terça-feira, 25 de maio de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (41)

É de praxe também ela reclamar do meu tênis. Tenho a mania de usar um tênis por ano, sempre entre os carnavais, e o que estava no pé seguia a tradição. Não consegui convencê-la a usar até o carnaval. Esse, até entendo. Afinal era meu único companheiro pisante e já tinha andado praticamente a Europa toda comigo. Pelo menos ela concordou com que esse par de tênis que tinha saído comigo de Londres teria que voltar comigo pra Londres pra fechar o ciclo. E lá sim eu trocaria. Confesso que estava abusando demais dele, mas de certas manias eu não consigo me desfazer.

Abrindo um parêntese ainda nesse ponto, não sei se era mania ou tradição, pendendo mais pra segunda alternativa, no Natal eu era conhecido por sempre pedir a mesma coisa de presente de amigo oculto, o disco das escolas de samba. Dos meus trinta e três anos, completados no mês passado, creio que uns vinte eu sempre ganhei isso, desde os tempos do vinil. Um desses anos, o últmo que ganhei o disco, aboliram a lista de sugestões e eu fiquei apreensivo, mas quem havia me tirado não pensou em outro presente pra me dar. Realmente era mais fácil. O Natal do ano retrasado (2008) que passei em Londres, foi o primeiro que passei longe da minha família e como estava quebrando uma tradição, resolvi quebrar duas. Pedi um livro ao invés do disco das escolas de samba abolindo de vez esse pedido.

O caso do tênis ainda não consegui me desfazer dessa ‘tradição’, ainda não tive o estalo que possibilitasse essa quebra e enquanto isso meus pés vestem o mesmo par de tênis entre os carnavais. Quando fui pra Londres levei dois pares de sapato e dois de tênis. O que eu usava, que inclusive encarou a nevasca que enfrentei em Londres e que terminou de destruir e mesmo assim eu ainda usei até chegar o carnaval e o reserva que só substituiu o que eu usava depois do carnaval. De modo que era o mesmo que estava viajando comigo, também, não tinha outro. Minha mãe ainda inssistia em querer comprar outro, mas o convencimento de fazer isso em Londres se deu, não só pelo fato que já disse daquele par terminar comigo o que já tinha começado, como o fato de não poder mais fazer peso na mala.

Chegamos no hotel a noite, com compras que nos abasteceram pelos dias que lá ficaríamos, tomaos um banho e dormimos. Minha mãe queria por que queria ir pra Toledo. Uma cidadezinha que ficava a meia hora de trem de Madri, que ela já tinha ido. Como eu já tava de turista mesmo, fui na onda dela. A idéia era acordar no sábado e ir pra lá. Foi o que fizemos, só não contávamos com o próprio fato de acordar ao meio dia e meia. Fizemos tudo normalmente, preparamos sanduiches pra levar, refrigerante e tal.

Saímos do hotel por volta das duas da tarde e fomos pra estação de Atocha pra de lá pegar o trem pra Toledo. Vimos o horário do trem, dali a quase uma hora saia o outro trem pra Toledo. E pra volta, tinha um trem as seis e meia e outro só as nove e meia da noite. Independente da hora que íamos chegar por lá, as seis e meia voltaríamos. Segundo minha mãe, dava pra gente ver o essencial da cidade nessas quase três horas de visita. Lembrei de Ávila. Também fiquei pouquíssimo tempo lá e vi por alto os pontos mais importantes. Conseguimos ver, mas quase não pegamos o trem de volta, fomos os últimos a entrar por questão de dois minutos não ficamos na estação de Toledo vendo o trem partir sem a gente dentro.

O sábado estava quase acabando, mas ainda tinhamosalgumas horas pra andar pelas redondezas do hotel, o memso que tínhamos feito no dia anterior. Perguntamos o preço do ônibus que faz o tour pela cidade. Era o que nos restava fazer e foi o jeito que nós encontramos pra passar o domingo, pois tínhamos que deixar o quarto do hotel por volta de meio dia e pegar o trem pra Barcelona as dez da noite. As malas ficaram no lobby do hotel enquanto passamos o dia fora.

terça-feira, 18 de maio de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (40)

Eu sempre passava em frente, mas até o dia anterior nunca tinha entrado. Sim, no dia anterior foi nesse mesmo bar que encontramos com os amigos deles. Enquanto que nos dias anteriores minha diversão era ficar no MSN falando com meus amigos e já começando a descrever e escrever essas memórias, essas aventuras.

Teve uma vez que eu virei a noite conversando com meu amigo Paulinho. Mas era a minha diversão ficar no lap durante a noite e dormia pela manha. Mesmo na casa dos outros não consegui me desfazer desse hábito que é inato meu.

Dois dias antes da minha saída de Salamanca a Ana me levou pra passear na cidade com um amigo deles que é africano – não me lembro de que parte – e seminarista que estava lá há mais ou menos um ano e já passou poucas e boas pra estar lá. Isso era numa quarta. Na quinta eu comprei a minha passagem de Salamanca pra Madri de ônibus. Mais precisamente direto pro aeroporto de Madri, onde eu iria encontrar com a minha mãe.

Acordei de madrugada, terminei de fechar a mala, peguei minhas coisas e parti da casa do Wlad. Fui andando pra rodoviária pra pegar o primeiro ônibus, o qual eu comprei a passagem. Não era tão longe. Era bem mais perto que a distancia do albergue pra estação de trem de Berlim, por exemplo. E dessa vez a mala se comportou bem, nem arrebentou, apesar da alça superior começar a dar as suas falhadas. Cheguei no aeroporto uma hora depois de ter saído de Salamanca e teoricamente uma hora antes do vôo da minha mãe, que atrasou.

Enfim, eis que ela surge. A emoção bateu forte. Chorei. Depois de pouco mais de nove meses sem nenhum contato com ninguém da minha família, minha mãe aparece mais pra me buscar e curtir comigo os últimos momentos dessa turnê pela Europa. Dez dias a partir dali e antes de voltar pra Londres e de lá pro Brasil dali a praticamente um mês. Nossa aventura começava ali no aeroporto. Tínhamos que ir para o hotel.

Como ela já tinha estado por lá antes, joguei minha toalha. A partir dali quem me guiava era ela. Também, depois de dois meses sozinho encarando o mundo, tava na hora de relaxar e deixar ela fazer o papel de agente, guia, tudo de viagem. A partir daquele momento eu me sentia mais turista do que antes. Seguimos em direção ao metrô. Isso é uma coisa sensacional. Acho que todas as cidades, ou pelo menos as capitais que eu visitei até então, com excessão de Lisboa – se em Lisboa tem eu não vi e nem utilizei – o aeroporto tem conexão com uma das linhas do metrô de modo que estamos precisando que esse sistema seja implementado aqui no Brasil, ainda mais agora que Copa e Olimpíadas estão pra vir pra cá. Não adianta continuar do jeito que está.

Mas voltemos a Madri. Pegamos o metrô, descemos na estação e fomos para o hotel. Com o atraso do vôo chegamos lá um pouco tarde. Largamos as coisas no hotel e partimos pra rua. Isso era uma sexta-feira, dia quatro de setembro e no domingo a noite iríamos pegar o trem pra Barcelona. Era apenas três dias pra visitar a capital espanhola. Pelo passar da hora já eram dois e meio. Eu fui atrás da minha mãe. Ela já conhecia, já tinha ido e eu só acompanhei. Comemos. Tinhamos que comer. Estávamos famintos. E de lá rodamos. Já é de praxe minha mãe começar a entrar nas lojas e ver preços das coisinhas pra começar a levar.

Eu não queria que ela fizesse mais peso na mala já que ainda iríamos pra mais três lugares com ela; Barcelona, Dublin e Londres, mas não tem jeito e até eu entrei na onda, mas só por conta de um frasco de perfume que por sua vez entraria no lugar de um outro cosmético, ou o outro perfume, desodorante ou xampú, enfim, alguma coisa que tava no fim e dava pra ser substituído.

terça-feira, 11 de maio de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (39)

Até tive uma surpresa quando já estávamos pra voltar. Numa das entradas da muralha, uma equipe de filmagem se preparava, ou estava no meio de mais um dia de trabalho. Ai meus velhos tempos de projac! E o pior é que não muda. Independente de que cidade ou país for é tudo a mesma coisa. Provavelmente só deve ser diferente em Hollywood, onde a indústria e possivelmente o sindicato dos figurantes tem um peso maior que faz valer seus direitos. Esses pobres coitados estavam lá, no sol esperando as ordens do diretor pra saber o que fariam em cena. Confesso que não vi nenhum trailer que servisse de camarim ou coisa parecida, mas eles estavam até bem arrumados pra ocasião. Também não fiquei lá como os populares aqui ficam, de butuca nas pessoas, nos artistas e não tenho idéia se era filme, novela, comercial ou outra coisa que pudesse ser. Apenas passamos por lá pra tirar algumas fotos da muralha e pegar o carro pra ir pro outro lado e tirar mais fotos das muralhas de Ávila.

Depois das fotos pegamos o carro e voltamos pra Salamanca. A cidade é bonita, mas por ser universitária, é bem pacata. Pro meu gosto até demais, principalmente na época que eu fui, quando os estudantes começam a voltar pro início do ano letivo, ou seja, o borburinho tava começando. Mas ainda assim meio parada. Tanto que só conheci alguns amigos do Wlad e da Ana um dia que saímos todos nós a noite e fomos fazer a via sacra dos bares de Salamanca.

Uma curiosidade que descobri é a despedida de solteiro deles. Os amigos se vestem todos iguais, geralmente com uma camisa coma foto dos noivos ou só de um deles e saem pela cidade cercando o nubente que sai fantasiado. E isso não foi só uma vez não. Foram várias. Aliás, o tempo que eu passei na Espanha vi muita gente casando. Como se casa naquela terra. Outra coisa é que na praça maior de Salamanca sempre tem os grupos folclóricos tocando, principalmente a noite. E a população gosta de ouvir, acompanhar e até dançar junto com eles.

Saimos não lembro exatamente o dia da semana, sexta ou sábado, só sei que rodamos pela cidade e mesmo depois do Wlad e da Ana terem ido embora eu ainda fiquei com os amigos deles até não agüentar mais, ou melhor, até eles não agüentarem mais. As quatro e pouca da manhã estávamos numa espécie de bar que só abre das quatro as dez da manha e tem como especialidade servir o café da manhã e como atrativo principal o churros espanhol.

É, existe uma diferença brutal entre os churros. Não posso precisar se por causa da cultura ou da língua, ou se a pessoa que trouxe o churros pro Brasil sacou algo diferente. Aqui o recheio vem dentro do canudo, e ainda se escolhe o sabor, geralmente entre chocolate e doce de leite. Lá, além do canudo não ter um furo no meio e por isso ser mais fino, o que a gente chamaria de recheio por lá não passa de uma cobertura servida num copinho pequeno de café e geralmente é uma calda quente de chocolate pra se umidecer o produto. A massa eu achei gostosa. Me pareceu ser mais crocante, mais abiscoitada do que a daqui, mas o sabor é o mesmo.

Combinamos de sair no dia seguinte também. Marcamos uma determinada hora em um determinado local. Eu cheguei lá pontualmente na hora marcada, mas além do bar estar vazio eu fui o único a chegar em ponto. Não tinha o telefone de ninguém, mas se eles estavam indo pra lá eu esperei. Não esperei parado. Fiquei rodando a área. Não é que deu certo? Nos encontramos sem ninguém ligar pra ninguém. Uns vinte minutos depois, numa das minhas passadas pela porta do bar vazio, eles estavam chegando. Por conta de um alarme falso – não se tocava forró naquele bar e naqula noite como alguém imaginou – mudamos de bar e acabamos parando num em que o Wlad sempre falava.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (38)

Do outro lado da casa dele, na outra ponta da rua, tinha uma arena de touros, como eu vi em Portugal. Com a diferença que essa estava e ficou fechada todos os dias em que eu fiquei lá com ele. Estavam anunciando algumas touradas lá, mas mesmo sendo uma atividade cultural eu sou absolutamente contra e não iria mesmo.

Quanto a arena eu já tive uma noção em Portugal. Deve ser a mesma coisa, talvez mais ampla ou antiga, mas é tipo estádio de futebol. Vendo um, já imagina como seja os outros. Mas eu acho a tourada uma coisa absurda, principalmente na Espanha onde se mata o touro, onde pro toreador ter êxito na sua performance o animal tem que cair sem vida e aí ocorre a laureação do homem. É um ato covarde, mas em sendo a cultura deles a gente respeita, mas repudia.

O Wlad havia me dito que chegaria no domingo. O domingo passou e cadê o Wlad? Imaginei que eles então só iriam chegar na segunda. Aliás, por alguns segundos achei também que eles iriam me sacanear, largando a bomba na minha mão e fugir do país. Claro que eles não seriam malucos de fazer isso. É que às vezes minha imaginação tem uns rompantes de fertilidade que no início me assustavam, mas depois me acostumei com isso. Cogitar uma hipótese que não existe e guradar pra mim – agora estão todos sabendo.

Segunda-feira eles estavam quebrados e me contaram a aventura que tiveram no lugarejo que acamparam. A história dava um bom roteiro de filme de aventuras, desses que uma família se embrenha num lago do interior, faz uma caminhada e corre todos os perigos iminentes do lugar inóspito que se meteram. Quem manda fazer esse tipo de aventura radical sem acompanhamento de um guia local ou especialzado naquela área? E o pior que eu também iria se tivesse vaga no carro. Acho que fazer uma vez ou outra, como eu já fiz com uns amigos na minha cidade, pra viver uma emoção nova e diferente é valido. E essa também valeria a pena, apesar de ser muito arriscado. E eu encararia numa boa mesmo sabendo de todos esses riscos.

As fotos que eles me mostraram do lugar são simplesmente maravilhosas. O lugar era realmente impressionante. Enfim, a Ana ainda foi trabalhar, mas o Wlad não e tirou o dia pra descansar. Até a Lola chegou mancando de uma pata, pra ver o quanto e o tipo de terreno que eles andaram. Como o Wlad não me levou pra essa trilha e pra esse acampamento, na terça ele decidiu me levar pra Ávila.

Outra aventura. Primeiro por somente irmos nós dois. A Ana ficou e a Lola também. Segundo por que a coisa mais comum na Europa é um carro com GPS e o Wlad custou a achar o dele pra nos guiar pelas estradas. Como ele mesmo afirmou que a Lola, sedenta por cartografia, devorou literalmente o programa de atualização do GPS, mesmo com o revolucionário aparelinho, nós nos perdemos. O Wlad ao invés de seguir o próprio senso de direção, coisa que sempre funcionou comigo achou melhor seguir o GPS e acabou se perdendo quando agente saiu de Salamanca em direção a Ávila. Se ele estava perdido, rodando com o carrinho dele por ali, imagina eu, mas eu tava adorando. Uma das coisas que eu fazia em Londres logo que eu cheguei lá era me perder. Sozinho, como no terceiro dia que estava lá ou com o meu fiel escudeiro que também adorava uma loucura dessas.

Finalmente chegamos em Ávila, cidade medieval onde a parte antiga e como sempre bem conservada ficava no interior das muralhas que a cercavam. A parte de fora, mais nova, ou mais recente tinha pra onde se expandir, mas aquela sensação de um filme de época medieval nos trás com as batalhas e invasões pelas muralhas, ou na tentativa de escalar ou com as catapultas é impressionante e gostosa de se sentir.