segunda-feira, 28 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (4)

Vimos rapidamente toda a exposição. A instalação que mais me chamou atenção foi a de um uruguaio. Acho que era essa a nacionalidade dele. Ele gravou cinco cd’s diferentes cada um com sons e palavras sem nexo nenhum. É uma coisa de maluco mesmo. Tanto eu quanto o Paulinho morremos de rir.

Me lembro que fomos em mais dois outros prédios onde tinham mais exposição da bienal de artes do mercosul. Um deles ficava ao lado desse centro cultural do Banco Santander, o outro eu não me lembro aonde ficava. È muita informação para uma mente só. O que eu estou me lembrando agora é que num deles outra coisa de louco chamou nossa atenção. Estava sendo exibido um vídeo com uma espécie de curandeiro apache fazendo suas rezas e aplicando agulhas de acumpultura com bandeiras afixadas na outra ponta dessas agulhas. A mulher estava completamente nua, deitada na mesa, parecendo ser em um local público, cheia de agulhas e, por sorte ou segurança dessa doidera, havia um médico no local supervisionando aquilo tudo. No final as pessoas chegavam perto da mulher e tiravam as agulhas do corpo dela e levavam de lembrança. Maluquice, não?

Outro local que a gente visitou foi a Casa de Cultura Mário Quintana. É um lugar bastante interessante e cheio de atrativos, como cinema, teatro, biblioteca, palestras, pequenos shows mais íntimos e outras coisas mais. Essa não fazia parte dos centros de exposições da bienal do mercosul. Antigamente essa casa de cultura era o hotel em que o poeta morava. Queriam destruir o local, mas, graças a consciência inteligente do povo, resolveram manter o lugar como casa de cultura em homenagem ao seu hóspede-morador mais ilustre. Inclusive o quarto em que ele vivia está lá permanentemente exposto, com todos os móveis, objetos e utensílios que ele usava no dia-a-dia. Digno de uma foto também tirada. Como se fosse sua vizinha da porta de frente, o quarto, agora transformado em ampla sala, uma exposição permanente com os discos, recortes de jornais e revistas, fotografias do acervo pessoal de outra ilustre gaúcha, a pimentinha Elis Regina. No telão, exibição constante de um documentário recém lançado em dvd com uma entrevista pontuadas com canções imortalizadas pela sua voz ímpar. No último andar existe um café onde se pode ver parte do porto e pedaços do famoso rio - ou lago como dizem outros – Guaíba.

A Usina do Gasômetro foi outro local visitado por nós. Na beira do rio, ela também fazia parte da bienal e havia vários trabalhos de artistas malucos também. Nos fundos da Usina, um terraço nos dá a dimensão mais detalhada de tamanho e largura do rio em um determinado trecho da cidade. Todos que vão para Porto Alegre dizem que o pôr-do-sol visto às margens do Guaíba é imperdível. Eu perdi e não me arrependo de ter perdido. O terraço que fica mais abaixo um pouco e na parte da frente da usina revela uma curiosidade da cidade. Ali fica exposto um projeto que não deu certo na cidade, uma obra faraônica com investimento alto, mas que nunca funcionou. Em frente ao Gasômetro tem um trem daqueles, tipo trem bala, ou monorail, parado, apodrecendo ao sabor do tempo. Parece que esse projeto não teve a viabilidade necessária para que dessem continuidade à obra e foram construídos alguns metros de ‘trilhos’, ou seja, o trem vai do nada pro lugar nenhum. Aliás, ele não vai pra lugar nenhum por que não sai do nada. O trem não funciona mesmo.

Andamos um pouco mais, passamos em frente ao prédio da sede administrativa do governo do estado que é um prédio bonito e diferente mais pro lado do moderno e não os que estão no centro da cidade. Foto nele. Até que paramos perto de um centro de informações turísticas, já perto de casa, onde tem um ônibus que dá uma volta por alguns pontos turísticos da cidade. Perguntamos se ainda havia a possibilidade de se fazer um tour, e a resposta foi que, a princípio, se juntasse dez pessoas no mínimo, teria.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (3)

No dia seguinte acordei, me arrumei e esperei o Paulinho fazer o mesmo. Enquanto isso continuava entretido no ‘Fortaleza Digital’ até a hora de a gente sair. Pela hora que a gente foi dormir já era de se esperar que acordássemos tarde do dia. Café da manhã nem pensar. A gente saiu de casa e fomos a um restaurante a quilo, mas que se passasse de um determinado peso o preço se tornava fixo e assim poderia se comer a vontade. Claro que eu ultrapassei essa barreira limite. A comida lá é barata e farta em se comparando com os restaurantes onde se costuma almoçar no centro do Rio, por exemplo.

Aquele dia nós resolvemos andar. Tudo pelo turismo. O Paulinho me apresentou o centro de Porto Alegre que por praticamente ser do lado do bairro da Cidade Baixa é perto da onde nós estávamos. O primeiro ponto diferente que eu vi foi uma espécie de viaduto. Não sei o nome, mas foi também o objeto das minhas primeiras fotos na cidade. É uma avenida grande, larga, de mão dupla que passa por baixo de uma rua e justamente as calçadas que ladeiam a avenida sobem até essa rua de cima em construção que parece ser de décadas passadas. Mas quem não quiser subir e seguir na calçada da avenidona também pode. Na minha opinião lembra um pouco o Viaduto do Chá em São Paulo. O segundo ponto em que a gente parou foi a praça principal da cidade. Não que seja realmente a principal, mas é a praça que tem a igreja, o fórum, a assembléia legislativa e umas casinhas bonitas, também de estilo antigo, mas que infelizmente alojam sedes de partidos políticos. Péssimo fim pra uma arquitetura tão bonita.

Visitamos a igreja, muito bonita por sinal. Tirei foto dela e de um prédio que fica do lado da igreja, acho que é o fórum. Depois passamos em frente ao Palácio Farroupilha, a assembléia legislativa (ou seria a câmara municipal?). Do outro lado da praça, defronte à igreja, tem o maravilhoso teatro São Pedro, o municipal, quer dizer, eu não posso precisar se aquele teatro é o municipal de Porto Alegre, mas que ele tem todas as características de um teatro municipal, até por parecer com o daqui de Niterói, isso é fato. Entramos nele e deu pra reparar nessas características mais de perto. A rotunda – o pano preto que fica atrás do palco – e as pernas – os que delimitam a coxia – estavam suspensos e a luminosidade que entrava dava um clima diferente ao de teatro. Mereceu e obteve uma foto. Aliás, fui tirando tanta foto, mas tanta foto que no fim do dia tive que apagar algumas da máquina até pra caber as fotos da ida à serra gaúcha que pretendíamos fazer mais pro fim da semana.

Quando estávamos passando na frente do Palácio Farroupilha, reparei que vários ônibus de excursão escolar estavam chegando na cidade. Assim como nós, essas crianças também tiraram aquele dia pra visitar a bienal de artes do mercosul que preenchia vários espaços culturais da capital gaúcha. Eu, pessoalmente, iria visitar aqueles espaços culturais independente de participarem de bienal ou não. No entanto, como coincidiu, lá fomos nós.

Não me lembro exatamente do roteiro que fizemos cronologicamente falando, mas como eu me lembro do último lugar em que estivemos, os relatos serão descritos sem obedecer a ordem cronológica das visitas a esses lugares.

Há uma rua de pedestres, a Rua dos Andradas, que tem uma praça onde, por sinal, estavam montando uma feirinha de livros, como essa que volta e meia aparece na Cinelândia, mas que infelizmente eu não estaria por lá pra visitar, onde também se encontram dois centros culturais. Um é o do Banco Santander, onde alguns quadros, objetos e instalações que algumas pessoas cismam em chamar de arte estavam expostas. Coisas ou muito absurdas ou muito simples, mas a grande maioria dentro da capacidade de criação de qualquer ser normal, às vezes até de uma criança, foram visualizadas lá.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (2)

Postado na última fila do avião, na janela, afivelei o cinto e esperei o avião decolar. Tem gente que morre de medo, mas eu adoro voar. E a melhor sensação, que me deixa eufórico e entusiasmado é justamente na hora da decolagem e do pouso. Depois que o avião parou de subir e se estabilizou lá em cima, abri a minha mochila e tirei a minha áudio key pra continuar ouvindo as músicas e o livro do Dan Brown ‘Fortaleza Digital’ para mergulhar em mais uma história consistente, verossímil e intrigante como o best seller ‘Código da Vinci’.

Foram duas horas de vôo direto, sem nenhuma escala. Pra gente foi servido um sanduíche com cara de natural e uma bebida que, no meu caso, foi um suco. (Não lembro o sabor, acho que foi de laranja mesmo.) Por volta das onze da noite o avião pousa no destino. Chego numa Porto Alegre com clima ameno. Em relação ao Rio poderia estar um pouco mais frio, mas ainda assim dava para ficar de camisa de manga normal. No saguão do aeroporto, meu amigo de fé, irmão camarada Paulinho me aguardava. Carregando minha mochila e puxando a malinha, esperamos um ônibus que nos deixava mais próximo da onde ele está morando, depois de uma informação solicitada.

Saltamos próximo. Tinha um bom pedaço pra ser andado e como as calçadas não deixavam as rodinhas da mala rodarem homogeneamente, fui carregando a malinha na mão. Não estava pesada, mas de tempos em tempos tinha que trocar a mala de mão pra ter um certo equilíbrio. Quando a gente chegou no bairro da Cidade Baixa, onde ele vive, tivemos que passar onde ele morava antes, quando dividia o apartamento com outras pessoas, para pegar um colchão pra mim. Missão abortada quando ao chegarmos no apartamento o dono do colchão estava ocupado, digamos, acompanhado por uma senhorita e justamente no ‘aposento’ em que o colchão se encontrava, que era o dele próprio. Enfim, por uma comunicação através da porta fechada ficou combinado que quando ele pudesse, mas em pouco tempo, ele se encarregava de levar o colchão pra gente.

Mais ou menos uns cem metros à frente, na primeira rua transversal à esquerda do antigo apê, chegamos ao que está sendo ocupado por ele desde o início desse ano. Fica logo no primeiro andar. É uma quitinete. Três cômodos. Cozinha, banheiro e uma sala que serve de quarto e vice-versa. Um espaço bom, amplo pra quem está morando sozinho. Deixei minhas coisas lá, liguei pra casa pra avisar que tinha chegado bem e ficamos esperando o colchão chegar, entregue com uma meia hora de diferença da nossa chegada no apê. Apesar de o colchão ter finalmente chegado, não fomos dormir.

O bairro da Cidade Baixa, em Porto Alegre, é um bairro onde atualmente se concentra o maior número de bares e casas noturnas da cidade. O Paulinho fez questão de me apresentar a todos. Não vou discriminar o nome deles aqui até pelo fato de eu não me lembrar do nome de todos, mas passamos na frente de todos. O primeiro bar que eu fui foi o do tiozinho colorado, onde eu tomei uma caipirinha, aliás, uma generosa caipirinha de cachaça. Quatro reais um copo grande. Acho que tem mais de trezentos mililitros de líquido ali. Ou será que a gente foi no Bells direto? Ou a gente foi nos dois? Agora não to lembrando. Só sei que depois da primeira parada a gente rodou, rodou, rodou por todas as fachadas dos bares da Cidade Baixa, que é um bairro tranqüilo pra se morar e é perto do centro da cidade. Só sei que depois da gente andar bastante por lá voltamos ao Bells pra comer um hambúrguer. Eu comi dois. Isso já devia ser por volta e três e pouca da manhã. Voltamos pra casa aí sim pra finalmente dormir. Conheci a vida noturna da vizinhança do bem instalado Paulinho e olha que eu acabara de chegar abaixo do paralelo trinta e ainda tinha muita coisa pra se fazer até o domingo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

AVENTURAS GAÚCHAS (1)

Essas aventuras gaúchas começam antes mesmo de se iniciarem de fato. Isso porque quando eu liguei pra BRA, a companhia aérea pela qual minhas passagens foram compradas, no sábado anterior ao dia marcado do vôo, fui informado que a viagem ao invés de ser na segunda à tarde, seria na terça a noite. Quando eu entrei na internet no sábado à noite pra confirmar os dados, uma outra surpresa preencheu meu rosto. Não seria daquela vez que iria viajar pela BRA. Fui relocado para um vôo da Varig direto entre Rio e Porto Alegre às oito e meia da noite de terça.

Pois é daí que começarei meu relato. Terça feira, dia dezoito de outubro, saí de casa às cinco da tarde carregando uma mala pequena e uma mochila. Meu pai me levou de carro até o ponto do ônibus que fica a algumas quadras daqui de casa, ali perto da saída do túnel. Minha mãe que se ocupou de um curso nas tardes de terça me encontrou lá pra me dar um beijo de despedida também. Esperei um pouco até o ônibus que vai pro Galeão passar. Claro que todos os outros que vão pros diversos pontos do Rio passaram na frente. È sempre assim. Essa linha não é expressa, ou seja, não vai direto pro aeroporto e por isso não pega a linha vermelha. Ele vai pra Ilha do Governador pela Avenida Brasil e passa pela Ilha do Fundão. Foi justamente nessa hora que eu comecei a ficar preocupado com a hora. O ônibus faz um verdadeiro city tour pela cidade universitária da UFRJ. Passa em quase todos os prédios e isso atrasava mais ainda minha chegada no aeroporto.

Desci do ônibus no terminal um, o mais antigo, onde fica o balcão da BRA. Como fui relocado para a Varig, o atendente me disse que era só apresentar minha identidade na Varig que meu nome já estava no sistema deles. A Varig, assim como todas as outras companhias aéreas nacionais, com exceção, claro, da BRA, fica no terminal dois, o mais recente. Andei o mais depressa possível na passarela entre os dois terminais. As rodinhas da mala faziam um barulho ensurdecedor quando sobre as esteiras rolantes, pelo menos pra mim que estava carregando ela, não sei se a propagação daquele barulho foi realmente efetivada por que se foi, muita gente que passava ali na hora deve ter me xingado horrores. Eu mesmo não agüentei e mais pro fim do percurso saí da esteira e andei pelo chão mesmo. Além disso, tinha umas pessoas sem pressa na esteira. Esse foi outro fator que me fez sair dela.

Cheguei na fila da Varig em torno de uma hora antes do vôo sair, talvez um pouco menos. Esperei chegar minha vez pacientemente. Já estava lá e dali em diante eu sabia que daria tempo para embarcar. Pedi pra ficar numa janela. A atendente me disse que só tinha na última fila. Não tinha problema, não iria dormi mesmo. Eram só duas horas de viagem então pra que poltrona reclinável? Quando eu recebi o boarding pass restavam dez minutos para que fosse aberto o portão da sala de espera. Foi o tempo de ir ao Bob’s e comprar um milk shake de Ovomaltine, o melhor de todos. Comprei o balde, o maior, de quase um litro e nele foram gastos os sete reais de troco do ônibus. Não tinha acabado de tomar o líquido, até por que não estava líquido e sim bastante pastoso, bastante grosso, quando entrei na sala de espera do avião e me dirigi aos assentos próximos ao portão marcado que era o vinte e dois.

O embarque mudou para o portão vinte e cinco. Um avião da TAM, que devia estar atrasado e entrou na frente do da Varig no portão vinte e dois fez com que o embarque do vôo que eu peguei se deslocasse pro portão vinte e cinco. Enquanto não abriam o avião pra gente entrar, fui no banheiro e já perto do vinte e cinco sentei e comecei a escutar a audio key que carreguei comigo até eles anunciarem que o avião já estava aberto aos passageiros. Mulheres crianças idosos e deficientes têm preferência. Depois eles abriram da fila dez em diante. A minha era a última e fui o último a entrar.