domingo, 29 de abril de 2007

APARECEU A APARECIDA

No feriadão da semana santa a nossa casa de veraneio de Saquarema esteve ocupada. Até aí tudo bem. Janeiro, carnaval e feriados, principalmente fora do inverno, já que é casa de praia, é normal que alguém vá lá curtir uma temporada. O mais estranho foi o que aconteceu depois. Meu irmão foi o último a deixar a casa no início da noite do domingo de páscoa e, segundo ele, estava tudo normal, nos conformes como sempre fica a casa quando o último a deixa.

No entanto, no dia seguinte a olheira da casa que mora nos fundos da casa ao lado telefona aqui pra casa e diz pra minha mãe que a casa estava toda revirada. Espanto. A primeira atitude da minha mãe foi tirar os fatos a limpo. Falou com meu irmão e com a minha tia que estiveram lá e ambos falaram sobre a normalidade da arrumação. Uma coisa que eu não consegui conceber é que como é que pessoas estranhas invadem uma casa sendo que horas antes ela estava habitada? Informações apuradas minha mãe ficou de ver a casa durante a semana, assim que ela tivesse tempo. Calhou que na quinta-feira subseqüente ao dia do telefonema eu tivesse uma folga e então nós fomos até lá.

Pelo que me recordo, Saquarema já foi assaltada uma vez. Janela arrombada e objetos roubados mesmo. Isso faz tempo. Eu era pequeno. Não lembro exatamente como foi, mas lembro do fato de eu chegar lá e ver uma das janelas no chão. Como me lembro perfeitamente do caminhão de mudança parado no portão da casa e da geladeira descendo dele. Essa é uma imagem daquelas que a gente grava na infância e fica marcada pro resto da vida. Eu devia ter uns três pra quatro anos quando minha avó comprou aquela casa pra passar o resto dos verões da vida curta vida dela após a aquisição. Houve uma vez em que a casa foi invadida. E olha que na época nem era tão divulgado o movimento dos sem terra. Uma família arrombou a porta e decidiu ficar por lá como se a casa fosse deles. Se houve outro caso pitoresco desse tipo eu não me lembro. Histórias boas têm. E várias. As fotos existem pra comprovar.

Voltando à pauta em voga, chegamos em Saquarema na expectativa de encontrarmos tudo revirado, de pernas pro ar com coisas faltando e tal. Aproveitamos que a Aparecida estava por ali e a chamamos para entrar na casa conosco. Segundo ela havia um tipo de faca no chão que eu não vi, os jornais estavam espalhados, mas ela havia juntado tudo e colocado na mesa da sala, além da cozinha estar com a porta aberta e as coisas reviradas e que ela também tinha arrumado. Enfim, levamos a máquina de retrato pra fotografar os flagrantes que não existiam ou que se existiam foram desfeitos pela Aparecida. De qualquer forma, como não dava pra reforçar as janelas da cozinha que são as mais passíveis de serem arrombadas por estarem mais frágeis, minha mãe resolveu colocar duas ripinhas de ferro pra caso haja realmente uma invasão e pulem pela janela da cozinha quebrem a cara.

Claro que o reforço de todas as janelas da casa que só tem vinte e sete anos de janelas não reforçadas é uma prioridade, mas cada coisa a seu tempo. Somente ano passado a casa sofreu sua primeira grande reforma estrutural. Já havia sido aumentada a capacidade de armazenamento da cisterna. Mas isso não foi assim uma reforma no sentido arquitetônico da palavra. Os chãos da sala, que estava afundando, assim como o da varanda foram refeitos e a entrada tanto de pedestre quanto a de veículos que também precisavam de um cuidado devidamente tomado.

No fim tava tudo certo. Tudo intacto. Nada foi levado. Tenho pra mim que as aparições que a Aparecida viu eram frutos da imaginação dela. Ela achou que viu e não viu ou então viu quem estava em casa e confundiu com invasor. Coisas que só aparecem pra Aparecida e que faz aparecer uma pulga atrás da nossa orelha.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

TRINTA

Essa semana foi especial pra mim. Todos nós a partir do momento em que nascemos temos um dia especial. O meu foi ontem. Dia de dizer que passei por mais um ano. Mas esse tem um plus a mais. Além de ter passado por mais um ano, encerrei a terceira década da minha vida. Sei que não parece, que minha carinha angelical me dá a aparência de pelo menos cinco anos a menos. Tudo na mais completa naturalidade. Foram trinta anos de uma vida boa. Não digo que tenha sido completa. Se bem que se olhar por um viés até isso foi. As necessidades básicas de todo ser humano me foram dadas com um certo conforto, e a estrutura familiar que me cerca até hoje é passível de eterno agradecimento.

Se fosse pra escolher teria novamente os mesmos tios, tias, primos e primas que tenho hoje. A vida prega peças a toda hora. Em algumas não dá pra reverter a situação e até consegui dar a volta por cima, mas o vazio no coração continua. O espaço por quem se foi está lá e ninguém substitui as cinco maiores perdas acumuladas nesses trinta anos. Meus avós e meu tio Tarcísio. Felizmente a própria família. Há quase dois meses nasceu o Igor, filho do Artur e da Jeana, aumentando assim a geração mais recente. Por outro lado o Diego reina como meu sobrinho primo (parentesco inventado por mim até prova em contrário).

Em trinta anos fiz muitos amigos e mantenho a amizade com aqueles que me conquistaram ou que eu consegui cativar. Aglutino meus amigos em três grupos. Isso não significa que um seja mais importante que o outro. È só uma questão de pontuação. O primeiro grupo ou ciclo de amizade é com meus amigos do edifício que eu moro, por sinal há trinta anos, ou que passaram aqui de alguma forma. O segundo eu chamo de estabelecimento de ensino. Claro que não lembro de quem fez o jardim de infância comigo. Nesse ciclo, geralmente os últimos que vieram, ficaram. A minha turma de faculdade, da qual me orgulho de ser amigo de cada um deles e de pessoas que conheci através deles. Alguns amigos ainda são dos tempos de escola, e apesar do pouco contato, sinto que são amigos. E o terceiro ciclo são os amigos do ambiente de trabalho. Pessoas que estou descobrindo como amigos fiéis e sinceros, outros que são amigos da onça. Isso tem em tudo que é ambiente de trabalho. Vivendo e aprendendo.

Essa frase pode até ser clichê, mas a vida é um aprendizado eterno. E se em trinta anos se aprende muita coisa, quem consegue passar dessa idade tem uma sabedoria de dar inveja. Às vezes fico pensando se em uma determinada situação tivesse tomado outra decisão não estaria como estou hoje. Acho que não. Tá certo que a situação em que me encontro não é a ideal pra uma pessoa de trinta. Sem um emprego fixo, morando com meus pais, no entanto fazendo o que eu gosto, o que me dá prazer e por isso fazendo bem. Tenho a impressão que só agora as amarguras da idade adulta estão rondando a minha vida. Chegaram tarde, mas chegaram.

Foram trinta anos bem aproveitados, com tudo que eu tinha direito. Erros, acertos, conflitos, sucessos, fracassos tudo isso misturado que fizeram valer a pena esses trinta anos. Talvez o meu maior mérito, ou defeito, é acreditar nas pessoas. Tenho uma fé inabalável e não esmoreço nunca. E por eu ter esse tipo de índole de criação algumas pessoas podem se aproveitar de mim. Mas eu levo isso pro lado da aprendizagem, da parte positiva da lição e não é por causa de tombos ou pernadas desse tipo que eu perco o meu vício na alegria e a minha dependência da vida.

Uma música que possa representar esses trinta anos, e provavelmente a vida inteira, é o hino da alegria composta pelo Gonzaguinha: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz/ Eu sei que a vide devia ser bem melhor e será/ Mas isso não impede que eu repita/ É bonita, é bonita e é bonita.”

segunda-feira, 16 de abril de 2007

LEITURA DINAMICA


Estou agoniado. Já estamos no quarto mês do ano e eu só li quatro livros até agora. Muita gente pode se surpreender com isso. Alguns por acharem que em se tratando da minha pessoa isso é pouco. Pra outras, manter a média de um por mês já é uma vitória. Eu tô agoniado por não atingir a quantidade normal que geralmente alcanço por volta da décima quinta semana do ano que é mais ou menos onde estamos. Estaria partindo para no mínimo o décimo livro do ano, botando em média uma, ou no máximo duas semanas de leitura por livro – claro que depende da grossura, do número de páginas e do meu tempo disponível.

Abri o ano lendo ‘por mais um dia’ de Mitch Álbum. Presente de Natal recebido do meu padrinho. Em fevereiro li a compilação das entrevistas de Marilia Gabriela, o mesmo exemplar que a própria dedicou a mim no início de março. Tirei um dia pra ler o conto de ficção científica que meu tio Rodolfo escreveu intitulado ‘Projeto Hades’ onde o planeta Marte é o centro das atenções e devidamente explorado não por robôs, mas por seres humanos. E agora, no mês de abril, ‘O rei do inverno’ de Bernard Cornwell, o primeiro volume das ‘Crônicas de Artur’ o que talvez seja o relato mais fiel sobre a existência do lendário rei, apesar de sabermos sobre a escassez dos relatos da época e de se tratar de uma ficção, ou seja, provavelmente tem uma liberdade poética.

Continuo compulsivo e devorador de livros, mas essa baixa de quantidade se deve aos jogos pan americanos que vão acontecer no Rio durante o mês de julho. Esse ano a bienal do livro tem sede aqui no Rio, mas, por conta desse evento, ela foi transferida do primeiro – geralmente acontecia entre os meses de abril e maio – para o segundo semestre, ou seja, para depôs dos jogos, já que o Riocentro será palco da disputa de várias modalidades olímpicas e, portanto será preparado para tal. A bienal já tem data marcada. Será entre treze e vinte e três de setembro, que também é considerado o mês do livro e coincidentemente, ou não, é início de primavera. Enquanto não chega esse período viverei meses de agonia amenizados por generosos empréstimos, como esse livro do Rei Artur.

Minha lista de livros cada vez mais aumenta, diferentemente da de CD’s. Tudo bem que agora, quando fui dar uma conferida na lista fisicamente falando, tem mais CD’s que livros na fila. Por enquanto estava cinco a quatro sendo que dos quatro livros já comprei um que foi o da Marília Gabriela os CD’s vão aumentar já que o Lobão está lançando o Acústico MTV e eu, como bom colecionador, não posso deixar de tê-lo. Dos livros, na minha listagem têm Nelson Mota, Veríssimo e João Ubaldo por enquanto. Até setembro dá pra acompanhar nas livrarias e até mesmo na minha fonte principal e predileta, o site da Saraiva os novos e últimos lançamentos literários.

A bienal tem essa vantagem. A gente vai pra lá, fuxica todos os ‘stands’ das editoras e livrarias e ainda garante um desconto bom nas mercadorias que compra. Toneladas e toneladas de livros no maior evento literário do país que aumenta a cada ano e a tendência é cada vez mais aumentar. Pelo visto até chegar o dia de eu ir a bienal, terei que moderar o meu apetite por livros, deixar minha compulsão de lado e ficar lendo no que eu chamo de marcha lenta, torcendo pra que eu chegue ao nono livro até lá, onde certamente renovarei o meu estoque principalmente para o próximo ano.

Pelo menos uma coisa é certa. Apesar dessa ‘crise’ literária pela qual estou amargurando meus dias – na verdade não é bem uma crise literária e sim uma crise de compra e estoque de livros – não deixarei de ler. Se me faltar uma alma caridosa e generosa que tenha a bondade de me emprestar livros para meu deleite, pego os do meu estoque mesmo. Sempre digo que livro emprestado é óbito atestado, ou seja, não devolvem. Mas eu devolvo.

domingo, 8 de abril de 2007

MUDANÇA DE HÁBITO

Numa jovem tarde de domingo do mês passado, André, meu amigo de juventude, de mocidade (essas expressões parecem que me deixam com ar mais balzaquiano já que caíram em desuso nos tempos atuais) me convidou pra um almoço de encontros e despedidas. Encontros devido ao grande número de dias que não nos víamos e a apresentação oficial da atual namorada dele; despedida pelo fato da empresa em que ele trabalha despacha-lo para São Paulo por no mínimo dois meses para cuidar de um projeto.

O almoço foi na casa dele e ele fez questão de assumir a cozinha. Em outros tempos seria a mulher a cuidar dessa parte e lá, além da namorada dele que de certo era tratada como visita havia a irmã dele que mora lá também e só ajudou a fazer o feijão servido. A saber, o cardápio era arroz, feijão, bife a parmegiana banhado ao vinho e batata frita não tradicional. A comida estava boa. Sinal de que cozinha já não é um lugar exclusivo de mulheres. Com a palavra os homens que moram sozinhos e nem sempre têm dinheiro pra pedir comida.

João Gabriel, o filho dele, como qualquer criança de nove anos brincava com os amiguinhos. Na hora do almoço ele parou pra comer com a gente. Volta e meia batiam na porta para chamá-lo. Mas o que mais me impressionou foi que esses chamados eram pra brincar em casa jogando vídeo game. Em outros tempos, mais precisamente nos meus, nós fazíamos a mesma coisa, também batíamos às portas pra chamar nossos amigos, mas pra sair de casa e brincar na área de lazer do prédio, não pra jogar vídeo game, até por que ninguém tinha isso e se tinha fazia questão de não priorizar o eletrônico em detrimento das brincadeiras com os amigos.

Pra azar da turma do João Gabriel, ou sorte por outro viés, nem André e nem os pais dos outros garotos deixavam sentar na frente da TV pra jogar e eles tiveram que se contentar com outras brincadeiras ou jogos de tabuleiro e não esses eletrônicos. Saudável pra eles que exercitam o corpo e a mente, mas essa geração de megabytes não se dá conta disso. O coletivo não tem mais a importância e com isso certos valores vão se perdendo e o individualismo e o egoísmo vão tomando espaço e talvez isso seja uma das inúmeras causas da inversão dos valores que imperam no mundo de hoje.

Enquanto as crianças brincavam nós resolvemos fazer o mesmo. A idéia inicial era jogar o ‘Imagem e Ação’ mas não daria certo dado que eu e André já passamos noites e noites em claro em reuniões com nossos amigos pra brincarmos e jogar conversa fora. Portanto nossa sintonia já é mais que afinada e chegaria a ser covardia. Optou-se então por um jogo chamado ‘Can Can’ que nada mais é a estilização do jogo de baralho que eu conheço como ‘Mau Mau’ – não sei se em outras regiões tem o mesmo nome. Depois de algumas rodadas mudamos de jogo. ‘Perfil’ é outro jogo de tabuleiro cujo participante que acerta o objeto no qual se cita até vinte dicas anda determinado número de casas.

Se no ‘Can Can’ eu só contava com a sorte, já que a estratégia não me fazia vencer, no ‘Perfil’ disparei. E só não fomos até o fim do jogo por questão de tempo. A namorada dele mora em Petrópolis e tinha hora marcada para pegar o ônibus de volta. Além disso, ele tinha que devolver o filho dele pra mãe e terminar de arrumar a mala. Apesar de a vida nos empurrar pra lados diferentes nós tentamos não mudar o hábito de volta e meia nos encontrar e passar horas agradáveis. Quanto ao filho dele, ainda ta em tempo de mudar alguns hábitos. É bem provável que daqui a alguns anos ele dê razão ao pai nessa questão da proibição de ficar horas e horas vidrado em um jogo virtual eletrônico ao invés de se socializar de outra forma. Pelo menos eles compreenderiam uma realidade não ficcional de uma forma melhor.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

O DRAMA DA CONSTRUÇÃO

A língua portuguesa é realmente fantástica. Pode não ser a mais falada do mundo, mas certamente é a mais melodiosa, a mais musical, e existem gênios que sabem lidar sabiamente com esse recurso. O jogo lúdico da letra com a melodia das palavras é percebido na grande maioria das músicas de qualidade. Um exemplo disso é a música ‘Construção’ de Chico Buarque. Toda frase musical dessa letra termina com palavras gramaticalmente classificadas como proparoxítonas, ou seja, tendo a tonicidade na antepenúltima sílaba.

‘Amou daquela vez como se fosse a última’ é a frase que abre a música. Genialidade a parte, antes de o Chico construir a história dessa música que trata da morte de um trabalhador operário da construção civil, a dupla caipira e sucesso nos anos quarenta, Alvarenga e Ranchinho, utilizava o mesmo recurso pra falar também de morte, dessa vez a morte de uma dama que parecia muito com trama de novela mexicana. ‘Ouviu-se um cântico’ introduz a história de Angélica que morre de cólica em decorrência da fabricação de um remédio manipulado de forma errada.

A diferença entre as duas canções, apesar de ter o mesmo tipo de formato na composição, é que uma é voltada para o humor, o cômico apesar da tragédia da morte de Angélica enquanto ‘Construção’ do Chico retrata um problema social e tem mais cara de denúncia que humor. Claro que havia todo um contexto político por trás da composição de Buarque de Holanda e apesar de toda evolução tecnológica e de segurança na área de construção civil ainda se ouve casos de pessoas que acabam morrendo como a personagem da música. Há muito mais coisas entre o ‘Drama de Angélica’ e ‘Construção’ do que supõe a nossa vã filosofia.

Seguindo ainda essa linha, não pelo formato, mas pelo contexto, outras duas músicas de dois outros gênios também seguem na mesma linha filosófica. Posso até estar delirando, mas Luiz Gonzaga e Rita Lee têm alguma coisa em comum, ou melhor, têm músicas em comum que tratam do mesmo mote. Enquanto o rei do baião diz que a menina ‘não come, não estuda, não dorme, não quer nada’ a rainha do rock fala que ‘ela anda cheia de mistérios’. O ‘xote das meninas’ e ‘esse tal de roque enrow’ falam das descobertas adolescentes e suas conseqüências e conturbações, seja por amor a alguém ou a um estilo de vida.

Alvarenga e Ranchinho, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Rita Lee e tantos outros gênios da música brasileira estão no rol dos lapidadores da língua portuguesa. Talvez a jóia mais preciosa que o Brasil tem e não se dá conta disso. Esse drama não é nada bom para a construção de um país esclarecido e que tem a possibilidade de analisar e discernir sobre determinados assuntos sem que haja manipulação ou tendências pré estabelecidas. Mas isso é um outro assunto. O que está em pauta é a maravilha da língua portuguesa, sua musicalidade, as genialidades de quem sabe sincronizar letra e música e as preciosidades que esses gênios fabricam e eternizam como pérolas e jóias do cancioneiro nacional.

Tem algumas pessoas que tentam ir pelo mesmo caminho, mas não fazem mais que algumas bijuterias que às vezes colam e viram moda durante um curto período de tempo. No entanto as jóias ultrapassam anos, décadas, gerações. Ultrapassam as águas de março, as flores de abril, e as manhãs de setembro. Algumas até se assemelham como nos casos citados acima, mas todas têm a sua particularidade, a sua peculiaridade, a sua preciosidade. Se a construções dessas eternas jóias passam por grandes lapidadores, cabe a nós selecionarmos quais as jóias que mais nos interessam, que mais nos atrai e assim conservar e preservar de forma mais convicta e coerente a matéria prima que é a língua portuguesa.