domingo, 30 de dezembro de 2007

SEMANA DIANA

Na semana que passou, uma parte do Brasil parou. Considerando a extensão da minha família e as amizades construídas ao longo da geração vigente, estatisticamente foi mesmo uma parte do Brasil que parou. É possível que, provavelmente, essa tenha sido a semana de maior audiência de uma produção global que está no ar desde o início do ano.

‘Um só coração’, minissérie que retrata a evolução da cidade de São Paulo entre os anos vinte e cinqüenta em comemoração aos 450 anos da capital, teve no seu elenco, durante quatro cenas, a Diana, filha da minha prima Lívia e neta da minha madrinha, Tia Dôra.

Não é o primeiro trabalho dela na casa. No episódio da Rapunzel, do Sítio do Pica-pau Amarelo, ela foi a própria, quando raptada pela madrasta. Depois disso o rostinho dela aparecia muito rapidamente na campanha do governo sobre a merenda nas escolas. E, como atrizes que durante grande parte da carreira têm que fazer inúmeros testes, recusaram-na para a propaganda de sessenta anos da ‘Sadia’. Mas ela não se deu por vencida e novamente a vênus platinada a chamou para uma pequena – que se tornou longa – participação nessa superprodução.

A personagem que ele interpretou de maneira magnífica - te cuida Fernanda Montenegro - foi a Antônia, filha do Madiano (Ângelo Antônio) e Maria Luisa (Letícia Sabatela), com mais ou menos dois anos de idade, que é a idade dela. Na trama, Maria Luisa abandona a filha que é criada pela família de Yolanda Penteado (Ana Paula Arósio). Ela se casa com um turco (?) que não sabe que Maria Luisa teve uma filha. Diana, ou melhor, Antônia entra aí. Durante a Revolução de 32, Samir, o turco (?), numa das suas cruzadas acaba parando na fazenda de Yolanda Penteado para reabastecer as energias e acaba conhecendo sem querer e sem saber que é, sua enteada. E conforme a evolução da minissérie, Antônia cresce. No entanto, seguindo o ditado, vão-se as Antônias e fica a Diana.

Cada dia da semana passada, em alguma cena, Diana estava lá. Na terça foi quando a Maria Soldado chega com sua tropa que segue rumo a cidade de Cachoeira Paulista. Antônia (lê-se Diana) está no colo de Rita ao lado de Isolina (Chica Xavier) e Guiomar (Cássia Kiss). Na quarta foi a cena já descrita do Samir. Na quinta, foi na última exibida do capítulo, onde ela entra no colo de Yolanda Penteado e sai de cena carregando a bolsa dela. E a última vez que ela apareceu, na sexta, é quando a Yolanda chama Antonieta e Antônia e pede para que elas brinquem fora daquele ambiente. O detalhe fica na reaparição de Antônia quando a Antonieta larga a mão dela e Diana tenta voltar à cena.

Coube a mim a incumbência de acompanhar a estrelinha nas gravações das cenas externas exibidas terça e quarta. A locação ficava na Ilha de Guaratiba, um lugar longe, principalmente se o ponto de referência for Niterói, e o calor também era um tanto desagradável. Lá eu reiterei minha idéia de que nem só de glamour, fotos e festas vivem essas celebridades. Às vezes elas perdem dias e dias para gravar três ou quatro cenas em cada dia desses. Não há uma rotina certa de oito horas trabalhadas e bem aproveitadas por dia como em um trabalho normal. Talvez seja esse o preço que se paga por ser um global.

Mas Diana ainda é muito pequena e, por mais que ela seja chamada pra fazer essas aparições, a equipe de produção tem consciência disso e não permite, mesmo que, por acaso, venha a acontecer uma vez ou outra, que ela perca o dia como os atores experientes. Aliás, a paciência é a principal virtude para um ator. Eu, além de não ter talento, vocação e nem capacidade e competência pra atuar, não tenho muita paciência.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

AGORA É HORA DE ALEGRIA

Uma polêmica parou o país na semana passada. O apresentador mais carismático da televisão brasileira declarou que ia morrer. Como minha mãe diz, a única certeza da vida é a morte, ou seja, todos nós vamos morrer um dia. Ele, no entanto, disse que morreria em no máximo seis anos. Estava com uma doença degenerativa coronariana que limitava sua expectativa de vida. A declaração foi feita a uma das mais conceituadas revistas de fofoca que circulam no Brasil. Foi um susto nacional e durante dois ou três dias não se falou de mais nada.

Silvio Santos, o homem do baú, ainda tinha dito nessa mesma entrevista que o pequeno império que ele construíra, o Sistema Brasileiro de Televisão, estava sendo vendido por dois bilhões de reais e que na negociação a Televisa, empresa mexicana, e o Boni, ex-comandante da Globo, dividiriam a compra ficando cada um com metade do patrimônio do ‘patrão’. É sabido, público e notório que com a abertura para o capital internacional dos meios de comunicação, a Televisa estã de olho, e provavelmente será a preferencial, da obtenção de trinta por cento, valor máximo que a lei permitirá, do patrimônio do SBT.

Porém, o próprio Silvio revelou que todas essas declarações dadas por ele eram gozações. Silvio, que atualmente está em um bairro de Orlando, Flórida, chamado Celebration, que fica na região da Disney, passando uma temporada de ‘férias’ foi surpreendido por um telefonema – vou reproduzir aqui as palavras dele que foram captadas por um repórter correspondente do programa do Gilberto Barros na Band, na última sexta feira – da tal repórter da Contigo, que tinha conseguido o número do telefone da casa dele por lá – casa essa que é avaliada em mais ou menos seiscentos mil dólares – e cuja primeira pergunta feita por ela foi se ele estaria aposentado. Com a inteligência dele e um raciocínio rápido, inventou toda essa históia provando mais uma vez que sabe trabalhar o marketing da própria figura.

Voltar a atenção para ele sempre foi um bom negócio, mesmo que sem querer terceiros fizessem isso. Lembro de alguns episódios como o problema que teve na garganta que forçou ele a ficar menos tempo no ar aos domingos, dividindo as atrações e consolidando o Gugu Liberato no horário vespertino do dia dos programas dele, o lançamento da pré-candidatura para a presidência do Brasil que foi impedida pelo partido (que, se não me engano, era o PFL), e mais recentemente, aí que digo que feito por terceiros, a homenagem que a escola de samba Tradição fez a ele no carnaval de 2001 e o seqüestro ocorrido com a filha dele poucos meses depois, em que o meliante, dias depois de dar liberdade à menina voltou ao local do crime e ‘seqüestrou’ o próprio Silvio.

Não creio que seja característica de nenhum grande comunicador e/ou empresário dar declarações de tamanha importância, capaz de mobilizar a população e até modificar estratégias de conduta de várias empresas, para uma revista cujo conteúdo exposto é basicamente sobre fofoca de bastidores da mídia televisiva. Se as declarações que ele deu para a revista fossem verdade, não seria por meio dessa categoria de revista que viriam à tona. Existem revistas mais bem conceituadas e mesmo assim notícias desse peso sã dignas de coletivas de imprensa. Ou então fazer como a Ana Maria Braga. Falar francamente sobre o seu quadro de saúde no programa comandado por ele.

Soube que ele participou e se desculpou ao vivo no programa do Gugu, mas eu raramente ligo a TV em algum canal aberto num dia de domingo e não fiquei sabendo quais foram as suas palavras sobre o fato acontecido.

Com essa confusão desfeita, esperem mais coisas surgidas da brilhante cabeça desse homem. Quanto menos se esperar, Silvio Santos vem aí. Até a próxima!!!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

ESSE ANO...

Dentro de quinze dias o ano termina. Mais um ano se vai e é chegada a hora de fazer aquele famoso balanço de fim de ano e reestruturar as metas e ou promessas pro ano que chega. As minhas metas continuam sendo as mesmas três fixas e uma volátil. Na verdade eram duas voláteis, mas uma ao ser realizada caiu e casou com uma dessas fixas.

Não faço promessas nem resoluções de fim de ano, entretanto procurarei atingir pelo menos duas das minhas metas até o próximo reveillon. Caso não as consiga cumprir, ao menos estarei bem mais perto do feito. Duas das três metas fixas pra ser bem claro. A volátil como o próprio nome diz, não tem um prazo pré-estabelecido por mim como as fixas, portanto, apesar de essencial e digna de ser cumprida, não há certa urgência embutida nela.

Mais uma vez aplicando a frase ‘eu não acredito nas bruxas, mas que elas existem, existem’ tenho que arrumar um lugar novo pra passar o reveillon. Esse ano a virada foi assistindo aos fogos da árvore da Lagoa debaixo de uma chuva fina e incessante. Confesso que esse ano não foi ruim. Claro que como todos os outros cheio de autos e baixos, mas na minha avaliação gráfica a crescente esteve bem mais constante nesse ano em relação ao passado. Houve algumas estagnações em alguns meses, mas no geral foi muito bom tanto no campo profissional quanto no pessoal. Por isso que mesmo não sendo supersticioso preciso de um novo local pra passar o reveillon que não seja nem na Lagoa, nem Copacabana nem a praia de Icaraí. Se bem que desses três locais, caso tenha que repetir algum, a Lagoa tem muito mais crédito que os outros dois.

Como eu só costumo azeitar meu reveillon depois do natal, só daqui a dez dias que começarei a concatenar e armar o meu reveillon. Em termos profissionais continuei me dando bem e sendo um figurante sempre dando suporte e ajuda a quem precisasse até o fim do mês de setembro, quando também terminou a novela ‘Paraíso Tropical’. Em termos pessoais as amizades estão crescendo e as já existentes se fortalecendo e até então sem nenhuma decepção. A família também cresce. Esse ano nasceu o Igor, filho do meu primo Artur, a Thais entrou oficialmente pra família se casando com o Tiago, casualmente irmão do Artur, e pra fechar o ano meu irmão se declarou grávido no início do mês de outubro. Perdas eu estranhamente não estou contabilizando. Vai ver que é porque não tive ao menos nenhuma considerável a ponto de se contabilizar. Cheguei aos trinta bem. Fechei três décadas bem, sem fortuna, sem patrimônio, mas feliz. Fazendo o que eu gosto. Ainda tenho que me ajustar em alguns setores, mas acho que está quase tudo equalizado.

Tudo bem. Concordo que ainda não esteja vivendo o meu ideal de vida, mas se a curva crescente continuar do jeito que está creio que não vai demorar pra chegar no meu ideal. Talvez não no prazo que prevejo, talvez demore mais que um ano e meio ou dois, mas chegarei lá. Assim espero. Por que do nada tudo pode mudar. Não só pra mim que não tenho uma estabilidade financeira como pra quem tem também. Vamos esperar o que o ano que vem tem pra nos oferecer. Eu tô pronto pro que der e vier. Esse ano eu soube aproveitar bem e o próximo saberei melhor ainda.

Esse ano foi um ano de reestruturação com mudanças ao mesmo tempo. Ano que vem é só saber administrar as mudanças desse ano, estar aberto e apto às mudanças que o ano me reserva e consolidar essa minha reestrutura. Apesar de não ter nenhum fato marcante, daqueles que a gente diz antes e depois de tal coisa, terei um carinho especial por esse ano. Numa escala de um a dez digamos que minha nota pra 2007 é oito e meio, que já é uma nota alta. Agora fiquemos no aguardo das surpresas de 2008.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

DERRADEIRO

Madrugada de domingo (21) pra segunda (22 de outubro). Meus pais estão viajando, meu irmão, o mais novo pai da família, dorme na cama dos meus pais e eu estou na sala vendo na Globonews a reprise do Fantástico. To começando esse texto assim por que não tenho idéia do que escrever aqui. Devo revelar que é a última vez que eu pego uma folha de papel pra produzir um texto pro blog esse ano. Último texto produzido em 2007. Pra não dizer que é o último talvez eu faça a coluna do carnaval antes do reveillon, mas isso só na última semana do ano.

Pro computador creio que até o fim dessa semana, até o dia 26 eu passo a limpo e dou um ponto (quase) final nos textos das postagens desse ano. Até o inédito da semana que vem foi escrito antes desse e do da semana passada. Eu não lembro se reforcei no texto da semana que vem, mas não um lembrete a mais ou a menos não vai fazer diferença. Ainda em comemoração aos cinco anos do blog no ar vou escolher cinco textos pra postar no hiato entre festas de fim de ano e carnaval, ou seja, agora só vou escrever mesmo no ano que vem. Por um lado vou me dedicar mais, quase que integralmente, a minha nova função. Por outro vou sentir uma falta de parar, sentar, bolar um texto, produzir e postar. No entanto achei bem sacada essa minha idéia de fazer vários textos de frente e alargar a margem de segurança.

Nem acabou o mês de outubro e eu já to fechando o ano e olha que entre o dia em que escrevo e o dia da previsão de postagem que é entre dia nove e dez de dezembro tem em torno de cinqüenta dias. Quase dois meses. Tudo pode acontecer nesse tempo. Então ao invés de eu fazer previsões é melhor quem lê se conscientizar de que tudo que está sendo aqui escrito foi feito há quase cinqüenta dias.

Parei. Acabaram as explicações e sobra espaço ainda. O famoso branco. Acho que isso acontece com todos os seguimentos artísticos. Atores e músicos principalmente. Creio que o único que não pode sofrer desse mal é o pintor. O branco pra ele é a tela. Assim como o branco pra mim é essa folha de papel que eu tenho que preencher a qualquer custo já que esse é o oficio de um escritor, ou aspirante a escritor, que é o meu caso apesar de muita gente discordar.

E agora? Que mais que eu digo? Não sei. Começou a chover. Amanha eu trabalho pela primeira vez com crachá pendurado no pescoço. A responsabilidade aumenta, a tensão e a atenção também. To seguro de mim afinal não é nenhum bicho de sete cabeças. Tô tentado a compra um laptop. Na verdade eu vou comprar um só não sei quando. Acho que já falei isso. To tentado a fazer tanta coisa. Mas cada um ao seu tempo. Atualmente essa tanta coisa pode ser reduzida a cinco. Uma de cada vez pra dar pra cumprir todas e cumpri-las bem.

Acho que vou contar sobre o suspiro. A última comida que minha mãe fez foi o empadão no qual se utilizou gemas de ovos na sua feitura deixando as claras em separado. O que fazer com elas? Liguei pra tia Leila. A primeira sugestão foi um pudim de claras, no entanto por causa da minha parca experiência culinária fui desaconselhado a fazer sobrando a confecção dos suspiros. Bati, conforme receita passada pela minha tia, as claras em neve, coloquei porções em tabuleiros untados com manteiga sobre outro basicamente com água pra fazer o banho-maria. Minutos depois os suspiros estavam prontos. Não com a consistência de um suspiro. Parecia um híbrido de maria-mole com nhá benta. Acho que mais pra nhá benta. Não havia uma casquinha crocante que revestisse o aumento como se conhece, contudo eles saiam com facilidade do tabuleiro. Tirei antes do tempo necessário, mesmo assim não ficou ruim. Tava mais pra baforada que pra suspiro, mas valeu a pena.

Pronto. Agora sim. Consegui preencher o espaço restante com uma boa história.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PEGAR OU LARGAR? PEGUEI.

Será que vale a pena se sacrificar pra tentar atingir um sonho ou uma vontade que você tenha sabendo que se pode não chegar à sua meta? Olha eu falando de metas novamente. As pessoais continuam sendo as mesmas e as profissionais estão sofrendo mudanças há mais ou menos dois meses. Pelo caminho que por ventura eu estava traçando desde quando caí de pára-quedas no ramo de figuração mais cedo ou mais tarde eu chegaria aonde cheguei.

Mas se por um lado eu to feliz pelo fato de não apenas ajudar e ficar em segundo plano, e isso também me ajudou muito pra traçar uma linha de trabalho, já que agora eu posso pegar uma produção, ficar de frente produzindo figurantes pra novelas, minisséries e programas por outro o sacrifício será grande, a princípio em curto prazo, de modo que se não tiver um produto na minha mão também não terei grana. Somente aqueles pingados e não uma boa quantidade como em alguns meses que fechei bem em termos de valor de cachê e por sinal o mês de setembro, na reta final de ‘Paraíso Tropical’ foi o último que consegui fazer isso. Por essas e outras que volto à pergunta lá de cima.

O lado profissional ta quase completo. Sua totalidade só será atingida quando eu pegar uma produção, mas pelo menos tenho vontade e disposição pra bater o crachá na portaria e bater perna lá dentro pra correr atrás de algum produto e consequentemente da grana que pode me render que pode até ultrapassar os meses de glória como figurante. Por outro lado eu tenho plena consciência de que esse período de passe livre também pode não acarretar em nada, pode não dar resultado. Claro que minha luta é pra que isso não aconteça, porém monetariamente haverá um sacrifício sim.

Vale a pena eu arriscar ou o melhor mesmo é continuar com a vidinha de figurante? Bem, vou arriscar. Até por que é mais experiência que eu adquiro e se eu me der mal dessa vez pelo menos to sabendo dessa possibilidade e não estou sendo ludibriado como das outras vezes. Quem não arrisca não petisca, não é mesmo? Dependendo da situação na dúvida eu não arrisco, principalmente se envolve terceiros. Como dessa vez o maior prejudicado ou beneficiado serei eu então arriscarei. Tenho bagagem suficiente e necessária pra não desapontar a ninguém. E como todo ser humano sou passível de falhas. Apesar de buscarmos a perfeição não somos perfeitos.
Tem uma música que diz que tudo é uma questão de manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Juntando esses três elementos ao otimismo e a força de vontade não tem porque não dar certo. O cuidado que eu tenho que ter são com as pessoas que em qualquer empresa, setor e área de trabalho fazem de tudo pra te prejudicar. E a guerra de ego lá dentro é grande. O fato de eu ser ‘carne nova no pedaço’ é um bom motivo pra eles caírem em cima de mim. No entanto boa parte deles me conhecem e não é por causa de um simples crachá pendurado no meu pescoço que meu jeito de ser vai mudar. O crachá não me dá o direito de ser arrogante e ter o nariz empinado, muito pelo contrário. Minha postura que muda. Passa a ser de figurante para produtor e consequentemente isso acarreta em alguma mudança que é extremamente adaptável á situação e perfeitamente compreensível. Mas é uma ou outra.

Antigamente havia o vendedor de produtos farmacêuticos, representante de laboratórios que ia de porta em porta oferecendo seus produtos aos médicos. Eu me sinto o próprio. Batendo de produção em produção oferecendo o casting da agência. Algumas pessoas que me conhecem há um pouco mais de tempo até já me acenaram pra alguma futura possibilidade de trabalho. Só espero e preciso que não fique só no aceno.

Plantando agora pra colher no futuro. Essa é minha função. Semear e cuidar pra não dar pragas só pra ver a safra lucrar nos tempos da colheita.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

EVOEH JOVENS ARTISTAS

Se tem uma coisa que eu não me atrevo a fazer é compor uma música. Vontade eu até tenho e talvez se soubesse tocar algum instrumento até que ousaria acasalar uma melodia a uma letra. Não faço isso porque acho que especificamente nessa área a gente está bem guarnecido e ainda tem muito talento nos submundos que por falta de oportunidade, espaço e mídia ainda estão escondidos nos porões da noite.

Por eu ter sido criado, crescendo no meio de festas familiares que sempre terminam em roda de viola pode ser que a minha musicalidade seja um pouco mais aguçada que a das pessoas em geral. Somos – e quando digo somos incluo a família toda – muito bons no que diz respeito a paródias. Sabemos transformar sucessos em galhofas e com bastante categoria. Temos um repertório vasto e digno de uma boa sacanagem no sentido mais puro da palavra apesar das malícias das letras.

Muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos pra fazer música também. Isso quer dizer que os bons ficam e os apenas que se tornam produtos pra consumo são esgotados e desaparecem do mesmo jeito que apareceram. Mas se mesmo assim os ruins conseguem se destacar por uma boa temporada, por que quem é bom e desconhecido não podem sequer se infiltrar no mainstream e revelar, mostrar aos ditos especialistas e poderosos pra que realmente vieram.

Sei que a construção de qualquer caminho profissional é árduo e requer paciência e perseverança, no entanto a sorte cai bem pra qualquer um e é uma ótima alavanca de propulsão pra que um trabalho chegue mais perto possível da perfeição. Sinceramente eu queria ser essa alavanca pra muita gente que eu tenho conhecido e que acho que mereça ser impulsionado pra cima. Já fiz isso pra algumas pessoas, mas tem muito mais gente bronzeada querendo mostrar seu valor que certamente terá, quando descoberto, um preço maior que muitos que aí estão tanto na área da música quanto da televisão. Em televisão meu atrevimento seria maior. Existem muitas porcarias sendo exibidas e capacidade pra produzir programa de qualidade eu tenho. Já não digo o mesmo quando o assunto é música.

Distingo as porcarias das não porcarias, mas capacidade pra combater as porcarias compondo não porcarias eu não me atrevo a dizer que tenho. O sol nasce pra todos, mas se os maiorais ficam na linha de frente só resta a sombra pra quem ta atrás e esses têm que torcer por uma frestinha de sol, ou aguardar um deslize pra quando o sol mudar de posição e passar a iluminar algum canto obscuro essas pessoas aproveitarem e correr pra pegar e firmar seu lugar ao sol. Eu sou daqueles que avisam, ou pelo menos quero avisar, quando o sol aparece e não há ninguém naquele espaço, naquela fresta.

Foi mais por brincadeira, por curtição que no último carnaval avisei que iria fundar um bloco carnavalesco de nome ‘quem quiser que venha atrás’ e que já tinha até o refrão da marchinha que embalaria o tal bloco. ‘Fantasiado, mascarado, a paisana, tanto faz. È certo, eu vou. E quem quiser que venha atrás’. Volta e meia me surge esses insights Chego algumas vezes a sonhar com uma música, mas na preguiça da noite não acordo pra anotar ou gravar nada. Talvez, por eu gostar muito de ler e escrever, o máximo da minha ousadia e atrevimento seria letrar uma melodia. Mesmo assim na maior insegurança já que um país com letristas como Chico Buarque, só pra citar um exemplo, não competiria com meus rabiscos sobre uma melodia.

Não com os meus, entretanto com os de muita gente que batalha por um espaço e que quem sabe não se torna um artista do mesmo porte, da mesma estirpe e importância que o próprio Chico Buarque. Eu apóio os artistas que estão na sombra ainda e faço o possível pra ajudar a iluminá-los. A saber, o título faz parte da música ‘Paratodos’ de próprio Chico Buarque.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

OLHA AÍ O GURI

Pra você ver como a vida prega peças na gente. Tive que interromper o texto passado pra começar a escrever esse. É que a notícia veio num baque só e ainda sob o impacto dela resolvi pegar essa folha pra desabafar. Como vocês puderam ver eu retomei posteriormente e conclui, espero que bem, por que depois de uma notícia dessas não dá pra dizer se o texto depois de retomado está coerente.

Bem, antes da notícia mais impactante vieram duas outras boas. A primeira é que finalmente minha mãe tinha fechado uma viagem que ela planejara há um tempo e conseguiu ficar fora na segunda quinzena de outubro, a segunda é que nesse mesmo dia dez de outubro, eu recebi a notícia de uma reunião marcada para seis dias depois que de certa forma definiu o meu futuro profissional. Mas a notícia mais impactante quem deu foi o meu irmão.

Estava eu concentrado no texto deitado na cama dos meus pais quando ele e a namorada chegaram em casa. Até aí tudo bem. Eles estão cansados de fazer isso. Mas meu irmão me tirar daqui e pedir pra que eu fosse até a sala por que ele queria falar alguma coisa era estranho. A princípio eu pensei que ele fosse fazer uma graçinha em relação à viagem dos meus pais, mas depois ele abriu a guarda e confessou que será papai. A namorada dele estava grávida. E o parto deve acontecer entre final de abril, ou seja, nosso aniversário, e princípio de maio.

Não digo que meu mundo caiu. Talvez tivesse caído se eu ficasse sabendo que eu estava grávido e não meu irmão. Mas literalmente fiquei pra titio. Uma coisa é a gente se envolver com família, com filhos de primos. Outra coisa é seu próprio irmão dizer que vai ter um filho, ou seja, não só de sobrinhos-primos (nomenclatura inventada por mim para os filhos dos meus primos) que já são nove, estarei cercado. A camisa dez veio pra mim, ou melhor, pro meu sobrinho.

Agora ta vindo todos aqueles questionamentos que a gente sempre faz quando recebe a notícia de que alguém da família está grávida, mas parece que eles são mais ávidos quando esse alguém é o mais próximo de você, é seu irmão. Tudo tem a sua primeira vez. Por mais que algumas sejam assustadoras ou a expectativa fique aquém do esperado tudo tem uma primeira vez e será a minha como titio.

O que eu devo fazer, como devo agir são perguntas cujas respostas dependem da situação, do momento e por que não dizer da educação que a criança estará recebendo dos pais. Mas que é estranho descobrir de uma hora pra outra que seu irmão ta grávido isso é. Imagina meus pais que acordaram pais e foram dormir avós.

Se bem que eles desejavam isso e sempre fizeram uma corrente positiva pra que acontecesse. Só gostariam que as circunstancias fossem outras, mas fazer o que? Paciência. Agora é só esperar o rebento nascer com saúde. Menino ou menina? Não sei Ta muito cedo ainda pra saber. E o nome? Essa parte vai ser mais complicada ainda. Família gigantesca tem que ser um nome que não faça parte das três gerações envolvidas pra não haver repeteco.

Sei que vai ser muito difícil, não impossível, e vai demorar muito pra que isso aconteça, talvez por toda a próxima geração a qual essa criança irá pertencer, mas sinceramente espero que o mundo que o vai receber seja mais consciente e menos violento. Seja mais honesto e menos corrupto, com mais homens de bem que aqueles que fazem da lei de Gerson uma clausula pétrea da constituição federal ou a própria filosofia de vida.

É. O jogo virou. Agora o foco e a atenção desse lar e da família estarão voltados pra mais uma criança que está prestes a chegar e se instalar nela. Que seja bem vinda e tenha boa sorte.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

ESCALADA MUSICAL

O jornal ‘O Globo’ ofereceu na sua última campanha cultural a coleção ‘Discoteca Brasileira do Século XX’. A proposta era fazer um apanhado sobre a evolução da música brasileira no século passado. Foram lançadas seis edições de um livro, cada um representando uma década sendo que um ficou restrito à primeira metade do século. Escritos por jornalistas consagrados como Artur Dapieve e Artur Xexéo dentre outros, todos fizeram um recorte, um destaque a uma década específica. Não é um estudo profundo pelo contrário, é bem superficial com algumas belas borrifadas em episódios marcantes da nossa música.

Cada livreto, com não mais de sessenta páginas, veio acompanhado de um CD com catorze músicas cada. Claro que o total de oitenta e quatro músicas selecionadas pra representar os sucessos das décadas não estão totalmente de acordo com a intensidade que essas décadas tiveram e na influencia que essas músicas exerceram na população e os rótulos que acabaram por receber.

Não estou de modo algum menosprezando o trabalho dos pesquisadores musicais que tiveram o trabalho de chegar a essas músicas, a conclusão que chegaram e que provavelmente eles próprios sabiam que não agradaria a todos. Apesar dos livretos lembrarem ao máximo da situação em que se vivia na época e comentar sobre todos os grandes movimentos musicais e artistas que deixaram suas marcas na história, a seleção musical deixou um pouco a desejar. Não dá pra imaginar os anos setenta e ou oitenta sem uma musicada Rita Lee, por exemplo, por mais que prevalecesse o samba nos anos setenta ou o rock brasileiro renovado dos anos oitenta. Ela não aparece em nenhum CD.

Outro fato que eu não consegui absorver é a repetição de alguns artistas representando o sucesso musical em dois discos Os cinco que aparecem tanto na década de sessenta quanto na de setenta são Martinho da Vila, Clara Nunes, Beth Carvalho, Paulinho da Viola e Milton Nascimento. Sucesso musical todos têm até hoje e o auge foi sim em alguma década, talvez até nas duas que aparecem, mas isso tirou a oportunidade de outros artistas também consagrados mostrarem seus sucessos da época.

Uma tacada de mestre foi a representação da ‘Jovem Guarda’ em apenas uma música ‘Prova de Fogo’ na voz de Wanderléa. Se pusessem um sucesso de Roberto e Erasmo teriam que abrir espaço pra outros e as já poucas oitenta e quatro músicas representadas do século XX ficariam ainda mais reduzidas.

Dentre essas músicas surpresas e raridades também tiveram seu espaço. ‘Pelo Telefone’ de Donga e Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba carnavalesco a ser registrado num acetato na voz de Baiano é a gravação mais antiga de toda coleção datada de 1917. A surpresa eu deixaria por conta de uma música cujo registro aparece na parte que se fala da década de setenta de nome ‘Espelho’, cantada por João Nogueira, composição do próprio em parceria com Paulo César Pinheiro. Nunca tinha escutado essa música e hoje a considero uma das obras primas do nosso cancioneiro.

Volta e meia o jornal lança umas coleções como essa. Há cerca de dois anos a coleção foi de trinta livros. Títulos dos mais variados e consagrados autores mundiais. Foram muito valiosos e a coleção bem sucedida. Aliás, sempre gostei de colecionar coisas úteis. Esse lance de ficar juntando selo, chaveiro, latinhas e moedas nunca foi a minha onda. Coleciono sim livros como os sete pecados ou os cinco dedos, consumo e freqüento alguns autores e discos como a série nacional Acústico MTV e os álbuns lançados por Rita Lee, Marisa Monte, Vanessa da Mata, Gal Costa e Maria Rita. Até que minha excentricidade não é das piores, mas quando o assunto envolve letras, músicas e ou ambos sou sério inclusive na maluquice dessa minha excentricidade. Minha biblioteca e discoteca são fartas. Sou movido basicamente de letra e música.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

SURPRESAS DO FIM

No fim do mês de setembro aconteceram duas coisas inusitadas, que eu nunca imaginaria acontecer, pelo menos tão cedo, comigo. E tudo de modo profissional, o que de certa forma é mais estranho ainda. Coisas que somente quem faz figuração é proporcionado por esses fatos. Em meio às apostas do final de ‘Paraíso Tropical’ sobre quem matou Taís e por que, dois dias antes da exibição do último capítulo foi gravada a última cena da novela a qual participou um dos pilares de sustentação da música popular brasileira. Milton Nascimento chegou a cantar duas músicas, mas na edição prevaleceu a que fez parte da trilha sonora da novela.

Poucos têm o privilégio de serem pagos pra assistir a um show do Milton. Tudo bem, não foi exatamente o que se chama de show, não tinha um repertório de vinte e poucas músicas. Era um show específico pra um capítulo de novela, mas mesmo assim foi um privilégio de poucos, e aí eu me incluo, assisti-lo ao vivo e ainda ganhar para isso. E não ficou dúvida pra ninguém de que eu estava lá. Além de ter fotos oficiais mostrando a minha figura, na hora em que apareceram as pessoas que fizeram a novela, equipe técnica e cia, eu estava junto, por trás, fazendo volume que é só o que faz a figuração mesmo, é o papel dela. E creio que nesse pouco mais de dois anos e meio, nunca me ligaram tanto, me deixaram tantos scraps no orkut e mails dizendo que me viram na novela. Acho que depois desse tempo e de praticamente três novelas feitas de cabo a rabo (América, O Profeta e Paraíso Tropical) soube só agora que pessoas do meu ciclo tiveram a confirmação de que realmente eu faço alguma coisa na tv.

Nessa mesma última semana de setembro e na primeira do mês passado não fui somente eu que fiz alguma coisa na tv. Até o meu carro fez uma participação, praticamente um elenco de apoio na novela da Record ‘Caminhos do Coração’. Não foi só a passagem no fundo, pra fazer volume como eu fiquei na cena final de Paraíso que parece não ter passado na exibição da reprise no sábado. Eu não vi sábado. Meu carro foi vitima de um tiroteio cenográfico, com direito a vidro estilhaçado e tudo.

Não que ter um carro alvejado seja um privilégio como assistir a um mini show de duas músicas do Milton, mas que me deu um pouco de aflição deu. Claro que foi tudo muito profissional. A galera que trabalha com esse tipo de efeito especial é tarimbado e bastante confiável. Não me preocupei com o carro apesar de ficar um pouco tenso com a cena. O vidro traseiro, o lateral traseiro e o da frente do lado do carona foram devidamente retirados – o da porta totalmente arriado – para colocarem os falsos, os que realmente iriam ser explodidos. Tinha até um certo receio de locomover o carro com aqueles vidros presos com fitas adesivas pra não caírem antes da hora. No fim acabou que foi tudo explodido na mais perfeita ordem.

Demorou um pouco. Entre a colocação dos vidros e a explosão deles algumas horas se passaram e é meio chocante ver seu carro com os vidros quebrados mesmo sabendo que aqueles vidros não eram os do seu carro. Alívio maior foi o carro sendo me entregue com os vidros originais colocados no lugar de volta e limpo, aspirado, sem nenhum caco de vidro, como se nada tivesse acontecido com ele. Não vi a cena no ar, mas meu irmão por acaso viu e disse que ficou perfeita.

Ah. Esqueci de dizer. Eu não explodi junto com o carro. Na hora ele estava parado como se estivesse estacionado. Na semana seguinte o carro voltou a atuar. Somente ele. Depois do show do Milton dei um tempo, ou melhor, deram um tempo com a minha figura. Devo ter marcado tanto na última cena da novela como meu carro marcou a cena da concorrente que me deram alguns dias de folga. Mas tudo bem. Como tudo no mundo há uma prudência cósmica, divina ou esotérica que move a vida e consequentemente mostra os caminhos, inclusive o profissional.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A FORMATURA

Certos acontecimentos são dignos de comemoração. Quando se cumpre uma etapa da vida ou quando se começa outra como um casamento, por exemplo, tem que se festejar. Se depois o casamento não vingar, não der certo, aí são outros quinhentos. No meu caso não é bem um casamento, apesar de durar mais anos que muitos casamentos, mas sinto que sou um privilegiado por ter conseguido até hoje manter contato com meus amigos da faculdade. Atualmente é difícil porque cada um toma um rumo depois que se forma. Nossa dificuldade maior é o contato visual, é parar e juntar a turminha, porém, por telefone e por outros meios de comunicação esse contato não parou. Até mesmo porque aconteceu o inevitável conforme eu havia dito cada um tomou seu rumo na área ou não. Mesmo assim a gente sabe e sempre conta um com o outro pro que der e vier. Isso é um pacto que a gente tem, mesmo que não assinado ou verbalizado, desde que a gente se juntou nos tratamos assim.

Por todas as escolas que passei não consegui fazer isso. Contato mesmo só com um ou outro, mas não com o grupo grande como temos conseguido ao longo desses cinco anos. É. Já temos cinco anos de formado que com mais quatro de faculdade totalizam nove anos juntos. Faculdade é a melhor fase da vida. Quando a gente se formou estávamos com uma idéia que durou pouco. Queríamos fazer uma festa que parasse o Rio uma vez por mês. Que pretensão a nossa. Tinha até nome. Revelia. E já havíamos feito duas edições no extinto Barman Club em Copacabana. O que fazer então pra comemorar nossa formatura? Outra Revelia.

Como não houve continuidade da festa no Barman estávamos à procura de uma outra casa. Encontramos a também extinta Spin em Ipanema e fizemos mais duas edições. A segunda devido o sucesso da primeira em treze de abril de 2002. Nossas aulas que eram pra acabar no fim de 2001, devido as várias greves que pegamos, acho que umas três sendo que a primeira durou três meses e acarretou no atraso do calendário, só acabou no fim de março.

A decisão então, já que estávamos voltando com a Revelia em outra casa, era fazer dessa terceira edição a nossa festa de formatura. Não que a gente fechou a boate só pra gente. Teve gente que passando por ali resolveu entrar, curtiu a festa tanto quanto a gente e sem saber que era na verdade a comemoração de uma formatura de turma de faculdade. Foi uma festa que ficou marcada na minha vida não só pela formatura como pra ratificar esse pacto que a gente fez. Pra se ter uma idéia a casa com dois ambientes, o bar em baixo e a pista de dança em cima, que devia ter capacidade para umas cem pessoas no total nesse dia tinha em torno de cento e cinqüenta, ou seja, estava intransitável. Porém, foi isso que deu a sobrevida pra festa de mais um mês. E só. Depois ficou muito difícil conciliar idéias, horários, funções e disponibilidade pra pensar em outra Revelia. A gente até brincava que o nome da nossa produtora de festas e eventos era Prajacu devido a um desenho do Pica Pau.

Bons tempos. E o mais curioso foi que a gente se formou de direito antes de se formar de fato. Porque se fosse pra esperar a colação de grau era bem capaz dessa comemoração não ter acontecido. De fato nossa colação de grau só ocorreu no mês de setembro. Isso porque o diretor tinha se cansado de fazer uma colação pingada, ou seja, ele esperou que juntasse um contingente razoável de pessoas para proceder formalmente com a colação de grau no próprio salão nobre da faculdade.

Se eu fosse contabilizar aqui todas as festas e celebrações teria que ter no mínimo um ano pra que parte delas fossem expostas nesse espaço. Quem sabe daqui a um ano eu revele mais quatro aventuras festeiras das quais fiz parte. Até lá espero fazer da minha vida uma festa constante.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O DÉCIMO QUINTO

Veja o que são e fazem as coincidências e/ou acasos da vida. Hoje é dia vinte e um de outubro e há exatos quinze anos e cinco meses eu estava comemorando meus quinze anos. Foi uma festa para poucos convidados. Se tinham vinte e cinco era muito. Talvez tenha sido a primeira festa, o primeiro aniversário sem as ligações, os abraços e as felicitações de amigos e parentes. Do mesmo jeito que foi o primeiro que passei em outro país. As pessoas mais próximas a mim eram minha mãe e meu irmão que também se encontrava na mesma situação. Mas no fundo eu nem estranhei até pelo fato de todos terem sido avisados com bastante antecedência de que não estaríamos em casa.

E realmente não estaríamos nem no Brasil. Meus quinze anos foram comemorados durante uma curta temporada, de apenas dez dias, por Orlando e Miami. Primeira excursão internacional da minha vida. Tudo era novidade a começar pelas horas de vôo que foram muitas perante as minhas poucas experiências aeroviárias. Com a gente tinha umas vinte pessoas que também faziam essa excursão em pleno mês de abril, ou seja, em se tratando de Disney que enche nos meses de janeiro e julho principalmente, é baixa temporada.

Não me lembro exatamente do roteiro elaborado pela agência de viagem. Lembro que chegamos em Miami, pegamos um ônibus e fomos pra Orlando. Lá deixamos as malas no hotel, atravessamos a rua e fomos pro parque aquático. Eu tava tão cansado que nem aproveitei direito esse parque. Mas tudo bem, aquele era só o primeiro dia. Nesse mesmo dia, à noite, a decisão particular sobre o rumo dessa viagem em termos financeiros. Compramos uma câmera pra filmarmos a nossa viagem e mais o que fosse interessante pra gente a partir daquele momento. A conseqüência dessa decisão foi exatamente o dinheiro dar conta até chegarmos no aeroporto no dia da volta cujo lanche nos foi gentilmente cedido por um veterano em excursões que provavelmente já passou por isso também. Claro que em quinze anos muita coisa muda inclusive algumas atrações nos parques temáticos. Vi coisas que não existem e não vi coisas que atualmente podem ser curtidas.

Voltando ao foco, o dia do meu aniversário foi o que estava reservado para conhecermos os estúdios da Universal. Já tínhamos estado nos estúdios Disney-MGM e no dia seguinte iríamos voltar pra Miami onde passamos os dois ou três últimos dias de excursão. Então, além de ser festejado com personagens de cinema como ET, King Kong, Tubarão e depois de ter dado uma passadinha no Hard Rock Café onde, se não me engano, comprei a mochila preta que depois virou um objeto comum, voltamos para o hotel e fizemos uma pequena festinha.

Três razões colaboraram para o pequeno happy hour que lotou o quarto do hotel onde a guia estava hospedada com outras duas passageiras. A primeira era a despedida da cidade. Depois de visitarmos os principais parques na época iríamos passar alguns dias em Miami. A segunda foi a apresentação do vídeo oficial da excursão e quem quisesse que comprasse. Claro que a gente comprou. Na época, mesmo lá nos Estados Unidos, não se ouvia falar em DVD. E a terceira e mais importante era a comemoração em si do nosso aniversário. A praticidade do mercadinho próximo ao hotel foi primordial pra compra dos apetrechos festivos tipo bola, potinhos e espuma, tipo essas que jogam na gente no carnaval, pra ficar parecendo bolinhos individuais, refrigerantes e uma pequena torta, eu acho, pra ser distribuída entre as pessoas.

Na verdade essa parte da torta eu não me lembro, mas cantar parabéns sem bolo fica meio capenga. Esse foi o episódio que marcou a celebração dos meus quinze anos. Vou deixar o egocentrismo um pouco de lado e falarei de um outro tipo de evento, de comemoração no qual eu não tenha ficado um pouco mais velho.

domingo, 14 de outubro de 2007

O SÉTIMO

O primeiro grande evento do qual participei, vale ressaltar que foi um evento familiar, aconteceu se não me falha a memória na semana santa de 84. Aliás, desse ano eu me lembro bem do carnaval passado em Saquarema onde ficamos de olho na transmissão dos desfiles das escolas de samba na qual tia Tania estreava como ritimista, mais precisamente chocalheira, pela União da Ilha.

Voltando ao evento, na época tio Marcos morava na cidade mineira de Três Marias e foi a primeira vez em que decidimos alugar um ônibus pra fazer uma visita a ele. Claro que por trás disso tudo havia a festa, a comemoração do nosso aniversário, visto que ele faz dois dias antes do meu e calhou de naquele ano cair justamente na semana santa. Juntando a fome com a vontade de comer metemos o pé na estrada.

Lembro que o ônibus fretado era da Viação ABC, que ele se perdeu pra chegar até aqui em casa, que em um determinado ponto da viagem furou o pneu bem no meio da madrugada e que tinha umas pessoas desconhecidas se não me engano de Campo Grande que também estavam indo pras mesmas bandas fazer não me lembro bem o que. O que me vem a memória desse mega evento são só flashes. Não tem uma seqüência lógica dos fatos e acontecimentos, mas os anais familiares estão aí pra isso.

A gente não ficou hospedado em hotel na cidade. Na verdade era uma vila militar e ficamos confinados em casas dessa vila. Lembro da piscina e de algumas outras cenas. A festa também foi numa das casas dessa vila. (Atenção parentada se eu tiver falando alguma besteira me corrijam, por favor.) Disso eu me lembro nitidamente. E tem bastante foto pra comprovar o clima ótimo da festa tocando os hits do início dos anos oitenta, auge de Michael Jackson e surgimento de Madonna.

Histórias são o que não faltam. Tio Aloísio vestido de fantasma pra assustar não sei quem, o espanto em descobrir o tal do minhocossu, a vaca atolada que serviu de bóia pra galera presente, alguém que escondia as garrafas de wisky, os fogos de artifício que foram soltos na chegada do ônibus na vila, enfim, várias situações cômicas que ocorreram durante os dias em que estivemos lá. Até hoje quando sinto algum cheiro específico a primeira imagem que me vem é Três Marias. Dessa vez acho que só tia Branca e derivados – caramba, que nome mais esquisito pra falar dos meus primos – não embarcaram nesse ônibus. Tia Dora foi direto de Goiânia. Tio Sérgio acho que foi direto de Assis também. Não me lembro. Só lembro que a farra foi muito boa, que mais uma vez meu lado festeiro sobressaiu e que essa foi a primeira de uma série de outros eventos/excursões familiares que sucederam inclusive internacionais.

Três Marias foi o ponto de partida e ao mesmo tempo, pra minha pessoa, a consagração da missão da minha família que é fazer de qualquer festa, celebração, comemoração ou não, de modo que só o fato de um ir à casa do outro já é motivo passível de festa mesmo que surja uma discussão, a melhor festa, o melhor aproveitamento daquele evento ou reunião ou qualquer outra coisa. Se é inevitável, relaxa e aproveita pra não dizer outra palavra.

Coincidência ou não, a última vez que fizemos isso foi novamente para a cidade em que tio Marcos mora hoje, em Guaratinguetá, São Paulo, para celebrarmos o casamento do meu primo, filho do meio dele, o Tiago, agora, no início de agosto passado. Os tempos são outros e a família tem a mesma base de Três Marias, mas há os novos membros, os agregados e a nova geração. O que éramos nós naquele tempo, vinte e poucos anos depois, tem seus representantes. O ônibus foi um micro com menos lugares que o tradicional, mas também fomos pra bem mais perto que Três Marias. Nossas idades avançaram, nosso pique não é mais o mesmo, mas nossa essência continua festiva, festeira e festejando todos os acontecimentos bons da família.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O PRIMEIRO

A primeira de inúmeras festas que participei eu não me lembro e vou tentar fazer dessa minha não lembrança, isto é, baseado em comentários de família e registros fotográficos existentes, o relato da minha primeira festa de aniversário. Sou totalmente contra festinha pra comemorar o primeiro ano de vida de qualquer criança salvo se ela passou por algum problema de saúde ou coisa parecida. Festa de um ano os pais fazem pra eles. A criança em si não aproveita nada. Pelo contrário, vira o foco, o centro das atenções sem entender o porquê daquele carnaval todo. Quem curte mesmo são os pais e as crianças maiores um pouco. Aliás, criança tem que ter festa depois que ela tiver um pouco de percepção de mundo, mesmo que essa percepção seja camuflada nas histórias dos desenhos infantis. Creio que a criança fica assustada com tantos afagos, amedrontada com tanta gente e perdida por estar descumprindo o ritmo e os horários as quais ela está acostumada a cumprir com sua alimentação e seu sono.

Festa que eu lembro de ter curtido foi a dos meus cinco anos cujo tema foi a Copa do Mundo de 82 na Espanha. Não lembro da festa em si, mas as fotos que por ventura me reportam aquele tempo me fazem ter uma sensação mais nítida do que aconteceu naquele dia quanto à minha festa de um ano. Quando era menor, e tenho a impressão que toda criança passa por esse estágio, dava importância ao aniversário principalmente pelos presentes. Hoje sei que o que importa são as lembranças que têm de você, as ligações, os recados, os abraços, o carinho que se percebe das pessoas para com você.

Com um ano eu não percebia nem uma importância e nem outra. Mas o meu caso foi peculiar e também, por que não dizer, pitoresco. E a festinha de um ano que tive talvez tenha sido a melhor solução para o que se passava naquele dia. Arrumaram, acho que já estava prevista, essa festinha pra mim. Provavelmente o que não estava previsto era o corre corre do hospital que iria acontecer exatamente um ano depois. Minha primeira festa de aniversário foi meio que um disfarce já que meus pais não puderam comparecer. Então foi uma festa meio que armada para que eu não sentisse falta da presença deles, segundo os anais familiares. O bolo era um palhaço. Hoje eu posso brincar dizendo que me fizeram de palhaço e que a ausência dos meus pais no meu primeiro aniversário e o meu trauma de infância. Dizem que só fui perceber que meus pais não estavam lá na hora que cantaram os parabéns pra mim. Mas pode ser que eu também tenha me assustado com aquela parafernália toda.

Meus pais não estavam lá por um bom motivo. Isso não é raro, mas também não é comum. Eles foram receber o meu primeiro e duradouro presente. No hospital mesmo. Por voltadas três da tarde minha mãe pariu meu irmão. Que loucura devia estar sendo aquele dia outonal de abril trinta anos atrás. Aniversário e nascimento ao mesmo tempo, quem fica, quem vai pro hospital. Ainda bem que eu não me lembro de nada e praticamente era uma inocente vitima daquilo tudo. Imagino os esforços dos meus avós, tios e primos pra me distrair e fazer uma festa com a qual eu me sentisse confortável. Não me lembro dos comentários sobre o pós parabéns. No entanto existe, se é que não foi comido por fungos e traças, um filme de rolo de uma filmadora que meu avô tinha, e eu assisti uma vez só na vida, onde me mostrava já no hospital, não sei a que horas, dando os meus primeiros passos entre os braços de alguém e a cama em que minha mãe estava. Essa foi a imagem do filme que ficou retido na minha cabeça.

Veja o que o acaso ou o destino faz com a gente. Por incrível que pareça a festa do meu primeiro aniversário, apesar do foco ser todo meu, havia por trás a celebração do nascimento do meu irmão também. Comecei a vida de uma maneira bem diferente, celebrando duas coisas numa festa só. Assim começou a minha saga de festejador.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

VOU FESTEJAR

Apenas três meses é o que falta pra terminar o ano. O tempo, à medida que passa, parece que dobra sua velocidade. Esse ano passa mais rápido que o ano passado e certamente mais lento que o ano que vem. No entanto, como todos os humanos vivos, rapidamente ou não ficamos mais velhos a cada ano que passa. Esse mês que ta chegando agora quem faz aniversário é esse blog.

Há cinco anos atrás lá pra abril ou maio surgiu a idéia e o caminho foi aberto, mas só no mês de outubro, depois de vários testes e tentativas que o molde atualmente em vigor estreou e sobrevive até hoje. Claro que em cinco anos já publiquei um monte de besteira e acertei na mosca por várias vezes também. Tenho que confessar agora, devido também a cumplicidade e intimidade criada com as pessoas que me freqüentam, apesar de eu não tirar da cabeça que ninguém lê esse blog, que o método que passei a usar esse ano nas composições das minhas postagens é o que tem dado certo.

Crio os meus textos numa folha comum de papel de caderno usando a frente por inteira e metade do verso acrescido de mais três linhas que quando transcritas pro arquivo do editor de texto word dá exatamente uma lauda que acho que seja o padrão ideal até mesmo pra não tomar o tempo e encher a paciência de quem está fazendo alguma coisa na internet, mesmo que seja conversar via mensagem instantânea. E os crio num intervalo máximo de duas semanas. Isso é sinal que os faço com uma boa frente.

Geralmente o mês tem quatro domingos, ás vezes cinco, mas procuro e tenho conseguido com grande freqüência, ao postar o primeiro texto do mês já ter prontos os três ou quatro seguintes. Por exemplo, esse texto foi escrito na última semana de agosto antes da postagem do primeiro texto do mês que ta terminando agora. É estranho escrever como se tivesse um mês a frente do meu tempo mais ou menos, mas já to acostumando. Do papel pra tela pode ter algumas modificações. Às vezes eu acrescento algumas palavras ou frases pra que o tamanho certo seja respeitado. A quantidade de tinta gasta no papel geralmente dá quando passada pro computador. E depois disso tudo ainda tenho que administrar a verborragia. Escrevo tudo direto e só depois que faço a divisão dos parágrafos e intitulo o texto caso ainda não tenha idéia de um título.

Como todo aniversário merece uma festa, uma comemoração. E pra comemorar esses cinco anos juntos todas as postagens de outubro tratarão de peculiaridades presenciadas por mim ou que participei em festas e celebrações da minha vida. Além disso, na segunda parte da comemoração, é porque idade redonda a gente comemora bem comemorado, vou escolher cinco dos textos já publicados pra postar entre dezembro e janeiro até o já tradicional na palma da mão entrar no ar as vésperas do carnaval que ano que vem cai no início do mês de fevereiro.

Eu sou daqueles que acha que se deve comemorar qualquer coisa. De extração de unha encravada até aniversário de divórcio. Acho a vida tão curta que deve ser regada a festas. Não importa o tema da celebração, importa sim celebrar. Como o futuro é incerto talvez esse possa ser a última vez que estejamos comemorando a manutenção desse blog na rede mundial de computadores. Aos pessimistas de plantão isso não significa que eu vou acabar com minhas postagens semanais. Só estou alertando que como tudo vida tem um tempo de duração. Então vamos comemorar enquanto é tempo. E pra terminar queria dar os parabéns. Em primeiro lugar a mim mesmo que insisto em publicar meus textos. Os faço com maior prazer e respeito pelo compromisso assumido há cinco anos. Veja que o prazer vem na frente. Acho que se não for feito com prazer nem vale a pena ser feito. E em segundo lugar a você, seja quem for, assíduo ou não, recebe de braços abertos essas loucuras literárias. Obrigado.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

RAZÃO DO CORAÇÃO

Quando eu era pequeno meu avô cantava uma música de não me lembro quem chamada “Aos pés da santa cruz”. Como grande maioria das canções da época, aliás, todas as épocas têm canções desse tipo, era uma música de fossa. Um dos versos dessa musica é de uma franqueza, sinceridade e verdade ímpar e que bem ou mal ministra uma área da nossa vida, a parte sentimental. Repara na veracidade desse verso: ‘O coração tem razões que a própria razão desconhece.’ Engraçado que tá me vindo outro verso de outra música que eu nem sei se tem a ver com que eu quero dizer aqui hoje, mas mesmo assim eu vou escrever. ‘Só se encontra a felicidade quando se entrega o coração.’ Esse é dá música “Tudo passará” interpretada pelo Nelson Ned.

Agora vamos tentar aproximar as duas. Se encontra a felicidade quando se entrega o coração que tem razões que tem razões desconhecidas pela própria razão. Muitas vezes, creio que no início das paixões arrebatadoras daquelas que a gente troca juras e jura que é para sempre, mesmo que dure uma semana, no entanto é eternizada, a gente entrega o coração com o único intuito de ser feliz e ele mesmo tracejando seus caminhos descobre uma razão que se a gente for parar pra pensar não tem uma lógica racional. Será que consegui me explicar?

Depois, com o tempo, a luz do convívio esclarece e assenta alguma coisa e a gente começa a pensar, ou não. Por isso que atualmente existem relacionamentos que eu acho válido e que eu apelido de ‘adicto em recuperação’. Sabe o lema de um ex qualquer coisa que diz ‘só por hoje eu não vou...’ Então, se encontra a felicidade entregando o coração só por aquele dia ou momento. E durante aquele curto período de tempo tem-se um ao outro. Isso é o que a juventude chama de ficar. Há pouco tempo também descobri que aqueles que formam o mesmo casal durante vários encontros são os ‘peguetes’ um do outro.

Relacionamentos sem compromisso que podem permanecer nessa constante ou se transformar em algo mais visceral, mais tesudo, por que não dizer, mais comprometido. Aí o amor muda sua configuração e toma outros rumos mais sérios, mais normatizados. Até alguns anos atrás eu pessoalmente não era adepto e nem sequer me atinava para esse tipo de relacionamento relâmpago. Mas depois, mal comparando, aliás, muito mal comparando, diga-se de passagem, percebi que um jogador de golfe reduz suas tacadas gradativamente, que um nadador só ganha depois de muito treinar e perder.

O risco faz parte do jogo da sedução. E como é um jogo se perde e se ganha. É raro uma pessoa entrar numa casa lotérica com seis dezenas e acertar sozinho na mega sena. Eu pensava que em se tratando de relacionamentos as prerrogativas eram diferentes. Agora tô percebendo que não e que não é tão mal ter relacionamentos relâmpagos. Não creias tu que saio por aí passando o rodo como se diz. Encontro sim a felicidade quando entrego meu coração a alguém mesmo que essa felicidade dure dez minutos. E não penso, ou melhor, não consigo descobrir a lógica da razão que rege meu músculo cardíaco. Quer saber, ficar livre, leve e solto é muito bom. Quando cansar é só se prender por um tempo ou para sempre.

O amor é um bem durável, no meu caso eterno, o que o transforma são as variações de intensidade que é irradiado pra cada pessoa. Acho que agora cheguei onde queria. E até que os trechos das músicas ajudaram a abrir um caminho, a traçar uma trilha, um ponto de apoio. Agora é só seguir os mandamentos do coração pra ser feliz. Bem, nesse segmento eu, por enquanto, to começando a me sair relativamente bem. O meu eu conservador deu o braço a torcer pro meu eu moderno, liberal. Vamos ver qual o outro setor que sofrerá com mudanças também.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ESTÁ ENTRANDO NO AR...

Poucas são as pessoas que sabem. Quem tiver lendo esse post também vai ficar sabendo, ou seja, não será mais segredo. Aliás, já não é, mas ainda não chegou a hora da divulgação em massa, por isso pouca gente sabe. E já que não é segredo vou me adiantar e passar adiante.

Estamos nos preparando pra morar em Hollywood. Não literalmente, óbvio. Já estive em Hollywood e não achei grandes coisas. A Hollywood no caso é a cidade sorriso. Niterói será invadida por holofotes, microfones, cabos quilométricos e câmeras com lentes de última geração.

Já estou até prevendo os congestionamentos tanto de carros nas ruas da cidade quanto de passantes e transeuntes que vão parar pra ver toda a movimentação. O frenesi vai tomar conta dos primeiros meses, depois pode até ser que os cidadãos fiquem bastante chateados e queiram distancia, mas acho que mesmo assim não vão boicotar o produto, pelo contrário, vão sentir até um pouco de orgulho da cidade e mesmo que não acompanhem religiosamente, sempre que uma imagem da cidade for mostrada, oportunamente será assistida. E pode até ser que apareça um conhecido ou outro na tal imagem.

Não será no horário nobre, também aí já é querer muito até mesmo por que isso aconteceu há alguns anos atrás com alguns cenários da cidade. Dessa vez será diferente. Não uma mera coadjuvante. Agora somos personagem principal, pano de fundo pra mais uma aposta de teledramaturgia da Rede Globo na próxima novela da faixa das sete horas. Niterói será cenário de uma trama leve e divertida. Pra cidade será uma divulgação internacional ótima o que elevará mais ainda a auto-estima e o alto astral dos habitantes e ao passar fora do país aguçará a ânsia do turista pra conhecer a cidade. Sorrisos fora e dentro da tela.

Esbarrar com globais está cada vez mais comum a partir do fim do ano quando começarem as gravações. Não que seja impossível, é só ir pra algum shopping da Barra que eles estão aos montes lá. Mas em Niterói a novidade ficará na freqüência com que eles estarão na cidade por forças das circunstancias. O nome da novela, o autor e o diretor, no momento em que eu estou escrevendo eu não sei, mas vou manter o mistério, a não ser que já tenha sido divulgado até então. Por se passar em Niterói e por uma questão de economia e até um pouco de bom senso, grande parte da figuração composta pra participar das cenas feitas na cidade serão de cidadãos que moram em Niterói.

Cito as palavras de Noel Rosa e digo como se fosse sobre a minha cidade esses versos que ele compôs pra música “Cidade-mulher”. ‘Cidade notável, inimitável, maior, mais bela que outra qualquer. Cidade sensível, imprevisível, cidade do amor, cidade-mulher.’ Agora a mulher tem um sorriso de estrela que entra no ar depois de cometer os sete pecados. Com seus prós e contras o fato é que Niterói estará em evidencia por cerca de oito meses e consumado pelo martelo da alta cúpula da emissora será cenário pra novela.

E caso conheça alguém com tempo disponível, desocupado, desempregado ou mesmo capaz de flexibilizar o tempo em que ele esteja ocupado e tem interesse e queira fazer parte da cena, ou seja, queria ganhar um trocadinho como figurante, se ainda der tempo eu posso dar um empurrãozinho. Mas tem que ter muito saco, muita paciência porque é um dia que não se faz praticamente nada. A não ser jogar conversa fora. Mas é muito melhor não fazer nada próximo de casa do que ir pra Jacarepaguá e fazer o mesmo lá. È mais cansativo. Aconselho a dar preferência sempre pra Niterói que vai mostrar seu valor e seu talento na tela. Agora, silêncio no set, por favor. Tudo preparado? Luz, câmera, atenção, gravando.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FORMIGAS E CIGARRAS

Não sei se sou cigarra ou formiga. Sabe a história da fábula onde a cigarra canta e a formiga trabalha, se não me engano criada por La Fontaine, e que no final as duas se juntam e a formiga trabalha cantando ; a cigarra canta trabalhando.

Bem, esse final era o da historinha que tinha num LP amarelo que freqüentava muito minha vitrolinha vermelha cuja tampa era a caixa de som, relíquia da minha infância que guardo juntamente com meu ferrorama.

No mundo atual as cigarras estão ficando cada vez mais escassas e as formigas cada vez mais aparentes. Eu não sei em qual dos dois perfis eu me encaixo. Gosto de ser um híbrido dos dois insetos já que busco mais o prazer no que faço e deixo o resto como conseqüência. Por isso que eu faço melhor do que as pessoas que fazem por necessidade, ou seja, eu trabalho cantando e canto trabalhando.

No mês passado um programa dominical comentou sobre essa fábula visando a parte econômica aderindo a imagem da formiga ao poupador e a cigarra ao gastador. Nesse ponto eu acho que sou mais cigarra que formiga apesar de em algumas situações ser mais formiga que cigarra. Já disse aqui em alguma postagem passada que não faço planos, sinal de que não sou formiga rainha, no máximo uma operária. Mas também não sou gastadora como a cigarra que não pensa no dia de amanhã. Eu penso, mas o amanhã pra mim dura no máximo cinco anos e não trinta como pensam a maioria das formigas.

Estou chegando à conclusão que sou um ponto de equilíbrio entre as duas. Não tão equilibrado assim, mas chegando mais perto do meio que das duas extremidades. No fundo acho que toda formiga tem uma certa inveja das cigarras e por contraponto as cigarras também têm uma ponta de inveja das formigas. Mas ao mesmo tempo se trocarem seus papéis poucas seriam cigarras e formigas que se adaptariam a função da outra. Em se tratando do meu caso que não sou formiga a ponto de pensar num futuro longínquo e calcular tudo a curto e médio prazo, mas também não sou cigarra a ponto de gastar muito mais do que ganho e me enrolar em dívidas, poucos seriam as funções em que eu me adaptaria. Por isso que viso o prazer no que eu faço. Trabalhar ou cantar se feito com gosto não se torna uma rotina, uma obrigação e sim uma festa. Claro que há normas de conduta pra qualquer tipo de trabalho. Mesmo assim é muito melhor ter prazer no que faz pro resultado final se apresentar perto da perfeição, já que a perfeição é algo quase inatingível.

Cigarras e formigas estão na vida de todo mundo. Basta você pender pro lado que quiser ou tentar ficar no meio como eu. Nem tanto à formiga e nem tanto à cigarra. Poupar faz bem, dá um alívio em certas situações, mas ser mão de vaca é pra formigas que não tem uma vida financeira regrada. Do mesmo jeito que gastar com as coisas que você quer, gosta ou precisa também é bom, mas fazer dívidas homéricas, enormes que sabe que não se quitará dentro do prazo ou se comprando supérfluos desnecessários é pra cigarras que não sabem dosar suas economias. Exatamente por isso é melhor estar perto do ponto de equilíbrio, ser um mutante com parte dos dois insetos. E pelo fato de eu não ser tão formiga a ponto de eu não me preocupar com o futuro longínquo nem tão cigarra a ponto de não me preocupar com nada que eu traço minhas metas e procuro cumpri-las no menor tempo possível. Mas como é a curto e médio prazo da pra cumprir. E nunca mais de três por vez pra poder administrar sem perder o controle sobre elas.

Claro que dependendo do interesse e da situação sempre surgem mais metas que ficam na fila de espera sempre na dependência do meu lado formiga pra que elas possam ser concretizadas do jeito que eu tenho planejado e do meu lado cigarra pra que eu possa me desfrutar completamente e mergulhar por inteiro nelas com todo e o maior prazer.

domingo, 2 de setembro de 2007

THAIS E TIAGO

Tô aqui pensando em como é engraçada a minha reação perante a eventos tipo esse que vocês estão fazendo agora. Ano passado, por exemplo, duas vizinhas minhas, do prédio onde moro casaram.

Casar faz parte de um dos quatro estágios da evolução do ser vivo. Pelo menos eu aprendi que a gente nasce, cresce, reproduz-se e morre. O fato de casar normalmente se encaixa entre o crescer e o reproduzir. Voltando às minhas vizinhas, eu chorava copiosamente no casamento delas. Afinal a gente cresceu junto, convivendo no mesmo ambiente. Claro que todo mundo tem um rumo na vida e cada um segue o seu, mas enquanto rolava a cerimônia delas todos aqueles momentos em que passamos juntos vieram à minha mente. As primeiras descobertas, os primeiros casos, as idas a escola juntos, já que a gente estudou na mesma escola durante um tempo, as primeiras noitadas compartilhadas, enfim. Tudo isso veio à tona na minha cabeça. Parecia que aquilo era um rito de passagem pra tirar pedaços de mim. Tirar talvez não seja a palavra certa, mas realocar todas essas lembranças em um outro lugar aqui dentro, apesar da gente continuar a se gostar e falar o tempo todo.

No caso de vocês é diferente. Primeiro por se tratar de mais do que uma amizade bonita, e sim de família. Família essa que apesar de enorme vocês estão tendo a coragem de fazer aumentar e eu agradeço por isso. Eu também acredito que Deus tem um motivo pra colocar certas pessoas em nosso caminho. Se o motivo é único ou não a gente pode discutir depois.

No nosso caso, Tiago, que aparenta não ter relevância nenhuma, já que somos primos, foi mesmo a providência divina. Aí é que a gente vê que em certos casos as aparências enganam e é o fato de sermos da mesma família que faz a diferença, que realça ainda mais o nosso laço de amizade, carinho e afeto. Se tem uma coisa da qual eu me orgulho, mesmo com todas as divergências, dificuldades e defeitos é de pertencer a essa família que passou pra gente valores morais e éticos que não encontramos mais por aí e por não ser uma mercadoria não fica exposta na prateleira da venda da esquina.

Quantas vezes a gente clareou nossas visões numa conversa, num bate papo e percebemos que em um cantinho, lá, escondidinho, graças a um toque, uma palavra, existia a possibilidade de uma situação nova e a partir daí as mudanças de perspectivas, a torcida pra que tudo desse certo e as alegrias da conquista compartilhada entre todos nós.

Agora, primo, você tem o prazer e o privilégio de trazer pro nosso meio essa lindeza que é a Thaís. No caso, já trouxe, mas agora é oficial. De fato e de direito. Ela já teve tempo suficiente pra se acostumar com nossa grande família, da qual surge uma nova ramificação, um novo galho da nossa quatro centenária árvore genealógica. Raízes fincadas há anos, tronco fortalecido por décadas e mesmo assim ainda dá folhas e frutos.

É Thais. Você já conhece, se acostumou e acompanha muito bem as nossas sandices conscientes e tem toda razão de querer entrar pra essa família. Faria o mesmo se tivesse na sua pele. Aliás, faria de tudo pra entrar nela caso eu fosse de fora mesmo se não tivesse na sua pele. Mais uma vez e pra eternidade seja bem vinda. Não é você que tem a honra de me ter como padrinho daquele que seja talvez o maior momento da sua vida, pelo menos até agora, mas eu que tenho a honra, o prazer e a glória de abençoar seu casamento. E já é mais do que sabido, mas não custa nada reforçar, toda a amizade, o carinho e o afeto que eu tenho desde pequeno com o Tiago, que sempre foi um dos meus ídolos, são extensivos a você. Como estão se transformando em um só corpo agora você também é minha ídola. Podem contar comigo pro que der e vier. Sempre. Amo vocês de coração e me orgulho disso. Parabéns. Beijos super carinhosos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

SAIDA ESTRATÉGICA PRA...

Uma famosa escritora uma vez me disse e eu saio repetindo isso pra todo mundo que descubro ser meu conterrâneo. ‘Quem é de Niterói não renega suas origens.’ Concordo plenamente com a frase e eu faço questão de ser o porta-estandarte em favor da terra onde ergui minha bandeira e plantei minha raiz. Tenho orgulho de ser de Niterói, encho o peito pra falar da cidade e a defendo de quem fala mal, salvo quem mora nela. Sempre digo que não troco Niterói por nada a não ser em caso de extrema necessidade e não por opção.

Pois não é que outro dia me peguei vendo apartamento pra alugar nos classificados de um jornal em plena zona sul do Rio. Claro que não vou me mudar de uma hora pra outra como fiz ano passado, loucura essa que durou dois meses e por eu ter mudado a prioridade, a meta número um da minha vida, voltei pra casa. Acontece que a meta número um começou a conviver com a meta número dois e a meta número três é justamente sair de casa, o que será lucro pra mim se isso ocorrer até o primeiro semestre de 2009.

Se tudo correr no ritmo que está pode até ser que realmente eu obtenha esse lucro, mas não vou correr atrás dele desesperadamente. O percurso natural das coisas deve ser mantido. Mas enquanto isso não custa nada dar uma checada no que o setor imobiliário está oferecendo. E a especulação que eu faço para comigo mesmo é pra onde eu deveria ir. Só tenho certeza de uma coisa. Se for pra sair realmente de casa, sairei de Niterói. Porque alugar um ap. aqui além de mais caro é o mesmo que enxugar gelo de modo que se poso continuar morando na cidade sem ficar muito oneroso pra mim, pra que sair?

Além disso, trabalho lá pros lados de Jacarepaguá e em horários que não são regulares e ficar indo e vindo todo dia pra lá e pra cá também é dispendioso principalmente se o carro não for movido a gás. Essa é outra meta que eu digo ser volátil, ou seja, sem ordem hierárquica. Botar gás no carro e adquirir um lap top pra mim. Isso já é considerado meia liberdade. Se tenho um meio de transporte que me leva pra onde quer que eu vá e um computador no qual recebo informações onde quer que eu esteja só me falta um ponto de apoio e é justamente isso que estou procurando pra daqui a algum tempo. Não sei se estou me precipitando, mas vai que termine uma das metas antes do tempo e no meu estica e puxa orçamentário dá pra arriscar. Não vou fazer esforço pra isso, porém se me pintar a oportunidade é claro que não vou deixar passar. Pode até ser que eu encontre outro louco que queira dividir comigo essa idéia e as conseqüências dela.

Só posso começar a pensar nisso depois que eu cumprir uma das duas metas anteriores a essa. O que eu espero não demorar muito apesar de também não estar apressado quanto a isso. Aliás, não estou apressado quanto a nada. Acho que as coisas têm um tempo pra acontecer e acontecem no tempo certo. Eu estive vendo apartamento pra alugar na zona sul por que quando eu me mudar não acho que seja uma boa ficar em Jacarepaguá que apesar de ser mais perto do local de trabalho é longe de tudo. Estou pensando na zona sul mesmo, algo do tipo Copacabana que fica no meio do caminho.

Por conta do azar, ainda dei sorte e irei concluir a primeira muito antes do que eu previa. Espero que a sorte me bata a porta inúmeras outras vezes pra que antes do tempo eu possa ter cumprido com as minhas cinco metas, sendo duas voláteis e três fixas. No entanto, se até o segundo semestre de 2009 as três fixas já estiverem cumpridas me dou por satisfeito. A única coisa que pode atrapalhar meus planos sem que os interrompa é o excesso de trabalho. Quanto a isso posso redistribuir essas metas, aumentá-las ou diminuí-las.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

CARTA ABERTA PARA QUEM CHEGOU AGORA

Como você ousa esperar nove meses pra chegar a esse mundo? Será que sabe onde realmente se meteu? Tem idéia do que se passa nesse planeta? Sinceramente eu preferiria nascer verde e com antenas lá em Marte do que encarar o que tem rolado por aqui. Tá bom. Não vou mentir logo de cara. Não existe ser verde e com antenas lá em Marte, mas vá se acostumando. Não que eles possam surgir na sua frente a qualquer hora. A recomendação é pra ir se acostumando com as mentiras. O mundo é cheio delas. E você insiste em vir pra cá.

Espero sinceramente que mesmo com essa loucura toda se adapte rapidamente e goste de viver aqui. Não é tão ruim. Eu, por exemplo, estou aqui há trinta anos e adorando minha estadia. Também já estou acostumado com as insanidades que rolam e até já incorporei algumas. Assumo sim. Sou maluco. Completamente maluco beleza. Não se assuste. Nem todo maluco é louco. Eu, ao menos, tenho essa consciência de ser maluco.

Como você acabou de chegar ainda é muito complicado distinguir os malucos bons dos não tão bons assim. Junte-se aos bons que a vida irá parecer menos pesada do que já é. Até porque ninguém suporta uma vida totalmente regrada e certinha. Logo você vai perceber isso e por incrível que pareça surpreender a todos nós. A gente já sabe o que você vai fazer e aprontar. Nós também já passamos por isso. E mesmo assim suas atitudes vão nos chocar e surpreender.

Impossível não perceber e reparar nas pessoas que te cercam. Começando, claro, pela sua própria família, bando de malucos beleza como eu. Aliás, tenho pra mim que de todos você é quem detém a loucura maior. Afinal, chegar onde você está talvez seja a maior loucura que fez nessa sua vida que acabou de começar. O resto é pra tirar de letra. Se você souber rebolar e gostar de uma farra, de uma festa é sinal de que é uma brasileira nata. E se o mundo já é bastante conturbado, potencializa isso no país em que nasceu. Longe de querer te assustar mais ainda. Só estou tentando te preparar pra realidade. No entanto nem tudo são pedras e espinhos. Logo vai notar o lado bom disso tudo. Procure reparar nas coisas mínimas, nos pequenos gestos, numa flor, pra que se possa conhecer a verdadeira sanidade da loucura que cometeste.

Lembranças boas são o que você deve reter na sua mente. Confesso que passamos maus bocados também e a melhor coisa pra se fazer nesses momentos é aprender. Por falar em aprender, já te disseram que você está matriculada numa escola? E na melhor escola que existe? O melhor aprendizado, por mais que freqüente o que a gente chama de escola ou colégio, é o que se vai adquirindo no dia-a-dia, com as pessoas que te cercam, não só sua família e os amigos que vai conquistar, mas com todos que de alguma forma vão cruzar o seu caminho. A atenção se faz necessária pra não cair nas armadilhas da vida que certamente vai cair. Mas aí é levantar, sacudir a poeira, ver o que se pode tirar de bom e dar a volta por cima.

Incidentes, acidentes, arranhões, escoriações, machucados, dores serão uma constante. Ainda mais se sua molecagem for exacerbada. Isso não chega a ser loucura. Isso é infância que deve ser bastante aproveitada. Não queira apressar o tempo e se tornar grande antes da hora. Do mesmo modo que nunca perca essa infância, essa criança quando for grande. Em muitos casos você vai precisar dela na sua fase adulta. Obvio que terão fases difíceis, ruins, que farão você pensar o porque de estar aqui, mas tudo passa e depois da maré baixa sempre vem a maré cheia. É o ciclo da vida.

Aqui estão alguns conselhos meus. Não vou me importar se você não segui-los. Afinal, a vida agora é sua. Quero mais que você seja feliz. É apenas isso que espero. A sua felicidade. Agora que chegou, agüenta.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

ETERNA DISCUSSÃO

Mês passado foram os bingos que tiveram em evidência. Hoje eu quero focar num outro tipo de vício: as drogas. Primeiro temos que separar os usuários dos traficantes. Se de fato as autoridades quisessem parar com o tráfico teriam que investigar e descobrir o cerne da questão, ou seja, ir na fonte do problema e não nos braços, nas suas ramificações e pegar os cardumes de peixes pequenos deixando escapar os verdadeiros tubarões.

Segundo, o fato de ser proibido é um dos que mais aguçam a curiosidade principalmente da garotada que está começando a descobrir a vida. Talvez, a descriminalização pode até diminuir o nível de consumo dessas substancias ou se aumentar não há de haver tanta morte, tanto crime cujo pano de fundo são as drogas.

Terceiro, se não dá pra vencê-los, junte-se a eles. Sei que é praticamente impossível acontecer isso, uma espécie de acordo entre autoridades e os poderosos do tráfico para um negócio que tem seu público fixo e fiel. É uma idéia louca, mas que poderia dar certo caso alguém concordasse com ela. Incentivo do governo não é a palavra correta para esse caso, salvo na área de saúde onde deveria ser aplicada uma política de saúde pública de recuperação ou desintoxicação nos casos mais graves de dependência química e/ou psíquica. O governo liberaria as vendas de todos os tipos de drogas, os traficantes continuavam a concorrer entre si de uma forma mais justa e legal desde que pagassem impostos altos para comercializarem suas mercadorias, tal qual acontece com o cigarro, e usar o dinheiro desses impostos para o tratamento de recuperação pra quem quisesse ou precisasse.

Com as duas áreas bem divididas, meio no combate e meio na saúde, daria pra se levar esse assunto numa boa e com pouco estresse. No entanto, idéias geniais como essas são prontamente confundidas com loucas e duvido que algum governante ou autoridade competente tenha a coragem de aplicá-la. Talvez não seja a solução ideal, mas que aliviava pelo menos a parte da violência, da guerra entre as facções rivais. Aliás, chega a ser cômico chamar de crime organizado se eles brigam entre si. A organização só acontece realmente quando assustam a população civil ou atacam os policiais, mas entre eles não há tanta organização quanto se estampa.

Quanto a essa questão das drogas sou careta por opção. Acho que na vida a gente tem que experimentar de tudo um pouco, mas coisas que causam dependência tem que ter um certo cuidado. Mesmo se o vício for cafezinho. A frase ‘não consigo viver sem’, nesse caso, teria que ser suprimida. Minha tese é de que não faça da primeira vez por que a segunda é mais rápida do que se imagina. Isso não se aplica só em relação às drogas, mas em tudo. Do mesmo jeito em que há uma linha tênue entre o prazer em estar consumindo e o vício de modo que chega uma hora que não se sabe em que nível chegou.

Confesso que tenho uma grande vontade de experimentar todas as drogas ilícitas, já que das lícitas não fui com a cara do cigarro, mas confesso que tenho medo e por isso ainda não tive minha primeira vez para com elas. É muito difícil que isso aconteça, mas também não serei santo em descartar essa possibilidade. Tenho medo, além do vício propriamente dito, da reação do meu organismo. Vai que eu tenho um colapso, um piripaque, sei lá, um problema grave de saúde só pelo fato de ingerir um ecstasy ou um LSD. Sem contar os casos sabidos de loucura, alucinações e amnésias provocadas pelo consumo. Sei que os pontos colocados aqui podem gerar discórdia, mas acho que a minha idéia iria beneficiar muita gente e prejudicar poucos no que tange principalmente à guerra do tráfico. Quanto aos usuários, todos têm acesso à informação e cada um faz o que bem entender da sua vida. È só não prejudicar quem está em volta.

domingo, 5 de agosto de 2007

PAN PAN PAN PAN

Sabe aquele ditado que diz eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem? Ele caiu como uma luva pra mim no mês passado. Não que eu seja supersticioso a ponto de não passar por baixo de escadas ou ficar temeroso ao ver um gato preto. Tenho algumas manias como todos, mas nada que seja obsessivo compulsivo. São poucas as sandices ilógicas que fazem parte da minha vida, no entanto elas têm que estar presentes pra que seja completa.

Na última sexta-feira treze algumas bruxas bateram a minha porta. Sempre tive vontade de assistir a uma cerimônia de abertura ou de copa do mundo ou de olimpíadas ao vivo no estádio. Claro que, dada as devidas proporções, afinal de contas os jogos pan-americanos são olimpíadas disputadas apenas pelos países componentes das três Américas, assisti ao vivo no estádio do Maracanã a cerimônia de abertura do Pan Rio 2007 e sem pagar um mísero tostão pelo ingresso cujo preço era astronômico pra realidade brasileira. Não são todos que têm duzentos e cinqüenta reais pra compartilhar de uma festa maravilhosa. Aliás, eu mesmo não teria ido caso tivesse que desembolsar essa quantia. Se eu tivesse em outra configuração como numa excursão de pacote completo e fosse incluído o ingresso seria diferente.

Tudo tem um motivo pra acontecer. Nesse dia eu estava meio chateado por não ter conseguido um dia de trabalho. Eis que o telefone toca. Tia Tania, voluntária do Pan, dizendo que havia conseguido duas entradas pra cerimônia de abertura, ou seja, não era mesmo pra eu ir trabalhar nessa sexta-feira treze. A bruxa tava mesmo solta e a fada da minha tia me vem com essa notícia.

Chegamos ao maracanã pouco antes das cinco e meia da tarde. Os ingressos que ela arrumou eram de dois setores diferentes, um ao lado do outro divididos por uma grade. Nos separamos e marcamos um ponto de encontro. Foi uma experiência maravilhosa e assistir a festa ao vivo é diferente e muito melhor que vê-la pela tv. È uma outra emoção. A sua pulsação muda, a adrenalina interfere e a energia é sensacional. È o mesmo princípio de uma torcida de futebol com a diferença que na torcida, às vezes, a rivalidade aflora e o foco muda. O clima da sexta-feira treze estava longe de ser macabro, sombrio e obscuro.

Todos os jornais no dia seguinte noticiaram a vaia do público ao presidente. Até essa vaia tinha sido ensaiada. Segundo minha tia que havia visto também o ensaio. Particularmente eu achei esse momento uma falta de respeito. Vaias ao presidente são válidas sim, mas não quando todas as Américas estão voltadas ao discurso oficial de abertura dos jogos pan americanos. De acordo com o bom senso a não manifestação seria o ideal. Já a vaia na passagem da delegação americana, também ensaiada, não tinha o rancor da do presidente era mais uma provocação.

Já a segunda parte da cerimônia de abertura consegui assistir ao lado da minha tia. Justamente na parte da festa, do carnaval em si onde diversas alas fantasiadas executavam suas coreografias representando a energia da terra, água e do homem. Cobras, jacarés, plantações, o mar e o calçadão de Copacabana, o boi da cara preta, tudo incluído na energia da festa que se encerrou com a voz de Daniela Mercury numa mesclagem de dois hinos: Cidade Maravilhosa e Aquarela do Brasil. O primeiro pensamento que tive ao sair de lá foi já correr atrás de um pacote pras olimpíadas de Pequim no ano que vem. Sei que é muito absurda dentro da minha realidade. Mas quem sabe uma bruxa capta essa idéia e a concretize.

Como a minha prioridade é outra, essa idéia é descartada por enquanto até mesmo pra eu ter na minha lembrança durante bastante tempo os momentos maravilhosos que vivenciei nessa festa de abertura dos jogos Rio 2007.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

FILHOS, MELHOR NÃO TÊ-LOS

Reza lenda que para um ser humano morrer realizado ele deveria fazer três coisas. Plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro. Desses, o mais difícil atualmente é fazer um filho. Não que o ato seja difícil, o problema são as conseqüências. Ou seja, fazer é o de menos, conduzir, estruturar e criar é que são elas.

Eu incluiria a adoção nesse meio. È um gesto bonito, um ato de amor louvável e reverenciável. Abrir a porta e o coração pra uma criança alheia à própria família que por infelicidade do destino teve que ser deixada em um abrigo é uma atitude nobre. Eu atualmente digo que não terei um filho, seja biológico ou adotado. Não tenho coragem de educar uma criança no mundo do jeito que está com valores invertidos, pra não dizer sem valores, onde não há um mínimo de respeito pelos outros e cuja tendência é piorar mesmo com alguns focos descentes de resistência.

O mundo está louco e eu não acho de bom tom criar um indivíduo com o mundo desse jeito e com a situação na qual eu me encontro financeiramente principalmente. Se eu ainda não consigo me sustentar sozinho que dirá eu e mais um. Além disso, a natureza foi bastante generosa em ter me feito homem. Sinal de que posso ser pai mesmo com idade pra ser avô.

Outro ponto que tem que ser tocado ao se tratar de adoção. A burocracia ainda é muito grande apesar de algumas medidas que são tomadas pra que a adoção que se faça seja eficaz como acompanhamento social e fase de adaptação da criança para com a pretensa família. Mesmo assim levam-se anos e anos pra se conseguir a custódia definitiva de uma criança. E uma vez conseguida torna-se irreversível. Afinal uma criança não é uma mercadoria que se obtém num mercado e se não gostar devolve. Há uma vida e todos os tipos de sentimentos envolvidos nela. O carinho, as dúvidas e questões, a revolta, o preconceito, as descobertas e por aí em diante. O responsável tem que saber lidar com isso tudo. Eu confesso que ainda estou imaturo nesse ponto também pra cuidar de uma criança. Mal sei lidar com esses sentimentos em mim, imagine não saber lidar em dobro.

Definitivamente a fase que estou passando atualmente não pede, não requer, não impõe em ter filhos sejam eles adotados ou legítimos. O mais engraçado ou estranho é que acerca de uns dez anos as advertências que eu dava pra algumas amigas minhas era justamente ao contrário. Pra sorte minha ninguém levou a sério. Avisava a elas para caso engravidassem e fossem registrar a criança que eu cederia o meu nome pra por na lacuna ‘pai’ com a intenção de a suposta criança ter uma referência paterna. Ainda bem que ninguém acreditou em mim. Estaria amargamente arrependido ou adaptado a outra realidade que provavelmente não me agradaria pra cumprir a boa vontade da amiga que tivesse feito isso. Essas sim são amigas por não terem me deixado fazer isso. Aliás, acho que até hoje nenhuma delas teve filhos ou se teve não me avisou.

Bem, confesso que além de não querer filhos tão cedo ainda na minha fase, e cada vez mais atuante, de sexo, drogas e rock’n roll. Não necessariamente nessa ordem ou com a mesma intensidade pedidas pelas palavras. O rock pode se diversificar em outras modalidades de música. As drogas podem ser vistas como vícios, e cada um tem o seu, a sua dependência física, química ou psíquica não necessariamente de algo pesado e prejudicial à saúde. Existem vícios bons, creio eu. Pode ser vício de trabalhar, por exemplo. E o sexo é uma coisa pra se fazer entre quatro paredes e ninguém tem nada com isso. Acho um absurdo sair falando bem ou mal de uma pessoa com a qual a intimidade foi dividida. Talvez por ainda estar aproveitando essa fase tríade eu seja um maior abandonado. Se quiser ou conhecer alguém que queira me adotar juro que não dou trabalho nenhum.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

FAÇAM SUAS APOSTAS

Há cinco anos atrás passei uma temporada na Califórnia. À época a minha prima morava na grande Los Angeles, no condado de Santa Ana, perto de Anaheim no distrito de Orange County. Fiquei lá durante quase um mês e minha idéia seria conhecer a costa oeste toda de San Diego até San Francisco, mas, se tempo é dinheiro, não tive ‘tempo’ suficiente pra subir até San Francisco e fui só até Santa Bárbara.

Nessa viagem também tive a experiência de passar vinte e quatro horas no paraíso da jogatina. Las Vegas no meio do deserto de Nevada, e por isso considerado um dos dias mais quentes que passei durante essa temporada, é muito atraente. E tem que ser. Aqueles hotéis cassinos gigantescos com luzes coloridas e sempre com atrações e shows e com saguões com máquinas, roletas e mesas de carteados parecem cinematográficos.

O Brasil teve seus momentos de glória nos cassinos fechados por decreto lei na época do presidente Dutra. Hoje a operação navalha se faz presente nos noticiários. Os caça-níqueis tão famosos em Las Vegas aqui servem como pretexto para briga de quadrilhas e principalmente lavagem de dinheiro. O que mais se aproxima dos cassinos são as casas de bingo. Em algum lugar do passado cheguei a comparar Las Vegas com Brasília, duas cidades construídas no meio do nada, onde a grana rola solta e o volume de grana é enorme.

Me lembro de ter entrado em casa de bingo por duas vezes na vida. Uma foi no Bingo Botafogo que ficava ao lado da entrada do Canecão e eu na fila pra entrar e assistir ao show da Rita Lee apertado pra ir ao banheiro não consegui segurar e entrei só pra ir ao banheiro. O engraçado foi que mesmo avisando ao porteiro da minha finalidade ele me deu um papelzinho, uma espécie de comanda que lhe foi devolvido cinco minutos depois. A outra vez foi numa gravação da novela ‘América’ na cena em que a protagonista ganhava dez mil dólares. Dessa vez eu joguei numa maquininha daquelas. Claro que foi o dono do bingo que botou a nota de cinqüenta reais e cedeu os créditos para que eu jogasse cenograficamente. No início até que eu comecei ganhando. Sorte de principiante. Mas depois eu fui perdendo, perdendo até que apertei o botão errado e travei a máquina. Quem deu sorte até por estar mais acostumada a jogar nesse tipo de máquina foi a mãe da atriz Deborah Secco que estava visitando a gravação. Se tivesse valendo ela teria ganhado uma boa nota.

Que a justiça seja feita com os lavadores de dinheiro e formadores de quadrilha, mas que o governo ponha a mão na consciência e veja que as casas de bingo dão o pão pra muita gente. Claro que tem uns doentes que gastam o que têm e o que não têm, fazem dívida, pegam empréstimos e perdem casa e carro por conta de jogo. Isso não é um fenômeno particularmente brasileiro. Acho que o governo poderia reverter a situação para ele mesmo regularizando e quem sabe se com a arrecadação não seria possível a diminuição de impostos ou incentivos a outras atividades como esportivas e culturais.

Me posiciono inclusive a favor da volta dos cassinos de modo que assim a possibilidade do ganha pão é expandida para vários segmentos profissionais. Se fosse de interesse público e político e souberem como implementar e administrar, daria certo uns cassinos no Rio e em outras cidades de apelo turístico. Tenho quase certeza de que os cassinos não irão voltar à ativa nem agora e nem tão cedo. O jogo de interesses por trás dessa hipótese é muito grande. Na verdade, apesar de eu ser a favor, acho que nunca mais vão abrir um cassino no Brasil. Irão continuar os clandestinos e as casas de bingo provavelmente voltarão a funcionar depois que essa navalha cortar quem tiver com a carne a mostra agora e cicatrizar essas chagas abertas por essa operação.

domingo, 15 de julho de 2007

BAIXAR E PIRATEAR

Ainda tendo a música como mote, provavelmente em alguma postagem mais antiga já tenha abordado esse assunto. Não que eu esteja sendo repetitivo, mas volta e meia esse assunto volta à tona e a discussão sempre se faz valer. Em voga novamente a pirataria e suas conseqüências. Antes de qualquer coisa temos que definir o que é exatamente a pirataria. Eu vejo como a apropriação indevida de algum produto com finalidade de reprodução em série e lucro com a venda das cópias desse produto. Frisemos bem a palavra lucro.

Antes da chegada do CD, dominava no mercado fonográfico o LP de vinil e a fita cassete. Era raro eu comprar uma fita. Geralmente eu adquiria o disco. E quando não comprava e se soubesse de alguém que tinha tal disco pedia pra gravar pra mim numa fita. Esse esquema permaneceu em vigor até pouco tempo atrás. Só que ao invés da obra ser reproduzida de LP pra fita, com o avanço da tecnologia, atualmente se faz de CD pra CD. Houve modificação apenas no formato da mídia.

O crime se constitui quando há a obtenção de lucro com essa reprodução. Já é a segunda vez que digo isso justamente para enfatizar. Há uma diferença brutal entre copiar pra vender e copiar pra deleite próprio. Com o advento da internet tudo pode ser encontrado na rede inclusive músicas. Eu mesmo confesso que baixo muita música por um programinha próprio pra isso e não me sinto um criminoso por conta disso. Primeiro, se eu consegui baixar foi pelo fato de alguém ter chegado na minha frente e posto o arquivo lá. Tenho também por convicção ou mania comprar discos dos artistas que eu gosto de consumir sem sequer cogitar em baixar as músicas pela internet. Salvo quando o hiato entre o lançamento e a minha aquisição fique muito grande. Mesmo assim é uma música ou outra.

Esse sistema de pirataria tem feito com que artistas e gravadoras estabeleçam um novo esquema de revelação. Como o custo de produção de um disco está bem acessível para qualquer um, a parceria com as gravadoras existe mais na parte de lançamento e distribuição. Uma das pioneiras a fazer isso foi a Marisa Monte com a Phonomotor Records. Existem exceções como a Ivete Sangalo que ainda é contratada da Universal Music e posa de galinha dos ovos de ouro devido a grande vendagem de discos empurrados pelos sucessos sempre nos topos das paradas. Seria devido ao famoso e também discutível jabá? Isso já é uma outra história.

Dois pontos importantes que também precisam ser tocados é que as grandes empresas de tecnologia com braços na produção musical não pode reclamar do aumento abusivo da pirataria. Se ela perde por um lado, ganha ao vender os próprios gravadores de CD e CD’s virgens que põem no mercado. O outro é que artista ganha dinheiro com suas apresentações. Ninguém vive só de vendagem de disco. Existe uma série de cantores que não precisam nem de ficar exposto ao grande público que assiste TV para fazer seu próprio marketing que mesmo assim lotam seus shows. No entanto suas interpretações estão sendo executadas em novelas e programas de grande circulação.

Se por um lado baixar músicas na internet é visto como um meio ilícito por várias pessoas, alguns artistas que vivem de música já confessaram que fazem o mesmo, principalmente em termos de pesquisa para se informarem mais sobre qual som tem rolado lá fora e descobrem bandas e grupos os quais até então desconhecidos e vêem afinidades para com eles. Tudo o que é ruim tem seu lado bom. Eu vou sim continuar a baixar música pela internet e volta e meia compilar num CD para uso próprio ou coletivo, presenteando amigos também, mas em hipótese nenhuma obtendo lucro com esses discos, no máximo repondo o que foi gasto na compra da mídia, coisa que não tenho o hábito de fazer. Nesse ponto, a bandeira do meu navio musical é a branca.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

QUAL É O RITMO?

Quando eu chegava à casa dos meus avós pro almoço de domingo a televisão de lá geralmente estava ligada no programa Silvio Santos. Um dos programas embutidos nos vários que eram apresentados por ele na época em que sozinho ficava no ar até as dez da noite era o ‘Qual é a música’ onde os cantores disputavam uma gincana na qual ganhava o que demonstrava ter melhor conhecimento musical. Atualmente esse programa voltou a ser exibido. Por se tratar de Silvio Santos e por mais que ainda seja ele que apresente não se sabe até quando.

Na década de oitenta não existia o CD e o programa se atualizou conservando todas as suas provas. A mistura do antigo e tradicional com o novo e moderno dá a graça ao programa. Araci de Almeida e o grupo Skank, por exemplo, podem ser compartilhados no mesmo tipo de prova. Música é sempre bom. Pra quem foi criado em ‘jam session’ de modo que reunião de família sempre rola uma roda de viola e cantando as músicas passadas pelo meu avô aos meus tios como as passadas pra gente pela execução maciça das ondas do rádio a música é uma das melhores vias de comunicação. Talvez por isso eu seja bastante eclético. Claro que como todo mundo tenho minhas preferências, mas procuro escutar de tudo mesmo se for pra dizer que não gostei ou não me atraiu determinado ritmo ou música. Tolero a grande maioria. Em festas concordo que tenha que tocar de tudo um pouco. O que ainda me incomoda um pouco, provavelmente por não ter ouvido condicionado e/ou prática é escutar o tempo todo o mesmo ritmo.

Botando na berlinda como exemplo a música baiana conhecida também como ‘axé music’, é muito difícil eu passar o carnaval em Salvador. Salvaguardando Ivete Sangalo e Daniela Mercury que surgiram desse nicho, mas conseguem magistralmente passear por outras tendências musicais, os outros baianos de sucesso da geração pós-tropicália são mais focados nesse ritmo. Exemplifiquei com duas mulheres e confesso que gosto de ouvir mulheres cantando. Não desprezo os homens, sempre gostei mais das vozes femininas e as consumo. Rita Lee, Marisa Monte, Gal Costa e Vanessa da Mata são cantoras as quais procuro sempre ter os trabalhos delas. Dizem que as vozes femininas são mais requisitadas por reportar a memória musical ao cântico de ninar das mães.

Voltando às festas de um ritmo só, entre o carnaval em Salvador, um baile funk e uma festa rave a minha tendência é ir para essa última. Sei que deve ser um porre ficar o tempo todo escutando uma só batida durante horas, mas tem uma vantagem sobre as outras duas. È só o ritmo. Não tem o ‘aê aê aê’ das músicas de trio elétrico baiano e nem os grunhidos e gritos dos mc’s do funk com aquelas letras ricas na língua portuguesa e melodias apuradíssimas. Apesar de ainda ser um pouco arredio a musica eletrônica confesso que estou me aproximando dela. Alguns DJ’s são felizes na minha opinião em misturar o ritmo eletrônico com a música brasileira. É esse mix que tem me atraído. Gosto quando se coloca numa pista de dança uma música cantada pela Elis Regina, Maria Bethânia ou Ney Matogrosso. Acho que isso enriquece a cultura dos baladeiros de plantão. Ainda é difícil de se escutar isso na noite, mas quando toca com certeza é sucesso a ponto de agradar grande parte dos freqüentadores de uma boate. Claro que numa rave a barreira é maior e a resistência também. Afinal eles só estão interessados na batida.

Duvido que um freqüentador de rave acerte alguma música na prova do leilão das notas musicais do ‘Qual é a música’ que é a última e mais valiosa em termos de pontuação no jogo. Sete ou dez notas seriam poucas para eles. No entanto se fossem sete ou dez batidas diferentes a identificação da música eletrônica seria imediata.