terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (28)

Mas não adiantou porque o filme não rodou. O DVD era com a nova tecnologia blue-ray e nenhum dos dois aparelhos dela rodou o filme e a gente ficou a ver navios, aliás, nem navios. Não vimos absolutamente nada. E olha que escolhemos o filme juntos. Nem eu e nem ela havíamos visto nenhum dos dois filmes e por isso a escolha deles. Acabou que a gente ficou vendo TV mesmo.

Bem, me despedi dela com duas fotografias só pra encher o meu álbum do Orkut. Fui me deitar cedo. É, porque dormir mesmo não foi logo assim, tanto pelo fuso que havia montado pra mim, como pela preocupação de acordar na hora no dia seguinte e também pela ansiedade da viagem. Saí eu as seis da manhã da casa da Tina puxando a minha malinha até o ponto do ônibus e as sete da manhã partia o trem pra Paris.

Ele pára em Bruxelas antes de seguir pra Paris. Lá alguém me incomodou. Mas eu tava errado. Sentei na poltrona marcada, mas no vagão errado. O meu era o vagão de trás. Peguei minha mala e troquei de vagão. Só a partir daí que começa o seviço de bordo. Parecia o mesmo de avião. Tinha aqueles carrinhos com as coisas que se botava na mesinha na nossa frente. Também não era lá aquele café da manhã. Era um pouco mais que o de Veneza, também tinha o croissant, mas ao invés de suco veio o chocolate quente e, se não me engano, uma outra coisa que talvez tenha sido uma salada de fruta ou uma barra de cereal. E um copo d’água pra fazer um enxágüe.

Duas horas depois estava chegando em Paris. O trem me deixou na Gare Du Nord e de lá, seguindo as indicações, peguei o metrô pro albergue. O metrô de Paris é meio engraçado. Além dos vagões serem menos curvilíneos, mais quadradões, que lembra um pouco o de Milão, o sistema lá não é tão automático quanto, por exemplo, o do Rio. Tanto que, esteja você querendo sair do vagão ou querendo entrar, tem que puxar a maçaneta, ou seja, a abertura das portas é manual.

Em alguns paises são semi-automáticos. É só apertar o botão depois que o trem para. Falando em parar, essa jogada da maçaneta não espera o trem parar totalmente. As portas podem ser abertas com o trem ainda em movimento, freiando e parando, mas andando ainda. E outra coisa. As freiadas do metrô em Paris é a mais brusca da Europa. Freiada típica de ônibus londrino. A concorrência é grande.

Quando fui comprar o bilhete pra ir pro albergue, mostrei as indicaçõas que a reserva do albergue me deu e perguntei pra mocinha lá como eu fazia pra chegar até lá. Ela me explicou que em tal estação teria que cambiar pra uma outra linha. O que em Paris não se pode reclamar. A cidade é toda irrigada por linhas de metrô te leva de qualquer lugar pra onde se quiser ir. Qual não foi a minha surpresa durante a checagem do mapa ao perceber que a mocinha do guichê tinha errado. Ela confundiu duas estações. Eu querendo ir pra Volontaire e ela me mandou pra Voltaire. Refiz rapidamente o planejamento. Tinha mesmo a baldeação, mas não no local que ela indicou e sim em outro, que foi o que eu fiz.

Ao sair da estação, logo de cara, vi o pico da torre Eiffel. Ali abri aquele sorriso e caiu a ficha de que eu estava realmente em Paris, nas ruas da cidade luz, meio perdido, mas lá. O albergue era perto da estação, de modo que só podia ir pro quarto depois das três da tarde, ou seja, tinha das onze da manha até três da tarde pra começar a desbravar a cidade. Foi o que eu fiz. Depois de instalado. Tirei a calça, botei a bermuda, peguei a máquina, o mp3 e fui andando. Não demorou dez minutos pra eu estar perto da torre. Na verdade estava na entrada trazeira da Escola Militar, ou seja, ela me separava do Campo de Marte que termina na torre. Um pouco mais próximo estava o Hotel dos Inválidos e o Museu da Guerra (acho que era isso, enfim...) Depois, dali sim, fui até a torre. Claro que a máquina já estava pipocando de fotografias.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (27)

Voltamos pra casa. Chegamos por volta e meia noite e meia. Tomei meu banho, afinal, havia sambado um bocado, e caí na cama. Não necessariamente pra dormir. Ainda tinha que dar aquela checadana internet. Vocês podem pensar que é exagro meu, mas como cada albergue que eu ficava tinha suas regras quanto ao uso da internet, quanto mais aproveitasse a gratuidade que havia lá na casa da Tina pra mim era bom Principalmente pra pesquisar sobre os trechos que faltavam da viagem.

Na sexta, a única coisa que fiz foi ter ido de bicicleta na estação comprar o bilhete do trem pra Paris na segunda. No guichê, a moça me perguntou se eu queria com ou sem o café da manhã. Perguntei sobre a diferença de preço, já que a certeza que eu tinha era de ir na segunda classe. A resposta? Dois euros. Isso mesmo. A diferença da viagem no vagão que servia o café da manhã pro que não servia era de dois euros. Acho que foi o café da manhã mais barato que comi durante toda essa viagem pela Europa.

Na sexta a noite a gente ainda saiu pra um pubzinho na cidade. Um que eu já tinha passado várias vezes defronte. Fomos eu e Tina primeiro, comigo dirigindo. Depois encontramos uma amiga dela que chegou depois e ainda quem apareceu por lá foi o Bastian, o irmão dela. De lá fomos pra outro pub depois.

Europeu tem disso. Via sacra de pubs. Em toda parte da Europa. Em Londres, por exemplo, eu era um peregrino de pubs, mas sempre mantendo a linha careta. Não bebo cerveja, mas um vinho de vez em quando e os espumantes e licores da vida eu gostava e tomava. Não a ponto de encher a cara e ficar de porre, mas fazia minhas estripulias. De vez em quando.

Nesse dia, por exemplo, tomei o Bayles nosso de cada quinzena. E no pub seguinte voltei pro refrigerante. A noite de Gent não tem muita diversidade. Bem, pelo menos eu não fiquei sabendo de nada enquanto estava por lá. Ficava sabendo das coisas que ocorria nas cidades vizinhas ou através da Tina e do Bastian, mas também não me animava muito em gastar dinheiro com farras e noitadas até pelo fato de estar rodando aquela região. Tinha que economizar mesmo.

Chegou o outro sábado. Eu tinha que comprar cadeados pra mala, pois não queria repetir o mesmo erro de Berlim. Aproveitei pra comprar uma camisa e alguns pacotes de chocolate belga além, é claro, dos cadeados. A Tina foi comigo lá no centro da cidade, onde eu havia me perdido no sábado anterior sozinho. A gente rodou um pouqunho lá e depois voltamos pra casa. Não lembro efetivamente o que eu fiz naquela noite de sábado. Tenho quase certeza de que foi a loucura do filme. Essa história também é curiosa.

Uma vez em Londres, conversando com a Emma, minha amiga francesa, a gente tava falando sobre Piaf e ela me ofereceu pra ver o filme. Perguntei se era em inglês ou tinha legendas em inglês. Ela disse que era falado em francês e não tinha legenda. Declinei do convite, mas a vontade de ver o filme continuou. Sempre continua. Na casa da Tina tinha o filme e como eu estava indo pra Paris me arrisquei a ver. Em francês. Até aí nada mudou. Mas as legendas eram em holandês. Ou seja, eu já não entendia quase nada dos diálogos, passei a entender muito menos pelas legendas.

Ainda mais eu que tenho o vício de ficar lendo legendas, estejam elas escritas em que língua for. Se o filme for em português com legendas em português leio todas as palavras. É vício. Apesar de não ter entendido palavra por palavra, o contexto deu pra eu sacar. E as legendas em holandês foram limadas logo no início pra não atrapalhar a concentração e o foco inclusive na língua francesa. Afinal, era pra lá que eu estava indo.

Ah é. Lembrei. Falando em filme, Tina foi na locadora e alugou um na tarde de sábado pra gente ver. Não lembro se foi o ‘Slumdog’ ou o ‘Benjamin Burton’.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (26)

Não era a primeira vez que ia de Bruxelas pra Gent de trem, só que da vez passada nem saí da estação, só comprei o bilhete e troquei de plataforma. Dessa vez conheci, se podemos dizer assim, a capital belga. Bem, pelo menos passei algumas horas nela.

Voltei mais ou menos na hora de sempre. A noite varei a madrugada conversando com meus amigos via MSN, montando e pesquisando como continuaria a segunda parte da viagem que depois da Bélgica ainda tinha Paris, Lisboa, e Espanha. Pelo menos até a Espanha tinha que tá tudo certo. Na verdade meu foco mesmo era mais até a chegada na Espanha. Lá eu tinha tempo de resolver algumas coisas. Na quinta eu acordei, tomei café, mas não saí de casa. Além de passar boa parte da noite verificando isso tudo, a tarde também liguei o lap top, mas para continuar a contar essas aventuras escrevendo nesse espaço aqui.

Quando a Tina chegou, ela me chamou pra um show numa cidadezinha perto. Parecia um festival de verão. Era num parque pequeno e tinha a apresentação de uma banda portuguesa de nascimento, mas com integrantes de várias partes da Europa. Ah! Fomos de carro. De modo que como a Tina estava apenas com a carteira provisória e ela só poderia dirigir o carro dos pais dela pelo fato de ter a letra L de licença e o carro dos pais dela estava com o irmão, sobrou pra mim.

Não que eu estivesse reclamando, muito pelo contrário, eu gosto de dirigir, mas a situação era completamente diferente, estava indo como motorista, também pelo fato de não costumar beber, principalmente quando estou ao volante. E era num carro que eu nunca dirigi, do outro irmão dela e num país completamente diferente do meu. A última vez que dirigi tenho quase certeza que tinha sido o meu carro, antes de ter vendido pra poder viajar, ou seja, há quase um ano. Peguei o carro e lá fomos nós.

Ainda pegamos uma prima dela no caminho e fomos pro show. Parei o carro numa rua lá. A primeira a esquerda depois da entrada do show, que era ao ar livre. Um espanto, pra quem não tá acostumado, é que não surgiu um flanelinha pra dizer que tá de olho no carro e pedir um trocado. Claro que não se deixa o carro totalmente aberto. Aí também já é demais. Ainda mais depois que mexeram nas minhas coisas no albergue de Berilm, fiquei meio ressabiado quanto a isso. Fomos pro showzinho. Previsto pra começar as nove, as nove e meia eles subiram no palco. Nós chegamos deveria ser nove e quinze. Encontramos outros amigos dela lá no local.

A banda se chamava Terracota, que misturava reggae com outros ritmos e no final, por incrível que pareça, tudo acabou em samba. Nunca me imaginei sambando numa cidadezinha do interior da Bélgica numa noite de quinta, escutando uma banda originalmente portuguesa, mas que na verdade era uma torre de Babel. Aquilo lavou minha alma. Tava precisando. Realmente foi pra expurgar alguns fantasmas que me rondavam. Curti muito, aproveitei bastante mesmo. Quase duas horas de show. No início fiquei só observando, mas depois entrei no clima. Na volta ainda demos carona pra outro amigo dela, ou seja, eram quatro no carro.

No final, antes de entrar no carro, a gente ainda foi ao banheiro – e confesso que usei a moitinha ao invés da casinha; não iria pagar quarenta centavos pra tal e não fui o único a fazer isso – e beber as sobras dos tíquetes que compraram em excesso. Me ofereceram e pedi um já conhecido aqui Ice Tea. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a água da tal bebida lá é gazeificada, é frizante, parece um refrigerante, apesar de manter o mesmo sabor, o gosto variou um pouquinho. Não sei se é o costume, mas, apesar de ser bom, se tivesse opção de escolha, o que nós consideramos normal era o que eu tomaria.