segunda-feira, 28 de agosto de 2006

MEU MUNDO CAIU

Uma decisão tomada essa semana por cientistas astrônomos do mundo inteiro e divulgada me deixou de queixo caído. A gente quando criança que começa a estudar e observar o mundo faz umas construções que depois ficam difíceis de serem derrubadas. Essa foi uma. Desde quando aprendi, creio que na 3ª série, decorei a ordem dos planetas no sistema solar. Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Depois ainda descobriram algo semelhante a um planeta que no caso seria o décimo, mas não concederam a patente de planeta pra ele, que nem me lembro mais o que era. Agora, decidiram que Plutão não é mais um planeta. Como assim? Só porque tá longe da Terra, ou tem um tamanho n vezes inferior ao planeta azul? Então por que o colocaram como planeta se as características que ele possui não dão o grau de componente do sistema solar? Pra mim Plutão sempre será o nono planeta do sistema solar, queiram ou não os cientistas desocupados que resolveram rebaixá-lo.

Seguindo essa linha de derrubada de mitos, tive medo de ir ao cinema e ver o filme do novo ‘Superman’. Sou conservador até na ficção. Na minha concepção o homem de aço é o Christopher Reeve que viveu o personagem em uma série de quatro filmes entre o fim da década de setenta e o início da de oitenta, ou seja, minha infância. Eu até acompanhava uma série chamada ‘Lois e Clark’ e uns poucos episódios do ‘Smallville’ que também falam do Super-homem pra linguagem da televisão. Mas no cinema, aquele ‘Superman’ é imbatível pra mim. Mesmo agora depois de morto. Fica até esquisito dizer que o Super-homem morreu, mas, obviamente, não é a personagem, mas o ator que a interpretou. Em maio de 95, após a queda de um cavalo ele fraturou uma vértebra e ficou tetraplégico. De lá pra cá se tornou cobaia em vários experimentos científicos, principalmente com células-tronco, mas infelizmente deve ter uns três anos que ele voou dessa pra melhor.

Mitos caem mesmo quando eles cientificamente não foram levantados. Outro exemplo é o olho. No curso que faço de pós-graduação aos sábados pela manhã, tem uma matéria que foi iniciada há duas semanas, abrindo o último módulo do curso, chamada Teoria da Imagem, que começou explicando o olho na sua parte fisiológica, o seu funcionamento físico e químico. E por conta dos cones e bastonetes que existem nele associados com a intensidade de raios incidentes nas superfícies dos objetos é possível – pelo menos foi isso que foi afirmado em sala de aula – distinguir a cor de cada objeto. Ou seja, a cor é só o reflexo da intensidade da luz de modo que uma coisa que se vê de cor cinza, por exemplo, não e cinza, e sim fruto da sua imaginação combinada com a física e química do seu olho. Pode ter uma explicação científica plausível, mas não me é convincente. Pra mim o cinza vai ser sempre cinza, o azul, o verde, o amarelo, o vermelho e qualquer outra cor, mesmo aquelas que eu não sei identificar, tipo fúcsia, serão sempre cores e não reação químico-física do meu olho.

O mundo está em constante transformação. Acompanhei a divisão do estado de Goiás em dois (Goiás e Tocantins) e os mais antigos acompanharam o mesmo com o estado de Mato Grosso. Isso eu aceito por que não houve a supressão de nada, apenas transformações, mas as terras continuam lá, do mesmo jeito que a Rússia para com a União Soviética, A Iugoslávia, para com a Bósnia, Sérvia, Montenegro e etc... Berlim para com a Alemanha.

Mas tenha a santa paciência. Destituir Plutão do seu posto de nono planeta do sistema solar é uma sacanagem. Tudo bem que isso não vá interferir em nada na vida terráquea. Eu sou defensor ferrenho de Plutão. Ele não pode ser substituído, se é que tem outro planeta em vista para tal. Dizer que o mundo não é colorido, que tudo é fruto de efeitos físico-químicos também é demais. E esse ‘Superman’ não é convincente.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

JOGO CONTRA

Não me lembro bem se foi no início do ano passado ou no fim do retrasado quando a Ediouro lançou o ‘Almanaque Anos 80’. Estava no auge da festa ploc, que em São Paulo tem o nome de trash. A festa ainda rola em vários lugares, não com a mesma intensidade da época, mas certamente pelo fato de ter cativado a geração anos 90. Eu li esse almanaque de cabo a rabo e fiquei feliz por terem conseguido condensar a minha infância num único volume de um livro. O sucesso foi tão grande que chegaram a lançar dois discos com catorze musicas cada, um nacional e outro internacional de músicas que foram sucessos na década referida.

Esse ano, eu estava em São Paulo quando passando na livraria de um shopping me deparei com o ‘Almanaque Anos 70’ da mesma editora. Confesso que esse eu ainda não li e não sei se terei o mesmo entusiasmo ao lê-lo de modo que conta a fase de outra geração apesar de eu viver os resquícios dela. Na última quarta-feira, a autora desse, a jornalista Ana Maria Bahiana, falou em entrevista ao programa ‘Sem Censura’ da TVE que a década de setenta teve um marco divisório nítido e que seriam duas décadas em uma. Eu deduzo que ela chegou a essa conclusão porque aos meus olhos essa talvez tenha sido a década mais acelerada do século vinte. Acelerada nos termos principalmente da tecnologia, ou seja, uma rápida evolução de tudo o que se consumia. Quem viveu esse tempo é mais tarimbado pra dizer o real motivo desse divisor de águas.

Que bom que se tem essa maravilhosa idéia de registrar em livros, melhor dizendo, em almanaques a moda, o costume, os hábitos dessas décadas. E, pelo que se consta, não vão parar por aí. O registro da década de sessenta está por vir. Eu fico imaginando como se fazer um livro desse, onde uma imensa pesquisa é feita, se só se utilizasse os centros de documentação e arquivo existentes na cidade. Provavelmente iria sim ser lançado, mas não com um intervalo de tempo tão curto quanto esse. A elaboração, apesar de moldes pré-estabelecidos inclusive no conceito de diagramação e edição dos livros, custaria a sair, creio eu, caso nós não tivéssemos, por exemplo, uma internet pra trocar figurinhas.

O tempo joga a favor, nesses casos, mas contra no dia-a-dia. O dia tinha vinte e quatro horas nas décadas de setenta e oitenta como tem hoje, mas não parece. A cada dia que se acelera na evolução a fim de se economizar tempo, principalmente, a impressão que se tem é de que o tempo também acelera. A minha geração teve, não sei dizer se o privilégio, de crescer acompanhando essas mudanças. Quando minha avó me deu uma vitrolinha no meu aniversário de quatro anos de idade – que, aliás, mantenho pela afetividade, apesar de não funcionar perfeitamente tanto pela idade quanto pelo tipo de mídia que não existe mais - mal sabia ela que o vinil dez anos depois estava condenado a sumir das lojas. Se fosse hoje, eu ganharia um som com cd player, que nada mais é que um toca disco moderno, ou seja, a vitrola da nova geração. E já profetizam o fim do cd. Agora MP3 e I-POD’s são a coqueluche do mercado no patamar de aparelhos de som portáteis. (Ah! A minha vitrolinha também é portátil. Mas além dela tinha que carregar penca de vinis.)

Além dessa tecnologia toda, a gente fazia pesquisa em livros, enciclopédias – a boa e velha Barsa – que hoje são todos os volumes condensados em um único cd-rom. O computador é indispensável e quem não sabe utilizá-lo em grande parte de suas ferramentas é praticamente um analfabeto. Hoje em dia é tudo no sistema. Os caixas de banco, pra desespero dos velhinhos aposentados que faziam a fila do banco seu ponto de encontro e esperavam ansiosamente para serem atendidos pelos funcionários, se transformaram em máquinas de auto-atendimento. Imagino Graham Bell e um celular.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

SORRI

Nada como um dia após o outro. Isso é um clichê, mas também é a mais pura verdade. Ano passado o urubu pousou sobrevoou minha cabeça no mês de setembro. Esse ano foi mais cedo, no mês de julho. Foi só eu voltar de São Paulo que lá veio ele pousar no meu ombro. No entanto agora ele tá sinalizando levantar vôo. Sinto que as asas dele já estão sacudindo e dentro de pouco tempo ele vai embora pra voltar no próximo ano. Dizem que todos nós passamos por um inferno astral e essa fase é no mês anterior ao aniversário. O meu tá sendo agora justamente pra quebrar essa regra.

Não vou ficar aqui me lamuriando, contando minhas mazelas e as porradas que me foram dadas pela vida todas concentradas nesse mês, pelo menos até agora as mais fortes, até porque uma parte delas foi contada na última postagem. Isso tudo está me servindo de lição. Estou aprendendo muito, talvez na melhor escola que é a da vida.

O mês já mudou. Estamos em agosto, um mês temido por uns, considerado de mal agouro por outros. Eu não acredito nisso. Sempre achei agosto um mês como outro qualquer. Aliás, pressinto que será um mês excelente de modo que perto do que foi o meu mês de julho, todos os outros serão excelentes a não ser que esse urubu dê cria, coisa que não vai acontecer.

Engraçado como é a vida. A gente aqui preocupado com tudo o que ns cerca enquanto os bebês não estão nem aí pra nada. Pego como referência o Miguel e a Luiza. Os dois mais novos membros da minha extensa família, nascidos nesse mês e com pequenos problemas que estão sendo ou já foram contornados. Eles é que estão bem, naquela fase de recém nascidos onde só se come e dorme, sem saber de nada, sem preocupação nenhuma enquanto rola a guerra entre Israel e Líbano, por exemplo.

Por mais que fases se alternem não existe outro modo de encarar a vida do que sorrindo. Só o fato de olhar pra essas crianças já me dá uma alegria indescritível. E se acontece algo de ruim, se se passa por uma fase penosa, no meu caso já está acabando, tira-se proveito dela olhando por um outro ângulo. Uma coisa meio Poliana – personagem de história infantil que via o lado bom em todas as coisas que a cercava.

Descobri até uma espécie de hino pra esses momentos da vida considerados os piores. É uma música de Charles Chaplin, John Turner e Geoffrey Parsons com versão de João de Barro que se chama ‘Smile’ e na tradução veio como ‘Sorri’. Quer saber, eu não tenho mesmo do que reclamar. Segue a letra da música.

Sorri
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorria sim
Quando o céu perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doídos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz