quinta-feira, 3 de setembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (8)

Costumava sair do albergue entre dez e deze meia da manhã pra aproveitar ao máximo o dia. Poderia sair mais cedo também, claro, mas preferi ficar fazendo esse esquema de andar o dia todo desse horário até umas oito e meia noite e esse dia eu tirei pra ir ao Vaticano, já que por todas as recomendações que eu tive de quem já esteve lá, um dia todo era o que eu precisava praconhecer grande parte de lá.

Pois bem, um fator me levou a adiar parte da visita. Como fazia tudo a pé, cheguei lá por volta do meio dia. Mas também não fui direto. Passei em alguns pontos antes pra tirar fotos, entre eles o Castelo de Sant’Angelo, e fui fotografando o que me atraía. Eis que quando comecei a fazer o mesmo em frente a basílica a pilha da minha máquina acabou. Raiva. Não ia gastar dinheiro por conta disso. Havia comigo no albergue uma reserva de pilhas. Que fiz? Voltei pro albergue só pra pegar as pilhas.

Esse trajeto de ida e volta demorou pouco mais de uma hora e as duas horas da tarde estava eu de volta ao Vaticano pronto pra tirar mais foto e sem me preocupar com pilhas dessa vez. Tornei a fotografar. Como eu parava sempre por volta das duas e meia pra comer, depois de algumas fotos sentei nas pilastras do lado esquerdo (pra quem olha a basílica de frente) como grande parte das pessoas fazem. Estava eu comendo biscoitos e bolinhos quando uma desgraçada de uma pomba cagou em mim. Pra sorte minha não caiu na comida, mas e como eu ia me limpar depois? Passei água que eu estava bebendo – lá também tem fonte pra gente encher as garrafas e sem a proximidade de pombos já que esses cagam nas nossas cabeças nas pilastras do Vaticano – depois de ter tirado o excesso com um pedaço de papel, na verdade um tipo de cartolina dura que vem com o bolinho para proteger.

Se fossem pombas da paz não fariam isso, mas pombas profanas, cinzas, que não têm um pingo de sentimento no coração e fazem isso com criaturas inofenivas que somos nós, os humanos, não merecem nosso respeito. Cada vez mais eu tenho horror a pombo. Uma vez eu tava assistindo um filme onde estava a solução pra dizimá-los da face da terra. É só dar alpiste envenenado. Sabe que pombo come de tudo. Eu já vi um comendo batata frita. E o pior são as pessoas que jogam pedaço de pão, farelos de biscoito pra eles comerem e ainda tentam fazer com que eles fiquem em pé no braço pra comer na própria mão. Acho isso nojento. Pombo não serve pra nada a não ser pra fazer o que eles fizeram comigo e transmitir doenças que podem até levar a morte. Eu acho que vou lançar uma campanha de guerra aos pombos de praça. O problema é o serviço de proteção aos animais. A proteção tem que ser contra os donos que maltratam seus bichos de estimação ou por ventura mal tratam animais indefesos. Aposto que matar, dizimar a população de pombos não vai desequilibrar acadeia alimentar.

O que pombo come? Rato? Como se um voa e o outro fica no subterrâneo? Aposto que sem pombos no mundo as praças ficariam mais bonitas e menos poluídas. Lá em Veneza eu tirei uma foto que minha prima Jana deixou um comentário dizendo que odiava pombo – ela é das minhas- masque aquela foto estava linda. Se não tivesse os pombos então estaria perfeita. Morte aos pombos. Mas vamos parar de falar de pombos, eles não merecem esse tempo todo de discurso, mesmo sendo contra.

Pois bem. Duas e meia da tarde fui eu entrar na basílica de São Pedro. Na primeira parte da visita a gente passa por trás e por baixo da igreja propriamente dita, nas tumbas dos papas. Não creio que estejam todos lá, afinal o que a igreja já teve de papa... tem umafoto que tem a listagem de todos eles numa placa na parede de uma parte interna da basílica. Claro que o túmulo mais requisitado ainda é o de João Paulo II. Depois de quatro anos da sua morte ele ainda é visto como um santo e as pessoas depositam flores, ajoelham em frente a sepultura, rezam por ele e até choram.
AVENTURAS EUROPÉIAS (7)

Pra se ter uma idéia só nas três horinhas que andei no dia em que cheguei por perto do albergue, já visitei oito lugares que o mapa indicava.

Por eu ter acordado as seis e meia, ter aquela coisa toda de aeroporto, queria dormir cedo pra aproveitar ao máximo o dia seguinte e visitar o maior número possível de pontos turísticos. Claro que não dava pra ver todos e eu teria mais dias pela frente pra fechar o mapa por completo.

O dia seguinte era justamente num domingo, ou seja, descartada a possiblidade de ir ao Vaticano pelo fato de estar lotado por conta do papa. Então deixemos o vaticano pra segunda. Peguei o mapa e vi qual era o ponto mais longe do albergue e fui andando. Mais vinte e quatro marcações começando com a Fontana de Tritone e a Trinita dei Monte, onde fica a Piazza di Spagna e Piazza del Popolo, pegando a região entre a Via Del Corso e o rio Tevere e terminando numa sinagoga que tem perto da Isola, a ilha do rio e incluindo algumas coisas atrás do rio, ou seja a região de Trastevere e arredores.

Um sol a pino, um calor de rachar e litros e litros de água pra dentro do organismo. Em Roma todos enchem suas garrafas de água nas bicas e fontes de água espalhadas pela cidade. Eu por minha vez escolhia as que os pombos não chegavam perto. Por exemplo, em frente ao Pantheon tem uma fonte, mas a cuia, o resrvatório fica cheio de pena de pombos. Essa não.

Eu gostava de encher a minha na Fontana de Trevi. Aliás, eu achei um absurdo, a ponto de fazer vídeo, sobre o que eu chamo de pescador de ilusão. Esse lugar é conhecido no mundo todo e geralmente as pessoas têm o costume de jogar moedinhas na ilusão de que seu pedido ou desejo seja atendido. Por mais que tenha três guardinhas fazendo a suposta segurança do local e sempre apitando pros turistas mais abusados ou desligados que sentam onde não podem ou comem perto da água e são chamados a atenção, não é possível que eles ainda não tenham percebido a ação de um sujeito que volta e meia saca do seu bolso um tipo de antena com um imã na ponta e pesca as moedas claro de maior valor.

Teve um dia que eu o segui até um bar ali perto mesmo, mas não vi o que ele fez com as moedas, se só deixou por lá ou se trocou por alguma coisa. Também fiquei com vontade de mostrar pros policiais que fazem a suposta segurança do local, mas eles já devem ter conhecimento disso, por que não é possível. O ladrão da fonte é tão conhecido quanto a própria fonte. Eu mesmo fiquei alguns minutos fazendo o vídeo e lá aparece um turista apontando pro homem acho que tentando avisar alguém. Um absurdo. Depois falam mal do Brasil.

Geralmente eu chegava no albergue por volta das oito e meia da noite e ia direto pra cozinha fazer o macarrão. Jantava e depois tomava um banho e dependendo do bolso ficava na internet. Nesse albergue de Roma a gente tinha direito a meia hora de internet por dia, o resto era pago e nem sempre eu tinha moedas na carteira pra dar em troca de um tempo maior. Mas dava pra fazer o que eu queria, só não dava pra ficar muito de papo no MSN.

Acordava em torno de oito e meia me arrumava e tomava o café da manhã. Pão com mantega e geléia, chocolate quente, sucos de laranja e abacaxi e a partir dali passei a comer cereais também. Não foram todos os dias, mas como estava muito quente e eu me desgastava muito andando só comendo biscoito e bolinho duas vezes por dia além da quantidade enorme de água, não custava nada reforçar o café da manhã. Albergue tem disso. Hora pra comer, hora pra deixar o quarto e a gente tem que obedecer, ou melhor, se adaptar. E pra quem é mochileiro a tática camaleônica é a principal característica de viagem. Não só nos albergues, mas nas cidades e nos países também.
AVENTURAS EUROPÉIAS (6)

Não sei se era por ser vôo doméstico, mas nenhum dos vôos que peguei a gente entrava naquele túnel e sim pegava o maldito ônibus que levava a gente até o avião, tanto pro embarque quanto pro desembarque. Pro desembarque é mais comum, creio eu, mas no embarque não acho que seja legal esse esquema, perde todo o glamour de um vôo, mesmo que esse dure apenas uma hora. Novos tempos da aviação depois dos atentados de Nova Yorque.

Na fila de embarque tem aquela divisão de quem pagou pra entrar primeiro no avião, o grupo A e o grupo B. Eu não sei por que o desespero de querer ser o primeiro. Deve ser pra pegar a melhor janela do avião já que, assim como os ônibus, não existem lugares marcados e senta-se onde quiser. Pra variar, mais uma vez, encontrei com um casal de brasileiros que estavam voltando pra Roma e voltariam pro Brasil no dia seguinte. Ainda tivemos que esperar retirarem algumas malas do bagageiro por que tiveram três pessoas que fizeram o check-in mas não entraram no avião e por norma as malas devem ser retiradas. Acho certo isso, vai que tem uma bomba dentro delas. Isso atrasou um pouco mais o vôo.

Viemos conversando, não durante o vôo porque eles queriam descansar, pois passaram um dia corrido em Veneza. Mas no transito pro avião e no trajeto do aeroporto pro centro de Roma a conversa rolou solta. Como o aeroporto não fica em Roma exatamente, mas perto, existe um trem que a gente paga nove euros e nos leva direto para a estação central de trem de Roma, que eles chamam de Termini. Por estar muito quente, a gente entrou num vagão que mais parecia uma sauna. Imagina uma lata fechada e você dentro o calor que faz. Um sujeito lá avisou pro casal pra mudar de vagão por que aquele tava insuportável. E tava mesmo, mas de início eles não entenderam e eu muito menos. Depois ele foi verificar e realmente o vagão da frente tinha ar refrigerado. Sem pestanejar pegamos nossas malas e mudamos de vagão. Menos mal e menos quente.

Conversa vai, conversa vem descobri que o cara foi meu contemporâneo de faculdade. Ele na área de economia fez algumas matérias na mesma faculdade e no mesmo período que eu fazia. Se a gente calhou de pegar a mesma turma, isso tá completamente fora do alcance da minha memória. Nos despedimos no Termini, eu segui pro meu albergue e eles pro hotel onde iriam ficar que era mais ou menos na altura do meu, mas do outro lado da estação.

De acordo com as indicações, era só sair a esquerda e entrar na rua que terminava justamente transversal a rua que beira o Termini. Claro que me perdi pra achar a rua e fui parar cinco ruas depois, no entanto, como dizem, quem tem boca vai a Roma e eu já estando nela entrei num hotelzinho e perguntei. Depois, pra confirmar, perguntei pra um camelô também. E realmente, era mais perto do que eu imaginava.

Nessa meia hora de perdido achei um mercado na própria estação. Minha mãe já tinha me avisado que existia um ali, mas primeiro eu tinha que dar entrada no albergue e depois voltar lá. Foi o que eu fiz. Deixei minhas coisas no quarto e fui pro mercado. Nas informações que me foram passadas descobri que naquele eu podia cozinhar. Ou seja, além do estoque normal de água, suco ou chá, biscoitos e bolinhos pra comer durante o dia, comprei macarrão, atum e ketchup pra fazer toda noite que eu chegasse das caminhadas pela cidade. Esse albergue é bom. E pra quem é mochileiro eu recomendo com o pé nas costas. Além de ter uma estrutura legal, dá pra cozinhar e fica perto de tudo, de modo que não precisa gastar um centavo com transporte. Só precisa é ter disposição pra andar um pouco, mas como é tudo relativamente perto dá pra fazer muita coisa em um dia. E outra, eles dão o mapinha da cidade.
AVENTURAS EUROPÉIAS (5)

Andei Veneza de cabo a rabo, explorando todos os pedaços daquela ilhota e tirando bastante fotos. Enfim, eis que chega a hora de finalmente conhecer a tão falada e famosa praça de São Marcos. Realmente é bonita e a primeira imagem que me veio a cabeça foi do início da novela Vamp, onde a personagem principal, interpretada pela atriz Claudia Ohana dá um show de dança e quem tava num dos restaurantes da praça assistindo era outro personagem tão vampiro quanto ela, interpretado pelo Guilherme Leme. O nome da personagem dele me foge a memória, mas ela se chamava Natasha.

Pra subir no campanário, ou seja, na torre que fica em frente a igreja pagava-se em torno de sete euros. Pra entrar na igreja acho que não pagava nada, mas na hora em que eu passei lá tinha uma fila enorme e o horário de visita estava acabando. Nem entrei. Ali na praça mesmo tem um relógio daqueles de desenho animado com o sino a mostra e dois bonequinhos que martelam o sino de hora em hora. Me lembrou muito um desenho do Pica Pau. Eu ainda rodei por aquele lado tirando fotos e mais fotos de todos os ângulos possíveis, com detalhes, sem detalhes, com zoom, etc.

Falando em fotos, as divido em três categorias. As normais, comuns que a gente tira mesmo, as que eu chamo de ‘eu em’ que são as com a minha cara em algum lugar e as consideradas ‘detalhes tão pequenos’ que é uma foto mais bem elaborada considerando posição, luz, proximidade (zoom), enquadramento, isso tudo com uma máquina digital normal, sem nada de profissional ou especializada. Claro que não são todas as fotos que eu ponho no Orkut. Por exemplo, Roma foram mais de quatrocentas fotos o que preencheria quatro álbuns. É difícil selecionar as fotos que vão ser postadas, mas também tem muita foto que não tem destino a não ser o lixo. Ás vezes na tentativa de uma foto sair boa tem sempre umas três ou quatro que saem meia boca, mas o feedback que eu estou tendo está sendo positivo, as pessoas têm gostado do resultado.

Ainda rodei por ali e saí da praça de São Marcos por volta das oito da noite, pois o dia seguinte era dia de acordar cedo. Tinha que estar no aeroporto as oito da manha pra pegar o vôo pra Roma e ainda tinha que arrumar as minhascoisas e entrar na internet. A vantagem de Veneza sobre Milão era essa: internet com acesso ilimitado e wireless. Acho que era a única também.

Coloquei o meu despertador pra tocar as quinze pras sete da manha, pois eu ainda tinha que usar algumas coisas antes de por na mala e fechá-la. Foi o tempo certo. As oito da manha saí do albergue, passei na birosca pra tomar o café da manha e fui andando puxando a mala por Veneza, subindo e descendo pontezinha, até chegar no terminal de ônibus, que era relativamente perto do de trem, pra pegar o ônibus direto pro aeroporto. Lá se foram mais três euros.

Cheguei no aeroporto com tempo de sobra, uns quarenta minutos antes do check-in abrir. O aeroporto de Veneza é pequeno e não dava pra ficar circulando muito até mesmo por conta disso, pois sempre chega gente pra embarcar e o saguão fica a maior parte do tempo cheio. Na verdade, o que eu fiquei procurando era o tal do terminal B, pois era assim que vinha escrito no meu bilhete. Acho que o que divide é a porta de entrada. Pra esquerda fica o A e pra direita fica o B. Foi a única explicação que achei pro tal do terminal B. Se o saguão não é tão grande, a sala de embarque desmente essa teoria. Depois que se passa pelo sistema de segurança parece que o aeroporto triplica de tamanho e se transforma em um verdadeiro shopping center. Aliás, acho que essa é a tendência dos aeroportos, até por que com essa economia de não servir mais comida, e sim vender durante o vôo, nada mais lucrativo que abrir uma lanchonete na cabeceira da pista de decolagem. E os preços das coisas também não são baratos, afinal é aeroporto e tudo no aeroporto é mais caro um pouco.