terça-feira, 26 de agosto de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (8)

Fomos subindo a primeira avenida conversando e desgastando a janta e conhecendo um pouco a história daquela vizinhança que, pelo que consta, já foi muito barra pesada tempos atrás. Eu me identifiquei muito com aquela região por se assemelhar muito com a Lapa aqui no Rio. Tem todo um clima boêmio e uma história de evolução parecido com a Lapa, inclusive na sua revitalzação.

Vimos um barbeiro, na verdade o local da entrada do astor Hair, o barbeiro de algumas estrelas hollywoodianas como Robert de Niro entre outros. Passamos também na frente de um edifício – grande novidade em se tratando de Nova Yorque. Mas esse era diferente. Primeiro por não ter janela que abrisse. Ele é todo climatizado por dentro, não é tão alto quanto os outros, parece que são quatro apartamentos por andar e cada um custa apenas uma merreca de cinco milhões de dólares, ali mesmo, perto do East Village. Eu até estava pensando em dar uma última olhada no movimento da Times Square, no entanto, essa volta já me fez valer a última noite.

De lá voltamos pra casa pra começar a preparação pra volta, ou seja, arrumar as malas. Esse era um trabalho único e exclusivamente da minha mãe. Afinal, quem foi pra lá fazer compras foi ela. Eu fui praticamente carregar as compras pra ela. Brinco que ela só não trouxe a Estátua da Liberdade porque não cabia na mala. Mas tinha que alocar tudo nas malas, tirar da caixa o que fosse possível, colocar coisas miúdas dentro de coisas graúdas, como na ida em que uma mala foi dentro da outra, enfim, técnicas que marinheiros de várias viagens já estão acostumados a fazer. Pra quem chegou com duas malinhas e uma mala grande, voltar com duas malinhas, uma mala grande, uma mochila, outra bolsa grande fazendo vias de uma mala também e a caixa da vitrola, se voltou com bastante coisa. Sem contar o stroler, aquele carrinho, que foi pro aeroporto com a caixa da vitrola em cima pra gente não ficar carregando aquilo na mão. O Carlos ligou pro taxi e marcou com ele para nos pegar ao meio dia. O vôo era por volta das quatro da tarde e nós ainda íamos pra Miami pra depois pegar o avião pro Rio.

Chegamos no aeroporto, descemos do taxi e fomos fazer o check-in. Entramos na fila. A atendente nos informou que o check-in que nós tinhamos que fazer era o eletrônico. Esse check-in conssiste em passar o passaporte numa maquininha e dali mesmo retirar provavelmente o ticket da bagagem, colar nelas e despachá-las sem a presença de um funcionário sequer da companhia. Mas pelo visto esse esquema ainda está sendo implantado por lá e pra sorte nossa havia uma funcionária pra nos dizer, depois de algumas tentativas, que nossos passaportes com os vistos não estavam válidos pra passar nessas maquininhas e nos indicou a fila de outro balcão.

Lá fomos nós pros procedimentos burocráticos de uma companhia aérea americana, as mais písicas, com certa razão, por causa dos ataques terroristas. Na pesagem da mala o cara pediu pra tirar um pouco de uma e passar pra outra por estar com excesso de peso. Realmente havia passado um pouco do peso, mas não tanto, de modo que o próprio funcionário pediu pra deixar como estava. Malas despachadas, fomos pra segunda etapa que é o Raio-X e detector de metais.

Põe todos os pertences numa bandejinha de plástico pra passar pelo raio-x. Como tínhamos várias coisas, stroller, guarda-chuva, malas, mochla, fomos nós enchendo as bandejas. Detalhe. Tinhamos também que tirar nossos tênis e passar descalço pelo detector de metais pra depois pegar tudo, reorganizar e andar até a sala vip pra esperar o portão de embarque abrir, esperamos um bom tempo, mas decidimos comer somente na espera do vôo Miami-Rio, só que não deu tempo. Com o passar do relato que aqui faço dará pra entender a causa, motivo, razão e circunstância do forçado jejum que tivemos que fazer nesses aeroportos.

domingo, 17 de agosto de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (6 e 7)

Fiz apenas um take de filmagem, mas tirei bastante fotos. Uma curiosidade que está inclusive no vídeo foi o protesto que uma meia dúzia de tibetanos fazia contra a passagem da tocha olímpica pelo Tibete. Um protesto pacífico que não afetava ninguém, do tipo não atrapalhava o trânsito e nem a passagem de pedestres. Claro que estavam em frente a ONU, mas do outro lado da rua.
Da ONU fui pro Rockefeller Center, onde no natal há o evento de acender as luzes da árvore de natal, asim como aqui fazem o mesmo com a da Lagoa. Também já havia passado por lá no cair da tarde e não tinha parado pra ver e fazer a sessão foto-filmagem, de modo que a filmagem foi feita na própria máquina de retrato e só em quinze segundos pra mostrar a altura e a decoração do local. Fiquei na dúvida se eu subia ou não no edifício. Olhei pro relógio e já faltava uma hora pra me encontrar com minha mãe pra almoçar. Não teria tempo pra desfrutar da vista lá em cima.

Ainda circulei na Broadway e tirei fotos curiosas como a de umas meninas fazendo propaganda de uma loja de tenis em trajes sumários (maiô) e de um cara que fica o tempo todo pelado (de sunga, botas, chapéu e violão em punho) já atração da Broadway, na Times Square, alcunhado de cowboy pelado. Estava ali matando o tempo que me faltava pra encontrar com minha mãe e almoçar.

Nesse dia resolvi variar o almoço. Havia recebido uma dica de uma amiga minha que morara lá há pouco tempo em procurar pelo Antônio no restaurante Empório Brasil. Antes de ir lá pra almoçar passei em frente pra constatar se o restaurante existia, se não tinha fechado e tal. O combinado era de nos encontrarmos as quatro da tarde. Cheguei na esquina dez minutos antes. Detalhes que nossos relógios estavam em horário de Brasília e lá era uma hora antes. Já previa que minha mãe iria chegar atrasada e carregada de compras. As sacolas não me assustaram, mas o atraso de meia hora sim porque do jeito que aquele povo ainda está písico ainda em decorrência do onze de setembro, já tava imaginando a polícia me abordando e perguntando o que é que eu tava fazendo ali parado durante aquele tempo todo.

Fomos pro restaurante. Quis saber o nome do cara que me atendeu. Bruno, respondeu ele. Perguntei pelo Antônio. A mocinha do caixa disse pra eu escolher um já que haviam três. Disse que era um que morava fora da ilha. Ela disse que era o namorado dela e que já tinha voltado pro Brasil. Perguntei então sobre a feijoada e outra bola fora. Só aos sábados. Era sexta. Pedi então um Virado à Paulista. Arroz, tutu, couve e linguiça na quarenta e seis conhecida como little brazil ou a rua dos brasileiros. E pra beber uma latinha de guaraná antártica. Mamãe só na saladinha. Uma brasileira que tambem almoçava lá deu uma dica pra minha mãe de um shopping fora da ilha onde também se encontra de tudo com preços um puco mais módicos. Mas agora era tarde demais e o dia seguinte era o último. Pelo menos valeu a dica e fica pra próxima.

De lá, pra variar, mais bateção de pernas. Ainda queria ir no Carnegie Hall. Mas essa história de ir em casa, deixar as compras e sair novamente não me animou. Em casa cheguei, em casa fiquei. Minha mãe ainda rodou num raio de dois quarteirões atrás de um mercado pra abastecer um pouco mais a nossa parte da geladeira até a nossa partida no domingo meio dia. Eu fiquei no meu laptop, lendo meus mails, consultando meu orkut, instalando e baixando alguns programas, ou seja, curtindo o meu brinquedinho novo.

O dia seguinte já era sábado, nosso último dia na cidade e ainda tinhamos algumas encomendas pra comprar. No meu caso eram só as botas da minha amiga, a mesma que me deu a dica do restaurante, e os cremes da Victoria Secret pedidos pela irmã dela.

Fomos ali mesmo, na trinta e quatro em algumas lojas procurando uma memória qu lá não existe mais pra máquina do meu tio. Uma delas, a B&H, por ser de judeu, não abria aos sábados. Fomos então na Wallgrens, uma loja de departamento cuja cadeia é enorme nos Estados Unidos. Procurando uma coisa, achei outra. Uma verdadeira descoberta.

Nas lojas é bem visível a retomada do antigo disco de vinil. E essa relíquia tem a ver com isso. Encontrei um microsystem cinco em um. Rádio AM/FM, CD, fita cassete, o próprio vinil e entrada pra mp3. Mas o que mais me atraiu fou o formato desse microsystem. Lembra aquelas antigas radiolas da década de quarenta, cinquenta, feitio dos rádios fabricados na época do auge da Rádio Nacional. Tem até que levantar a tampa de madeira pra botar o disco de vinil. Meu pai, com as pilhas e pilhas de vinil todos entocados em casa sem ouvir a anos, se amarrou. Também, pelo preço que tava, se não trouxesse seria uma falta gravíssima. Saimos nós da loja carregando mais uma caixa.

Dali nós fomos na Daffy’s comprar a encomenda da minha amiga e outras coisas mais por conta da minha mãe. Pra mim ainda faltavam os cremes da Victoria Secret. Era só atravessar a rua. Lá fiz as minhas compras, também encomendas, minha mãe resolveu comprar uns produtos na liquidação também. Aí ela decidiu comprar um stroler, que é aquele carrinho ond se entulha as quinquilhariase sai puxando pela rua. Almoçamos no Mc Donald’s, rodamos mai um pouco e fomos pra casa. Afinal tinhamos marcado um jantar com o Carlos e tinhamos que chegar a seis da tarde na loja e eu queria passar antes no Carnegie Hall. Foi o tempo de deixar as coisas em casa, testar rapidamente o som, tomar um banho e sair novamente. Pegamos o metrô, fizemos a baldeação necessária e descemos na sétima avenida no meio de uma feira.

Pra quem imaginava que Manhattan era só chique, tem seu pontos fracos também como essa feira que interrompeu o tráfego da sétima avenida e mantendo somente o trânsito das ruas. Tinhamos hora. Foi só mesmo uma sessão de foto-filmagem. Descemos pela sétima mesmo, no meio da feira e com minha mãe sempre tentada a parar em alguma barraquinha pra comprar. Estavamos arrumados pra jantar e andávamos o mais rápido possível pra cumprir o horário marcado com o Carlos.

A loja em que ele trabalha ficava perto do Rockefeler Center, ao lado da igreja de San Patrick e quando a gente chegou na quinta avenida fui andando em direção ao Empire State, mas mesmo com essa confusão, chegamos lá pontualmente na hora em que ele falou. Quem não estava lá era ele que demorou m pouco pra terminar de fechar uma venda para um amigo dele também brasileiro que acabamos por conhecer. Partimos para o East Village, lá no comecinho da ilha, na primeira avenida com a rua sete, oito, por aí. Jantamos num restaurante grego.

De entrada forma três coisas diferentes de nomes praticamente impronunciáveis. Um era um pãozinho tipo árabe com uma deliciosa pasta de berinjela, o outro foi um queijo e o terceiro parecia uma lula empanada. Até a lula que eu não sou muito chegado caiu bem. Vinho foi um branco dividido por nós. Além do vinho, quando percebiam que a taça de água estava vazia logo a enchiam sem mesmo que a gente pedisse. Prato principal foi um combinado de salmão que o Carlos e minha mãe pediram, um peixe pro Michael que também nos acompanhou no jantar e eu pedi o tradicional prato grego chamado mussaka, uma delícia por sinal. A conta, alta para nossos padrões, foi gentilmente paga pelo Michael. Como retribuição mamãe pagou o cafezinho que tomamos num local que mais parecia uma padaria com salão de chá num outro ponto do bairro, mas perto do restaurante.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

AVENTURAS NOVA IORQUINAS (5)

Continuamos a fazer o esporte preferido do capitalista e ao mesmo tempo subindo as ruas até pararmos na quarenta e dois defronte ao que seria pra gente a Central do Brasil e pra eles é o Grand Central Terminal, onde há a junção de estações de metrô com a de trem urbano. A antológica cena do filme ‘Os Intocáveis’ onde há um tiroteio enquanto um carrinho de bebê desce a escadaria foi feita lá. Sem contar cenas de outros filmes. Nova Iorque é uma cidade cinematográfica assim como o Rio é novelística. A estação por dentro é maravilhosa e une de forma simples e discreta os paineis eletrônicos com o antigo relógio de ponteiros do guichê central. O único problema é que estava com pouca luminosidade e não deu pra filmar e nem fotografar. Teria que voltar ali no dia seguinte à luz do dia pra fazer isso. Dali andamos um pouco mais, não lembro se foi comprado alguma coisa, mas em se tratando da minha mãe creio que sim, e logo voltamos pra casa.

No que nós desensacolávamos as compras e nesse dia dsencaixotávamos o laptop testando o mesmo com o Carlos assumindo os controles já que ele entende mais que eu e eu fui tomar um banho pra me sentir gente depois de um dia inteiro na rua, decidimosnos separar no dia seguinte. O combinado foi que iriamos juntos ao Central Park e ao Dakota, famoso (já reparou que quase tudo em Manhattan é famoso) edifício onde John Lennon morava – e reza a lenda que a Yoko japonesa Ono ainda reside lá – e fatalmente foi assassinado defronte. Depois desceríamos juntos pro sul da ilha e marcaríamos um local pra nos encontrar mais tarde.

Acordamos, nos arrumamos e fomos à luta, ou melhor, eu fui passear. Entramos no Central Park. Por ser incomensurável e por saber que o Dakota era do outro lado, atravessamos o Central Park na altura da noventa e seis e descemos até a setenta e dois. Sessão foto-filmagem do Dakota encerrada, adentramos novamente no Central Park numa área que o próprio John gostava de arejar e/ou se inspirar chamada, não sei se antes ou depois da morte dele de Strawberry Field, onde podemos encontrar uma espécie de mandala no chão com a palavra ‘Imagine’ escrita no centro cercada por grades e cheia de moedas e um centavo. Lá ninguém pega. Mais uma vez sessão foto-filmagem e logo depois nos encaminhamos pra fonte.

Checamos no mapa novamente, já que na primeira passagem pelo parque vimos que a fonte ficava na altura da mesma setenta e dois e seguimos a trilha. Chegamos na fonte, mais uma vez sessão foto-filmagem. Na volta mais uma foto do Dakota de outro ângulo. Fui recomendado a tirar bastante foto do Dakota pra uma amiga minha fã dos Beatles.

Pegamos o metrô e descemos a ilha. Eu desci na quarenta e dois e minha mãe, se não me engano, na vinte e três. Isso era quase meio dia e marcamos as quatro da tarde na esquina da sexta avenida com a quarenta e seis. Finalmente livre, por algumas horas, como diz a música, nesse momento eu queria fazer parte daquilo. O primeiro local por mim visitado foi a estação central, agora com uma luminosidade melhor e propícia pra sessão foto-filmagem. A estação é um misto do antigo, tradicional com o que há de moderno, em se tratando dos letreiros que apontam os horários de chegada e partida dos trens, tais como têm nos aeroportos. Talvez por isso a estação ser usada como cenário de tantos filmes e de todas as épocas.

De lá corri pra ONU na mesma quarenta e dois com a primeira avenida. Antes da sessão foto-filmagem percorri duas vezes os mastros das bandeiras dos países membros e não achei a do Brasil. Devia estar escondida atrás de alguma árvore. Duas esculturas me chamaram atenção e mereceram fotos. A de um mundo meio estilizado e a de um São Jorge também diferente.