segunda-feira, 26 de maio de 2008

ESSE JOGO VAI VIRAR

Está formado mais um impasse na minha vida. Depois de praticamente ter chegado onde eu queria, na posição que eu almejava e focava tanto eis que surge a possibilidade de largar tudo, de jogar tudo pro alto e recomeçar em um outro nicho, apesar de ser o mesmo ramo. E afirmo com toda sinceridade que estou muito pendente em fazer isso.

No entanto existe um obstáculo enorme que eu terei de enfrentar. Mais um dentre tantos que a vida nos impõe. Dessa vez a nível profissional e numa área em que naturalmente, mesmo para os mais experientes, a dificuldade é grande. Estou meio que deixando de lado os três últimos anos da minha vida sem os menosprezar.

Foram três maravilhosos anos onde a experiência e aprendizagem me fizeram crescer demais. Lidei com todos os tipos de pessoas e de caráter e mesmo quando me forçaram a ficar pra baixo foi de onde tirei forças pra subir, trilhar meu caminho e chegar onde estou. O novo desafio que abraçarei a partir do próximo mês consiste também em produção de programa para uma tv a cabo que adorou e abraçou a idéia e botou duas condições para que puséssemos o programa no ar. Uma nós já superamos, a outra é que tem uma grande dificuldade.

Infelizmente nesse país a cultura é pouco valorizada e poucas empresas se dão ao luxo de apoiar manifestações culturais nas suas diversas áreas. É justamente essa a navalha que cortará a minha carne. Para o programa ir ao ar, como segunda condição, irei em busca de patrocino. Com o projeto debaixo do braço, batendo de porta em porta, apresentando a quem interessar possa. E tomara que esse interesse surja logo, pois ficar na dependência de um item – tudo bem que é o mais difícil – pra que um programa que já está em fase de pré-produção por nossa conta e risco realmente andar, será no mínimo desgastante. Mas pra eu realizar esse sonho, parafraseando Gonzaguinha, não fujo da raia a troco de nada.

Não vou deixar o que tive orgulho de fazer durante esses três anos totalmente pra traz. No que disser respeito a ajudar a quem me ajudou, continuarei prestativo dentro dessas novas minhas possibilidades, só não mais estarei focado nisso e não me doarei da mesma forma que me doei até então. E porque não fazer uma figuração volta e meia?

Sei que é uma coragem enorme de largar tudo e recomeçar do zero, mas chega um ponto em que se deve fechar o ciclo e abrir outro. Se expandir, respirar novos ares, explorar novas possibilidades, desbravar novos caminhos. Tudo está inclinado mais uma vez pra dar certo. E no que depender de mim, dará. Como só depende de mim e, a princípio, mais dois, que têm o mesmo foco, o mesmo objetivo que eu, não tem por que não dar. E por só depender de nós, não teremos que obedecer a ninguém, ou seja, seremos os patrões e teremos que lidar com o comando de uma boa equipe. Patrocínio garantido e equipe formada é só partir pro abraço e pro sucesso.

A proposta do programa é boa e interessante. Resgate do passado o apresentando no presente. Manter a memória musical dos nossos artistas e mostrar o tamanho, a grandiosidade da colaboração deles para com o cenário do cancioneiro popular brasileiro em épocas diversas das carreiras deles. Raros são os programas e as pessoas que reportam ao passado. A idéia inicial, quando surgiu a proposta, era de a gente exibir ainda esse ano, mas por conta de busca de patrocínio, tentaremos produzir esse ano para exibir ano que vem. O projac pode ter lá suas vantagens, mas me toma muito tempo e eu preciso de todo tempo necessário para correr atrás do patrocínio e dar a luz a um filho meu que pra dar seus passos tem que ter um bom padrinho que banque esse desenvolvimento.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

TRABALHO BEM FESTEJADO

O dia primeiro de maio é considerado em boa parte do mundo o dia do trabalho, e, portanto, é feriado, inclusive no Brasil. Esse ano foi diferente. O trabalho foi de parto. Na verdade nem tanto trabalho assim já que foi cesariana. É isso mesmo. O primeiro de maio aqui em casa foi comemorado não pelo fato de ser feriado, mas porque foi o dia em que Quiquinho nasceu.

Na última ultra-sonografia que Camille havia feito três dias antes o médico tinha dito a ela que se não nascesse por vias normais até o último dia do mês de abril ela poderia escolher o dia pra fazer a cesária. Escolheu o primeiro de maio. De certo modo tem uma lógica nisso. Depois do vinte um de abril o primeiro feriado nacional é o primeiro de maio, ou seja, pai, tio e filho fazem aniversário em feriados nacionais.

Como o roteiro do especial sobre Dolores Duran indicava folga na segunda e na quinta, dia do feriado, apesar de eu também não ter trabalhado na quarta e na sexta, eu já havia combinado com minha prima Livia de pegar algumas coisas na casa da minha tia em virtude da festa pra Diana, filha de Livia, que houve no sábado anterior. Como o meu carro ficou na oficina entre segunda e quarta, terça tinha ido trabalhar de ônibus e quando voltei cheguei tarde em casa já avisando que não teria condições de trabalhar na quarta. Estou acostumado a trabalhar de carro e mesmo sabendo o perrengue que é ir de ônibus, quando se perde o hábito é difícil se reacostumar.

Na quarta peguei o carro porque além de tudo, na véspera do nascimento do meu sobrinho, tive o jantar em comemoração ao casamento do meu amigo Martin, aquele que comentei dos treze anos, de onde eu saí quase às três horas da manhã. Não iria mesmo acordar cedo pra ir pro hospital até mesmo até por que a festa lá já estava pronta com faixas, cartazes, bolas coloridas e uma charanga tocando. Só não estava desse jeito por que o bom senso da família, já que se tratava de hospital, e as próprias regras do recinto não permitem esse tipo de recepção para um recém nascido, mas que a vontade era fazer esse tipo de festa, isso não tenha a menor sombra de dúvida.

Bem, como eu tinha combinado com minha prima cumpri com o trato. Já saí de casa com a notícia de que meu sobrinho havia nascido e a hora, peso e medição dele confirmadas também. Saí de casa por volta das onze da manhã e na volta trouxe todos de lá pra ver o Quiquinho, afinal eu ainda não tinha visto o meu sobrinho. Como tudo na família é motivo de comemoração e pra amarrar ainda mais o meu primo Gabriel chegou de São Paulo com sua namorada, a Taís, pra passar dois dias aqui no Rio dando uma de turista pra passear no Pão de Açúcar e Corcovado, me chamaram pra encontrar com eles, que já tinham ido ao hospital e visto o meu sobrinho antes de mim, no Caneco Gelado do Mário que é o bar onde fazem o melhor bolinho de bacalhau de Niterói. Por volta das seis da tarde a gente saiu de lá.

Pra completar as comemorações, Sabrina e Filipe, um casal amigo meu, voltaram de Nova Yorque, onde eles haviam ficado morando por seis meses tentando a vida na América e que dessa vez não deu certo, mas, quem sabe, na próxima, se houver, dê. Cheguei em casa do Mário, liguei pra Gabriela, irmã da Sabrina e perguntei onde elas estavam e que eu iria pra lá rever meus amigos. Ela me respondeu que estava na casa da avó dela e que Sabrina e Filipe estavam na casa dos pais de Filipe, cujo novo logradouro é o mesmo que o da avó delas e, consequentemente, o deles já que o apartamento deles fica exatamente em cima do da avó delas. E agora com os pais dele morando a alguns metros deles fica tudo muito mais fácil em termos familiares pra eles.

Já com o Quiquinho, apesar de sempre toda a família dar uma força pra eles – lê-se Camille, Enrico e Quiquinho – pelo menos a princípio estão morando na casa de Camille, o que dificulta mais ainda os babões daqui de babarem por mais tempo.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

É LENHA

Até o momento em que escrevo esse texto, Quiquinho, meu sobrinho, ainda não sinalizou sua saída do útero materno. Comecei a refletir sobre o que dá mais trabalho. Se um filho ou um carro velho. Eu como não tenho filhos, mas tenho um carro velho que considero meu filho em comum com a minha mãe, já que é ela quem ainda banca praticamente todos os ajustes e concertos automobilísticos, vejo o trabalho que dá em manter um veículo pré-adolescente de treze anos. Geralmente essa é a fase de várias descobertas na vida. No carro também. Descobre-se um probleminha aqui, outro ali, e com isso o dinheiro vai escapamento afora.

A última dele foi ter caído numa cratera – aquilo já perdeu a patente de buraco há muito tempo, mas a prefeitura do Rio talvez nem tenha conhecimento disso – e perdido o balanceamento, que já estava meio precário, e o alinhamento. O volante estava tortinho e qualquer curvinha o pneu dava uma de tenor e cantava. Sem contar o óleo que teve que trocar depois de dez mil quilômetros rodados. Mas isso se deve fazer periodicamente.

A vantagem de se ter um carro é você ter uma autonomia de locomoção, sem depender de espera de transporte público. Por outro lado a preocupação com o lugar onde se estaciona, a grana que se desembolsa em termos de pedágio e até de flanelinha, ou seja, é um custo, é o preço que se paga pelo conforto. Todas as vezes que o carro pára na oficina é uma facada. Às vezes o corte é profundo, mas na sua grande maioria são vários corte superficiais. De qualquer maneira é também uma facadinha. Outra vantagem é que a qualquer momento você pode se desfazer dele.

Filho é bastante diferente. Meu irmão que o diga. As facadas são maiores e mais constantes. Não tem como se desfazer dele. É pra sempre. Gastos com saúde e educação principalmente são os que contam mais. No entanto a solidarização é bem maior com um filho que com um carro. Repara só. Se alguém anuncia que está grávida logo os sorrisos se abrem e as ajudas surgem. É um berço que sempre se herda de alguém, banheira que foi usada por não sei quem e pacotes de fralda que brotam como pipoca no fogo principalmente nos chás de bebes. Agora se alguém anuncia que comprou um carro ninguém chega com litros de óleo pra troca, jogo novo de tapetes ou pneus, um rádio com CD player pra ser instalado, nem sequer uma lampadinha do pisca alerta como uma pequena lembrança. Como o ditado diz, meio modificado, quem comprou neves que o embale.

A criança é mais paparicada. E tem que ser mesmo. Afinal é um ser humano. O carro é uma coisa, um objeto e por isso o valor sentimental é outro salvo raras exceções. Por exemplo, aqueles que têm mais ciúmes do carro que do próprio filho. Não dá pra dizer, pra definir o que dá mais trabalho. Carro ou filho tem o seu valor e dependendo de um ou do outro pode ser que um carro dê mais trabalho que um filho ou vice versa. Cada um sabe o trabalho que dá e cada um carrega o fardo conforme as costas agüentam. Às vezes com ajuda, às vezes sem, mas sempre carregando o peso que cada qual suporta.

Agora to pensando no meu carro. Ainda falta fazer uns pequenos ajustes e acertos. Mas pra ficar nos trinques falta um arzinho condicionado. Talvez seja a última coisa que eu faça no carro. Dizem que não é bom fazer isso. Instalar um ar condicionado no carro. Mas isso seria a última coisa que eu quero fazer depois de todos os ajustes e o caro der uma boa folga em termos orçamentários. É que tem dias que eu saio normal de casa e por causa do calor chego um pouco molhado de suor no meu destino. Por isso que eu quero colocar um ar no meu carro. Refrescar um pouco mais o meu filho e consequentemente a mim também.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

E A TERRA TREMEU

Algo de estranho, de muito estranho, tem acontecido em nossa terra tupiniquim. A velha piada de que deus não iria nos presentear com nenhuma catástrofe natural fazendo com que o Brasil fosse um verdadeiro paraíso está indo por água abaixo. Aliás, água, terra e ar. Não bastassem os ciclones extra tropicais que volta e meia se formam em Santa Catarina – até Saquarema já teve seus momentos de cenário de twister – agora estamos sofrendo com pequenos terremotos e pseudo-tsunamis.

Há pouco mais de duzentos quilômetros do litoral de São Paulo a terra resolveu sacolejar sendo o epicentro de um abalo sísmico de cerca de cinco pontos na escala Richter e sentido em alguns estados do Brasil como Paraná e Rio de Janeiro. Eu particularmente não senti nada. Alguns moradores da Ilha do Governador saíram correndo dos seus prédios achando que eles iriam cair. No dia seguinte, uma onda de três metros de altura arrebentou a porta de uma embarcação tipo catamarã que fazia a travessia Charitas-Praça XV e invadiu o hall dos passageiros os deixando em pânico. Essa mesma onda quebrou na praia das flexas invadindo garagens subterrâneas e deixando a calçada e o asfalto molhados e cheios de areia.

Voltando à piada citada acima, o povinho que cá habita parece que está dando conta em não ser tão ‘povinho’ assim. Claro que essa mudança está se dando a passos de formiga e não são todas as formigas que estão caminhando pro mesmo lado, mas já se acena uma transformação. No entanto minha tese pra que isso tudo aconteça ao mesmo tempo não tem nada a ver com a piada.

O mundo está estranhando o fato que ocorreu juridicamente no último sábado de abril e festivamente na última quarta, véspera de feriado. Depois de treze anos entre namoro e noivado saiu um casamento que ninguém mais acreditava e perdemos pelo cansaço. Por isso que a natureza está dando esse espetáculo. Se nem Deus que é quem é acreditava que no Brasil não teria essas catástrofes climáticas, imagina um casamento que demorou treze anos pra sair. Martin, meu amigo de infância, crescido e criado junto comigo até uns quatro anos atrás, quando se mudou do prédio, conheceu Lílian Laura na mesma situação que eu e o André, outro amigo nosso, da mesma turma, cujo trio se destacava. Na época o André se antecipou e começou a namorar a irmã de Lílian e por um tempo, além de amigos eles também foram concunhados, mas o namoro do André acabou e Martin continuou lá, firme e forte, enrolando a pobre menina rica durante esses treze anos.

Os dois acompanharam parte de ambas as vidas com uma cumplicidade impar. Desde provas do vestibular, formaturas, conquistas de empregos, viagens, compra de carro e finalmente do apartamento de dois quartos a uma quadra de onde eu moro. Hoje eles estão casados, felizes e endividados, se é que esses dois objetivos são concomitantes e compatíveis.

O jantar em comemoração ao enlace matrimonial aconteceu no Bistrô do MAC, o museu de Niterói que lembra um disco voador. Dentre terremotos, maremotos e furacões, não se espantem caso eu não esteja aqui na próxima semana. Não duvido nada que o museu realmente se torne um disco voador e saia voando por sobre a cidade e quem sabe fazer uma viagem intergalática ou interplanetária. Só espero que, em se tratando do casal em questão aterrisemos no planeta felicidade.

Há algum tempo atrás anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. Achava que era apenas uma música, mas agora constato que esse fato pode realmente estar acontecendo. A começar não pela natureza em si, mas pela transformação que o homem pode fazer com o estado natural das coisas, como por exemplo, mudar seu estado civil de solteiro para casado.