segunda-feira, 27 de agosto de 2007

SAIDA ESTRATÉGICA PRA...

Uma famosa escritora uma vez me disse e eu saio repetindo isso pra todo mundo que descubro ser meu conterrâneo. ‘Quem é de Niterói não renega suas origens.’ Concordo plenamente com a frase e eu faço questão de ser o porta-estandarte em favor da terra onde ergui minha bandeira e plantei minha raiz. Tenho orgulho de ser de Niterói, encho o peito pra falar da cidade e a defendo de quem fala mal, salvo quem mora nela. Sempre digo que não troco Niterói por nada a não ser em caso de extrema necessidade e não por opção.

Pois não é que outro dia me peguei vendo apartamento pra alugar nos classificados de um jornal em plena zona sul do Rio. Claro que não vou me mudar de uma hora pra outra como fiz ano passado, loucura essa que durou dois meses e por eu ter mudado a prioridade, a meta número um da minha vida, voltei pra casa. Acontece que a meta número um começou a conviver com a meta número dois e a meta número três é justamente sair de casa, o que será lucro pra mim se isso ocorrer até o primeiro semestre de 2009.

Se tudo correr no ritmo que está pode até ser que realmente eu obtenha esse lucro, mas não vou correr atrás dele desesperadamente. O percurso natural das coisas deve ser mantido. Mas enquanto isso não custa nada dar uma checada no que o setor imobiliário está oferecendo. E a especulação que eu faço para comigo mesmo é pra onde eu deveria ir. Só tenho certeza de uma coisa. Se for pra sair realmente de casa, sairei de Niterói. Porque alugar um ap. aqui além de mais caro é o mesmo que enxugar gelo de modo que se poso continuar morando na cidade sem ficar muito oneroso pra mim, pra que sair?

Além disso, trabalho lá pros lados de Jacarepaguá e em horários que não são regulares e ficar indo e vindo todo dia pra lá e pra cá também é dispendioso principalmente se o carro não for movido a gás. Essa é outra meta que eu digo ser volátil, ou seja, sem ordem hierárquica. Botar gás no carro e adquirir um lap top pra mim. Isso já é considerado meia liberdade. Se tenho um meio de transporte que me leva pra onde quer que eu vá e um computador no qual recebo informações onde quer que eu esteja só me falta um ponto de apoio e é justamente isso que estou procurando pra daqui a algum tempo. Não sei se estou me precipitando, mas vai que termine uma das metas antes do tempo e no meu estica e puxa orçamentário dá pra arriscar. Não vou fazer esforço pra isso, porém se me pintar a oportunidade é claro que não vou deixar passar. Pode até ser que eu encontre outro louco que queira dividir comigo essa idéia e as conseqüências dela.

Só posso começar a pensar nisso depois que eu cumprir uma das duas metas anteriores a essa. O que eu espero não demorar muito apesar de também não estar apressado quanto a isso. Aliás, não estou apressado quanto a nada. Acho que as coisas têm um tempo pra acontecer e acontecem no tempo certo. Eu estive vendo apartamento pra alugar na zona sul por que quando eu me mudar não acho que seja uma boa ficar em Jacarepaguá que apesar de ser mais perto do local de trabalho é longe de tudo. Estou pensando na zona sul mesmo, algo do tipo Copacabana que fica no meio do caminho.

Por conta do azar, ainda dei sorte e irei concluir a primeira muito antes do que eu previa. Espero que a sorte me bata a porta inúmeras outras vezes pra que antes do tempo eu possa ter cumprido com as minhas cinco metas, sendo duas voláteis e três fixas. No entanto, se até o segundo semestre de 2009 as três fixas já estiverem cumpridas me dou por satisfeito. A única coisa que pode atrapalhar meus planos sem que os interrompa é o excesso de trabalho. Quanto a isso posso redistribuir essas metas, aumentá-las ou diminuí-las.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

CARTA ABERTA PARA QUEM CHEGOU AGORA

Como você ousa esperar nove meses pra chegar a esse mundo? Será que sabe onde realmente se meteu? Tem idéia do que se passa nesse planeta? Sinceramente eu preferiria nascer verde e com antenas lá em Marte do que encarar o que tem rolado por aqui. Tá bom. Não vou mentir logo de cara. Não existe ser verde e com antenas lá em Marte, mas vá se acostumando. Não que eles possam surgir na sua frente a qualquer hora. A recomendação é pra ir se acostumando com as mentiras. O mundo é cheio delas. E você insiste em vir pra cá.

Espero sinceramente que mesmo com essa loucura toda se adapte rapidamente e goste de viver aqui. Não é tão ruim. Eu, por exemplo, estou aqui há trinta anos e adorando minha estadia. Também já estou acostumado com as insanidades que rolam e até já incorporei algumas. Assumo sim. Sou maluco. Completamente maluco beleza. Não se assuste. Nem todo maluco é louco. Eu, ao menos, tenho essa consciência de ser maluco.

Como você acabou de chegar ainda é muito complicado distinguir os malucos bons dos não tão bons assim. Junte-se aos bons que a vida irá parecer menos pesada do que já é. Até porque ninguém suporta uma vida totalmente regrada e certinha. Logo você vai perceber isso e por incrível que pareça surpreender a todos nós. A gente já sabe o que você vai fazer e aprontar. Nós também já passamos por isso. E mesmo assim suas atitudes vão nos chocar e surpreender.

Impossível não perceber e reparar nas pessoas que te cercam. Começando, claro, pela sua própria família, bando de malucos beleza como eu. Aliás, tenho pra mim que de todos você é quem detém a loucura maior. Afinal, chegar onde você está talvez seja a maior loucura que fez nessa sua vida que acabou de começar. O resto é pra tirar de letra. Se você souber rebolar e gostar de uma farra, de uma festa é sinal de que é uma brasileira nata. E se o mundo já é bastante conturbado, potencializa isso no país em que nasceu. Longe de querer te assustar mais ainda. Só estou tentando te preparar pra realidade. No entanto nem tudo são pedras e espinhos. Logo vai notar o lado bom disso tudo. Procure reparar nas coisas mínimas, nos pequenos gestos, numa flor, pra que se possa conhecer a verdadeira sanidade da loucura que cometeste.

Lembranças boas são o que você deve reter na sua mente. Confesso que passamos maus bocados também e a melhor coisa pra se fazer nesses momentos é aprender. Por falar em aprender, já te disseram que você está matriculada numa escola? E na melhor escola que existe? O melhor aprendizado, por mais que freqüente o que a gente chama de escola ou colégio, é o que se vai adquirindo no dia-a-dia, com as pessoas que te cercam, não só sua família e os amigos que vai conquistar, mas com todos que de alguma forma vão cruzar o seu caminho. A atenção se faz necessária pra não cair nas armadilhas da vida que certamente vai cair. Mas aí é levantar, sacudir a poeira, ver o que se pode tirar de bom e dar a volta por cima.

Incidentes, acidentes, arranhões, escoriações, machucados, dores serão uma constante. Ainda mais se sua molecagem for exacerbada. Isso não chega a ser loucura. Isso é infância que deve ser bastante aproveitada. Não queira apressar o tempo e se tornar grande antes da hora. Do mesmo modo que nunca perca essa infância, essa criança quando for grande. Em muitos casos você vai precisar dela na sua fase adulta. Obvio que terão fases difíceis, ruins, que farão você pensar o porque de estar aqui, mas tudo passa e depois da maré baixa sempre vem a maré cheia. É o ciclo da vida.

Aqui estão alguns conselhos meus. Não vou me importar se você não segui-los. Afinal, a vida agora é sua. Quero mais que você seja feliz. É apenas isso que espero. A sua felicidade. Agora que chegou, agüenta.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

ETERNA DISCUSSÃO

Mês passado foram os bingos que tiveram em evidência. Hoje eu quero focar num outro tipo de vício: as drogas. Primeiro temos que separar os usuários dos traficantes. Se de fato as autoridades quisessem parar com o tráfico teriam que investigar e descobrir o cerne da questão, ou seja, ir na fonte do problema e não nos braços, nas suas ramificações e pegar os cardumes de peixes pequenos deixando escapar os verdadeiros tubarões.

Segundo, o fato de ser proibido é um dos que mais aguçam a curiosidade principalmente da garotada que está começando a descobrir a vida. Talvez, a descriminalização pode até diminuir o nível de consumo dessas substancias ou se aumentar não há de haver tanta morte, tanto crime cujo pano de fundo são as drogas.

Terceiro, se não dá pra vencê-los, junte-se a eles. Sei que é praticamente impossível acontecer isso, uma espécie de acordo entre autoridades e os poderosos do tráfico para um negócio que tem seu público fixo e fiel. É uma idéia louca, mas que poderia dar certo caso alguém concordasse com ela. Incentivo do governo não é a palavra correta para esse caso, salvo na área de saúde onde deveria ser aplicada uma política de saúde pública de recuperação ou desintoxicação nos casos mais graves de dependência química e/ou psíquica. O governo liberaria as vendas de todos os tipos de drogas, os traficantes continuavam a concorrer entre si de uma forma mais justa e legal desde que pagassem impostos altos para comercializarem suas mercadorias, tal qual acontece com o cigarro, e usar o dinheiro desses impostos para o tratamento de recuperação pra quem quisesse ou precisasse.

Com as duas áreas bem divididas, meio no combate e meio na saúde, daria pra se levar esse assunto numa boa e com pouco estresse. No entanto, idéias geniais como essas são prontamente confundidas com loucas e duvido que algum governante ou autoridade competente tenha a coragem de aplicá-la. Talvez não seja a solução ideal, mas que aliviava pelo menos a parte da violência, da guerra entre as facções rivais. Aliás, chega a ser cômico chamar de crime organizado se eles brigam entre si. A organização só acontece realmente quando assustam a população civil ou atacam os policiais, mas entre eles não há tanta organização quanto se estampa.

Quanto a essa questão das drogas sou careta por opção. Acho que na vida a gente tem que experimentar de tudo um pouco, mas coisas que causam dependência tem que ter um certo cuidado. Mesmo se o vício for cafezinho. A frase ‘não consigo viver sem’, nesse caso, teria que ser suprimida. Minha tese é de que não faça da primeira vez por que a segunda é mais rápida do que se imagina. Isso não se aplica só em relação às drogas, mas em tudo. Do mesmo jeito em que há uma linha tênue entre o prazer em estar consumindo e o vício de modo que chega uma hora que não se sabe em que nível chegou.

Confesso que tenho uma grande vontade de experimentar todas as drogas ilícitas, já que das lícitas não fui com a cara do cigarro, mas confesso que tenho medo e por isso ainda não tive minha primeira vez para com elas. É muito difícil que isso aconteça, mas também não serei santo em descartar essa possibilidade. Tenho medo, além do vício propriamente dito, da reação do meu organismo. Vai que eu tenho um colapso, um piripaque, sei lá, um problema grave de saúde só pelo fato de ingerir um ecstasy ou um LSD. Sem contar os casos sabidos de loucura, alucinações e amnésias provocadas pelo consumo. Sei que os pontos colocados aqui podem gerar discórdia, mas acho que a minha idéia iria beneficiar muita gente e prejudicar poucos no que tange principalmente à guerra do tráfico. Quanto aos usuários, todos têm acesso à informação e cada um faz o que bem entender da sua vida. È só não prejudicar quem está em volta.

domingo, 5 de agosto de 2007

PAN PAN PAN PAN

Sabe aquele ditado que diz eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem? Ele caiu como uma luva pra mim no mês passado. Não que eu seja supersticioso a ponto de não passar por baixo de escadas ou ficar temeroso ao ver um gato preto. Tenho algumas manias como todos, mas nada que seja obsessivo compulsivo. São poucas as sandices ilógicas que fazem parte da minha vida, no entanto elas têm que estar presentes pra que seja completa.

Na última sexta-feira treze algumas bruxas bateram a minha porta. Sempre tive vontade de assistir a uma cerimônia de abertura ou de copa do mundo ou de olimpíadas ao vivo no estádio. Claro que, dada as devidas proporções, afinal de contas os jogos pan-americanos são olimpíadas disputadas apenas pelos países componentes das três Américas, assisti ao vivo no estádio do Maracanã a cerimônia de abertura do Pan Rio 2007 e sem pagar um mísero tostão pelo ingresso cujo preço era astronômico pra realidade brasileira. Não são todos que têm duzentos e cinqüenta reais pra compartilhar de uma festa maravilhosa. Aliás, eu mesmo não teria ido caso tivesse que desembolsar essa quantia. Se eu tivesse em outra configuração como numa excursão de pacote completo e fosse incluído o ingresso seria diferente.

Tudo tem um motivo pra acontecer. Nesse dia eu estava meio chateado por não ter conseguido um dia de trabalho. Eis que o telefone toca. Tia Tania, voluntária do Pan, dizendo que havia conseguido duas entradas pra cerimônia de abertura, ou seja, não era mesmo pra eu ir trabalhar nessa sexta-feira treze. A bruxa tava mesmo solta e a fada da minha tia me vem com essa notícia.

Chegamos ao maracanã pouco antes das cinco e meia da tarde. Os ingressos que ela arrumou eram de dois setores diferentes, um ao lado do outro divididos por uma grade. Nos separamos e marcamos um ponto de encontro. Foi uma experiência maravilhosa e assistir a festa ao vivo é diferente e muito melhor que vê-la pela tv. È uma outra emoção. A sua pulsação muda, a adrenalina interfere e a energia é sensacional. È o mesmo princípio de uma torcida de futebol com a diferença que na torcida, às vezes, a rivalidade aflora e o foco muda. O clima da sexta-feira treze estava longe de ser macabro, sombrio e obscuro.

Todos os jornais no dia seguinte noticiaram a vaia do público ao presidente. Até essa vaia tinha sido ensaiada. Segundo minha tia que havia visto também o ensaio. Particularmente eu achei esse momento uma falta de respeito. Vaias ao presidente são válidas sim, mas não quando todas as Américas estão voltadas ao discurso oficial de abertura dos jogos pan americanos. De acordo com o bom senso a não manifestação seria o ideal. Já a vaia na passagem da delegação americana, também ensaiada, não tinha o rancor da do presidente era mais uma provocação.

Já a segunda parte da cerimônia de abertura consegui assistir ao lado da minha tia. Justamente na parte da festa, do carnaval em si onde diversas alas fantasiadas executavam suas coreografias representando a energia da terra, água e do homem. Cobras, jacarés, plantações, o mar e o calçadão de Copacabana, o boi da cara preta, tudo incluído na energia da festa que se encerrou com a voz de Daniela Mercury numa mesclagem de dois hinos: Cidade Maravilhosa e Aquarela do Brasil. O primeiro pensamento que tive ao sair de lá foi já correr atrás de um pacote pras olimpíadas de Pequim no ano que vem. Sei que é muito absurda dentro da minha realidade. Mas quem sabe uma bruxa capta essa idéia e a concretize.

Como a minha prioridade é outra, essa idéia é descartada por enquanto até mesmo pra eu ter na minha lembrança durante bastante tempo os momentos maravilhosos que vivenciei nessa festa de abertura dos jogos Rio 2007.