domingo, 31 de maio de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (21)

Apesar de a turma achar a professora um pouco fraca, meio inexperiente, agüentamos até o fim com ela. O nível intermediário se aproximava do final e as provas chegaram embrulhadas num papel de ovo de páscoa. (Isso é uma figura de linguagem pra dizer que foi na semana do feriado.) Entre janeiro e metade de abril, ou seja, três meses e meio, a gente assistia à aula sem uma motivação maior que não a de aprender e/ou relembrar algumas coisas da língua, mas não era aquela coisa vibrante de ‘oba, hoje tem aula, que bom’, a gente se via com a obrigação, mas sem o prazer. De modo que já no fim de fevereiro, início de março a professora começou a puxar mais pela turma e começamos a nos encontrar nesse sentido.

A prova foi dividida em dois dias, terça foi a parte escrita e quarta a parte oral. Eu até que fiz tudo confiante, só um pouco temeroso da parte de gramática, mas foi tudo tranqüilo. Na quinta a gente pegou o resultado. Eu havia passado e realmente a professora falou que a nota mais baixa minha foi na prova de gramática. Não tão baixa a ponto de ser reprovado, mas em comparação ao nível das outras notas, seria onde eu teria que me focar mais. Fiquei mais aliviado. Já pensou ter que tornar a fazer o nível intermediário? Tudo bem que quando eu cheguei e caí nesse mesmo nível foram só duas semanas antes dos testes. Concordo que seria muito difícil eu avançar de nível em poucos dias de escola, agora, em pouco mais de três meses era mis que minha obrigação. Por fim, consegui.

Na quinta fui pra escola só pra pegar o resultado e tivemos dez dias de folga, ou seja, tivemos a sexta e mais uma semana completa pra recarregar as baterias. Essa escola trabalha com nove níveis no curso de inglês geral. O upper-intermediate, o nível pra qual eu fui, é o de número sete. O oito é o avançado e o nove é o proficiente. Na segunda feira dia vinte de abril, véspera do meu aniversário, voltamos às aulas. Tomei um susto quando eu fui verificar qual era o número da minha sala. O meu nome constava como se eu não tivesse passado. Depois descobri que eles tiveram um problema no sistema e não só eu, mas algumas pessoas tanto da minha turma quanto de outras tiveram o nome ou na turma errada ou então nem apareciam na listagem. Mas nessa primeira semana mesmo isso foi sanado.

Nosso primeiro contato com a professora foi interessante. Mais ativa que a anterior a empatia bateu logo de cara. Pela primeira vez eu me simpatizei com uma indiana logo de cara – ela até pode ser inglesa, mas tem características físicas de indiana – e assim que ela começou a falar percebemos que a química iria ser melhor. Com ela a gente percebe que a hora não passa rápido e a atenção é bem maior nos assuntos que ela aborda. Creio também que a mudança no material didático ajudou um pouco a aumentar esse interesse nosso pelas aulas. Na primeira semana foi só uma revisão, mas a partir da segunda já começamos a usar o livro. Com ela o prazer de assistir uma aula voltou. Dá gosto de ir pra aula.

De modo que no meu caso é uma pena, já que desde essa volta, desde a mudança de nível eu só teria apenas mais sete semanas de aula. O tempo do meu curso, seis meses, está pra acabar e, segundo consta na carta que a escola me deu confirmando a minha matrícula, meu último dia de aula será sexta-feira dia cinco de junho. O tempo voa, não só em Londres, como no Brasil e em todos os lugares do mundo. Seis meses passaram num piscar de olhos e foi tão intenso que percebo ainda estar faltando alguma coisa. Mas, como canta Susan Boyle, ‘há tempestades que não podemos prever’. Essa mudança de ‘tempo’ na escola, benéfica pra mim, entrará em sua calmaria e eu ficarei a deriva, sem um norte certo, esperando o vento a soprar uma direção ou as correntes da vida me levar pra algum lugar.

domingo, 24 de maio de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (20)

Nem bem a gente respirou da feira de fevereiro, na última semana de março e primeira de abril, aconteceu a segunda edição do ano e terceira que eu faço. Essa ficou marcada por dois extremos com uma mesma pessoa. E foi justamente com meu amigo Alê.
Na quarta-feira dia vinte e cinco, na montagem da feira feminina foi o dia do aniversário da minha mãe, mas ela estava passeando com minha prima por Orlando e esperei que ela voltasse pra casa no domingo pra falar com ela. No domingo mesmo, dia vinte e nove também foi o dia do aniversário do Alê. Depois de já termos desmontado tudo fizemos uma singela comemoração entre os funcionários da feira com direito a bolo e champanhe. De lá acompanhei ele e a Carol até o restaurante de um hotel onde continuamos a comemoração com um jantar e um bom vinho Além do aniversário, se comemorou também um ano que os dois assinaram os papeis do casamento.

Na semana seguinte, na vez da feira masculina, a alegria da semana anterior deu lugar a uma tristeza profunda. Mal a gente acaba de abrir a feira ao público na quinta (ou seria na sexta – não lembro, não importa) e o Alê recebe a notícia da morte da mãe. O clima da gente não ficou legal, mas os clientes não têm nada a ver com isso. Dei o apoio possível e necessário a ele naquele momento, esperamos a Carol chegar e eles saíram pra tomar algumas decisões. Tanto que naquele dia eu tive que substituí-lo na função dele.

É difícil de imaginar que isso pode acontecer com qualquer imigrante que esteja passando uma temporada ou querendo ganhar a vida por aqui e de repente saber que não mais vai ver algum membro da família. Ainda mais sendo os mais próximos como mãe ou pai. Eu já to numa agonia aqui por não estar acompanhando o crescimento do meu sobrinho de perto, morrendo de saudade dele e de toda minha família, nem me passa isso pela cabeça.

A difiuldade pra se estar com a família neses momentos é grande, principalmente pra ele que está no processo de pegar o passaporte europeu já que é casado com uma italiana, quer dizer, com uma brasileira que tem passaporte italiano. Se ele realmente fizesse isso, esse processo iria parar e teria que dar entrada novamente. Tanto que quando liguei pra eles mais tarde, a Carol tinha me dito que o Alê iria trabalhar normalmente no dia seguinte. De alguma forma seria bom pra ele pelo fato de estar praticamente impossibilitado de deixar o país e não poder fazer nada em relação ao acontecido, ele se ocuparia com alguma coisa pra digamos aliviar os pensamentos.

Dias depois recebi um mail da Carol comunicando sobre a missa de sétimo dia que não seria exatamente o sétimo, mas teria essa intenção e seria justamente no domingo de Páscoa. O Felipe, que também volta e meia trabalha lá com a gente e faz parte do movimento jovem de uma igreja católica e brasileira de Finsbury Park que fez o link pro Alê e pra Carol. Foi até bom ter ido a uma igreja no domingo de Páscoa, primeiro pela intensão da missa, segundo por ser Páscoa e terceiro pra agradecer por tudo de bom e de não tão bom que tem acontecido comigo nessa terra.
Já disse e repito que todos que tiverem oportunidade deveriam viver uma experiência no exterior, mas no meu caso eu não quero ficar a vida toda aqui. É só uma experiência e creio que pelo menos em Londres um ano me basta. Por outro lado a minha vida está toda baseada no meu país, minha família, meus amigos sentem saudade e acaba que volta e meia esse sentimento pega a gente pelo pescoço e nos dá um nó na garganta difícil de afrouxar. Mas a gente se esforça pra aliviar esse nó de forca e tocar a vida pra frente. Enquanto der.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (19)

Tem um dia aqui em Londres que é considerado o marco da mudança de estação. Esse dia não é feriado, pelo menos aqui, mas se comemora num domingo que geralmente é de sol, aliás, é justamente o prenúncio de que a partir dali o tempo vai mudar gradativamente.

Na Irlanda é semana de comemorações que culmina com o feriado do dia dezessete de março, que nesse ano caiu numa terça-feira. Aqui a Trafalgar Square foi interditada pra shows após o tradicional desfile de bandas e fanfarras típicas irlandesas. Não é carnaval, mas a quantidade de homens que saem vestidos com aquela saia xadrez é considerável. Percebi uma diferença que até então não havia notado. Os escoceses também usam esse mesmo tipo de saia só que a deles é mais longa que a dos irlandeses. Não sei se a Irlanda é menos fria ou eles são mais sem vergonhas mesmo, mas que há essa diferença há.

A praça estava tomada de gente. Parecia uma manifestação em favor da consciência ecológica devido à quantidade de pessoas que estavam vestidas de verde, uma das cores da bandeira irlandesa. As outras duas são o laranja e o branco. Cada cor tem a sua função naquela bandeira, como a do Brasil. O verde representa os católicos, a laranja os protestantes e o branco a paz entre as duas crenças. St. Patrick é tão venerado na Irlanda que as lendas que surgem em torno dele são fantásticas, como a expulsão das cobras da ilha.

Todos os pubs daqui (pub são como eles chamam os botecos) cobram no dia do santo apenas um pound (libra) a pint (medida que eles usam pra servir a cerveja no copo que tem em torno de seiscentos mililitros). Outras lendas e tradições irlandesas também ficaram expostas lá na praça. Além da pint o tal do Irish Coffee (que eu tomo em outras variações já que o uísque eu não consigo tomar nem com café) é outra bebida bastante consumida e tradicional de lá.

Um outro personagem famoso irlandês é o leprechau, um primo dos gnomos e duendes que geralmente aparecem guardando o pote de ouro no fim do arco íris. O trevo de três folhas também é outro símbolo deles. As danças típicas se assemelham muito as nossas danças de festas juninas. Os passos são praticamente os mesmos, só o que muda é o ritmo, o andamento e o idioma das músicas. O dia realmente tava bonito e foi a primeira vez que tirei os óculos de sol da caixa e os coloquei pra sair de casa. E foi a primeira vez que eu senti um calorzinho nessa terra fria.

Fui lá na praça ver a festa e sentir um pouco mais da cultura irlandesa. Não sei se era pelo dia ou pelo clima, mas até que tava legal. Shows de grupos e cantores irlandeses, até o Roberto Carlos deles, e de música folclórica se apresentaram no palco armado aos pés da estátua do ‘tio Nelson’. Levei a maquina pra tirar fotos e fazer vídeos como um teste pra ver se dava certo. As fotos ficaram boas (vide Orkut) e os vídeos ainda tenho que melhorá-los um pouco, mas os guardei na memória do meu computador, não todos, eliminei os que eu não gostei.

É como se fosse a abertura oficial da primavera. Mais tarde, lá na praça mesmo, encontrei com duas meninas que moravam na casa comigo, a Kitty e a Natty. Já quase no final da festa elas duas se juntaram a um grupo de amigos que estavam perto da gente e também dançaram a quadrilha irlandesa. Eu só fiquei na foto filmagem do ‘mico delas duas. Se bem que nem foi tão mico assim, por que a dança era tão igual a nossa que as duas tiraram de letra e fizeram até melhor que algumas pessoas que lá estavam bebendo pints desde cedo. O venerado Saint Patrick aqui equivale aos nossos santos do mês de junho.
AVENTURAS LONDRINAS (18)

A pior coisa que acontece quando se mora numa casa como a que tenho vivido aqui em Londres é a alta rotatividade. É um entra e sai de gente que sempre que tem uma cara nova por aqui eu pergunto se está morando na casa. Às vezes é só visita, mas nunca se sabe do dia de amanhã. A visita de hoje pode ser o morador de amanhã. Pra sorte minha o meu quarto é duplo, ou seja, eu só divido com mais um e tem sido o mesmo desde quando eu cheguei aqui. Aliás, a gente já fez uma espécie de pacto. Se um sair daqui o outro sai também justamente pra não ter esse tipo de problema.

Quando eu cheguei aqui havia três meninas inseparáveis. Três gaúchas, a Helena, a Juliana e a Patrícia que eram as relações públicas da casa. Tudo quanto foi festa, tipo Natal e réveillon, jantares em comemoração a algo eram sempre elas que faziam. A Helena foi embora poucas semanas antes da Patrícia e da Ju. Essas duas continuaram a viajar enquanto a Helena veio pra cá pegar as malas e embarcar de volta pro Brasil. As malas delas, enquanto rodavam por esses últimos dias, ficaram aqui no nosso quarto que além de ser o mais espaçoso da casa fazia com que o quarto que ocupavam ficasse livre pra outras pessoas que chegassem.

Não chegaram e elas voltaram pra passar mais três dias aqui com a gente e voltar no início de março. No mesmo dia que elas foram embora chegaram as paulistas pra ficar no lugar delas, ou seja, o jantar de despedida da Ju e da Pati foi o mesmo de boas vindas da Kitty e da Nati. Como elas tinham que ir para o aeroporto bem de madrugada, elas não dormiram, pois ficaram arrumando as malas aqui no quarto até quase três da manhã e o taxi veio buscá-las as cinco.

Eu, pelo menos, que gosto de criar vínculos de amizade com as pessoas sofro muito com uma despedida. Por mais que tenhamos convivido por alguns meses juntos, já foi tempo suficiente pra formar um bom laço de amizade, afinal compartilhávamos tudo, principalmente a casa e algumas histórias de vida vivenciadas juntas ou não. Pra mim isso também não passa de um teste, de quanto eu agüento presenciar essas idas e vindas, esses encontros e despedidas. Enquanto eu viver por aqui será assim e vai chegar o meu dia também de ir embora e deixar pessoas aqui. É tão ruim mexer com os sentimentos dos outros, mas ao mesmo tempo é gratificante só imaginar que em algum momento vidas foram cruzadas e que só se aproveitou a boa parte desse cruzamento.

Eu estou fazendo uma listinha das pessoas que passaram por essa casa e nela ficou por mais de uma semana desde a minha entrada por aqui. Conviver com até catorze pessoas de lugares diferentes, até de diferentes partes do mundo como já aconteceu é uma experiência bacana. O chato é só que ultimamente tem chegado mais brasileiro que estrangeiro e pra quem veio pra cá querer aprender ou treinar o inglês assim fica mais difícil. Se por um lado compensa ficar mais próximo à gente da sua terra, por outro a proficiência na língua vai custar um pouco a chegar. Eu to até analisando a possibilidade de sair daqui e ir pra outra casa onde não haja brasileiro e nem pessoas que falem espanhol, mas depende do preço, da estrutura e da comodidade que eu terei nessa casa nova, se vai valer a pena ou não. Enquanto isso continuarei a observar o entra e sai das pessoas nessa casa do topo. Digo topo porque o único quarto do andar mais alto, aliás, só dá a gente aqui.

É triste, é sofrido ver um amigo partir, voltar pra terra. É promessa de reencontros, mas a vida aqui é assim. E a gente tem que se acostumar com ela do jeito que ela é. ‘A vida vem em ondas como o mar num indo e vindo infinito/ Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo’, como diria Lulu Santos e Nelson Motta. 38 Osborne Road - Brent - NW2 5DP. London UK. Esse endereço já faz parte da minha história.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

AVENTURAS LONDRINAS (17)

Cheguei nessa terra numa quarta. Na quinta tentei sair de casa, mas fiquei preso por ainda não ter pegado o macete de como se abrir o portão da casa do Alê e da Carol e somente na sexta que foi quando fui pela primeira vez na minha escola até mesmo pra marcar quanto tempo duraria o trajeto e fazer o teste pra ver em que nível eu cairia, foi quando eu me aventurei pela primeira vez sozinho pela cidade.

Cheguei lá, mostrei a carta da escola, fiz o teste, entrevista e caí no nível seis dos nove que essa escola conceitua. Enquanto estava terminando de pegar as informações necessárias pro que eu devia levar lá no meu primeiro dia de aula, no caso depois do fim de semana, um brasileiro se aproximou de mim pra me ajudar a colher essas informações. Ainda faltava um pouco pro início da aula dele e comecei a conversar com ele, a extrair tudo o que eu queria saber e que lembrava naquele momento de perguntar.

A coincidência foi enorme já que aquela sexta foi o último dia de aula dele e eu tava chegando lá na escola ainda cru. Em meia hora de papo fiz o meu primeiro amigo em Londres. Mais uma pessoa em quem eu podia me apoiar e mais um que marcou essa minha passagem por aqui. Pelo fato de ele trabalhar, e eu ainda não, a gente tentava combinar alguma coisa pra gente fazer juntos, pra ele me apresentar na cidade como um museu, por exemplo, sempre nos dias de folga ou depois que ele saísse do trabalho dele. Às vezes a gente comprava comida no mercado e fazia um jantarzinho só pra ter um motivo pra gente se encontrar quando desse.

Ele foi a primeira pessoa que me levou num museu. E a gente construiu uma amizade tão sólida que no final da temporada dele aqui, cerca de um mês antes dele voltar pro Brasil, ele teve que se mudar de onde estava. Ele sempre ficou no mesmo flat desde quando chegou e o quarto dele era um que cabiam três pessoas, mas durante um bom tempo o quarto ficou vazio a ponto de ele ser praticamente ‘expulso’ e ter que arrumar outro lugar pra morar. Ele até fez isso, mas não gostou do local e me ligou pedindo ajuda. Resultado acabou vindo pra casa onde moro e passou suas últimas semanas aqui.

Um fato pelo qual ele passou e que assustou a gente foi quando ele tirou dois dias pra conhecer Paris e a imigração barrou a entrada dele de volta para a Inglaterra. A gente aprendeu com a experiência dele que pra qualquer lugar que se vá viajar deve se levar sempre a carta da escola, a passagem de volta pro Brasil. De modo que no caso dele, por já ter terminado o curso e continuar trabalhando imaginaram que ele ficaria mais tempo aqui, tanto que fizeram com que ele não mais trabalhasse e encurtasse a passagem do dia trinta de março pro dia dezessete.

Ele ficou num desespero tão grande que já tinha me pedido pra fazer de tudo pra levar as coisas dele pra Paris pra ele voltar de lá pro Brasil, mas depois com as coisas se resolvendo o único trabalho que tive foi escanear os documentos e mandar via mail pra que ele pudesse imprimir lá e argumentar pras autoridades que ele não iria fazer nada contra a lei e iria cumprir todas as determinações que fossem dadas. Foi exatamente o que ele fez e no fim tudo deu certo. Dos cinco dias que passou em Paris, dois foi passeando e três foi tentando voltar. O susto, tanto dele quanto nosso foi grande, mas foi bom pra gente aprender também.

O Cesar foi meu primeiro amigo de Londres. Aliás, essa terra e boa pra fazer amizades, principalmente com brasileiros já que a maioria, pelo menos dos que eu conheço, está no mesmo barco. É muito difícil viver num país com outros hábitos e cultura, mas quando tem brasileiro por perto, e aqui tem bastante, as coisas tendem a parecer ficar mais próximas, mais perto de casa. Claro que amizades são sempre bem vindas com qualquer cidadão do mundo, mas a gente tem a nossa peculiaridade.
AVENTURAS LONDRINAS (16)

Os meus tempos de faculdade fizeram com que eu cultivasse amizades insubstituíveis e mantidas, assim espero, pela vida toda. Sei que pelo fato de eu estar longe agora é mais difícil o contato mais constante com a minha turma, mas pra isso existem os sites de relacionamento, mensagens instantâneas e o bendito e-mail.

Um desses meus grandes amigos, há três anos se mudou de mala e cuia pra Espanha, mais precisamente Salamanca. O Wlad e a Ana adotaram e se adaptaram a vida espanhola e pelo visto não voltam mais pro Brasil. Pois bem, no último dia da feira quem é que me aparece aqui em Londres? Meu amigo Wlad. Ele veio fazer um curso de inglês de duas, apenas duas semanas, ou seja, na segunda quinzena de fevereiro eu me ocupei também em ciceroneá-lo e mostrar alguns lugares pra ele. Não que eu já conhecesse todos ainda, mas os principais ali pelo cento da cidade.

Um pouco antes, via MSN, nos comunicamos e ele me contou sobre essa sua intenção. Claro que dei todo o apoio e me prontifiquei em ajudar no que fosse preciso. Primeiro ele tinha visto um curso e/ou uma acomodação lá na zona cinco, ou seja, bem afastada do quente da cidade. Depois ele arrumou um curso em Finsbury Park, que provavelmente eu também farei caso eu consiga a extensão do meu visto, e freqüentou. Coincidentemente nossos horários bateram, ou seja, era eu no meu curso e ele no dele e a gente se encontrava ou antes ou depois. Logo na segunda-feira a gente saiu. Ele veio aqui pra casa e saímos eu, ele, o Airton e o Guilherme. Fomos pra uma boate das mais badaladas de Londres. Na verdade a gente saiu meio sem rumo e acabamos parando nessa boate.

Ele deve ter dormido uns dois ou três dias aqui em casa. Claro que teoricamente isso é proibido, mas a gente dá um jeito de burlar esse impedimento, afinal dois, três dias dormindo aqui não altera a rotina da casa e de ninguém e não vai ser última vez que eu ou o Airton faremos isso. Sempre que alguém quiser estaremos de portas abertas, desde que haja um consenso entre a gente e um senso do respectivo ‘hóspede’. O Wlad com aquele jeito dele brincalhão, expansivo e bastante comunicativo, também cativou a galera da casa. Pra se ter uma idéia, uma semana depois da chegada dele aqui era domingo de carnaval e teve churrasco na casa da Aline. Ele veio. E no dia seguinte, na segunda quando eu disse que eu ia pular carnaval no Guanabara, uma boate praticamente de brasileiros lá foi ele comigo mesmo não sendo chegado, ou já tendo se acostumado a não pular o carnaval.

Não sei quando nos veremos novamente, mas certamente não voltarei pro Brasil sem antes visitá-lo na Espanha. Aliás, das três pessoas que conheço que moram aqui pela Europa, uma é ele. As outras duas são o Renan, que vive na Holanda e a Tina na Bélgica. Quanto a essas pessoas, minha visita será real. Ainda não posso precisar quando, mas já que estou por aqui perto não custa nada rever outros grandes amigos. Não tenho como planejar, pois ainda estou descobrindo o que essa cidade pode me oferecer. E quero rodar por aqui também, tipo Escócia, Liverpool, Irlanda. São tantas as possibilidades que a gente chega a ficar tonto.

Na sexta-feira, véspera de ele ir embora nós andamos pela Oxford pra que ele entrasse nas lojinhas de souvenir e comprasse lembranças pra Ana e pro pessoal que trabalha com ele. Como última refeição juntos e em Londres comemos um sanduíche no Subway. Envolvido com um doutorado em Direito Internacional lá mesmo em Salamanca e gerenciando um restaurante ele ficou com vontade de voltar pra cá se juntar ao nosso time de batalhadores do Brasil em terras britânicas e talvez faça isso em julho. Caso isso realmente ocorra, espero estar aqui ainda pra acompanhá-lo. Mas aqui tudo muda o tempo todo, principalmente os planos que temos em mente.