quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (19)

A atração principal da noite, aquela que praticamente fechou o dia foi um show com a cover inglesa da Diana Ross. Claro que o show não era O show, mas quebrou um galho. Até que minha recepção pela cidade foi agradável. Um pouco descansado da rotina de albergues, com uma festinha pra ir eu tava bem.
O meu combinado com o Renan era de eu ficar por lá até o fim de julho, ou seja, eram quinze dias, a primeira grande pausa que fiz nessa viagem. Como o Renan só pode trabalhar durante as férias da faculdade dele, o que se resume a três meses por ano, de junho a agosto, ele não podia ficar em casa, me dando atenção. E já estava fazendo muito em me hospedar lá. Combinamos o seguinte então: passaria aquele fim de semana com ele, ficaríamos juntos e tal e no outro fim de semana, até pelo fato dele já ter um compromisso préviamente marcado, eu não poderia ficar com ele, ou na casa, pois ele e o Rene não passariam o fim de semana lá. Foi a minha deixa para passar um fim de semana na louca, louca cidade de Amsterdam, e depois ficaria lá com ele até a sexta seguinte quando meu destino era a Bélgica.

Enschede, a cidade que o Renan mora é agradável, mas é pequena. Tão pequena que se você espirrar numa ponta da cidade alguém na outra te fala saúde. Na sexta feira eu acordei e bem devagar me arrumei pra dar uma volta na cidade. Volta essa que me fez conhecer praticamente a cidade inteira. Voltei mais ou menos na hora em que o Renan chegava em casa, geralmente entre cinco e cinco e meia da tarde.

No sábado fiquei o dia todo a disposição dele e do Rene. Fomos dar uma volta no centro da cidade. Pra se ter uma idéia essa área do centro se parece com o shopping Downtown, na Barra da Tijuca. E o Renan morava num dos poucos prédios da cidade, ou seja, o apartamento dele era praticamente um mirante. Na esquina da rua dele ficava o maior prédio que talvez desse um prédio e meio do dele. No sábado a tarde nós fomos buscar um amigo dele que mora em Amsterdam na estação de trem. Ele também foi com a gente a noite numa boate que tem lá.

É uma coisa impressionante. Todas as músicas que tocavam lá, tocam em todos os lugares. A excessão de uma, que particularmnte eu adorei. Cerca de vinte anos atrás essa música estourou no Brasil, ou melhor, o ritmo fez um grande sucesso e essa música é como se fosse a representante da lambada. O sucesso ‘Chorando se foi’ do grupo Kaoma, voltou ao topo da lista, uma das músicas mais executadas nas rádios da Alemanha e da Holanda. Em umaq versão remixada, mas eu pude cantar junto e fiquei bem feliz ao escutá-la.

No domingo eles me levaram pra ver uma das quatro coisas que não se pode deixar de ver na Holanda, se bem que dessas quatro eu não vi uma. Na verdade, eu vi duas das quatro no mesmo dia. Enquanto eles me levavam pra ver um autentico, verdadeiro e antigo moinho, as vacas holandesas vieram como brinde, já que no caminho podiamos vê-las. Depois desse pequeno passeio fomos pra casa da mãe do Rene. Uma senhora simpática e pela segunda vez – a primeira foi com a do trem de Milão pra Veneza - eu não podia conversar com ela, a não ser com a interferência do Renan, o único que falava holandês e português por lá.

Esse canal de línguas era meio estranho porque eu falava em português com o Renan, em inglês com o Rene e eles quando falavam holandês entre si eu ficava boiando. Volta e meia a gente arriscava a bater um papo em inglês e até que saia legal. Lá pelo menos todos os que eu conheci falavam ou arranhavam o inglês e dava pra eu me virar numa boa. Mas a mãe do Rene não falava uma palavra em inglês.

Soube, por intermédio do Renan que o sonho dela era conhecer o Vaticano. É meio que uma contradição por que a Holanda não tem uma religião oficial.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (18)

Só sei que o Potão de Brandemburgo era o meu lugar preferido. Berlim tem alguns pontos, como o Check Point Charlie, a fronteira do muro, ou a própria Alexanderplatz que expunham em seus painéis fotografias famosas da história da Alemanha, mais restrita na extinta fronteira do muro e mais ampla na praça, muito interessante pra quem gosta de história e quer saber o que aconteceu àquela cidade de vinte anos pra trás.

Outro lugar bastante interessante que foi mostrado no free tour foi o local onde Hittler tinha seu bunker. Tem um filme chamado “A queda – as últimas horas de Hittler” que mostra os últimos dias de vida do ditador naquele local. Quando descobriram ao fazerem as escavações pra reconstruir e re-urbanizar o local decidiram não deixar aberto a visitação pública e aterraram o local. Hoje, se não tem uma placa avisando, ninguém saberia que estaria pisando sobre o bunker de um dos homens considerados mais cruéis e ruins de toda história mundial. Não sei dizer se isso é ironia do destino ou se fizeram de propósito, mas o bunker é bem perto do memorial aos judeus.

Voltando a noite de Berlim, na minha máquina, pra se tirar fotos noturnas não se pode utilizar o flash. Não só fotos noturnas, mas como em certos interiores, principalmente de igrejas, pois com o flash o objeto fotografado fica mais opaco, mais escuro e além disso tem que ser em grande angular, ou seja, se eu utilizar o recurso de zoom, a luminosidade natural, que já não é boa, fica menor ainda. Portanto foto a noite é sem flash. Assim eu consegui fotografar a lua dentro de uma janelinha do Coliseu, em Roma, por exemplo.

Eu sinceramente não sabia o que iria fazer na terça. Depois do susto do furto já não podia gastardinheiro. E de acordo com o mapa já teria visto tudo em Berlim. A única coisa que eu teria que fazer seria deixar a mala mais ou menos ajeitada pra no dia seguinte depois do café da manhã fechar tudo e partir. Fui eu lá andando novamente em direção ao portão, dessa vez sem preocupação nenhuma de tempo.

Em Berlim não entrei em nenhum museu e só visitei as atrações gratuitas que eu descobria. Também achei que seis dias lá foi muito. A não ser se eu pudesse ou quisesse fazer um outro tipo de passeio, como visitar os campos de concentração, aí sim o tempo seria ideal, mas me encontrando na situação de mochileiro e ainda mas com a grana roubada, não tinha mesmo mais o que fazer.

Fiquei perambulando, tirando a últimas fotos e voltei pro albergue pra me conectar a internet. Ainda havia um tempinho, mas não gastei tudo. Calculei pra deixar uma hora pro dia seguinte. Aliás o dia seguinte foi tudo calculado, e pra sorte minha muito bem calculado. Acordei, tomei café e fiz o check out do albergue na hora marcada que não me lembro se foi as dez ou onze da manhã, e fiquei no lobby gastando minha última hora de internet. Quando meu tempo acabou, guardei a mala e a mochila no compartimento de malas e fui no mercado comprar uma mousse de chocolate que eu pensei que não tivesse grana suficiente para a sobremesa do dia anterior. Voltei, botei a mousse na mochila, já que eu comeria na estação enquanto esperava o trem.

Meio dia e meia eu saí do albergue. O dia tava bonito e eu iria devagar e a pé até a estação, que não ficava tão longe do portão de Brandemburgo. Não sei o que houve comigo em Berlim, mas foi lá que tudo aconteceu. A menos de quinhentos metros do albergue as rodinhas da mala quebreram e eu comecei a carregá-la na mão. O esforço começou a crescer e de tempos em tempos eu tinha que parar pra descansar meus braços. Carreguei ela de tudo quanto foi jeito: pela alça de cima, pela alça lateral, abraçando ela e cada vez mais cansando e transpirando.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (17)

Enfim, voltei pro albergue e gastei um pouco mais do meu tempo de internet. Ainda tinha que passar no mercado pra comprar a salada nossa de cada dia. O dia seguinte já era segunda e eu já tinha visto e fotografado praticamente tudo em Berlim, então aquele dia eu tinha que ver no mapa os pontos que eu ainda não havia visto. Todos eles mais próximos do albergue, ou seja, andaria muito menos que no dia anterior. Além disso, era o dia que eu ia tirar pra caminhar a noite e fotografar os monumentos iluminados, de modo que a divisão que eu fiz foi sair pela manha e o intervalo entre o a primeira e a segunda pausa eu passaria no albergue pra poder sair a noite.

Os pontos que apareciam como importantes no mapa eram só três e apenas um ficava mais afastado, não tanto quanto o palácio do dia anterior, não pra atravessar a cidade, ou seja, daria pra fazer tudo pela manhã e ficar com a tarde livre. Arotina matinal de segunda foi a mesma. Por volta das dez da manha saio eu em busca de dois ponos ressaltados no mapa. O primeiro era uma casa de cultura e o segundo era um monumento ao socialismo com a cara do Lenin. Por volta do meio dia voltei pro albergue. Não havia levado sacola com comida naquele dia, até por que não ia ficar na rua o dia inteiro. Voltei, tomei um gole de água e saí novamente. Em busca de uma escultura gigantesca do perfil de três soldados que fica dentro do rio que corta Berlim. Fui lá, tirei as fotos, aproveitei pra tirar também de uma parte do muro que fizeram uma espécie de balneário às margens de um trecho do rio com o muro de fundo e do outro lado os grafites e pinturas, muito bacana.

No horário da minha primeira pausa eu estava no albergue e percebi uma coisa diferente. Se eu comprei uma caixa com doze bolinhos e comia dois por dia o número restante deveria ser par e estava em ímpar. Alguém andou futucando minhas comidas. Abri a mochila e fui direto no meu cofre forte. Descobri que não era tão forte assim. Não passava de uma lata de biscoitos onde eu guardava algumas coisas de valor ou não dentro de um dos compartimentos da mochila.

Quando eu saí de Londres, Emma, minha amiga framcesa havia me dado um cartão. Dentro desse cartão guardava meu dinheiro mais alto, as notas com mais valor e havia por lá cem euros que me foram levados também. Dentro dessa caixa também estavam os passaportes e os cartões tanto o de crédito do Brasil quanto o de débito e o da poupança da Inglaterra. E dentro da mochila tava o lap top. Pra sorte minha o gatuno só levou o dinheiro e nem teve a consideração de me deixar o cartão que a Emma fez com todo amor e carinho. Conclusão: primeiro furto que sofri. Além do euro do banheiro mais cem que eu estava guardando pra gastar ao longo da minha estadia na casa do Renan, na Holanda, para a qual seguiria dali a dois dias. Ainda havia alguns trocados pra que eu pudesse comer durante os dias que me restavam pelo menos até eu chegar no Renan.

Como eu não tinha o que fazer em relação a isso,toquei pra frente. Não pudia avisar ao albergue sobre uma coisa da qual eles não tinham culpa, pois se meu armário não tinha tranca e era muito pequeno pra eu guardar tudo a ponto de deixar a mochila debaixo da cama e as compras entre a cama e a janela, não era responsabilidade deles. Acusar uma pessoa sem provas também não era o certo, se bem que as pessoas que eu desconfiava haviam deixado o albergue naquele dia. A partir de então tornei a andar com o cartão de crédito na carteira e não me desvencilhava dela nem pra tomar banho. Enfim, saí pra tirar fotos noturnas de Berlim. Adivinha pra onde eu fui? Aquele lugar me enfeitiçou. Sempre pra lá que eu ia. O motivo de eu gostar tanto de lá até agora não sei. Acho que a atmosfera, os filmes de guerra, o fato daquele lugar ser importante.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (16)

Fotos, fotos e mais fotos de tudo quanto é tipo, jeito e ângulo. Esse palácio, parte dele, até me lembrou o Palácio Imperial de Petrópolis. Pode ser que pela foto não tenha nada a ver no sentido da arquitetura, mas sei lá, o clima dele, aquela atmosfera me reportou aos tempos do Brasil Império, que não vivi, mas conheço através dos livros de história.

Não to lembrando do nome desse palácio. Talvez eu tenha escrito na foto lá no Orkut e tô com preguiça de pegar o mapa pra lembrar. Claro que como todo lugar se pagava pra entrar e visitar e eu tava fugindo desse tipo de lugar. Só fiquei por fora tirando as fotos. Também não fiquei mais do que o suficiente por lá, até por que o caminho de volta também era longo. Já havia passado da hora da minha primeira pausa, do meu almoço.

O fato que eu vou relatar agora significou a primeira vez que me senti realmente lesado. Como dise anteriormente aqui na Europa geralmente se paga pra ir ao banheiro. E geralmente eu ia ao banheiro nos meus momentos de pausa Às vezes na segunda pausa eu não ia e esperava chegar onde eu estava pra poder utilizar o banheiro sem pagar, mas nem sempre. Como nesse dia já havia passado um pouco da hora da minha primeira pausa, procurei um banheiro pra poder fazer minhas necessidades, mais precisamente o número um. Quando estava indo eu passei por um Burger King e caso voltando eu não achasse outro lugar seria ali mesmo. Assim foi.

Como carregava um saco plástico com água, suco, biscoito e bolinho não queria entrar cheio de comida pro restaurante fast-food. Morrendo de medo larguei o meu saco num canto do lado de fora. Medo de alguém pegar e levar, apesar do tempo em que fiquei longe dele ser muito curto e acreditando que ninguém o fizesse até pelo fato de ter mesas e cadeiras do próprio Burger King naquela área e de pesoas que ali estavam verem que quem deixou o saco ali fui eu. Entrei direto no banheiro sem pagar. Na saída peguei minha carteira e abri o compartimento de moedas pra ver se eu tinha moedinha suficiente. Não. Não tinha trocado. A única moeda que eu tinha era uma de dois euros. Também não ia sair dali dando calote. Entreguei minha moeda pra senhora que zela pelo banheiro. Ela agradeceu e ficou por isso mesmo. Dois euros creio que é em torno de cinco, seis reais. Claro que reclamei. Tava dando quase dez vezes mais do que o pedido pra colaboração. Pedi troco. Ela me olhou com uma cara de alemã não amigável, deve ter me xingado internamente e começou a contar as moedinhas. Pedi só pra ela me voltar um euro, e ela assim o fez. Agora, pagar um euro pra mijar é muito. Nunca mais fiz isso, mas ali eu realmente precisava pois só havia feito antes de sair do albergue e já eram cerca de três da tarde.

Um euro mais pobre segui minha caminhada até o banco de praça na sombra mais próximo que encontrei a poucos metros da mijada mais cara que dei. Sentei durante a meia hora de pausa pra comer e beber. O bom dessa pausa pro almoço também era que o saco que eu carregava ficava mais leve.

Ao chegar de volta no portão de Brandemburgo eu fiz mais uma pausa de modo que fiquei circulando naquela área, a minha favorita. Ali eu vi um show de rua maravilhoso. Uma banda de Copenhagem, na Dinamarca, fazia sua apresentação de rua, mas eles tocavam músicas mundialmente conhecidas e a performance era fantástica, sobretudo por que eles interagiam com os expectadores e volta e meia alguns largavam seis instrumetos e demonstravam uma dança. Digno de se fazer um vídeo. Se o outro foi pra mostrar, denunciar uma coisa de ruim que ocorre na Fontana de Trevi, na Itália, esse foi pra mostrar que nem só de lembrança de guerra vive Berlim e aquela banda estava lá pra entreter e alegrar ainda mais o povo que, como eu, parou pra assistir.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (15)

O mais fascinante da cidade é que às vezes uma mesma edificação pertenceu a três fazes diferentes da história da Alemanha, como nos tempos da Prússia, na época nazista e na fase da guerra fria. Aliás, por mais que a gente sabe que até vinte anos atrás a cidade era dividida pelo muro, é difícil imaginar como isso era possível. E hoje o muro, além de alguns pedaços que ainda permanecem em pé, é todo marcado por duas linhas de paralelepíedo por onde ele passava. É demais você por um pé na antiga Berlim ocidental e outro em Berlim oriental. E outra, o muro tinha um trajeto tão louco que em certas horas eu não sabia em que lado que eu estava.

A guerra ainda é uma constante na cidade. Também não podia ser pra menos. A questão da intolerância religiosa ou sexual que tinha vigência durante a época também é lembrada com umas instalações em praças públicas ou com memoriais construídos em homenagem. Algumas histórias curiosas como uma igreja francesa onstruida de frente e igual a uma igreja alemã num tempo em que a mão de obra francesa veio ajudar a construir Berlim, ou a estátua que fica sobre o portão de Brandeburgo que também tem a ver com os franceses que a tomaram e depois a devolveram pro local e curiosamente ela fica olhando pra embaixada francesa que fica ali na praça mesmo. Várias histórias cercam aquela cidade que é moderna apesar de conservar a história de vergonha do passado.

O orgulho dos alemães em dizer erramos sim, mas estamos tentando reparar nossos erros há mais de sessenta anos tem dado certo. A própria estação central de trem que foi desativada durante um bom tempo há três anos foi modificada e se encontra bem moderna. Enfim, Berlim tem suas curiosidades e é uma cidade que diferente de Roma, em que se olha pra baixo, tem que se olhar pra frente. Andei até uma parte da cidade, onde se encontra o zoológico, e mais a frente outra história curiosa. Uma igreja destruída pela guerra ficou mantida em seus escombros e uma outra, com prédio mais moderno construída bem do lado, em frente a uma praça bonita com uma fonte bem moderna onde há um shopping.
Lá fui ao banheiro. Não tinha jeito. Tem que se pagar pra mijar. No mínimo trinta centavos são despendios prase soltar água do joelho. Mijar na rua eu não consigo, e mesmo se conseguisse aqui não é legal e a multa é uma facada. Pois bem, fiz o mesmo caminho de volta e no dia seguinte iria passar novamente por lá, mas pra uma outra direção.

Se o albergue ficava perto da Alexanderplatz que praticamente era onde começava – ou terminava – a avenida do Portão de Brandemburgo, do portão pra trás havia uma outra avenida grande e larga que cortava o parque e mais pro meio tinha uma rotatória onde havia um pedestal com a estátua que eles chamam de Irina (ou Vitória) bem no alto. Era um ponto que se podia visitar. Pode-se subir nesse pedestal e ficar aos pés da estátua mediante o pagamento de três euros. Claro que não o fiz. Aliás, depois de subir na cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano, pensava muito em subir em outro lugar. Tanto pra essa igreja destruída quanto pro lugar que eu ia no dia seguinte iria passar por ali. Volto eu pro albergue terminando mais um dia de Berlim. Era sábado e eu tinha até quarta pra explorar ainda mais aquela cidade.

Domingo foi o dia em que eu tirei pra andar, pois de acordo com o mapa o ponto que eu ia ficava literalmente do outro lado da cidade. E eu fui andando. Nada de pegar condução, pois chegando rápido o ócio vinha rápido e justamente pra não ter nada pra fazer fiquei andando até chegar no ponto em que eu queria, um palácio bonito. É sempre assim. Quando a gente vai demora muito pra chegar e a volta parece ser mais curta, a não ser quando o cansaço te acompanha, aí parece que nunca chega.

domingo, 8 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (14)

Eu tinha que ser um pouco ligeiro pela manhã, então oito e meia era a hora que eu despertava pra me arrumar até as nove e descer pra tomar o café da manha até umas vinte pras dez pra dar tempo de subir novamente e terminar de arrumar minhas coisas pra sair por aquela horae só voltar em torno de sete e meia, oito da noite. A única coisa de ruim que tinha nesse café da Alemanha era a falta do chocolate quente. Claro que era melhor que o brioche com suco de Veneza, mas ainda sinto falta do meu leite matinal com chocolate. Enfim, vida de alberguista tem dessas coisas. E pra quem não tá acostumado a comer nada quando acorda, pão, suco e sucrilhos já é um grande avanço no que diz respeito ao desjejum.

Subi pro quarto e terminei de me arrumar e as dez da manhã um dos guias do free tour estava no saguão do albergue esperando pelas pessoas que quisessem fazer o tour. Claro que tinha brasileiros lá também. Eram três meninas que estavam viajando. Fomos pra estação do metrô. Já comecei a gastar o que não queria e o free não era tão free assim. Enfim chegamos ao Portão de Brandemburgo. Ponto de partida do tour e o meu lugar favorito na em Berlim. Me encantei com ele desde a primeira vista. Lá eles fazem uma divisão das pessoas em grupos e em línguas. Dependendo da quantidade de pessoas havia mais de um grupo que seguia, guias que falavam alemão, espanhol e inglês. Por força de hábito e costume pegei o inglês. Não era o mesmo cara que nos pegou no albergue. As meninas foram pro grupo em espanhol e eu só as encontrei novamente quando o tour havia acabado.

O tempo não ajudou muito. Choveu durante o tour e nós ficamos um pouco molhados em determinadas horas lá. Não deu nem tempo de tirar muitas fotos, não só pelo fator chuva, mas também pra evitar de perder as explicações que ele dava. E eu ainda teria cinco dias pela frente pra poder tirar todas as fotos que eu quisesse. Por ser gratuito, no fim do tour o guia sempre pede por gorgeta. Não sei se eles tem um salário fixo pra fazer aquilo todo santo dia ou se realmente sobrevivem de gorgetas que o povo dá. Vi gente tirando dez euros da carteira. Eu, pra não ficar sem graça, estipulei o valor de dois euros pra cada guia com quem eu fizese esse tour seja em que cidade fosse. Depois de tudo acabado, ao encontrar com as meninas perguntei a elas se elas voltariam pro albergue e como fazia pra voltar pra lá. As duas respostas foram negativas.

Fui eu encarar o metrô de Berlim sozinho novamente. Acertei o caminho. Cheguei no albergue e fui usar mais uma hora de internet. Um pouco mais pro fim do dia resolvi dar outra volta. O tempo havia melhorado um pouco e parecia que não iria chover mais. Peguei uma outra rua reta próximo ao albergue e em cerca de vinte minutos cheguei na Alexanderplatz, ou seja, praça onde praticamente terminava a avenida que ligava aquele lugar ao portão de Brandemburgo, sinal de que estava próximo a região central de Berlim. A partir dessa descoberta o metrô foi abolido dos meus passeios por Berlim. Fiz tudo a pé. Como já estava quase na hora de voltar – o mercado fechava as oito – não demorei muito por lá. Uma coisa que me deixou surpreso foi ter encontrado uma loja da C&A no meio dessa praça. Imagine uma das lojas de cunho mais popular do Brasil cravada no meio de Berlim. Pra decepção minha, já em Enschede, na Holanda, onde há outra filial da loja, o Renan me falou que a C&A é de origem holandesa, mas também tem o mesmo apelo popular.

O dia seguinte tirei pra fazer o tal free tour por conta própria e fazendo o caminho inverso do que eles costumam fazer. Dessa vez sem chuva e com mais tempo pra poder tirar fotos de lugares ou detalhes que não deu pra fazer no dia anterior. Ainda vi outros lugares novos, os quais eu ainda não havia passado. E assim, aos poucos fui conhecendo Berlim.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (13)

O funcionário que me atendeu era português. A gente se entendeu muito bem, mas ele disse que eu só podia entrar no quarto depois das duas e eram onze da manha. É engraçado o fato de a gente falar a mesma língua e dizer palavras com sentidos diferentes. Numa das perguntas que faço, onde era o mercado, ele me indicou e disse que eu podia ter combustível. Eu brincando disse que não era movido a gasolina. Combustível pra eles é comida, coisas que te sustentam em relação a sua forma física. Ele também não entendeu a piada da gasolina, lógico. Só depois que fui entender isso.

Fui eu dar uma volta pela cidade. Pra não me perder, já que estava sem mapa, peguei uma reta e fui andando sem uma direção certa, só memorizando alguns pontos pra não me perder na volta, mas em último caso eu sempre perguntaria. Não aconteceu até agora, mas... Tinha que fazer hora e esse é o único jeito de passar o tempo, conhecer a cidade da melhor forma possível, andando por suas ruas. Quando chegou a um determinado ponto, algumas horas depois de eu ter andado bastante, resolvi voltar. Dava tempo de chegar e ir direto pro quarto. Passei no tal mercadinho e comprei um sanduiche pra comer, pois desde Roma que eu não havia comido nada e a fome tava começando a bater. Comprei só o sanduiche no mertcado, pois o refri não tinha gelado e esse foi comprado no próprio albergue.

Mesmo depois do tempo que levei pra comer ainda tive que esperar mais uns quinze minutos pra finalmente botar minhas coisas definitivamente no quarto.Os armários eram diferentes dos de Roma. Em Roma também tinha um armarinho pra cada um, mas eu peguei um de duas portas grande e fiquei com ele. Dessa vez só tinha o armário que cabia só a mala, ou seja a mochila eu botava de baixo da cama. Mas ainda tinha as compras que ficavam entre a cama e a janela. As fiz logo depois de ocupar meu espaço lá e como sempre fiz estoque pros seis dias que iria ficar por lá. Três garafas de água, três de chá e três de suco, além de quatro pacotes de biscoito e um pacote contendo dez bolinhos tipo Ana Maria.

Nesse albergue eu não podia cozinhar, então toda noite eu ainda passava no mercado e gastava pouco mais que um euro pra comprar uma salada e um potinho de mousse de chocolate com chantily de sobremesa pra comer como janta. Nesse primeiro dia eu comprei também um tipo de almôndega de porco pra comer junto com a salada, mas não podia ficar estendendo essa comida pelo fato de não ter geladeira. Em no máximo três dias tinha que acabar com as almôndegas, depois só fiquei na saladinha mesmo.

Esse primeiro dia resolvi descansar um pouco, depois de instalado eu selecionei as fotos de Roma pra botar no álbum do meu Orkut. Ia fazendo isso aos poucos, pois a internet que eu comprei foi um pacote de seis horas por cinco euros e eu tinha que administrar bem esse tempo pra não acabar antes da hora. Com as fotos, de um modo geral eu fazia o seguinte: primeiro selecionava as que iam pro Orkut, depois as postava lá tentando fazer tudo de uma só vez quando desse e só então as legendava, o que era um outro martírio já que muitas das vezes eu tinha que consultar o mapa pra saber que a que lugar pertencia aquela imagem.

Cheguei a cochilar por duas horas nesse dia. Como eu tinha ganho uma bebida de graça pra tomar no pub por essa noite, acordei e desci. Uma dose do meu licor preferido, o Bayles, foi o drink escolhido. Descobri um free tour pra fazer no dia seguinte que saia do albergue as dez e quinze da manhã. Não tardou muito, mesmo descansado, pra que eu dormisse, pois o dia seguinte seria a retomada da vida de mochileiro, conhecendo as coisas que a cidade tinha pra oferecer, a começar pelo free tour.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (12)

Era o meu lugar preferido e era perto do albergue que eu tava. Dei um tempo e voltei pro albergue na hora do almoço, mas antes eu passei na lavanderia pra pegar minhas roupas e já deixar no quarto. A segunda coisa que eu tinha que fazer era reservar meu bilhete de trem pra Alemanha. Eu tava com medo de na entrada da Alemanha começarem a me fazer perguntas como fizeram na Itália, então eu tinha que entrar no país já com a garantia da saída. Por conta desse desespero fiz uma coisa que não se deve fazer. Fui numa lan house e fiz a reserva de lá. O que eu sabia pra que a compra ficasse segura eu fiz, mas nunca se sabe se quem vai sentar no computador depois do seu tempo é um hacker. Morri de medo, mas fiz. Até agora não apareceu nada de diferente que eu saiba na fatura do cartão de crédito.

Depois de tudo certinho e impresso, inclusive o endereço e o telefone do Renan, voltei pro albergue, guardei os papéis e dei uma última volta por Roma. Fiquei ali mesmo nas redondezas do albergue e me lembro perfeitamente que a última foto que eu tirei foi do Coliseu. Voltei pro albergue, arrumei as malas, comi a última parte do macarrão com atum, já que na noite anterior comi aquela lasanha caseira no restaurante e dormi cedo, já que o vôo pra Berlim era pela manhã e saia do aeroporto de Ciampino, ou seja, cheguei por um e saí pelo outro. Conheço os dois aeroportos de Roma.

No términi sai um ônibus direto pro aeroporto que custa quatro euros. Peguei um que saia as seis e pouca da manhã e em quarenta minutos estava lá, na fila do check-in pra embarcar pra Berlim. O esquema que vigora nos aeroportos é uma coisa complicada. Não sei se foi nesse. Mas teve um deles que por eu ter esquecido de botar o colírio num saquinho plástico transparente me pediu pra voltar e fazer. Um frasco de menos de cem mililitros, que fica dentro do estojo da lente, o cara pediu pra botar num saquinho transparente. E essa história de tirar o tênis e andar num coredor próprio pra ver se não tem nada no tênis. Acho certo, mas atrasa a fila e tem certos pés que não cheiram lá muito bem. Sobre o comércio eu já falei.

Enfim, eis que chego em Berlim. Descemos do avião, pegamos o ônibus e fomos pra dentro do aeroporto. Eu já estava preparado e documentado pra bateria de perguntas. Porém, pra surpresa minha ninguém deu bola pra mim. Entrei na Alemanha sem ser interrogado, como um cidadão europeu. Até pensei em virar pra uma autoridadeque tava lá e pedir praque eles checassem minha documentação, mas deixei pra lá.
Mais tarde, o Renan me disse que os vôos internos dos países que fazem parte da União Européia são considerados domésticos, como um vôo Rio-São Paulo. Eu fiquei mais aliviado por que foi exatamente por esse fato que eu botei Espanha entrando por Madri como último destino. Sei que eles encrencam com brasileiros. Mas agora estou mais aliviado e a preocupação maior é mesmo a volta pra Londres. Ainda falta um pouco. To chegando na Alemanha agora.

Saí do aeroporto direto pra estação do metrô. Segui as indicações que o albergue me deu, mas parei em frente ao mapa do metrô exposto na parede e me parguntei: e agora? Como fazer pra comprar o bilhete? Não tinha guichê. Era tudo na maquininha automática. E como entender aquele mapa ainda por cima em alemão? Tem uns funcionáros que ficam auxiliando nas maquininhas e um deles falava inglês. Ele me indicou tudo certinho e explicou como eu fazia pra chegar no albergue. Inclusive me deu o mapinha do metrô e tudo. Fui tranqüilo e cheguei na estação dele. Claro que saí pelo lado errado, como de praxe, mas acabei me acertando. O albergue era enorme. O maior da Alemanha. Pra se ter idéia o quarto que eu fiquei era o de número setecentos e vinte e quatro, no último andar. Todo moderninho, metálico, futurista, parecia cenário de Malhação. Tinha até um pub que tinha atividades diferentes todo dia pros hóspedes.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (11)

No meio da igreja, no corredor central, tem o nome de algumas basílicas espalhadas pelo mundo e a de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo está lá, registrada no chão de São Pedro. Não sei se fica sempre assim pra ninguém pisar em cima, mas essa parte dos nomes das igrejas fica cercada por parapeitos.

Saí do Vaticano com o dia ganho e encantado com tudo aquilo que eu tinha visto. Ainda tinha que passar e tirar fotos mais decentes dos Foros antes de ir pro penúltimo ponto do meu mapinha que faltava visitar. A igreja de San Pietro in Vincoli. Lá está até hoje as correnter que prenderam São Pedro e dentro da igreja mesmo tem uma espécie de estátua que ficava um bom tempo iluminada e depois a luz apagava só sendo acendida se alguém pusesse uma moedinha na máquina. Quando minha mãe me falou sobre esse esquema, meu pai lembrou a ela que eles ficaram esperando alguém colocar a moedinha e fazer a luzacender pra também tirar a foto, mas eu achei que isso acontecia com a urna de vidro onde se vê a corrente. Essa estava acesa o tempo todo. De qualquer forma fiz o mesmo com a estátua lá.

Roma é a terra das igrejas, por fora não se dá nada por elas, mas quando se entra é luxo só, mesmo com a maior simplicidade artística e arquitetônica. Eu não entrei em todas por falta de tempo mesmo, mas tenho que passar mais três dias lá, no mínimo, só pra fazer isso, ficar observando e admirando a beleza interior de uma igreja italiana. Eu não sei em qual cidade se tem mais igreja, se em Roma ou na Bahia. Eu nunca fui a Bahia, mas pelo visto a competição é acirrada. De lá faltava fazer o último circilo no meu mapa que era ver o Domus Aurea e o Colle Opio, umas ruínas que ficam no alto de uma colina, próximo ao Coliseu. Nada de mais pra quem via ruínas todo dia, era mais pra fechar o mapa mesmo.

Esse dia foi uma terça-feira; na quinta logo pela manhã eu tinha que ir pra Alemanha e ainda não tinha feito o que se faz, e bem, na Itália, que é comer uma boa massa. Além disso, queria tirar fotos da cidade a noite. Juntei as duas coisas. Fui a um bairro chamado Trastevere. Ná verdade já tinha passado por lá, mas não a noite quando o burburinho acontece. Pesquisei um restaurante mais em conta.

Como eu vi que a pizza de um modo geral saia quase o mesmo preço da massa prpriamentevdita, sentei num e gastei a fortuna de treze euros pra comer de entrada uma bruchetta e como prato principal uma lazanha caseira além de duas cocas pra acompanhar esseverdadeiro festival gastronômico. Pra quem viveu aqueles dias a base de biscoito, bolinho e água, aquilo sim era um manjar dos deuses, fossem eles gregos ou romanos. Ah! E os biscoitos ainda eram os comprados em Veneza. O que eu comprei em Roma só fui abrir no aeroporto indo pra Alemanha. Enfim, eu precisava e merecia pelo menos uma vez durante toda minha viagem a Itália comer uma comida típica italiana e feita por uma cozinha italiana.

Do restaurante eu ainda dei uma volta na cidade velha pra tirar fotos dos monumentos iluminados. Cheguei no albergue mais tarde do que de costume pra tomar um banho e dormir. O dia seguinte eu tinha que fazer duas coisas com certeza. Uma era lavar minha roupa. Seis euros. Afinal desde Londres que minhas roupas não eram lavadase ainda tinha a Alemanha pela frente. E a outra era já reservar a passagem de trem de Berlim pra Bed Bentheim, na Alemanha, onde o Renan iria me pegar dali a uma semana. Acordei tranqüilo e depois do café levei minha roupa pralavar.

Na lavanderia mais próxima também trabalhava um funcionário do albergue e como ele me conhecia de lá só cobrou os três euros da lavagem e mais três da secagem. Eles também cobrariam mais um pelo sabão, mas esse não precisou. Enquanto minha roupa ficou lavando, dei mais uma volta por perto e parei Fontana de Trevi.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (10)

O mesmo fiz com a pintura do julgamento final na parede atrás do que já foi um dia um altar. Eu não conseguia me mexer tamanha admiração que eu estava, olhando pras pinturas, tentando perceber os detalhes delas. Fiquei um bom tempo paralisado e só me dei conta pra sair da capela quando o pescoço começou a doer. Tanto que tem uma espécie de cerca, divisória, uma porta na própria capela por onde a gente tem que passar pra pegar o caminho da saída. Nessa outra parte fiquei uns dez minutos só pra ver as paredes, já que o teto de qualquer ponto se vê inteiro.

Quem quisesse poderia alugar um áudio-guia e escutar detalhes por detalhes sobre as pinturas. Como sou da era digital, se eu quiser saber detalhes eu pesquiso na internet. Mas minha foto disfarçada ficou show. Na saída a gente ainda passa por um corredor cheio de esculturas, quadros, algumas peças e as inacreditáveis pinturas no teto. A rampa de saída do museu também é impressionante.

Olhei no relógio e minha hora de almoço claro, já tinha passado. Voltei eu pro mesmo lugar que tinha sentado. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Pode até ser verdade, mas coco de pombo cai. Incrível isso, mas fui cagado novamente. E uma cagada pior que a anterior que chegou a assustar quem estava perto. Aquele pombo devia estar com diarréia tamanha a quantidade de merda que caiu em cima da gente. Claro que fui atingido e novamente tive que dar um jeito de limpar aquilo tudo. E pra sorte minha – se é que merda de pombo é sinal de sorte – a comida não foi atingida. Os bolinhos e os biscoitos tipo clube social estavam no bolso e a garrafa que eu levava de água ficava na mão mesmo.

Depois da meia hora de almoço veio a segunda parte, a cúpula de São Pedro. Lá se paga sete euros pra subir de elevador e cinco pra subir de escada. Só que o elevador só corta caminho de metade da escadaria, ou seja, a partir de um determinado ponto nem adiantava reclamar, era escadaria pra todos. Eu paguei os cinco e fui subindo degrau por degrau. A parte que o elevador faz é mole de subir. É larga; curto de altura e longo de profundidade. Dava pra subir pé ante pé. A única desvantagem é que a subida é em caracol, ou seja, depois de uma certa hora você fica meio tonto. Essa parte termina no teto da igreja. Se pega um caminho até chegar à parte pra subir na cúpula.

A segunda parte da subida é uma escadaria mais estreita e não dá pra ir do lado de ninguém. Tem que ir em fila indiana, como boi em matadouro. Tem uma hora em que você passa por dentro da basílica e olha tudo lá de cima. Aí sim se realiza a grandiosidade da construção. É muito alto, muito lindo e se tem outra visão que só as pessoas que sobem lá têm. Seguimos a diante. O degrau é estreito e em algumas partes eu pisava só com a metade do pé, e em certas partes a gente tinha que subir torto, apoiando na parede por causa da curvatura da cúpula.

Olha, apesar dessas dificuldades, vale muito a pena esse esforço e sacrifício. A recompensa é muito boa. Roma fica aos seus pés, literalmente. E a vista lá de cima é simplesmente deslumbrante. Essa subida me foi recomendada pela minha tia Teresa. Quando eu pedi conselhos sobre Roma ela falou pra não deixar de fazer esse passeio até o topo da basílica que era muito emocionante. Ela tem razão, meu olho chegou a encher de água quando a imagem da cidade apareceu no meu campo de visão. Claro que disparei minha máquina de retrato e saí tirando fotos de todas as imagens que me foram proporcionadas. Ao descer, a escadaria termina dentro da basílica de São Pedro. Eu sei que já tinha visitado ela no dia anterior, mas já que eu tava ali, não custava nada eu dar outra volta lá dentro. Foi o que fiz e ainda tirei fotos. No dia anterior eu não tinha reparado em uma coisa que só me chamou atenção naquela hora.
AVENTURAS EUROPÉIAS (9)

Tamanha devoção que esse homem provocava e ainda provoca nos fiéis. Eu também gostava dele. Me passava o ar de avô da humanidade, só querendo e fazendo o bem. Não sou um católico convencido. Acredito em algumas coisas da igreja, mas discordo de muitas outras, no entanto respeito e admiro a crença e dedicação dos seus fiéis. Eu fiquei encantadíssimo com a beleza e a imponência da sede da santa sé.

A igreja é maravilhosa e tem cada coisa de arrepiar. Tem uma estátua de São Pedro que de tantos as pessoas passarem a mão no pé dela já tá liso, sem contar os detalhes, as pinturas, as esculturas, a cúpula; é realmente impressionante. Realmente eu tinha que ter feito o que fiz, não deixar passar e trocar as pilhas da máquina no albergue.

Só as quatro da tarde que lembrei que eu tinha mais coisas a fazer por lá como ir ao museu do Vaticano, o único lugar que eu ia pagar pra entrar, e subir na cúpula da basílica. Porém, quando fui pegar informação sobre o museu fiquei sabendo que fechava as quatro da tarde. Muito cedo pra se fechar um museu, mas depois eu entendi o porque.

Bem, sem museu, me restou a cúpula. De modo que voltaria lá no dia seguinte então também deixei pra subir na cúpula depois. Saí da primeira parte da minha visita ao Vaticano direto pra outro conglomerado arquitetônico que está em todos os mapas de Roma e eu ainda não tinha visitado de fato que é justamente o berço da civilzação ocidental, os primeiros esboços de uma cidade, a fundação de Roma, onde tudo nasceu, o que eu chamava de cidade velha.

Os arcos (de Tito, Constantino e Giano), o Palatino, o Coliseu, os Foros, ou seja, tudo que não foi destruído pelas guerras e/ou que foram descobertos durante esses anos já que Roma é uma caixinha de surpresa, é uma cidade que se tem que olhar pra baixo por que é no chão, nas suas fundações, que se vê como tudo começou. Pra entrar no Palatino tinha que pagar. Eu achei que não valia a pena por que tem vários outros caminhos que você vê as mesmas ruínas e só não chega mais perto delas, mas se você entra também não pode encostar nas ‘velharias.

Pra sorte nossa as máquinas são digitais e tem zoom. Roma é a prova viva de que os engenheiros e as construções de antigamente eram muito melhores que as de hoje, mesmo com toda a tecnologia e rapidez que se tem hoje pra levantar um prédio. Acabei minha segunda-feira ali. Já tinha feito quase tudo, faltava, além da segunda parte do Vaticano poucos pontos marcados no meu mapa e eu terminaria tudo na terça, pra na quarta preparar tudo pra viagem pra Alemanha na quinta pela manhã.

Volto eu pro Vaticano no dia seguinte. Dessa vez direto pro museu. Gente, o que é o acervo do Vaticano? Coisa de louco. Agora se entendo o fato de fechar cedo. Pra dar tempo de ver se não tudo, a grande maioria das coisas. Eu fiquei encantadíssimo com tudo o que vi lá. Fotos, fotos, mais fotos e muitas fotos. Não botei quase nenhuma específicamente do museu nos meus ábuns do Orkut por que realmente foi uma quantidade enorme.

O que são aqueles tetos e paredes pintadas? Eu acho que ali está o berço dos quadrinhos e também do grafite. Uma perfeição que só vendo. O ponto culminante da visita ao museu do Vaticano e quase no final do tour é a Capela Sistina com teto e uma parede pintada por Michelangelo. É simplesmente incrível. Lá tem um chato. Na verdade chato é o trabalho dele que fica toda hora pedindo silencio e pedindo pra que não se tire fotos. Se ele percebe que alguém tá empunhando uma máquina corre logo e dá o aviso. Eu não podia sair daquele lugar em branco. Sem que ele percebesse liguei a minha máquina, tirei o flash e de baixo pra cima, ou seja, com a máquina na altura da minha cintura apontando pro teto, disparei o botão e tirei foto.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (8)

Costumava sair do albergue entre dez e deze meia da manhã pra aproveitar ao máximo o dia. Poderia sair mais cedo também, claro, mas preferi ficar fazendo esse esquema de andar o dia todo desse horário até umas oito e meia noite e esse dia eu tirei pra ir ao Vaticano, já que por todas as recomendações que eu tive de quem já esteve lá, um dia todo era o que eu precisava praconhecer grande parte de lá.

Pois bem, um fator me levou a adiar parte da visita. Como fazia tudo a pé, cheguei lá por volta do meio dia. Mas também não fui direto. Passei em alguns pontos antes pra tirar fotos, entre eles o Castelo de Sant’Angelo, e fui fotografando o que me atraía. Eis que quando comecei a fazer o mesmo em frente a basílica a pilha da minha máquina acabou. Raiva. Não ia gastar dinheiro por conta disso. Havia comigo no albergue uma reserva de pilhas. Que fiz? Voltei pro albergue só pra pegar as pilhas.

Esse trajeto de ida e volta demorou pouco mais de uma hora e as duas horas da tarde estava eu de volta ao Vaticano pronto pra tirar mais foto e sem me preocupar com pilhas dessa vez. Tornei a fotografar. Como eu parava sempre por volta das duas e meia pra comer, depois de algumas fotos sentei nas pilastras do lado esquerdo (pra quem olha a basílica de frente) como grande parte das pessoas fazem. Estava eu comendo biscoitos e bolinhos quando uma desgraçada de uma pomba cagou em mim. Pra sorte minha não caiu na comida, mas e como eu ia me limpar depois? Passei água que eu estava bebendo – lá também tem fonte pra gente encher as garrafas e sem a proximidade de pombos já que esses cagam nas nossas cabeças nas pilastras do Vaticano – depois de ter tirado o excesso com um pedaço de papel, na verdade um tipo de cartolina dura que vem com o bolinho para proteger.

Se fossem pombas da paz não fariam isso, mas pombas profanas, cinzas, que não têm um pingo de sentimento no coração e fazem isso com criaturas inofenivas que somos nós, os humanos, não merecem nosso respeito. Cada vez mais eu tenho horror a pombo. Uma vez eu tava assistindo um filme onde estava a solução pra dizimá-los da face da terra. É só dar alpiste envenenado. Sabe que pombo come de tudo. Eu já vi um comendo batata frita. E o pior são as pessoas que jogam pedaço de pão, farelos de biscoito pra eles comerem e ainda tentam fazer com que eles fiquem em pé no braço pra comer na própria mão. Acho isso nojento. Pombo não serve pra nada a não ser pra fazer o que eles fizeram comigo e transmitir doenças que podem até levar a morte. Eu acho que vou lançar uma campanha de guerra aos pombos de praça. O problema é o serviço de proteção aos animais. A proteção tem que ser contra os donos que maltratam seus bichos de estimação ou por ventura mal tratam animais indefesos. Aposto que matar, dizimar a população de pombos não vai desequilibrar acadeia alimentar.

O que pombo come? Rato? Como se um voa e o outro fica no subterrâneo? Aposto que sem pombos no mundo as praças ficariam mais bonitas e menos poluídas. Lá em Veneza eu tirei uma foto que minha prima Jana deixou um comentário dizendo que odiava pombo – ela é das minhas- masque aquela foto estava linda. Se não tivesse os pombos então estaria perfeita. Morte aos pombos. Mas vamos parar de falar de pombos, eles não merecem esse tempo todo de discurso, mesmo sendo contra.

Pois bem. Duas e meia da tarde fui eu entrar na basílica de São Pedro. Na primeira parte da visita a gente passa por trás e por baixo da igreja propriamente dita, nas tumbas dos papas. Não creio que estejam todos lá, afinal o que a igreja já teve de papa... tem umafoto que tem a listagem de todos eles numa placa na parede de uma parte interna da basílica. Claro que o túmulo mais requisitado ainda é o de João Paulo II. Depois de quatro anos da sua morte ele ainda é visto como um santo e as pessoas depositam flores, ajoelham em frente a sepultura, rezam por ele e até choram.
AVENTURAS EUROPÉIAS (7)

Pra se ter uma idéia só nas três horinhas que andei no dia em que cheguei por perto do albergue, já visitei oito lugares que o mapa indicava.

Por eu ter acordado as seis e meia, ter aquela coisa toda de aeroporto, queria dormir cedo pra aproveitar ao máximo o dia seguinte e visitar o maior número possível de pontos turísticos. Claro que não dava pra ver todos e eu teria mais dias pela frente pra fechar o mapa por completo.

O dia seguinte era justamente num domingo, ou seja, descartada a possiblidade de ir ao Vaticano pelo fato de estar lotado por conta do papa. Então deixemos o vaticano pra segunda. Peguei o mapa e vi qual era o ponto mais longe do albergue e fui andando. Mais vinte e quatro marcações começando com a Fontana de Tritone e a Trinita dei Monte, onde fica a Piazza di Spagna e Piazza del Popolo, pegando a região entre a Via Del Corso e o rio Tevere e terminando numa sinagoga que tem perto da Isola, a ilha do rio e incluindo algumas coisas atrás do rio, ou seja a região de Trastevere e arredores.

Um sol a pino, um calor de rachar e litros e litros de água pra dentro do organismo. Em Roma todos enchem suas garrafas de água nas bicas e fontes de água espalhadas pela cidade. Eu por minha vez escolhia as que os pombos não chegavam perto. Por exemplo, em frente ao Pantheon tem uma fonte, mas a cuia, o resrvatório fica cheio de pena de pombos. Essa não.

Eu gostava de encher a minha na Fontana de Trevi. Aliás, eu achei um absurdo, a ponto de fazer vídeo, sobre o que eu chamo de pescador de ilusão. Esse lugar é conhecido no mundo todo e geralmente as pessoas têm o costume de jogar moedinhas na ilusão de que seu pedido ou desejo seja atendido. Por mais que tenha três guardinhas fazendo a suposta segurança do local e sempre apitando pros turistas mais abusados ou desligados que sentam onde não podem ou comem perto da água e são chamados a atenção, não é possível que eles ainda não tenham percebido a ação de um sujeito que volta e meia saca do seu bolso um tipo de antena com um imã na ponta e pesca as moedas claro de maior valor.

Teve um dia que eu o segui até um bar ali perto mesmo, mas não vi o que ele fez com as moedas, se só deixou por lá ou se trocou por alguma coisa. Também fiquei com vontade de mostrar pros policiais que fazem a suposta segurança do local, mas eles já devem ter conhecimento disso, por que não é possível. O ladrão da fonte é tão conhecido quanto a própria fonte. Eu mesmo fiquei alguns minutos fazendo o vídeo e lá aparece um turista apontando pro homem acho que tentando avisar alguém. Um absurdo. Depois falam mal do Brasil.

Geralmente eu chegava no albergue por volta das oito e meia da noite e ia direto pra cozinha fazer o macarrão. Jantava e depois tomava um banho e dependendo do bolso ficava na internet. Nesse albergue de Roma a gente tinha direito a meia hora de internet por dia, o resto era pago e nem sempre eu tinha moedas na carteira pra dar em troca de um tempo maior. Mas dava pra fazer o que eu queria, só não dava pra ficar muito de papo no MSN.

Acordava em torno de oito e meia me arrumava e tomava o café da manhã. Pão com mantega e geléia, chocolate quente, sucos de laranja e abacaxi e a partir dali passei a comer cereais também. Não foram todos os dias, mas como estava muito quente e eu me desgastava muito andando só comendo biscoito e bolinho duas vezes por dia além da quantidade enorme de água, não custava nada reforçar o café da manhã. Albergue tem disso. Hora pra comer, hora pra deixar o quarto e a gente tem que obedecer, ou melhor, se adaptar. E pra quem é mochileiro a tática camaleônica é a principal característica de viagem. Não só nos albergues, mas nas cidades e nos países também.
AVENTURAS EUROPÉIAS (6)

Não sei se era por ser vôo doméstico, mas nenhum dos vôos que peguei a gente entrava naquele túnel e sim pegava o maldito ônibus que levava a gente até o avião, tanto pro embarque quanto pro desembarque. Pro desembarque é mais comum, creio eu, mas no embarque não acho que seja legal esse esquema, perde todo o glamour de um vôo, mesmo que esse dure apenas uma hora. Novos tempos da aviação depois dos atentados de Nova Yorque.

Na fila de embarque tem aquela divisão de quem pagou pra entrar primeiro no avião, o grupo A e o grupo B. Eu não sei por que o desespero de querer ser o primeiro. Deve ser pra pegar a melhor janela do avião já que, assim como os ônibus, não existem lugares marcados e senta-se onde quiser. Pra variar, mais uma vez, encontrei com um casal de brasileiros que estavam voltando pra Roma e voltariam pro Brasil no dia seguinte. Ainda tivemos que esperar retirarem algumas malas do bagageiro por que tiveram três pessoas que fizeram o check-in mas não entraram no avião e por norma as malas devem ser retiradas. Acho certo isso, vai que tem uma bomba dentro delas. Isso atrasou um pouco mais o vôo.

Viemos conversando, não durante o vôo porque eles queriam descansar, pois passaram um dia corrido em Veneza. Mas no transito pro avião e no trajeto do aeroporto pro centro de Roma a conversa rolou solta. Como o aeroporto não fica em Roma exatamente, mas perto, existe um trem que a gente paga nove euros e nos leva direto para a estação central de trem de Roma, que eles chamam de Termini. Por estar muito quente, a gente entrou num vagão que mais parecia uma sauna. Imagina uma lata fechada e você dentro o calor que faz. Um sujeito lá avisou pro casal pra mudar de vagão por que aquele tava insuportável. E tava mesmo, mas de início eles não entenderam e eu muito menos. Depois ele foi verificar e realmente o vagão da frente tinha ar refrigerado. Sem pestanejar pegamos nossas malas e mudamos de vagão. Menos mal e menos quente.

Conversa vai, conversa vem descobri que o cara foi meu contemporâneo de faculdade. Ele na área de economia fez algumas matérias na mesma faculdade e no mesmo período que eu fazia. Se a gente calhou de pegar a mesma turma, isso tá completamente fora do alcance da minha memória. Nos despedimos no Termini, eu segui pro meu albergue e eles pro hotel onde iriam ficar que era mais ou menos na altura do meu, mas do outro lado da estação.

De acordo com as indicações, era só sair a esquerda e entrar na rua que terminava justamente transversal a rua que beira o Termini. Claro que me perdi pra achar a rua e fui parar cinco ruas depois, no entanto, como dizem, quem tem boca vai a Roma e eu já estando nela entrei num hotelzinho e perguntei. Depois, pra confirmar, perguntei pra um camelô também. E realmente, era mais perto do que eu imaginava.

Nessa meia hora de perdido achei um mercado na própria estação. Minha mãe já tinha me avisado que existia um ali, mas primeiro eu tinha que dar entrada no albergue e depois voltar lá. Foi o que eu fiz. Deixei minhas coisas no quarto e fui pro mercado. Nas informações que me foram passadas descobri que naquele eu podia cozinhar. Ou seja, além do estoque normal de água, suco ou chá, biscoitos e bolinhos pra comer durante o dia, comprei macarrão, atum e ketchup pra fazer toda noite que eu chegasse das caminhadas pela cidade. Esse albergue é bom. E pra quem é mochileiro eu recomendo com o pé nas costas. Além de ter uma estrutura legal, dá pra cozinhar e fica perto de tudo, de modo que não precisa gastar um centavo com transporte. Só precisa é ter disposição pra andar um pouco, mas como é tudo relativamente perto dá pra fazer muita coisa em um dia. E outra, eles dão o mapinha da cidade.
AVENTURAS EUROPÉIAS (5)

Andei Veneza de cabo a rabo, explorando todos os pedaços daquela ilhota e tirando bastante fotos. Enfim, eis que chega a hora de finalmente conhecer a tão falada e famosa praça de São Marcos. Realmente é bonita e a primeira imagem que me veio a cabeça foi do início da novela Vamp, onde a personagem principal, interpretada pela atriz Claudia Ohana dá um show de dança e quem tava num dos restaurantes da praça assistindo era outro personagem tão vampiro quanto ela, interpretado pelo Guilherme Leme. O nome da personagem dele me foge a memória, mas ela se chamava Natasha.

Pra subir no campanário, ou seja, na torre que fica em frente a igreja pagava-se em torno de sete euros. Pra entrar na igreja acho que não pagava nada, mas na hora em que eu passei lá tinha uma fila enorme e o horário de visita estava acabando. Nem entrei. Ali na praça mesmo tem um relógio daqueles de desenho animado com o sino a mostra e dois bonequinhos que martelam o sino de hora em hora. Me lembrou muito um desenho do Pica Pau. Eu ainda rodei por aquele lado tirando fotos e mais fotos de todos os ângulos possíveis, com detalhes, sem detalhes, com zoom, etc.

Falando em fotos, as divido em três categorias. As normais, comuns que a gente tira mesmo, as que eu chamo de ‘eu em’ que são as com a minha cara em algum lugar e as consideradas ‘detalhes tão pequenos’ que é uma foto mais bem elaborada considerando posição, luz, proximidade (zoom), enquadramento, isso tudo com uma máquina digital normal, sem nada de profissional ou especializada. Claro que não são todas as fotos que eu ponho no Orkut. Por exemplo, Roma foram mais de quatrocentas fotos o que preencheria quatro álbuns. É difícil selecionar as fotos que vão ser postadas, mas também tem muita foto que não tem destino a não ser o lixo. Ás vezes na tentativa de uma foto sair boa tem sempre umas três ou quatro que saem meia boca, mas o feedback que eu estou tendo está sendo positivo, as pessoas têm gostado do resultado.

Ainda rodei por ali e saí da praça de São Marcos por volta das oito da noite, pois o dia seguinte era dia de acordar cedo. Tinha que estar no aeroporto as oito da manha pra pegar o vôo pra Roma e ainda tinha que arrumar as minhascoisas e entrar na internet. A vantagem de Veneza sobre Milão era essa: internet com acesso ilimitado e wireless. Acho que era a única também.

Coloquei o meu despertador pra tocar as quinze pras sete da manha, pois eu ainda tinha que usar algumas coisas antes de por na mala e fechá-la. Foi o tempo certo. As oito da manha saí do albergue, passei na birosca pra tomar o café da manha e fui andando puxando a mala por Veneza, subindo e descendo pontezinha, até chegar no terminal de ônibus, que era relativamente perto do de trem, pra pegar o ônibus direto pro aeroporto. Lá se foram mais três euros.

Cheguei no aeroporto com tempo de sobra, uns quarenta minutos antes do check-in abrir. O aeroporto de Veneza é pequeno e não dava pra ficar circulando muito até mesmo por conta disso, pois sempre chega gente pra embarcar e o saguão fica a maior parte do tempo cheio. Na verdade, o que eu fiquei procurando era o tal do terminal B, pois era assim que vinha escrito no meu bilhete. Acho que o que divide é a porta de entrada. Pra esquerda fica o A e pra direita fica o B. Foi a única explicação que achei pro tal do terminal B. Se o saguão não é tão grande, a sala de embarque desmente essa teoria. Depois que se passa pelo sistema de segurança parece que o aeroporto triplica de tamanho e se transforma em um verdadeiro shopping center. Aliás, acho que essa é a tendência dos aeroportos, até por que com essa economia de não servir mais comida, e sim vender durante o vôo, nada mais lucrativo que abrir uma lanchonete na cabeceira da pista de decolagem. E os preços das coisas também não são baratos, afinal é aeroporto e tudo no aeroporto é mais caro um pouco.

domingo, 9 de agosto de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (4)

Aqui também pode acontecer isso. Ficamos quarenta minutos parados no meio do nada. E sem nada o que fazer. Continuei escutando meu MP3. Enfim o trem andou e finalmente chegamos em Veneza.

Sempre que eu chego em algum lugar a primeira coisa que eu faço é ir pro albergue seguindo as indicações que os próprios albergues me deram. O de Veneza ficava próximo da ponte de Rialto e eu teria que pegar um ônibus aquático até a ponte e andar um pouco até encontrar o bendito albergue. O custo desse ônibus é alto. Seis e cinqüenta. Mas, como não sabia nada fui conforme as indicações.

Claro que teve uma hora em que me perdi e pedi ajuda pra um grupo de brasileiros que passavam por mim na hora. Estava quase no albergue já mas umas três curvinhas e uns cinquenta passos e havia chegado lá. Deixei minhas coisas e fui atrás de um mercado. Quando estava pra sair do albergue encontrei mais duas brasileiras que iriam embora dali a algumas horas, ou seja, elas ainda iam rodar mais um pouco antes de partir e pelo fato de estarem mais tempo lá perguntei onde havia um mercado. Elas não sabiam. Como Veneza a primeira vista me pareceu complicada de andar, foi a única cidade em que gastei dois euros pra comprar um mapa.

Fui andando em busca de um mercado e enquanto isso tirando algumas fotos. Teve uma hora em que não agüentei e comi um pedaço de pizza e um refrigerante por quatro e vinte, pois minha última refeição foi o café da manha de Milão. Parece até brincadeira, mas foi só acabar de comer e andar mais uns cinco minutos e não é que eu encontrei o tal mercado. Fiz minhas compras suficientes pra durar o tempo em que eu estivesse por lá, ou seja. O dia seguinte por inteiro e a manha do outro que é quando eu iria embarcar pra Roma.

E pra voltar pro albergue? Era só seguir as placas indicando Rialto que eu chegava lá. O mapa mesmo não serviu pra quase nada, mas mesmo assim dei umas quatro ou cinco olhadas durante os dias em que passei lá. Veneza é muito pequena, estreita e antiga. Mas é isso que dá o charme dela, aquelas gôndolas passando por baixo de você, o transporte de tudo quanto é tipo de mercadoria e gente de toda parte do mundo, os que eles chamam de ônibus, táxi e as outras lanchas fazendo de um grande canal uma grande avenida movimentada. Os ‘carros’ de polícia, ao perseguirem algum suspeito também o fazem por lá. Eu vi uma lancha policial em disparada e com sirene ligada.

Nada mais me restava fazer em Veneza a não ser andar debaixo de um sol e consequentemente um calor que carioca adora no verão. Eu fiz questão de naquele dia em que cheguei não ir ao ponto turístico mais procurado de lá. Aliás, deixei pra ser um dos últimos lugares pra eu pisar, se não perderia toda graça e magia do lugar. Cheguei a esbarrar quase entrando na praça de São Marcos, mas não queria já de cara conhecer e resolvi que só iria lá no dia seguinte depois do que eu considerava meu almoço.

Desde quando comecei essa vida de alberguista eu tomava o café da manha, comia alguma coisa, geralmente já estocada do mercado, por volta das duas e cinco e meia da tarde e um pouco antes de dormir. O café do albergue de Milão não era lá aquelas coisas. Pão manteiga, geléia, chocolate, chá, suco e me sustentava até a minha hora de almoço. De modo que o café do albergue de Veneza não passava de um copo de suco de laranja e um croissant (o mesmo que eu comprei no mercado) no boteco debaixo do albergue. Aliás, a localização também não era das boas já que a rua era movimentada e tinha barulho de gente passando e falando até altas horas, mas como era só por duas noites relevei. E outra coisa, depois que peguei a manha de andar pelas ruas de Veneza a qualquer hora eu podia voltar pro albergue pra fazer o que eu quisesse.
AVENTURAS EUROPÉIAS (3)

Estava eu no metrô, voltando pro albergue depois de um dia andando por Milão quando dei falta da minha carteira. Eu sei que entrei com ela no vagão pois tinha colocado meu bilhete nela. E a única pessoa que podia ter passado a mão nela era um cara que aparentava ter meia idade, daqueles que tem cara de que não se suspeita nunca que poderia ter feito isso. Conferi todos os bolsos da bermuda e realmente ela não estava lá. Máquina, chave do albergue, telefone, mas a carteira não. Eu já tinha tirado o dinheiro grande, mas o cartão de credito e os do banco inglês estavam dentro dela, além de vinte euros e cinco libras.

Bateu o desespero. Começei a pedir em português pra me devolverem a carteira. Aí me dei conta de que eu tava na Itália e não sabia falar italiano. Comecei a fazer escândalo em inglês mesmo dizendo que eu fui assaltado e tinham levado minha carteira. Não sei se alguém entendeu alguma coisa. Aí virei pro homem que havia passado a mão nela e comecei a falar diretamente com ele. Ele ainda teve a cara de pau de dizer pra que eu saísse do trem e falasse com a polícia. Eu disse que não podia sair porque o meu bilhete tava dentro da carteira e implorei pra que ele me ajudasse. O metrô parou numa estação que não me lembro qual era, ele ia saindo eu fui atrás pedindo ajuda, aí ele voltava pro vagão e eu ia atrás e segurei nele que não desgrudava.

Eu sei que ele deve ter se assustado com a minha reação que jogou minha carteira no chão, apontou pra ela e só assim eu larguei dele. Ele saiu fora naquela estação e eu continuei minha viagem com a carteira salva, com tudo o que tinha. Depois uma brasileira que assistiu essa ‘briga’ veio falar comigo. E olha que as três brasileiras que eu encontrei no aeroporto me avisaram pra não confiar em ninguém. Tinha um outro velhinho que tentava ajudar as pessoas na maquininha da estação onde comprei o bilhete de Veneza, mas esse tava sendo vigiado sempre pelo guardinha de lá e nem dei bola pra ele e esse também nem tentou nada. Essa foi a minha primeira, logo no segundo dia da viagem.

O dia seguinte era o da partida pra Veneza. Acordei, tomei café, fiz o check-out e fui pra estação, tudo bem que o trem só saia ao meio dia e pouco e eu saí do albergue as dez da manha, mas fui direto pra estação a ponto de não haver nenhum contratempo e fiquei pouco mais de uma hora esperando o trem. Uns vinte minutos antes da partida fui pra plataforma e entrei no vagão indicado.

O número do meu assento era cento e poucos na segunda classe, mas o vagão que eu entrei tava muito chique pra segunda classe e eu pensei que não havia esse número no vagão. Saí do trem, mas só havia aquele vagão de número nove, portanto o meu assento tinha que estar lá dentro. Entrei pela outra porta do vagão e logo de cara o assento estava lá, esperando por mim, ao lado de uma velhinha super simpática que fazia o tempo todo sua palavra cruzada. Queria muito puxar um assunto com ela, mas eu não entendia o italiano e ela também não entendia o inglês e provavelmente o português muito menos. Meu número era corredor e só havia duas carreiras de três bancos que era justamente nas portas de entrada do vagão. É assim, você entra no vagão, passa pelo banheiro – também tem banheiro nas duas entradas do vagão - e entra na parte dos assentos propriamente dito; põe as malas no bagageiro que lembra muito os do ônibus e senta no seu banco.

E o mais engraçado é que eles ainda agem como vemos nos filmes, ou seja, tem uma hora em que o bilheteiro entra e vai conferindo e furando tíquete por tíquete de cada passageiro. Até por que o trem não vai direto, ponto a ponto, ele para em várias estações antes. Me lembro que entre elas estava Verona, terra de Romeu e Julieta, mas um pouco antes de Verona o trem parou no meio do caminho.
AVENTURAS EUROPÉIAS (2)

Meu lap é diferente do carregador do celular. Se fosse um adaptador universal seria melhor. O bilhete era na estação central e as outras duas coisas podia ser dali a três estações adiante. Como não dava mais tempo pra fazer os três, o preferencial foi pro bilhete. Fui eu encarar o metro mais uma vez, dessa vez com o mapinha que me deram no albergue. Aquele bilhete também não servia mais. Lá se foi mais um euro pra outro bilhete.

Desci na estação e fui pra maquininha comprar o bilhete do trem. O valor que eu tinha visto era de vinte e três e meio e na maquininha tava a vinte e nove. Resolvi ir pra fila comprar no balcão pra ver se era mais barato, mas tanto na Itália quanto no Brasil repartição pública tem aquela quantidade toda de guichê pra somente três atendentes. Não esperei e voltei pra maquininha e puxei meu bilhete. Paguei os vinte e nove mesmo e em dinheiro. Depois fui dar uma volta e tirar fotos dos arredores da estação. Peguei o metro novamente (não lembro se tive que pagar novamente, mas acho que sim) e desci em Duomo.

Lá tem uma igreja maravilhosa e é como se fosse a Sé de Milão. Ao lado tem a tão badalada Galeria Vitório Emanuelle e do outro lado da galeria tem o famoso Teatro Scala de Milão. Eu tinha que comer, pois não havia comido nada desde o aeroporto de Londres e tava morrendo de fome. Foi ali mesmo, na galeria que eu paguei seis euros por um pedaço de pizza, uma fatia de torta de morango e um copo de refrigerante. Caro, mas era questão de necessidade. Ainda dei uma voltinha pela praça e voltei pro albergue. Mais um passe de metrô. Ainda paguei dois euros por uma hora de internet antes de tomar um banho e dormir.

No dia seguinte acordei, tomei o café da manha e fui resolver a segunda parte das coisas. Dessa vez comprei o tíquete do metrô pro dia todo. Na estação indicada havia um centro comercial, onde eu vi o preço de uma mala descente, com rodinhas e achei um adaptador universal com o qual eu posso enfiar qualquer plug em qualquer tomada do um mundo. Quinze e meio pelo adaptador e vinte euros pela mala. Em Milão eu gastei foi é dinheiro. Voltei pro albergue, refiz a mala jogando a sacola fora e fui ao mercado começar a parte econômica da viagem. Comprei uma garrafa de água, pra azar meu, gasosa ou frizante. Mas tomei assim mesmo. Tava muito quente lá, como em todo percurso que fiz na Itália e uma garrafa só não era o suficiente. Sei que aquele mercado recebeu minha visita umas três vezes naquele dia. Até pelo fato do dia seguinte eu estar com viagem marcada pra Veneza.

Lá em Milão, nas estações do metrô tem o mapa da cidade e eu me guiava por eles pra saber onde descer e o que visitar. E é claro que o mapinha do metrô sempre ia na minha mão. Visitei algumas praças e parques. Não tinha muito o que ver e só aquele dia daria pra conhecer o principal de Milão. Fui num castelo bem bacana chamado Sforcesco (vide fotos no meu Orkut; quem não o tem pode tratando de me adicionar) onde há um mapa de Milão medieval ainda cercada pelos grandes muros, depois num parque bem legal, chamado parque Veneza onde dormi por uma meia hora num banco de praça e acabei por voltar em Duomo (também não me recordo a ordem dos fatores, sei que o produto não foi alterado e as fotos provam isso).

Mas a coisa mais inusitada aconteceu comigo enquanto eu voltava pro albergue. Sofri uma tentativa de assalto. Pode uma pessoa acostumada com a violência no Rio sofrer um assalto em pleno metrô de Milão? Agora que tudo passou é pra se morrer de rir, mas quando bateu o desespero eu quase chorei. Só não fiz isso por que não iria resolver o problema. Mas essa situação cai como uma luva na máxima ‘seria trágico se não fosse cômico`. Minutos depois eu mesmo estava morrendo de rir.
AVENTURAS EUROPÉIAS (1)

Dividi esse meu tour pela Europa em duas etapas e com direito a três paradas estratégicas. Subtende-se por parada estratégica o fato de não ter que desembolsar uma quantia de dinheiro para pouso na Holanda, Bélgica e Espanha, claro, dependendo da disposição de quem me abriga. Pra começar a turnê o país escolhido foi a Itália, depois passaria pela Alemanha até terminar a primeira parte na Holanda e lá montar a segunda parte que começaria pelo segundo ponto, ou seja, Bélgica, França, Portugal e culminaria no terceiro ponto que seria a Espanha antes de voltar pra Londres, onde encerro em definitivo essas minhas ‘férias de família’ que no total será quase um ano longe de casa.

Comecemos então pela Itália. Três cidades foram escolhidas pra serem visitadas em dez dias. Milão, Veneza e Roma. Exatamente nessa ordem. Saí de Londres no dia em que expirou o meu visto de estudante e peguei o vôo da Easy Jet pra Milão. Assim como a Ryanair, a Easy Jet é uma companhia aérea de custo baixo, no entanto, como já faz parte da aviação doméstica americana, aqui na Europa eles também cobram por tudo. O valor em si não é tão caro, o que encarece são as taxas que vêm por cima. Por exemplo: se a passagem é comprada no cartão é cobrada uma taxa de nove euros e cinqüenta centavos; se há uma mala além da bagagem de mão há outra taxa de onze euros por cada mala de porão despachada e no avião, durante o vôo, nada é servido a não ser que se pague pela comida ou bebida.

Enfim, depois de duas horas de vôo, cheguei em Milão. Na verdade por conta do fuso horário eu perdi uma hora já que na Itália é uma hora a mais que em Londres. Hora da tão temida fila da imigração. São duas filas. Uma pra quem é cidadão ou tem passaporte europeu e outra pra população do resto do mundo, que é o meu caso. Entreguei meu passaporte e logo começaram as perguntas. Se eu tava viajando sozinho, quantos dias eu ia ficar e se eu tinha parentes ou amigos lá. Pediu pra ver as passagens e as reservas dos albergues. Mostrei tudo. Ele carimbou e me devolveu o passaporte. Entrei. Agora era descobrir como fazer pra chegar no albergue.

Pra sorte minha, ao sair pelo portão do desembarque ouvi meu idioma. Havia três brasileiras esperando por alguém. Logo perguntei a elas a minha dúvida e uma delas se prontificou a me colocar dentro do ônibus que me deixava numa estação de metrô que eu teria que pegar pra descer próximo ao albergue. Pra começo de conversa quando eu desci do ônibus, mesmo com toda explicação, fui andando pro lado contrário. Vendo que não chegava nenhum buraco, perguntei em inglês onde era o metrô, que em italiano é metropolitana. Claro que depois da pergunta falei o nome em italiano e o cara me eu a indicação certa. O passe do transporte em Milão custa um euro a viagem simples e pode ser usado até setenta e cinco minutos após a validação. Como eu já tinha o do ônibus, usei o mesmo na catraca do metrô.

Pois bem, a linha que eu peguei foi a linha vermelha de modo que depois da estação Pagano ela bifurcava pra dois destinos diferentes: Bisceglie e RHO, que era o sentido que eu tinha que pegar. Conclusão: peguei pro sentido errado. A mala que eu carregava era uma sacola aproveitada de um amigo que ia jogá-la fora. Sábio foi ele de fazer isso porque a medida em que o tempo passava ela ia se desfazendo, arrebentando. Meu ombro já não agüentava mais carregar aqueles quase dezessete quilos numa alça improvisada além da mochila. Providencia urgente a ser tomada era comprar uma mala descente. Depois de desfeito o erro, desci na estação certa, novamente peguei o sentido errado da rua, mas quem tem boca vai a Milão. Cheguei no albergue, dei entrada, e fiz três perguntas básicas pro recepcionista. Onde que eu comprava o bilhete do trem pra Veneza, uma mala e o adaptador da tomada.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (30)

Em sua música de apresentação que acabou repercutindo no mundo inteiro, Susan Boyle dizia que há sonhos que não podem ser e tempestades que não podemos prever. É a mais pura verdade. Eu fui pra Londres pra, além de reforçar o inglês, tentar fazer um pé de meia. Trabalhar e juntar um pouco de dinheiro, pelo menos fazer alguma coisa que desse pra pagar as contas da semana. Infelizmente não foi possível. Cheguei no auge da crise financeira e do inverno frio.

Até consegui, graças ao Alê, o bico da feira, mas era só pra ser bico e não o principal. Uma vez, como contei aqui até trabalhei como cleaner durante uma semana, mas fui demitido. Treinamento também fiz alguns na esperança de conseguir alguma coisa. Não digo que foi em vão por que sempre aprendi coisas novas, mas não foi o suficiente pro que eu queria. As pessoas que eu conheço que conseguiram algum tipo de trabalho foi por indicação. Fulano que falou com Beltrano que ouviu a conversa de Cicrano que alguém estava precisando de gente pra trabalhar. Infelizmente não aconteceu isso comigo. Bater perna atrás de emprego em agencias que contratam pessoas pra trabalhar de garçom foi o meu forte. Também era só bater na porta literalmente por que nenhuma delas abria com uma boa notícia. Sempre diziam ‘a gente tá quieto agora e volta daqui a duas ou três semanas’. Era sempre assim. E assim não dá.

Como eu sabia desde o início que era uma temporada, fui com essa mentalidade pra lá, indo sabendo que iria voltar, não deu pra estender essa temporada como queria fazer por mais seis meses e voltar em fevereiro pro carnaval. Meu visto expirou no dia trinta de junho e eu tinha que dar um jeito de bolar alguma coisa. Como a feira terminou no dia vinte e oito e a próxima é só na segunda quinzena de setembro, por que não rodar. Gasta-se grana do mesmo jeito, mas eu não fico parado em Londres e conheço outros países, povos e culturas. Foi isso o que fiz. Na verdade já iria fazer isso caso continuasse em Londres, apenas iria fazer em outra época, entre dezembro e fevereiro, antes de voltar. Então combinamos, eu e minha mãe, de montarmos um roteiro de viagem bom e bastante econômico pra que eu possa curtir e voltar pra Londres em setembro pra fazer a feira lá. Aliando-se a isso os três amigos que moram por aqui pela Europa foram devidamente contactados e avisados que em algum momento eu estarei pousando na casa deles.

Agora é botar a mochila nas costas e o pé na estrada. Quanto os meus amigos de Londres, não houve uma despedida e sim um até breve. Foi muito bom essa vivencia, essa experiência de morar fora, de construir amizades sólidas e verdadeiras com gente de várias partes do Brasil, de Londres e do mundo. Pessoas que marcaram minha vida, viveram minha história e deixaram marcas inesquecíveis e irrasuráveis (se é que existe essa palavra). Pessoas que eu vou manter pelo resto da minha vida. Mas agora é chegada a hora de voar. De tentar angariar mais pessoas pra escreverem o livro da minha história. Sei que é difícil pelo fato de albergues terem uma rotatividade bem maior do que a casa que morei durante meses. Mas a gente tenta. Mundo novo, portas novas, gente nova é tudo que eu quero. Minha missão em Londres foi cumprida.

Infelizmente uma tempestade atrapalhou um pouco, mas nada como um dia após o outro pra que as nuvens se dissipem e o sol torne a sair e brilhar novamente. Agora em outros ares. Ainda europeus, não mais exclusivamente londrinos. Sei que é clichê falar isso, mas, como diz a boa e velha música de Roberto Carlos ‘são tantas já vividas, são momentos que não esqueci / amigos eu ganhei, saudades eu senti partindo / sei tudo que o amor é capaz de me dar/ eu sei já sofri, mas não canso de amar / se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi’. Todas graças as sólidas amizades que construí nesses sete meses em que fiquei em Londres.
AVENTURAS LONDRINAS (29)

Me lembro que uma das primeiras postagens que fiz foi sobre ele. Falando mal, claro. No decorrer desses quase sete anos que me dedico semanalmente a esse espaço devo ter mencionado o nome dele algumas vezes também. (Não me lembro de todos os textos que postei aqui. Os tenho arquivados, mas também não vou correr meus olhos em mais de trezentas páginas pra confirmar essa informação.)

O fato é que ele se foi. Deixou um legado enorme e tal como Elvis Presley, também chegou a ser considerado um rei. E realmente foi. Os anos oitenta foram dele. Acho que ninguém teve mais músicas na parada de sucesso do que ele naquela época. Foi um sucesso atrás do outro.

E no ano passado se comemorou os vinte e cinco anos do lançamento do álbum que alavancou a carreira dele de tal forma que o botou no topo, e a meu ver o vídeo clipe como se vê atualmente deve muito a esse álbum. Aquela coisa temática, uma historinha com começo meio e fim, com caracterizações e efeitos especiais foi ele quem criou. Quem não ficou chocado quando viu aquela magia de zumbis saindo de suas tumbas e dançando a mesma coreografia de modo a assustar uma pobre, doce, sonhadora e indefesa donzela naquele que seja talvez o principal vídeo clipe da carreira dele. Eu, por exemplo, quando vi aquilo não dormi, mas apenas pelo fato de ser criança e me impressionar com certas coisas desse tipo, ou seja, medo mesmo. Depois, já grande e começando a entender o mundo como ele é reparei e percebi na grandeza, na dimensão e na maestria com que aquele trabalho foi feito.

Acho que já disse isso. O último grande trabalho que ele fez foi o disco ‘Black or White’, uma contra partida das críticas que recebera por estar clareando sua pele devido ao tratamento de vitiligo. De lá pra cá a queda dele como artista e como pessoa, sendo acusado de pedofilia entre outras coisas, foi vertiginosa. Tentou uma jogada de marketing se casando com uma anônima e depois uma famosa, ou vice versa. Dizem que tem dois filhos legítimos, mas reza a lenda que é por inseminação artificial. Aliás, lenda em torno dessa pessoa é o que não falta. E se a gente começara listar aqui não acabamos com isso hoje.

O mais curioso é que a pouco tempo atrás ele provocou um alvoroço e um estardalhaço quando numa aparição relâmpago esteve em Londres pra anunciar aquela que poderia ser a sua última turnê, ou seja, já pensava em se aposentar. Não sei se apenas em Londres ou se ele pensava em rodar mesmo alguns países com esse show. Os ingressos foram esgotados em dois tempos e os que sobraram ficavam nos piores lugares. Agora tem que saber como esse pessoal todo vai ter seu dinheiro de volta.

No Brasil, além de fazer os shows, ele chegou a pedir permissão pro chefe do tráfico de drogas no morro Dona Marta, em Botafogo, no Rio, pra gravar parte de um clipe, outra parte foi mo bairro do Pelourinho, em Salvador, na Bahia. O clipe era ‘They don’t care about us’ que traduzindo seria ‘Eles não cuidam da gente’ o que não passa de outra crítica. O cara era bom no que fazia. E admito, dançava muito, servindo até de exemplo e referencia pra alguns dançarinos profissionais.

Agora Michael Jackson não está mais no meio de nós. O feitiço virou contra o feiticeiro. Ao invés dele convocar os mortos pra ressuscitar e dançar com ele, dessa vez ele acompanha seus coleguinhas de túmulo. E tenho pra mim que o clipe que ele segue dessa vez é uma mistura de Thriller com Bad, mas na verdade o refrão da segunda música sofreu alteração e ao invés dele cantar ‘I’m bad’ (Sou mau) agora deu lugar a ‘I’m dead’(Estou morto). Estrela desde os áureos tempos dos Jackson’s Five, agora até pode estar apagada, mas a luz que ela iluminou em uma boa fase dos seus apenas cinqüenta anos de vida, vai permanecer reluzente por gerações e gerações.
AVENTURAS LONDRINAS (28)

Outro lugar que eu aproveitei pra ir foi Brighton. Essa é a praia mais perto de Londres. Fica a duas horas de ônibus – daquela mesma companhia que vai pra Escócia – o que deixa a viagem mais suportável um pouco. Fomos numa sexta feira – de novo a sexta – no entanto, por ser mais perto, fomos e voltamos no mesmo dia.

Fui com um outro super grande amigo meu. Claro que por ser cedo dormimos a viagem inteira. No meu caso, já expliquei, isso é modo de dizer. Chegamos lá e a estação do terminal de ônibus, que não passa de três baias pra que os ônibus possam estacionar e desembarcar ou embarcar os passageiros fica bem na beira da praia. Questão só de atravessar a rua.

Uma das atrações de Brighton, além da distancia com Londres é o píer. Não que eu não tenha ido a praia sem píer. Na Califórnia quase todas elas tem, mas não me lembro de um píer que tenha um parque de diversões. Um píer que agüenta uma montanha russa entre outras atrações tem que ter uma base sólida, apesar de estar dentro do líquido. E o bicho é grande, longo, extenso. Foi a primeira coisa que fizemos. Dar uma volta nesse píer que, por estar cedo, as atrações do parque de diversões não estavam abertas a público. Apesar da vontade eu não andei na montanha russa.

Depois começamos a andar no calçadão que também não é como se conhece no Brasil. É completamente diferente do de Copacabana e da grande maioria do litoral brasileiro. Há sim um calçadão e ao longo dele rampas de acesso para descer pra praia. Na verdade a gente caminha por sobre os bares e restaurantes que ficam no nível do mar, digamos assim. Há também em frente a um desses pubs um carrossel que fica tocando aquelas músicas irritantes. Passamos por ele quando estávamos procurando um lugar pra botar nossas coisas à beira mar e ficarmos um tempo por lá.

A areia não é areia, e sim aquelas pedrinhas que podem machucar o pé de quem não tá acostumado com praia de pedra. Por um lado é bom que não suja muito e quando a gente deita meio que massageia o corpo. Por outro, ao correr pra cair na água a pisada pode ser dolorida. Sim, cair na água. Depois de meses sem saber o que tomar banho de mar experimentei a dor e a delícia de me banhar em mar britânico. A água estava gelada e o tempo não tão quente. Mas nadei, mergulhei, dei cambalhota, pintei e bordei e fiquei o maior tempo possível dentro da água. O chato era aturar o vento frio quando a gente saia dela. Tinha que se enxugar rápido e botar uma roupa.

Estava um mormaço normal, até bom pros padrões britânicos. Como a gente tinha algum tempo e comida o suficiente pra nos manter até a volta não estávamos preocupados com nada, a não ser com a hora de pegar o ônibus de volta e que ainda estava longe. Resumo. Estendemos nossas toalhas, as mesmas que nos enxugamos e dormimos. Pra que. Eu acordei todo ‘camareônico’, como quando não passo protetor ao ir numa praia no Brasil. Por estar de camisa, bermuda, meia e tênis, as partes que ficaram expostas ao sol ficaram completamente vermelhas a ponto de descascar depois e demorar um pouco pra pele voltar ao tom normal. Meses sem praia já viu.

Algumas horas depois do sono fomos rodar um pouco a cidade e tirar fotos. Aliás, fotos foram o que a gente mais tirou. Até eu que não gosto muito de tirar fotos em certas horas fui convencido a modelar em algumas. E teve um lugar lá, um centro de artes e biblioteca da cidade que mais parece um Taj Mahal que foi um bom cenário pra fotografias. Demos mais uma volta pela cidade, apenas de um lado dela e não muito longe do nosso ponto de referencia, voltamos a ficar sentados na praia, voltamos a dar a volta no píer gigantesco, e o curioso é que na hora que a gente voltou as atrações já tinham sido fechadas por causa da hora e partimos de volta pra Londres. Depois de um longo dia na praia e com direito a banho de mar.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (27)

Minha última semana de aula foi a primeira semana de junho. Mais um ciclo foi encerrado. Vinte e quatro semanas de curso e mais três de pausa (Natal, Réveillon e Páscoa). No geral gostei do curso, apesar de alguns contratempos que já contei aqui, mas o interessante é que a mistura de nacionalidades, a torre de babel era legal. Claro que a gente se enturma primeiro com os conterrâneos e depois procura pelo resto.

No meu último dia e aula a professora chegou e perguntou se a gente continuaria as lições do livro ou se faríamos alguma coisa diferente. Votei logo na segunda opção, até pelo fato de ter levado, pra celebrar o encerramento dessa fase, refrigerante, batata e chocolates pra turma. E até por se tratar de uma sexta-feira a turma concordou comigo. Três filmes foram colocados em votação. Os três eu já tinha visto, mas dessa vez fui voto vencido e o meu James Bond perdeu pro Casamento Grego.

Ficamos assistindo o filme. Achei meio estranho que na hora do intervalo ela parou o filme pra fazer o break. Teve um dia que ela não pode dar aula e a gente também viu um filme, mas a gente não parou. Foi direto. Aproveitei o intervalo pra começar a servir o pessoal. Tinha até levado alguns CD’s e ousei botar algumas músicas no intervalo também. Rita cantando Beatles pra eles conhecerem o trabalho maravilhoso que ela fez e um samba enredo pra ensinar a Paula, venezuelana, a sambar. Claro que ela não aprendeu, mas adorou e chegou até a fazer um vídeozinho com a máquina dela.

Por falar em máquina, no final tirei foto de quem tava lá da turma, e das professoras, tanto da Nisha quanto da Abbie, já que do Mark eu havia tirado no na confraternização de Natal. Essa fase do curso estava sendo dado como matéria muito vocabulário, já que estrutura de tempo verbal e outras coisinhas, apesar de a gente também usar o tempo todo, já tava mais batido. De modo que eu ainda sinto certa dificuldade com os phrasal verbs e o vocabulário se não for muito bem praticado se perde com rapidez. Tô até pensando em fazer conversação só pra fazer a manutenção do inglês quando eu voltar pro Brasil.

No entanto, devo confessar uma coisa. Na véspera, na quinta, faltei aula. Mas foi por uma boa causa. Tem uma atração turística aqui que se paga um valor que não sei exatamente qual, mas que eu fui de graça. O amigo de um amigo meu arrumou cortesia pra gente dar uma volta na London Eye, a super roda gigante. Se você pensa em vir pra Londres e acha o máximo dar uma volta nela, eu confesso que não tem nada de mais. E me arrependeria em ter gastado dinheiro pra andar naquilo. Como era de graça e era novidade fomos nós três dar uma volta. Grandes coisas ver Londres de cima. Eu prefiro mil vezes ir ao Corcovado e ter a visão do Rio de cima do que a que eu vi aqui em Londres dentro daquela gaiola que lembrava um pouco o bondinho do Pão de Açúcar. É igual o museu de cera. Que graça tem ficar vendo uns bonecos só por que são idênticos a algumas celebridades, personalidades ou heróis de filmes como Hulk e Homem Aranha? Mas, enfim, tem turista pra tudo. E aquele dia eu tirei pra fazer programa de turista.

Mas, voltando pra sala de aula, foi muito bacana tudo que eu passei naquela escola. Fato que estão cada vez mais apertando o cerco pra estudante vir pra cá. A toda hora eles mudam as regras e as dificuldades só aumentam. E a London Study Centre, que é a minha escola, ou melhor, foi até aquele dia não é de fachada. Por que tem escolas aqui – o número está sendo drasticamente reduzido, mas a gente ainda encontra uma ou outra – que só se matriculando já basta. E se a gente se propõe a vir aqui pra estudar, e não pra migrar, que nunca foi o meu caso apesar de sempre querer um emprego fixo e regulamentado pra, no máximo estender o meu visto por mais uma temporada, não tem o porquê de ficar a toa.
AVENTURAS LONDRINAS (26)

Londres é cosmopolita. Isso é fato. E outra coisa que eu acho interessante é que nem muito longe desse caldeirão de gente vinda de todas as partes do mundo a gente pode visitar e conhecer lugarezinhos, uns já bem falados, outros nem tão conhecidos. Eu resolvi me aventurar por essas bibocas. Principalmente nessa ilha que se vai com uma facilidade de um lugar para o outro e é tudo relativamente perto em se comparando ao Brasil.

Só pra reforçar a memória, essa ilha comporta três países: País de Gales, Inglaterra e Escócia. Foi justamente pra esse último pedaço ao norte da ilha que em meados de maio resolvemos ir. Edimburgo, na Escócia, foi o nosso destino e a viagem foi aquele verdadeiro bate-volta. A passagem mais barata que a gente encontrou custava 40 libras (20 por perna) e de ônibus. Foi o que a gente fez. De trem é mais caro e de avião também não compensava muito.

Compramos o bilhete da National Express, uma empresa conhecida e que junto com a Euro Line, se bobear, faz a conexão Londres – Inhaúma e a gente ainda não sabe. Falando sério, tem mais destinos que a bolsa de um carteiro, mas o nosso já tava definido e decidimos não desperdiçar tempo nem dinheiro com albergues, ou seja, pela viagem durar oito horas dormimos no ônibus que não é grandes coisas. Pra falar a verdade, que saudades do 1001 (Rio- São Paulo). Os ônibus aqui são absolutamente desconfortáveis, os bancos mais estreitos que os de avião e os encostos se se reclinam cinco centímetros é um luxo. E outra. Quando você compra não tem lugar marcado e onde sentar, sentou. Claro que com essas condições de sardinha em lata tive que viajar no corredor pra botar minhas pernas pra fora e encarar as quase oito horas de estrada.

Como em qualquer viagem rodoviária havia as famosas paradas na estrada pra quem quisesse comprar alguma coisa. Como havíamos levado um bom estoque de comida e bebida pra evitar gastar ao máximo eu aproveitava somente para ir ao banheiro e dar uma checada assim por alto nos lugares. Nada que um Graal também não tenha. Se não me engano foram três paradas nessas quase oito horas. Enfim, ‘dormimos’ em Londres na sexta a noite e ‘acordamos’ lá na Escócia no sábado pela manhã. E fizemos bem. O principal de Edimburgo dá pra se conhecer em apenas um dia. A atração principal é o castelo, sem dúvida nenhuma, mas paga pra entrar e eu não fiz isso. Só tirar as fotos já ficou legal. Existe também o museu do whisky, bem perto do castelo e alguns pontos altos da cidade que vale a pena visitar. Chegamos e, claro, a primeira coisa que fizemos foi comer. Depois disso começamos a sessão fotos e caminhada. Sei que por volta das duas da tarde já tínhamos visto praticamente tudo. O Samuca, meu amigo, fez questão de ir vestido a caráter, como um escocês, de saia cujo nome oficial é kilt e tudo. Fez um pequeno sucesso com algumas pessoas que até pararam ele e pediram pra tirar fotos como se ele fosse uma atração também.

Por falar em atração, além da imponência do castelo, no espaço onde há o observatório da cidade, há também várias construções antigas (olha a redundância aí) e inclusive um canhão português que foi parar por lá. Numa praça, aos pés do castelo há uma fonte maravilhosa e os jardins em torno dela altamente bem cuidados. Uma das igrejas se tornou um centro de artes e inclusive tem um restaurante dentro também.

No fim da tarde resolvemos ir à praia. Praia que mais parecia um rio, mas era de água salgada mesmo. Salgada, fria e extremamente poluída. E na verdade não era praia como a gente conhece. Tava mais pra uma marina. Mas é que depois de algum tempo sem ver um sinal que fosse de mar, tivemos que passar um bom tempo contemplando aquilo que chegou mais perto de uma praia até aquele momento. Mas valeu a pena ter andado o dia todo pra conhecer um pouco de Edimburgo e da Escócia.

domingo, 28 de junho de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (25)

Creio que durante esse tempo em que eu estou em Londres duas notícias surpreenderam os cidadãos insulares. Uma foi a nevasca que caiu aqui no início de fevereiro, há dezoito anos não nevou como naquelas quase vinte e quatro horas deixando a cidade totalmente branca e parada, já que não são preparados e não têm estrutura pra agüentar e suportar a quantidade de neve que caiu. A outra é a que eu vou dar mais ênfase agora.

No exato momento em que estou escrevendo esse texto, ta passando na televisão a final de um programa chamado “Britain’s got talent”, uma espécie de ‘Ídolos’ britânico, de modo que aqui na ilha não é restrito apenas a música, mas performances também são válidas. A minha torcida está voltada pro fenômeno que, de certa forma, também parou a Inglaterra. Ela apareceu na triagem de Glasgow, na Escócia. Com quarenta e sete anos e completamente fora dos padrões de beleza impostas pela sociedade, ela chegou bem devagar e sendo totalmente crucificada por quem estava lá assistindo, mas quando abriu a voz cantando a música ‘I dreamed a dream’ do musical ‘Os miseráveis’, além de calar a boca do auditório deixou todo mundo de boca aberta. Tanto que o vídeo da participação dela no programa foi o mais visto no You Tube. Eu mesmo não me canso de ver e me emocionar. Tentei até botar no meu Orkut como um dos meus vídeos preferidos, mas por conta de direito autoral não pude fazer isso.

Susan Boyle ta sendo considerada o ‘patinho feio’ da Grã Bretanha. O desempenho dela mudou de vez sua vida. Convidada pra dar entrevistas em programas famosos como Larry King e Oprah nos Estados Unidos, sem contar as fotos, notícias e os paparazzi que ficam o tempo todo na porta da casa dela, ela nem sabe o que fazer. O sonho dela é de ser cantora profissional e após algumas frustradas tentativas esse programa está sendo um divisor de águas na vida de uma senhora solteira escocesa que tem por companheiro um gatinho.

O vencedor do programa vai embolsar uma boa quantidade de dinheiro. E os concorrentes são fortes, mas a minha candidata é ela por toda história de vida que ela passou tentando até chegar ao ápice do seu sonho e se transformar na queridinha da Inglaterra. Desde o meu primeiro acesso ao vídeo dela me tornei seu fã. A segunda aparição dela na TV, na semifinal, já famosa, ela se apresentou cantando ‘Memories’ de um outro musical “Cats” e não foi nem preciso dizer que também se saiu bem, tanto que está na final agora.

Sua preferência por musicais é bem visível. Não é a toa que ela canta desde os doze anos de idade sempre se apresentando pra um pequeno grupo de amigos e pessoas do pequeno vilarejo onde reside. Trinta e cinco anos cantando amadoristicamente e com sonho de ser profissional e tendo como exemplo Eliane Page, uma famosa cantora de musical, já dá pra desenvolver algum talento.

Claro que pessoas que cantam o gênero cantado por ela nunca vão parar o maracanã, como fazem os grandes astros do mundo, como Madonna e Rolling Stones, por exemplo. A voz dela ta mais pra Canecão e Vivo Rio que pra grandes locais como a Apoteose. Não sabemos como vai ser o futuro dela e o resultado só sai daqui a uma hora. Eu também nem preciso esperar pra dizer aqui qual foi. Como escrevo os textos com antecedência, na hora em que esse for publicado essa história já teve um desfecho e uma continuidade que nesse exato momento eu não posso precisar.

Mas, independente do resultado eu continuo torcendo pela carreira de Susan Boyle isso é fato. Enquanto ela lançar o disco dela quero ser um consumidor de sua voz. E espero que a música com que ela surpreendeu uma nação seja uma das faixas do disco. Susan Boyle, esse é o nome.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (24)

Quando se vem pra Londres tentar fazer um pé de meia a capacidade de transformação é imensa. Coisas que você não se propõe a fazer no Brasil, aqui, até por uma questão de sobrevivência, e quando se consegue um trabalho, você se vê obrigado a fazer. O serviço mais comum, principalmente pra quem ainda não tem um certo domínio da língua é o de cleaner, traduzindo: faxineiro. Pra quem desenrola um pouco mais, o que é o meu caso, serviços que lidam com o público é mais aconselhável. Um deles é o de garçom.

A gente no Brasil que faz de tudo um pouco também em algum momento de nossas vidas fomos garçons, seja numa festinha de um parente ou mesmo quando recebemos convidados na nossa casa e os servimos. A grande maioria das agências de emprego aqui pergunta se você já tem experiência como garçom. Essas experiências, na minha concepção já são válidas, afinal carregar uma bandeja não tem segredo nenhum.

No entanto existe um tipo de serviço nessa área de catering que tem todo um ritual. Aqui é chamado de silver service que nada mais é que uma forma diferente de servir a pessoa à mesa. Esse tipo de serviço, como todos os outros, a gente pega com o tempo de prática, mas existe uma espécie de curso, de aula pra ser esse tipo de garçom. E eu fiz. Pelo menos já posso voltar pro Brasil com um emprego quase certo. A primeira parte do curso ensinou como se arruma a mesa. Essa parte eu tirei de letra pelo fato de já ter praticado isso num dos meus treinamentos em restaurante. A distribuição dos pratos, taças, talheres e assessórios como sal, pimenta e manteiga. Depois foi mostrado como se limpa e empilha os pratos na mão e no braço. Nessa hora uma boa aula de malabarismo na escola de circo é válida pra não deixar desequilibrar e cair a pilha de pratos.

E tem duas técnicas de servir. Quando se trás o prato pronto da cozinha pode se carregar até três de uma vez e ao pequeno sinal do comandante do Buffet todos são servidos ao mesmo tempo e assim ninguém corre o risco de comer a comida fria. Geralmente duas pessoas, quando na mesa tem seis convidados, por exemplo, dão cabo de servi-las. Ou tem a travessa de comida que tem toda uma pompa e circunstancia pra segurar e servir também. Inclusive um lado certo, sentido anti-horário, enfim, todo um ritual específico. Foi um curso rápido e gratuito de duas horas que me mostrou coisas que eu já sabia e reforçou as que eu tinha idéia. Lembrei muito da Norminha, nossa cozinheira de festas e eventos da família, nessa hora.

É estranho pelo fato da gente mudar de posição, mudar de papel, de servir ao invés de ser servido como estamos acostumados em festas. Outra coisa que se nota aqui é que nos pubs não há quem te sirva. Por exemplo, se você quer beber alguma coisa, você pede, pega, paga e toma. Não existe aquela coisa de chamar o garçom e pedir pra trazer depressa uma boa média que não seja requentada. Cada um se vira. Eu acho esse esquema mais justo. Não tem a preocupação com cartelas, de perder e pagar uma quantia absurda depois e tal. Em alguns lugares até quem te sirva, mas quem faz o pedido é você direto no balcão.

Restaurante é a mesma coisa aqui, no Brasil ou em qualquer parte do mundo e a cultura aqui não é pagar os tais dez por cento. A gorjeta aqui é sagrada e mal educado é quem não dá. Como não sou daqui e nem freqüento lugares que tem garçom, não é do meu hábito, feitio ou costume dar gorjeta. Já vi em alguns lugares o que eu chamo de vigia de lavabo, ou seja, um funcionário que fica no banheiro dando sabonete e papel toalha e esperando que se jogue algumas modinhas no pires sobre a pia. Essa é a desvantagem em ser garçom de festas e eventos. Não se ganha as boas e generosas gorjeta que o povo costuma dar.