segunda-feira, 24 de setembro de 2007

RAZÃO DO CORAÇÃO

Quando eu era pequeno meu avô cantava uma música de não me lembro quem chamada “Aos pés da santa cruz”. Como grande maioria das canções da época, aliás, todas as épocas têm canções desse tipo, era uma música de fossa. Um dos versos dessa musica é de uma franqueza, sinceridade e verdade ímpar e que bem ou mal ministra uma área da nossa vida, a parte sentimental. Repara na veracidade desse verso: ‘O coração tem razões que a própria razão desconhece.’ Engraçado que tá me vindo outro verso de outra música que eu nem sei se tem a ver com que eu quero dizer aqui hoje, mas mesmo assim eu vou escrever. ‘Só se encontra a felicidade quando se entrega o coração.’ Esse é dá música “Tudo passará” interpretada pelo Nelson Ned.

Agora vamos tentar aproximar as duas. Se encontra a felicidade quando se entrega o coração que tem razões que tem razões desconhecidas pela própria razão. Muitas vezes, creio que no início das paixões arrebatadoras daquelas que a gente troca juras e jura que é para sempre, mesmo que dure uma semana, no entanto é eternizada, a gente entrega o coração com o único intuito de ser feliz e ele mesmo tracejando seus caminhos descobre uma razão que se a gente for parar pra pensar não tem uma lógica racional. Será que consegui me explicar?

Depois, com o tempo, a luz do convívio esclarece e assenta alguma coisa e a gente começa a pensar, ou não. Por isso que atualmente existem relacionamentos que eu acho válido e que eu apelido de ‘adicto em recuperação’. Sabe o lema de um ex qualquer coisa que diz ‘só por hoje eu não vou...’ Então, se encontra a felicidade entregando o coração só por aquele dia ou momento. E durante aquele curto período de tempo tem-se um ao outro. Isso é o que a juventude chama de ficar. Há pouco tempo também descobri que aqueles que formam o mesmo casal durante vários encontros são os ‘peguetes’ um do outro.

Relacionamentos sem compromisso que podem permanecer nessa constante ou se transformar em algo mais visceral, mais tesudo, por que não dizer, mais comprometido. Aí o amor muda sua configuração e toma outros rumos mais sérios, mais normatizados. Até alguns anos atrás eu pessoalmente não era adepto e nem sequer me atinava para esse tipo de relacionamento relâmpago. Mas depois, mal comparando, aliás, muito mal comparando, diga-se de passagem, percebi que um jogador de golfe reduz suas tacadas gradativamente, que um nadador só ganha depois de muito treinar e perder.

O risco faz parte do jogo da sedução. E como é um jogo se perde e se ganha. É raro uma pessoa entrar numa casa lotérica com seis dezenas e acertar sozinho na mega sena. Eu pensava que em se tratando de relacionamentos as prerrogativas eram diferentes. Agora tô percebendo que não e que não é tão mal ter relacionamentos relâmpagos. Não creias tu que saio por aí passando o rodo como se diz. Encontro sim a felicidade quando entrego meu coração a alguém mesmo que essa felicidade dure dez minutos. E não penso, ou melhor, não consigo descobrir a lógica da razão que rege meu músculo cardíaco. Quer saber, ficar livre, leve e solto é muito bom. Quando cansar é só se prender por um tempo ou para sempre.

O amor é um bem durável, no meu caso eterno, o que o transforma são as variações de intensidade que é irradiado pra cada pessoa. Acho que agora cheguei onde queria. E até que os trechos das músicas ajudaram a abrir um caminho, a traçar uma trilha, um ponto de apoio. Agora é só seguir os mandamentos do coração pra ser feliz. Bem, nesse segmento eu, por enquanto, to começando a me sair relativamente bem. O meu eu conservador deu o braço a torcer pro meu eu moderno, liberal. Vamos ver qual o outro setor que sofrerá com mudanças também.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ESTÁ ENTRANDO NO AR...

Poucas são as pessoas que sabem. Quem tiver lendo esse post também vai ficar sabendo, ou seja, não será mais segredo. Aliás, já não é, mas ainda não chegou a hora da divulgação em massa, por isso pouca gente sabe. E já que não é segredo vou me adiantar e passar adiante.

Estamos nos preparando pra morar em Hollywood. Não literalmente, óbvio. Já estive em Hollywood e não achei grandes coisas. A Hollywood no caso é a cidade sorriso. Niterói será invadida por holofotes, microfones, cabos quilométricos e câmeras com lentes de última geração.

Já estou até prevendo os congestionamentos tanto de carros nas ruas da cidade quanto de passantes e transeuntes que vão parar pra ver toda a movimentação. O frenesi vai tomar conta dos primeiros meses, depois pode até ser que os cidadãos fiquem bastante chateados e queiram distancia, mas acho que mesmo assim não vão boicotar o produto, pelo contrário, vão sentir até um pouco de orgulho da cidade e mesmo que não acompanhem religiosamente, sempre que uma imagem da cidade for mostrada, oportunamente será assistida. E pode até ser que apareça um conhecido ou outro na tal imagem.

Não será no horário nobre, também aí já é querer muito até mesmo por que isso aconteceu há alguns anos atrás com alguns cenários da cidade. Dessa vez será diferente. Não uma mera coadjuvante. Agora somos personagem principal, pano de fundo pra mais uma aposta de teledramaturgia da Rede Globo na próxima novela da faixa das sete horas. Niterói será cenário de uma trama leve e divertida. Pra cidade será uma divulgação internacional ótima o que elevará mais ainda a auto-estima e o alto astral dos habitantes e ao passar fora do país aguçará a ânsia do turista pra conhecer a cidade. Sorrisos fora e dentro da tela.

Esbarrar com globais está cada vez mais comum a partir do fim do ano quando começarem as gravações. Não que seja impossível, é só ir pra algum shopping da Barra que eles estão aos montes lá. Mas em Niterói a novidade ficará na freqüência com que eles estarão na cidade por forças das circunstancias. O nome da novela, o autor e o diretor, no momento em que eu estou escrevendo eu não sei, mas vou manter o mistério, a não ser que já tenha sido divulgado até então. Por se passar em Niterói e por uma questão de economia e até um pouco de bom senso, grande parte da figuração composta pra participar das cenas feitas na cidade serão de cidadãos que moram em Niterói.

Cito as palavras de Noel Rosa e digo como se fosse sobre a minha cidade esses versos que ele compôs pra música “Cidade-mulher”. ‘Cidade notável, inimitável, maior, mais bela que outra qualquer. Cidade sensível, imprevisível, cidade do amor, cidade-mulher.’ Agora a mulher tem um sorriso de estrela que entra no ar depois de cometer os sete pecados. Com seus prós e contras o fato é que Niterói estará em evidencia por cerca de oito meses e consumado pelo martelo da alta cúpula da emissora será cenário pra novela.

E caso conheça alguém com tempo disponível, desocupado, desempregado ou mesmo capaz de flexibilizar o tempo em que ele esteja ocupado e tem interesse e queira fazer parte da cena, ou seja, queria ganhar um trocadinho como figurante, se ainda der tempo eu posso dar um empurrãozinho. Mas tem que ter muito saco, muita paciência porque é um dia que não se faz praticamente nada. A não ser jogar conversa fora. Mas é muito melhor não fazer nada próximo de casa do que ir pra Jacarepaguá e fazer o mesmo lá. È mais cansativo. Aconselho a dar preferência sempre pra Niterói que vai mostrar seu valor e seu talento na tela. Agora, silêncio no set, por favor. Tudo preparado? Luz, câmera, atenção, gravando.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FORMIGAS E CIGARRAS

Não sei se sou cigarra ou formiga. Sabe a história da fábula onde a cigarra canta e a formiga trabalha, se não me engano criada por La Fontaine, e que no final as duas se juntam e a formiga trabalha cantando ; a cigarra canta trabalhando.

Bem, esse final era o da historinha que tinha num LP amarelo que freqüentava muito minha vitrolinha vermelha cuja tampa era a caixa de som, relíquia da minha infância que guardo juntamente com meu ferrorama.

No mundo atual as cigarras estão ficando cada vez mais escassas e as formigas cada vez mais aparentes. Eu não sei em qual dos dois perfis eu me encaixo. Gosto de ser um híbrido dos dois insetos já que busco mais o prazer no que faço e deixo o resto como conseqüência. Por isso que eu faço melhor do que as pessoas que fazem por necessidade, ou seja, eu trabalho cantando e canto trabalhando.

No mês passado um programa dominical comentou sobre essa fábula visando a parte econômica aderindo a imagem da formiga ao poupador e a cigarra ao gastador. Nesse ponto eu acho que sou mais cigarra que formiga apesar de em algumas situações ser mais formiga que cigarra. Já disse aqui em alguma postagem passada que não faço planos, sinal de que não sou formiga rainha, no máximo uma operária. Mas também não sou gastadora como a cigarra que não pensa no dia de amanhã. Eu penso, mas o amanhã pra mim dura no máximo cinco anos e não trinta como pensam a maioria das formigas.

Estou chegando à conclusão que sou um ponto de equilíbrio entre as duas. Não tão equilibrado assim, mas chegando mais perto do meio que das duas extremidades. No fundo acho que toda formiga tem uma certa inveja das cigarras e por contraponto as cigarras também têm uma ponta de inveja das formigas. Mas ao mesmo tempo se trocarem seus papéis poucas seriam cigarras e formigas que se adaptariam a função da outra. Em se tratando do meu caso que não sou formiga a ponto de pensar num futuro longínquo e calcular tudo a curto e médio prazo, mas também não sou cigarra a ponto de gastar muito mais do que ganho e me enrolar em dívidas, poucos seriam as funções em que eu me adaptaria. Por isso que viso o prazer no que eu faço. Trabalhar ou cantar se feito com gosto não se torna uma rotina, uma obrigação e sim uma festa. Claro que há normas de conduta pra qualquer tipo de trabalho. Mesmo assim é muito melhor ter prazer no que faz pro resultado final se apresentar perto da perfeição, já que a perfeição é algo quase inatingível.

Cigarras e formigas estão na vida de todo mundo. Basta você pender pro lado que quiser ou tentar ficar no meio como eu. Nem tanto à formiga e nem tanto à cigarra. Poupar faz bem, dá um alívio em certas situações, mas ser mão de vaca é pra formigas que não tem uma vida financeira regrada. Do mesmo jeito que gastar com as coisas que você quer, gosta ou precisa também é bom, mas fazer dívidas homéricas, enormes que sabe que não se quitará dentro do prazo ou se comprando supérfluos desnecessários é pra cigarras que não sabem dosar suas economias. Exatamente por isso é melhor estar perto do ponto de equilíbrio, ser um mutante com parte dos dois insetos. E pelo fato de eu não ser tão formiga a ponto de eu não me preocupar com o futuro longínquo nem tão cigarra a ponto de não me preocupar com nada que eu traço minhas metas e procuro cumpri-las no menor tempo possível. Mas como é a curto e médio prazo da pra cumprir. E nunca mais de três por vez pra poder administrar sem perder o controle sobre elas.

Claro que dependendo do interesse e da situação sempre surgem mais metas que ficam na fila de espera sempre na dependência do meu lado formiga pra que elas possam ser concretizadas do jeito que eu tenho planejado e do meu lado cigarra pra que eu possa me desfrutar completamente e mergulhar por inteiro nelas com todo e o maior prazer.

domingo, 2 de setembro de 2007

THAIS E TIAGO

Tô aqui pensando em como é engraçada a minha reação perante a eventos tipo esse que vocês estão fazendo agora. Ano passado, por exemplo, duas vizinhas minhas, do prédio onde moro casaram.

Casar faz parte de um dos quatro estágios da evolução do ser vivo. Pelo menos eu aprendi que a gente nasce, cresce, reproduz-se e morre. O fato de casar normalmente se encaixa entre o crescer e o reproduzir. Voltando às minhas vizinhas, eu chorava copiosamente no casamento delas. Afinal a gente cresceu junto, convivendo no mesmo ambiente. Claro que todo mundo tem um rumo na vida e cada um segue o seu, mas enquanto rolava a cerimônia delas todos aqueles momentos em que passamos juntos vieram à minha mente. As primeiras descobertas, os primeiros casos, as idas a escola juntos, já que a gente estudou na mesma escola durante um tempo, as primeiras noitadas compartilhadas, enfim. Tudo isso veio à tona na minha cabeça. Parecia que aquilo era um rito de passagem pra tirar pedaços de mim. Tirar talvez não seja a palavra certa, mas realocar todas essas lembranças em um outro lugar aqui dentro, apesar da gente continuar a se gostar e falar o tempo todo.

No caso de vocês é diferente. Primeiro por se tratar de mais do que uma amizade bonita, e sim de família. Família essa que apesar de enorme vocês estão tendo a coragem de fazer aumentar e eu agradeço por isso. Eu também acredito que Deus tem um motivo pra colocar certas pessoas em nosso caminho. Se o motivo é único ou não a gente pode discutir depois.

No nosso caso, Tiago, que aparenta não ter relevância nenhuma, já que somos primos, foi mesmo a providência divina. Aí é que a gente vê que em certos casos as aparências enganam e é o fato de sermos da mesma família que faz a diferença, que realça ainda mais o nosso laço de amizade, carinho e afeto. Se tem uma coisa da qual eu me orgulho, mesmo com todas as divergências, dificuldades e defeitos é de pertencer a essa família que passou pra gente valores morais e éticos que não encontramos mais por aí e por não ser uma mercadoria não fica exposta na prateleira da venda da esquina.

Quantas vezes a gente clareou nossas visões numa conversa, num bate papo e percebemos que em um cantinho, lá, escondidinho, graças a um toque, uma palavra, existia a possibilidade de uma situação nova e a partir daí as mudanças de perspectivas, a torcida pra que tudo desse certo e as alegrias da conquista compartilhada entre todos nós.

Agora, primo, você tem o prazer e o privilégio de trazer pro nosso meio essa lindeza que é a Thaís. No caso, já trouxe, mas agora é oficial. De fato e de direito. Ela já teve tempo suficiente pra se acostumar com nossa grande família, da qual surge uma nova ramificação, um novo galho da nossa quatro centenária árvore genealógica. Raízes fincadas há anos, tronco fortalecido por décadas e mesmo assim ainda dá folhas e frutos.

É Thais. Você já conhece, se acostumou e acompanha muito bem as nossas sandices conscientes e tem toda razão de querer entrar pra essa família. Faria o mesmo se tivesse na sua pele. Aliás, faria de tudo pra entrar nela caso eu fosse de fora mesmo se não tivesse na sua pele. Mais uma vez e pra eternidade seja bem vinda. Não é você que tem a honra de me ter como padrinho daquele que seja talvez o maior momento da sua vida, pelo menos até agora, mas eu que tenho a honra, o prazer e a glória de abençoar seu casamento. E já é mais do que sabido, mas não custa nada reforçar, toda a amizade, o carinho e o afeto que eu tenho desde pequeno com o Tiago, que sempre foi um dos meus ídolos, são extensivos a você. Como estão se transformando em um só corpo agora você também é minha ídola. Podem contar comigo pro que der e vier. Sempre. Amo vocês de coração e me orgulho disso. Parabéns. Beijos super carinhosos.