terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O QUE SE LEVA DA VIDA?

Nessa vida, acho que todos nós deveríamos experimentar um pouco de tudo sempre arcando com as conseqüências e responsabilidades que esses experimentos trazem. É uma dádiva a gente poder modificar nossos conceitos e opiniões sobre tudo, ser realmente uma metamorfose ambulante. Talvez por isso, por sempre querer conhecer histórias, processos e evoluções que me considero uma pessoa mesquinha no sentido de não ter um objetivo concreto e específico de vida, principalmente no campo material, a não ser o de encontrar o prazer e a felicidade naquilo que eu me proponho a fazer. O cerceamento e a limitação me incomodam, mas nem por isso eu vou deixar o meu lado cartesiano, aquela coisa certinha, regrada e metódica que vem me acompanhando desde pequeno e nem vou deixar de lado a minha formação pessoal, os valores e o caráter que a minha família incutiu no meu crescimento e desenvolvimento como ser humano, ou seja, sou o porra louca mais centrado e consciente que conheço no mundo.

Sou bastante desapegado das coisas materiais, o que pouco imaginava quando menor, e tenho um espírito muito aventureiro por esse ofício, se é que a gente pode falar assim, de querer saber, de adquirir conhecimentos, de encarar de peito aberto, uma novidade. E é exatamente isso que estou fazendo desde o dia 25 de novembro. Pra quem não sabe ainda, me desfiz do único bem material de alto valor, do meu único patrimônio até então, um carro, e com o dinheiro da venda e apesar de toda essa crise econômica global, parti pra Europa.

Uma mochila nas costas e o pé na estrada. Já que a idéia se concretizou, a cidade escolhida foi Londres. Assim como os retirantes procuram as grandes cidades como Rio e São Paulo pra tentar a vida, escolhi Londres como meu ponto de apoio pra essa nova empreitada ou aventura da minha vida. Dali posso rodar pra outros países e conhecer mais histórias e culturas.

Ao procurar as agências de intercâmbio fiquei sabendo que tanto pro Reino Unido quanto pra Austrália não se sai daqui com um emprego garantido como se faz no resto do mundo. No entanto, desde que haja um respaldo de um curso, há a permissão, ao menos em Londres, pra se trabalhar meio período por dia. Minha idéia inicial seria de pegar esse curso por um ano, mas em meio a essa crise, com a disparada do dólar só pude me garantir por lá até o mês de junho. O curso é de inglês mesmo.

Apesar de ter pegado meu diploma do Brasas há onze anos, tá um pouco enferrujado, mas sai quando tem que sair. E como estarei in loco a prática é questão de sobrevivência. Sei que a dificuldade inicial é grande. Aliás, o início de tudo é difícil, e como eu gosto de novidades, como a minha motivação é justamente desvendar o que eu não conheço, a dificuldade já faz parte.

Não tenho idéia do que vai acontecer comigo na capital inglesa. Sei que tenho que me virar, mas com alguns contatos já arrumados, sei onde pisei e cheguei. O que vai acontecer daqui pra diante só mesmo vivendo o dia-a-dia dessa terra fria e acinzentada. A saudade de vez em quando bate. A vontade de correr pro colo da mamãe e comer uma comidinha caseira também é sentida, mas eu tenho que superar isso, que não é tão difícil, apesar do meu apego ser para com as pessoas e não pelas coisas. Deixei família e amigos na certeza que essa última lista crescerá ao menos mais rápido que a outra.

Sempre que eu rompo o ano ou com amigos novos ou em lugares diferentes, é sinal de que aquele ano promete ser fantástico. Dessa vez estarei com as duas situações ao meu favor. Espero que essa ‘simpatia’ se confirme, mas essa resposta só terei no fim do ano que vem. Um excelente ano novo cheio de novidades e esperanças pra todos nós, embora o meu tenha começado um pouco mais cedo.

domingo, 21 de dezembro de 2008

JÁ?

Estamos às vésperas do Natal. O ano que vem já começa a dar sinais positivos e é hora de fazer aquele balancete anual desse que se despede daqui a alguns dias. Claro que se eu for relatar tudo aqui teria que ocupar no mínimo doze vezes esse espaço e, por ser um balancete, somente o que for importante deixarei registrado.

Começando do princípio, em janeiro eu estava de coleira, já supervisionando a figuração no especial sobre o grupo Mamonas Assassinas. O primeiro dia de gravação foi dia dezessete de janeiro no ginásio do América Futebol Clube, na Tijuca.

No início do mês de fevereiro foi carnaval. Eu particularmente discordo desses calendários malucos e dependentes do sol que fazem os feriados da páscoa e carnaval transitarem por diferentes datas na folhinha anual. Curti, como todo ano o carnaval como um louco perdido, um pinto no lixo. Tiro esses quatro dias pra me perder pelos blocos do Rio sem saber que horas e como volto pra casa, mas sempre volto pra comer, tomar banho, ver de relance o desfile, dormir, acordar e partir pra outro bloco no dia seguinte até eu me transformar em cinzas na quarta-feira. Alguns dias depois encerramos as gravações do especial.

Somente dois meses depois foi dada a largada pro segundo especial do ano. A homenagem agora era pra Dolores Duran. Entre dezoito de abril e o princípio de maio fiquei mergulhado na fossa de suas composições e na intensidade da vida dessa mulher. Essa foi justamente a época do meu aniversário e do nascimento do meu sobrinho. Fiquei tão radiante com esse pequeno ser que tomou conta e modificou minha vida de certa forma que esse gostinho foi um dos fatores que me fez largar tudo e partir pra outra.

Depois de três anos e dois meses envolvido com figuração decidi largar aquela vida vulgar, limitada e altamente sugadora e no dia treze de maio pedi minha carta de alforria voltando lá apenas duas vezes, das quais uma foi pra devolver a coleira e a outra foi mais agora pro fim do ano pra me despedir de amigos muito queridos que fiz por lá. O motivo dessa despedida falarei mais adiante.

Em junho passei por uma experiência maravilhosa apesar de bastante rápida. Uma semana em Nova Yorque. Recomendo a todos os viajantes cosmopolitas que ao menos uma vez na vida pisem em Nova Yorque. Na volta ainda tentei mais um pouco forçar um projeto de um programa de TV a cabo que acabou ficando barrado na questão de patrocínio, mas isso um dia ainda será revisto. Essa viagem me fez pensar em algumas coisas e me fez tomar decisão que acho que todos que tiverem oportunidade deverão fazer.

Tem gente que acha que pensar e encarar uma decisão dessas é coisa de louco, insano, maluco. A esses eu respondo com duas frases da tia Rita (Lee): “essa vida é muito louca e loucura pouca é bobagem” e “mais louco é quem me diz que não é feliz, eu sou feliz”. Novembro foi o mês de arrumar documentação e malas e cruzar o atlântico para uma nova descoberta.

Esse ano pra mim foi o ano do conhecimento. Conheci muitas pessoas e fiz mais amigos. Tive frente a frente com algumas pessoas que tenho admiração, inclusive as duas mulheres de vida pública que mais idolatro. O próximo ano certamente será diferente Até pelo fato da novidade vir um mês e cinco dias antes da virada do ano. Será também um ano de bastante conhecimento que, além das pessoas, como esse ano, vai atingir a cultura, o modo de vida e todo o resto no que diz respeito a minha vida nova.

Como diz o dito popular, ano novo é vida nova. No meu caso a vida nova começou um pouco antes do ano novo. Provavelmente pra questões de adaptação, mas mesmo assim já estou pronto e renascendo pro que der e vier.

domingo, 14 de dezembro de 2008

ÁGUA BENTA

Riquinho, o meu sobrinho, foi batizado mês passado. Mais precisamente em dezesseis de novembro na igreja de São Lourenço, num lugar conhecido como ponto cem réis, no início da Alameda São Boaventura, no Fonseca. O motivo da cerimônia ter sido lá é o fato de que as outras paróquias, como o Salesiano aqui do lado de casa, exigir mais dos pais e padrinhos.

Para fins de esclarecimento, eu não sou o padrinho do meu sobrinho. Meu irmão teve o discernimento de não me convidar, mas sim de oferecer esse cargo para o meu primo Gustavo. Eu já sou padrinho do Victor Hugo, filho do meu primo Léo e numa escala de zero a dez eu devo estar em menos dois. E se eu já sou péssimo padrinho de um, imagine como ficaria a situação com dois. Dois também é o número que tenho de afilhados de consagração. Nesse sentido a minha responsabilidade para com eles é noventa e cinco por cento menor que o padrinho que molha a cabeça da criança. Riquinho Fo o segundo, se juntando ao Miguel, filho do meu primo Luis Antônio. Não me lembro agora pra que santo o Miguel foi consagrado. Sei que Riquinho foi pra Nossa Senhora. Nada melhor pra uma criança que uma figura maternal.

Não vou aqui discutir sobe os dogmas eclesiásticos de modo que eu respeito bastante, não julgo certo ou errado, e até sigo boa parte deles. Eu só acho que a velocidade de evolução da igreja, e falo especificamente da católica, está bem abaixo da velocidade de evolução do mundo. Em pleno século XXI ela quer continuar a se ater a coisas do século XVIII. Daí o Riquinho ser batizado fora da paróquia de origem dele e dos pais. Antes, pra se batizar uma criança bastava que pais e padrinhos tivessem sido batizados também. Hoje a exigência mínima é que ao menos um dos padrinhos seja crismado. No caso do Victor Hugo a Thais era. A única excessão achada foi justamente a igreja de São Lourenço.

Abrindo um parêntese, imagina se todo padrinho de casamento tivesse que ser casado. Eu não poderia apadrinhar os cinco casais sob minha presença e testemunha ocular. Acho que dou mais sorte com casamento que com batizados de modo que apenas um casamento, por enquanto, não vingou.

Agora, mesmo essa excessão tem os seus sacrifícios. O primeiro foi a hora do batizado. Normalmente acontecido nas primeiras horas de domingo, esse foi marcado pra começar ao meio dia. Ao menos o dia da semana foi mantido. O segundo foi a quantidade de ‘batizandos’ reunidos na igreja pra celebração. Trinta crianças. Trinta. Uma quantidade absurda. Trinta crianças e casis de pais e padrinhos é pra lotar a igreja sem a presença dos parentes, o que foi estranhamente pedido pelo pároco.

O desejo dele é que fosse uma celebração praticamente a portas fechadas, tanto que no final o recado dado por ele foi que ninguém divulgasse os detalhes da celebração do batizado daquela igreja pra ninguém visto que ele deve modificar a pastoral do batismo. Espero que para melhor. Ele chegou até a se ajoelhar pedindo silencio total e absoluto à igreja que estava cheia para que a cerimônia fluísse bem e não precisasse dividir os trinta em duas turmas, de modo que a primeira iria do meio dia as duas e a segunda de duas as quatro. Um padre ameaçador, punidor. Depois não querem que as pessoas se afastem dela.

Por volta das duas da tarde acabou a cerimônia. Pra comemorar, conforme previamente combinado, fomos almoçar no restaurante ‘A Mineira`. Nem todos que estiveram na igreja puderam ir ao almoço. Mesmo assim a mesa ficou cheia. Em torno de quinze pessoas comeram a vontade, do bom e do melhor que se pode obter, desde comida mineira, proposta do restaurante, até incursões para outras cozinhas como a japonesa e a italiana. Riquinho também come e muito, frutas e papinha. Benza Deus.

domingo, 7 de dezembro de 2008

REENCONTRO

A vida nos faz tomar certos rumos que nos afastam de momentos que a gente sempre quer relembrar. No mês passado conseguimos nos agrupar pra rememorar momentos que nos esforçamos pra nunca apagar da nossa memória.

Tudo começou com uma jogada de idéia entre os orkuts de Carlinha e Delisete. Idéia que foi disseminada e concluída no início de novembro. Durante meses buscamos as pessoas que durante um bom tempo conviveram no prédio cujo endereço continua o mesmo. Contactamos praticamente todos os conviveres de uma geração alegre e feliz que cresceu durante os anos oitenta com os sonhos e esperanças inerentes a época. Claro que tudo isso muda com o passar do tempo, mas durante algumas horas tivemos o poder de voltar no tempo, ao menos nas nossas mentes, já que a carcaça, essa não tem como retroceder mesmo.

Pessoas que não se vêm há quinze, vinte anos novamente ficaram juntas. Infelizmente nem todos puderam comparecer e sei que a dificuldade de fazer com que realmente todos se encontrem é grande dado os afazeres individuais. Da ala masculina eu fui o único representante. Meu irmão apareceu e ficou por lá durante dez minutos. André também foi e apesar de conviver o tempo todo conosco, era um morador ‘adotado’do prédio. Fizemos de tudo. Fiquei responsável pela produção da festa. Desde contactar o pessoal, até passar via mail ou orkut a conta para que depositassem o valor estipulado que foi quinze reais para solteiro e vinte e cinco para casais fora as bebidas que cada um trouxe a parte.

Eu confesso que fiquei preocupado com a quantidade de comida. Achei que ia faltar. Havia o pão a metro, as tortas e o cachorro quente de salgado e os dois brigadeirões e a torta de baba de moça na parte doce, isso sem contar as guloseimas que tiveram – bala, chiclete, pirulito, confeti, bala de goma, paçoca e pé de moleque. Dos salgados sobraram uma torta e um pouco de cachorro quente e dos doces grande parte da torta de baba de moça encomendada na Poção Mágica, loja especializada em tortas e doces.

A decoração ficou a cargo de Carlinha que teve a brilhante idéia de fazer um painel com discos de vinil e botar como rótulo a nossas caras em fotos grupais de várias épocas nossa. Um outro painel com fotos coloridas contornando um cartaz que ficou lá pra que puséssemos nossos recados. As paredes tinham várias capas de discos (os que estavam no tal painel) da época, a grande maioria trilha de novelas. E vários CD’s fazendo papel de móbile nas luminárias do salão. Carlinha sempre teve jeito pra isso.

Infelizmente Mariane teve que sair cedo por conta de Maria Tereza, sua filha, e não ficou pro auge da festa que foi a reunião de todos defronte a televisão pra assistir o DVD feito por Juliana com algumas fotos nossa que ela havia recolhido. Além das fotos ela ainda teve o trabalho de inserir imagens de vários brinquedos, guloseimas roupas e acessórios que marcaram de algum jeito a nossa infância. Juliana ainda teve a idéia de dar um pra cada participante de recordação. Como é bom rever e reviver certos momentos.

Como diz o ditado, recordar é viver. Naquela época tínhamos a capacidade de nos unirmos pra brincar, pra criar, pra sonhar e como seria bom se toda criança tivesse um pouquinho da infância que nós tivemos. Ainda pegamos a fase das relações humanas que não era cerceada ou limitada pelos bytes da informática. Não estou dizendo que agora é melhor ou pior que no meu tempo. Só estou garantindo que os simples gestos de olhar ao vivo, conversar e interagir no mundo real desde criança dá muito mais caráter, dignidade e conhecimento pra um ser humano. E nós tivemos essa oportunidade, muito rara atualmente.

domingo, 30 de novembro de 2008

NOVO DONO DO MUNDO

O mundo tem um novo presidente. No início do mês os americanos foram às urnas escolher quem seria o próximo presidente norte-americano e consequentemente a figura mais importante do mundo, ao menos nos próximos quatro anos. Não teve jeito, as pesquisas já apontavam a vitória dele e confirmaram no sufrágio universal Obama nas alturas.

Barack Hussein Obama é o mais poderoso nome e homem do mundo a partir do mês de janeiro. Não sei se é pelo fato da nossa justiça eleitoral, apesar de algumas escorregadas no que diz respeito a candidaturas, ser extremamente eficiente com as urnas eletrônicas e a apuração ser super rápida e mais confiável no que tange a fraudes, mas o sistema eleitoral americano, pelo menos na minha concepção, é bastante complicado.

A votação lá não é igual aqui onde vence quem é mais votado. Na verdade os eleitores elegem os delegados que dirão quem naquele estado teve o maior numero de votos. E, apesar de ser raro, pode acontecer do delegado decidir pelo rival. De modo que se um republicano for o mais votado o tal delegado pode escolher o democrata. Cada estado tem um número de delegados que depende da densidade populacional. Tem estados que tem quatro e tem os que tem mais de dez, por exemplo, e no total pra um presidente americano ser eleito precisa de, no mínimo, duzentos e setenta delegados.

Essa eleição foi uma das mais bem freqüentadas dado que lá o voto não é obrigatório. A população compreceu em massa pra eleger o quadragésimo quarto presidente dos Estados Unidos da América. Com o slogan ‘Change. We can’ (Mudança. Nós podemos) Obama recebeu um crédito de confiança não só da América como do mundo todo. Em meio a uma crise econômica global, uma mudança é bem vinda e os americanos estão ansiosos por ela. Se Obama vai fazer um bom governo ou não é só acompanharmos todos os passos do presidente – isso até parece título de filme.

Ele é a personificação, ou até a realização do sonho de quarenta anos atrás de Martin Luther King onde no famoso discurso disse que sonhava que meninos e meninas de raça negra dariam as mãos a meninos e meninas de raça branca como verdadeiros irmãos entre outros exemplos que foram contra a segregação de qualquer patamar. Obama é o primeiro presidente negro da história americana, filho de um keniano com uma americana, ainda tem família no continente africano. Deu início na carreira política assistindo as pessoas da comunidade dele e foi crescendo e sendo absorvido pelas graças do povo até concorrer a cargos mais altos. Agora chegou no topo do mundo, no cargo mais importante e de maior imposição do planeta Terra.

Todo esse apelo popular, essa ânsia por mudança, essa credibilidade apostada nele e esse carisma me lembram um pouco a nosa eleição de 2002 quando o Lula foi eleito pela primeira vez. Depois o tempo nos mostrou valeriodutos entre outros esquemas e ações que, ao menos eu, pouco esperava e me desencantei umpouco dele, de modo que no segundo pleito ao qual concorreu e ganhou novamente a eleição , não foi com a minha concordância, no entanto, se senta na cadeira mais importante do Brasil, o mínimo que posso fazer é lhe dever respeito.

Mas o que está em pauta aqui não é o Brasil de Lula e sim a América de Bush e que em dois meses será de Obama. Espero sinceramente que depois da tempestade Bush venha a bonança Obama. Tomara que ele se empenhe em tornar a América como já foi há algum tempo atrás. Torço pra que Barack Obama ajude, colabore e contribua da forma que ele pode e que ele consiga para tornar esse mundo e suas relações políticas, de um modo geral, bem melhor.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O PRIMEIRO DA TURMA

Talvez a melhor época da nossa vida é o tempo em que passamos numa faculdade. Pelo menos pra mim foi. É justamente o período de transição de onde saímos da adolescência e passamos pra vida dita adulta. Vale ressaltar que isso não é uma regra fixa. Tem muita gente que cursa uma universidade no auge da carreira e tem tipos, e eu me enquadro nele, que mesmo na faculdade não sai da adolescência apesar de entender e aceitar tranquilamente as responsabilidades da vida acadêmica.

Assim como no término do segundo grau, o fim de uma faculdade é sinal de que a partir dali cada um vai tomar seu rumo, seguir sua vida, se der, naquela carreira escolhida e aprofundada durante, no mínimo, quatro anos. Com a minha turma foi a mesma coisa e praticamente ninguém seguiu o meio acadêmico escolhido apesar de alguns chutarem a bola na trave. De professor do estado a bancário, de produtor de TV a DJ que se tornou funcionário público, fizemos ou fazemos escolhas pra nossa sobrevivência financeira. Mas, coisa que é difícil de acontecer com a maioria dos formandos, é a permanência do contato entre a gente.

Esse ano estamos comemorando dez anos de amizade ininterrupta apesar dos percalços da vida. E dez anos depois desse encontro um dos nossos amigos resolveu mudar de time e jogar em favor dos casados. É o único, por enquanto, que teve a coragem de tomar essa decisão. Claro que nós conhecemos a agora atual esposa dele e, bem ou mal, acompanhamos todo o desenrolar da história dos dois. Foram oito anos até que no fim do mês passado chamaram o juiz de paz e reuniram os amigos numa casa de festas da Tijuca pra, como disse um amigo nosso, assinarem a sentença perante as testemunhas que éramos nós, os convidados.

Com o convite assinalando o início da cerimônia às quinze pras oito da noite e por ser apenas um rápido pronunciamento de alçada civil, não queria atrasar muito a minha chegada na casa de festas. Como havia combinado com um desses meus amigos de a gente se encontrar num ponto pra chegarmos juntos à cerimônia, às oito estávamos na porta da casa de festas e a noiva estava pronta para entrar. Apesar de ser apenas uma cerimônia civil manteve-se a tradição das entradas de padrinhos e noivos e o vestido da noiva continuava branco. As músicas foram todas dos Beatles em arranjos de casamento e nós que ao entrarmos passamos por trás dela sem que ninguém percebesse, já que a porta ainda estava fechada com ela a postos, chegamos a tempo de assistir a entrada dela.

Pela primeira vez eu vi um casamento tão rápido. Talvez pelo fato de só ser uma cerimonia civil. Em menos de meia hora os dois estavam casados. Nem o mais veloz dos religiosos ao qual eu estive presente bateu esse recorde. E por não haver deslocamento da cerimônia pra festa, o único trabalho que tivemos foi o de arrumar uma mesa pra nos acomodar. Conseguimos uma das últimas das quais couberam todos nós. Claro que teve gente da nossa turma que chegou depois de mim e perdeu a cerimônia em si, mas curtiu a festa tanto quanto eu. A festa foi impecável apesar de algumas escorregadas do DJ. Lembra que eu citei um amigo meu que se tornou DJ? Então, foi ele que casou sem assumir as carrapetas da própria festa. Dessa vez só o papel de noivo lhe coube a ser feito naquele dia.

Agora resta saber quem da nossa turma será o próximo a colaborar com o time dos casados já que oficialmente o primeiro já foi. Eu só tenho certeza de uma coisa. Sou torcedor ferrenho do time dos solteiros e de minha parte será muito difícil – só não digo impossível por que não acho que seja – que eu vire a casaca e integre oficialmente o time dos casados. De modo que outros amigos da mesma turma já podem fazer isso extraoficialente.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

MUITO ESTRANHO

Um dos dias em que o surrealismo imperou na minha vida no mês passado foi o dia dezesseis de outubro. Caiu numa quinta-feira e aconteceu cada coisa inacreditável. Pra começo de conversa fui comprar o ingresso pra assistir ao show da Marina no SESC Ginástico, centro do Rio, garantido na semana anterior à apresentação. O valor do ingresso era quinze reais mais uma lata de leite em pó.

Havia pegado uma nota de cinqüenta e a troquei no mercado aqui perto de casa ao comprar a lata de leite. Pus o troco no bolso e peguei o ônibus pra ir ao Rio. Paguei a passagem e até então todo o dinheiro estava no meu bolso. Tudo bem que o plástico onde estavam o dinheiro e o documento de identidade não estava lá em bom estado. Já não era a primeira vez que carregava as coisas naquele jeito. Desci do ônibus e caminhei com a lata debaixo do braço até a bilheteria do teatro. Ao chegar lá entreguei a lata ao bilheteiro e quando meti a mão no bolso pra tirar o plástico com tudo, onde estava o dinheiro? Metade lá e a outra metade não, ou seja, das duas notas de vinte reais e mais uns quebrados que eu havia recebido de troco, só encontrei os quebrados e uma das notas de vinte. Mesmo assim comprei o ingresso pro show. Feliz pelo ingresso e chateado pela nota. Esse foi só o primeiro do dia.

Ao voltar pra casa peguei a barca e nela encontrei com a minha cunhada. Ela me perguntou se eu já estava sabendo. Mais uma bomba. Haviam rebocado o carro do meu irmão em frente a casa dela. Acontece que sempre houve uma fila de carros parados no lado em que é proibido estacionar e calhou daquele dia rebocarem a fila toda e o dele, por estar no bolo, foi junto. O carro ser rebocado pela prefeitura é o de menos. O ruim é o trabalho que dá pra ele ser liberado depois, mas, enfim, na sexta a noite ele já estava com o carro recuperado.

Cheguei em casa, dei um tempo e fui pra comemoração do aniversário do meu primo Gustavo num barzinho super aconchegante no trevo de Piratininga. O clima estava ótimo e quando a gente quase levantava acampamento pra ir embora, eis que para um gol branco e me sai um senhor já com mais de setenta, apenas de bermudas e completamente bêbado. Como ele chegou até ali e de onde ele surgiu ninguém sabe, mas a nossa preocupação era a de que ele não andasse de carro naquele estado em que se encontrava. Até demos uma lata de Coca Cola pra ver se surtia efeito e o prendemos ao máximo lá tirando a chave do carro da mão dele tentando também colher o maior número de informações possíveis sobe ele pra ajudá-lo. Enfim, quando a gente sentiu que ele tinha a mínima possibilidade de se virar sem a gente, soltamos o ‘meliante’ e cada um foi pra sua casa.

Eu fui pro ponto de ônibus defronte ao shopping. Pelo adianto da hora era muito escasso a circulação dos transportes e eu fui andando em direção a subida da serra sempre olhando pra trás. O primeiro que passasse eu pegaria. Eis que surgiu uma van. Pela hora tava cheia, mas depois de ter entrado na van percebi que as pessoas que lá estavam não passava de um time de futebol de várzea composto basicamente por nortistas que estava vindo de uma partida. Não sei se ganharam ou não, mas além de mim, um fiscal de ônibus – dedução minha dada as vestimentas dele – também entrou nessa van. Claro que quando se entra num meio de transporte se imagina que nada irá acontecer. Pois então a quarta e última parte surreal desse dia foi justamente o combustível da van acabar no meio da subida. Uma aventura impar. Descer de ré, na banguela, de madrugada e envolto por nortistas fazendo piadas daquela situação. A minha maior decepção foi quando um ônibus passou a toda pela gente. Pra complementar a situação o posto mais perto estava fechado.

Um fantástico quarteto surreal ilustrou esse meu dia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

PANTANAL

Já havia dito aqui e repetido algumas vezes que sou um noveleiro seleto, ou seja, acompanho sem obrigatoriedade folhetins de determinados autores. De um tempo pra cá abri uma exceção.

Alguns anos atrás havia uma emissora de TV cujo IBOPE era alto em determinados horários, chegando inclusive a se manter em segundo lugar, ao menos no estado do Rio, e em picos de audiência acirrava a guerra permanecendo por alguns momentos em primeiro lugar. Por motivos que não convêm serem ditos aqui hoje essa emissora, a Rede Manchete, está falida. No entanto é inegável que ela tenha feito obras primas que chegou a assustar a TV Globo.

Me lembro que suas investidas na teledramaturgia abalaram um pouco a Venus Platinada a começar por uma novela chamada Kananga do Japão tendo por protagonista a Cristiane Torloni. Nessa época, além de eu ser mais jovem, assistia as novelas globais independente do horário ou dos seus autores, de um modo que pra tentar barrar a ascensão da Manchete, surgiu uma safra boa de novelas que até hoje são citadas e lembradas por quem viveu aquela época e acompanhava novelas do mesmo jeito que eu.

Uma dessas novelas que tirava a audiência global está com sua representação se aproximando do fim. E mais uma vez causou polemica apesar de agora recair sobre outra esfera que não a guerra de audiência. O gênio e louco – a ordem dos fatores... – do Silvio Santos comprou a novela da Manchete e a reapresenta. Isso teve como conseqüência uma batalha judicial que só deve acabar depois da reexibição da obra, cuja história já se encaminha para seus momentos finais.

Eu que não acompanhei a novela de Benedito Ruy Barbosa, dirigida pelo Jaime Monjardim, na época, agora procuro ver como se fosse uma das novelas ‘seletas’. A edição que estão fazendo nela não segue os padrões atuais, de modo que se você não acompanhar o capítulo de sábado, por exemplo, na terça se pode fazer um link sem perder o fio da meada, já que o primeiro pedaço são cenas do capítulo anterior e o último são as do capítulo seguinte.

Há dezoito anos tudo era diferente desde a moeda até o presidente. E pra se fazer um produto como uma novela, eu que já trabalhei com isso sei que a mobilização de pessoal e equipamento é enorme. Imagina numa época em que a economia era mais conturbada. Pantanal é uma novela fantástica com atores e interpretações maravilhosas. Alguns já morreram e outros não seguem mais essa carreira. O cenário em que se passa a trama já é bonito por natureza e a direção de fotografia não pecou em nada ao aproveitar e registrar as maravilhas pantaneiras. Foi uma das últimas novelas da era romântica, onde, apesar de já ser uma indústria por trás disso tudo, ainda havia um certo ar artesanal, coisa que hoje não existe mais.

Mesmo com a Record investindo pesada e maçiçamente no mercado teledrematúrgico pra tentar vencer a concorrência, as novelas dos anos oitenta e noventa tinham em certo glamour, um que de artesanal que não se vê atualmente. Não se pode afirmar que Pantanal foi o divisor de águas no que diz respeito à feitura de novelas, mas que houve uma repensada depois da exibição dela, isso é certo. Tanto que várias novelas globais depois frizaram imagens, ou seja, deram mais atenção à direção de fotografia, mesmo assim a glamurização do produto novela não é mais o mesmo, apesar das revistas ainda glamurizarem os artistas que atuam nelas.

Como toda e qualquer indústria que tem que botar seu produto a venda no mercado, é um estresse grande pra fazer com que isso engrene. Sair dessa área foi a melhor decisão que eu tomei esse ano, viver uma vida além Projac. Parece que eu estou relaxando, depois de três anos, no Pantanal.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

ENAFA3A

No mês de outubro, em Guaratinguetá, foram dias de alegria sem sorrisos amarelos, pois teve como registro a terceira confraternização da minha família Barcel(l)os. Para quem tem uma boa memória carnavalesca me reportei ao samba em homenagem ao Círio de Nazaré que acontece sempre no segundo domingo de outubro que esse ano calhou de cair justamente no dia da padroeira do Brasil. Nazaré e Aparecida combinaram, e assim como elas, nós também combinamos de fazer o terceiro Encontro Nacional da Família Barcel(l)os e Afins, também conhecido por ENAFABA.

Na verdade a gente considerou o terceiro por que no primeiro, que se tornou o primeiro a partir do segundo, estabelecemos que de dois em dois anos a gente iria se encontrar só por se encontrar, sem nenhum motivo de festejos ou comemorações. A cada ano que passa a tendência da família, de toda, creio eu, é crescer, se expandir, se ramificar acarretando em conseqüências cujas circunstancias explicam, tipo trabalhar e morar em lugares mais longes, por exemplos. Desses três contabilizados esse foi o que teve o maior número de faltosos. Dos oito núcleos três não compareceram e dois estavam desfalcados. Nem sempre será possível reunir todos numa emoção, uma só voz, uma canção. A vida é uma constante aventura com surpresas e obstáculos os quais volta e meia nos impedem de curtir certas passagens como uma reunião de família.

Foram vinte e quatro horas confinados numa casa tal qual um ‘Big Brother` - aliás, se for pegar ao pé da letra, era exatamente isso, não só entre irmãos, mas entre todos os graus de parentesco que existe numa família. O local escolhido foi a mesma chácara onde se deu o noivado do meu primo Tiago com a Taís, já casados há um ano e três meses. O tempo, que durante a semana parecia não querer dar trégua das constantes chuvas e temperaturas baixas, melhorou pra que a gente pudesse curtir tudo com menos uma preocupação. Vejo isso também como sinal de que mesmo no âmbito celestial a família está bem representada, intervindo nas características do tempo com o responsável por isso e torcendo também pra que tudo desse certo com a gente aqui em baixo. Deu até pra tomar um banho de piscina enquanto o frio não batesse.

A cada encontro que passa o painel de fotografias fica em edição revista e ampliada, com mais lâminas expostas ao público. Vai chegar ao ponto em que não haverá mais paredes pra grudar tanta folha de cartolina com as fotos, de modo que é mais prático fazer uma vídeomontagem e reunir o pessoal em frente à TV pra assistir, o que também já acontece em boa escala, de modo que um disco futuramente não será suficiente dado o tamanho, a quantidade acumulada que todos da família têm de fotografias, principalmente depois do surgimento e aquisição pela gente das máquinas digitais. Haja fotografia.

Em relação à alimentação não tínhamos do que nos queixar. A taxa por pessoa incluída a diária e a comida saiu a menos de R$ 100. Um churrasco muito bem servido durante o dia, um lanche bem reforçado a noite e um café da manhã no dia seguinte que mais lembrava um banquete medieval com inúmeras opções de quitutes pra nosso bel prazer. Um pouco antes da nossa partida meu primo Léo me deu a incumbência de escrever o hino oficial do encontro. Eu nunca fui compositor, ainda mais que eu nem tenho idéia da melodia. De qualquer modo eu fiz três quadrinhas e um refrão. Claro que ele tem toda liberdade poética de modificar e, caso aconteça dele fazer outra letra descartando por completo essa feita por mim, de modo algum ficarei chateado por conta disso. Muito pelo contrário. Assim que estiver pronta e for divulgada estarei perfilado, em posição de sentido, cantando com muito orgulho o que quer que seja criado nesse sentido.

Não se sabe onde e nem quando, só que será em 2010 o nosso quarto encontro.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

REFLEXÕES

Mais um interessante e reflexivo mail (ou parte dele) enviado pela minha prima Livia.

Até quando?
Quando acontecer conosco, será tarde para reagir!!!

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..."
Martin Niemöller, 1933 , símbolo da resistência aos nazistas.

Parodiando o pastor protestante Martin Niemöller, símbolo da resistência nazista:
"Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, Que não era meu filho..."
Claudio Humberto, 09 FEV 2007

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

É PRECISO AGIR Bertold Brecht (1898-1956)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

CURIOSIDADES

Recebi por mail essas curiosidades que não posso afirmar serem de fontes confiáveis. Aliás, quase todos os mails não acredito que sejam de fontes confiáveis. Confio nos remetentes. Talvez elas apareçam em almanaques de curiosiades ou até mesmo no livro dos recordes, o Guiness Book. E depois de lerem isso não vão dizendo que eu não sou normal.

A MULHER QUE ATINGE 200 ORGASMOS POR DIA

O barulho de um trem, o secador de cabelo, uma máquina fotocopiadora - tudo isso é motivo para Sara Karmen, uma britânica de 24 anos, sentir um orgasmo. Somente durante os 40 minutos de uma entrevista ao jornal News of The World, ela teve 5 orgasmos. A moça sofre da Síndrome de Excitação Sexual Persistente, que faz com que ela fique excitada por grandes períodos de tempo, mesmo sem ter um estímulo sexual. "As vezes tenho muitas relações sexuais, na tentativa de acalmar-me, mas o meu namorado se chateia, porque atinjo o orgasmo com facilidade" – conta Sara. Ela explica que a síndrome aumentou depois que ela completou 19 anos, logo após começar a tomar antidepressivos. "Depois de algumas semanas, passei a sentir cada vez mais excitação. Tudo começou na cama, e o meu namorado estranhou a quantidade de orgasmos que eu atingia durante o ato sexual."

O HOMEM QUE NÃO CONSEGUE ENGORDAR

John Perry sofre de um distúrbio que muitos gostariam de sofrer, nem que fosse por um dia. O inglês de 59 anos pode consumir a quantidade de alimentos que quiser e não consegue engordar. O distúrbio, chamado lipodistrofia, faz com que o corpo queime rapidamente a gordura que absorve. Quando tinha cerca de 12 anos, Perry comentou que começou a emagrecer sem nenhum motivo aparente. Os médicos, sem ainda saber a causa, imaginaram que ele estivesse sofrendo com uma úlcera estomacal e o orientou para que tentasse comer, na tentativa de aumentar o peso, mas sem nenhum resultado. O problema de Perry é causado pela produção de insulina, que é seis vezes maior do que uma pessoa normal.

O HOMEM QUE NÃO SENTE FRIO

Difícil acreditar que alguém consiga suportar temperaturas muito baixas. Wim Hof conseguiu provar que isso é possível. O holandês de 48 anos, que ficou conhecido como o 'Homem de Gelo', já correu uma maratona no Pólo Norte, apenas vestindo um short e nadou cerca de 80 metros em água gelada. Por uma condição incomum, Hof não sofre de hipotermia, como ocorre com a grande maioria dos seres humanos. Ao invés disso, o fluxo sanguíneo, que em temperaturas muito baixas é enviado apenas para os órgãos vitais, no caso dele, continua sendo fornecido para todo o corpo, não permitindo que ele sofra com ulcerações.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

ESSE POLÍTICO MERECE

Do Globo Online em 6 de outubro de 2008 retirado do site do candidato a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, o qual eu votei quando concorreu a uma cadeira da Câmara Federal. Eu estou com ele nesse segundo turno apesar de não votar na cidade do Rio. Aqui em Niterói deu Jorge Roberto Silveira em primeiro turno.

RIO - Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS) chegou ao segundo turno depois de um crescimento na reta final que chegou a seis pontos em duas semanas . Um mês antes do pleito, o deputado federal oscilava entre 5% e 7%, mas conforme as pesquisas iam sendo divulgadas, Gabeira crescia nas intenções de voto e no último levantamento do Datafolha, aparecia tecnicamente empatado com Marcelo Crivella (PRB/PR/PRTB/PSDC).

O trabalho de Gabeira para chegar ao segundo turno começou na formação da aliança. Sabendo que precisava de mais tempo na televisão do que o PV poderia lhe dar, o candidato uniu forças com o PSDB, que até então estudava lançar a candidatura do deputado Otávio Leite ou da vereadora Andrea Gouvêa Vieira, e o PPS e formou uma coligação tendo como vice o tucano Luiz Paulo Corrêa da Rocha. A aliança foi muito criticada por adversários e antigos companheiros como Chico Alencar, que declarou que Gabeira havia escolhido o Alencar errado, em referência ao ex-governador tucano Marcelo Alencar.

Pregando um choque de capitalismo na cidade e uma união que envolvesse não apenas os governos estadual e federal, mas a iniciativa privada e a população, Gabeira recebeu ainda mais críticas de adversários durante a campanha. Jandira Feghali chegou a declarar na sabatina do “Globo” que sua candidatura não poderia ser de esquerda ao exibir o apoio do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga na propaganda eleitoral.

No início da campanha, Gabeira não conseguia obter a adesão de parlamentares de sua própria coligação. Vereadores como Luiz Antônio Guaraná (PSDB) encontravam dificuldades para apoiar o candidato por serem mais ligados a Eduardo Paes (PMDB/PP/PSL/PTB) . De Zito, então candidato a prefeito de Caxias, foi mais fácil receber apoio. Mas ele fez questão de deixar claro que estava se aliando ao Gabeira municipal e não ao federal .

A frase era uma alusão às bandeiras do deputado na Câmara em defesa da descriminalização da maconha e da legalização do trabalho das prostitutas. Durante a sabatina no “Globo” , Gabeira foi questionado sobre a sua mudança de postura sobre a maconha. Ele explicou que não era uma postura oportunista e que já havia dito que era mais importante mudar a polícia do que liberar a maconha num debate há mais de um ano que contara com a presença do governador Sérgio Cabral.

Gabeira também se envolveu em algumas polêmicas durante a disputa do primeiro turno. Criticou duramente a Câmara de Vereadores ao dizer que a Casa era formada por corruptos, matadores e poucos que trabalham . A declaração repercutiu mal entre o presidente da Câmara, Aloísio Freitas (DEM), mas o candidato também recebeu apoio de outros políticos da Casa como Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) e Aspásia Camargo (PV) .

No final de setembro, comprou briga com o Ibope, cuja pesquisa mostrou uma diferença de 14 pontos percentuais entre ele e Crivella. No mesmo dia, o Datafolha mostrara que a diferença era de três pontos, dentro da margem de erro . O candidato, então, acusou o instituto de ter contrato com o PMDB. Foi o suficiente para o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, dizer que Gabeira era “covarde, omisso e dissimulado” . Montenegro também lembrou que o PSDB é um dos maiores clientes do Ibope. No dia seguinte, o candidato manteve suas críticas e propôs que as emissoras de TV divulguem se os institutos de pesquisa prestam serviço aos partidos políticos .

Mineiro de Juiz de Fora e em seu quarto mandato consecutivo como deputado federal, o ex-petista Gabeira disputa pela primeira vez a prefeitura do Rio. Mas esta não é a primeira vez que ele tenta um cargo majoritário. Em 1986, Gabeira se candidatou ao governo do estado numa coligação PT/PV. Três anos depois, tentou a Presidência da República. Na Câmara, Gabeira ganhou projeção nacional ao ocupar a tribuna em 2005 para pedir a renúncia do então presidente da Casa, Severino Cavalcanti, acusado de ter recebido propina do dono de um restaurante na Câmara.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

TATUS PREMIAM CIENTISTAS BRASILEIROS

Recebi esse mail da minha prima Lívia e achei superinteressante a ponto de querer postá-lo aqui. Não sei exatamente de qual fonte veio, mas reproduzo o mail na íntegra com os créditos que lhe foram devido.
Tatus arqueólogos rendem Ig Nobel a cientista da USP
Astolfo Araújo é o primeiro brasileiro a ganhar o Nobel da pesquisa esdrúxula

Suíça leva o prêmio da Paz por defender a dignidade das plantas; americana, o de Química, ao mostrar que Coca-Cola é espermicida
CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA
Demorou, mas aconteceu. Pela primeira vez na história deste país, brasileiros foram agraciados com o Ig Nobel, o Nobel da pesquisa esdrúxula, dado a estudos que "fazem você rir e depois pensar".
A honra coube ao arqueólogo Astolfo Araújo, da USP, e seu colega José Carlos Marcelino, do Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, "por demostrarem que tatus são capazes de bagunçar sítios arqueológicos". Por incrível que pareça, o estudo é sério.
Em 2003, Araújo e Marcelino publicaram no periódico "Geoarchaeology" um estudo experimental que mostrava como o tatupeba (Euphractus sexicintus), ao cavar seus túneis, consegue misturar camadas de terra diferentes.
Isso num sítio arqueológico é um potencial problemão, já que nesse processo uma peça arqueológica depositada mais no fundo (e, portanto, há mais tempo) pode ser deslocada para camadas mais jovens do sítio e vice-versa, potencialmente induzindo o arqueólogo a erro.
A notícia sobre o estudo foi publicada na Folha em maio de 2003, e fez este jornalista nomear Araújo como candidato ao Ig Nobel ao humorista americano Marc Abrahams, editor da revista "Anais da Pesquisa Improvável" e organizador do laurel de gozação. Abrahams andava reclamando da falta de candidatos brasileiros. Como no Nobel de verdade, entre a indicação e a premiação às vezes se passam alguns anos.
"Para mim é uma honra", disse Araújo, que desconfiou quando recebeu um e-mail de Abrahams dizendo que queria "discutir o trabalho". O pesquisador, no entanto, se declarou surpreso com a premiação.
"Dentro desse ramo de arqueologia experimental, o que a gente fez não é de outro mundo", contou. Ele lista experimentos como o de um grupo argentino que enterrou cachorros sob tonéis de concreto para ver como o peso dos sedimentos agia sobre os esqueletos. Ou o de um arqueólogo americano, que lascava pedras com as próprias mãos e depois usava as lascas para cortar carne de elefante. A idéia era observar o desgaste do gume.
Mas ele não desdenha do potencial humorístico do próprio trabalho - feito no Zôo de São Paulo, dentro da jaula do tatu e sob o olhar atento de dezenas de crianças. "Os bastidores foram a parte mais divertida."
Entre os outros laureados, que receberam o prêmio ontem numa concorrida cerimônia no Teatro Sanders da Universidade Harvard (EUA), está Deborah Anderson, professora de ginecologia da Escola de Medicina da Universidade de Boston. Em 1985, num estudo no "New England Journal of Medicine", ela mostrou que não só a Coca-Cola tem efeito espermicida como a Coca Diet parece funcionar melhor ainda. Um grupo de médicos de Taiwan divide com ela o prêmio, por mostrar que refrigerantes não são contraceptivos.
A porta-voz da Coca-Cola não comentou a premiação.
O psicólogo Geoffrey Miller, da Universidade do Novo México, levou na categoria Economia por um estudo publicado em novembro passado na revista "Evolution and Human Behavior". Nele, usando dados de 18 voluntárias, ele mostrou que dançarinas de striptease ganham mais dinheiro no pico de seu período fértil.
Araújo só lamenta não poder ter comparecido à premiação, em Cambridge, EUA. "Torrei todo meu dinheiro de bolsa [em viagens acadêmicas]. Como é que eu pediria dinheiro à Fapesp para ir ao Ig Nobel?”

terça-feira, 30 de setembro de 2008

PASSANDO POR MAIS UM ANO

Se tudo corre bem, se não há imprevistos, principalmente causados pela própria evolução tecnológica, os quais já sofri, estamos no último fim de semana de setembro. O ano está acabando e até lá muita coisa ainda pode acontecer, afinal noventa dias são noventa dias. Desses noventa dias, trinta – tá bom, trinta e um – serão do mês de outubro, mês em que comemoro o aniversário desse blog. Mais uma vez eu repito (parece até o especial do Roberto Carlos no fim do ano) que esse espaço foi criado mesmo em maio de 2002.

Mal comparando, nasceu em maio, mas só foi registrado em outubro quando tomou forma de blog, pelo menos para os meus padrões de blogueiro, com textos curtos, escritos em uma lauda do programa Word. Até pelo fato da sensação que nós, internautas ativos e assíduos, temos de aceleração da velocidade das informações, não estendo meus textos mais que esse padrão. O que faço quando isso ocorre é dividir em vários capítulos a história que eu conto, geralmente alguma viagem a qual eu tenha sido um dos personagens ou o protagonista.

De acordo com o que aparece aqui no rodapé da página, são 291 postagens contando com essa. Esse número é um pouco maior, já que o furacão tecnológico me fez perder alguns textos – talvez uma dúzia deles que perto desse número é nada – colocados nesse espaço mais pro início dos tempos desse blog. Tenho quase certeza de que ninguém, além da minha tia Dora, lê as coisas que eu escrevo, mas como internet é um buraco de terceira dimensão, também tenho a sensação de que alguém em alguma parte desse mundo pode ter se deparado comigo virtualmente e até gostado, passando a me freqüentar. De modo que não tenho esse feedback, ou seja, ninguém vira pra mim e fala que me leu, a não ser minha tia.

Eu também, apesar de apoiar quem faz como eu, não freqüento o blog de ninguém por isso não exijo nada de ninguém e me mantenho fiel e ativo, sempre levando a sério, sendo responsável, como sempre fui, com minhas coisas. E quando junta a fome com a vontade de comer, claro que umas vezes só fome, outras só vontade de comer, mas ninca essa bariga aquivai estar vazia. Esse espaço pra mim e vital. Ninguém tem noção de como eu fico quando acontecem coisas que saem do meu domínio e/ou do meu controle como no início desse mês.

Pra minha sorte eu costumo deixar sempre alguns textos de frente, mas já aconteceu de ter que fazer um texto na hora, que eu não tinha mais prazo e o desespero bater. Falando assim parece até que eu trabalho em redação de jornal, com um chefe berrando nos meus ouvidos, cobrando, mas não, escrevo aqui por gostar de escrever. Aqui eu treino a minha escrita, solto e trabalho a minha energia intelectual, já que a física extravazo nas caminhadas diárias na orla de Icarai.
Gosto de freqüentar as colunas do jornal dominical. Às vezes imagino se o João Ubaldo Ribeiro escreve no mesmo padrão que eu. Certeza que não tenho nas colunas do Xexéo e do Veríssimo, mas a do João Ubaldo ainda tenho dúvidas.

Taí a idéia. Esse ano, pra comemorar os seis anos desse blog no ar vou fazer isso. Pegar, logicamente dando todos os créditos aos seus autores, colunas ou matérias de jornal que eu tenha lido e gostado e reproduzir aqui. Será bom também pra deixar registrado o momento em que o país e o mundo está passando. Será um trabalho de garimpagem, ou, em linguagem jornalística, um clipping de vários assuntos que ocuparão esse espaço nas próximas quatro postagens.

De resto é comemorar mais esse ano que a gente passou, ou pelo menos que eu passei, sempre mantendo meu compromisso assíduo e semanal, colocando minhas opiniões nesse espaço. E salve a liberdade democrática de opinião da internet.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

BEIJING 2008

Mês passado foi um mês atípico. Não tão atípico por ser previsível já que de quatro em quatro anos acontecem os jogos olímpicos. A atipicidade vem dos horários dos jogos. Foram três semanas de madrugadas em claro acompanhando diversas modalidades esportivas, às vezes com o Brasil sendo representado por algum atleta, às vezes entre países que a gente só lembra mesmo durante as olimpíadas , tipo Polônia e Hungria.

São países onde não devem acontecer nada. A última coisa importante que eu lembro da Polônia, por exemplo, é do pontífice anterior ao atual. Da Hungria, então, nem de Papa eu lembro. Aliás, existiu algum Papa húngaro?

A China foi o palco desses jogos olímpicos contabilizando vinte e nove dessa dita era moderna dos jogos que recomeçaram em 1896, graças ao Barão de Coubertain. Eu só vivi os últimos oito, de Moscou em 80 até China agora em 2008, mas lembrar, salvo alguns fatos que sempre marcam as competições e que volta e meia reaparecem em arquivos televisivos, só mesmo da de Barcelona 92 pra cá.

Cerimônias de abertura e encerramento, pela primeira vez deixei de acompanhar. Também, no horário que foi, de manhã, pra mim não tem jeito. E não tenho mais paciência em ficar parado em frente a TV durante horas pra tal. A única excessão ainda são as escolas de samba, fora isso, nem o Oscar que eu gostava de assisitir merece mais tanta atenção minha. Pela primeira vez só acompanhei o compacto, que podemos considerar realmente um compacto simples, já que as quase quatro horas foram resumidas em quase uma. De modo que o desfile das delegações ocupam o maior tempo, por que até o mundo entrar todo num estádio e em ordem alfabética, haja paciência. Existe uma ordem alfabética praqueles desenhos que os chineses chamam de letras?

Já é a terceira olimpíada que, aqui no Brasil, se trocou o dia pela noite. Sidney em 2000 na Austrália e Athenas em 2004 na Grécia, nem tanto, mas também teve suas noites em claro. As próximas não terão esse fuso horário tão louco. Londres difere quatro horas do horário oficial de Brasília. Quatro horas pra frente caso não haja horário de verão, ou seja, os programas de fofoca da tarde, se ainda existirem daqui a quatro anos, cederão seu espaço para os jogos olímpicos. Que bom.

O desempenho da equipe brasileira em se tratando do número de medalhas, foi igual ao da Grécia. Ficamos em vigésimo terceiro, o que não é tão ruim dado os mais de oitenta paises participantes, apesar do número de medalhas de ouro ter sido melhor quatro anos atrás. E nessa competição China e Estados Unidos disputaram palmo a palmo, modalidade por modalidade, quem ganhava mais. No fim as duas nações se deram bem. Uma pelo número total de medalhas, a América, e outra pelo número de medalhas de ouro, a China.

Apesar de todos os protestos contra a forma de tratamento do governo chinês, principalmente em relação ao Tibete, acho que, ao menos durante os jogos olímpicos, o espírito esportivo venceu todas as barreiras político-ideológicas, fato que os próprios chineses faziam questão de ressaltar, assim sendo efetuado. Agora que acabou tudo, voltemos a meter o pau na China comunista, opressora, controladora, dominadora e etc...

O mais interessante disso tudo é que por trás de toda olimpíada tem sempre uma para-olimpíada, ou seja, por menor que seja a quantidade de atletas em relação à competição normal, a oportunidade e o espírito de competitividade sempre recairá sobre os seres humanos, tenham eles alguma limitação física e/ou mental, ou estejam eles em plena condição saudável de participar de jogos com a dimensão de uma olimpíada.

sábado, 13 de setembro de 2008

MRDB.COM.BR

Entrem, por favor, fiquem a vontade. E podem reparar na bagunça. Uma bagunça bem feita, bem organizada, mas uma bagunça que nos é peculiar. Entrando em definitivo na era cibernética, esse site www.mrdb.com.br visa mostrar a nossa árvore genealógica a quem quiser saber um pouco mais sobre a gente. Árvore frondosa, florida, alegre e, para nós que somos galhos e ramificações, maravilhosa. De certo que na floresta desse mundo tenham árvores iguais a nossa, mas se a nossa árvore se destaca em meio a tantas outras, isso se deve ao fato de que nossa raiz que nos sustentou, que nos deu essa força, essa energia, essa confiança, se fincou em terreno apropriado, em solo fértil. Somos assim graças a essa base bastante sólida, rigida e que foi tomando forma, por que não dizer germinando, no início do século passado, quando o termo digital só se referia a impressão de dedos nas cédulas de identidade. De qualquer modo o avanço tecnológico sempre permeou nossas relações familiares.

Nos reportando à primeira metade do século pasado, a imprensa de Gutemberg, o cinema de Lumiere, o telefone de Graham Bell e o rádio de Marconi já tinham sido inventados e estavam em plena atividade. A televisão começava a dar seus primeiros passos na américa do norte e breve apareceria por aqui. No entanto, esses meios de comunicação não englobavam um no qual poucas pessoas tinham acesso, um que até lembra o princípio do telefone onde duas pessoas poderiam se falar com a particularidade de que outras pessoas também entravam na rodada de conversa. O radio amadorismo para a época era um meio no qual a maioria não sabia viver com. Hoje, dada as devidas proporções e a evolução da tecnologia, a maioria a maioria não save viver sem.

Formas de comunicação é o que não falta. E-mails, orkut, msn, skype além de outros, atualmenteagilizam os contatos interpessoais. Quanto à nossa árvore, na época que ainda não era banhada por toda essa tecnologia, e-mail ainda se chamava carta e consta nos nossos arquivos várias delas trocadas para pedir alguém em casamento ou para anunciar o nascimento de outrém. Não se escreve mais cartas e muito menos se guarda e-mails. Mas se recupera esses documentos e se guarda hoje “ad-eternum”.

Nessa era cibernética temos um endereço virtual que pode nos servir como um código para encontrar nossos amigos, reais ou não, pelo espaço e tempo dos gigabytes. Naquele tempo, os habitueés do radioamadorismo também se comunicavam por códigos, de modo que eles ainda podiam se camuflar mais ainda, adquirindo um apelido imediatamente após o prefixo que usavam pra se “logar” nas rodadas de papo. Um exemplo concreto e que tem muito a ver conosco é o PY4JG cujas duas últimas letras o alcunhavam de Jovem Galante. Assim foi o jeito que tudo teve início. O Jovem Galante realmente galanteou e começou uma saga que perdura até hoje e se plorifera cada vez mais, frutificando e pulverizando todos os valores e preceitos de amor, amizade, companheirismo e união em quem se habilita – e tem coragem – em pegar uma pontinha sequer da sombra produzida pela nossa árvore.

Somos grandes não só no número de componentes e penetrantes, mas também nos exemplos que recebemos e fazemos questão de repassar para as próximas ramificações. Somos sim uma família, apesar da incredulidade de lgumas pessoas de fora que nos vêem como qualquer coisa, tipo sociedade secreta, máfia, gang, grupo turma, bando, galera, e, por que não, confraria também. Podemos ter qualquer um deses adjetivos dede que mantenhamos nossa qualidade nata de família. E é nesse espaço que nós, radio amadoristas do século vinte e um podemos postar as nossas rodadas de alegrias, nossos momentos de felicidade e comunicar a quem quer que esteja interessado em nos conhecer que estamos a disposição pra qualquer esclarecimento.
ENCONTRO DE CASAIS: SABRINA E FILIPE

Quando Pigu me deixou em depoimento no orkut que vocês iriam fazer encontro de casal e me pediu pra que escrevesse uma coisa bem bonita pra vocês, imediatamente eu pensei com meus botões: “Mas eles já se encontraram, pra que fazer encontro?” Claro que é brincadeira. Aliás é o que toma conta da minha cabeça nesses momentos de choque são esses tipos de brincadeira.

Agora vem a segunda parte que seria escrever uma coisa bem bonita. O que eu iria escrever sobre vocês se uma imagem vale mais que mil palavras. Talvez nesse encontro tirem vocês dois como exemplo pra que os outros casais possam se espelhar em duas criaturas que juntaram suas luzes e consequentemente ofuscam as pessoas que se encantam por eles em qualquer lugar onde estejam. Até Nova Yorque ficou outra depois da passagem deles por lá. Deu pra sentir isso quando eu estive lá.

Não tem o que dizer sobre vocês já que se mostram e é só observar um pouco pra que a gente que tá de fora confirme isso. Mas já que é necessário escrever não farei nada mais além de relatar o meu ponto de vista sobre o melhor casal encontrado nessa reunião e nesse fim de semana. Saindo agora o dossiê sobre o casal. Como bom cavalheiro que sou, e Filipe vai concordar comigo, primeiro as damas.

Sabrina. A companheira que todos querem. Filipe deve entender mal, mas não é no sentido conjugal da palavra. As mulheres devem entender isso que eu vou dizer. Sabe aquela boneca que você se apega e não se desfaz em hipótese alguma? Sabrina é uma pessoa tipo boneca. Tipo essa boneca. Homem não tem muito disso não. Eu mesmo tenho uma vitrolinha vermelha daquela que a tampa é uma caixa de som e um ferrorama, mas estou começando a pensar em me desfazer dessas coisas, apesar dos valores afetivos imensos que eles exercem sobre mim. Mas são coisas. Sempre digo, e isso tá até no meu perfil do orkut, que os meus bens mais preciosos são os meus amigos. Sabrina é a minha bonequinha de porcelana chinesa da dinastia ming que não tem preço nem estimado. Ou seja, é um tesouro precioso que eu não troco, não vendo e nem dou pra ninguém.

A única excessão é que essa boneca encontrou um curador que eu faço questão e tenho a honra de deixar com ele. Claro que pra eu deixar meu tesouro nas mãos de outro, só depois de muita conversa, muita análise e muito papo. Se eu adotei Sabrina como uma irmã, nada mais justo que saber das intenções do meu cunhado adotivo também. E como sempre serão as melhores possíveis, os dois resolveram juntar as escovas de dentes com as bençãos desse ser que vos escreve.

Filipe é um sujeito completo, daquele que todas as mulheres querem que suas filhas o tenham por companheiro. Azar o delas porque ele já fez a escolha dele e muito bem escolhido. Nota-se que a relação entre esses dois é tipo abelha e flor, rio e mar, goiabada e queijo, arroz e feijão, samba e churrasco ou, pra encerrar, Tarcísio e Glória.

Sabrina e Filipe é um casal que deu certo e que serve de exemplo pra todo mundo. Exemplo de companherismo, de dedicação, de renúncia como no caso da temporada em Nova Yorque em que ele foi primeiro pra abrir os caminhos pra ela e, principalmente, de amor. É extremamente nítido, público e notório que os dois se gostam e mantêm valores que hoje não são tão divulgados e favorecidos por uma sociedade em eterna metamorfose. A tradição é o que dá uma quebrada nessa evolução.

Por falar em evolução, a união de suas luzes gerou um ser mais iluminado que por enquanto se desenvolve no ventre dela e rapidamente iluminará a vida deles e de nós que vivemos ao redor deles. É só aguardar a hora em que ela der a luz. Como ainda não se sabe o sexo, vou batizar de Filipina, união de Filipe com Sabrina. E que vocês continuem dando o exemplo. Parabéns.
AVENTURAS NOVA IORQUINAS (9)

Entramos no avião e ele levou quase uma hora do momento em que fechou a porta da aeronave até chegar na cabeceira da pista pra levantar vôo. Eu até pensei que o piloto havia desistido de voar e iria nos levar pra Miami via terra mesmo, tamanha a demora pra decolar.
Por esse trecho ser vôo doméstico, não sei se outras companhias aéreas americanas também estão operando nesse esquema, mas a American Airlines em seus vôos domésticos esta cobrando tudo por fora. Paga-se pela segunda mala e pelo que se consome durante o vôo. Pra escutar música o fone de ouvido custa dois dólares e pra beber, por conta da casa tem cafezinho, água e sucos de laranja, maçã e tomate. Uma latinha de refrigerante, por exemplo, custa três dólares.

Nós começamos a ficar preocupados com esse atraso achando que íamos perder a conexão. Fazendo os cálculos de tempo, e o vôo Miami-Rio não atrasasse sabe-se lá como iríamos ficar em Miami. Pouco mais de duas hora de vôo e estávamos pousando em Miami. No próprio avião eles disseram os números dos portões pras diversas conexões que aquele vôo estava fazendo, ou seja, os outros vôos estavam esperando por aquele. Quanto a comida, só mesmo a do avião. Sorte que acabamos com algumas uvas no vôo entre Nova Iorque e Miami e foi o que nos susteve até começarem a servir no Miami-Rio.

Saímos do avião no terminal D e tínhamos menos de meia hora pra ir pro portão E-32 entrar na outra aeronave. A grandiosidade do aeroporto de Miami te obriga a mudar de terminal via trenzinho. Como o tempo era curto fui eu andando o mais rápido possível pro outro terminal. Na hora em que eu cheguei na porta desse trenzinho que olhei pra trás, cadê minha mãe? Pronto. Perdi o vôo, perdi minha mãe que tava com meu passapote, minha passagem e o dinheiro. Fiz o circuito inverso, voltando, e me reencontrando com a minha mãe. Foram poucos minutos de um pré-desespero. Ficamos juntos apartir dali pra que não acontecesse novamente pelo menos até entrarmos no avião. E fomos os últimos a fazer isso. Pelo menos eu não me lembro de ninguém que tenha entrado depois da gente na classe econômica.

Chegamos a essa terra de índios. Meu pai foi nos buscar no aeroporto. O vôo certamente havia atrasado, pois em Miami também aconteceu uma fila de espera de decolagem, mas nem se compara com a de Nova Iorque. Um atraso considerado normal em relação às varias cenas que vimos em meio à crise aérea, cerca de meia hora ou um pouco mais. Ainda tinha a retirada das malas, compras no freeshop e a calafrienta fila da alfândega, o que me surpreendeu muito pelo fato de nem apertarmos botão que acende a luz verde ou vermelha. O sujeito pegou nossos papeis de declaração, perguntou se havíamos estourado a cota, minha mãe disse que talvez sim, mas só ali no free shop, ele nos pediu pra seguir com um sonoro bom dia e bom retorno. Comigo nem tanto, mas a maioria das vezes minha mãe é parada e vistoriada abrindo as malas. Dessa vez não. Minha mochila já tava aberta e a notinha na mão. Estranho, mas fechamos bem.

O alívio e o desgaste eram sentidos, mas tudo, tudo mesmo, tinha valido a pena. Estar num lugar em que você nunca imaginou estar e nem teve vontade de conhecer e descontruir toda uma imagem quevocê criara durante sua vida pelo que se vê no cinema, na tv e pelo que comentam contigo é simplesmente incrível. A metamorfose ambulante cantada por Raul Seixas é pra ser vivida, experimentada e não pra ficar apenas na melodia. Isso deve ser uma das nossas filosofias de vida. No entanto a metamorfose apenas deve se restringir aos concitos e não ao carater e/ou conduta de vida. Um dia, espero que em breve, voltarei pra Manhattan. Mais uma meta pra minha vida. E hei de cumprí-la. Não sei quando nem como, mas hei de cumprí-la.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (8)

Fomos subindo a primeira avenida conversando e desgastando a janta e conhecendo um pouco a história daquela vizinhança que, pelo que consta, já foi muito barra pesada tempos atrás. Eu me identifiquei muito com aquela região por se assemelhar muito com a Lapa aqui no Rio. Tem todo um clima boêmio e uma história de evolução parecido com a Lapa, inclusive na sua revitalzação.

Vimos um barbeiro, na verdade o local da entrada do astor Hair, o barbeiro de algumas estrelas hollywoodianas como Robert de Niro entre outros. Passamos também na frente de um edifício – grande novidade em se tratando de Nova Yorque. Mas esse era diferente. Primeiro por não ter janela que abrisse. Ele é todo climatizado por dentro, não é tão alto quanto os outros, parece que são quatro apartamentos por andar e cada um custa apenas uma merreca de cinco milhões de dólares, ali mesmo, perto do East Village. Eu até estava pensando em dar uma última olhada no movimento da Times Square, no entanto, essa volta já me fez valer a última noite.

De lá voltamos pra casa pra começar a preparação pra volta, ou seja, arrumar as malas. Esse era um trabalho único e exclusivamente da minha mãe. Afinal, quem foi pra lá fazer compras foi ela. Eu fui praticamente carregar as compras pra ela. Brinco que ela só não trouxe a Estátua da Liberdade porque não cabia na mala. Mas tinha que alocar tudo nas malas, tirar da caixa o que fosse possível, colocar coisas miúdas dentro de coisas graúdas, como na ida em que uma mala foi dentro da outra, enfim, técnicas que marinheiros de várias viagens já estão acostumados a fazer. Pra quem chegou com duas malinhas e uma mala grande, voltar com duas malinhas, uma mala grande, uma mochila, outra bolsa grande fazendo vias de uma mala também e a caixa da vitrola, se voltou com bastante coisa. Sem contar o stroler, aquele carrinho, que foi pro aeroporto com a caixa da vitrola em cima pra gente não ficar carregando aquilo na mão. O Carlos ligou pro taxi e marcou com ele para nos pegar ao meio dia. O vôo era por volta das quatro da tarde e nós ainda íamos pra Miami pra depois pegar o avião pro Rio.

Chegamos no aeroporto, descemos do taxi e fomos fazer o check-in. Entramos na fila. A atendente nos informou que o check-in que nós tinhamos que fazer era o eletrônico. Esse check-in conssiste em passar o passaporte numa maquininha e dali mesmo retirar provavelmente o ticket da bagagem, colar nelas e despachá-las sem a presença de um funcionário sequer da companhia. Mas pelo visto esse esquema ainda está sendo implantado por lá e pra sorte nossa havia uma funcionária pra nos dizer, depois de algumas tentativas, que nossos passaportes com os vistos não estavam válidos pra passar nessas maquininhas e nos indicou a fila de outro balcão.

Lá fomos nós pros procedimentos burocráticos de uma companhia aérea americana, as mais písicas, com certa razão, por causa dos ataques terroristas. Na pesagem da mala o cara pediu pra tirar um pouco de uma e passar pra outra por estar com excesso de peso. Realmente havia passado um pouco do peso, mas não tanto, de modo que o próprio funcionário pediu pra deixar como estava. Malas despachadas, fomos pra segunda etapa que é o Raio-X e detector de metais.

Põe todos os pertences numa bandejinha de plástico pra passar pelo raio-x. Como tínhamos várias coisas, stroller, guarda-chuva, malas, mochla, fomos nós enchendo as bandejas. Detalhe. Tinhamos também que tirar nossos tênis e passar descalço pelo detector de metais pra depois pegar tudo, reorganizar e andar até a sala vip pra esperar o portão de embarque abrir, esperamos um bom tempo, mas decidimos comer somente na espera do vôo Miami-Rio, só que não deu tempo. Com o passar do relato que aqui faço dará pra entender a causa, motivo, razão e circunstância do forçado jejum que tivemos que fazer nesses aeroportos.

domingo, 17 de agosto de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (6 e 7)

Fiz apenas um take de filmagem, mas tirei bastante fotos. Uma curiosidade que está inclusive no vídeo foi o protesto que uma meia dúzia de tibetanos fazia contra a passagem da tocha olímpica pelo Tibete. Um protesto pacífico que não afetava ninguém, do tipo não atrapalhava o trânsito e nem a passagem de pedestres. Claro que estavam em frente a ONU, mas do outro lado da rua.
Da ONU fui pro Rockefeller Center, onde no natal há o evento de acender as luzes da árvore de natal, asim como aqui fazem o mesmo com a da Lagoa. Também já havia passado por lá no cair da tarde e não tinha parado pra ver e fazer a sessão foto-filmagem, de modo que a filmagem foi feita na própria máquina de retrato e só em quinze segundos pra mostrar a altura e a decoração do local. Fiquei na dúvida se eu subia ou não no edifício. Olhei pro relógio e já faltava uma hora pra me encontrar com minha mãe pra almoçar. Não teria tempo pra desfrutar da vista lá em cima.

Ainda circulei na Broadway e tirei fotos curiosas como a de umas meninas fazendo propaganda de uma loja de tenis em trajes sumários (maiô) e de um cara que fica o tempo todo pelado (de sunga, botas, chapéu e violão em punho) já atração da Broadway, na Times Square, alcunhado de cowboy pelado. Estava ali matando o tempo que me faltava pra encontrar com minha mãe e almoçar.

Nesse dia resolvi variar o almoço. Havia recebido uma dica de uma amiga minha que morara lá há pouco tempo em procurar pelo Antônio no restaurante Empório Brasil. Antes de ir lá pra almoçar passei em frente pra constatar se o restaurante existia, se não tinha fechado e tal. O combinado era de nos encontrarmos as quatro da tarde. Cheguei na esquina dez minutos antes. Detalhes que nossos relógios estavam em horário de Brasília e lá era uma hora antes. Já previa que minha mãe iria chegar atrasada e carregada de compras. As sacolas não me assustaram, mas o atraso de meia hora sim porque do jeito que aquele povo ainda está písico ainda em decorrência do onze de setembro, já tava imaginando a polícia me abordando e perguntando o que é que eu tava fazendo ali parado durante aquele tempo todo.

Fomos pro restaurante. Quis saber o nome do cara que me atendeu. Bruno, respondeu ele. Perguntei pelo Antônio. A mocinha do caixa disse pra eu escolher um já que haviam três. Disse que era um que morava fora da ilha. Ela disse que era o namorado dela e que já tinha voltado pro Brasil. Perguntei então sobre a feijoada e outra bola fora. Só aos sábados. Era sexta. Pedi então um Virado à Paulista. Arroz, tutu, couve e linguiça na quarenta e seis conhecida como little brazil ou a rua dos brasileiros. E pra beber uma latinha de guaraná antártica. Mamãe só na saladinha. Uma brasileira que tambem almoçava lá deu uma dica pra minha mãe de um shopping fora da ilha onde também se encontra de tudo com preços um puco mais módicos. Mas agora era tarde demais e o dia seguinte era o último. Pelo menos valeu a dica e fica pra próxima.

De lá, pra variar, mais bateção de pernas. Ainda queria ir no Carnegie Hall. Mas essa história de ir em casa, deixar as compras e sair novamente não me animou. Em casa cheguei, em casa fiquei. Minha mãe ainda rodou num raio de dois quarteirões atrás de um mercado pra abastecer um pouco mais a nossa parte da geladeira até a nossa partida no domingo meio dia. Eu fiquei no meu laptop, lendo meus mails, consultando meu orkut, instalando e baixando alguns programas, ou seja, curtindo o meu brinquedinho novo.

O dia seguinte já era sábado, nosso último dia na cidade e ainda tinhamos algumas encomendas pra comprar. No meu caso eram só as botas da minha amiga, a mesma que me deu a dica do restaurante, e os cremes da Victoria Secret pedidos pela irmã dela.

Fomos ali mesmo, na trinta e quatro em algumas lojas procurando uma memória qu lá não existe mais pra máquina do meu tio. Uma delas, a B&H, por ser de judeu, não abria aos sábados. Fomos então na Wallgrens, uma loja de departamento cuja cadeia é enorme nos Estados Unidos. Procurando uma coisa, achei outra. Uma verdadeira descoberta.

Nas lojas é bem visível a retomada do antigo disco de vinil. E essa relíquia tem a ver com isso. Encontrei um microsystem cinco em um. Rádio AM/FM, CD, fita cassete, o próprio vinil e entrada pra mp3. Mas o que mais me atraiu fou o formato desse microsystem. Lembra aquelas antigas radiolas da década de quarenta, cinquenta, feitio dos rádios fabricados na época do auge da Rádio Nacional. Tem até que levantar a tampa de madeira pra botar o disco de vinil. Meu pai, com as pilhas e pilhas de vinil todos entocados em casa sem ouvir a anos, se amarrou. Também, pelo preço que tava, se não trouxesse seria uma falta gravíssima. Saimos nós da loja carregando mais uma caixa.

Dali nós fomos na Daffy’s comprar a encomenda da minha amiga e outras coisas mais por conta da minha mãe. Pra mim ainda faltavam os cremes da Victoria Secret. Era só atravessar a rua. Lá fiz as minhas compras, também encomendas, minha mãe resolveu comprar uns produtos na liquidação também. Aí ela decidiu comprar um stroler, que é aquele carrinho ond se entulha as quinquilhariase sai puxando pela rua. Almoçamos no Mc Donald’s, rodamos mai um pouco e fomos pra casa. Afinal tinhamos marcado um jantar com o Carlos e tinhamos que chegar a seis da tarde na loja e eu queria passar antes no Carnegie Hall. Foi o tempo de deixar as coisas em casa, testar rapidamente o som, tomar um banho e sair novamente. Pegamos o metrô, fizemos a baldeação necessária e descemos na sétima avenida no meio de uma feira.

Pra quem imaginava que Manhattan era só chique, tem seu pontos fracos também como essa feira que interrompeu o tráfego da sétima avenida e mantendo somente o trânsito das ruas. Tinhamos hora. Foi só mesmo uma sessão de foto-filmagem. Descemos pela sétima mesmo, no meio da feira e com minha mãe sempre tentada a parar em alguma barraquinha pra comprar. Estavamos arrumados pra jantar e andávamos o mais rápido possível pra cumprir o horário marcado com o Carlos.

A loja em que ele trabalha ficava perto do Rockefeler Center, ao lado da igreja de San Patrick e quando a gente chegou na quinta avenida fui andando em direção ao Empire State, mas mesmo com essa confusão, chegamos lá pontualmente na hora em que ele falou. Quem não estava lá era ele que demorou m pouco pra terminar de fechar uma venda para um amigo dele também brasileiro que acabamos por conhecer. Partimos para o East Village, lá no comecinho da ilha, na primeira avenida com a rua sete, oito, por aí. Jantamos num restaurante grego.

De entrada forma três coisas diferentes de nomes praticamente impronunciáveis. Um era um pãozinho tipo árabe com uma deliciosa pasta de berinjela, o outro foi um queijo e o terceiro parecia uma lula empanada. Até a lula que eu não sou muito chegado caiu bem. Vinho foi um branco dividido por nós. Além do vinho, quando percebiam que a taça de água estava vazia logo a enchiam sem mesmo que a gente pedisse. Prato principal foi um combinado de salmão que o Carlos e minha mãe pediram, um peixe pro Michael que também nos acompanhou no jantar e eu pedi o tradicional prato grego chamado mussaka, uma delícia por sinal. A conta, alta para nossos padrões, foi gentilmente paga pelo Michael. Como retribuição mamãe pagou o cafezinho que tomamos num local que mais parecia uma padaria com salão de chá num outro ponto do bairro, mas perto do restaurante.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (5)

Continuamos a fazer o esporte preferido do capitalista e ao mesmo tempo subindo as ruas até pararmos na quarenta e dois defronte ao que seria pra gente a Central do Brasil e pra eles é o Grand Central Terminal, onde há a junção de estações de metrô com a de trem urbano. A antológica cena do filme ‘Os Intocáveis’ onde há um tiroteio enquanto um carrinho de bebê desce a escadaria foi feita lá. Sem contar cenas de outros filmes. Nova Iorque é uma cidade cinematográfica assim como o Rio é novelística. A estação por dentro é maravilhosa e une de forma simples e discreta os paineis eletrônicos com o antigo relógio de ponteiros do guichê central. O único problema é que estava com pouca luminosidade e não deu pra filmar e nem fotografar. Teria que voltar ali no dia seguinte à luz do dia pra fazer isso. Dali andamos um pouco mais, não lembro se foi comprado alguma coisa, mas em se tratando da minha mãe creio que sim, e logo voltamos pra casa.

No que nós desensacolávamos as compras e nesse dia dsencaixotávamos o laptop testando o mesmo com o Carlos assumindo os controles já que ele entende mais que eu e eu fui tomar um banho pra me sentir gente depois de um dia inteiro na rua, decidimosnos separar no dia seguinte. O combinado foi que iriamos juntos ao Central Park e ao Dakota, famoso (já reparou que quase tudo em Manhattan é famoso) edifício onde John Lennon morava – e reza a lenda que a Yoko japonesa Ono ainda reside lá – e fatalmente foi assassinado defronte. Depois desceríamos juntos pro sul da ilha e marcaríamos um local pra nos encontrar mais tarde.

Acordamos, nos arrumamos e fomos à luta, ou melhor, eu fui passear. Entramos no Central Park. Por ser incomensurável e por saber que o Dakota era do outro lado, atravessamos o Central Park na altura da noventa e seis e descemos até a setenta e dois. Sessão foto-filmagem do Dakota encerrada, adentramos novamente no Central Park numa área que o próprio John gostava de arejar e/ou se inspirar chamada, não sei se antes ou depois da morte dele de Strawberry Field, onde podemos encontrar uma espécie de mandala no chão com a palavra ‘Imagine’ escrita no centro cercada por grades e cheia de moedas e um centavo. Lá ninguém pega. Mais uma vez sessão foto-filmagem e logo depois nos encaminhamos pra fonte.

Checamos no mapa novamente, já que na primeira passagem pelo parque vimos que a fonte ficava na altura da mesma setenta e dois e seguimos a trilha. Chegamos na fonte, mais uma vez sessão foto-filmagem. Na volta mais uma foto do Dakota de outro ângulo. Fui recomendado a tirar bastante foto do Dakota pra uma amiga minha fã dos Beatles.

Pegamos o metrô e descemos a ilha. Eu desci na quarenta e dois e minha mãe, se não me engano, na vinte e três. Isso era quase meio dia e marcamos as quatro da tarde na esquina da sexta avenida com a quarenta e seis. Finalmente livre, por algumas horas, como diz a música, nesse momento eu queria fazer parte daquilo. O primeiro local por mim visitado foi a estação central, agora com uma luminosidade melhor e propícia pra sessão foto-filmagem. A estação é um misto do antigo, tradicional com o que há de moderno, em se tratando dos letreiros que apontam os horários de chegada e partida dos trens, tais como têm nos aeroportos. Talvez por isso a estação ser usada como cenário de tantos filmes e de todas as épocas.

De lá corri pra ONU na mesma quarenta e dois com a primeira avenida. Antes da sessão foto-filmagem percorri duas vezes os mastros das bandeiras dos países membros e não achei a do Brasil. Devia estar escondida atrás de alguma árvore. Duas esculturas me chamaram atenção e mereceram fotos. A de um mundo meio estilizado e a de um São Jorge também diferente.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (4)

Nessa pracinha, como na maioria delas e principalmente no Central Park, havia no gramado os famosos esquilinhos. Eu me abaixei próximo a um, estendi a mão e ele veio como um mineiro, desconfiado, mas chegando perto. A crueldade era que a minha mão estava vazia, mas ele veio e encostou o fucinho na minha palma. Outra curiosidade é que depois da sessão foto filmagem, quando eu estava esperando o sinal fechar pra atravessar a rua, um senhor de meia idade, bem apessoado e carregando uma pasta a tira-colo colou uma etiqueta, dessas bem pequenas que a gente faz no computador, protestando contra a guerra do Iraque. E foi procurando outros postes pra fazer o mesmo.

Dali nós fomos subindo a quinta avenida, que terminava na própria Washigton Square Park. Em Nova Iorque, principalmente no verão escurece tarde, mais tarde que de costume no verão daqui. Pelo menos essa foi a impressão que eu tive. E como era o primeiro dia em que estávamos registrando em vídeo, já que a máquina de foto saiu da loja pronta pra atirar em todas as direções, nosso passeio, tinhamos que encerrar o dia novamente no burburinho da Times Square para que todas aquelas luzes fossem eternizadas. Mas antes resolvemos jantar ali perto mesmo, numa pizzaria. Como a fome era grande, visto que só haviamos comido defronte ao buraco do WTC, pedimos logo uma gigante.

Nos Estados Unidos tudo é muito exagerado. Pra se teruma idéia, o refrigerante médio nosso, de meio litro pra eles é o pequeno. Imagina então o tamanho o tamanho que veio essa pizza. O pedido feito era meia peperone com champignon e meia de abacaxi com presunto. Viram oito pedaços. Oito generosos pedaços. Tanto que comemos quatro, um de cada saborpra mim e o mesmo pra minha mãe, e os outros quatro nós deixamos pro almoço do dia seguinte. Seguimos então praquele cantinho efervescente.

Não é que ao chegarmos lá havia realmente um fato acontecendo? Enquanto eu dava uma de cineasta minha mãe foi praticar o esporte preferido dela. Compras. Ela se enfiou na farmácia – farmácia lá vende de tudo, até remédio – enquanto eu percorria a Broadway. Tudo registrado no vídeo, aqueles telões iluminados, luzes pra todos os cantos e, veja você, uma gravação. Isso mesmo. No meio da Times Square tava tendo a gravação de uma tal Hanna Montana. Depois que eu vim a descobrir o que era aquilo. Hanna Montana é tipo uma Malhaçãoda vida, um seriado pra adolescentes também do mesmo estilo High School Musical. Não fiquei nem meia hora de filmadora em punho tentando pegar os melhores takes e ao mesmo tempo ajustando os macetes de usuário principiante da câmera. Até pelo fato de meia hora ser o tempo total de gravação do dvd.

Me encontrei com a minha mãe que terminava sessão de compras e voltamos pra casa de metrô, como sempre. O dia seguinte, a quinta feira, estava determinado que seria o dia da concretização do motivo da viagem, ou seja, a compra do laptop. Fomos na Best Buy da própria avenida Lexington, vimos o modelo e como naquela loja só havia o modelo exposto eles indicaram a loja da rua vinte e três, onde havia o modelo em estoque. Enfim, o laptop foi comprado. E consequentemente um mochila também. E com o passar do tempo as sacolas de compras iam aumentando, quando a gente parou pra almoçar os outros pedaços de pzza que haviam sobrado da noite anterior. Realocamos as compras na mochila. Tudo o que coubesse fomos colcando dentro dela.

O único gasto que tivemos no almoço foi o copão de coca-cola que eu comprei no Subway até mesmo para que a lata que estava com a gente também fosse utilizada. Tivemos um típico almoço amricano comendo pizza na praça com direito a foto e tudo.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (3)

Talvez por isso que ela seja tão intrigante e fascinante, pela sua sinuosidade, pela sua luminosdade, pelo seu visual ao mesmo tempo charmoso e moderno. Eu fiquei babando com tanta luz, tanta informação visual. Nunca tinha visto aquilo ao vivo. Mal comparando eu deveria ter ficado assim também quando pisei pela primeira vez na Disney. Agora ali é a minha Disney. Comemos uma massa ali mesmo num restaurante chamado Sbarro. Ainda rodamos um pouco por ali e exatamente as dez da noite, nove lá, ligamos pro Brasil.

Enquanto minha mãe falava com meu pai, um pouco antes dela passar o fone pra mim, uma negra americana meio gordinha, tipo aquelas que cantam em igreja, me elogiou. Sem reação, eu agradeci. Ela me perguntou de onde eu era, respondi, ela me disse que era de lá mesmo, se tocou que eu ia falar ao telefone e foi embora. O que ela viu de bonito em mim eu realmente não sei. Tinha chegado há poucas horas, descansado pouco, devia estar cheio de olheiras com cabelo desgrenhado e pra ela eu estava bonito. É um conceito que eu não vou dicutir. Voltei pra casa maravilhado com Times Square.

No dia seguinte combinamos de ir até o sul da ilha e subirmos andando até onde a gente aguentasse. Dito e feito. Descemos até o porto de onde correm as barcas para os outros lados fora da ilha, inclusive a ilha da estátua. Eu não quis pegar a barca. Já vi a estátua e não precisava chegar perto dela, além diso o zoom da câmera aproximou a minha visão da estátua. Tá no vídeo. O passeio de barco pra mim representava perda de tempo. Fotos e filmagens dos locais perto da estátua, tipo o memorial da segunda guerra e o monumento aos imigrantes que construiram aquela terra. Depois fomos na entrada da ponte do Brooklin e começamos a subIr a Broadway.

Primeira parada, o touro bravo da Wall Street onde tirei uma foto surreal meio que sendo cagado pelo bicho. Tinha que fazer uma palhaçada pelo menos. Essa foi a única. Aliás, uma das minhas ‘brigas’com a minha mãe era que eu não quria tirar foto. Foto na qual eu seria o foco. Aquelas fotos tradicionais de turistas que ficam na frente das coisas. Eu queria tirar foto só das coisas. Por isso as fotos com a minha cara emburrada. Eu já não gosto de tirar foto. Contra minha vontade então, ficava pior ainda.

Perto do touro ficava Wall Street. A rua mesmo. Da bolsa de valores de Nova Iorque onde passam as grandes transações financeiras mundiais. Perto dali, um pouco mais pra cima, o grau zero onde jazem os escombros das torres gêmeas. Paramos ali pra almoçar no Burger King de onde tirei uma foto no pavimento superior na qual dá pra se ter uma idéia do estrago que foi feito no ataque terrorista de onze de setembro. Mesmo lá na frente do buraco eu não consegui imaginar a dimensão do pânico que uma pessoa que estivesse no mesmo lugar que eu na hora dos ataques sentiu. O que realmente é impressionante é que os prédios ao redor estão intactos. E continuamos subindo a Broadway.

Minha mãe cismou em me levar a Chinatown. Eu fui. Ela ficou meio chateada por eu ter passado batido, mas, apesar de ser Chinatown, parecia a rua da alfândega cheio de lojinhas que vendem produtos falsificados vendidos por chineses que mal falavam o inglês. Só estranhei o fato deles ainda não terem a brilhante idéia de abrirem uma pastelaria por lá. Provavelmente os gastos com a importação da cana não valeriam a pena a não ser que a demanda fosse muito grande o que eu, particularmente, acho que seria, pelo menos enquanto novidade. Um pouco acima de Chinatown tem uma região chamada Little Italy que eu nem passei perto. Andamos em direção ao outro lado em busca de outra vizinhança chamada Greenwich Village. Passamos por uma área da New York University e chegamos numa pracinha que se eu não me engano era a Washington Square, perto do Noho.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (2)

Duas criosidades desse tour era que o motorista pareca ser cubano e mal falava o inglês e que um dado momento a passageira da frente, uma judia que pelo visto acabara de chegar de Jerusalém pediu pra parar por estar apertada pra ir ao banheiro e foi atendida.

Saimos do shuttle carregando as três malas de modo que uma pequena estava dentro da grande, ou seja, fisicamente era uma grande e uma pequena. Tocamos no número oito e o Carlos atendeu brincando que pensava que não iríamos mais chegar de tanto que a gente demorou. Isso já era em torno de onze da manhã e olha que entramos na fila da imigração as seis. Descarregamos as malas. Ficamos na expectaiva das cópias das chaves pra não ter que ficar pertubando ele com isso, aliás era o que menos queríamos fazer já que ele estava cedendo o espaço pra gente. Ele já havia tirado esse dia de folga pra nos esperar e só teria outro no domingo, dia em que nós viajaríamos de volta.

Chegamos lá e ele tava se arrumando pra ir ao dentista. Como só tinha uma chave, resolvemos esperar ele voltar e aproveitamos para descansar da viagem. Um sono curto, mas precisado. Cerca de duas horas. Acordamos e a primeira coisa que a gente tinha que fazer era comer, pois eu já estava ficando com dor de cabeça de fome. Passamos na Best Buy ali perto pra sondar os preços dos laptops e logo em seguida fomos comer no primeiro Subway que vimos. Um mega sanduíche acompanhado com um saquinho de batata frita que eu, mesmo com tamanha fome, dispensei por aquele momento.

Dali a gente desceu a rua até a quinta avenida beirando o Central Park e fomos caminhando pela mais badalada avenida de Manhattan onde as lojas de marca estão todas concentradas. A começar por entrar na loja da Apple toda feita com entrada e escada de vidro pra descer. É, a loja fica embaixo. Mas ali a gente só entrou mesmo pra ver o preço dos I-pods, mp3 e mp4. Claro que bem mais barato que aqui. Arredondando sai em torno de trezentos reais um mp4 de oito gigas. Saímos dali e fomos andando até encontrar uma loja que vendesse uma máquina de retrato, pois não havíamos levado e tínhamos que registrar nossa viagem.

Na própria quinta avenida tinha outra Best Buy e logo do lado uma Circuit City que foi a loja que entramos. Ali também eu sondei os laptops, mas ficamos encantados com uma câmera de vídeo que grava em mini dvd por trezentos dólares. Dezesseis anos atrás gastamos seicentos com uma vhs e ficamos controlando a grana pelo resto da viagem. Sorte que o pacote Disney já estava garantido.

E saiu por cem a máquina digital Kodak 8.1 mega pixel. Eletônicos lá saem bem mais barato que aqui. Por exemplo, na Casa e Video, uma camera e video desse tipo tá dois mil e trezentos reais e essa máquina digital sai por seicentos reais. É uma diferença enorme. Já saimos da loja com a máquina em punho e as primeiras fotos que fiz questão de tirar foram da própria quinta avenida. Esperei o sinal fechar pra fazer os cliques no meio da rua. De lá descemos mais a quinta até chegarmos perto do Empire State na altura da rua 35. Sinceramente mesmo com aquela altura toda achei baixo. Talvez se eu subisse teria uma outra opinião. Mas eu havia acabado de chegar na cidade e poderia um dia ir lá em cima também. Dependeria de váiros fatores.

Como Carlos tinha outro compromisso marcado além do dentista e um pouco mais tarde, marcamos com ele pra chegarmos depois das nove da noite. E por estarmos mais pra downtown, minha mãe me levou pra conhecer o bico da panela de pressão de Nova Iorque que é Times Square, a praça dos letreiros luminosos, o cruzamento da Broadway com a Sexta. Aliás, a Broadway é a única avenida que não é reta.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (1)

E imaginar que uma simples idéia de realizar um desejo pode mudar uma visão de mundo e consequentemente uma vida. O desejo era de eu ter um laptop. Desde o início do ano, aliás a idéia é pertinente desde antes, o desejo se intensificou até mesmo pelo que eu tava vivendo lá na Globo. Depois teve a guinada, a chutada de balde, mas a idéia tava lá firme e forte, inabalada. O preço estava em torno de dois mil reais de acordo com as configurações que eu queria.

Até que um dia minha mãe pediu pra ver os preços dos laptops similares em sites de grandes lojas norte americanas especializadas em eletrônicos. Pasmem, enos da metade do preço já com a moda convertida. Daí surgiu a pergunta: “Se eu conseguir passagem a preço de agente de viagem, vamos a Nova Iorque comprar?” Claro que a resposta foi positiva. Um ‘convite’ desse é irrecusável, no entanto pra tudo se concretizar de fato, dependia de outra série de fatores que foram se encaixando como peças de lego nas mãos de quem sabe montar uma figura qualquer e não aquelas coisas amorfas, que eu jurava que era uma nave espacial ou um navio pirata. As datas da viagem só poderiam ser entre dezesseis e vinte e dois de junho. Eu ainda tinha esperança de ficar menos tempo.

Nunca tive vontade de conhecer a tão falada e badalada Nova Iorque, que pra gente se resume a ilha de Manhattan. Sempre achei, dada as devidas proporções, que era igual a São Paulo e realmente, se há uma cidade brasileira que se assemelha a efervecencia de Manhattan é São Paulo. Bem, o que mais saiu em conta foi que com o preço da passagem arrumada juntamente com o preço do laptop, ou seja, se eu pegasse o avião, fosse na loja, comprasse o laptop e voltasse, sairia o mesmo preço que eu pagaria aqui. Restaria apenas acertar a hospdagem que nos foi oferecida pelo Carlos, conhecido da minha mãe e amigo da Liddy, morador de Manhattan há alguns anos e que diretamente nos ajudou a gastar mais nas compras e economizar menos sem exageros, logicamente falando. Malas prontas, partimos.

Saimos de casa às três da tarde de uma cinzenta segunda feira dezesseis de junho. Elaina deixou o carro aqui e foi trabalhar de manhã já com a idéia de a gente passar no trabalho dela, pegá-la e ela nos deixar no aeroporto. Foi o que fizemos. Minha prima é mesmo show de bola. No aeroporto ficamos naquela lenga-lenga de check-in. Depois fomos tomar alguma coisa, já que comida de avião é uma surpresa. Entramos na sala vip e praticamente fomos direto pro avião. Nem deu tempo de passar pra ver as ofertas do free shop e fazer uma eventual reserva de produto. O avião decolou por volta das seis e meia de São Paulo. No nosso caso teríamos que sair e entrar na mesma aeronave. De qualquer forma teríamos que sair do avião e dar uma volta no aeroporto pra voltar pro mesmo lugar. Até tentamos ver alguma coisa, mas os freeshops são diferentes e apesar do nome em comum não tem nada a ver m com o outro. Embarcamos novamente no avião e desa vez só iriamos parar no aeroporto de Nova Iorque.

Pouco mais de oito horas de vôo e aterrisamos no JFK. A fila da imigração estava enorme e da saída do avião até a saida do aeroporto foram quase três horas. Pagamos pouco mais de trinta dólares por um shuttle, que nada mais é que uma van que faz a lotada e sai do aeroporto destinado a deixar os passageiros nos endereços desejados. Fomos os priimeiros a entrar na van e depois de rodar pela ilha quase toda, o que pra mim foi maravilhoso por se tratar de um city tour mesmo sem ter esa intensão, fomos os últimos a sermos deixados no nosso endereço. Avenida Lexington com rua noventa e sete. Na verdade entre noventa e sete e noventa e oito. Tanto que pra nossa facilidade havia uma estação de metrô na Lexington com a noventa e seis.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

AS PESSOAS DA SALA DE JANTAR

- Faz um favor pra mim.
- Diga.
- Me passa o sal.
- Por quê? Minha salada não tá temperada?
- Tá deliciosa. Esse molho de aspargos amanteigados com shoyo e azeite de ervas finas está dos deuses.
- Então por que o sal?
- Pra botar no feijão.
- O feijão ta sem sal?
- Pro meu gosto está.
- Me diz uma coisa você agora. Por acaso você sabe cozinhar um feijão?
- Claro. É só botar na panela de pressão e esperar apitar por um tempo pra depois apagar o fogo.
- Pensa que é fácil assim?
- E não é?
- Obvio que não. Pra fazer feijão...
- Pera aí. Não começa agora a querer me ensinar receitas de feijão caseiro da dona Maroca enquanto o que está no meu prato esfria.
- Ué? Você não acabou de dizer que sabia preparar, cozinhar, fazer um caudaloso e suculento feijão e que pra isso era só botar tudo na panela de pressão? Então, eu só estou te corrigindo.
- Agora não é hora de corrigir a minha receita de feijão e sim de corrigir o feijão já existente. Você pode me passar o sal por gentileza?
- Toma, mas da próxima vez você é quem vai preparar o feijão.
- Com o maior prazer.
- E desde quando você tem prazer em cozinhar feijão?
- Desde que eu possa colocar sal nele depois que ele já esteja pronto e sai da panela pro meu prato.
- Você ta insinuando que eu não tenho prazer em fazer a comida que você come toda santa noite que você chega do trabalho?
- Em fazer você pode até ter, agora, em comer, pelo visto, não está tendo. Eu tive um dia cansativo lá no escritório e gostaria de comer a minha comida enquanto ainda houver energia, fonte de calor nesse prato, mas com você falando desse jeito não terei sossego pra completar a minha refeição.
- Você está sendo cruel, ingrato e injusto comigo. Me dá essa sal aqui.
- Não estou não. Muito pelo contrario. Sabe que essa hora é sagrada pra mim. Crueldade é eu ter que ficar discutindo contigo essa hora. A única coisa que eu quero fazer agora é comer.
- Desprezando meu feijão.
- Deixa de drama. Não estou desprezando comida nenhuma. Tô até comendo seu feijão. Só que eu to achando sem sal. Dá licença pra eu ter uma opinião sobre especificamente esse feijão.
- Pois não deveria depois do que fez.
- Mas, querida, o que foi que eu fiz? Olha, vamos acabar com isso. Por hoje não como mais o seu feijão, ta? Só vou ficar no arroz, no bife e nessa salada com esse molho supimpa. A começar por esse arroz soltinho e branquinho.
-Ta bom...
- Hum. Querida, por gentileza, me passa o sal novamente.



PROVA DE FOGO

Acabei de fazer uma prova. Concurso público. Nunca liguei pra isso. E por enquanto ainda não ligo. Sou daqueles que levanta a bandeira da felicidade. Prefiro ganhar pouco, mas gostar do que estou fazendo do que trabalhar num ofício que eu não goste só por conta de um salário bom e benefícios. Creio que os benefícios devem ser mais pra saúde, pro bem estar que pro bolso. Mas hoje foi diferente. Caso eu seja aprovado nesse concurso os benefícios são para ambas as partes. Bolso e bem estar. Esse é o segundo que eu faço desde quando me formei. O outro foi pra prefeitura do Rio, pra Multirio que é uma produtora de multimídia onde se produz conteúdo basicamente para alunos e professores da prefeitura. Ou seja, trabalharia, de certa forma, em produção de programas voltados para a educação. O que eu fiz hoje foi pra prefeitura de Niterói, pra fundação de Arte de Niterói, Secretaria de Cultura, cargo de assistente administrativo que não é lá minha praia, mas estando lá dentro nado até ela e não morro. Caso eu passe nesse concurso trabalharei na parte de produção de eventos da cidade.

Confesso que não estudei com afinco e veemência, mas dei uma olhada, uma lida na matéria e até armei um grupo de estudo. Nada de ficar pisico, voltado somente pra essa prova e esquecer do resto. Muito pelo contrário. Essa prova não é a minha prioridade. Estou focado na implantação do programa no canal a cabo e correndo atrás disso. Mas, dando a sorte, que é com quem mais conto, de ser aprovado dará pra conciliar os dois. Por ser produção eu já tenho um know how. O que ainda vai pegar são os eventos, coisa que nunca produzi, mas, como digo, vivendo e aprendendo. Também não vou contar com o ovo dentro da galinha. Vamos esperar sair o resultado no fim do mês pra ver se a galinha botou os ovos de ouro.

A prova consistiu em questões de português, matemática e conhecimentos. Não vou nem dizer que em matemática eu fui muito bem. Sempre fui péssimo nessa matéria e pra essa prova tive que revisitar coisas de segundo grau, as quais não vejo desde o vestibular. Foram três horas de prova, cinqüenta questões e a mufa queimando nas questões de matemática que eu levei mais tempo pra resolver. Agora não adianta mais nada. A prova foi entregue e seja o que Deus quiser e o que a banca resolver o que está certo e o que não está.

Não me imagino ficar anos fazendo a mesma coisa. Acho que sou uma metamorfose ambulante e acho também que tudo tem um ciclo. Fechei um ainda há pouco e ao mesmo tempo abri outro que deve ser fechado nem que fique apenas na primeira temporada. Claro que nossa idéia não é ficar na primeira temporada. Queremos fazer quantas agüentarmos, mas isso ainda depende de uma série de fatores. Não sei também se agüentaria ficar, caso empossado, anos fazendo a mesma coisa na prefeitura por mais que seja a área que eu goste. Como disse tudo tem um ciclo e tenho notado que os meus não passam de quatro anos.

São cinqüenta por cento de chances. Minha vida mudaria um pouco mais caso eu passe no concurso. Aí teria que levar dois trabalhos nas costas de modo que não pretendo interromper o que eu havia começado a fazer antes mesmo de sair o edital desse concurso e que tenho me dedicado com mais afinco desde o início desse mês, além de levar em paralelo o trabalho a cargo da prefeitura.

Há um período, por ser ano de reeleição, para que o resultado final do concurso seja homologado e esse prazo termina exatamente no fim do mês. Uma vez homologado no prazo correto as chamadas podem começar a ocorrer em qualquer dia. Sinal de que um suspense leva ao outro, ou seja, o primeiro é em qual percentagem eu caí, se passei ou não. Em caso afirmativo o segundo será quando irão me chamar pra tomar posse.



RECEPTIVO

É impressionante que qualquer acontecimento que surge na minha família é motivo de festa, de comemoração e consequentemente, dependendo da proporção que se dá, vira um evento. Vide o nascimento de Quiquinho cujo quarto do hospital se transformou num típico ambiente de mercado popular onde um entra e sai de pessoas se fez valer só pra ver uma mãe se recuperando de um parto cesariano e uma criança com poucas horas de vida. Aliás, até hoje eu digo que se todos nós que babamos, e eu faço questão de me incluir nesse rol, literalmente babássemos essa criança já deveria ter um escafandro para protegê-lo de tanto líquido.

A última festa, já que não tomou proporção de evento, foi a recepção da tia Roseléa no aeroporto. Se fosse uma família normal, apenas uma ou no máximo duas pessoas fariam isso, mas como de normal temos pouca coisa, fomos em cinco, contando com uma criança de dois anos, e dois carros. Os carros eram até recomendáveis já que o compartimento de bagagem de um não iria caber as duas malas, uma mochila e a caixa de compras do free shop. Essa caixa e a mala menor mais a cadeira de praia foi o que nos restou pra trazer. A cadeira veio pra nós pra ceder mais espaço à mala grande, pois se tudo fosse em um único carro só caberiam realmente as malas e não sobraria espaço para as pessoas.

A chegada do vôo estava prevista para as quinze pras quatro da tarde que foi mais ou menos a hora em que chegamos ao novo terminal do aeroporto internacional Tom Jobim. No painel estava escrito a previsão de chegada, a hora em que realmente ia chegar e o status do vôo onde se lia ‘chegando’. Já prontos e com uma base de idéia de tempo entre a chegada do avião e a saída pelo portão da alfândega agora teríamos que distrair uma criança de dois anos.

E o que se faz pra, digamos, enrolar uma criança de dois anos no aeroporto? Levar pra ver os aviões pousando e decolando. Se bem que no ponto em que ficamos a decolagem não era visível, mas o taxiamento e o pouso de algumas aeronaves creio que anularam, na pequena cabeçinha dele, a expectativa da decolagem. Por sorte avistamos o avião em que minha tia viajava no fim da longa jornada de horas de vôo dele, ou seja, pousando.

Diego, a criança de dois anos e casualmente neto dela, ficou repetindo que viu a vovó chegar no avião durante o resto do dia. Aliás, Diego foi um caso a parte. Ainda ficamos uns minutos a mais naquela área, voltamos para a porta de saída da alfândega, mas não durou muito para que ele pedisse pra ver mais aviões. O levei pra um outro patamar pra ver mais aviões e algumas pessoas saindo dele. Diego perguntando pela vovó. Mais um artifício pra diminuir a ansiedade dele. O sorvete. Voltamos pra porta de saída da alfândega e lá pegamos o sorvete pra ele. No entanto o sorvete acabou e nada da minha tia sair.

Ele havia feito um cartaz pra ficar segurando, como aquelas pessoas que esperam passageiros, dizendo te amo vovó e com o desenho das mãozinhas dele. Essa espera foi impaciente até pra que é rata de aeroporto, como minha mãe. Pouco mais de uma hora entre o pouso e a aparição dela. Mas quando ela apareceu empurrando o carrinho de malas, com um chapéu cinza e cara de turista, peguei logo o Diego no colo, o fiz empunhar o cartaz e fiquei esperando minha tia pegá-lo de mim. Ela, no calor da emoção, largou o carrinho das bagagens pra trás e veio atrás do neto que não via há vários dias. Após o resgate do carrinho quem não quis desgrudar da avó foi Diego, era pior que chiclete. Não deixava nem ela contar como tinha sido a viagem. Ele queria toda a atenção dela pra ele. Pedia a ela pra brincar com ele, puxava pra um canto e tentava a todo custo, de todo modo fazer a festa particular com a avó dele. Esse Dieguito....



QUE DIA É HOJE?

Assim não pode. Assim não dá. Já olhou pra folhinha hoje? Já estamos praticamente na metade do ano. Metade do ano. Gente, me lembro como se fosse ontem eu lá em Copacabana assistindo aos fogos da passagem de ano e agora já sinto o cheiro, se bobear já até comi um curau, uma canjica ou outra comida típica de festa junina que rolam por aí se é que ainda rola festa junina típica já que as tradições foram completamente modificadas. Mas não vamos discutir isso aqui.

O que me aflige é essa velocidade. Pra um balzaquiano como eu que ainda pegou resquícios da idade média tecnológica, mas está bem adaptado aos tempos modernos, é, no mínimo, curioso pensar que cerca de vinte anos atrás a velocidade das coisas era bem mais lenta. Por mais que tenhamos tudo para encurtar o tempo, principalmente no que tange a comunicação, parece que inclusive o tempo decidiu acompanhar a comunicação e encurtar junto. De modo que vinte e quatro horas continuam sendo vinte e quatro horas de vinte anos atrás.

O que eu quero saber é onde está a diferença. É o que encurta as vinte e quatro horas de hoje em dia. Tem que ter uma explicação lógica e/ou até científica pra essa pressa temporal toda. Por que é que com tanta tecnologia pra nos ajudar a ganhar tempo não se tem tempo pra mais nada. Tem certas coisas que não sei dizer, já cantava Lulu Santos. Todas as tarefas que se faziam anos atrás também se fazem hoje. Mercado e médico, por exemplo, são lugares que as pessoas ainda vão. Aonde elas iam vinte anos atrás que hoje não vão mais e até que ponto o avanço da tecnologia como mails e celulares podem atrapalhar no sentido de reduzir esse tempo que é um artigo tão escasso atualmente, de modo que foram invenções feitas pra nos ajudar a ganhar tempo. Será que essa simplificação chega a ser tão complicada a ponto de se perder o precioso tempo? Tempo, tempo, tempo, tempo. No balanço das horas tudo pode mudar.

Bem, se facilita ou atrapalha é uma discussão que requer estudos e provas, mas que essa tecnologia tem um que de viciante, se não for bem trabalhada, isso tem. Eu, por exemplo, que me considero um sujeito, nesse ponto, bem equilibrado fico pra morrer quando por um motivo qualquer não consigo acessar meus mails. Aliás, no tempo em que não havia banda larga e a internet era discada, criei um hábito, como a grande maioria dos meus amigos, de somente acessar a internet após as doze badaladas noturnas e mesmo depois da implementação da banda larga esse hábito continuou.

Mas, voltando ao tempo, e não no tempo, estamos na metade do ano e agora falta pouco pro ano acabar. Já até prevejo eu em dezembro já fazendo o balanço do ano. Dezembro ta logo ali. Só espero ter andado com meus planos até lá. O que por enquanto está acontecendo. Talvez não na velocidade desejada. Olha eu aí reclamando do tempo, ou melhor, da falta de tempo, e querendo que tudo aconteça bem rápido com os meus singelos planos. Isso tudo pelo fato da gente ainda estar na metade do ano.

Parece que foi ontem que meu sobrinho nasceu e pra se ter uma idéia em dois dias ele faz dois meses. Ainda falta um mês pra que eu pegue ele no colo. Até lá só pela ‘nave espacial’ que é o travesseiro onde ele fica deitado de vez em quando. É que eu não pego por livre e espontânea vontade crianças com menos de três meses de idade. Alguém a colocando e retirando do meu colo tudo bem, mas eu não tomo essa iniciativa. Sei lá. Já não tenho jeito com bebês e até os três meses acho que eles não têm firmeza e eu fico com medo de pegar no colo.

Daqui a pouco tempo, pelo visto, meu sobrinho estará se esbaldando na festinha de um ano e eu vou pegá-lo e ficar brincando com ele. Não vai demorar muito não. Se seis meses passarão num piscar de olhos, dez voarão. E quando a gente menos perceber vem o tempo com sua força implacável.