segunda-feira, 16 de maio de 2005

FOLGA

Estou dando uma pequena pausa de quinze dias nas minhas postagens. Volto ao batente no início do mês que vem. Obrigado e até lá.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

MEMÓRIA PÓSTUMA

Na última sexta-feira o SBT, dentre a vasta filmoteca que preenche suas prateleiras, exibiu um filme inédito em sua septuagésima sexta exibição. O filme que conta com Glenn Close num dos papéis principais é ‘Os 102 dálmatas’ e ela interpreta a maldosa Cruela Cruel. Tal exibição mais uma vez não acompanhada por mim, reportou a minha memória a uma viagem que nós fizemos para a Disney, há oito, anos onde aconteceu um fato que visto dos tempos atuais é, no mínimo, engraçado.
Nós (eu, minha mãe, Guilherme, Luis Antônio, Tia Tania, Alexandre, Elaina, Tio Tarcísio, Tia Teresa, Gustavo e Maurício) estávamos nos Estúdios da MGM, um dos parques do complexo Disney, aproveitando as atrações de lá quando em um determinado momento nós paramos para decidir o que fazer.

Estava próximo ao horário do almoço, de modo que nossos estômagos aumentavam gradativamente a fome com a sensação de vazio. No entanto, paramos defronte a uma atração que nem eu e nem ninguém sabia de que se tratava. Na porta, só indicava que seria uma atração baseada no filme dos 101 dálmatas. Depois de uma rápida consulta popular a decisão foi de a gente entrar pra ver o que era, já que seria novidade para todos.

Entramos na fila. Lá tudo tem fila. Umas demoram pra andar e outras andam mais rápido até que as de banco. A atração consistia no foco dos bastidores do filme. Uma espécie de making of que, sinceramente, não agradou em nada ao nosso pequeno e esfomeado grupo. Além disso, não tinha um carrinho ou outra espécie de localidade pra que ficássemos ao menos sentados acompanhando aquilo tudo. E o pior. Sempre que a gente achava que iria acabar, nos passavam pra uma outra espécie de sala pra explicarem outra peculiaridade do filme. Garanto que ninguém se lembra o que nós vimos.

E ainda falando dessa viagem, já que os cachorrinhos pintadinhos desencavaram minhas memórias, mais dois fatos ficaram marcantes. Um foi o roubo de um step da van, que mais parecia um microônibus, no estacionamento do hotel. Quer dizer, tenho minhas dúvidas se o roubo foi no hotel, mas a constatação que nos levou a deduzir tal ocorrido foi no hotel mesmo. Perdemos a manhã inteira tentando resolver o problema e só conseguimos chegar a Epcot Center, o último parque da nossa excursão, por volta do meio-dia. Estávamos cansados da correria da viagem e com a cabeça um pouco quente dessa confusão, mas nada melhor que encerrar uma excursão pela Disney assistindo a queima de fogos de Epcot Center, um bom remédio pra amnésia de problemas.

No entanto o pior estava por vir. No dia seguinte deixamos o hotel para embarcarmos de volta ao Rio. Fizemos todos os trâmites normais de um aeroporto, até que uma notícia nos pegou de surpresa. Devido à formação de um furacão pelas redondezas da Flórida, o nosso vôo de Orlando para Miami foi atrasado. A solução encontrada em curto prazo foi procurar outra companhia aérea que chegasse a Miami o menos tempo possível. Achamos a TWA. Mas a TWA parecia que não tinha achado o piloto do teco-teco.

O avião era pequeno. Só cabiam trinta e três passageiros dentro dele. Ocupamos um terço dos assentos. As hélices mais pareciam dois ventiladores e teto super potentes. As malas de mão tiveram que ir no compartimento de bagagem. E pra gente ficar mais assustados ainda, Maurício apoiou a mãozinha dele num buraco lá que fez abrir a porta de emergência. Como o vôo era curto, o serviço de bordo era um copinho de suco de laranja e um pacotinho de amendoim. E mesmo assim ainda perdemos o vôo pro Rio.

Nos dias dos acontecimentos foi tudo perrengue, olhando hoje essas ressuscitadas recordações são tudo comédia.

segunda-feira, 2 de maio de 2005

GLOBO 40 ANOS

Essa semana passou rápido para mim. Certamente pelo corre-corre dos dias, tendo eu apenas a terça-feira como um dia, digamos, de folga. Por essa correria toda somente agora, poucas horas antes de postar esse texto, que o escrevo.

E foi justamente na terça-feira que a maior emissora de televisão brasileira comemorou seus quarenta anos com uma festa de gala além de outros programas exibidos durante a semana que celebrava seu aniversário (dos quais só acompanhei o de terça e o de quinta).

É inegável que nessa caminhada a Rede Globo vem exercendo um poder sobre o território que ela abrange, ou seja, praticamente todo o país. O poder de fazer rir e chorar com as dramaturgias, se chocar ou se encantar com alguma reportagem dos telejornais, se divertir com a linha de shows, variedades e entretenimentos, porém, talvez maior e mais argumentado poder que ela exerça, seja o poder de persuasão.
Várias novelas ditaram moda e o complexo ‘tostines’ entra na discussão se eram elas que refletiam a sociedade ou a sociedade que se refletia nelas. No telejornalismo, a mesma coisa. Haja visto o caso Collor. A partir desse momento tanto nós quanto eles, pelo desfecho que isso teve, demos conta do tamanho do poder que a Globo tem. Talvez hoje um pouco mais camuflada ou menos parcial.

Esse poder é fascinante e atraente. A infra-estrutura que ela tem e o cuidado de criar seus produtos com perfeição é sensacional e graças a ela, ainda que em número reduzido e altamente seletivo, autores e atores fazem uma dramaturgia de qualidade e tipo exportação.

Uma novela como ‘América’, por exemplo, - e é bem provável que nas outras linhas (entretenimento e jornalismo) isso ocorra também – além de divertir centenas de famílias, sustenta muitas outras. Fazer uma cena de novela mobiliza várias pessoas entre profissionais de figurino, maquiagem, iluminação, contra-regragem, arte e edição só pra citar alguns seguimentos que quando juntos vemos o resultado no ar. Muito material não é aproveitado e horas de gravação podem ser resumidas em três minutos.

Posso falar isso agora de carteirinha. Estou conhecendo essa jovem senhora por dentro. Em dois meses que faço figuração, já pisei na Central Globo de Produção do Rio de Janeiro, mais conhecida como Projac por onze vezes. Cinco vezes para fazer parte de ‘Mad Maria’ e, por enquanto, seis vezes para gravar cenas de ‘América’. E o que mais me encanta é o astral que noventa e cinco por cento das pessoas envolvidas com o produto tem e demonstra. Claro que tem um ou outro que se percebe que ou não está bem naquele dia por qualquer motivo ou está ali e tem uma educação forçada, que não é inerente da pessoa e o pedido de ‘por favor’ não é natural, mas isso é uma pessoa ou outra eu normalmente é preterida pelo ‘conjunto da obra’.

São quarenta anos de acertos e erros, mais acertos do que erros, e graças a Globo o Brasil tem estampado em sua identidade o bem sucedido e mundialmente famoso fazer novelas. Outros países também produzem as suas, mas não com a naturalidade e o jeitinho brasileiro. Nosso método é diferente e superior aos outros.

Chacrinha, o velho guerreiro, já dizia que na televisão nada se cria e tudo se copia. Se outras emissoras como a Bandeirantes, SBT, e Record estão investindo em dramaturgia com elenco e diretores que em algum momento passaram pela Globo, alguns programas de fórmula estrangeira, como o Big Brother, apesar do sucesso, não agrada a todos, no entanto dá ibope.

Por fim, cerca de oitenta mil funcionários, e com exceção dos filmes e desenhos animados, praticamente todo o resto da sua programação é genuinamente nacional. Quarenta anos pra chegar até aqui, imaginem o que transcorrerá até a festa dos oitenta.