quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (19)

A atração principal da noite, aquela que praticamente fechou o dia foi um show com a cover inglesa da Diana Ross. Claro que o show não era O show, mas quebrou um galho. Até que minha recepção pela cidade foi agradável. Um pouco descansado da rotina de albergues, com uma festinha pra ir eu tava bem.
O meu combinado com o Renan era de eu ficar por lá até o fim de julho, ou seja, eram quinze dias, a primeira grande pausa que fiz nessa viagem. Como o Renan só pode trabalhar durante as férias da faculdade dele, o que se resume a três meses por ano, de junho a agosto, ele não podia ficar em casa, me dando atenção. E já estava fazendo muito em me hospedar lá. Combinamos o seguinte então: passaria aquele fim de semana com ele, ficaríamos juntos e tal e no outro fim de semana, até pelo fato dele já ter um compromisso préviamente marcado, eu não poderia ficar com ele, ou na casa, pois ele e o Rene não passariam o fim de semana lá. Foi a minha deixa para passar um fim de semana na louca, louca cidade de Amsterdam, e depois ficaria lá com ele até a sexta seguinte quando meu destino era a Bélgica.

Enschede, a cidade que o Renan mora é agradável, mas é pequena. Tão pequena que se você espirrar numa ponta da cidade alguém na outra te fala saúde. Na sexta feira eu acordei e bem devagar me arrumei pra dar uma volta na cidade. Volta essa que me fez conhecer praticamente a cidade inteira. Voltei mais ou menos na hora em que o Renan chegava em casa, geralmente entre cinco e cinco e meia da tarde.

No sábado fiquei o dia todo a disposição dele e do Rene. Fomos dar uma volta no centro da cidade. Pra se ter uma idéia essa área do centro se parece com o shopping Downtown, na Barra da Tijuca. E o Renan morava num dos poucos prédios da cidade, ou seja, o apartamento dele era praticamente um mirante. Na esquina da rua dele ficava o maior prédio que talvez desse um prédio e meio do dele. No sábado a tarde nós fomos buscar um amigo dele que mora em Amsterdam na estação de trem. Ele também foi com a gente a noite numa boate que tem lá.

É uma coisa impressionante. Todas as músicas que tocavam lá, tocam em todos os lugares. A excessão de uma, que particularmnte eu adorei. Cerca de vinte anos atrás essa música estourou no Brasil, ou melhor, o ritmo fez um grande sucesso e essa música é como se fosse a representante da lambada. O sucesso ‘Chorando se foi’ do grupo Kaoma, voltou ao topo da lista, uma das músicas mais executadas nas rádios da Alemanha e da Holanda. Em umaq versão remixada, mas eu pude cantar junto e fiquei bem feliz ao escutá-la.

No domingo eles me levaram pra ver uma das quatro coisas que não se pode deixar de ver na Holanda, se bem que dessas quatro eu não vi uma. Na verdade, eu vi duas das quatro no mesmo dia. Enquanto eles me levavam pra ver um autentico, verdadeiro e antigo moinho, as vacas holandesas vieram como brinde, já que no caminho podiamos vê-las. Depois desse pequeno passeio fomos pra casa da mãe do Rene. Uma senhora simpática e pela segunda vez – a primeira foi com a do trem de Milão pra Veneza - eu não podia conversar com ela, a não ser com a interferência do Renan, o único que falava holandês e português por lá.

Esse canal de línguas era meio estranho porque eu falava em português com o Renan, em inglês com o Rene e eles quando falavam holandês entre si eu ficava boiando. Volta e meia a gente arriscava a bater um papo em inglês e até que saia legal. Lá pelo menos todos os que eu conheci falavam ou arranhavam o inglês e dava pra eu me virar numa boa. Mas a mãe do Rene não falava uma palavra em inglês.

Soube, por intermédio do Renan que o sonho dela era conhecer o Vaticano. É meio que uma contradição por que a Holanda não tem uma religião oficial.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (18)

Só sei que o Potão de Brandemburgo era o meu lugar preferido. Berlim tem alguns pontos, como o Check Point Charlie, a fronteira do muro, ou a própria Alexanderplatz que expunham em seus painéis fotografias famosas da história da Alemanha, mais restrita na extinta fronteira do muro e mais ampla na praça, muito interessante pra quem gosta de história e quer saber o que aconteceu àquela cidade de vinte anos pra trás.

Outro lugar bastante interessante que foi mostrado no free tour foi o local onde Hittler tinha seu bunker. Tem um filme chamado “A queda – as últimas horas de Hittler” que mostra os últimos dias de vida do ditador naquele local. Quando descobriram ao fazerem as escavações pra reconstruir e re-urbanizar o local decidiram não deixar aberto a visitação pública e aterraram o local. Hoje, se não tem uma placa avisando, ninguém saberia que estaria pisando sobre o bunker de um dos homens considerados mais cruéis e ruins de toda história mundial. Não sei dizer se isso é ironia do destino ou se fizeram de propósito, mas o bunker é bem perto do memorial aos judeus.

Voltando a noite de Berlim, na minha máquina, pra se tirar fotos noturnas não se pode utilizar o flash. Não só fotos noturnas, mas como em certos interiores, principalmente de igrejas, pois com o flash o objeto fotografado fica mais opaco, mais escuro e além disso tem que ser em grande angular, ou seja, se eu utilizar o recurso de zoom, a luminosidade natural, que já não é boa, fica menor ainda. Portanto foto a noite é sem flash. Assim eu consegui fotografar a lua dentro de uma janelinha do Coliseu, em Roma, por exemplo.

Eu sinceramente não sabia o que iria fazer na terça. Depois do susto do furto já não podia gastardinheiro. E de acordo com o mapa já teria visto tudo em Berlim. A única coisa que eu teria que fazer seria deixar a mala mais ou menos ajeitada pra no dia seguinte depois do café da manhã fechar tudo e partir. Fui eu lá andando novamente em direção ao portão, dessa vez sem preocupação nenhuma de tempo.

Em Berlim não entrei em nenhum museu e só visitei as atrações gratuitas que eu descobria. Também achei que seis dias lá foi muito. A não ser se eu pudesse ou quisesse fazer um outro tipo de passeio, como visitar os campos de concentração, aí sim o tempo seria ideal, mas me encontrando na situação de mochileiro e ainda mas com a grana roubada, não tinha mesmo mais o que fazer.

Fiquei perambulando, tirando a últimas fotos e voltei pro albergue pra me conectar a internet. Ainda havia um tempinho, mas não gastei tudo. Calculei pra deixar uma hora pro dia seguinte. Aliás o dia seguinte foi tudo calculado, e pra sorte minha muito bem calculado. Acordei, tomei café e fiz o check out do albergue na hora marcada que não me lembro se foi as dez ou onze da manhã, e fiquei no lobby gastando minha última hora de internet. Quando meu tempo acabou, guardei a mala e a mochila no compartimento de malas e fui no mercado comprar uma mousse de chocolate que eu pensei que não tivesse grana suficiente para a sobremesa do dia anterior. Voltei, botei a mousse na mochila, já que eu comeria na estação enquanto esperava o trem.

Meio dia e meia eu saí do albergue. O dia tava bonito e eu iria devagar e a pé até a estação, que não ficava tão longe do portão de Brandemburgo. Não sei o que houve comigo em Berlim, mas foi lá que tudo aconteceu. A menos de quinhentos metros do albergue as rodinhas da mala quebreram e eu comecei a carregá-la na mão. O esforço começou a crescer e de tempos em tempos eu tinha que parar pra descansar meus braços. Carreguei ela de tudo quanto foi jeito: pela alça de cima, pela alça lateral, abraçando ela e cada vez mais cansando e transpirando.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

AVENTURAS EUROPÉIAS (17)

Enfim, voltei pro albergue e gastei um pouco mais do meu tempo de internet. Ainda tinha que passar no mercado pra comprar a salada nossa de cada dia. O dia seguinte já era segunda e eu já tinha visto e fotografado praticamente tudo em Berlim, então aquele dia eu tinha que ver no mapa os pontos que eu ainda não havia visto. Todos eles mais próximos do albergue, ou seja, andaria muito menos que no dia anterior. Além disso, era o dia que eu ia tirar pra caminhar a noite e fotografar os monumentos iluminados, de modo que a divisão que eu fiz foi sair pela manha e o intervalo entre o a primeira e a segunda pausa eu passaria no albergue pra poder sair a noite.

Os pontos que apareciam como importantes no mapa eram só três e apenas um ficava mais afastado, não tanto quanto o palácio do dia anterior, não pra atravessar a cidade, ou seja, daria pra fazer tudo pela manhã e ficar com a tarde livre. Arotina matinal de segunda foi a mesma. Por volta das dez da manha saio eu em busca de dois ponos ressaltados no mapa. O primeiro era uma casa de cultura e o segundo era um monumento ao socialismo com a cara do Lenin. Por volta do meio dia voltei pro albergue. Não havia levado sacola com comida naquele dia, até por que não ia ficar na rua o dia inteiro. Voltei, tomei um gole de água e saí novamente. Em busca de uma escultura gigantesca do perfil de três soldados que fica dentro do rio que corta Berlim. Fui lá, tirei as fotos, aproveitei pra tirar também de uma parte do muro que fizeram uma espécie de balneário às margens de um trecho do rio com o muro de fundo e do outro lado os grafites e pinturas, muito bacana.

No horário da minha primeira pausa eu estava no albergue e percebi uma coisa diferente. Se eu comprei uma caixa com doze bolinhos e comia dois por dia o número restante deveria ser par e estava em ímpar. Alguém andou futucando minhas comidas. Abri a mochila e fui direto no meu cofre forte. Descobri que não era tão forte assim. Não passava de uma lata de biscoitos onde eu guardava algumas coisas de valor ou não dentro de um dos compartimentos da mochila.

Quando eu saí de Londres, Emma, minha amiga framcesa havia me dado um cartão. Dentro desse cartão guardava meu dinheiro mais alto, as notas com mais valor e havia por lá cem euros que me foram levados também. Dentro dessa caixa também estavam os passaportes e os cartões tanto o de crédito do Brasil quanto o de débito e o da poupança da Inglaterra. E dentro da mochila tava o lap top. Pra sorte minha o gatuno só levou o dinheiro e nem teve a consideração de me deixar o cartão que a Emma fez com todo amor e carinho. Conclusão: primeiro furto que sofri. Além do euro do banheiro mais cem que eu estava guardando pra gastar ao longo da minha estadia na casa do Renan, na Holanda, para a qual seguiria dali a dois dias. Ainda havia alguns trocados pra que eu pudesse comer durante os dias que me restavam pelo menos até eu chegar no Renan.

Como eu não tinha o que fazer em relação a isso,toquei pra frente. Não pudia avisar ao albergue sobre uma coisa da qual eles não tinham culpa, pois se meu armário não tinha tranca e era muito pequeno pra eu guardar tudo a ponto de deixar a mochila debaixo da cama e as compras entre a cama e a janela, não era responsabilidade deles. Acusar uma pessoa sem provas também não era o certo, se bem que as pessoas que eu desconfiava haviam deixado o albergue naquele dia. A partir de então tornei a andar com o cartão de crédito na carteira e não me desvencilhava dela nem pra tomar banho. Enfim, saí pra tirar fotos noturnas de Berlim. Adivinha pra onde eu fui? Aquele lugar me enfeitiçou. Sempre pra lá que eu ia. O motivo de eu gostar tanto de lá até agora não sei. Acho que a atmosfera, os filmes de guerra, o fato daquele lugar ser importante.