domingo, 30 de novembro de 2008

NOVO DONO DO MUNDO

O mundo tem um novo presidente. No início do mês os americanos foram às urnas escolher quem seria o próximo presidente norte-americano e consequentemente a figura mais importante do mundo, ao menos nos próximos quatro anos. Não teve jeito, as pesquisas já apontavam a vitória dele e confirmaram no sufrágio universal Obama nas alturas.

Barack Hussein Obama é o mais poderoso nome e homem do mundo a partir do mês de janeiro. Não sei se é pelo fato da nossa justiça eleitoral, apesar de algumas escorregadas no que diz respeito a candidaturas, ser extremamente eficiente com as urnas eletrônicas e a apuração ser super rápida e mais confiável no que tange a fraudes, mas o sistema eleitoral americano, pelo menos na minha concepção, é bastante complicado.

A votação lá não é igual aqui onde vence quem é mais votado. Na verdade os eleitores elegem os delegados que dirão quem naquele estado teve o maior numero de votos. E, apesar de ser raro, pode acontecer do delegado decidir pelo rival. De modo que se um republicano for o mais votado o tal delegado pode escolher o democrata. Cada estado tem um número de delegados que depende da densidade populacional. Tem estados que tem quatro e tem os que tem mais de dez, por exemplo, e no total pra um presidente americano ser eleito precisa de, no mínimo, duzentos e setenta delegados.

Essa eleição foi uma das mais bem freqüentadas dado que lá o voto não é obrigatório. A população compreceu em massa pra eleger o quadragésimo quarto presidente dos Estados Unidos da América. Com o slogan ‘Change. We can’ (Mudança. Nós podemos) Obama recebeu um crédito de confiança não só da América como do mundo todo. Em meio a uma crise econômica global, uma mudança é bem vinda e os americanos estão ansiosos por ela. Se Obama vai fazer um bom governo ou não é só acompanharmos todos os passos do presidente – isso até parece título de filme.

Ele é a personificação, ou até a realização do sonho de quarenta anos atrás de Martin Luther King onde no famoso discurso disse que sonhava que meninos e meninas de raça negra dariam as mãos a meninos e meninas de raça branca como verdadeiros irmãos entre outros exemplos que foram contra a segregação de qualquer patamar. Obama é o primeiro presidente negro da história americana, filho de um keniano com uma americana, ainda tem família no continente africano. Deu início na carreira política assistindo as pessoas da comunidade dele e foi crescendo e sendo absorvido pelas graças do povo até concorrer a cargos mais altos. Agora chegou no topo do mundo, no cargo mais importante e de maior imposição do planeta Terra.

Todo esse apelo popular, essa ânsia por mudança, essa credibilidade apostada nele e esse carisma me lembram um pouco a nosa eleição de 2002 quando o Lula foi eleito pela primeira vez. Depois o tempo nos mostrou valeriodutos entre outros esquemas e ações que, ao menos eu, pouco esperava e me desencantei umpouco dele, de modo que no segundo pleito ao qual concorreu e ganhou novamente a eleição , não foi com a minha concordância, no entanto, se senta na cadeira mais importante do Brasil, o mínimo que posso fazer é lhe dever respeito.

Mas o que está em pauta aqui não é o Brasil de Lula e sim a América de Bush e que em dois meses será de Obama. Espero sinceramente que depois da tempestade Bush venha a bonança Obama. Tomara que ele se empenhe em tornar a América como já foi há algum tempo atrás. Torço pra que Barack Obama ajude, colabore e contribua da forma que ele pode e que ele consiga para tornar esse mundo e suas relações políticas, de um modo geral, bem melhor.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O PRIMEIRO DA TURMA

Talvez a melhor época da nossa vida é o tempo em que passamos numa faculdade. Pelo menos pra mim foi. É justamente o período de transição de onde saímos da adolescência e passamos pra vida dita adulta. Vale ressaltar que isso não é uma regra fixa. Tem muita gente que cursa uma universidade no auge da carreira e tem tipos, e eu me enquadro nele, que mesmo na faculdade não sai da adolescência apesar de entender e aceitar tranquilamente as responsabilidades da vida acadêmica.

Assim como no término do segundo grau, o fim de uma faculdade é sinal de que a partir dali cada um vai tomar seu rumo, seguir sua vida, se der, naquela carreira escolhida e aprofundada durante, no mínimo, quatro anos. Com a minha turma foi a mesma coisa e praticamente ninguém seguiu o meio acadêmico escolhido apesar de alguns chutarem a bola na trave. De professor do estado a bancário, de produtor de TV a DJ que se tornou funcionário público, fizemos ou fazemos escolhas pra nossa sobrevivência financeira. Mas, coisa que é difícil de acontecer com a maioria dos formandos, é a permanência do contato entre a gente.

Esse ano estamos comemorando dez anos de amizade ininterrupta apesar dos percalços da vida. E dez anos depois desse encontro um dos nossos amigos resolveu mudar de time e jogar em favor dos casados. É o único, por enquanto, que teve a coragem de tomar essa decisão. Claro que nós conhecemos a agora atual esposa dele e, bem ou mal, acompanhamos todo o desenrolar da história dos dois. Foram oito anos até que no fim do mês passado chamaram o juiz de paz e reuniram os amigos numa casa de festas da Tijuca pra, como disse um amigo nosso, assinarem a sentença perante as testemunhas que éramos nós, os convidados.

Com o convite assinalando o início da cerimônia às quinze pras oito da noite e por ser apenas um rápido pronunciamento de alçada civil, não queria atrasar muito a minha chegada na casa de festas. Como havia combinado com um desses meus amigos de a gente se encontrar num ponto pra chegarmos juntos à cerimônia, às oito estávamos na porta da casa de festas e a noiva estava pronta para entrar. Apesar de ser apenas uma cerimônia civil manteve-se a tradição das entradas de padrinhos e noivos e o vestido da noiva continuava branco. As músicas foram todas dos Beatles em arranjos de casamento e nós que ao entrarmos passamos por trás dela sem que ninguém percebesse, já que a porta ainda estava fechada com ela a postos, chegamos a tempo de assistir a entrada dela.

Pela primeira vez eu vi um casamento tão rápido. Talvez pelo fato de só ser uma cerimonia civil. Em menos de meia hora os dois estavam casados. Nem o mais veloz dos religiosos ao qual eu estive presente bateu esse recorde. E por não haver deslocamento da cerimônia pra festa, o único trabalho que tivemos foi o de arrumar uma mesa pra nos acomodar. Conseguimos uma das últimas das quais couberam todos nós. Claro que teve gente da nossa turma que chegou depois de mim e perdeu a cerimônia em si, mas curtiu a festa tanto quanto eu. A festa foi impecável apesar de algumas escorregadas do DJ. Lembra que eu citei um amigo meu que se tornou DJ? Então, foi ele que casou sem assumir as carrapetas da própria festa. Dessa vez só o papel de noivo lhe coube a ser feito naquele dia.

Agora resta saber quem da nossa turma será o próximo a colaborar com o time dos casados já que oficialmente o primeiro já foi. Eu só tenho certeza de uma coisa. Sou torcedor ferrenho do time dos solteiros e de minha parte será muito difícil – só não digo impossível por que não acho que seja – que eu vire a casaca e integre oficialmente o time dos casados. De modo que outros amigos da mesma turma já podem fazer isso extraoficialente.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

MUITO ESTRANHO

Um dos dias em que o surrealismo imperou na minha vida no mês passado foi o dia dezesseis de outubro. Caiu numa quinta-feira e aconteceu cada coisa inacreditável. Pra começo de conversa fui comprar o ingresso pra assistir ao show da Marina no SESC Ginástico, centro do Rio, garantido na semana anterior à apresentação. O valor do ingresso era quinze reais mais uma lata de leite em pó.

Havia pegado uma nota de cinqüenta e a troquei no mercado aqui perto de casa ao comprar a lata de leite. Pus o troco no bolso e peguei o ônibus pra ir ao Rio. Paguei a passagem e até então todo o dinheiro estava no meu bolso. Tudo bem que o plástico onde estavam o dinheiro e o documento de identidade não estava lá em bom estado. Já não era a primeira vez que carregava as coisas naquele jeito. Desci do ônibus e caminhei com a lata debaixo do braço até a bilheteria do teatro. Ao chegar lá entreguei a lata ao bilheteiro e quando meti a mão no bolso pra tirar o plástico com tudo, onde estava o dinheiro? Metade lá e a outra metade não, ou seja, das duas notas de vinte reais e mais uns quebrados que eu havia recebido de troco, só encontrei os quebrados e uma das notas de vinte. Mesmo assim comprei o ingresso pro show. Feliz pelo ingresso e chateado pela nota. Esse foi só o primeiro do dia.

Ao voltar pra casa peguei a barca e nela encontrei com a minha cunhada. Ela me perguntou se eu já estava sabendo. Mais uma bomba. Haviam rebocado o carro do meu irmão em frente a casa dela. Acontece que sempre houve uma fila de carros parados no lado em que é proibido estacionar e calhou daquele dia rebocarem a fila toda e o dele, por estar no bolo, foi junto. O carro ser rebocado pela prefeitura é o de menos. O ruim é o trabalho que dá pra ele ser liberado depois, mas, enfim, na sexta a noite ele já estava com o carro recuperado.

Cheguei em casa, dei um tempo e fui pra comemoração do aniversário do meu primo Gustavo num barzinho super aconchegante no trevo de Piratininga. O clima estava ótimo e quando a gente quase levantava acampamento pra ir embora, eis que para um gol branco e me sai um senhor já com mais de setenta, apenas de bermudas e completamente bêbado. Como ele chegou até ali e de onde ele surgiu ninguém sabe, mas a nossa preocupação era a de que ele não andasse de carro naquele estado em que se encontrava. Até demos uma lata de Coca Cola pra ver se surtia efeito e o prendemos ao máximo lá tirando a chave do carro da mão dele tentando também colher o maior número de informações possíveis sobe ele pra ajudá-lo. Enfim, quando a gente sentiu que ele tinha a mínima possibilidade de se virar sem a gente, soltamos o ‘meliante’ e cada um foi pra sua casa.

Eu fui pro ponto de ônibus defronte ao shopping. Pelo adianto da hora era muito escasso a circulação dos transportes e eu fui andando em direção a subida da serra sempre olhando pra trás. O primeiro que passasse eu pegaria. Eis que surgiu uma van. Pela hora tava cheia, mas depois de ter entrado na van percebi que as pessoas que lá estavam não passava de um time de futebol de várzea composto basicamente por nortistas que estava vindo de uma partida. Não sei se ganharam ou não, mas além de mim, um fiscal de ônibus – dedução minha dada as vestimentas dele – também entrou nessa van. Claro que quando se entra num meio de transporte se imagina que nada irá acontecer. Pois então a quarta e última parte surreal desse dia foi justamente o combustível da van acabar no meio da subida. Uma aventura impar. Descer de ré, na banguela, de madrugada e envolto por nortistas fazendo piadas daquela situação. A minha maior decepção foi quando um ônibus passou a toda pela gente. Pra complementar a situação o posto mais perto estava fechado.

Um fantástico quarteto surreal ilustrou esse meu dia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

PANTANAL

Já havia dito aqui e repetido algumas vezes que sou um noveleiro seleto, ou seja, acompanho sem obrigatoriedade folhetins de determinados autores. De um tempo pra cá abri uma exceção.

Alguns anos atrás havia uma emissora de TV cujo IBOPE era alto em determinados horários, chegando inclusive a se manter em segundo lugar, ao menos no estado do Rio, e em picos de audiência acirrava a guerra permanecendo por alguns momentos em primeiro lugar. Por motivos que não convêm serem ditos aqui hoje essa emissora, a Rede Manchete, está falida. No entanto é inegável que ela tenha feito obras primas que chegou a assustar a TV Globo.

Me lembro que suas investidas na teledramaturgia abalaram um pouco a Venus Platinada a começar por uma novela chamada Kananga do Japão tendo por protagonista a Cristiane Torloni. Nessa época, além de eu ser mais jovem, assistia as novelas globais independente do horário ou dos seus autores, de um modo que pra tentar barrar a ascensão da Manchete, surgiu uma safra boa de novelas que até hoje são citadas e lembradas por quem viveu aquela época e acompanhava novelas do mesmo jeito que eu.

Uma dessas novelas que tirava a audiência global está com sua representação se aproximando do fim. E mais uma vez causou polemica apesar de agora recair sobre outra esfera que não a guerra de audiência. O gênio e louco – a ordem dos fatores... – do Silvio Santos comprou a novela da Manchete e a reapresenta. Isso teve como conseqüência uma batalha judicial que só deve acabar depois da reexibição da obra, cuja história já se encaminha para seus momentos finais.

Eu que não acompanhei a novela de Benedito Ruy Barbosa, dirigida pelo Jaime Monjardim, na época, agora procuro ver como se fosse uma das novelas ‘seletas’. A edição que estão fazendo nela não segue os padrões atuais, de modo que se você não acompanhar o capítulo de sábado, por exemplo, na terça se pode fazer um link sem perder o fio da meada, já que o primeiro pedaço são cenas do capítulo anterior e o último são as do capítulo seguinte.

Há dezoito anos tudo era diferente desde a moeda até o presidente. E pra se fazer um produto como uma novela, eu que já trabalhei com isso sei que a mobilização de pessoal e equipamento é enorme. Imagina numa época em que a economia era mais conturbada. Pantanal é uma novela fantástica com atores e interpretações maravilhosas. Alguns já morreram e outros não seguem mais essa carreira. O cenário em que se passa a trama já é bonito por natureza e a direção de fotografia não pecou em nada ao aproveitar e registrar as maravilhas pantaneiras. Foi uma das últimas novelas da era romântica, onde, apesar de já ser uma indústria por trás disso tudo, ainda havia um certo ar artesanal, coisa que hoje não existe mais.

Mesmo com a Record investindo pesada e maçiçamente no mercado teledrematúrgico pra tentar vencer a concorrência, as novelas dos anos oitenta e noventa tinham em certo glamour, um que de artesanal que não se vê atualmente. Não se pode afirmar que Pantanal foi o divisor de águas no que diz respeito à feitura de novelas, mas que houve uma repensada depois da exibição dela, isso é certo. Tanto que várias novelas globais depois frizaram imagens, ou seja, deram mais atenção à direção de fotografia, mesmo assim a glamurização do produto novela não é mais o mesmo, apesar das revistas ainda glamurizarem os artistas que atuam nelas.

Como toda e qualquer indústria que tem que botar seu produto a venda no mercado, é um estresse grande pra fazer com que isso engrene. Sair dessa área foi a melhor decisão que eu tomei esse ano, viver uma vida além Projac. Parece que eu estou relaxando, depois de três anos, no Pantanal.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

ENAFA3A

No mês de outubro, em Guaratinguetá, foram dias de alegria sem sorrisos amarelos, pois teve como registro a terceira confraternização da minha família Barcel(l)os. Para quem tem uma boa memória carnavalesca me reportei ao samba em homenagem ao Círio de Nazaré que acontece sempre no segundo domingo de outubro que esse ano calhou de cair justamente no dia da padroeira do Brasil. Nazaré e Aparecida combinaram, e assim como elas, nós também combinamos de fazer o terceiro Encontro Nacional da Família Barcel(l)os e Afins, também conhecido por ENAFABA.

Na verdade a gente considerou o terceiro por que no primeiro, que se tornou o primeiro a partir do segundo, estabelecemos que de dois em dois anos a gente iria se encontrar só por se encontrar, sem nenhum motivo de festejos ou comemorações. A cada ano que passa a tendência da família, de toda, creio eu, é crescer, se expandir, se ramificar acarretando em conseqüências cujas circunstancias explicam, tipo trabalhar e morar em lugares mais longes, por exemplos. Desses três contabilizados esse foi o que teve o maior número de faltosos. Dos oito núcleos três não compareceram e dois estavam desfalcados. Nem sempre será possível reunir todos numa emoção, uma só voz, uma canção. A vida é uma constante aventura com surpresas e obstáculos os quais volta e meia nos impedem de curtir certas passagens como uma reunião de família.

Foram vinte e quatro horas confinados numa casa tal qual um ‘Big Brother` - aliás, se for pegar ao pé da letra, era exatamente isso, não só entre irmãos, mas entre todos os graus de parentesco que existe numa família. O local escolhido foi a mesma chácara onde se deu o noivado do meu primo Tiago com a Taís, já casados há um ano e três meses. O tempo, que durante a semana parecia não querer dar trégua das constantes chuvas e temperaturas baixas, melhorou pra que a gente pudesse curtir tudo com menos uma preocupação. Vejo isso também como sinal de que mesmo no âmbito celestial a família está bem representada, intervindo nas características do tempo com o responsável por isso e torcendo também pra que tudo desse certo com a gente aqui em baixo. Deu até pra tomar um banho de piscina enquanto o frio não batesse.

A cada encontro que passa o painel de fotografias fica em edição revista e ampliada, com mais lâminas expostas ao público. Vai chegar ao ponto em que não haverá mais paredes pra grudar tanta folha de cartolina com as fotos, de modo que é mais prático fazer uma vídeomontagem e reunir o pessoal em frente à TV pra assistir, o que também já acontece em boa escala, de modo que um disco futuramente não será suficiente dado o tamanho, a quantidade acumulada que todos da família têm de fotografias, principalmente depois do surgimento e aquisição pela gente das máquinas digitais. Haja fotografia.

Em relação à alimentação não tínhamos do que nos queixar. A taxa por pessoa incluída a diária e a comida saiu a menos de R$ 100. Um churrasco muito bem servido durante o dia, um lanche bem reforçado a noite e um café da manhã no dia seguinte que mais lembrava um banquete medieval com inúmeras opções de quitutes pra nosso bel prazer. Um pouco antes da nossa partida meu primo Léo me deu a incumbência de escrever o hino oficial do encontro. Eu nunca fui compositor, ainda mais que eu nem tenho idéia da melodia. De qualquer modo eu fiz três quadrinhas e um refrão. Claro que ele tem toda liberdade poética de modificar e, caso aconteça dele fazer outra letra descartando por completo essa feita por mim, de modo algum ficarei chateado por conta disso. Muito pelo contrário. Assim que estiver pronta e for divulgada estarei perfilado, em posição de sentido, cantando com muito orgulho o que quer que seja criado nesse sentido.

Não se sabe onde e nem quando, só que será em 2010 o nosso quarto encontro.