segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

AVENTURAS GAÚCHAS (12)

Depois do Castelinho do Caracol, onde é preparado e servido o melhor strudel do mundo, fomos dar uma volta em um condomínio de luxo. Não sei por que esse condomínio de luxo entrou no roteiro. Afinal só tem casas do estilo cinematográfico. No caminho para esse tal condomínio, passamos pela casa de campo do governador do Rio Grande do Sul. Um local, segundo o motorista da van, que ele freqüenta quando é acometido de estresse. Uma casa daquela no local e na cidade onde está localizada realmente é um ótimo remédio anti-estresse. Curiosamente fica ao lado de um aeroporto. Na verdade não é bem um aeroporto, mas algo tipo um aeroclube, um campo de pouso para aviões de pequeno porte.

Entramos, enfim, no luxuoso condomínio. Existem duas peculiaridades nessa área residencial. Uma é a segurança (ou a falta de), de modo que a identificação das pessoas que entram em qualquer área residencial como prédios e condomínios se não é obrigatória, pelo menos é recomendada. Nesse, em particular, não. E por isso ele é tão visitado por turistas. Me parece que além desse que nós fomos, ainda há mais dois no estilo. E a outra peculiaridade é que esse condomínio surgiu em torno de um hotel. Não um hotel qualquer, mas o hotel onde foi realizada a primeira reunião para iniciação do mercado comum do cone sul, envolvendo comitivas e delegações brasileira, argentina, paraguaia e uruguaia, ou seja, a primeira reunião do futuro Mercosul. E pensar que isso tudo é historicamente recente, já que essa reunião aconteceu no início da década passada, no tempo do fatídico governo Collor.

Pedra da laje, nome tanto do hotel quanto do condomínio que foi erguido no seu entorno faz jus ao nome. O hotel, principalmente, fica na beira de um precipício. Outro visual digno de foto. E olhando bem a esquerda de onde geralmente se pára, a gente consegue ver alguma coisa da cidade vizinha de Gramado. É uma sensação de que se está com o mundo aos seus pés. Bem, claro que a gente estava plenamente consciente de que não era o Everest, e o mundo em si não estava aos nossos pés, mas certamente sentimos a realidade do nosso tamanho perante a grandiosidade da natureza. Serra tem disso, uns buracos em que você é fisgado pelo visual e fica longos minutos paralisado, contemplando aquela paisagem.

Ainda faltava conhecer o centro de Canela cujo estilo é praticamente o mesmo de Gamado. Na verdade só visitamos mesmo a catedral estilosa e algumas lojinhas que têm na lateral da igreja. Uma, e talvez a mais pomposa, é chamada de Mão do Mundo, onde artesanatos representando vários povos, principalmente da África, Ásia e América (pré) colombiana são colocados à venda em preços não muito convidativos. Uma outra loja próxima a essa e cujos preços valiam mais a pena é uma de embutidos. Lá, pela primeira vez na minha vida (mais uma primeira vez) comi carne de javali. Não era bem carne, mas um salame feito com esse tipo de carne. Aliás, tinha salame de tudo quanto é tipo e gosto. No fim acabamos comprando um salame de frango banhado em vinho branco e um pedaço de queijo com tomate seco.

Uma nuvem de chuva mais uma vez passa por cima da gente e pra encerrar o passeio por Canela, só faltava a última parada. A parada da perdição, ma loja especializada em chocolate de nome Caracol. Há um atrativo nessa loja. Um coelho gigante feito totalmente e chocolate que chegou a entrar no livro dos recordes. Ele fica exposto numa espécie de redoma de vidro climatizada para não derreter e, para os chocólatras de plantão, não é mais uma peça comestível, apesar de anualmente receber uma demão de chocolate pra ser conservado e dar água na boca de quem entra naquela loja. Foi lá que eu comprei as lembranças de viagem pra algumas pessoas. Não deu pra trazer pra todo mundo pelo fato dos preços serem salgados pra uma loja de chocolates.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

AVENTURAS GAÚCHAS (11)

É um visual e arrepiar. Sensacional, maravilhoso. Ainda mais com a sensação de que estamos voando de encontro à queda d’água. Só indo mesmo pra conferir. Fico até arrepiado só de pensar na imagem. Quando chegou um pouco abaixo da etapa do meio, que é a que a gente senta na cadeirinha pra começar a subir, só que já na descida, a chuva que até então não passavam de pingos, começou a ter a forma de chuva mesmo. Lá embaixo, perguntei se eu poderia continuar sentado e seguindo o curso normal do teleférico. Eu, de minha parte, fiz o mesmo que já havia feito na etapa do alto. Não desci da cadeirinha. Enquanto eu subia e cruzava com as pessoas que desciam, me perguntavam o motivo de eu não ter descido da cadeirinha. A chuva era a razão. Nessa hora, duas meninas que chegaram naquele dia mesmo na serra e fizeram o tour por Gramado durante a manhã e esse por Canela a tarde, pediram para eu tirar foto delas e depois mandar por e-mail. Elas, assim como o Paulinho, desceram da cadeirinha e ficaram um bom tempo lá em baixo. Não sei quem teve mais sorte: eu por não pegar chuva ou eles por apreciarem um pouco mais e mais de perto a cascata do Caracol. Cheguei a esperar um pouco por eles logo que saí do teleférico, mas com o engrossamento da chuva, corri pra van. Cerca de uns dez minutos depois que eu havia entrado no veículo eles chegaram e a gente deu continuidade ao nosso vibrante e um pouco molhado passeio por alguns pontos principais de Canela.

A parada seguinte foi no Castelo do Caracol. De propriedade da família alemã Franzen, a peculiaridade dessa casa é que ela foi toda construída em madeira de pinheiro brasileiro, também conhecido como madeira de araucária, claro que muito antes da promulgação da lei que torna crime derrubar esse tipo de árvore, cujas paredes do primeiro piso são totalmente encaixadas sem a utilização de um preguinho sequer. Essas madeiras eram banhadas no rio que passa atrás da casa, que é um dos que rumam até a cascata anteriormente visitada, antes de serem trabalhadas para que fosse concretizado tal êxito. A construção da casa durou dois anos, entre mil novecentos e treze e quinze. Todo mobiliário da família ainda permanece exposto assim como as ferramentas que eles utilizaram pra construir a casa. Mas o que mais me marcou, digno de foto, foi o piano. Existem os pianos de cauda e aqueles outros que parecem pianos de saloon de velho oeste, geralmente encostado em paredes. Era um desse tipo, de madeira beirando a cor negra e com um detalhe que eu nunca vi antes em toda a minha vida. Em ambos os lados do local em que se apóia a partitura podiam-se ver um par de candelabros. As velas eram colocadas ali mesmo, no piano, e não num castiçal que se colocava sobre o instrumento. Não sei se isso também foi invenção dessa família alemã, mas que é bem bolado afixar no próprio piano suportes para velas, isso é.

No final a gente não poderia ter saído sem comer o tão tradicional strudel com nata. Poderia ser pedido também com sorvete de creme, mas aí não seria mais tradicional e o doce ficaria mais doce ainda. Já que era uma receita passada de geração a geração, feita ainda de forma bastante caseira e servida com nata, é com nata que eu e o Paulinho comemos. Que delícia. Nunca mais vou comer strudel na minha vida, a não ser caso esteja na Alemanha. Apesar de ser o primeiro que comi na vida, pelo menos que eu me lembre, - engraçado como eu tive que subir a serra gaúcha para que várias coisas acontecessem pela primeira vez na minha vida – quero manter no meu imaginário durante um bom tempo especificamente esse do tal castelo alemão de caracol. Aquilo sim é que foi um verdadeiro manjar dos deuses, apesar de ser apenas e tão somente um strudel. Não sei se existe essa mesma sobremesa feita com outros tipos de fruta, porém, strudel que se preza tem que ser feito com maçãs. Não adianta vir com estórias de abacaxis ou bananas que não vai colar. Frutas tropicais não dão bons strudels.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

AVENTURAS GAÚCHAS (10)

Pela primeira vez na minha vida eu comi pizza com pedaços de carne sobre a massa. E olha que em termos de esoterismo de sabores até pizza de manga e coco eu já comi, mas do lado salgado era a primeira vez que eu comia uma pizza de carne. O preço não foi lá muito camarada. Também estávamos em uma cidade turística. Essa foi a nossa noitada em Gramado. Comer uma pizza. A cidade que já estava vazia durante o dia, de noite então dava pra contar nos dedos quantas pessoas nós vimos na rua.

Voltamos pro albergue. Eu ainda esperei terminar o Programa do Jô pra dormir. O café da manhã no dia seguinte era delimitado por um horário e nós não podíamos requisitar tal refeição depois das onze da manhã. Já eram mais de dez quando nós atravessamos a rua pra comer. O tempo estava instável com bastante nuvens e chuvas ocasionais. Na volta do café, ligamos pro tal escritório e reservamos nossos lugares no passeio e Canela que queríamos fazer. Com várias nuvens de chuva passando por cima da gente ficamos desconfiados se realmente iria ter esse tal tour. Arrumamos nossas coisas e deixamos trancadas no armário, com o consentimento da recepcionista do albergue. Qualquer eventualidade ou mudança de plano era só pegar e partir rumo a rodoviária pra voltar pra Porto Alegre.

Chegamos a cogitar em desistir do passeio, pois eram dez pras duas e estava chovendo. No entanto quando contactado novamente o escritório, a van já tinha deixado o local e estava catando as pessoas que nos acompanhariam. Fomos os últimos a entrar no veículo e entramos sozinhos. O motorista falou que as outras pessoas já estavam na primeira atração que iríamos visitar. Pra quem se interessar e um dia tiver oportunidade de ir praquele lado da serra gaúcha, o preço desse passeio em valores de outubro de 2005 é de vinte e cinco reais por pessoa, fora o ingresso das atrações e, claro, gastos pessoais.

O ‘Mundo a Vapor’, como o próprio nome já diz, é a demonstração feita em maquetes de como se faz e como é a ação desse tipo de mecanismo nos setores em que a máquina a vapor está habilitada em atuar, tais como agricultura, siderurgia, fábrica de papel e tijolos, entre outros. Logo na entrada, como fachada, há uma locomotiva caída do alto de uma estação ferroviária. Réplica de um acidente inusitado que aconteceu na França no início do século passado que causou a morte de uma jornaleira que teve a infelicidade de estar fazendo seu trabalho diante da estação. Réplica perfeita e digna de foto, assim como alguns demonstrativos na parte interna da atração. Nossa passagem por lá, especificamente, foi quase que meteórica, não por culpa nossa, mas como não tinha muita coisa pra se ver lá dentro e a gente também não queria atrasar as outras pessoas, cerca de vinte minutos foi o tempo que nós usufruímos do mundo a vapor e mais do que isso já era perda de tempo.

A chuva estava na entressafra, havia dado folga pra gente, e em assembléia geral e extraordinária com as dez pessoas que estavam fazendo aquele passeio, foi decidido que iríamos direto pra tão falada Cascata do Caracol. De acordo com o piloto tinham duas formas para a visitação dessa cascata. Uma era o mirante do parque do Caracol e a outra, que foi a que a gente foi, era o teleférico. Aí se fez valer todo o investimento feito no passeio. O lugar é maravilhoso, tem o visual deslumbrante. È um desbunde merecedor de várias fotos, inclusive a de um casal de macacos que apareceu entre as cúpulas das árvores. É encantador, mágico, maravilhoso, perfeito. Não tem uma definição. É só indo lá pra ver. Vale a pena mesmo. Existem três estágios pelos quais a cadeirinha, individual ou de dupla, passa. O estágio do meio é o do embarque, depois ele sobe e aí sim começa a descer. Na subida tem aquela famosa foto eletrônica onde aparece sua cara com a cascata ao fundo. Lá em cima se faz a volta e começa a descida.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

AVENTURAS GAÚCHAS (9)

O albergue mais parecia um hotel de categoria mediana devido sua apresentação e aparência, mas, claro, com características de albergue. Deixamos nossas coisas nos armários indicados, cada um com o seu e com sua chave, e decidimos dar uma volta na cidade. Andamos um bom pedaço, afinal um quilômetro e meio andando é um pedaço considerável, isso fora a volta e o que a gente iria andar dentro da cidade. O clima estava mais fresco do que em Porto Alegre. Era serra gaúcha. Já imaginara isso. Mas nada, por enquanto, de bater queixo. Por enquanto.

Com mapa debaixo do braço que pegamos no albergue para não nos perder, lá fomos nós rodar a cidade de Gramado. Pelo mapa estar bem desenhado, não tiramos dúvida com ninguém da rua nem com o centro de informações. Vimos todos os pontos turísticos do centro da cidade, tais quais a prefeitura e, mais a frente, a rua coberta, a catedral, o palácio dos festivais – esses três na mesma rua, se não do lado, na frente um do outro. Subimos na pequena colina que ficava a igreja do relógio e, de acordo com o mapa, o tal do mini-mundo ficava próximo dali. Próximo se estivéssemos de carro. A pé não era tão próximo. Mesmo assim arriscamos. Já que tínhamos que estar com disposição para andar, que aproveitemos tudo que dê pra ir, certo? Pois bem, ao chegarmos na porta dessa atração, onde tinha algumas fotos mostrando como era o interior, pensamos duas vezes antes de entrar. E não iríamos gastar dez reais pra ficar vendo uma série de maquetes. Pra criança pode ser bastante interessante, pra gente que já passou dos vinte e cinco, tínhamos outros interesses e não entramos nesse mini-mundo.

Até que conhecemos o centro de Gramado em tempo razoável. Alguns lugares, como o famoso ‘lago negro’ não teve o prazer de nos ter como visitantes. Era um local mais afastado. Antes de a gente pegar o rumo de volta para o albergue, passamos numa espécie de escritório que gerenciava passeios tanto por Gramado quanto por Canela. Nos informamos sobre os horários e os tipos de passeios que eles tinham pra Canela, visto que acabamos de conhecer Gramado. Nos interessamos por um. Perguntamos se eles fariam o tour no dia seguinte, pois o turismo na cidade estava em baixa temporada. Não deram certeza, mas pediram para que nós ligássemos na manhã do dia seguinte reservando nossos lugares.

Antes de terminar de fato a nossa visita pelo centro de Gramado e por já ser o caminho de volta para o albergue, subimos uma rua ornada com gigantescas velas ao seu longo e que terminava na tal da ‘Aldeia do Papai Noel’. Fomos só até a porta. Tinha que pagar pra entrar na aldeia e algo em torno de quinze reais por cabeça. Achamos caro. Eu, de minha parte, escrevi uma cartinha pra ele no Natal passado reclamando que é um absurdo ele cobrar um valor um pouco alto pra visitar a aldeia dele. Se ele até hoje sustentou aqueles duendes todos, as renas e a mamãe Noel sem nenhuma ajuda e mesmo assim eu ganhava os presentes, não iria ser agora que eu ajudaria. Ainda mais que estava começando a chover. Aí sim que voltamos pro albergue.

Duas horas. Foi o tempo que ficamos na rua. Antes de entrar no albergue de volta, uma pausa na padaria em frente pra tomar alguma coisa. Já no albergue ficamos descansando da longa caminhada. Eu agarrado no ‘Fortaleza Digital’ que já estava acabando. Um pouco mais tarde, já que não tínhamos nada pra fazer, voltamos pra cidade. Dessa vez de banho tomado e mais agasalhado. Tava frio de bater queixo e sair fumaça da boca, além da chuva fina que caia incessantemente. Queríamos comer, mas não sabíamos exatamente o que. Passando diante das opções de restaurantes disponíveis e todos completamente vazios, decidimos por uma singela pizza. Singela somente no tamanho porque o preço era bem temperado. Era gostosa, isso eu não posso negar.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

AVENTURAS GAÚCHAS (8)

E pensar que eu saí do Rio e estava crente que meus ouvidos não iriam, pelo menos naquele período, serem agredidos com o funk desagradável de Tati Quebra Barraco gritando ‘tô ficando atoladinha’. Mas naquele dia, com exceção desse tipo de música que eu me recusava a dançar, segui a risca o ditado que diz ‘se o estupro é inevitável, então relaxa e goza’ e aproveitei mesmo me lamentando um pouco.

Fomos dormir por volta das quatro da manhã e por conseqüência disso nosso planejamento de ida a Gramado estaria adiado em algumas horas. Não me lembro se nossas mochilas já estavam prontas ou nós arrumamos ao acordar – creio que a primeira alternativa é a mais coerente. Só sei que a gente saiu de casa próximo ao meio dia e fomos andando até a rodoviária. No meio do caminho paramos num restaurante oriental e almoçamos.

Quando a gente chegou na rodoviária procuramos logo um balcão de informações pra perguntar qual seria o primeiro ônibus que iria subir a serra. E, com um pouco de surpresa, ficamos sabendo que dentro de uns dez minutos sairia um ônibus para o destino que queríamos. Nem o Paulinho e nem eu havíamos estado anteriormente em Gramado, portanto faríamos as descobertas, os desbravamentos da cidade juntos. O horário do ônibus era o de meio-dia e meia e não havia poltronas juntas, apesar de ficarmos perto um do outro apenas com o corredor separando a gente. O Paulinho aproveitou pra tirar um cochilo enquanto eu, antes de fazer o mesmo, ainda agarrei no ‘Fortaleza Digital’ por alguns capítulos.

Descemos do ônibus em Gramado exatamente duas horas depois, às duas e meia da tarde. Como fazer pra chegar no albergue seria a primeira pergunta do que poderia ser uma série delas, mas foi a primeira e única, pra nossa sorte. E perguntamos no próprio guichê da rodoviária. Era um ônibus urbano como outro qualquer, mas ali mesmo compramos nossa passagem de um real e pouco e entramos no ônibus, já que havia um no ponto final que nada mais era uma outra plataforma da rodoviária que deveria ter no máximo cinco plataformas de embarque e desembarque, tudo junto, típico de cidade do interior. Pedimos pro cobrador nos avisar quando estivéssemos perto do albergue. Pela indicação que ele nos deu ao saltar teríamos que entrar na primeira rua a direita. Foi o que fizemos, mas o albergue não ficava na rua indicada. Avistei a placa e a entrada ficava a poucos metros de onde a gente saltou. Chegamos.

Cumprimos todas as formalidades de entrada em uma hospedagem e tiramos algumas dúvidas quanto à região. O albergue ficava a um quilômetro e meio do centro de Gramado e cerca de cinco e meio de Canela, ou seja, estávamos no meio do caminho, mas mais próximo de Gramado. Eu não tinha experiências em albergues. Nunca havia me hospedado em um. O Paulinho quando foi dar uma volta com a Aninha, irmã dele, pela Europa, se hospedou em vários, mas ficou impressionado com a beleza, limpeza, organização, localidade e até com o preço do que nós estávamos. Tanto que graduou como um dos melhores, talvez o melhor, que ficara até então. A diária não chega aos trinta reais com o café da manhã incluído para quem não tem carteirinha de sócio. Para quem tem o preço é reduzido em mais seis reais. O albergue estava vazio e um dos quartos com aquela dezena de cama ficou só pra gente. Depois, mais tarde, bem mais tarde, vimos mais algumas pessoas que ocupavam outros quartos, mas nada que causasse constrangimento, por exemplo, na hora do banho, já que o banheiro é coletivo com três ternos de chuveiro, privada e pia. E mulheres e homens habitavam locações diferentes. Havia os quartos de casal e o que eles chamam de quarto família. O preço era um pouco diferenciado, mas havia essa opção para quem quisesse. Tínhamos direito a um pequeno armário para guardar nossa mochila, roupa de cama e banho. Um show.