segunda-feira, 26 de setembro de 2005

DEPOIS DA TEMPESTADE...

Segundo o dito popular, quando Deus fecha uma porta, sempre abre uma janela. Como a vida não tem só uma porta, mas várias e em todos os campos alcançados pelo ser humano, as janelas também são diversas. Uma delas se abriu pra mim nessa semana.

Apesar de a minha produtora ter perdido a novela, não quis me desvencilhar da agência, como comentei na última postagem. No entanto, nesse ínterim algumas pessoas me deram outros contatos para que eu fosse atrás. E foi justamente isso que eu fiz na quarta-feira passada. Como nós fizemos uma pequena despedida na terça à noite pro Mike que voltou pros Estados Unidos pra rever a família na quinta-feira, cantando num videokê de um dos quiosques da praia da Barra, dormi por lá mesmo.

Despertado pelo sol matutino às nove e meia, saí à procura de uma das duas agências que ficava ali mesmo na estrada dos bandeirantes. Apesar de um pequeno problema de direção (o número do prédio que eu tinha que ir era pela altura dos quatro mil e oitocentos e eu desci da Kombi por volta do número setecentos) andei – e muito – até chegar ao meu destino final. Na verdade andei por que, pelos meus cálculos financeiros, se eu pegasse outra Kombi de volta me arriscava a não chegar em casa.

Cheguei na agência pouco antes de meio-dia. Fiz minha ficha, deixei minhas fotos e saí de lá na esperança de ser recompensado, pelo menos pelo tanto que andei. Foi só eu atravessar a rua e estar esperando pelo ônibus pra ir em outra agência em Copacabana, quando o meu celular tocou e a indicação da chamada era dessa mesma agência a qual eu acabara de deixar. Naquele instante chegou um pedido de figurantes para fazer a novela da Record e eu voltei lá para pegar o endereço, pois tinha que estar lá no dia seguinte às sete da manhã. Conclusão: fui recompensado da caminhada. Me dirigi a Copacabana e fiz o mesmo em outra agência, essa mais especializada em filmes e comerciais. Nessa, por enquanto, ainda não aconteceu nada.

A Recnov é mais longe que o Projac. Fica em Vargem Grande. Os dois centros de produção ficam na mesma Estrada dos Bandeirantes, o Projac na altura do número oito mil e a Recnov no número cinqüenta e três mil quinhentos e cinco. (Como se percebe, um parêntese: Recnov é abreviatura de Record Novelas, situada nos antigos estúdios Renato Aragão comprado pela emissora paulista pra fazer concorrência.)

Acordei às quatro e quinze. Por não saber ao certo a distância entre as duas seria melhor chegar mais cedo do que se atrasar. Calculei que chegando no Projac até às seis e meia da manhã daria tempo de chegar na Record às sete, mesmo tendo que tomar uma condução à mais. Por volta das seis e dez o ônibus passava na frente do Projac. Saltei um pouco mais à frente, no espigão, e esperei pelo ônibus indicado. Poderia ter pegado Kombi, mas estava bastante adiantado e resolvi esperar pelo ônibus. Cheguei na porta da Recnov às vinte pras sete e esperei dar sete horas pra poder entrar. A fiscal da minha agência nem tinha chegado ainda.

Um pouco mais tarde e começa a movimentação. Passa-se no figurino, troca-se de roupa. A criançada que lá estava se fantasiou toda. A princípio iam para um baile de carnaval, mas a locação era numa praça perto da estrada da joatinga, no início da Barra. Eram só pra ser três cenas. A primeira demorou pra sair e mesmo assim não ficou válida. O tempo também não estava ajudando. Apesar de eles terem dito que era cena de verão, a chuva volta e meia caia fina e o vento também não colaborava. As crianças que chegaram de fantasia tiraram a fantasia e alguns adultos que puseram roupa de verão trocaram pelas suas roupas pessoais mesmo.

Ou seja, a Record tem muito que aprender e o que investir pra chegar num padrão ‘globo’ de qualidade. Não adianta arrebanhar atores e diretores globais se ainda não tem uma estrutura que esteja a par de competir com as outras emissoras.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

DESGRAÇA

Desgraça pouca é bobagem. Dizem que quando vem a porrada, pra ser uma porrada de bom porte, ela tem que ser bem dada. Eu não fugi a regra. Não bastasse a perda do meu tio, perdi também o emprego. Não que seja um emprego, mas era o que ultimamente me dava um troco no fim do mês. Também ninguém virou pra mim e disse ‘não estamos satisfeitos com seu desempenho’, pelo contrário, meu desempenho, modéstia à parte, era satisfatório até demais. Sabe aquela foto que fica no balcão do McDonalds do funcionário-padrão do mês? Se lá tivesse isso eu era um forte candidato a ter meu rostinho estampado.

Na verdade não só eu que perdeu o emprego, e sim todas as pessoas da minha agência que eram chamadas pra gravar a boate e Miami Beach, ou seja, a minha produtora que perdeu o espaço na novela. Isso foi em decorrência de uma série de fatores que vieram ocorrendo durante o curso da novela e que culminou com um falso pedido.

Um esquema do qual só fiquei sabendo quando recebi essa notícia era o de que existe um produtor intermediando o pedido que a produção faz do perfil e do número de figurantes que são chamados. Esse produtor é e outra agência que não a minha, que grava a novela também. E ele tinha a responsabilidade maior que a dos outros em virtude desse destaque. Eu tenho pra mim – posso estar enganado – que por causa dessa posição que ele ocupa, fez com que essa perda que prejudicou a minha produtora e consequentemente a agência e nós, os figurantes cadastrados nela, fosse, de certo modo, proposital. Estou querendo dizer que ele passou a perna na minha produtora, que foi proposital mesmo. E o pior não é isso. Ele é argentino. Não tinha contato com ele. O via algumas vezes nos sets de gravação. Não sei como é o jeito dele. Mas que o defeito dele ser argentino é mais agravante que todas as qualidades juntas, isso é.

A gente até pode – e tem gente que está fazendo isso – sair da agência, entrar em outra e continuar a gravar ou ‘América’ ou outro programa (que no nosso jargão é chamado de produto), mas tenho que pesar várias coisas pra saber se vale a pena fazer isso também. Principalmente em relação ao cachê.

Bem, de acordo com o andamento da novela, a protagonista se encontra no Rio, não mais em Miami e, se realmente a novela acabar no prazo e não for esticada, será muito difícil de ela voltar pra Miami, se bem que de novela se pode esperar tudo, mesmo no mês e meio que resta de gravação. Isso que me consola quando recebo uma notícia como essa. O cenário de Miami não vai ser tão explorado quanto no percurso normal da novela. Além disso, minha agência será uma das que farão a próxima novela das oito e estará também trabalhando com a minissérie sobre a vida de JK. Enquanto essa pendenga não se resolve e o meu futuro é duvidoso, vou correr outras agências que fazem filmes e/ou comerciais pra deixar minhas fotos e esperar pra ver se pinta algo do tipo.

A minha maior preocupação agora é entregar as encomendas. É que no último dia em que fui gravar, no feriado, eu levei três discos que gravei com a trilha internacional da novela incluindo as músicas da boate. Dois foram entregues e um ainda não, que é o da minha produtora. A dona de um desses dois pediu pra que eu pedisse que o Caco Ciocler dedicasse à filha dela que tinha gravado ‘Chocolate com Pimenta’ com ele e tal. Quando eu dei o disco pra ele, me fez uma pergunta: ‘E o meu?’ Disse que ia fazer um pra ele e fiz. A Débora me chamou de maluco por que ela não agüenta mais ouvir aquelas músicas, mas uma assistente dela pediu um apenas com as músicas da boate. Conclusão: fiz mais cinco. Esses dois, outros dois pra outras duas pessoas e um que sobrou fica pra quem quiser. Só tenho que dar um jeito de entrar lá e entregar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

SEJA BEM VINDO

Olá, irmão. Seja bem vindo. Não lhe vou perguntar como estás, pois eu sei que aqui estás bem, aliás, aqui todos estão bem. Deves estar me reconhecendo de algum lugar e estás correto em tua imaginação. Talvez minhas barbas estejam mais longas e esbranquiçadas do que de costume. É o tempo que interage comigo deste modo, mas, provavelmente, as chaves que carrego dependuradas na minha cintura confirmam tua suspeita. Sou eu sim. Pedro.

Como és recente aqui, deves estar um pouco desnorteado, mas os querubins que me auxiliam com os novatos te escolheram para trazer à minha presença pela grandeza de pessoa que foste lá na terra e por conta disso eu, pessoalmente, lhe mostrarei o mecanismo de funcionamento dessa área celestial, que, como se percebe, não é pequena. Não te anseie em ver tua família. Ela está pronta aqui em uma pequena área preparando uma grande recepção para ti.

Pela tua expressão, notaste muita coisa diferente. È como um dito que alguns humanos costumam falar querendo passar a idéia de que há diferenças entre o céu e a terra do que supõe a vã filosofia das pessoas de corpo carnal. Não irei aqui entrar no mérito do juízo final. Essa parte não cabe a mim, no entanto, pelo visto, já que estás aqui comigo, passaste por ele com louvor.

Veja. Olhe em volta de nós. Aqui só há pessoas bonitas, alegres e iluminadas de modo que é essa luminosidade que as deixa com esse aspecto belo. Já se olhou no espelho? Não precisa. Aqui nem espelho tem. Eu estava acompanhando tua caminhada dali até aqui e eu reparei que a sua luz é um pouco mais ofuscante que o normal das pessoas que cá chegam. Isso é um bom sinal. Sinal de que tu foste cercado de pessoas de bem, do bem e bonitas. Aqui todas as almas, e eu sei que a tua também, pois já praticava isso antes de vir pra cá, estão dispostas a ajudar aos outros.

Deves estar preocupado com sua família e o legado que deixaste no plano material. Não te preocupes, pois assim como é difícil para eles se acostumarem com a tua falta, tu também sentirás a ausência deles agora no início, porém o tempo é o melhor remédio para que se acostume com não presença deles. Mas fique tranqüilo, todos vocês se encontrarão aqui, nesse mesmo local, em algum dia. Poderia ter ficado mais tempo entre eles, no entanto ninguém pode ir de encontro ao designo de Deus.

Seu merecimento é grande aqui na área celestial. Serás de grande utilidade aqui no céu tal qual foste lá na Terra. Por ter chegado há poucas horas – não se assuste, o que chamamos de dias lá na Terra aqui podemos considerar horas de modo que nosso espaço-tempo é uma eternidade – começará seu desempenho como aprendiz de anjo da guarda. Conheces esse papel tão bem, porém de outra forma e guardando apenas três pessoas que foram sua esposa e filhos. Pois bem, agora, aqui de cima, dessa posição em que se encontra, além deles terá que guardar seus irmãos, cunhados, sobrinhos, enfim toda sua família além dos amigos que você quiser, e, pra ser sincero, pelo que eu vi não seriam poucos o que gostariam de ter esse privilégio.

Não te apresses quanto ao início dessa tua tarefa. Terás um período para conhecer todas as instalações aqui e levarás um bom tempo para falar e conhecer pessoalmente todos os anjos, arcanjos, santos e papas. Mas agora, nesse exato momento, esses mesmos dois querubins que o acompanharam até este portão irão te levar ao local onde teus pais e todas as pessoas que conviveram contigo no plano terreno esperam pela tua chegada para a recepção a qual me referi anteriormente. Vá lá e tenha uma boa estada aqui conosco.

Esse texto é uma criação pessoal e se trata da minha singela homenagem o meu amado tio Tarcísio que nos deixou na semana passada. * 31/10/1955 + 08/09/2005?

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

BANG-BANG

Bem, como eu já disse há algum tempo atrás, não serei mais um a falar sobre a crise política que assola o país. Os jornais e os palpiteiros já fazem plantão direto de Brasília. Eu, sinceramente, apesar de tudo que tem vindo à tona tenho mais medo do Severino do que do Lula. Vi o Gabeira no plenário falando mal e metendo o pau no presidente da Câmara dos Deputados e, particularmente, fico do lado dele. Mas, parando de falar nisso, vamos ao que não interessa.

Na última quinta-feira começou o Bang-Bang. Não falo das palavras disparadas pelos congressistas na capital federal que podem atingir um ou outro parlamentar do mesmo jeito que bala perdida e acarretar uma outra investigação gerando mais CPI, mas sim das gravações da próxima novela do horário das sete da Rede Globo.

Serei enfático, pra não dizer repetitivo. Eu sei que está chato eu ficar aqui falando dos bastidores das novelas da Globo, mas é que o noticiário está todo voltado pro planalto central e não tenho nada pra me basear além do meu divertimento. É. Por que pra mim é um divertimento. Eu digo e afirmo que quem faz figuração é um bando de vagabundos que não tem nada pra fazer e vai pro projac fazer nada e ainda ganha pra isso. Como ninguém diz que eu tô enchendo o saco falando da novela, eu vou continuar a falar. Melhor do que encher o saco depondo em CPI.

Ainda não conheço a cidade cenográfica, mas fica ali, próxima a boate de Miami e do lado de Miami Média e Boiadeiros. De onde a gente fica dá pra ver os cumes das casas, saloons e igreja de uma cidade do tipo velho oeste, de modo que a fictícia história a ser contada terá como cenário essa cidade. Não sei como será a trama, no entanto, provavelmente devem começar a anunciá-la quando os primeiros capítulos estiverem prontos, o que não deve demorar muito já que a previsão de estréia dela é dia três de outubro.

Quando a gente chegou lá na CC3 (que eu imagino ser a sigla para a terceira área de cidade cenográfica) havia várias pessoas, a grande maioria que eu não conheço, apesar de ter uns dois ou três que viajaram no tempo saindo da contemporânea ‘América’ para a de época’Bang-Bang’, estavam lá esperando para gravar, coisa que a gente faz de modo exemplar, caracterizados de fraque, cartola se homem e longos vestidos cheios de bordados e babados se mulher. O tempo ainda tem ajudado um pouco, mas aquela roupa toda no verão será uma tortura para quem as colocar.

Vi várias pessoas, artistas, chegando pra gravar, mas só reconheci duas. Quer dizer, uma eu acho que foi a Ana Bárbara, mais conhecida como Babi, e a outra foi a Marisa Orth. Claro que com maquiagem ela estava um pouco diferente, mas eu tive certeza de que era ela chegando naqueles carrinhos elétricos que circulam por lá.

Sabe aqueles cinco segundos que são eternos até sua ficha cair e você reconhecer uma pessoa, de modo que você a encara insistentemente? Pois foi isso que aconteceu comigo até ela acenar e dar um simpático sorriso. Acho que não foi por isso, mas quero crer que ela me reconheceu, pois nós temos uma foto juntos e passamos umas horas no mesmo evento. Na verdade eu fui nesse tal evento mais por causa dela mesma. Agora é só aguardar pra ver o que será dessa novela escrita por Mário Prata que volta a teledramaturgia depois de anos afastado dela.

Por falar em teledramaturgia, tem rolado um boato de que ‘América’ ultrapassará a previsão inicial dos duzentos e três capítulos. Quanto a isso, perguntei a dois assistentes de direção se realmente a novela vai ficar no ar até o início de janeiro. Um me respondeu que não, que vai ficar mesmo nos duzentos e três, já a outra, que é a primeira na hierarquia dos assistentes de direção, não disse nem que sim e nem que não, que ela está por dentro da boataria que rola, mas não tem como confirmar nada.