terça-feira, 24 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (16)

Fotos, fotos e mais fotos de tudo quanto é tipo, jeito e ângulo. Esse palácio, parte dele, até me lembrou o Palácio Imperial de Petrópolis. Pode ser que pela foto não tenha nada a ver no sentido da arquitetura, mas sei lá, o clima dele, aquela atmosfera me reportou aos tempos do Brasil Império, que não vivi, mas conheço através dos livros de história.

Não to lembrando do nome desse palácio. Talvez eu tenha escrito na foto lá no Orkut e tô com preguiça de pegar o mapa pra lembrar. Claro que como todo lugar se pagava pra entrar e visitar e eu tava fugindo desse tipo de lugar. Só fiquei por fora tirando as fotos. Também não fiquei mais do que o suficiente por lá, até por que o caminho de volta também era longo. Já havia passado da hora da minha primeira pausa, do meu almoço.

O fato que eu vou relatar agora significou a primeira vez que me senti realmente lesado. Como dise anteriormente aqui na Europa geralmente se paga pra ir ao banheiro. E geralmente eu ia ao banheiro nos meus momentos de pausa Às vezes na segunda pausa eu não ia e esperava chegar onde eu estava pra poder utilizar o banheiro sem pagar, mas nem sempre. Como nesse dia já havia passado um pouco da hora da minha primeira pausa, procurei um banheiro pra poder fazer minhas necessidades, mais precisamente o número um. Quando estava indo eu passei por um Burger King e caso voltando eu não achasse outro lugar seria ali mesmo. Assim foi.

Como carregava um saco plástico com água, suco, biscoito e bolinho não queria entrar cheio de comida pro restaurante fast-food. Morrendo de medo larguei o meu saco num canto do lado de fora. Medo de alguém pegar e levar, apesar do tempo em que fiquei longe dele ser muito curto e acreditando que ninguém o fizesse até pelo fato de ter mesas e cadeiras do próprio Burger King naquela área e de pesoas que ali estavam verem que quem deixou o saco ali fui eu. Entrei direto no banheiro sem pagar. Na saída peguei minha carteira e abri o compartimento de moedas pra ver se eu tinha moedinha suficiente. Não. Não tinha trocado. A única moeda que eu tinha era uma de dois euros. Também não ia sair dali dando calote. Entreguei minha moeda pra senhora que zela pelo banheiro. Ela agradeceu e ficou por isso mesmo. Dois euros creio que é em torno de cinco, seis reais. Claro que reclamei. Tava dando quase dez vezes mais do que o pedido pra colaboração. Pedi troco. Ela me olhou com uma cara de alemã não amigável, deve ter me xingado internamente e começou a contar as moedinhas. Pedi só pra ela me voltar um euro, e ela assim o fez. Agora, pagar um euro pra mijar é muito. Nunca mais fiz isso, mas ali eu realmente precisava pois só havia feito antes de sair do albergue e já eram cerca de três da tarde.

Um euro mais pobre segui minha caminhada até o banco de praça na sombra mais próximo que encontrei a poucos metros da mijada mais cara que dei. Sentei durante a meia hora de pausa pra comer e beber. O bom dessa pausa pro almoço também era que o saco que eu carregava ficava mais leve.

Ao chegar de volta no portão de Brandemburgo eu fiz mais uma pausa de modo que fiquei circulando naquela área, a minha favorita. Ali eu vi um show de rua maravilhoso. Uma banda de Copenhagem, na Dinamarca, fazia sua apresentação de rua, mas eles tocavam músicas mundialmente conhecidas e a performance era fantástica, sobretudo por que eles interagiam com os expectadores e volta e meia alguns largavam seis instrumetos e demonstravam uma dança. Digno de se fazer um vídeo. Se o outro foi pra mostrar, denunciar uma coisa de ruim que ocorre na Fontana de Trevi, na Itália, esse foi pra mostrar que nem só de lembrança de guerra vive Berlim e aquela banda estava lá pra entreter e alegrar ainda mais o povo que, como eu, parou pra assistir.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (15)

O mais fascinante da cidade é que às vezes uma mesma edificação pertenceu a três fazes diferentes da história da Alemanha, como nos tempos da Prússia, na época nazista e na fase da guerra fria. Aliás, por mais que a gente sabe que até vinte anos atrás a cidade era dividida pelo muro, é difícil imaginar como isso era possível. E hoje o muro, além de alguns pedaços que ainda permanecem em pé, é todo marcado por duas linhas de paralelepíedo por onde ele passava. É demais você por um pé na antiga Berlim ocidental e outro em Berlim oriental. E outra, o muro tinha um trajeto tão louco que em certas horas eu não sabia em que lado que eu estava.

A guerra ainda é uma constante na cidade. Também não podia ser pra menos. A questão da intolerância religiosa ou sexual que tinha vigência durante a época também é lembrada com umas instalações em praças públicas ou com memoriais construídos em homenagem. Algumas histórias curiosas como uma igreja francesa onstruida de frente e igual a uma igreja alemã num tempo em que a mão de obra francesa veio ajudar a construir Berlim, ou a estátua que fica sobre o portão de Brandeburgo que também tem a ver com os franceses que a tomaram e depois a devolveram pro local e curiosamente ela fica olhando pra embaixada francesa que fica ali na praça mesmo. Várias histórias cercam aquela cidade que é moderna apesar de conservar a história de vergonha do passado.

O orgulho dos alemães em dizer erramos sim, mas estamos tentando reparar nossos erros há mais de sessenta anos tem dado certo. A própria estação central de trem que foi desativada durante um bom tempo há três anos foi modificada e se encontra bem moderna. Enfim, Berlim tem suas curiosidades e é uma cidade que diferente de Roma, em que se olha pra baixo, tem que se olhar pra frente. Andei até uma parte da cidade, onde se encontra o zoológico, e mais a frente outra história curiosa. Uma igreja destruída pela guerra ficou mantida em seus escombros e uma outra, com prédio mais moderno construída bem do lado, em frente a uma praça bonita com uma fonte bem moderna onde há um shopping.
Lá fui ao banheiro. Não tinha jeito. Tem que se pagar pra mijar. No mínimo trinta centavos são despendios prase soltar água do joelho. Mijar na rua eu não consigo, e mesmo se conseguisse aqui não é legal e a multa é uma facada. Pois bem, fiz o mesmo caminho de volta e no dia seguinte iria passar novamente por lá, mas pra uma outra direção.

Se o albergue ficava perto da Alexanderplatz que praticamente era onde começava – ou terminava – a avenida do Portão de Brandemburgo, do portão pra trás havia uma outra avenida grande e larga que cortava o parque e mais pro meio tinha uma rotatória onde havia um pedestal com a estátua que eles chamam de Irina (ou Vitória) bem no alto. Era um ponto que se podia visitar. Pode-se subir nesse pedestal e ficar aos pés da estátua mediante o pagamento de três euros. Claro que não o fiz. Aliás, depois de subir na cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano, pensava muito em subir em outro lugar. Tanto pra essa igreja destruída quanto pro lugar que eu ia no dia seguinte iria passar por ali. Volto eu pro albergue terminando mais um dia de Berlim. Era sábado e eu tinha até quarta pra explorar ainda mais aquela cidade.

Domingo foi o dia em que eu tirei pra andar, pois de acordo com o mapa o ponto que eu ia ficava literalmente do outro lado da cidade. E eu fui andando. Nada de pegar condução, pois chegando rápido o ócio vinha rápido e justamente pra não ter nada pra fazer fiquei andando até chegar no ponto em que eu queria, um palácio bonito. É sempre assim. Quando a gente vai demora muito pra chegar e a volta parece ser mais curta, a não ser quando o cansaço te acompanha, aí parece que nunca chega.

domingo, 8 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (14)

Eu tinha que ser um pouco ligeiro pela manhã, então oito e meia era a hora que eu despertava pra me arrumar até as nove e descer pra tomar o café da manha até umas vinte pras dez pra dar tempo de subir novamente e terminar de arrumar minhas coisas pra sair por aquela horae só voltar em torno de sete e meia, oito da noite. A única coisa de ruim que tinha nesse café da Alemanha era a falta do chocolate quente. Claro que era melhor que o brioche com suco de Veneza, mas ainda sinto falta do meu leite matinal com chocolate. Enfim, vida de alberguista tem dessas coisas. E pra quem não tá acostumado a comer nada quando acorda, pão, suco e sucrilhos já é um grande avanço no que diz respeito ao desjejum.

Subi pro quarto e terminei de me arrumar e as dez da manhã um dos guias do free tour estava no saguão do albergue esperando pelas pessoas que quisessem fazer o tour. Claro que tinha brasileiros lá também. Eram três meninas que estavam viajando. Fomos pra estação do metrô. Já comecei a gastar o que não queria e o free não era tão free assim. Enfim chegamos ao Portão de Brandemburgo. Ponto de partida do tour e o meu lugar favorito na em Berlim. Me encantei com ele desde a primeira vista. Lá eles fazem uma divisão das pessoas em grupos e em línguas. Dependendo da quantidade de pessoas havia mais de um grupo que seguia, guias que falavam alemão, espanhol e inglês. Por força de hábito e costume pegei o inglês. Não era o mesmo cara que nos pegou no albergue. As meninas foram pro grupo em espanhol e eu só as encontrei novamente quando o tour havia acabado.

O tempo não ajudou muito. Choveu durante o tour e nós ficamos um pouco molhados em determinadas horas lá. Não deu nem tempo de tirar muitas fotos, não só pelo fator chuva, mas também pra evitar de perder as explicações que ele dava. E eu ainda teria cinco dias pela frente pra poder tirar todas as fotos que eu quisesse. Por ser gratuito, no fim do tour o guia sempre pede por gorgeta. Não sei se eles tem um salário fixo pra fazer aquilo todo santo dia ou se realmente sobrevivem de gorgetas que o povo dá. Vi gente tirando dez euros da carteira. Eu, pra não ficar sem graça, estipulei o valor de dois euros pra cada guia com quem eu fizese esse tour seja em que cidade fosse. Depois de tudo acabado, ao encontrar com as meninas perguntei a elas se elas voltariam pro albergue e como fazia pra voltar pra lá. As duas respostas foram negativas.

Fui eu encarar o metrô de Berlim sozinho novamente. Acertei o caminho. Cheguei no albergue e fui usar mais uma hora de internet. Um pouco mais pro fim do dia resolvi dar outra volta. O tempo havia melhorado um pouco e parecia que não iria chover mais. Peguei uma outra rua reta próximo ao albergue e em cerca de vinte minutos cheguei na Alexanderplatz, ou seja, praça onde praticamente terminava a avenida que ligava aquele lugar ao portão de Brandemburgo, sinal de que estava próximo a região central de Berlim. A partir dessa descoberta o metrô foi abolido dos meus passeios por Berlim. Fiz tudo a pé. Como já estava quase na hora de voltar – o mercado fechava as oito – não demorei muito por lá. Uma coisa que me deixou surpreso foi ter encontrado uma loja da C&A no meio dessa praça. Imagine uma das lojas de cunho mais popular do Brasil cravada no meio de Berlim. Pra decepção minha, já em Enschede, na Holanda, onde há outra filial da loja, o Renan me falou que a C&A é de origem holandesa, mas também tem o mesmo apelo popular.

O dia seguinte tirei pra fazer o tal free tour por conta própria e fazendo o caminho inverso do que eles costumam fazer. Dessa vez sem chuva e com mais tempo pra poder tirar fotos de lugares ou detalhes que não deu pra fazer no dia anterior. Ainda vi outros lugares novos, os quais eu ainda não havia passado. E assim, aos poucos fui conhecendo Berlim.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (13)

O funcionário que me atendeu era português. A gente se entendeu muito bem, mas ele disse que eu só podia entrar no quarto depois das duas e eram onze da manha. É engraçado o fato de a gente falar a mesma língua e dizer palavras com sentidos diferentes. Numa das perguntas que faço, onde era o mercado, ele me indicou e disse que eu podia ter combustível. Eu brincando disse que não era movido a gasolina. Combustível pra eles é comida, coisas que te sustentam em relação a sua forma física. Ele também não entendeu a piada da gasolina, lógico. Só depois que fui entender isso.

Fui eu dar uma volta pela cidade. Pra não me perder, já que estava sem mapa, peguei uma reta e fui andando sem uma direção certa, só memorizando alguns pontos pra não me perder na volta, mas em último caso eu sempre perguntaria. Não aconteceu até agora, mas... Tinha que fazer hora e esse é o único jeito de passar o tempo, conhecer a cidade da melhor forma possível, andando por suas ruas. Quando chegou a um determinado ponto, algumas horas depois de eu ter andado bastante, resolvi voltar. Dava tempo de chegar e ir direto pro quarto. Passei no tal mercadinho e comprei um sanduiche pra comer, pois desde Roma que eu não havia comido nada e a fome tava começando a bater. Comprei só o sanduiche no mertcado, pois o refri não tinha gelado e esse foi comprado no próprio albergue.

Mesmo depois do tempo que levei pra comer ainda tive que esperar mais uns quinze minutos pra finalmente botar minhas coisas definitivamente no quarto.Os armários eram diferentes dos de Roma. Em Roma também tinha um armarinho pra cada um, mas eu peguei um de duas portas grande e fiquei com ele. Dessa vez só tinha o armário que cabia só a mala, ou seja a mochila eu botava de baixo da cama. Mas ainda tinha as compras que ficavam entre a cama e a janela. As fiz logo depois de ocupar meu espaço lá e como sempre fiz estoque pros seis dias que iria ficar por lá. Três garafas de água, três de chá e três de suco, além de quatro pacotes de biscoito e um pacote contendo dez bolinhos tipo Ana Maria.

Nesse albergue eu não podia cozinhar, então toda noite eu ainda passava no mercado e gastava pouco mais que um euro pra comprar uma salada e um potinho de mousse de chocolate com chantily de sobremesa pra comer como janta. Nesse primeiro dia eu comprei também um tipo de almôndega de porco pra comer junto com a salada, mas não podia ficar estendendo essa comida pelo fato de não ter geladeira. Em no máximo três dias tinha que acabar com as almôndegas, depois só fiquei na saladinha mesmo.

Esse primeiro dia resolvi descansar um pouco, depois de instalado eu selecionei as fotos de Roma pra botar no álbum do meu Orkut. Ia fazendo isso aos poucos, pois a internet que eu comprei foi um pacote de seis horas por cinco euros e eu tinha que administrar bem esse tempo pra não acabar antes da hora. Com as fotos, de um modo geral eu fazia o seguinte: primeiro selecionava as que iam pro Orkut, depois as postava lá tentando fazer tudo de uma só vez quando desse e só então as legendava, o que era um outro martírio já que muitas das vezes eu tinha que consultar o mapa pra saber que a que lugar pertencia aquela imagem.

Cheguei a cochilar por duas horas nesse dia. Como eu tinha ganho uma bebida de graça pra tomar no pub por essa noite, acordei e desci. Uma dose do meu licor preferido, o Bayles, foi o drink escolhido. Descobri um free tour pra fazer no dia seguinte que saia do albergue as dez e quinze da manhã. Não tardou muito, mesmo descansado, pra que eu dormisse, pois o dia seguinte seria a retomada da vida de mochileiro, conhecendo as coisas que a cidade tinha pra oferecer, a começar pelo free tour.