quinta-feira, 29 de outubro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (12)

Era o meu lugar preferido e era perto do albergue que eu tava. Dei um tempo e voltei pro albergue na hora do almoço, mas antes eu passei na lavanderia pra pegar minhas roupas e já deixar no quarto. A segunda coisa que eu tinha que fazer era reservar meu bilhete de trem pra Alemanha. Eu tava com medo de na entrada da Alemanha começarem a me fazer perguntas como fizeram na Itália, então eu tinha que entrar no país já com a garantia da saída. Por conta desse desespero fiz uma coisa que não se deve fazer. Fui numa lan house e fiz a reserva de lá. O que eu sabia pra que a compra ficasse segura eu fiz, mas nunca se sabe se quem vai sentar no computador depois do seu tempo é um hacker. Morri de medo, mas fiz. Até agora não apareceu nada de diferente que eu saiba na fatura do cartão de crédito.

Depois de tudo certinho e impresso, inclusive o endereço e o telefone do Renan, voltei pro albergue, guardei os papéis e dei uma última volta por Roma. Fiquei ali mesmo nas redondezas do albergue e me lembro perfeitamente que a última foto que eu tirei foi do Coliseu. Voltei pro albergue, arrumei as malas, comi a última parte do macarrão com atum, já que na noite anterior comi aquela lasanha caseira no restaurante e dormi cedo, já que o vôo pra Berlim era pela manhã e saia do aeroporto de Ciampino, ou seja, cheguei por um e saí pelo outro. Conheço os dois aeroportos de Roma.

No términi sai um ônibus direto pro aeroporto que custa quatro euros. Peguei um que saia as seis e pouca da manhã e em quarenta minutos estava lá, na fila do check-in pra embarcar pra Berlim. O esquema que vigora nos aeroportos é uma coisa complicada. Não sei se foi nesse. Mas teve um deles que por eu ter esquecido de botar o colírio num saquinho plástico transparente me pediu pra voltar e fazer. Um frasco de menos de cem mililitros, que fica dentro do estojo da lente, o cara pediu pra botar num saquinho transparente. E essa história de tirar o tênis e andar num coredor próprio pra ver se não tem nada no tênis. Acho certo, mas atrasa a fila e tem certos pés que não cheiram lá muito bem. Sobre o comércio eu já falei.

Enfim, eis que chego em Berlim. Descemos do avião, pegamos o ônibus e fomos pra dentro do aeroporto. Eu já estava preparado e documentado pra bateria de perguntas. Porém, pra surpresa minha ninguém deu bola pra mim. Entrei na Alemanha sem ser interrogado, como um cidadão europeu. Até pensei em virar pra uma autoridadeque tava lá e pedir praque eles checassem minha documentação, mas deixei pra lá.
Mais tarde, o Renan me disse que os vôos internos dos países que fazem parte da União Européia são considerados domésticos, como um vôo Rio-São Paulo. Eu fiquei mais aliviado por que foi exatamente por esse fato que eu botei Espanha entrando por Madri como último destino. Sei que eles encrencam com brasileiros. Mas agora estou mais aliviado e a preocupação maior é mesmo a volta pra Londres. Ainda falta um pouco. To chegando na Alemanha agora.

Saí do aeroporto direto pra estação do metrô. Segui as indicações que o albergue me deu, mas parei em frente ao mapa do metrô exposto na parede e me parguntei: e agora? Como fazer pra comprar o bilhete? Não tinha guichê. Era tudo na maquininha automática. E como entender aquele mapa ainda por cima em alemão? Tem uns funcionáros que ficam auxiliando nas maquininhas e um deles falava inglês. Ele me indicou tudo certinho e explicou como eu fazia pra chegar no albergue. Inclusive me deu o mapinha do metrô e tudo. Fui tranqüilo e cheguei na estação dele. Claro que saí pelo lado errado, como de praxe, mas acabei me acertando. O albergue era enorme. O maior da Alemanha. Pra se ter idéia o quarto que eu fiquei era o de número setecentos e vinte e quatro, no último andar. Todo moderninho, metálico, futurista, parecia cenário de Malhação. Tinha até um pub que tinha atividades diferentes todo dia pros hóspedes.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (11)

No meio da igreja, no corredor central, tem o nome de algumas basílicas espalhadas pelo mundo e a de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo está lá, registrada no chão de São Pedro. Não sei se fica sempre assim pra ninguém pisar em cima, mas essa parte dos nomes das igrejas fica cercada por parapeitos.

Saí do Vaticano com o dia ganho e encantado com tudo aquilo que eu tinha visto. Ainda tinha que passar e tirar fotos mais decentes dos Foros antes de ir pro penúltimo ponto do meu mapinha que faltava visitar. A igreja de San Pietro in Vincoli. Lá está até hoje as correnter que prenderam São Pedro e dentro da igreja mesmo tem uma espécie de estátua que ficava um bom tempo iluminada e depois a luz apagava só sendo acendida se alguém pusesse uma moedinha na máquina. Quando minha mãe me falou sobre esse esquema, meu pai lembrou a ela que eles ficaram esperando alguém colocar a moedinha e fazer a luzacender pra também tirar a foto, mas eu achei que isso acontecia com a urna de vidro onde se vê a corrente. Essa estava acesa o tempo todo. De qualquer forma fiz o mesmo com a estátua lá.

Roma é a terra das igrejas, por fora não se dá nada por elas, mas quando se entra é luxo só, mesmo com a maior simplicidade artística e arquitetônica. Eu não entrei em todas por falta de tempo mesmo, mas tenho que passar mais três dias lá, no mínimo, só pra fazer isso, ficar observando e admirando a beleza interior de uma igreja italiana. Eu não sei em qual cidade se tem mais igreja, se em Roma ou na Bahia. Eu nunca fui a Bahia, mas pelo visto a competição é acirrada. De lá faltava fazer o último circilo no meu mapa que era ver o Domus Aurea e o Colle Opio, umas ruínas que ficam no alto de uma colina, próximo ao Coliseu. Nada de mais pra quem via ruínas todo dia, era mais pra fechar o mapa mesmo.

Esse dia foi uma terça-feira; na quinta logo pela manhã eu tinha que ir pra Alemanha e ainda não tinha feito o que se faz, e bem, na Itália, que é comer uma boa massa. Além disso, queria tirar fotos da cidade a noite. Juntei as duas coisas. Fui a um bairro chamado Trastevere. Ná verdade já tinha passado por lá, mas não a noite quando o burburinho acontece. Pesquisei um restaurante mais em conta.

Como eu vi que a pizza de um modo geral saia quase o mesmo preço da massa prpriamentevdita, sentei num e gastei a fortuna de treze euros pra comer de entrada uma bruchetta e como prato principal uma lazanha caseira além de duas cocas pra acompanhar esseverdadeiro festival gastronômico. Pra quem viveu aqueles dias a base de biscoito, bolinho e água, aquilo sim era um manjar dos deuses, fossem eles gregos ou romanos. Ah! E os biscoitos ainda eram os comprados em Veneza. O que eu comprei em Roma só fui abrir no aeroporto indo pra Alemanha. Enfim, eu precisava e merecia pelo menos uma vez durante toda minha viagem a Itália comer uma comida típica italiana e feita por uma cozinha italiana.

Do restaurante eu ainda dei uma volta na cidade velha pra tirar fotos dos monumentos iluminados. Cheguei no albergue mais tarde do que de costume pra tomar um banho e dormir. O dia seguinte eu tinha que fazer duas coisas com certeza. Uma era lavar minha roupa. Seis euros. Afinal desde Londres que minhas roupas não eram lavadase ainda tinha a Alemanha pela frente. E a outra era já reservar a passagem de trem de Berlim pra Bed Bentheim, na Alemanha, onde o Renan iria me pegar dali a uma semana. Acordei tranqüilo e depois do café levei minha roupa pralavar.

Na lavanderia mais próxima também trabalhava um funcionário do albergue e como ele me conhecia de lá só cobrou os três euros da lavagem e mais três da secagem. Eles também cobrariam mais um pelo sabão, mas esse não precisou. Enquanto minha roupa ficou lavando, dei mais uma volta por perto e parei Fontana de Trevi.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (10)

O mesmo fiz com a pintura do julgamento final na parede atrás do que já foi um dia um altar. Eu não conseguia me mexer tamanha admiração que eu estava, olhando pras pinturas, tentando perceber os detalhes delas. Fiquei um bom tempo paralisado e só me dei conta pra sair da capela quando o pescoço começou a doer. Tanto que tem uma espécie de cerca, divisória, uma porta na própria capela por onde a gente tem que passar pra pegar o caminho da saída. Nessa outra parte fiquei uns dez minutos só pra ver as paredes, já que o teto de qualquer ponto se vê inteiro.

Quem quisesse poderia alugar um áudio-guia e escutar detalhes por detalhes sobre as pinturas. Como sou da era digital, se eu quiser saber detalhes eu pesquiso na internet. Mas minha foto disfarçada ficou show. Na saída a gente ainda passa por um corredor cheio de esculturas, quadros, algumas peças e as inacreditáveis pinturas no teto. A rampa de saída do museu também é impressionante.

Olhei no relógio e minha hora de almoço claro, já tinha passado. Voltei eu pro mesmo lugar que tinha sentado. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Pode até ser verdade, mas coco de pombo cai. Incrível isso, mas fui cagado novamente. E uma cagada pior que a anterior que chegou a assustar quem estava perto. Aquele pombo devia estar com diarréia tamanha a quantidade de merda que caiu em cima da gente. Claro que fui atingido e novamente tive que dar um jeito de limpar aquilo tudo. E pra sorte minha – se é que merda de pombo é sinal de sorte – a comida não foi atingida. Os bolinhos e os biscoitos tipo clube social estavam no bolso e a garrafa que eu levava de água ficava na mão mesmo.

Depois da meia hora de almoço veio a segunda parte, a cúpula de São Pedro. Lá se paga sete euros pra subir de elevador e cinco pra subir de escada. Só que o elevador só corta caminho de metade da escadaria, ou seja, a partir de um determinado ponto nem adiantava reclamar, era escadaria pra todos. Eu paguei os cinco e fui subindo degrau por degrau. A parte que o elevador faz é mole de subir. É larga; curto de altura e longo de profundidade. Dava pra subir pé ante pé. A única desvantagem é que a subida é em caracol, ou seja, depois de uma certa hora você fica meio tonto. Essa parte termina no teto da igreja. Se pega um caminho até chegar à parte pra subir na cúpula.

A segunda parte da subida é uma escadaria mais estreita e não dá pra ir do lado de ninguém. Tem que ir em fila indiana, como boi em matadouro. Tem uma hora em que você passa por dentro da basílica e olha tudo lá de cima. Aí sim se realiza a grandiosidade da construção. É muito alto, muito lindo e se tem outra visão que só as pessoas que sobem lá têm. Seguimos a diante. O degrau é estreito e em algumas partes eu pisava só com a metade do pé, e em certas partes a gente tinha que subir torto, apoiando na parede por causa da curvatura da cúpula.

Olha, apesar dessas dificuldades, vale muito a pena esse esforço e sacrifício. A recompensa é muito boa. Roma fica aos seus pés, literalmente. E a vista lá de cima é simplesmente deslumbrante. Essa subida me foi recomendada pela minha tia Teresa. Quando eu pedi conselhos sobre Roma ela falou pra não deixar de fazer esse passeio até o topo da basílica que era muito emocionante. Ela tem razão, meu olho chegou a encher de água quando a imagem da cidade apareceu no meu campo de visão. Claro que disparei minha máquina de retrato e saí tirando fotos de todas as imagens que me foram proporcionadas. Ao descer, a escadaria termina dentro da basílica de São Pedro. Eu sei que já tinha visitado ela no dia anterior, mas já que eu tava ali, não custava nada eu dar outra volta lá dentro. Foi o que fiz e ainda tirei fotos. No dia anterior eu não tinha reparado em uma coisa que só me chamou atenção naquela hora.
AVENTURAS EUROPÉIAS (9)

Tamanha devoção que esse homem provocava e ainda provoca nos fiéis. Eu também gostava dele. Me passava o ar de avô da humanidade, só querendo e fazendo o bem. Não sou um católico convencido. Acredito em algumas coisas da igreja, mas discordo de muitas outras, no entanto respeito e admiro a crença e dedicação dos seus fiéis. Eu fiquei encantadíssimo com a beleza e a imponência da sede da santa sé.

A igreja é maravilhosa e tem cada coisa de arrepiar. Tem uma estátua de São Pedro que de tantos as pessoas passarem a mão no pé dela já tá liso, sem contar os detalhes, as pinturas, as esculturas, a cúpula; é realmente impressionante. Realmente eu tinha que ter feito o que fiz, não deixar passar e trocar as pilhas da máquina no albergue.

Só as quatro da tarde que lembrei que eu tinha mais coisas a fazer por lá como ir ao museu do Vaticano, o único lugar que eu ia pagar pra entrar, e subir na cúpula da basílica. Porém, quando fui pegar informação sobre o museu fiquei sabendo que fechava as quatro da tarde. Muito cedo pra se fechar um museu, mas depois eu entendi o porque.

Bem, sem museu, me restou a cúpula. De modo que voltaria lá no dia seguinte então também deixei pra subir na cúpula depois. Saí da primeira parte da minha visita ao Vaticano direto pra outro conglomerado arquitetônico que está em todos os mapas de Roma e eu ainda não tinha visitado de fato que é justamente o berço da civilzação ocidental, os primeiros esboços de uma cidade, a fundação de Roma, onde tudo nasceu, o que eu chamava de cidade velha.

Os arcos (de Tito, Constantino e Giano), o Palatino, o Coliseu, os Foros, ou seja, tudo que não foi destruído pelas guerras e/ou que foram descobertos durante esses anos já que Roma é uma caixinha de surpresa, é uma cidade que se tem que olhar pra baixo por que é no chão, nas suas fundações, que se vê como tudo começou. Pra entrar no Palatino tinha que pagar. Eu achei que não valia a pena por que tem vários outros caminhos que você vê as mesmas ruínas e só não chega mais perto delas, mas se você entra também não pode encostar nas ‘velharias.

Pra sorte nossa as máquinas são digitais e tem zoom. Roma é a prova viva de que os engenheiros e as construções de antigamente eram muito melhores que as de hoje, mesmo com toda a tecnologia e rapidez que se tem hoje pra levantar um prédio. Acabei minha segunda-feira ali. Já tinha feito quase tudo, faltava, além da segunda parte do Vaticano poucos pontos marcados no meu mapa e eu terminaria tudo na terça, pra na quarta preparar tudo pra viagem pra Alemanha na quinta pela manhã.

Volto eu pro Vaticano no dia seguinte. Dessa vez direto pro museu. Gente, o que é o acervo do Vaticano? Coisa de louco. Agora se entendo o fato de fechar cedo. Pra dar tempo de ver se não tudo, a grande maioria das coisas. Eu fiquei encantadíssimo com tudo o que vi lá. Fotos, fotos, mais fotos e muitas fotos. Não botei quase nenhuma específicamente do museu nos meus ábuns do Orkut por que realmente foi uma quantidade enorme.

O que são aqueles tetos e paredes pintadas? Eu acho que ali está o berço dos quadrinhos e também do grafite. Uma perfeição que só vendo. O ponto culminante da visita ao museu do Vaticano e quase no final do tour é a Capela Sistina com teto e uma parede pintada por Michelangelo. É simplesmente incrível. Lá tem um chato. Na verdade chato é o trabalho dele que fica toda hora pedindo silencio e pedindo pra que não se tire fotos. Se ele percebe que alguém tá empunhando uma máquina corre logo e dá o aviso. Eu não podia sair daquele lugar em branco. Sem que ele percebesse liguei a minha máquina, tirei o flash e de baixo pra cima, ou seja, com a máquina na altura da minha cintura apontando pro teto, disparei o botão e tirei foto.