segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

FIELEAL

Fui consultar o dicionário pra saber o real significado das palavras fiel e leal. No que diz respeito à palavra fiel diz ‘que cumpre aquilo que se obriga, pontual, probo, exato, verídico, firme, leal, que não furta’. Já as características da palavra fiel são ‘sincero, franco, honesto, fiel aos seus compromissos’. Tive que recorrer ao famoso ‘pai dos burros’ pra tentar achar uma diferença entre as duas palavras. Mas fui surpreendido ao reparar que praticamente não há diferença de modo que leal é um dos significados de fiel e vice-versa. E concordo plenamente com o dicionário.

Claro que se a gente levar pro campo sentimental haverá um certo hiato entre leal e fiel, pois se o primeiro item diz ‘que cumpre aquilo que se obriga’ e o casamento ou até mesmo uma relação mais tradicional nada mais é que uma certa obrigação, a fidelidade vale mais que a lealdade. Eu já começo a pensar diferente.

Tenho dado mais crédito às pessoas que são leais comigo. Creio que todos os leais são fiéis, mas nem todos os fiéis são leais. A fidelidade é um jogo de interesse. Já a lealdade é mais pura, é mais sentimental que emocional propriamente dita. Por essas e outras que um relacionamento aberto no sentido de que não há um compromisso mais sério, uma obrigatoriedade, tende a dar mais certo e é menos complicado que um casamento onde os votos de fidelidade tiveram inúmeras testemunhas. A fidelidade pode decepcionar. A lealdade também, mas é mais difícil de acontecer e quando acontece fere menos, deixa cicatrizes menores.

Nesse mundo louco em que estamos vivendo onde os valores estão completamente deturpados essa metamorfose ambulante em que se transformou o meu pensamento não muda os meus valores apesar de alterar alguns conceitos que eu havia pré estabelecido há anos. Acho que isso é sinal dos tempos. Da evolução humana. Não os valores deturpados, mas alterações em alguns conceitos se forem para o bem e não envolver terceiros, ou seja, se ninguém além da minha própria pessoa for beneficiada ou prejudicada, o que também é passível de ocorrência, faz parte da evolução. Não ser fiel a alguns conceitos, mas ser leal a grande maioria deles é a chave. A lealdade é o fim e a fidelidade são os meios. Os conceitos não deixarão de ser os mesmos, mas a forma com que se chega neles pode ser diversificada. Agora acho que me enrolei mais ainda. É melhor eu parar por aqui e continuar de outro ponto. O cachorro.

Tomemos como exemplo o cachorro. Eu gosto de cachorros justamente pela lealdade que eles demonstram para com os seus donos. Estão sempre ali deitados na porta de entrada não importa o tempo que esteja fazendo e nem do humor do dono, se está ou não com vontade de fazer festa. O cão está lá e sempre se pode contar com ele. Já o gato é diferente, é interesseiro, é egocêntrico e não presta. É o tipo de bicho que pode ser fiel ao dono até atingir o objetivo que quer.

Imagino esses jovens casais de namorados – jovens em termos de idade mesmo já que os velhos já são casados e vivem noutra mentalidade – que se dedicam ao outro, mas logo que passa essa fase glamurosa dos sininhos badalando nos ouvidos e acaba o namoro um sai xingando o outro aos quatro ventos. Bem feito pros dois. Quem manda assumir um compromisso? Cedo ou tarde dá nisso. Não renego nem desprezo os casais que realmente mantém um amor, não importa em que grau de intensidade, há mais de trinta ou quarenta anos. Essa fidelidade, essa lealdade é digna de aplausos de pé. A única coisa que eu não admito é a falta de caráter. Isso em qualquer tipo de relacionamento. Nesse caso falta tudo. Quanto a isso o meu ta sempre formado e não vai faltar nunca. Continuarei a ser leal com todos que são leais para comigo e desses alguns merecem a minha fidelidade e mesmo que não se agarrem a ela por completo, saibam, e não duvidem da minha lealdade.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

AMIGOS EU GANHEI

Como é bom cultivar uma amizade. Tenho amigos de longa data e recentes que parece ser também de anos. O mais difícil de ter um amigo é o que a vida faz com a gente quando nos obriga tomar um rumo que impede ou retém ao máximo aquela convivência gostosa. Mesmo assim você sabe que pode conta com eles. De modo que enquanto alguns se afastam, outros se aproximam e a sua rede de amigos só faz crescer. Eu particularmente ainda não sei diferenciar as amizades daqueles que se aproximam simplesmente por interesse e por isso eu acabo me dando mal às vezes em confiar em uma pessoa que não valha a pena. Como isso é ruim e como ainda há pessoas que se aproveitam da boa vontade e boa fé dos outros.

Pra boa funcionalidade, se é que essa palavra existe, de uma amizade é necessário que se haja como parceria. Ajudar quando preciso e quando não der mostrar a razão do por que não. Amizade tem que ser limpa, clara, bela, transparente. Amizade tem que ser igual a um diamante numa redoma de vidro. Bonito e bem trabalhado se torna eterno.

Um dos últimos amigos que fiz, e não pretendo parar nunca de fazê-los, que brinco que é o meu mais novo amigo de infância, é um astro internacionalmente conhecido. Onde ele pára sempre tem alguém pra pedir autógrafo ou uma foto. E desde novembro último estamos sempre em contato, o que já gerou vários conhecimentos excelentes pra mim. Pessoas do mainstream artístico e musical graças a ele me foram apresentadas.

Tudo começou no feriadão de quinze de novembro quando eu, um amigo, minha prima e a filha dela passamos em saquarema. Chegamos lá na quinta. Sexta fomos dar uma volta pela cidade e acabamos por bater na porta dele que nos recebeu como fez com as mais de quinze mil pessoas que passaram pelo Templo do Rock. Nos mostrou tudo o que está exposto lá. Ele gostou tanto da nossa presença que nos chamou pra voltar no dia seguinte. Minha prima por conta da filha dela não voltou, mas eu e meu amigo voltamos.

Chegamos lá em torno das sete da noite e começamos a bater papo. Em torno das dez e meia chega uma amiga dele de Atibaia, São Paulo, que logo se tornou amiga nossa também. Em frente a casa dele há uma espécie de shopping onde rolava um showzinho de rock que nós fomos. A tal amiga foi na frente e chegou a se apresentar sem que nós a víssemos. Depois ele e até o meu amigo se apresentaram também. Voltamos pra casa dele pra continuar o papo e ficamos lá até as cinco da manhã.

Duas semanas depois estávamos hospedados em Atibaia na casa dela por conta de uma participação dele num show numa casa na zona leste de São Paulo para quatro mil pessoas. Daí a amizade já fortalecida ficou mais consolidada ainda. Outros eventos foram freqüentados pela gente e quando me vi assistindo a uma banda famosa com anos de estrada e um enorme sucesso do próprio palco em que eles estavam se apresentando que eu percebi tamanha popularidade do meu amigo astro do rock.

Não vou negar que sempre tive vontade de ter alguém famoso na minha roda de amizade e idealizava uma ou outra pessoa do meio artístico e/ou musical. Mas nunca imaginei que seria dessa forma e que tomaria as dimensões que tem tomado. Ainda quero fazer muito por essa amizade, mas não por interesse. Não cobro e nem exijo nada de ninguém por achar que é intrínseco das pessoas que haja um bom senso em uma retribuição. E na grande maioria das vezes, com pessoas de bem, há. Mais um pro meu ciclo de amizades que espero sempre que cresça apesar de ter caído a ficha que por conta dessa amizade em particular, a tendência será essa. Mas não só por ele. Amizades são sempre bem vindas e as sinceras não aceitam imitação.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

AGORA SÓ ANO QUE VEM

Novamente a Beija-Flor levou o caneco. Só resta saber se novamente o título foi comprado. Mas isso também, como no ano passado, não vai fazer com que se reveja tudo a ponto de tirarem o título dela. O problema é que ta ficando chato demais e desgostoso de acompanhar os desfiles. Nos últimos seis anos Nilópolis ganhou cinco vezes, ou seja, se tornou a hous concurs, tendo nós que torcer pela segunda colocação já que a primeira tem sido sempre dela.

Acertei metade dos meus prognósticos de modo que Tijuca, Portela e Salgueiro ficaram entre as campeãs. Do mesmo modo que me fez bem a ascensão da Portela, Salgueiro e até Imperatriz, também gostei da queda da Viradouro amargurando o sétimo lugar.

Todos sabem que tenho um carinho especial por ela, é minha escola do coração por conta das histórias familiares, enquanto ela estiver no grupo especial não torcerei por outra escola, mas essa colocação acho que foi bem vinda por um motivo. É bom pra baixar o ego de Paulo Barros. Nada contra a pessoa dele, até pelo fato de não conhecê-lo pessoalmente, mas não gosto da concepção de carnaval que ele faz. Claro que não deixarei de ser Viradouro por causa disso, mas a tal ‘estrela’ que atribuíram a ele começou a não brilhar tanto. Acho que ele liga mais pra plástica da escola, ele faz um espetáculo pra quem vê e não pra quem brinca na avenida. O excesso de carros e alas coreografadas estraga o brilho da escola seja ela qual for.

Deixando de lado as escolas de samba, o que eu tenho feito gradativamente a cada carnaval, esse ano descobri mais um bom bloco pra se esbaldar. Alguns blocos já estão se tornando permanentes no calendário da minha folia.

Na sexta feira dou o meu grito de guerra no bloco Dominó aqui perto de casa em Niterói. Grito esse que já me ataca as cordas vocais e eu começo a ficar afônico piorando a cada dia de carnaval. Sábado é lei acordar cedo e ir pro Bola Preta. Depois uma volta por Copacabana e Ipanema não custa nada. Tanto que foi em Copa que descobri a Banda da Sá Ferreira. Já tinha passado por ela ano passado, mas esse ano fiquei pra ver qual é e não me arrependi. A banda da Sá Ferreira talvez seja a melhor opção de bloco pra quem não tem um certo, um específico pra ir. Mas no sábado, por conta do Bola, não fico até altas horas na rua.


Domingo saí às três da tarde de casa, fui pra Ipanema, no Simpatia depois voltei pra Copacabana pra Sá Ferreira e em seguida novamente em Ipanema pro Empolga as Nove. Conclusão: cheguei em casa por volta das três da manhã e ainda deu pra ver o desfile da Mangueira e Viradouro. Segunda não foi diferente em termos de horário. Foi em termos de bloco. Outro que não deixo de ir é o Bloco de Segunda que sai em Botafogo. Desse passei novamente pela Sá Ferreira. Também cheguei em casa a tempo de ver os desfiles da Grande Rio e Beija-Flor. E na terça havia combinado com o pessoal que pula o Bola comigo, já pelo terceiro ou quarto ano consecutivo, de vermos o desfile do grupo de acesso B, mas não sem antes dar uma passada na Sá Ferreira novamente. A Sá Ferreira virou uma espécie de tapa buraco, como já citei anteriormente.

Uma curiosidade durante o desfile. Eu fiz questão de ver a escola da Praça da Bandeira porque um conhecido meu ia desfilar. Na hora estávamos no setor sete e ele iria passar na última ala, dos compositores. Justo ele que nunca escreveu uma letra de música, mas, como a roupa foi ganha e de graça até injeção na testa lá foi ele. Quando eu o vi comecei a pular e gritar como um louco na arquibancada. Ele não tava nem aí. Sorte minha que um dos integrantes me viu e apontou um a um até chegar a vez dele. Só assim ele pode me ver. Dias depois a gente se reencontrou e começamos a rir do fato.