terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O QUE SE LEVA DA VIDA?

Nessa vida, acho que todos nós deveríamos experimentar um pouco de tudo sempre arcando com as conseqüências e responsabilidades que esses experimentos trazem. É uma dádiva a gente poder modificar nossos conceitos e opiniões sobre tudo, ser realmente uma metamorfose ambulante. Talvez por isso, por sempre querer conhecer histórias, processos e evoluções que me considero uma pessoa mesquinha no sentido de não ter um objetivo concreto e específico de vida, principalmente no campo material, a não ser o de encontrar o prazer e a felicidade naquilo que eu me proponho a fazer. O cerceamento e a limitação me incomodam, mas nem por isso eu vou deixar o meu lado cartesiano, aquela coisa certinha, regrada e metódica que vem me acompanhando desde pequeno e nem vou deixar de lado a minha formação pessoal, os valores e o caráter que a minha família incutiu no meu crescimento e desenvolvimento como ser humano, ou seja, sou o porra louca mais centrado e consciente que conheço no mundo.

Sou bastante desapegado das coisas materiais, o que pouco imaginava quando menor, e tenho um espírito muito aventureiro por esse ofício, se é que a gente pode falar assim, de querer saber, de adquirir conhecimentos, de encarar de peito aberto, uma novidade. E é exatamente isso que estou fazendo desde o dia 25 de novembro. Pra quem não sabe ainda, me desfiz do único bem material de alto valor, do meu único patrimônio até então, um carro, e com o dinheiro da venda e apesar de toda essa crise econômica global, parti pra Europa.

Uma mochila nas costas e o pé na estrada. Já que a idéia se concretizou, a cidade escolhida foi Londres. Assim como os retirantes procuram as grandes cidades como Rio e São Paulo pra tentar a vida, escolhi Londres como meu ponto de apoio pra essa nova empreitada ou aventura da minha vida. Dali posso rodar pra outros países e conhecer mais histórias e culturas.

Ao procurar as agências de intercâmbio fiquei sabendo que tanto pro Reino Unido quanto pra Austrália não se sai daqui com um emprego garantido como se faz no resto do mundo. No entanto, desde que haja um respaldo de um curso, há a permissão, ao menos em Londres, pra se trabalhar meio período por dia. Minha idéia inicial seria de pegar esse curso por um ano, mas em meio a essa crise, com a disparada do dólar só pude me garantir por lá até o mês de junho. O curso é de inglês mesmo.

Apesar de ter pegado meu diploma do Brasas há onze anos, tá um pouco enferrujado, mas sai quando tem que sair. E como estarei in loco a prática é questão de sobrevivência. Sei que a dificuldade inicial é grande. Aliás, o início de tudo é difícil, e como eu gosto de novidades, como a minha motivação é justamente desvendar o que eu não conheço, a dificuldade já faz parte.

Não tenho idéia do que vai acontecer comigo na capital inglesa. Sei que tenho que me virar, mas com alguns contatos já arrumados, sei onde pisei e cheguei. O que vai acontecer daqui pra diante só mesmo vivendo o dia-a-dia dessa terra fria e acinzentada. A saudade de vez em quando bate. A vontade de correr pro colo da mamãe e comer uma comidinha caseira também é sentida, mas eu tenho que superar isso, que não é tão difícil, apesar do meu apego ser para com as pessoas e não pelas coisas. Deixei família e amigos na certeza que essa última lista crescerá ao menos mais rápido que a outra.

Sempre que eu rompo o ano ou com amigos novos ou em lugares diferentes, é sinal de que aquele ano promete ser fantástico. Dessa vez estarei com as duas situações ao meu favor. Espero que essa ‘simpatia’ se confirme, mas essa resposta só terei no fim do ano que vem. Um excelente ano novo cheio de novidades e esperanças pra todos nós, embora o meu tenha começado um pouco mais cedo.

domingo, 21 de dezembro de 2008

JÁ?

Estamos às vésperas do Natal. O ano que vem já começa a dar sinais positivos e é hora de fazer aquele balancete anual desse que se despede daqui a alguns dias. Claro que se eu for relatar tudo aqui teria que ocupar no mínimo doze vezes esse espaço e, por ser um balancete, somente o que for importante deixarei registrado.

Começando do princípio, em janeiro eu estava de coleira, já supervisionando a figuração no especial sobre o grupo Mamonas Assassinas. O primeiro dia de gravação foi dia dezessete de janeiro no ginásio do América Futebol Clube, na Tijuca.

No início do mês de fevereiro foi carnaval. Eu particularmente discordo desses calendários malucos e dependentes do sol que fazem os feriados da páscoa e carnaval transitarem por diferentes datas na folhinha anual. Curti, como todo ano o carnaval como um louco perdido, um pinto no lixo. Tiro esses quatro dias pra me perder pelos blocos do Rio sem saber que horas e como volto pra casa, mas sempre volto pra comer, tomar banho, ver de relance o desfile, dormir, acordar e partir pra outro bloco no dia seguinte até eu me transformar em cinzas na quarta-feira. Alguns dias depois encerramos as gravações do especial.

Somente dois meses depois foi dada a largada pro segundo especial do ano. A homenagem agora era pra Dolores Duran. Entre dezoito de abril e o princípio de maio fiquei mergulhado na fossa de suas composições e na intensidade da vida dessa mulher. Essa foi justamente a época do meu aniversário e do nascimento do meu sobrinho. Fiquei tão radiante com esse pequeno ser que tomou conta e modificou minha vida de certa forma que esse gostinho foi um dos fatores que me fez largar tudo e partir pra outra.

Depois de três anos e dois meses envolvido com figuração decidi largar aquela vida vulgar, limitada e altamente sugadora e no dia treze de maio pedi minha carta de alforria voltando lá apenas duas vezes, das quais uma foi pra devolver a coleira e a outra foi mais agora pro fim do ano pra me despedir de amigos muito queridos que fiz por lá. O motivo dessa despedida falarei mais adiante.

Em junho passei por uma experiência maravilhosa apesar de bastante rápida. Uma semana em Nova Yorque. Recomendo a todos os viajantes cosmopolitas que ao menos uma vez na vida pisem em Nova Yorque. Na volta ainda tentei mais um pouco forçar um projeto de um programa de TV a cabo que acabou ficando barrado na questão de patrocínio, mas isso um dia ainda será revisto. Essa viagem me fez pensar em algumas coisas e me fez tomar decisão que acho que todos que tiverem oportunidade deverão fazer.

Tem gente que acha que pensar e encarar uma decisão dessas é coisa de louco, insano, maluco. A esses eu respondo com duas frases da tia Rita (Lee): “essa vida é muito louca e loucura pouca é bobagem” e “mais louco é quem me diz que não é feliz, eu sou feliz”. Novembro foi o mês de arrumar documentação e malas e cruzar o atlântico para uma nova descoberta.

Esse ano pra mim foi o ano do conhecimento. Conheci muitas pessoas e fiz mais amigos. Tive frente a frente com algumas pessoas que tenho admiração, inclusive as duas mulheres de vida pública que mais idolatro. O próximo ano certamente será diferente Até pelo fato da novidade vir um mês e cinco dias antes da virada do ano. Será também um ano de bastante conhecimento que, além das pessoas, como esse ano, vai atingir a cultura, o modo de vida e todo o resto no que diz respeito a minha vida nova.

Como diz o dito popular, ano novo é vida nova. No meu caso a vida nova começou um pouco antes do ano novo. Provavelmente pra questões de adaptação, mas mesmo assim já estou pronto e renascendo pro que der e vier.

domingo, 14 de dezembro de 2008

ÁGUA BENTA

Riquinho, o meu sobrinho, foi batizado mês passado. Mais precisamente em dezesseis de novembro na igreja de São Lourenço, num lugar conhecido como ponto cem réis, no início da Alameda São Boaventura, no Fonseca. O motivo da cerimônia ter sido lá é o fato de que as outras paróquias, como o Salesiano aqui do lado de casa, exigir mais dos pais e padrinhos.

Para fins de esclarecimento, eu não sou o padrinho do meu sobrinho. Meu irmão teve o discernimento de não me convidar, mas sim de oferecer esse cargo para o meu primo Gustavo. Eu já sou padrinho do Victor Hugo, filho do meu primo Léo e numa escala de zero a dez eu devo estar em menos dois. E se eu já sou péssimo padrinho de um, imagine como ficaria a situação com dois. Dois também é o número que tenho de afilhados de consagração. Nesse sentido a minha responsabilidade para com eles é noventa e cinco por cento menor que o padrinho que molha a cabeça da criança. Riquinho Fo o segundo, se juntando ao Miguel, filho do meu primo Luis Antônio. Não me lembro agora pra que santo o Miguel foi consagrado. Sei que Riquinho foi pra Nossa Senhora. Nada melhor pra uma criança que uma figura maternal.

Não vou aqui discutir sobe os dogmas eclesiásticos de modo que eu respeito bastante, não julgo certo ou errado, e até sigo boa parte deles. Eu só acho que a velocidade de evolução da igreja, e falo especificamente da católica, está bem abaixo da velocidade de evolução do mundo. Em pleno século XXI ela quer continuar a se ater a coisas do século XVIII. Daí o Riquinho ser batizado fora da paróquia de origem dele e dos pais. Antes, pra se batizar uma criança bastava que pais e padrinhos tivessem sido batizados também. Hoje a exigência mínima é que ao menos um dos padrinhos seja crismado. No caso do Victor Hugo a Thais era. A única excessão achada foi justamente a igreja de São Lourenço.

Abrindo um parêntese, imagina se todo padrinho de casamento tivesse que ser casado. Eu não poderia apadrinhar os cinco casais sob minha presença e testemunha ocular. Acho que dou mais sorte com casamento que com batizados de modo que apenas um casamento, por enquanto, não vingou.

Agora, mesmo essa excessão tem os seus sacrifícios. O primeiro foi a hora do batizado. Normalmente acontecido nas primeiras horas de domingo, esse foi marcado pra começar ao meio dia. Ao menos o dia da semana foi mantido. O segundo foi a quantidade de ‘batizandos’ reunidos na igreja pra celebração. Trinta crianças. Trinta. Uma quantidade absurda. Trinta crianças e casis de pais e padrinhos é pra lotar a igreja sem a presença dos parentes, o que foi estranhamente pedido pelo pároco.

O desejo dele é que fosse uma celebração praticamente a portas fechadas, tanto que no final o recado dado por ele foi que ninguém divulgasse os detalhes da celebração do batizado daquela igreja pra ninguém visto que ele deve modificar a pastoral do batismo. Espero que para melhor. Ele chegou até a se ajoelhar pedindo silencio total e absoluto à igreja que estava cheia para que a cerimônia fluísse bem e não precisasse dividir os trinta em duas turmas, de modo que a primeira iria do meio dia as duas e a segunda de duas as quatro. Um padre ameaçador, punidor. Depois não querem que as pessoas se afastem dela.

Por volta das duas da tarde acabou a cerimônia. Pra comemorar, conforme previamente combinado, fomos almoçar no restaurante ‘A Mineira`. Nem todos que estiveram na igreja puderam ir ao almoço. Mesmo assim a mesa ficou cheia. Em torno de quinze pessoas comeram a vontade, do bom e do melhor que se pode obter, desde comida mineira, proposta do restaurante, até incursões para outras cozinhas como a japonesa e a italiana. Riquinho também come e muito, frutas e papinha. Benza Deus.

domingo, 7 de dezembro de 2008

REENCONTRO

A vida nos faz tomar certos rumos que nos afastam de momentos que a gente sempre quer relembrar. No mês passado conseguimos nos agrupar pra rememorar momentos que nos esforçamos pra nunca apagar da nossa memória.

Tudo começou com uma jogada de idéia entre os orkuts de Carlinha e Delisete. Idéia que foi disseminada e concluída no início de novembro. Durante meses buscamos as pessoas que durante um bom tempo conviveram no prédio cujo endereço continua o mesmo. Contactamos praticamente todos os conviveres de uma geração alegre e feliz que cresceu durante os anos oitenta com os sonhos e esperanças inerentes a época. Claro que tudo isso muda com o passar do tempo, mas durante algumas horas tivemos o poder de voltar no tempo, ao menos nas nossas mentes, já que a carcaça, essa não tem como retroceder mesmo.

Pessoas que não se vêm há quinze, vinte anos novamente ficaram juntas. Infelizmente nem todos puderam comparecer e sei que a dificuldade de fazer com que realmente todos se encontrem é grande dado os afazeres individuais. Da ala masculina eu fui o único representante. Meu irmão apareceu e ficou por lá durante dez minutos. André também foi e apesar de conviver o tempo todo conosco, era um morador ‘adotado’do prédio. Fizemos de tudo. Fiquei responsável pela produção da festa. Desde contactar o pessoal, até passar via mail ou orkut a conta para que depositassem o valor estipulado que foi quinze reais para solteiro e vinte e cinco para casais fora as bebidas que cada um trouxe a parte.

Eu confesso que fiquei preocupado com a quantidade de comida. Achei que ia faltar. Havia o pão a metro, as tortas e o cachorro quente de salgado e os dois brigadeirões e a torta de baba de moça na parte doce, isso sem contar as guloseimas que tiveram – bala, chiclete, pirulito, confeti, bala de goma, paçoca e pé de moleque. Dos salgados sobraram uma torta e um pouco de cachorro quente e dos doces grande parte da torta de baba de moça encomendada na Poção Mágica, loja especializada em tortas e doces.

A decoração ficou a cargo de Carlinha que teve a brilhante idéia de fazer um painel com discos de vinil e botar como rótulo a nossas caras em fotos grupais de várias épocas nossa. Um outro painel com fotos coloridas contornando um cartaz que ficou lá pra que puséssemos nossos recados. As paredes tinham várias capas de discos (os que estavam no tal painel) da época, a grande maioria trilha de novelas. E vários CD’s fazendo papel de móbile nas luminárias do salão. Carlinha sempre teve jeito pra isso.

Infelizmente Mariane teve que sair cedo por conta de Maria Tereza, sua filha, e não ficou pro auge da festa que foi a reunião de todos defronte a televisão pra assistir o DVD feito por Juliana com algumas fotos nossa que ela havia recolhido. Além das fotos ela ainda teve o trabalho de inserir imagens de vários brinquedos, guloseimas roupas e acessórios que marcaram de algum jeito a nossa infância. Juliana ainda teve a idéia de dar um pra cada participante de recordação. Como é bom rever e reviver certos momentos.

Como diz o ditado, recordar é viver. Naquela época tínhamos a capacidade de nos unirmos pra brincar, pra criar, pra sonhar e como seria bom se toda criança tivesse um pouquinho da infância que nós tivemos. Ainda pegamos a fase das relações humanas que não era cerceada ou limitada pelos bytes da informática. Não estou dizendo que agora é melhor ou pior que no meu tempo. Só estou garantindo que os simples gestos de olhar ao vivo, conversar e interagir no mundo real desde criança dá muito mais caráter, dignidade e conhecimento pra um ser humano. E nós tivemos essa oportunidade, muito rara atualmente.