespeare. Disse que não era dele. Ele corrigiu dizendo ser do Orson Wells. Disse que também não era frase dele, e sim de Oscar Wilde. Ele, por sua vez, disse que eu havia dito que era do Orson Wells. Eu afirmei isso e disse que errei, que a frase era mesmo do Oscar Wild. Ele repetiu a frase, ou o sentido que ela tem, e a Cléo entrou na discussão dizendo que então não havia resistência, visto que há a cessão. Infelizmente não deu pra continuar o papo, já que eles inda tinham que gravar a cena.

Infelizmente, no nosso último encontro, nessa última quinta-feira, o assunto já tinha esfriado e eu não tive coragem de trazê-lo à tona novamente. Mas confesso que já tenho outro em mente, agora com relação ao personagem da Cléo em perspectiva ao do Edson. Deixa chegar mais pra frente.

Não foi a primeira vez que fiz isso. Numa outra oportunidade, também dentro do set da boate, perguntei pro Caco Ciocler, que interpreta o personagem Ed, sobre a questão da polêmica da distribuição da verba para se fazer cinema, já que havia um racha entre várias pessoas do próprio meio, uns defendendo a pulverização dos recursos enquanto outros achavam melhor a concentração da verba em filmes de porte grande para dar mais impacto no lançamento e exibição atraindo assim um elevado contingente de freqüentadores das salas além de atrai mais investidores para a sétima arte.

Enfim, estou revivendo a minha parte de perguntador e levantando perguntas para os meus colegas de trabalho para meu desejo e satisfação única e exclusivamente e para que minhas curiosidades fiquem se não totalmente, parcialmente saciadas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

EXCURSÃO PARA O CASÓRIO

Todos os casais que tomam a decisão de consolidar o casamento passam pelo processo do duplo casamento. Com meu primo Artur não foi diferente, apesar desse procedimento já estar sendo considerado ultrapassado de acordo com o novo código civil. Acho que agora o documento do casamento religioso serve para a constatação no cartório civil. Advogados de plantão acudam-me se estiver falando bobagem.

O fato é que ele também casou duas vezes. E, pasmem, com a mesma mulher. O que é raro hoje em dia. Se bem que entre um casamento e outro foram exatos sete dias de diferença. Sete dias depois de assinarem os papeis eles fizeram a cerimônia religiosa. E é nessa parte que a família entra. Oficialmente maior desde o dia trinta de julho, foi somente no último sábado, seis de agosto, que perante a sociedade, as alianças foram colocadas nos dedos anulares de ambos. E para assistirmos a esse enlace matrimonial, como não poderia deixar de ser, nos embrenhamos estrada a fora, rumo a Guaratingueta-Aparecida para presenciarmos ao vivo e em cores tal acontecimento.

Pra não ter aquele papo de fulano vai com beltrano e por fim ir um comboio de meia dúzia de carros para o mesmo lugar, decidimos alugar um microônibus. Uma novidade, já que por três vezes o ônibus nos serviu e em um caso fomos de van. Microônibus foi a primeira vez. Mesmo desfalcado de última hora por tia Branca e Cláudio que ficaram para tomar conta de Thaís, acamada por causa de catapora; Victor Hugo que desistiu na última hora; Luiz Cláudio, Aline e Ana Helena por motivos familiares e tio Tarcísio e tia Teresa por razões óbvias, o ônibus partiu com o resto do pessoal. Salvos Elaina, que teve aula no sábado até o início da tarde, e Marcelo e Luis Antônio, Sara e Pedro que foram de carro. Mas também, se fossem todos eles, aí sim o ônibus seria a solução ideal.

Fomos os últimos a ser pegos pelo motorista aqui em casa por volta das dez da manhã. Para adiantar, tia Tania veio aqui pra casa pra daqui irmos sem paradas, a não ser em Resende para o xixi e o almoço do motorista. Dentro do ônibus, duas caixas de cerveja, quatro litros de refrigerante, alguns copos de água e minha mãe ainda fez pastinha e levou pão e frutas pra gente comer durante a viagem.

Chegamos lá por volta das duas da tarde e o almoço estava literalmente servido e quentinho a nossa espera. Almoçamos num restaurante onde se pagava um preço e se comia à vontade. Além de tio Marcos e companhia, tio Sérgio, tia Sandra e André, que haviam chegado na noite anterior também nos aguardavam no restaurante. Eles tinham almoçado lá e estavam apenas nos esperando. Como eles também foram de ônibus pra Guará, lá eles também pegaram carona no microônibus pra onde quer que a gente fosse.
Tia Dôra, Lívia e Diana ficaram na casa do Márcio. Tio Rodolfo e sua turma, na casa da Lia e o resto, por causa do desfalque de última hora da tia Branca, ficou no mesmo hotel, inclusive o pessoal que foi de carro.

À noite teve a cerimônia do casamento e logo depois a festa. Tudo em Aparecida. A comemoração foi até as três horas da manhã e nós aproveitamos tudo até o acender das luzes. O difícil foi ter que acordar relativamente cedo no dia seguinte, já que o café da manhã estava marcado na casa do tio Marcos as onze da manha e o combinado seria sair do hotel por volta das dez e meia. Nem todos estavam acordados e/ou prontos na hora combinada e, por isso, tio Rodolfo e sua turma tiveram que ser pegos primeiros pra depois o microônibus voltar pro hotel e resgatar os outros. Mesmo assim Gustavo e Maurício ficaram pra trás.

Pouco depois de uma hora da tarde saímos da casa do tio Marcos. Resolvemos voltar em Aparecida e fazer uma breve visita à basílica no intuito de apenas fazer uma oração para aquele que ultimamente tem precisando muito. Depois da reza, a volta.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

DIÁRIO DA SEMANA

Sei que esse espaço está virando praticamente um diário de bordo das minhas participações nas gravações da novela, mas, como eu disse semana passada, não dá pra competir com os comentários de profissionais sobre os depoimentos que estão tomando o lugar das sessões da tarde.

Dessa vez aconteceu uma novidade não tão nova. Teve uma vez em que eu fui chamado de última hora para gravar umas cenas de aeroporto lá no projac mesmo, mais precisamente na entrada dos estúdios E e F – pra quem não sabe os estúdios do projac são geminados, ou seja, cada dois têm a mesma entrada, com exceção do G, H, I e J que são menores onde são gravados Xuxa, Casseta, e parte de outros programas – e quando eu cheguei lá fiquei sabendo que eu iria entrar com um carro. Dito e feito. No entanto a minha atitude foi só entrar com o carro no set, visto que não precisei passar de carro na cena.

Por causa desse fato, quando a gente foi gravar as cenas noturnas na última terça-feira, novamente me colocaram um carro na mão. Da outra vez foi um Pejô. Dessa, foi um Audi daqueles tipo banheirão com bancos de couro, ar condicionado (que ficou ligado durante pouco tempo, já que a noite estava fria) e rádio com CD, ou seja, tudo que era acessório bom pra meu uso. O carro era tão macio de se dirigir que eu até fiquei com medo de passar a segunda marcha. A única coisa que me incomodava um pouco era que como nós teríamos que ficar sempre no vai e vem os motoristas dos outros carros assim que saíam do quadro da cena davam um jeito de fazer a manobra no fim da cidade cenográfica. Eu era o único que seguia em frente e fazia o balão normalmente. Achava muito mais prático e rápido. Só na outra ponta, na divisa do cenário de Miami Beach com Miami subúrbio que não tinha como se fazer o balão e eu tinha era que dar a marcha ré mesmo.

Essa gravação acabou por volta da meia noite e como eu já estava escalado para voltar lá no dia seguinte e fazer as cenas da boate nem voltei pra casa. Dormi no já afamado espigão, conjunto de prédios que fica ao lado do Rio Centro, que também chamo de anexo do projac já que grande parte das pessoas que fazem figuração na Globo vindas de outras cidades e outros estados se alojam lá. È o caso do grupo de pessoas com quem ando lá dentro. Pernoitei por lá e às seis da manhã do dia seguinte estava eu de pé pronto pra mais um dia de trabalho, ou melhor, de diversão por que eu vou lá pra me divertir.

A gravação da boate rolou praticamente o dia todo. Eram apenas sete cenas, mas eram cenas elaboradas e demandavam muito tempo para serem feitas. Os destaques vão para o take da farra, onde a figuração praticamente aloprou, a mando do diretor, e subiu no balcão fazendo uma festa enorme; o Renan, mais conhecido como o punk de Miami, que mais uma vez, agora sem fala, teve participação ativa numa cena com a Lúcia Veríssimo e o Murilo Benício; e uma pequena cena entre a Cíntia Falabella e a Déborah Secco na qual este interlocutor que vos fala passa rapidamente descortinando a protagonista. Confesso que da primeira vez eu passei entre as duas, mas, como não tinha sido válida, na segunda vez, além do pedido do diretor para eu passar um pouco mais devagar, a própria Déborah me deu a dica de, ao invés de passar ente elas, passar na frente delas. Sinceramente, eu não sabia que teria diferença. Provavelmente não tinha mesmo, mas como ela é muito mais tarimbada em televisão que eu, obedeci e a cena valeu. Só espero que consiga vê-la quando for ao ar. Eu nunca sei quando vai ao ar, mas geralmente tem sido mais ou menos com uma semana de diferença entre a gravação e a exibição.

Bem, por hoje eu fecho a minha semana de participação em ‘América’.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

EM FRENTE

Eu sei que tem tanta coisa pra ser dita, discutida, debatida; tantos rolos, maracutaias e cambalachos que fazem as máquinas dos parques gráficos dos jornais e revistas gastarem suas tintas; tantas pessoas que falam sobre os assuntos que pautam o jornalismo de modo que eu seria mais um a dar o meu palpite e fazer minhas previsões e possivelmente provocar uma discórdia em um ponto, talvez, ou mais. Por outro lado, essa fase que estou passando na vida, fazendo ponta em novela, e que já rendeu vários textos por mim aqui postados vem mais uma vez à tona. A insistência nesse assunto é um fator que me incomoda, já que com tanto pra ser discutido, com tantas manchetes que podem servir de pauta também pra esse espaço, eu estou me atendo em apenas um assunto de cunho mais particular. Portanto, apesar de não me sentir bem em focar tal fato e novamente falando dele, enquanto a poeira estiver levantada em Brasília, possivelmente as melhores novidades particulares, e geralmente sobre essa fase, serão postas neste espaço.

Esse mês de julho foi fraco de gravações. Não só eu, mas a maioria do pessoal que se reúne nos inícios das manhãs na portaria quatro da Central Globo de Produções e que figuram em Miami assim como eu, reclamou que não fechou o mês com um número bom de gravações. No meu caso em particular, comparando os meses de junho e julho, houve um decréscimo de três dias, caindo assim de nove para seis, marca atingida em abril, meu primeiro mês de gravação da novela. Há esperança, certamente, de que tudo vai melhorar. Eu tenho uma meta quanto a isso. Chegar, a princípio, em dez gravações por mês e depois subir essa meta.

Na última sexta-feira quebrei uma regra. Quer dizer, não sei se é uma regra, mas ninguém, que eu saiba, fez isso por livre e espontânea vontade. Participei de duas frentes de gravação. Essas frentes geralmente são gravadas em dias diferentes, mas calhou de ser no mesmo dia. Mais pro final eu explico o que é uma frente em novela.

Quem foi escalado pra fazer a frente de Ocean Drive, ou seja, Miami Beach, foi marcado para chegar ao Projac até às seis e meia da manhã, o meu caso. A galera que foi selecionada pra fazer a boate entrou lá às oito da manhã. Pouco depois disso efetivamente começaram as gravações na minha frente. Como a protagonista estaria nas duas frentes, as gravações da boate só iriam começar depois que acabasse as gravações da primeira frente, que foi a que eu estava efetivamente escalado. Quando as gravações dessa frente acabaram estava na hora do almoço e coincidiu de o pessoal que estava esperando para gravar a boate também ir almoçar. A primeira coisa que me passou pela cabeça é de continuar lá pra ficar com a galera da boate. Só que eu não podia fazer isso sem antes consultar minha produtora. Como ela me deu carta branca fui eu lá.

De certa forma, quem foi escalado para a frente da boate se deu mais mal. Chegou lá pouco depois que eu e ficou esperando até mais ou menos às quatro da tarde pra começar a gravar. Só quase às oito da noite que as gravações da frente da boate terminaram. E a protagonista ainda tinha que gravar algumas cenas no estúdio que encerra as atividades às nove da noite.

Toda vez que eu chego no estúdio vejo afixado no mural, além das cenas que serão gravadas naquele dia, um quadro especificando quem serão os diretores e assistentes de cada frente durante a semana. Geralmente são cinco. Estúdio, estúdio extra, externas um, dois e três. No caso, externa é tudo o que não é estúdio; seja cidade cenográfica ou locação alugada. Nem sempre todas as frentes são feitas todos os dias, mas esse é o esquema de novela. Frente é pelo fato de mobilizar toda uma equipe de figurinistas, camareiros, iluminadores, arte, maquiadores, continuístas entre outros para cada uma das especificações organizadas e afixadas pela produção da novela.

segunda-feira, 25 de julho de 2005

FAZENDO BEBÊS

Gente, olha só que coisa interessante. Quando a gente diz que não precisa mais inventar nada nesse mundo sempre tem um maluco que contradiz essa máxima. Essa reportagem foi tirada do Globo Online da última sexta-feira e eu, como não tinha preparado nada até então, resolvi reproduzir pra quem não teve oportunidade de ler. Diz respeito aos melhores hotéis pra fazer bebê, é mole?


22/07/2005 - 19h50m

Agnes Dantas - Globo Online

RIO - Um luxuoso resort na Ilha de Bora Bora foi eleito o melhor lugar para "fazer bebês". Sete mil viajantes de todo o mundo participaram da votação promovida pelo portal de turismo ZoomAndGo.com para eleger os dez hotéis favoritos para quem busca, digamos, muito romantismo.

No topo da lista da pesquisa "Melhores Hotéis para Fazer Bebês" ("Best Hotels for Makin' Babies") está o InterContinental Beachcomber Resort, que fica no paradisíaco cenário de Bora Bora, na Polinésia Francesa. "É uma experiência única na vida", disse um dos viajantes que esteve em um dos bangalôs sobre as águas de tons azul turquesa.


A Polinésia e o Caribe, aliás, ocuparam quase todas as posições no ranking dos locais para a primeira ou mesmo a segunda lua-de-mel. Em segundo lugar ficou o Hermitage Plantation Inn, resort da paradisíaca ilha caribenha de St. Kitts & Nevis, lugar que na lista de atrativos une praias do Caribe com ambientes que reproduzem o glamour do ciclo do algodão, que dominou a região há 300 anos.

Em terceiro lugar na lista da ZoomAndGo.com aparece o Sheraton Fiji Resort, em Nadi, nas Ilhas Fiji, Polinésia, que além de um imenso campo de golfe e de uma área dedicada à realização de casamentos, é conhecido pelas 18 opções de restaurantes. Já o Reefs Beach Club, construído sobre as ruínas de uma fazenda de 1680, nas Bermudas, ocupa o quarto lugar do ranking, com suas 63 suítes de alto luxo com jacuzzi, spa, três restaurantes e uma piscina de borda infinita.

Na opinião dos turistas que participaram da pesquisa, o quinto melhor hotel é o Le Germain, em Montreal (Canadá), também eleito este ano entre os cinco melhores do país. Em seguida, aparecem o Casa Madrona Hotel & Spa Sausalito, na Califórnia (EUA) e o Jumby Bay Island Resort, em Antigua, Caribe. O Crane Beach Hotel, em Barbados, o Four Seasons Resort Bali em Jimbaran Bay (Indonésia), e o Hyatt Regency Resort & Casino, de Aruba, aparecem, respectivamente, em oitavo, nono e décimo lugar.

Quando o plano é aproveitar as férias para lembrar da viagem pelo resto da vida, o turista deve estar preparado para não medir esforços: uma noite no bangalô sobre as águas de Bora Bora custa a partir de US$ 1.740 (o quarto para até três pessoas). Já uma suíte no segundo colocado, Hermitage Plantation, custa a partir de US$ 170 a diária, cerca de 10% do preço do primeiro da lista, enquanto o resort de Fiji cobra US$ 249 pela diária mais barata.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

CLIQUE

Eu não gosto de admitir isso, mas nos últimos quase cinco meses eu me sinto uma celebridade, mesmo que somente entre família, amigos e um ou outro conhecido.

Claro que figurante é ralé. Tem que se contentar com o podrão do projac (apelido do restaurante onde almoçam os terceirizados) e encarar algumas situações desagradáveis como larvas vivas misturadas na bandeja da abóbora que nos é servida ou uma gambá correndo pelo local de alimentação ou se alojando sobre o teto do mesmo, sem contar as horas de espera que temos que enfrentar por dia de gravação. E quanto mais figurantes, mais cedo eles marcam a hora da nossa chegada e, consequentemente, o horário da nossa entrada. Teve um dia em que marcaram as nove da manhã na portaria, pra entrarmos as dez e esperar o elenco chegar, cuja previsão era pra eles chegarem uma hora da tarde e a gente gravar de duas até não lembro que horas.

Apesar disso tudo, por dentro, o principal astro da novela sou eu. No início, quando comecei a fazer figuração em março, tentava sempre achar uma brecha e me posicionar de modo que a câmera me focalizasse de qualquer jeito. Hoje em dia só se me pedirem – na linguagem televisiva me marcarem. Ainda assim, bem tranqüilo, despreocupado, me imagino como o galã. Viagem minha, mas uma viagem gostosa. Desde quando galã de novela das oito vai pro projac de ônibus e entra pela portaria quatro? Só eu mesmo.

O bom dessa espera toda pela qual a figuração tem que passar, até pelo fato de as mulheres, principalmente, fazerem o cabelo e a maquiagem, são as conversas, os papos que rolam nos bastidores, a amizade que a gente constrói com as outras pessoas e a afinidade com que algumas pessoas da produção da novela, como figurinistas, produção de arte, assistência de direção, limpeza e até algumas pessoas do próprio elenco tem para com a ralé, ou seja, a gente. É desgastante, é cansativo, mas é muito bom. Eu vou lá pra me divertir. Acho que já disse isso aqui. A gente vai pra lá, passa grande parte do dia conversando sem fazer absolutamente quase nada e ainda ganha um trocadinho pra isso. E como não é um trabalho com remuneração fixa, o dia em que eu me aborrecer, for pra lá sem vontade nenhuma, antes de ficar mal com isso eu largo. Mas, por enquanto, ainda é muito cedo pra eu largar essa minha promissora carreira de figurante e eu me amarro em ir pra lá.

Eu já explanei nesse mesmo espaço há um tempo atrás como que eu fui parar nesse meio. Quem tirou minha foto para o cadastro foi a própria agência. E lá, entre a gente sempre rola um papo de figuração de filmes e seleção para comerciais. Meu contratempo nisso tudo eram as fotos. Não tinha fotos decentes que pudessem circular e cair nas mãos das pessoas certas para outras produções que não a agência na qual tenho o meu cadastro. E tinha posto na minha cabeça que até novembro, mês em que a novela acaba, eu teria que ter um material desse tipo nas mãos. Entretanto, com várias oportunidades que podem surgir nos papos que a gente leva lá, resolvi logo fazer meu book e andar com algumas das minhas fotos a tiracolo.

A fotógrafa foi Elaina, minha prima, que tem uma máquina excelente e profissional (ou semi) e um curso de fotografia, apesar de não ser profissional da área. As roupas foram minhas mesmo escolhidas por ela a dedo. E como ela não tem um estúdio, o cenário foi a paisagem do condomínio. Mais precisamente a casa do tio Tarcísio, a área de lazer, o campo de futebol e a pracinha. O camarim foi na casa da tia Branca. A sessão de fotos foi na última quinta-feira. Foram tiradas cento e dez fotos digitais além de dois filmes de trinta e seis poses num total de cento e oitenta e duas fotos. Agora não podem reclamar que eu não tenho foto pra mostrar ou entregar pra algum tipo de trabalho, apesar de não ter corpo para passar por um galã de novela.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

O MEU SANGUE FERVE

Na última sexta-feira fiz um belo ato. Mesmo arredio a agulhas eu doei sangue. O gesto é nobre, mas efetuá-lo pra mim foi um martírio. Qualquer coisa que se mostre aberta pelo médico no corpo humano faço cara feia, mesmo um furo de agulha. Parto, então, acho uma coisa nojenta e fico com engulhos em assistir a um. No entanto, sempre quis me prontificar a ajudar alguém nesse sentido, mas me faltava coragem. Faltava, não. Falta. Mas na sexta eu tive e fui lá doar. Minha mãe foi junto e também foi a primeira vez que ela doou.

Tínhamos que chegar no hospital até as onze e meia. Chegamos lá por volta das onze. Eu me imaginava indo pro abatedouro. Eu não sei o que um bicho sente indo pro abatedouro, mas acho que era a mesma impressão. Só em pensar que iam me furar me deixava mais nervoso ainda. Não sei nem se o sangue doado foi cheio de outros elementos. No entanto, entrar naquela sala pra mim era o fim da picada. E põe picada nisso.

Antes de entrar tem que responder a um questionário enorme onde se perguntava várias coisas, inclusive perguntas que eu não sabia responder, como se eu tinha perdido peso nos últimos três meses e quanto. Isso é pergunta que se faça? Grande parte das pessoas que me vêem esporadicamente comenta que eu estou mais magro que de costume. Como responder a isso? A outra que eu me lembro é se eu tinha bronquite, asma ou tosse. Quando criança era crise atrás de crise e conforme fui crescendo elas foram ficando esparsas até se tornarem eventuais e surgirem às vezes como anos bissextos, ou seja, de quatro em quatro anos ou até mais. Queriam saber se eu dormi bem essa noite. Botei que sim, apesar de ter dormido relativamente pouco, entre quatro da manhã e dez e vinte. Qualidade não está necessariamente ligada à quantidade. Tem dias que durmo pouco tempo e mal, tem dias que durmo muito tempo e mal também. O mesmo acontece quando durmo extensivas horas. Na sexta, eu dormi pouco e bem.

Além desse catatau de perguntas, tinha a tal entrevista com uma funcionária lá do banco de sangue. Aí começa tudo. Perguntas de praxe e o primeiro desafio: medir a pressão. Ate aí nada de mais. Isso eu já fiz outras vezes. Logo depois a primeira agulha pinta na minha frente. Não chega a ser uma agulha. É só uma maquininha manual que tem um tipo de ferrão na ponta e quando adicionada pela enfermeira lá fura o dedo. Pronto, começaram. Ela põe a gotinha de sangue num quase microscópico tubo de ensaio e esse mini tubo vai pra centrífuga. Pouco tempo se passa e ela me diz que a minha taxa de hematócitos é de quarenta e cinco por cento, super elogiado. No entanto, ao responder o que eu comi antes de ir pra lá fazer a doação, que seria só um copo de suco, me puseram pra tomar outro e comer uns biscoitinhos. Enquanto eu comia, minha mãe estava sendo amarrada pra doar o dela. Sentei na poltrona do lado para aguardar os mesmos procedimentos no meu braço.

Não quis nem olhar esses tais procedimentos. Enquanto ele alisava meu pequeno bracinho com aquele tufo de algodão com álcool bem em cima da veia e espetava aquela agulha, eu apertava uma bolinha de espuma com tanta força, que o enfermeiro uma hora deixou o dedo dele entre a minha mão e a bola.

Até que foi rápido. Em pouco tempo (acho que em menos de quinze minutos) enchi uma bolsa de meio litro e minha mãe de quatrocentos mililitros. Lenta mesmo foi a nossa recuperação. A pressão da minha mãe caiu um pouco. Eu levantei rápido e já estava comendo o lanchinho quanto também senti uma tonteira. E o pior não foi isso. No fim de tudo, a enfermeira nos encheu de recomendações do tipo não pode dirigir, carregar peso e fazer esforço. Tudo em vão. Fomos de carro, paramos no mercado e quando chegamos aqui empurramos o carro do meu pai que estava com a bateria fraca.

domingo, 3 de julho de 2005

FAZENDO FUTRICA

A cena foi ao ar na última sexta-feira. Pra quem acompanha a novela ‘América’, foi a cena em que a Inezita, personagem interpretada pela Juliana Knust, aceita o convite da Sol e da Ju (respectivamente Deborah Secco e Viviane Victoreli) para dançar no balcão da boate ‘Bamboleo’. Até então nada demais, apenas uma das muitas cenas exibidas na novela.

O fato foi que essa simples cena gerou uma notícia que simplesmente não existiu. Sabe o bordão do maior fofoqueiro da televisão brasileira, o ‘eu aumento, mas não invento’ do Nelson Rubens? Foi exatamente isso que aconteceu. Eu fiquei estarrecido quando li a notícia no jornal ‘O Dia’ do dia 24 ou 25 de junho e soube que o programa ‘TV Fama’ apresentado pelo já citado acima, também noticiou o tal acontecimento com a mesma ênfase da nota impressa no jornal. Eu estou aqui justamente para desmentir tudo.

Se você viu a cena, reparou que a Inezita estava com uma mini-saia. Foi trocada de última hora, pois quando ela entrou no set de gravação estava vestida com calças compridas. A Deborah Secco comentou com ela que para dar mais verossimilhança à cena, à continuidade do capítulo e ao diálogo que elas acabaram de fazer ela deveria se ‘despir’ mais, colocando ou um short ou a mini-saia. Não que ela não dançasse outras vezes de calça, já que ela, na trama, passará a fazer parte do corpo de baile da boate, mas naquela cena específica, da primeira dança, a Inezita teria que estar mais ‘sensual’. Deborah ainda disse, e com razão, que a roupa que tinham posto na Juliana não representava uma mudança de atitude da personagem da Juliana Knust de modo que a caracterização que ela estava naquele momento era praticamente a mesma que ela usava normalmente na trama e não teria impacto se ela não subisse no balcão de calças. As duas conversaram normalmente numa boa sobre isso, ou seja, não houve um desentendimento. As duas não se estranharam. Só defendiam seus pontos de vista em relação à cena e a Deborah estava com toda razão.

Isso aconteceu na gravação de segunda-feira, dia 20 de junho. Quando eu acessei o jornal ‘O Dia’ pela internet, não lembro bem se na sexta ou sábado, estava lá uma nota sobre esse fato, mas focando de modo extremamente equivocado esse impasse resolvido pelas duas colegas de trabalho. No jornal dizia que as duas tiveram uma discussão feia, um desentendimento brabo, que não se falavam mais e quase chegaram as vias de fato no que dizia respeito à briga, ou seja, quase se estapearam.
Mentira, calúnia. Primeiro por que eu estava lá e presenciei tudo e segundo que nem a Deborah e nem a Juliana, que são amigas, iriam se desentender tão seriamente, a ponto de puxarem o cabelo uma da outra por um motivo tão pequeno e que, mesmo tendo a Deborah razão, só diz respeito a um setor da produção da novela que é o figurino.
Agora, a questão levantada é: como que isso vazou para a imprensa? E o que leva um jornalista a criar e divulgar uma mentira cabeluda como essa? Isso tudo, pelo menos, me serviu pra uma coisa. Descobri como se faz uma futrica. Ainda não sei pra que serve, já que o intuito maior é prejudicar, e como tem público que lê isso e aceita como se fosse a mais pura verdade.

Não só notícias sobre fofocas televisivas, lógico que principalmente elas, mas todo tipo de notícia que sai nos jornais e revistas devem ser lidas com um mínimo que seja de desconfiança, de modo que o dito ‘quarto poder’ que é o poderio dos meios de comunicação pode criar novas notícias e com isso manipular a opinião pública. Aliás, retiro isso que acabei de dizer. Apesar desse poderio todo, acho que essa manipulação é menos evidente em outros assuntos. A não ser em fofocas de televisão e celebridades.

segunda-feira, 27 de junho de 2005

PROFISSÃO?

Semana passada, tive uma surpresa ao ir ao oftalmologista fazer a revisão do grau dos meus óculos. Ele não trabalha mais no Hospital de Olhos e passou toda sua clientela para uma parenta dele – não me recordo de sobrinha ou prima. Como foi nosso primeiro contato perguntei o que teria havido com o meu velho doutor da vista. De acordo com ela, meu oftalmologista oficial a partir de agora só trabalhará na confecção de lentes de contato, o que pra mim é uma boa de modo que estou com vontade e uma certa necessidade de aposentar os óculos e usar as lentes de contato. Vai demorar uns meses ainda. Depois de uma bateria de exames que ainda tenho que marcar e apresentar a ela os resultados, terá a fase de adaptação para saber se eu e as lentes seremos mesmo compatíveis. Sempre tive receio em andar com objeto estranho dentro do meu corpo, tal como brincos ou piercings e lentes de contato. Não que eu vá aloprar de vez e fazer tudo de uma vez só. Muito pelo contrário. Serão só as lentes.

Sentado à frente dela, naquele rápido interrogatório onde eu confirmava o telefone, idade, aquelas coisas rotineiras, afinal era outra pessoa, veio a lacuna da profissão. Por intermináveis três segundos tive que pensar. O que é uma profissão? Se eu respondesse de acordo com meu diploma e formação acadêmica eu responderia cientista social, ou sociólogo, para facilitar as coisas. Se eu respondesse a profissão que eu gostaria de ter e tento, de alguma forma ser, a resposta seria escritor. Agora, se eu respondesse pela atividade que exerço atualmente e que, bem ou mal, sou remunerado para tal teria que dizer que era figurante. Não escolhi nenhuma das três. Disse que era estudante mesmo. Me dei mal. Ela insistiu no assunto e me perguntou o que eu estudava. Disse que atualmente fazia curso preparatório para concurso, o que é uma mentira deslavada já que tem mais de mês, graças a Deus, que esse maldito curso acabou. Além da pequena mentira por mim aplicada, o que mais me incomoda é ter que responder ainda que sou estudante. Por isso me pergunto até quando terei que responder a mesma coisa.

Eu ainda quero estudar, mas não mais quero ser, ou, ao menos, me classificar como estudante. Eu sei que é uma contradição, uma controvérsia o que eu acabei de dizer, mas é a pura verdade. Estou atrás de uma turma de pós-graduação (especialização) em jornalismo cultural para depois fazer um mestrado na área de comunicação. Tenho até um tema para desenvolver numa futura tese de mestrado. Mas também só desenvolvo se for a que tenho em mente. De qualquer forma quero fazer a pós-graduação.

Coincidência ou não, na segunda e na terça, enquanto esperávamos para gravar, levantei essa questão com alguns colegas de trabalho, como diria Sílvio Santos. Perguntei se, por acaso, eles se hospedassem num hotel e preenchessem a ficha, colocariam na lacuna da profissão a palavra figurante. Ninguém tem coragem de assumir, pelo menos num hotel, que é figurante. Apenas um, quando fez um cadastro em alguma coisa relacionada à internet, colocou figurante na sua profissão.

Martelei isso na minha cabeça durante toda a semana. Qual é a minha profissão, afinal, que nem eu sei? Estou começando a me autoproclamar ‘vagabundo de carteirinha’. Sigam o meu raciocínio. Valendo o fato de que quando a gente vai para o projac fica por horas a disposição da produção da novela, e enquanto eles não chamam, nós não fazemos absolutamente nada, somos sim vagabundos. No entanto um vagabundo diferente, já que recebemos para sermos vagabundos e, por que não, interpretar um vagabundo de modo que dá-se a entender, pelo menos essa é a visão de quem está por dentro, ou seja, a minha, que em ‘Ocean Drive’ - o mesmo que Miami Beach – não existe mais nada a fazer a não ser vadiar a qualquer hora do dia ou da noite.

segunda-feira, 20 de junho de 2005

I’M BAD

Ele próprio já afirmou isso. Mas agora, quando o bicho pegou pra valer, disse que não era assim, que estavam deturpando as coisas e acusado em dez processos o júri popular resolveu absolvê-lo de todos. O menino mau, segundo essas pessoas, não é tão mau assim, mais ainda se acha menino apesar dos seus mais de quarenta anos.

O ser humano considerado maior astro pop do mundo, que logo no começo dos anos oitenta bateu o recorde de vendas de um álbum de músicas atingindo a quantia de vinte e seis milhões de discos vendidos, e conhecido por suas excentricidades extravagantes, durante alguns meses voltou a ser o centro do noticiário, dessa vez na sessão policial.

Michael Jackson teve um julgamento de estrela como realmente é, e dos dez processos que pendiam sobre suas costas o mais grave era o de pedofilia. Acusado de manter relações sexuais com uma criança de treze anos, hoje com quinze, sugiram boatos e confirmação dos tais que aumentavam a excentricidade dele e revelaram um lado psiquiátrico que todos desconfiavam.

Me lembro do primeiro fato sinistro que aconteceu com ele. Ao gravar um comercial para a marca Pepsi, um dos efeitos especiais, que eram fogos de artifícios, caiu na cabeça dele queimando seu cabelo. Isso foi no auge, nos áureos tempos em que ele se destacava na liderança de vendas de discos. Depois, vieram o embranquecimento devido ao vitiligo, as inúmeras plásticas que deformaram o rosto dele transformando praticamente num símio do planeta dos macacos, os escândalos pessoais, os dois casamentos fracassados possivelmente por serem armados, os supostos filhos, o rancho de Neverland com um parque de diversões no quintal...

O último grande sucesso de vendas dele – isso não vem de nenhuma fonte, mas da minha suposição – foi o álbum ‘Dangerous’, com quase seis milhões de cópias vendidas, ou seja, vinte a menos que o ‘Thriller’. De lá pra cá, afloraram os escândalos que mais detonaram com a carreira dele. O Brasil estava em dois deles. O primeiro ainda na ocasião do ‘Dangerous’, onde ele escolheu duas locações pra rodar o clipe ‘They don’t care about us’ (Eles não ligam pra gente) no Pelourinho em Salvador e no Morro Dona Marta, no Rio. E o segundo foi justamente uma das histórias que surgiram agora em virtude do julgamento onde consta que o astro queria mandar essa tal criança mais a mãe dele que o acusou ele de abuso para cá, para viverem a clandestinidade sendo bancados por ele ao invés de botarem a boca no trombone, como realmente fizeram.

Que ele foi o maior é inegável; se os Beatles revolucionaram a música, Michael Jackson revolucionou a apresentação da música criando o videoclipe. A perspicácia dele foi tamanha que todos os direitos das músicas do quarteto de Liverpool são propriedade dele. Isso é uma fortuna, não só material e artística, quanto em termos de grana mesmo. Me lembro de Rita Lee falando que teve que mandar uma cópia de seu disco que homenageava o grupo inglês para que ele desse o crivo. Fortuna essa que vem perdendo por causa dos gastos com os advogados. Dizem até que ele está falido. Não acredito muito nisso não, mas, caso seja verdade é sinal de que é falta de uma boa administração dos milhões obtidos com o suor do seu trabalho. Isso é que dar ser pop-star e excêntrico.

Os doze jurados, oito homens e quatro mulheres, que absolveram Michael, em entrevista coletiva, disseram que a mãe do garoto que o acusava era arrogante, má educada e meio desmiolada, nitidamente só estava atrás de um único objetivo que era a fortuna que está sendo deteriorada pelo próprio.

Arrasado moralmente, apesar de uma legião de fãs e metade da opinião pública concordando com a decisão, a recuperação da carreira será sua maior dificuldade.