domingo, 27 de maio de 2007

COSMÉTICA

É fato que o mundo evolui. Com exceção de alguns povos que seguem uma conduta sócio religiosa atrelada a idade média, vinte anos é um grande salto na sociedade. Coisas que a gente só via nos filmes de James Bond hoje podem ser consumidas por nós. Carro com capacidade de abastecimento de dois tipos de combustível mais um opcional e alternativo, telefones celulares sendo vendidos como água, há duas décadas estavam, se muito, em seus protótipos e experimentos.

Outro setor que avançou de forma surpreendente e encontrou seu nicho certo de consumidores foi a área dos produtos cosméticos e de beleza. Não sou muito chegado a essa área, mas procuro ter sempre um perfume, que pode variar, e um desodorante, que é o mesmo, na minha gaveta para uso constante. Tem alguns produtos que me marcaram. Um exemplo era o uso do Neutrox, um tipo de condicionador que naquele tempo tinha a nomenclatura de creme rinse, nos banhos depois da praia de Saquarema. Outro era quando minha mãe espalhava Creme Nívea ainda na latinha azul, não me lembro em quais ocasiões.

Daí pra frente não acompanhei - se é que isso é acompanhamento – a evolução dos produtos cosméticos. Vi minha mãe trazer alguns cremes St Ives de fora. Parei por aí. Com a evolução tecnológica, o crescimento de consumidores e de especialistas em estética e tratamento de beleza que também bebem da mesma fonte, a indústria cosmética tem tido um boom de produtos para as mais variadas partes do corpo e tipos de pele. Todo mundo conhece alguém que vende esses produtos de porta em porta, uma tia vendedora da Avon ou uma vizinha comerciante da Natura. Na minha família é valida a primeira opção e volta e meia as revistas da campanha de vendas ficam por aqui pra minha mãe dar uma olhada. Quase sempre eu folheio também, mas dessa última vez fiz com mais atenção pra que fosse pego de surpresa. E fui. Não sei quanto ao esquema da Natura, mas a Avon já ultrapassou há muito tempo a parte específica da beleza.

Nas revistinhas tem de tudo. Livros, discos, canecas, cobertores, toalhas, enfim, é uma revista de departamentos, uma ‘Mesbla’ de bolso. Claro que mais focado pra área da estética, mas eu já comprei um limpado de cassete que trazia como brinde um deslacrador de cd, que era o mote da minha compra, me desfazendo do limpador. Pra você ver em que ponto a Avon chegou. Provavelmente, por pura dedução minha, a Natura deve ser assim também. Mas o que mais me surpreendeu foram as especificidades dos produtos. Hoje em dia existe creme pra qualquer parte do corpo. E não é só um. São vários. Tem um pra de manhã, pra noite, pra face esquerda, pra direita, pros pés de galinha dos cantos dos olhos que não é o mesmo das rugas da testa, pra pele seca, normal e oleosa, creme pro cotovelo, pro pé, esfoliante, alisante, pra pele clara ou escura, pro cabelo, maquiagem das mais variadas cores e tonalidades tanto de base, sombra e batom... É muita coisa.

Por um lado é bom. Saiu da mesmice, diversificou de modo que não fica mais atrelado àquelas duas ou três marcas que dominavam esse nicho do mercado, mas por outro eu acho que há um certo exagero e sei que existem pessoas confessadamente exageradas a ponto de experimentar e consumir todos esses produtos. Mas continuo achando que é muita coisa e afirmo que de minha parte não passarei do perfume e do desodorante. E por falar em surpresas, estou concatenando um presente de aniversário feminino pra quem quiser ser surpreendida, assim como eu no instante em que vi esses dois produtos a mostra na revista. Isso pode ser até ofensivo se não for levado na esportiva. Proponho como presente dois cremes com finalidades específicas. Um é o redutor de pelos e o outro é o clareador de axilas. Esse então, pra ser mostrado o resultado, só se a usuária for assaltada e o bandido exigir as mãos para cima.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

SAUDADES DE ALGUÉM

Existe uma diferença enorme entre se antigo e ser nostálgico. Uma pessoa considerada antiga, no meu entender e aí não está embutido nenhum embasamento científico, é aquela que não acompanha ou que tem uma dificuldade grande em evoluir juntamente com o mundo não só no que tange a tecnologia, mas também no que diz respeito ao comportamento social do ser humano. Não sei se vocês estão lembrados, mas há pouco tempo houve uma chacina numa comunidade americana, se não me engano chamados de quakers, onde eles viviam ainda como se estivessem no século XVIII. Isso é ser antigo. Do mesmo jeito que existiram pessoas que viveram no passado muito a frente do seu tempo. Eu considero o meu avô uma dessas pessoas por ele ser um habitué e saber manusear bem um aparelho de rádio amador o que, creio eu, era difícil primeiro de alguém ter e segundo por ser moderno pra época. Acho que a facilidade de acesso a um computador hoje nem se compara com o rádio amadorismo do meu avô.

Já a nostalgia não passa de volta e meia se lembrar de algo bom vivenciado no passado. Geralmente, ao menos comigo isso acontece muito, quando se escuta uma música que foi topo das paradas de sucesso há mais de quinze anos a mente nos reporta a um cenário ou uma situação vivida que logo passa de modo que continuamos a viver normalmente. Uma espécie de flashback. A onda de festas ploc nada mais foi que voltar no tempo durante algumas horas.

Outro dia conversando com umas amigas minhas a nostalgia veio à tona e nos lembramos de várias situações pelas quais passamos quando éramos mais novos até que o nome de uma pessoa foi citado. Não que essa pessoa fosse marcante ou que tivesse um papel fundamental numa decisão que eu tenha tomado na vida, mas bateu a saudade. Afinal, volta e meia essa pessoa nos acompanhava nas madrugadas musicais e de jogatina que fazíamos cerca de dez anos atrás. Mas como é que eu iria restabelecer contato? Se fosse em outros tempos montaria uma campana na portaria do prédio que é praticamente a uns cem metros do meu.

Fui verificar então se era antigo. Atualmente uns noventa por cento das pessoas que têm acesso a um computador conectado a internet são cadastrados em pelo menos um site de relacionamento. O mais conhecido e o único que eu faço parte é o Orkut. Digitei o nome e cliquei em procurar. Claro que apareceram todos os homônimos e eu não teria a paciência necessária de verificar um a um até encontrar quem eu queria. Atalho era o melhor caminho. Abri a listagem dos meus amigos e procurei dentre eles quem teria o contato. Fui na pessoa mais próxima, amiga em comum, e consegui encontrar. A expectativa agora era a do reconhecimento. Será que eu seria lembrado?

A primeira mensagem que eu escrevi no scrap foi que eu gostaria de restabelecer contato e se era possível. Não sabia que estava online. Prontamente fui respondido. Só aí confessei temer o ‘anonimato’. Trocamos endereço de MSN e telefone pra poder marcar um encontro a qualquer hora e botar em dia cerca de dez anos de desencontros já que a vida naturalmente nos colocou em rumos diferentes e nos impossibilitou de mantermos o contato. Talvez por exaltar esses lances, essas passagens e essas pessoas eu seja um nostálgico convicto.

Nostalgia não é uma doença depressiva na qual se atem às coisas do passado. Lembrar com alegria do passado e viver bem o presente. Isso é ser nostálgico. Nostalgia é boa e saudável. Como dizem os ditados populares e sábios, quem vive de passado é museu e recordar é viver. Eu procuro viver com as minhas boas recordações do passado e as deixo apenas no museu da minha memória. Elas estão lá pra quando eu quiser visitá-las. Agora é remexer novamente no baú da minha vida e descobrir outras pessoas perdidas lá por trás pra tentar resgatá-las e curtir as nostalgias com elas também.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

PROFETIZANDO

O misticismo tomou conta do horário novelístico global das seis da tarde. Depois de aproximadamente cento e oitenta capítulos, estréia o mais novo produto batizado de ‘Eterna Magia’. Trama que tange a história irlandesa dos druidas e magos tipo Merlin, com direito a participação de Paulo Coelho na introdução da história.

‘O Profeta’ terminou essa semana com todo direito a altos e baixos tanto na audiência quanto na produção. Posso falar isso de carteirinha e carimbada. Em dois anos de casa essa foi a primeira novela que participei do começo ao fim. Claro que tive uns contratempos no meio, o que acabou me impedindo de participar um pouco mais da novela, mas o número de vezes que gravei a novela depois da situação resolvida pode ser considerada compensatória. Principalmente agora mais pro fim que eu comecei a ser dividido entre ‘O Profeta’ e ‘Paraíso Tropical’. Não só eu quanto o próprio protagonista também teve seus problemas, principalmente de saúde, e teve que se ausentar por vários capítulos, mas, enfim, chegamos no fim. Eu e ele.

Gravei o primeiro dia de estúdio da novela no fim de agosto. A cena era da sala de espera num consultório médico, a qual foi gravada de primeira. Aliás, todas as cenas que eu fiz e que tive um certo destaque foram feitas de primeira, sem precisar repetir a gravação. As últimas eu cheguei a ser o dublê do Clóvis, o vilão da história, personagem do ator Dalton Vighi, que ficou nacionalmente conhecido como o Said da novela ‘O Clone’. As cenas em que ele aparecia de costas era eu que fazia e a indumentária parecia de detetive de filme americano de gangster. Algo do tipo Dick Tracy.

Do primeiro dia de estúdio até a semana anterior a estréia da novela eu participei. Depois tive que sair pra segurar o filme ‘Primo Basílio’ e apesar das idas e vindas consegui chegar até o fim, fechar o ciclo, coisa que eu nunca tinha feito em dois anos de vênus platinada. ‘O Profeta’ foi uma novela gostosa de fazer. O clima era muito bom, tínhamos uma harmonia e trabalhávamos felizes. Parte disso se deve a permanência de boa parte da equipe que trabalhou em ‘Alma Gêmea’, ou seja, o entrosamento já era evidente desde o primeiro dia e esse resultado pode ser comprovado na exibição da novela. Claro que havia dias de mau humor, de broncas. Faz parte, mas no todo a paz e a tranqüilidade reinava tanto no estúdio quanto na cidade cenográfica.

A novela não tinha muitas frentes como uma novela das oito que envolve muito mais gente pra formatar o produto. Em novela das seis são duas ou no máximo três frentes enquanto que a das oito são cinco. Geralmente estúdio e cidade. Quando muito um estúdio extra ou uma locação mais afastada do projac, tipo uma fazenda ou uma estrada encontrada perto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

‘O Profeta’ conseguiu permanecer dentro do trilho de audiência que pra esse horário fica entre os trinta e cinco e quarenta e cinco pontos de audiência. Não fez tanto sucesso como ‘Chocolate com Pimenta’ ou ‘Alma Gêmea’ que estouraram com ibope muito acima do esperado para o horário. Mas também não foi um fiasco. As novelas exibidas nessa faixa têm que ser ou de época ou então ser um remake, como foram ‘Cabocla’ e ‘Sinhá Moça’.

Estamos saindo dos anos cinqüenta e indo para os anos trinta e quarenta. Deixando as visões e profetizações, partindo para a magia, a bruxaria, de modo que a seqüência entre a comunicação de almas vivas com as penadas continua com um outro enfoque. Que a eterna magia da televisão sustente essa história e que a autora largado o posto de colaboradora de muitos outros autores consagrados da teledramaturgia brasileira e que pela primeira vez encara uma obra aberta como a novela seja muito feliz nessa louca, mas saudável empreitada.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

UM DE DEZESSEIS

Não tão pop quanto o anterior, a expectativa do país que é considerado o que mais fiéis e religiosos católicos apostólicos romanos têm, apesar de outros tipos de igrejas crescerem em números absurdos e catastróficos, é grande. È fato que a igreja católica não faz mais fiéis como antigamente e teve que apelar para o showbizz para cativar novos adeptos e tentar reconquistar os que já estavam de saco cheio da mesmice. Sinais dos tempos. De qualquer modo o Brasil ainda é predominantemente católico por mais que seus fiéis volta e meia tomem passes, coloquem o nome de alguém em boca de matildes ou tenham descobertos que foram Cleópatra e Marco Antônio em encarnações passadas.

E será por conta do showbizz a passagem do sumo pontífice pelo estado de São Paulo. Do mesmo jeito que o assédio por um astro do rock, Bento XVI terá seus dias de astro cujo concerto mor se dará no ato da canonização do primeiro santo genuinamente brasileiro, o Frei Galvão. Madre Paulina apesar de passar grande parte da sua vida no Brasil era italiana de nascimento. Será a primeira passagem do papa pelo país. João Paulo II em seus vinte cinco anos de pontificado esteve aqui se não me engano quatro vezes sendo que na primeira passou por várias cidades. Eu era pequeno, mas me lembro de um ginásio lotado de pessoas sacudindo bandeirolas e cantando ‘a benção João de Deus’. Em Curitiba tem o Bosque do Papa, em Belo Horizonte tem a Praça do Papa, ou seja, há vestígios da passagem dele por vários locais. O que não ocorrerá dessa vez.

A visita de Bento XVI irá se ater apenas em São Paulo, Aparecida e Guaratinguetá. Desde quando assumiu o pontificado ele sabe que não será tão popular e carismático quanto seu antecessor apesar de estar se esforçando pra fazer por onde. Mosteiro de São Bento, Catedral da Sé, Basílica de Nossa Senhora Aparecida e algum local onde Frei Galvão tenha passado, não sei se em Guará mesmo ou só Aparecida, são os locais para onde os olhos dos católicos estarão voltados até segunda ordem.

Talvez a maior pérola que o país tenha ouvido de um Papa foi a famosa frase ‘Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca.’ Que mostrou o bom humor, a perspicácia e a astúcia de João Paulo II. Qual será a pérola que Bento XVI deixará na memória dos brasileiros. O Papa carioca infelizmente morreu. Será que o Papa se auto declarará paulista? Isso pode causar uma rixa grande. Imagina se ele solta essa de modo que em contrapartida o Rio funda uma nova religião dedicada somente a São João Paulo II? Brincadeiras a parte – isso foi só pra testar o senso de humor – há um lado cristão nisso tudo. Cristão em termos de pregação da paz e do amor, da união e igualdade entre os povos. JPII (vou abreviar João Paulo II) era polonês e Bento XVI é alemão. De acordo com a história não tão antiga, apesar de já ser do século passado, na Segunda Guerra Mundial a Alemanha invadiu a Polônia. Não sei quanto ao Joseph Ratzinguer, mas é sabido que Karol Wojtila sofreu um pouco das conseqüências da guerra. Do mesmo modo que é sabido que os dois eram grandes amigos e provavelmente essa forte amizade foi fator decisivo na escolha do novo papado. Do mesmo modo que pessoas de várias partes do Brasil vão se encontrar com o objetivo de ver alguma ação do papa e desse encontro pode sair grandes amizades como a dos Papas.

A fé remove montanhas. Remove tudo. Eu sou uma pessoa que tem fé, sobretudo no ser humano. A gente sabe que o mundo está complicado, que a vida está difícil pra todos, mas a fé é um estímulo, é um elemento animador, é a mola propulsora de tudo. Fé no que você gosta, fé no que você faz, fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Dizem que fé demais não cheira bem. Ter fé é bom. Seja num ícone como Bento XVI, num mito como João Paulo II ou num ser humano como você ou qualquer outro.