segunda-feira, 17 de outubro de 2005

VOU PRA PORTO ALEGRE, TCHAU

Estou deixando vocês. Calma, não se desesperem. É só por alguns dias. Nas próximas duas semanas não estarei por aqui. Viajarei para o sul e passarei essas duas últimas semanas do mês de outubro entre as cidades de Porto Alegre e Curitiba, portanto, aguardem. Depois de São Paulo e de Minas Gerais será a vez de compartilhar as aventuras gaúchas e paranaenses a partir de novembro.

A idéia é antiga. (Se considerarmos o mês de março desse ano como já ultrapassado é antiga mesmo.) Desde quando comecei a fazer figuração nas produções globais, principalmente quando tive uma certa regularidade no horário nobre, destinei mais ou menos metade dos cachês que recebi para realizar essa viagem. Tracei isso como meta e, a princípio iria logo após o término da novela, mas, dado os fatos que ocorreram, já relatados anteriormente, antecipei minha viagem para a segunda quinzena do mês de outubro.

Quando estive no projac levando a Diana, encontrei com um assistente de direção da novela que perguntou por que eu tinha sumido. Respondi o óbvio, que ele já sabia. Então ele disse que a solução seria trocar de agência, como várias pessoas fizeram. Eu disse a ele que àquela altura da novela não adiantaria de nada, visto que as gravações as quais eu era solicitado estavam acontecendo em um apenas um dia da semana de modo que a mesma turma que grava a cidade grava também a boate e eram poucas cenas em ambos os ambientes. Além disso, as perspectivas da próxima novela aumentaram e assim que eu voltar dessa minha viagem já deverá pintar trabalho. Não tenho certeza se será na novela ou em outra produção, mas tudo indica que será a novela.

Uns dias de folga também não faz mal a ninguém. Eu estarei complementando o mês de férias a que todos os trabalhadores têm direito de modo que já gozei de uma parte delas no mês de maio. É estranho falar isso pelo fato de que escrevo aqui por puro prazer e não tenho carteira assinada por conseqüência disso. Mas isso também não impede de tirar alguns dias de folga, principalmente se esses dias servirem de inspiração, servirem como experiência empírica para serem relatadas nesse mesmo espaço. Como nesse caso eu mesmo faço meu horário, sou meu próprio patrão e a única pessoa que tem direito em dar bronca em mim mesmo, decidi por mérito meu me dar essa quinzena de folga.

A proposta que eu me fiz de separar as metades dos cachês ganhos deu certo. A primeira meta traçada que seria essa viagem foi devidamente cumprida e em seis meses deu pra juntar metades suficientes pra viajar e sobreviver durante a viagem. Agora, tenho outros planos pras demais metades. O carnaval daqui a pouco está aí e se der esse ano eu quero desfilar. (Todo ano eu digo isso e o animo sobe logo depois do natal, mas a grana sempre é curta. Dessa vez, dependendo do número de trabalhos que pintar na minha volta, a possibilidade aumenta substancialmente. Deixo bem claro que não está nada certo.) Estou querendo voltar em São Paulo e visitar uma amiga minha em Brasília. No entanto a meta principal é a aquisição de um carro.

Tá certo. Um carro não custa o mesmo que passagem de avião para o sul, mas também não é um sonho impossível. Não consegui juntar pra viajar? Por que não posso juntar pra comprar um carro? Claro que não será o carro dos meus sonhos ou que tenha um conforto maior, mas nem que seja um fusquinha do ano de sessenta e seis eu vou conseguir comprar um carrinho pra mim.

Só espero que o volume de trabalho aumente para que eu possa juntar dinheiro mais rápido e ter o meu carrinho o mais cedo possível. Mas esse é um objetivo que vou começar a traçar mais severamente na volta da viagem. Muito obrigado e até novembro.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

PRIMEIRO ‘MÊSVERSÁRIO’ DO DIEGO

Ele completa um mês nesta terça-feira. Nascendo em pleno dia onze de setembro, durante todo esse mês deve ter sido fotografado mais do que modelo de capas de revista em alta, do tipo que só dá aquela cara até em revista de decoração. Nem todas, até pelo fato de serem muitas, foram reveladas e menos ainda divulgadas, mas todo o registro fotográfico está concentrado em dois discos.

Já nasceu dúbio. Não me refiro ao sexo. È macho e tem a genitália avantajada. Aliás, não só a genitália, mas outras partes do corpo como pés e mãos também. Chega a ser impressionante e assustador. Capaz de ser maior que eu, sinal de que puxou o pai. Entretanto, voltando à dubialidade, a que me refiro é a nacionalidade. Americano de nascença e por parte de pai e brasileiro por parte de mãe (e é nessa parte em que me incluo) ele terá dois passaportes e todas as vantagens e desvantagens oferecidas pelos Estados Unidos e Brasil.

Teve a companhia da avó brasileira que o acompanhou dos três últimos dias de vida intra-uterina até a última quarta-feira. Na quinta ela chegou trazendo notícias e a enorme resma de fotografias reveladas, de modo que sua corujice pode ser mostrada a todas as pessoas que perguntam como foi de viagem. Como tem o dito popular que fala que uma imagem vale mais do que mil palavras, imagina o tamanho das histórias que ele conta somente em mostrar o catatau de fotografias que ela trouxe. E olha que está restrito às fotos já reveladas.

É uma criança tranqüila e, pelo que se tem apresentado, não deu sinais de ser parecido com a mãe em gênio, número e grau, e, ao que consta, também não se assemelha com o pai nesse sentido. Não se tem uma pessoa de exemplo para que o garoto possa ser espelhado, pelo menos a princípio. Acho que se continuar assim, o menino vai se parecer comigo. Ele já é fofo por natureza. Quer semelhança maior comigo do que essa? Claro que ele tem a vantagem de ser praticamente um recém nascido e todos e corações da família e os olhos, inclusive os meus, mesmo estando longe do estado americano da Pensilvânia, estão voltados para essa simpática criaturinha. Obviamente com exceção da avó, estamos todos nós aqui, ansiosos pela visita dele aqui, ou pela nossa lá, o que é mais difícil, mas esperando ver de perto aquelas bochechas que já estão aptas o suficiente para serem devidamente apertadas.

Seu nome é uma homenagem à cidade de encontro entre seus pais. Com a ajuda da conspiração favorável do universo e as bênçãos de uma luz divina não foi em Pindamonhangaba. O primeiro encontro dos dois se deu em San Diego. Eu tenho pra mim que se fosse em Pindamonhangaba essa homenagem não teria um valor significativo. Quer dizer, poderia até ter, mas não a ponto de se eternizar em um nome de pessoa. Até por que é muito mais plausível e sonoro uma pessoa com o nome de Diego do que uma com o nome de Pindamonhangaba. Não duvido que exista uma pessoa chamada Pindamonhangaba. Já vi vários nomes registrados em cartório pior que Pindamonhangaba. Em época mais remota os cartórios registravam qualquer coisa.

Todos os dois lados da moeda, digo, do Diego – tanto o americano quanto o brasileiro, e desse eu sou suspeito pra falar – estão alegres com a sua chegada ao mundo. E é pra comemorar esse primeiro mês de longa vida para o Diego que estou postando esse texto. Apesar de todos os altos e baixos que tem acontecido com a minha prima Jana, mais uma vez ela está de parabéns por estar tirando a maternidade de letra, sobretudo num país diferente, onde hábitos, costumes e cultura apesar de se assemelharem não são exatamente os mesmos, vide a história do parto, e longe da família. A cada dia que passa eu fico mais fã dela. Tomara que o Diego siga o exemplo da mãe nesse sentido de coragem, garra e obstinação. Mas ainda virão muitos meses...

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

BRILHA, BRILHA ESTRELINHA

Depois de três semanas sem pisar no projac, na quarta feira voltei lá. Não tinha nada a ver com a minha pessoa, afinal de contas, na minha família, eu sou apenas o coadjuvante. A estrela principal é a caçulinha Diana. Mais uma vez ela foi selecionada pra fazer uma participação em uma produção global. Depois da estréia no ‘Sítio do Picapau Amarelo’ e uma rápida e marcante presença na minissérie ‘Um só coração’, dessa vez foi a atual novela das seis da tarde, ‘Alma Gêmea’, que foi abrilhantada pela presença de Diana.

No estúdio, que começava a dar sinais de movimentação àquela hora com as camareiras, maquiadoras, figurinistas que se mobilizaram pra dar o apoio necessário ao elenco durante aquele dia de gravação, chega Diana dando uma de Medusa, ou seja, enfeitiçando qualquer um que olhava pra ela. Ela cativou a todos sem exceção. Chegou a entrar na sala de maquiagem já conquistando alguns atores, mas acharam melhor primeiramente ela passar no figurino pra trocar a roupa e ficar pronta antes de qualquer coisa. Dentro do camarim foi outra farra. Eram duas pessoas pra botar a roupa nela e ela não parava quieta. Ia de um lado para o outro, subia no banquinho pra contar os números mais altos dos armários, ficava em pé numa arara de roupas, entrava no provador, aceitou três bolachas de biscoito maizena de uma das moças pra ver se ela parava um pouco... custou, mas a roupa foi colocada.

Volta com Diana para a sala de maquiagem. Na verdade ela nem foi maquiada, mas tiveram que fazer uns cachinhos mais homogêneos nela. No início ela reclamava da quentura do ferro, mas depois de uma caixinha de suco, com uma revista em quadrinhos na mão e com o timing da cabeleireira de virar a cadeira dela para a televisão e sintonizar num desenho animado, o trabalho dela foi mais bem feito. Quando o dedinho inquieto dela começou a desfazer alguns dos cachos rapidamente sapecaram nela uma daquelas redes para segurar o penteado. E assim ela ficou a maior parte do tempo. Caracterizada e pronta para gravar como todo o resto do elenco.

A princípio foi distraída pela mãe de uma atriz mirim enquanto a mesma lia o gibi fazendo vozes diferentes para cada personagem. Depois, começou a correr o estúdio pra lá e pra cá atrás da Serena, personagem da Priscila Fantin na novela. Uma verdadeira aula de aeróbica pra mim. Resolvemos pedir o almoço pras crianças – havia outro menino, o Euclides, que contracenou com ela, também acompanhado por um responsável. Demorou um pouco, mas chegou. Pra não sujar o figurino, puseram um roupãozinho nela, porque a comida pra ela também vira brinquedo e ela brinca e se suja mais do que come.

Foi só o fato de a comida chegar e dela começar a comer que a produção chamou pra gravar. Daí uma das pirraças dela. E pra tirar a comida da frente da criança? Mais uma batalha e a gente andou de carrinho elétrico do estúdio até a locação que não era muito longe. Chegou na locação externa, reconheceu o território começou a brincar (a cena era essa com o Euclides e a Elizabeth Savalla) até baixar um ‘Alberto Roberto’ e em outro piti ela dizer ‘Eu não gravo’. Mais uma vez a galera teve que contornar a situação. Por fim gravou. Na volta, a continuação da brincadeira do almoço. Ela acabou com um dos dois bifes e o purê de batata deixando o outro bife e o arroz que recebeu todos os sachês de sal que estavam ao alcance da mão dela.

Quando recebi a informação de que ela estava liberada limpei a bagunça deixada do almoço e consequentemente ela também. A levei pro camarim para trocar a roupa e ficamos fazendo hora lá no projac até que a mãe dela chegasse. Continuava a chamar a atenção de todos, menos do Murilo ‘Tião’ Benício que, ocupado falando ao celular, foi sumariamente perseguido por ela, frustrando seu desejo de ‘Sol’ e ganhar um beijo dele.