segunda-feira, 31 de julho de 2006

COM LENÇO, MAS SEM DOCUMENTO

Já contei aqui que fui roubado no dia seguinte em que cheguei a São Paulo e que consegui recuperar parte do que me tomaram. No entanto, os principais documentos – identidade, CPF e carteira de motorista – além do cartão do banco não voltaram pras minhas mãos. Passei todo o mês de junho em São Paulo andando com o boletim de ocorrência no bolso. Tem um serviço muito bom lá chamado Poupa Tempo onde se tira segunda via de documentação com uma certa facilidade e rapidez, mas eu teria que mudar todos os prontuários dos documentos pra lá pra poder tirá-los novamente. Resolvi esperar e voltar pro Rio pra reavê-los.

Existe uma lei, que segundo o que consta é estadual, dizendo que o boletim de ocorrência isenta a vítima de pagar taxas para tirar a segunda via. Eu estava contando com ela para me beneficiar. Quando fui ao Detran munido do papel de São Paulo a informação que obtive é de que como a lei é estadual o registro de lá não servia pra cá. Bem, eu acho que se a lei é estadual deve beneficiar os cidadãos cuja base da sua documentação fique em qualquer cidade dentro do Estado do Rio de Janeiro não importando se ele foi roubado em São Paulo, na Bahia ou no Acre. Esse é um tipo de interpretação que precisa ser bem debatida e posta em prática.

Enfim, na esperança de me fazer valer dessa vantagem, que supostamente estava a meu favor pedi conselhos pra Milena e pro Fernando, meus primos e excelentes advogados. Eles me instruíram pra ir à delegacia e fazer uma ocorrência por aqui. Cheguei na delegacia e o policial lá me disse ara entrar no site da delegacia virtual pra fazer a minha queixa on line. Voltei pra casa, entrei na internet e fiz o registro. Três folhas foram geradas, uma pra cada documento. Dois dias depois volto eu no Detran munido da lei, do papel de São Paulo e dessas três folhas. Disseram que o procedimento estava certo, mas que deveria ter um carimbo da delegacia de repressão de crimes de informática (DRCI). Voltei pra delegacia e disseram que essa delegacia específica ficava no centro de Rio, na rua da relação que, em relação às barcas não é muito perto. Pra ser franco é longe pra cacete e anda-se um bom pedaço. Lá estando, pedindo informações, descobri que não era lá e sim próximo ao sambódromo. Andei mais um pouco. Finalmente cheguei na DRCI, mas, por pura falta de sorte, o sistema estava fora do ar e a polícia não pode fazer nada, muito menos eu.

Dias depois, recuperado da andança e de fôlego e paciência recarregados volto eu lá pra perto do sambódromo torcendo pra que dessa vez o sistema (de informática) estivesse conspirando a meu favor. E estava apesar do policial não ser tão gentil comigo. Também não foi grosso. Foi indiferente. O tal papel que eles teriam que carimbar deu cria e a polícia gerou outro, cada um pra cada documento devidamente carimbados e assinados. Volto eu pro Detran com essa resma de papel na mão e eles alegam que não haveria problema caso na ocorrência não estivesse escrito extravio. Ou seja, muito barulho por nada. E o pior é que está escrito no registro de SP que aquele papel não é válido como documento sendo apenas para obtenção de segunda via e garantia de direitos jurídicos.

Se eu tivesse que depender da boa vontade da polícia carioca eu morreria como indigente. Resolvi pagar as taxas e retirar os documentos. A habilitação já está em minhas mãos, a identidade dentro de um mês. Mas o que mais me deixou jururu foi que dentro da legalidade eu não pude exercer o direito que me é concedido. Até poderia ir a qualquer delegacia e ter mentido dizendo que tinha sido roubado há poucos minutos atrás, mas o meu receio nesse caso é que, bem ou mal, meu registro está nos autos policiais e se eles quisessem cruzar os dados eu poderia me ferrar. Mas no fundo, são eles que nos obrigam a sermos ilegais para que a legalidade esteja a nosso favor.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

PANDORA

Está rolando desde o dia treze de julho uma campanha pra batizar o símbolo dos jogos pan-americanos que vão acontecer a partir do dia treze de julho do ano que vem no Rio de Janeiro. Geralmente mascotes de jogos olímpicos são animais, ou alguma coisa que os lembra. O urso Micha das olimpíadas de oitenta em Moscou, ou até o próprio leão estilizado da copa do mundo da Alemanha. No Rio essa tradição foi quebrada. O único bicho que eu me lembro que pode representar a cidade é o Zé Carioca. Mas esse já foi criado e é de propriedade americana. Então, para simbolizar o Rio e Janeiro desenharam e criaram um sol. Faz sentido. Rio, sol, carnaval. Está tudo dentro dos conformes. Os três nomes escolhidos para serem votados são Cauê, Luca e Kuará.

Cauê vem da língua tupi. È o nome próprio, provavelmente derivado de Auê, que é uma saudação tupi. Em dicionários de nomes significa “homem bondoso”. Faz parte de uma lenda que evoca a nossa mistura de raças e a colonização do Rio de Janeiro. Cauê seria filho de uma branca, a francesa Amanda, e do cacique Ararê.

Luca vem do latim e significa “luminoso”, “nascido na terra da luz”. Representa o Rio, o Brasil e os trópicos: terras de luz. Faz referência à origem latina de nossa língua portuguesa.

Kuará vem do Guarani Kwaray, o sol. Na cultura deste povo, é o filho do deus criador e representa a igualdade e o caminho do bem. Faz parte da lenda da criação do mundo para os guaranis. Essas informações foram tiradas do site pan2007.globo.com.

Eu não dei o meu voto e nem vou dar. Pra mim o nome do solzinho tinha que ser pandora. Não tem um significado especial. O que tem não tem nada a ver com os jogos pan americanos. Ou até pode ter visto que ao ser aberta a caixa de pandora, segundo a mitologia, a única coisa que ficou dentro da caixa foi a esperança. E se espera muito do Rio para que ocorra tudo bem em todos os setores. Não só nos jogos, mas principalmente no entorno como transporte e segurança. O ideal seria manter em atividade todos os avanços que a cidade terá por conta do pan americano, mas daí a se concretizar são outro quinhentos. Na música ‘Dona Doida’ de Rita Lee ela diz que ‘a vida é uma caixa de pandora e se abrir estoura dinamite’. Esse dado não interfere em nada do que eu to falando. Só liguei o fato dela também falar e dar uma outra interpretação à caixa de pandora.

A conclusão que eu cheguei em escolher esse nome para o mascote dos jogos do Rio no ano que vem não tem nada de extraordinário. Pandora seria apenas a junção de pan, do próprio pan americano com dora que vem de dourado que se não é a cor do próprio sol é a cor que ele deixa no corpo de quem curte uma boa praia. E praia além de ser a cara do Rio não há outra combinação senão com sol. Claro que eu sou carta fora do baralho. Afinal a minha opinião não está entre as três pra ser escolhida e nomear o símbolo do Rio 2007. Guardemos então a caixa de pandora pra outra oportunidade.

As obras estão em andamento. Algumas bastante atrasadas, mas com promessas de serem entregues em tempo. Acredito que serão, mesmo que sem o acabamento necessário. O maracanãzinho, coitado, tá todo descassetado. È o mais atrasado. Assim como as obras do autódromo que estão sendo feitas a toque de caixa sem mudar o traçado do circuito. O estádio do engenhão parece que segue normalmente, mas a mais avançada é a Vila do Pan, até por causa da especulação imobiliária, de modo que os apartamentos serão vendidos logo assim que o Pan acabar. Nesse caso, se por ventura o Rio sediar uma olimpíada de verdade teria que ser construída outra vila pan americana? Ainda na linha de eventos esportivos há a expectativa da Copa do Mundo de 2014 ser aqui no Brasil. O desenvolvimento do Pan pode ajudar ou prejudicar nessa candidatura.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

EH SÃO PAULO

Quem me acompanha nesse espaço notou a minha ausência durante a Copa do Mundo. Infelizmente não fui pra Alemanha nem por conta própria, nem a convite de alguém e muito menos por conta de uma premiação qualquer. Durante o campeonato mundial de futebol fiquei em São Paulo. Eu cheguei a escrever sobre o início da campanha da seleção brasileira, ou melhor, da Copa, mas pelo fato de estar sem acesso à internet lá não cheguei a postá-lo. E depois do vhexame (que tal esse trocadilho?) não tem nem o que comentar.

Fiquei em São Paulo trabalhando no casting de figuração do filme do Bruno Barreto chamado ‘Caixa 2’ que deve estrear em outubro nos cinemas. Mês bem propício pra se falar em caixa dois de modo que as eleições também são realizadas nesse mesmo mês. E a história do filme também tem a ver com a relação entre o ser humano e o poder. O roteiro é muito interessante, engraçado e bem estruturado. Baseado na peça de mesmo nome do Juca de Oliveira, o próprio Juca e Márcio Alemão adaptaram a peça pra cinema. Do elenco da peça só o Fulvio Stefanini que permaneceu no filme interpretando outro papel. Na peça ele fazia o personagem que o Cássio Gabus Mendes faz no filme e no filme ele faz o papel que o Juca fazia na peça, ou seja, o Luis Fernando, dono do ‘Banco Federal’. Além dos já citados, o elenco principal do filme conta com Geovana Antoneli, Thiago Fragoso, Zezé Polessa e Daniel Dantas.

A cidade continua angustiante, com prédios pra todos os lados em que se olha. E pra quem teve a oportunidade de vê-la de cima por várias vezes, chega ser angustiante. A cidade não tem fim, não tem limites e cresce cada vez mais. Isso sem contar a nuvem negra de poluição que a encobre. Aqui pelo menos o mar é nossa linha limítrofe. Quando dizem que o Rio termina no mar é a mais pura verdade.

Voltei de lá na hora certa. Aqueles ataques que aterrorizaram a cidade no mês de maio voltaram à tona semana passada. No entanto o que mais me espantou foi que eu fui vítima da mais antiga e silenciosa forma de assalto já sabido em toda cidade grande. No dia seguinte em que cheguei lá, fui pra produtora pegar no batente. Horas depois de chegar lá percebi que o local da mochila destinado a minha carteira estava aberto. Achei que havia esquecido em casa, pois foi o último objeto que mexi antes de ir pra lá. Por sorte coloquei a chave de casa dentro da moedeira, senão não teria como entrar em casa novamente. Poucos minutos depois dessa constatação recebo um telefonema da minha mãe dizendo que alguém da Saraiva – tinha um cartãozinho da livraria dentro da minha carteira – ligou pra lá avisando que meus documentos estavam no setor de achados e perdidos do metrô da Praça da Sé. Fui vítima de um batedor de carteiras que na mão leve, sem eu perceber e nem sentir nada levou a minha. Só levou a carteira. Na mochila objetos cujos valores somados passariam de R$1.000.

Eu que nasci no estado do Rio, dito um dos mais violentos e que nunca sofri nada desse tipo aqui fui pra São Paulo pra ser roubado. Ou seja, São Paulo está precisando mais de segurança que o Rio, daí a eclosão novamente dos ataques e dos atentados contra agentes penitenciários. Mas isso é um outro assunto.

Quanto aos meus documentos (sem fazer alusão à pasta do Windows) dois dias antes de voltar pra casa fui na Praça da Sé pela terceira vez em um mês atrás deles e qual foi a minha surpresa ao vê-los quase todos lá dentro de um pequeno plástico prontos para serem devolvidos a mim. Além do cartão do banco e da nota de cinqüenta reais não reavi também minha identidade, meu cpf e minha habilitação. Mesmo com toda essa dor de cabeça e apesar de não gostar muito da cidade em si, pretendo voltar à São Paulo várias e várias vezes. Vamos ver se de repente me aparece na caixa de correios o convite da estréia do filme. Sendo assim, Dutra ou ponte aérea me aguardem.