segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (25)

Tive que ficar enrolando em Brugges, fazendo hora, esperando o tempo passar pra pegar o trem de volta e chegar na casa da Tina mais ou menos nahora que eu costumava chegar. Dos cinco dias úteis, dois já se passaram. Havia mais três de modo que pra um eu já tinha destino certo, o dia seguinte era a vez de Bruxelas. Cidade grande, capital daquele país e a única cidade visitada por mim na área holandesa que falava francês.

A Bélgica não tem uma língua específica e três idiomas são considerados oficiais por lá. O alemão, que apesar de ser pouca gente, cerca de vinte por cento da população se consideracomo oficial; o holandês, que por sinal é um pouco diferente do holandês da Holanda e o francês. Aliás, a língua holandesa está para a alemã assim como a língua espanhola está para o português. Do mesmo modo que conseguimos compreender o que um espanhol está falando, o holandês também compreende o que um alemão fala. Mas o vice-versa nem sempre ocorre com a mesma facilidade. Deixando o alemão e o holandês de lado, eu estava numa cidade que falava francês. Iria pra Paris dali a alguns dias e poderia começar a treinar o meu parco francês. Cheguei a estudar francês duas vezes por semana durante seis meses, tempo não suficiente pra um vasto vocabulário e forte fluência na língua, mas o merci, na hora do agradecimento saia naturalmente e com uma pronuncia que fazia com que os caixas de mercado, porexemplo, puxasse conversa. Só aí eles percebiam que o cliente era um franco-paraguaio com um toque britânico.

Próximo a minha hora de almoço, passei numa loja de produtos brasileiros. Entrei e pedi informação de onde era o mercado mais perto e onde ficava o manequinho. Tanto um quanto outro não ficava muito longe, por questões de logística primeiro vi o bonequinho mijando e depois fui comprar algo pra comer. O esquema de comida não era o mesmo por eu não estar em albergue, então tinha que gastar alguns tostões com as comidas durante esses passeios. Até nessas horas o mercado era meu aliado.

Me lembro que nesse dia comprei dois hambúrgueres e quase um litro de iogurte pra almoçar. Na embalagem pedia pra se esquentar o sanduiche. Mas onde? Comi frio mesmo, sentado do outro lado da rua, em frente a um Mc Donald’s, sentado na escadaria da bolsa de valores. Cheguei a entrar nesse McDonald’s depois de ter comido pra ir ao banheiro e continuar minha peregrinação pela cidade. Foi a partir daí que comecei a andar bem.

Voltei pra mesma avenidona que fui logo que cheguei, onde fica o prédio principal da União Européia e logo acima um potal que lembra o de Brandeburgo, na Alemanha. Começando nesse portal, a avenida desce até uma igreja, que pelo que eu sei é a de Adriano, que fica na outra ponta, mas até chegar lá foi cerca de uma hora andando do ponto onde eu estava, consideravelmente longe desse portal e do edifício da EU. Sempre andando. Ainda mais ali que eu não conhecia as linhas de ônibus e nem os destinos. Andava sem mapa. Sei que se via a igreja ao longe e pela imponência dela que crescia a cada passo que eu dava, meu objetivo estava concreto. Um pouco longe, mas concreto.

No caminho pra essa igreja havia uma instalação no mínimo curiosa bem no meio da calçada. A imagem é a de um ladrão saindo de um bueiro e pegando o pé do policial provocando uma queda no oficial. Agora imagina essa cena esculpida em bronze, em tamanho natural. É sensacional. A foto que eu tirei também ficou muito boa. Essa caminhadinha deu pra cansar um pouquinho. E depois, quando voltei dessa igreja, que por sinal é linda por fora, mas não consegui entrar, ainda rodei uns pedaços que não tinha visto pela cidade pra um pouco depois voltar pra estação de trem e retornar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (24)

Esse feijão rendeu um pouco. Deu pra nos alimentar pelo menos por dois dias. Uma bronca que a Tina tinha com o irmão dela, o Bastian, era de que ele não cumpria com o combinado de lavar a louça depois do jantar. Isso também não muda em país nenhum. Família é assim em qualquer parte da Terra.

Na segunda feira, dia três, pelo fato da Tina ter que trabalhar durante a semana ela não tinha como me dar mais atenção que já dava, portanto, mesmo sozinho pegava o trem e ia desvendar terras novas. O lado bandeirante atacava e escolhi três cidades ali perto pra desbravar. A primeira foi a Antuérpia, a terra dos diamantes. Na verdade da lapidação dos diamantes. As lojas expositora de jóias feitas com esse material nem expunham os preços nas suas vitrines só pra pessoas entrarem e serem persuadidas pelos vendedores a comprarem alguma peça. Claro que minha cara de turista e meus modos de estar vestido como turista não me indicavam um bom comprador de jóias e mesmo me aproximando das vitrines ninguém me abordou.

Enfim, comecei a andar pela cidade e descobrir várias coisas. A Bélgica, por ser um país antigo – toda Europa é assim, mas acho que a Bélgica conserva mais essa característica – ainda tem aquela praça central com o chafariz no meio, um edifício imponente e a igreja, se não na praça, próximo a ela, com aquela torre alta e o relógio no topo marcando a hora. Detalhe: o relógio funciona perfeitmente até hoje, e ainda por cima reluz. A Antuérpia é uma cidade bacana pra se passear durante o dia. Tem um porto lá perto e a estação de trem é uma das mais bonitas pela qual passei. Dá pra se ver bastante coisa do centro da cidade durante o passeio. A periferia e a noite, essas ficaram pra próxima, se houver. Afinal estava hospedado em Gent e tinha que pegar o trem de volta.

Sempre comprava o bilhete de ida e volta pro mesmo dia. Chegava na estação de trem em Gent e comprava o bilhete pro ônibus. Não dava pra ir andando da casa da Tina pra estação. Era muito longe e eu queria aproveitar o máximo de tempo nas cidades visitadas. Uma coisa curiosa é que lá se compra o bilhete do ônibus e do bonde na mesma maquininha. E caso você esqueça, também pode comprar com o motorista do ônibus, mas é cerca de cinqüenta centavos mais caro. Não sei se esse mesmo esquema é feito nos bondinhos. Ao entrar nesses veículos de transporte de massa, é necessário validar o bilhete, como na grande maioria dos países europeus e manter ele sob sua posse até o término da viagem para no caso de porventura bater fiscalização.

Sempre chegava em casa mais ou menos na hora em que a Tina chegava também, por volta das sete, oito da noite. Ajudava ela a fazer o jantar, quando necessário, além de outras tarefas domésticas. Na terça feira, dia quatro de agosto a cidade escolhida foi Brugges. Ainda com características medievais muito presentes é ua cidade pequena, sempre em se tratando do centro da cidade, onde tudo começou, também com uma praça com chafariz no meio e tudo em torno dele. Brugges é tão pequena que comecei a rodar as onze da manha, hora que cheguei lá, e mesmo com as paradas estratégicas, as quatro da tarde já tinha visto tudo.

A única coisa que me incomodou um pouco na Bélgica de um modo geral e teve seu ponto culminante em Brugges, foi a minha companhia telefônica. Não que ela serja ruim, muito pelo contrário, mas a Bélgica foi o único país que visitei que não trabalhava com a Vodafone, ou seja, tive que comprar um outro chip de uma outra operadora que não existe em Londres e pegar um aparelho emprestado pra fazer minhas ligações enquanto visitante daquele país. Até pelo fato dos meus créditos terem acabado, de modo que nem receber ligações eu podia, já que também pagava pelas ligações recebidas por estar fora de Londres, em roaming.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (23)

A festinha até que foi boa. No dia seguinte, um sábado, primeiro de agosto, a Tina foi num festival de Reggae numa cidade afastada de Gent. Até me chamou pra ir, só que pagar vinte e cinco euros só pra entrar não dava. Como ainda havia mais lugares pra visitar eu resolvi economizar e não ir com ela. Apesar de gostar um pouco, esse ritmo não é um dos que eu consumo muito.

Um pouco antes dela partir, fomos andar de bicicleta pelo bairro atrás de uma roupa pra ela ir no tal festival. Anda-se muito de bicicleta na Alemanha, na Holanda e na Bélgica. Ciclista lá tem prioridade. É o segundo na lista perdendo só pro pedestre. Mas pedestre que anda fora da faixa também perde a razão. Não que todos que não atravessam na faixa sejam obrigatoriamente atropelados.

Enfim, enqunto se encaminhava pro festival, ela me deixou na estação de trem, comprou e me ensinou como se compra os bilhetes do bondinho que me levava pro centro da cidade, anotou os ônibus que passavam perto da casa e anotou o endereço e o telefone pra qualquer eventualidade. Conclusão: me perdi no centro de Gent. Estava lá, jogado aos leões belgas, andando e me virando sozinho. Passei o dia rodando e fotografando a cidade. Quando vi que já tinha visto tudo, ou pelo menos tudo que eu considerava ser o principal da cidade, peguei o bondinho de volta e na estação o ônibus indicado por ela.

Ao descer do ônibus, na pracinha que fica no fim da rua dela estava tendo umas apresentações de cantores em algum evento que até hoje não sei se era beneficiente, se eram cantores famosos na região, só sei que eu fiquei por lá um pouco curtindo a cultura local. Ainda cheguei a tempo de pegar o jantar que os pais e o irmão dela estavam oferecendo pra namorada dele. E como os pais dela iriam viajar no domingo pela manhã, era também a última vez que os viria. Passariam duas semanas fora e não voltariam a tempo de me pegar lá, já que ficaria só até o fim de semana seguinte.

De acordo com o relato da Tina, ela chegou em casa as seis da manhã do domingo, que por coincidência foi a hora que eu fui dormir. Fiquei a noite toda pendurado no MSN e na internet conversando com amigos. Pelo fuso, só tinha que ser durante a madrugada mesmo, afinal eu estava cinco horas na frente do horário oficial brasileiro. No domingo, já sem os pais dela, e pela hora que a gente acordou ficamos com um pouco de preguiça no início do nosso dia, que já devia de ser quase uma da tarde, mas depois ela me levou pra dar uma volta no parque que tem perto da casa dela, inclusive com praia artificial e tudo. Recém aberto, essa parte nova, ao público. Na volta ainda passamos na locadora pra pegar um filme pra gente ver. Se não me engano foi o ‘Incrível caso de Benjamin Burton’com o Brad Pitt que, no entanto, não adiantou de nada pelo fato de ser o novo sistema Blue-Ray de leitura de DVD.

Mas antes da gente descobrir isso teve a história do feijão. Como a gente tinha que se virar e cozinhar, resolvemos fazer o feijão pra janta. De modo que ele teria que ser cozido ao natural, ou seja, sem panela de pressão, o que demorou séculos pra que ele ficasse pronto tendo eu que adiantar em no mínimo uma hora o horário combinado pra que nós jantássemos. E ainda tinha que fazer o arroz, a farofa (que já era pronta) e a salada, sem contar a carne e as fritas. Eles também tem paixão por batata frita e praticamente todo dia tinha fritas pra gente comer. O feijão não ficou bom, confesso. Tava bem temperado, mas não tava mole do jeito que eu costumo comer. Ficou um pouco duro. A Tina teve a brilhante idéia, dica dada a ela pela minha tia Teresa, de amassar um pouco pra que o caldo engrossasse um pouco. Foi o que a gente comeu, não tinha outra opção, mas não tava ruim, só um pouco duro. Mas dizem que o feijão quando muito tempo estocado, ao seu cozimento, não fica bem passado e sim ‘al dente’.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (22)

Algumas meninas não tem um produto digamos bem apresentável, mas é o trabalho delas e tem gente que prefere um coisa mais exótica. E expressamente proibido tirar fotos delas nas vitrines. Corre-se o risco da polícia te abordar e levar sua câmera.

Na louca cidade de Amsterdam tem umas regras que apesas de eu não entender muito, são respeitadas. Por exemplo: sabe-se que lá é praticamente a Meca dos maconheiros, justamente por ser liberal em termos do que a gente aqui chama de drogas ilícitas. Lá tudo é permitido desde que não se faça escondido. Fumar maconha pode, desde que seja dentro dos coffees shops onde é proibido fumar cigarro. Se quiser misturar o tabaco e a erva tudo bem, mas tem que ter a maconha. Só o tabaco tem que ir pras ruas fumar. A maconha nas ruas também não é permitido, a não ser que esteja sentado em algum canto e não atrapalhe os outros. Até por que tem muito coffee shop que tem as mesinhas nas calçadas.

É uma loucura só. Liberado desde que se cumpram as regras. Apesar de tudo isso é uma cidade bonita e bem tratada. As casas-barco nos canais com as caxinhas de correio, os parques, os vários museus temáticos, tudo muito bem ciudado apesar do povo louco. Mas acho que é isso que faz o equilíbrio da cidade.

Uma outra curiosidade, já voltando pra Enschede, é de como os holandeses lavam a louça. O Renan me disse que nem se oferece mais pra fazer isso e chega até a sair de perto pelo fato de achar meio nojento, mas é a cultura deles e é muito comum por lá. Já vu louça lavada a seco e na mão? É como se fosse isso. Na verdade eles pulam uma etapa nossa que é justamente o enxágüe e depois de ensaboada, ao invés de tirar o sabão debaixo d’água eles passam um pano e praticamente enxugam o prato. A mãe do Rene que fazia isso. Eu, quando lavava a louça fazia tudo por completo, mas também ficava sozinho em casa, ninguém via mesmo então eu gastava era água enxaguando as poucas peças que lavava.

Outra coisa curiosa e digna de foto foi a lajota que vi na calçada com a figura de um cachorro fazendo cocô e em baixo uma seta indicando a direção, mais ou menos com se tivesse dizendo, “cachorros caguem ali”. Agora, será que os cachorros entendem o que significa aquele desenho, será que até os cachorros da Holanda também são evoluídos e tem uma mentalidade aberta que entendem os signifiados dessas lajotinhas? É raro escutar um cachorro europeu latir. Eles realmente são mais educados. Por isso essa minha dúvida.

Enfim, eis que chega o dia de eu deixar a Holanda e partir pra Bélgica. Peguei o trem pra Bruxelas e lá cambiei pro trem pra Gent seguindo as orientações da Tina. Era uma sexta feira dia 31 de julho. A primeira parte do meu tour estava completa. Ainda faltava o mês de agosto e pelo menos mais quatro países pra visitar. Bélgica, França, Portugal e Espanha, isso tudo em pouco mais de um mês.

Sexta-feira a noite cheguei eu em Gent. Tina estava num restaurante jantando com os pais e o irmão. Descido trem e peguei um taxi pra me encontrar com eles. Depois de tanto tempo revi a Tina e finalmente conheci a família dela. Nem toda. Tinha um irmão dela que estava viajando. De lá fomos pra casa dela. Me alojei lá no sótão, no último andar da casa, na suíte. Parecia que eu tava de volta a Londres, no meu quarto. Só faltava o Airton.

Poucos minutos depois nós já estávamos saindo. Assim como em Enschede, Gent também me deu uma festa de recepção. Na verdade, uma amiga do trabalho dela deu uma fstinha em casa e a gente foi. Foi muito bacana, apesar de eu estar boiando um pouco pelo fato de não entender chongas do que se falava por lá, mas volta e meia alguém sentia pena de mim e se arriscava a bater um papo em inglês comigo.
AVENTURAS EUROPÉIAS (20)

Pra se ter uma idéia as igrejas, poucas funcionam como igrejas realmente. Em Amsterdam eu vi duas igrejas, igrejas mesmo. Uma fazia celebrações somente em inglês e a outra em holandês mesmo. Em Enschede as igrejas se tornaram boates, galeria de artes, e salões pra conferencias e festas de formaturas, por exemplo. Porém gostei da fé dela. A única pessoa com quem eu cruzei que tem esse sonho, essa vontade, esse desejo e o Rene disse que iria com ela, ajudá-la nessa viagem, nessa missão.

Ali mesmo, naquela pequena visita, ficou combinado que ela iria fazer uma comida pra gente na quarta-feira. Mas acabou que ela se confundiu e foi na quinta. De qualquer jeito ela fez uma sopa fria, acho que de vagem, gostosa, nutritiva e leve, com uns acompanhamentos que agora não me lembro quais foram. Mas antes, na segunda, eu ainda dei outra volta na cidade e, realmente, não se tem nada pra fazer numa cidade pequena em que você nem se quer entende o que e fala nela, mas eu tinhaque fazer algumas coisas, como ir ao mercado ou comprar outra mala. No início achei os preços meio caros, mas depois eu vi praticamente a mesma mala por praticamente o mesmo preço da que eu tinha comprado em Milão. Não pensei duas vezes. A mala foi comprada. Depois, pra passar meu tempo, além de ficar conectado e usando o meu lap top, descobri uma coisa bacana pra se fazer e todo santo da eu escolhia um filme diferente pra assistir no DVD. Quando acabavam as opções eu acabava caindo no Mamma Mia. As vezes assistia dois, de modo que um era o Mamma Mia.

O Rene tem um certo fascínio por filmes da segunda guerra, inclusive – isso eu fotografei – lá em Enschede tem uma ex-igreja cujas paredes se vê os buracos de balas remanecentes dos tempos de guerra. Muito interessante e curioso, pois pelo fato de ser perto da fronteira da Alemanha a guerra chegou ali. Mas de marcas só ficaram essas, até pelo fato de não ter casas, palácios ou monumentos de muitos anos, com excessão mesmo das igrejas. Um filme que eu vi e gostei muito foi “O garoto de pijamas listrado” que fala da relação entre um menino filho de um oficial de alto escalão nazista e outro que vivia no campo de concentração próximo à casa que ele morava. Acabou que minha vida lá se resumia a isso. Um verdadeiro SPA. Se bem que em SPA se faz muito mais atividades do que eu estava fazendo ali.

Ás vezes eu saia com eles como no dia em que fomos ao IKEA, o que pra gente seria a TOKSTOK, ou jantamos na casa da mãe do Rene e depois fomos visitar seu irmão. Teve um dia também que eu saí com os amigos deles, Rene e Renan, já que eles quiseram ficar em casa. Isso foi na terça da primeira semana. Enfim, eu fazia algumas coisas sim, mas não exagerava na dose, até pelo fato de ter que acelerar o ritmo de viagem depois de lá. Não deu pra sentir essa aceleração no fim de semana em que eu fiquei em Amsterdam. Até porque eu tava bem descansado quando fui pra lá e durmir duas noites só não era nada, principalmente por ter carregado só a mochila. Tudo bem que tava um pouco pesada, mas ia ficar no albergue mesmo e eu só iria carregá-la no último dia durante o dia todo. Ali sim minhas costas doeram.

Antes de ir pra Amsterdam de vez, deixa só eu relatar um fato que aconteceu no dia em que eu fui pra lá. O Rene pediu pra que eu fizesse o jantar. Tudo bem. Além disso, ele pediu pra que eu fizesse um prato típico brasileiro. Aí começou a complicar. Como fazer um prato brasileiro no interior da Holanda? Improvisei.

Fui no mercado, comprei batata e carne moída e fiz um escondidinho de batata com carne. Não passava de um purê de batata com carne moída, mas eu botava a carne bem no meio da cumbuca e depois de cobrir ainda tasquei duas fatias de queijo pra realçar. Se o pedido foi de comida brasileira, fiz como se faz no Brasil. Porém o Rene não gostou.
AVENTURAS EUROPÉIAS (21)

Quer dizer, não é que ele não tenha gostado, mas é que tipicamente a gente cozinha com sal e ele não é muito fã de sal e por isso rejeitou a comida. Achou muito salgada. E pra terminar a sessão Enschede, na véspera de eu ir pra Bélgica aconteceu um imprevisto. Estava eu pendurando minha roupa no varal, no quarto reservado pra mim quando o vento bateu a porta da sacada estilhaçando o vidro. Mas não foi o vidro da porta, e sim o vidro que fazia vez de parede, ou seja, o maior. Só pra me sacanear.

Tudo se resolveu até a hora da minha partida e, apesar desses imprevistos descansei bastante na casa do Renan. Precisava. Já disse da minha recepção na quinta. Lá toda quinta a noite tinha uma atração na cidade. Na quinta seguinte a que eu cheguei foi um especial de dança e música latina e na última quinta que estive por lá, na véspera de eu ir embora, teve uma atração que gostei muito e que sei que fica rodando a Holanda. É um grande karaokê. Eles selecionaram trinta núsicas e executaram em alto e bom som pra que todo mundo cantasse. Achei a idéia sensacional. Tem alguas pessoas que ficam em cima do palco, com a camisa promocional cantando e ajudando o povo lá em baixo a cantar. Até eu arrisquei a cantar no meio do povo as músicas em inglês, tipo New York, New York. Tinham umas músicas em holandês e até em frances também. A listagem e as letras estavam num jornalzinho que era distribuído gratuitamente. Eu peguei um e levei pra casa até pra baixar as músicas pela internet, principalmente as holandesas, inclusive uma que eu gostei muito que são várias crianças cantando juntas.

As mostrei pra Tina na Bélgica. O holandês falado na Bélgica tem um sotaque diferente do holandês falado na Holanda. Tipo Rio e São Paulo. Tanto que teve uma música chamada Bestel Mar que a Tina teve dificuldade pra entender. Mas antes da Tina eu ainda tenho que falar de Amsterdam. A cidad mais louca que eu visitei. Louca em todos os sentidos. O que susutenta, o queas pessoas buscam naquela cidade é mesmo sexo, drogas e rock and roll. Sendo que esse último eu quase não vi.

Eu cheguei em Amsterdam na sexta a noite porque tina comprado o bilhete do fim de semana de modo que só poderia pegar o trem na sexta a partir das sete da noite e voltar no domingo a qualquer hora. Claro que posterguei essa volta pra domingo o mais tarde possível, chegando de volta a Enschede no domingo as onze da noite. Aquele amigo do Renan que foi pra lá no fim de semana anterior, me recepcionou apenas por um par de horas, já que na manha do sábado ele tinha um compromisso na Alemanha.

Algumas partes da cidade, mesmo a noite, me foram apresentadas, alguns caminhos também me foram indicados, mas cerca de duas horas depois de eu ter dado entrada no albergue estava voltando pra lá pra dormir. Descobri que lá também tinha o tal do free tour. Já tinha compromisso pra manhã seguinte. E o horário combinou pelo fato do café ser servido até as dez e o tour começar as onze. Uma hora pra ficar perdido.

Amsterdam é Veneza quando essa quiser se desenvolver. Também e repleta de canais e barcos e bicicletas são os meios de transportes mais comuns. Claro que lá existem ruas normais e carros trafegando, mas eles convivem bem com os outros meios de transporte.

Sexo em Amsterdam é a coisa mais comum. Não existem tabus nem pudores em relação a isso. O que há são algumas regras a ser respeitadas. Por exemplo, não se pode transar no poste da esquina onde todo mundo passa, mas num parque, num lugar mais isolado, a possibilidade de não ser importunado durante o ato é bem maior. As vitrines onde as prostitutas expõem suas mercadorias não é lenda. Elas existem sim e fica numa área chamada distrito da luz vermelha. O preço: cinquenta euros por vinte minutos. Não sei o que se faz nesses vinte minutos, se o serviço é completo e de qualidade. Eu não fiz um trabalho de campo digno, não neses termos e condições.