domingo, 23 de abril de 2006

AVENTURAS CURITIBANAS (7)

Sexta-feira fiquei em casa o dia todo. Apenas a noite que fui com meu primo Guilherme rodar pela noite de Curitiba. Na quarta tínhamos saído somente pra jantar. Dessa vez era diferente, um outro tipo de saída, com outra proposta e finalidade. Uma conhecida dele que faz backing vocal numa banda de reggae iria se apresentar na casa de shows Via Rebouças, perto da Ambev. Fomos os primeiros a chegar lá. Depois que a bilheteira garantiu que realmente iria ter a apresentação, pois estávamos dentro da hora divulgada, garantimos o nosso e demos uma volta pela cidade. Fui apresentado a alguns points da cidade. Acabamos por parar num bar onde alguns amigos dele lá estavam. Eu, como sempre, acabei na caipirinha de cachaça. O bar era próximo ao ponto final do ônibus que faz a ligação entre o bairro em que o tio Sérgio mora e o centro. Ficamos ali por cerca de uma hora. Depois cada um foi pra um lado e nós voltamos pro local do show.

Agora sim aberta e com a entrada livre, é um lugar bem amplo e espaçoso. Logo no início ele encontrou a tal menina cantora. O mote da apresentação era um tributo ao Bob Marley, mas eles cantariam músicas de própria autoria. A casa não estava cheia. Dava pra circular tranquilamente mesmo com o mezanino onde haviam mais mesas fechado para o público. Não havia a necessidade de liberar aquele espaço. Tava tranqüila. Tanto que nós ficamos durante um bom tempo sentados numa mesa até o show começar. Depois ficamos em pé, mais perto do palco. O show foi excelente e a banda é boa. No final grande parte da galera, principalmente os mais amigos e fãs do ritmo, estava empolgada e dançando na frente do palco. O investimento teve um bom retorno de satisfação garantida. Voltamos pra casa e dormimos.

No sábado, a única coisa que fiz de diferente foi acompanhar tio Sérgio e tia Sandra até as Casas Pernambucanas, de modo que ela queria comprar um tapete pra colocar na sala da casa. A impressão que eu tenho é que as Pernambucanas se expandiu, mas depois teve que ser enxugada, provavelmente por causa do excesso dos seus credores. Não lembro de ter visto uma Pernambucanas em Porto Alegre, mas provavelmente deve ter. Em São Paulo, quando estive lá, vi uma na Praça da Sé. No Rio é quase certo que tenha também, mas aqui em Niterói já teve. Hoje em dia não mais. E era uma loja famosa, bem concorrida. Assim como as Pernambucanas, as Lojas Brasileiras também já passaram por aqui e se extinguiram. As Americanas continuam firme e forte. Aproveitando esse gancho antes da gente voltar pras Pernambucanas, uma loja que eu não dava nada quando ela surgiu e me surpreendeu tamanha a expansão foi a Casa e Vídeo. Tem alguns pontos do Brasil em que ela ainda não se instalou, mas que ela ta crescendo não há duvida.

Era a quarta vez que eu ia ao centro de Curitiba em seis dias. Dali a dois, na manhã de segunda, eu pegaria o avião de volta pra casa. Ainda tinha o resto do fim de semana pra curtir. E ninguém melhor que meu primo Guilherme pra me ciceronear no que dizia respeito à noitada curitibana. Dessa vez, em pauta, um show cover da Janis Joplin. Antes fomos na casa de um amigo dele atrás do Jardim Botânico que nos faria companhia durante a saída pela noite. Outra rodada de carro pela cidade, algumas comemorações de halloween, e paramos num lugar chamado Motorradio, onde acontecia o evento. Vários conhecidos e amigos dele estavam por lá. O lugar era apertado. Muito diferente do que nós fomos na noite anterior. Por ser pequeno e ter uma quantidade considerável de gente a casa estava cheia. Não chegou no nível de insuportavelmente lotada. Dava pra andar e agitar o corpo numa simulação de dança. Quando a gente chegou lá, ainda não era a banda cover da Janis Joplin que estava se apresentando e sim outra de som agradável que abriu o show da banda cover.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

AVENTURAS CURITIBANAS (6)

A Torre Panorâmica da Telepar, atual Brasil Telecom, está para Curitiba como o edifício do Banespa está para São Paulo, ou seja, você tem a cidade aos seus pés. A diferença entre eles é que no Banespão não se paga pra subir e lá em cima fica-se ao sabor do tempo enquanto os três reais gastos na Telepar te dão proteção, que em se tratando de Curitiba, se fosse ao ar livre, seria um desastre. Em alto-relevo, no chão, um mapa que agora não me lembro se era da cidade ou do estado do Paraná, só me lembro que tinha os pontos cardeais e as fronteiras explicitadas. Perto da maioria dos janelões panorâmicos tinha um totem com a foto da mesma vista indicando os pontos com mais destaque. Só assim pra saber o que a gente tava vendo ali. Uma visita que não ultrapassou a meia hora de intervalo entre a passagem de um ônibus e outro.

O centro histórico seria o próximo ponto. Eu já tinha ido lá com o André na véspera, mas quis voltar lá por causa das fotografias não tiradas por falta de pilha na maquina. Desci no que eles chamam de setor histórico e pelo fato de eu já ter estado lá, tinha mais ou menos uma noção de onde ficavam os outros pontos pelos quais o ônibus passava e que eu iria a pé. O Setor Histórico abriga as ruínas da igreja de São Francisco de Paula, nunca concluída, o Relógio das Flores, a Fonte da Memória, a Fundação Cultural de Curitiba, antigos casarões transformados em espaços culturais e onde aos domingos tem a feira de artesanato. De lá segui para a Praça Tiradentes, marco zero da cidade onde está erguida a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Logo após fui pra Rua das Flores, trecho da principal rua de Curitiba, foi o primeiro calçadão para pedestres do país e um dos marcos da revolução cultural da cidade. Em seguida passei na Rua 24 horas e esperei o ônibus chegar pra terminar de fazer o passeio e descer de volta no Jardim Botânico.

Para o tour terminar faltava passar diante do centro de convenções e do museu ferroviário, o qual eu também tinha visitado no dia anterior. Nem deu pra tirar foto. E como último ponto antes de eu deixar o ônibus em definitivo, e desse eu consegui tirar uma foto de dentro do ônibus mostrando sua totalidade de uma distância razoável, passamos pelo Teatro Paiol. Uma obra construída em 1906 para ser um paiol de pólvora que foi reciclado e se tornou um teatro de arena em 1971. Batizado pelo poeta Vinícius de Moraes marca o início da transformação cultural de Curitiba. (Essas informações eu copiei do folder que a gente pega nas centrais de informações ao turista.)

Desci no Jardim Botânico terminando o meu passeio. O casaco e o guarda-chuva foram só de enfeite, pois aquele foi o único dia de mormaço da cidade enquanto estive lá, no entanto não custava nada levar na mão. Até por que se eu não tivesse levado aí sim o frio e a chuva seriam companheiras inseparáveis do passeio. Fui para o ponto do ônibus de linha e esperei passar o único que acessa o bairro em que tio Sérgio mora. Ao avistá-lo fiz sinal. Ele parou, eu subi e fui avisado pelo motorista que aquele não era o ponto em que ele parava. Aquele era pra outras linhas de ônibus. O ponto certo era mais a frente. Se fosse aqui no Rio eu iria ficar mofando por um bom tempo. O motorista foi educado e compreensivo.

Cheguei em casa cansado e com fome. Não tinha comido nada. Só tinha tomado um copo de milk-shake de Ovomaltine na Rua das Flores há poucas horas. Como já se aproximava a hora do lanche não comi comida. Tomei um banho e lanchei. A Matilde, tia Sandra e André estavam em casa e ficaram ouvindo as minhas peripécias. Aquele dia deu pra cansar mesmo. Depois eu ainda peguei a máquina e selecionei algumas fotos, as que ficaram piores, para apagar. Foram só umas duas ou três, nada além disso. Vai que eu quisesse tirar mais uma foto da gente? Teria que deixar espaço na memória da máquina. No entanto, (in)felizmente não foi preciso. Curitiba já estava registrada.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

AVENTURAS CURITIBANAS (5)

E por falar em papa, há poucos metros do museu fica outro ponto turístico. O memorial polonês também conhecido como bosque do papa já que o papa era polonês e aproveitando a primeira visita dele por várias capitais, inclusive Curitiba, no início dos anos oitenta, a forma com que a cidade resolveu homenageá-lo foi fazer essa réplica de uma aldeia polonesa com casas de madeira dentro duma espécie de bosque e com uma estátua de João Paulo II quase que em tamanho real. Quando eu estava saindo de lá, passa o ônibus. Sinal de que eu teria que ficar mais meia hora esperando para pegar o próximo. Como não tinha outra solução, foi o que fiz.

De lá o ônibus andou um bom pedaço e passou no Bosque Alemão. Primeiro na parte de baixo, onde tem um pórtico bonito, bem conservado e merecedor de foto, e depois na parte de cima, onde quem pega a jardineira costuma descer naquele ponto pra explorar o bosque de cima pra baixo e pegar a condução de volta em frente ao pórtico. Depois foi para a Universidade livre do Meio Ambiente. Aí me bateu a dúvida. Desço ou não desço? Aquele comichão foi tomando conta de mim, mas resisti e não visitei a famosa universidade. Dei preferência pro Ópera de Arame dali a dois pontos. Antes viria o Parque São Lourenço, uma antiga fábrica de cola que deu lugar a um centro de criatividade. A proposta é interessante, mas não iria gastar meu tempo e mais um tíquete ali. A Ópera era o próximo destino e era lá que eu queria soltar a minha porção fotógrafo pra valer.

Todos os ângulos possíveis e imagináveis foram explorados por mim e minha poderosa máquina digital, tanto no Ópera de Arame quanto na pedreira Paulo Leminski que fica ao lado. Uma do lado da outra, dividindo a mesma entrada. Ópera à direita e Pedreira à esquerda. Me lembro que quando o programa Som Brasil voltou à grade de programação da Rede Globo repaginado como linha de show, o primeiro que foi o da Simone, foi gravado ali. E estavam anunciando para dali a duas semanas um show da Ivete Sangalo. Quando eu estava deixando a pedreira, numa lojinha de lembranças pedi informações sobre a distância dali pro Parque Tanguá. Cerca de quinze minutos a pé. Mais uma vez aproveitei o custo benefício entre tempo e dinheiro, e andei um pouco mais para visitar o parque.

Esse talvez foi um dos parques onde passei mais tempo pra visitação e devo ter tirado o maior número de fotos, claro que provavelmente devo ter apagado uma ou outra pra caber mais, mas é maravilhoso, bem cuidado e conservado, apesar da fonte centras estar seca, sem água (o que não é desculpa para uma cidade como Curitiba). Mas é deslumbrante. Nem dá vontade de sair de lá. Mas o passeio tinha que continuar. Infelizmente. Próxima parada, Parque Tinguí, homenagem aos habitantes indígenas da cidade e o Memorial Ucraniano que é uma réplica da igreja de São Miguel, na serra do Tigre em Mallet. Desse, eu só tirei duas fotos de dentro do ônibus do memorial.

Santa felicidade. Não, isso não é mais uma exclamação do menino prodígio Robin. È um dos bairros mais famosos de Curitiba, de colônia italiana com restaurantes e adegas maravilhosas, mas que ainda não merecia uma descida e por falta de tempo não teve registro fotográfico, nem do bairro e nem do portal italiano que indica seu início.

O mesmo comichão da Universidade Livre do Meio Ambiente me possuiu quando o ônibus se aproximava do Parque Birigui, mas quando passamos em frente resolvi esperar pra ver, pois eu estava decidido a descer no ponto seguinte, a Torre Panorâmica da Telepar. Na verdade, e só depois que desci do ônibus que percebi isso, a distância não é tão longa entre um ponto e outro. Talvez o mesmo tempo gasto entre o Ópera de Arame e o Parque Tanguá, no entanto não repeti a façanha. O que mais me aguçava a curiosidade no Parque Birigui era o museu do automóvel.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

AVENTURAS CURITIBANAS (4)

Depois de um tempo lá e um montante de fotos, me encaminhei pro ponto do ônibus. Essa linha é específica pro turismo. Quando se entra no ônibus tipo jardineira obrigatoriamente se desembolsa quinze reais e o primeiro dos cinco ‘vale-transporte’ é destacado. Isso é sinal de que se tem direito a descer em mais quatro pontos turísticos dos vinte e cinco pelos quais passa o ônibus. O único ponto que eu iria descer certamente seria no Museu Oscar Niemeyer. Quanto aos outros teria de entrar em fase de negociação e fechar o negócio comigo mesmo. E em relação aos pontos em que não iria visitar, faria de tudo para tirar uma foto do local de dentro do veículo. Claro que não deu pra fazer isso com todos os pontos. Algumas fotos mal acabavam de ser tiradas e imediatamente foram apagadas da memória. Outras nem chegaram a ser tiradas devido ao péssimo ângulo ou rapidez de movimentação do transporte ou por que não deu tempo mesmo.

Partindo do Jardim Botânico e acompanhando o itinerário, o primeiro ponto é a rodo ferroviária e mercado municipal, seguindo para o Teatro Guairá e a Universidade Federal do Paraná, ambas na frente a frente separadas por uma praça entre os dois e ambos com fotos tiradas e permanecidas no álbum. Em seguida, com uma proximidade menor, surgiram o passeio público e o memorial árabe. Este último sem registro fotográfico. Logo após passa-se pelo centro cívico, sede dos poderes do estado do Paraná e na seqüência o museu. Aí tive que descer.

O ‘olho’ como é conhecido é mais uma criação do arquiteto mais famoso do Brasil. Antes de entrar larguei o dedo na máquina e fui tirando fotos dos mais variados ângulos da construção. O ingresso custou quatro reais e com mais um, na ‘promoção’, eu tinha o direito de levar comigo, como lembrança, um porta-treco. Foi o que eu fiz, mas ao chegar em casa, depois do passeio, percebi que na verdade ele não portava nada, tinha um acabamento mal feito e um buraco, além do principal. Entrei primeiramente, conforme indicado pela simpática funcionária, na galeria de cima e depois de ver as obras, - não sou daqueles que ficam horas na frente de um objeto e arte analisando cores e detalhes, vejo a obra como um todo e no máximo leio as etiquetas que descriminam título, autor e ano de concepção do trabalho – fui para a galeria subterrânea, onde existem vários espaços ficam expostas principalmente as artes plásticas. Um desses espaços é dedicado ao próprio Niemeyer onde se juntam fotografias e maquetes das suas construções pelo mundo, dentre elas uma mesquita na Argélia, o MAC e o Caminho Niemeyer daqui de Niterói. Desse espaço mesmo se avista a entrada de um pequeno túnel, ligação ente a galeria e a torre do ‘olho’. Subindo os lances de escada (tem elevador também) estavam expostas fotografias de várias casas feitas de madeira pelo interior do estado. Me lembrei logo do Castelinho do Caracol em Canela. Não me recordo se as casas clicadas eram somente do interior do estado do Paraná ou englobava a região Sul inteira e nem de ver especificamente o Castelinho. Na ‘retina’ do ‘olho’ esculturas de madeira de uma artista latina, creio que uruguaia. Exigia uma foto. Não as esculturas de madeira, mas da vista de lá de cima pra cá pra baixo. Como em um dos lados, mais precisamente na parte de frente, não tinha uma perspectiva boa para a foto, tirei da parte de trás, não só pelo fato de ter um horizonte, mas também por que dali dava pra ver de cima a próxima atração que eu iria, o ‘Bosque do Papa’, há pouquíssimos metros do museu. Saí do museu maravilhado. O mesmo talvez não acontecesse com a minha mãe. Ela tem implicância ou com o MAC ou com o próprio Niemeyer, daí o fato de nunca ter entrado no museu símbolo de Niterói que chegou a desbancar tanto a pedra de Itapuca quanto o próprio índio Araribóia, antigos ícones da cidade. Já eu acho que o Niemeyer foi um divisor de águas além de papa da arquitetura.