terça-feira, 27 de julho de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (50)

O aeroporto de Dublin é grande. Chegamos lá na hora certa e dessa vez não deu problema de peso de mala. A divulgação de qual portão seria o nosso embarque demorou um pouco. Comemos alguma coisa lá mesmo, pois saímos do hotel praticamente sem nada no estomago. Já na porta do finger – aquele braço que é acoplado no avião praentrada dos passageiros - uma moça estava fazendo uma pesquisa tipo ibope e eu com ajuda da minha mãe respondi a um questionário enorme sobre segurança, acessibilidade, instalações do aeroporto e etc..

Entramos no avião e em uma hora estávamos em Londres. Diz o dito popular que um bom filho a casa torna. Londres me tinha de regresso por mais dezoito dias, entre treze de setembro e primeiro de outubro. Desses, dez eu iria trabalhar. Chegamos no aeroporto, liguei pro Dominic, o landlord, pra avisar que já estávamos na área. Pegamos o ônibus no aeroporto e descemos na estação de Goldens Green. De lá pegamos o ônibus de linha até o ponto da casa. Foi até mais fácil. Pois a idéia seria ir até a estação de Victoria, mas não houve necessidade de irmos até o centro pra voltarmos. Estávamos sem o oyster e pagamos ao motorista as duas libras referentes a passagem.

Infelizmente não fiquei na mesma casa que habitara durante a temporada anterior ao tour europeu. A Osborne 38 não tinha uma vaga pra mim e minha mãe de modo que ficamos na Chapter 127, que não deixava de ser a poucos metros da outra, ou seja, eu praticamente vivia na que eu considerava, e considero até hoje, minha casa em Londres só indo pra atual hospedagem apenas pra dormir. Chegamos num domingo e fomos ao mercado nos abastecer de pronto. Enquanto isso ligava pros meus amigos pra avisar que já estava de volta. Depois das compras peguei a mala que havia ficado e levei pra casa. A recepção foi calorosa. A noite, um jantar foi oferecido pra mim. O pessoal da casa fez um strogonoff. E olha que do meu tempo só o Airton, a Rose e o Rafa da Bahia que permaneceram firme e forte habitando a casa. Os outros já tinham se mudado todos, mas mesmo assim o astral continuava alto.

O dia seguinte foi a vez de eu fazer o jantar e botar de volta no cardápio da casa o tradicional macarrão a carbonara que sempre fez sucesso e deixou saudade em alguns. Também foi o dia de mostrar a minha mãe o caminho das pedras, ou melhor, das compras. Ensinei a ela como se fazia pra chegar na Oxford Street já que na quarta ela teria que se virar sozinha, pois eu iria voltar a trabalhar e durante alguns dias ela teria que se virar sem mim. Nessa primeira semana, tento o meu quanto o passe da minha mãe foi carregado só nos dando direito a andar de ônibus. Depois somente o meu foi carregado também com o metrô e nos dias que restavam, por ser mais barato e não ter necessidade do metrô e só utilizarmos em alguns dias, esse meio de transporte foi abolido do meu passe.

Esses dias que me restavam forma marcados pelas despedidas. Tentei fazer o máximo pra rever todas as pessoas que por algum motivo passaram pela minha vida durante essa temporada que vivi lá. Por algumas horas ou por cinco minutos não importava, tinha que revê-los todos e pelo que me lembro, da casa, só a Emma, minha amiga francesa que não consegui ver, mas de resto, tanto os novos que conheci depois de voltar, quanto os que me acompanharam durante a jornada foram revistos. Meus amigos da feira, no último dia, abriram uma garrafa de vinho e brindaram desejando minha volta.

Dessa vez fui consciente que seria uma temporada. Gostaria de estendê-la, mas pela falta de um trabalho fixo não consegui. Mas saí de lá com certeza de voltar um dia. O prazo eu já me dei. O ano será 2012. Esse é o meu limite aqui.

terça-feira, 20 de julho de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (49)

Nesse primeiro dia tive uma decepção. No tal guia que não me lembro se a gente pegou em algum lugar ou minha mãe levou com ela havia a foto de uma bola. E nessa ânsia de comprar uma mala de mão, numa das lojas que a gente passouvendo preços e malas havia um brasileiro trabalhando. Perguntei pra ele se por acaso ele sabia onde ficava a tal bola. Com sua quase certeza, disse que estava no Trinity College, a universidade mais famosa e concorrida da Irlanda. Nas nossas andanças fomos até lá.

Numa recepção improvisada, onde grupos se juntavam pra conhecer o interior da faculdade, pergutei ao rapaz que lá estava onde ficava a tal bola. Ele me explicou e perguntou omotivo de euestar indo atrás da tal bola. Aquilo deveria ser algo no mínimo inusitado pra ele. E de fato era. O motivo é que a tal bola é uma escultura de um arquiteto de nome Pomodoro. O nome da bola em si eu não sei, mas essa escultura, essa bola, pra mim só existia em três lugares, a saber: na Organização das Nações Unidas, em Nova Yorque – e eu já tginha passado por lá em junho de dois mil e oito - no Museu do Vaticano – e eu tinha estado lá a cerca de dois meses antes de passar por Dublin, no início de julho daquele ano, dois mil e nove – e justamente no Vaticano, uma daquelas guias que levam grupode excursão comentou que no mundo só existiam três bolas daquela; nesses dois lugares já citados e no Trinity College em Dublin, na Irlanda – onde eu estava naquele momento.

Qual não foi minha frustração naquele momento quando o rapaz me disse que não só nesses três, mas também em Israel, Califórnia e outros lugares também tinham aquela bola. Eu crente que completara ali o ciclo das três bolas agora tenho que ter oportunidade de correr atrás das outras bolas restantes espalhadas pelo mundo. De qualquer forma fui lá pra tirar foto da bola e eu tirei indicando que aquela era a terceira bola que eu tinha visto.

O dia seguinte tiramos pra fazer o free tour. Em Dublin também tem e de todos que eu fiz, por minhamãe estar me acompanhando, foi o único que eu fiz em língua espanhola, pra ela também poder entender o que se falava, até porque eu só um péssimo tradutor simultâneo, de modo que se eu ficasse traduzindo tudo o que a guia falava, eu memso iria perder o fio da meada e a explicação viria pela metade. Haviam dois turnos pra fazer o tal tour como em todas as outras cidades, mas preferimos pegar o primeiro tour, das onze da manhã, afinal, aquele seria nosso último dia lá e no dia seguinte partiríamos pra Londres, então tínhamos que aproveitar ao máximo.

Histórias lendárias e fantásticas ouvimos a guia contar. O maior assentamento vicking já descoberto e o esquema dascabanas que eles viviam desenhadas no chão, as igrejas que se entravam por portas falsas em fundo de bar originando assim o nome do bairro de Temple Bar, o antigo porto que hoje não passa de um parque com umdesenho celta no chão, o dono do hotel que mandava um grupo de rua calar a boca e hoje o líder desse grupo é o dono desse hotel - falo de Bono Vox e o U2 – os dois anos de fome e miséria total, as lutas intermináveis e intolerantes entre protestantes e católicos, enfim, histórias e estórias que só nesses tours ou lendo algum livro passamos a conhecer.

Bendita informação me passada pela Sabrina em Portugal e confirmada pelo Rafa da Bahia, que morou comigo lá em Londres, se não Dublin não teria entrado no meu roteiro e não teria conhecidos outras histórias que aconteceram séculos atrás e não são muito conhecidas por nós que moramos em terras tupiniquins, quentes e tropicais.

Saímos do hotel ainda de madrugada, pois tínhamos que pegar o primeio ônibus pro aeroporto mais ou menos onde nós descemos. Um taxixista passou e se ofereceu pra nos levar. Pra nosso alívio ele não fez igual ao taxi de Barcelona e nos cobrou o preço que pagaríamos se fossemos de ônibus. Em poucos minutos estávamos no aeroporto.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (48)

Dublin em termos de beleza e arquitetura não é tão diferente de Londres não. Aliás, acrecenta-se aí o clima também. O tempo é tão frio quanto lá. A semelhança é muito grande. E olha que estávamos na Irlanda independente, e não na do Norte que faz parte, assim como a Escócia e o País de Gales, do Reino Unido propriamente dito. As lojas eram as mesmas. As vezes mudavam de nome, mas só no letreiro. Pegando as peças de roupa até a etiqueta era igual.

Mas, como dizia o esquartejador, vamos por partes. Pegamos um ônibus direto pro ponto mais perto do hotel. Claro que ficamos meio perdidos. Era nossa primeira vez lá. Descemos no ponto certo e de acordo com o mapinha que nós tínhamos (que não me lembro bem se minha mãe tinha levado ou pegamos no aeroporto) estávamos perto. Só não sabíamos a direção certa. Até por quelá também adota-se a mão inglesa. Conclusão. Tive que perguntar pra um senhor que muito prestativo me explicou detalhadamente como se chegava lá no hotel. Fomos andando. Quando chegamos na rua certa, pegamos a esquerda ao invés da direita. Andamos mais um pouquinho, como de praxe. Enfim chegamos. O hotel era bem bacana e funcionava paralelamente a um albergue. Eram duas entradas diferentes mas num único edifício. Subimos pra deixar as coisas lá e partimos pra comer. Afinal, o café corrido de Barcelona pelo tempo que levamos pra chegar no aeroporto e o tempo de vôo já tinha se desmilinguido há muito tempo. Santas barrinhas de cereais.

Custamos a achar um lugar pra comer. Além disso estávamos atrás de um supermercado, e tinha um ali perto do hotel e outro um pouco mais afastado, dentro de uma galeria cheia de lojas. E outro agravante era minha mãe de olho nas vitrines das lojas e novidades expostas. Novidades pra quem é daqui. Coisas que lá são bastante comuns. Não me lembro se foi logo nesse primeiro dia, mas dessa vez até eu adquiri uma mercadoria do jeito que eu queria. Uma carteira pra substituir a que eu usei durante toda minha temporada européia, que por sua vez substituiu uma que eu gostava muito, mas por estar muito velha e gasta não levei comigo pra Londres. Ao custo de cinco euros a carteira nova nunca foi e nem será muito usada aqui no Brasil. A não ser em viagens interestaduais.

Minha mãe estava atrás de uma mala de mão pra substituir a big bolsa que ela levou e fez vias de mala de mão. É impressionante, mas qualquer viagem que ela faça pra fora sempre volta com uma mala nova. Foi a única coisa que ela comprou. Havia mais uma perna de viagem e o volume e o peso não podiam ser alterados ainda. Mas a mala de mão até cabia ser adquirida. Não tão de imediato. Ainda havia dois dias pra se pesquisar por uma.

Demos uma volta na cidade, apreciando seu entardecer. Seguimos a margem do rio. Sempre tem um rio banhando a cidade. Comemos, fomos ao mercado, voltamos pro hotel. No dia seguinte acordamos, decemos pra tomar o café, subimos pra terminar de nos arrumar e fechar asmalas pra, de mapa em punho, desbravar a cidade. Fomos andando mais ou menos na mesma direção do dia anterior. Dublin não é tão grande. Bem, pelo menos a parte que a gente ficou e andou não era tão grande e espalhada como Londres. E era a parte mais central da cidade. E fizemos tudo a pé. Nesse ponto minha mãe é igual a mim. A única diferença é que ela reclama das dores nos pés no final do dia. E como o rio era perpendicular a avenida principal, andamos praticamente só pro lado do rio. O outro nem foi tão explorado pela gente.

O primeiro dia inteiro, completo estava acabando. Só fizemos andar, conhecer, explorar, e fotografar, além das inevitáveis lojas. Ainda havia o segundo e no terceiro era só levantar acampamento e enfrentar pela última vez um avião antes da volta.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

AVENTURAS EUROPÉIAS (47)

Só chegaríamos nele dali a mais ou menos uma hora e que em termos de preço pra uma corrida de taxi morreríamos em cerca de cento e cinqüenta euros. E foi justamente o que aconteceu. Minha mãe ficou desesperada, pois iríamos entrar na Irlanda no mínimo cem euros mais pobres. Mas agora também não adiantava mais nada. Se fizéssemos algo, tomássemos outra providência, perderíamos o vôo. Por outro lado, foi bom pra gente aprender a lição. A passagem de Barcelona pra Dublin até que foi barata, mas o acesso ao aeroporto que encareceu tudo. Aliás, o taxi foi mais caro que avião. Pode isso? Na Europa sim.

Chegamos lá e começamos a travar mais uma batalha. Não, o aeroporto não estava um caos, pelo contrário, por ser tão longe tava até vazio. E a gente ainda chegou na hora em que o check-in estava abrindo. Nossa guerra era contra a balança. Em todos os vôos que peguei até então, a companhia aérea com a qual eu viajava exigia o peso máximo de vinte quilos. Essa companhia era outra, pois era a única de característica de baixo custo que voava pra Dublin, na Irlanda, e o peso máximo que ela exigia era de quinze quilos, ou seja, cinco a menos que eu estava acostumado. Eu já sabia disso e sempre prevenia minha mãe quanto a isso também, mas pra uma pessoa que é altamente consumista quando viaja essa limitação é um martírio. Se bem que ela soube se controlar. Mesmo assim a gente teve que tirar, remanejar e realocar várias coisas nas nossas malas até chegar ao peso satisfatório pra companhia poder colocar nossas malas no porão do avião.

Eu já havia jogado uma calça jeans fora e na lixeira do aeroporto ficaram ainda três camisas. O meu momento cebola ficou por conta da calça de tactel que vesti por cima da de jeans só pra passar pelo raio-x e depois voltar pra dentro da mochila que também havia passado um pouco do peso máximo exigido. Isso por que minha mãe enrolou minha toalha de banho por dentro do meu casaco pra levar ele no colo, além da mala de mão que não passava de uma bolsa enorme que ela tem e onde ela botou todas as coisas possíveis, imagináveis e passáveis no departamento de segurança dos aeroportos.

Mas o mais curioso é que pelo excesso de peso da mala dela, ao invés de fazer o que eu fiz de se desfazer de peças de roupa mais usadas, ela foi ao banheiro e saiu mais pesada do que entrou. Geralmente quando se vai ao banheiro se volta mais leve. Naquele dia e naquelas circunstâncias foi ao contrário. Não foi uma ou dias, mas sim oito. Eu disse oito blusas e das mais quentes e pesadas que ela vestiu só pra aliviar o peso da mala e passar pelo raio-x. Tudo se desfez dentro do avião. O vôo, se não me engano, durou cerca de três horas e logo descíamos na Irlanda.

Como eu disse anteriormente, esse destino foi escolhido de última hora somente pra que eu voltasse mais sossegado pra Londres. Em compensação a imigração da Irlanda também me encheu de perguntas. Que a gente foi fazer lá, porquanto tempo, onde ficaríamos, quando sairíamos de lá, por quanto tempo estávamos viajando, pediram pra ver a reserva do hotel e a passagem de saída de lá, enfim, um interrogatório que nos deu a permissão de ficar somente os três dias programados. Entramos. E a partir dali eu tinha a certeza de que não teria problema nenhum em retornar pra Londres, mas mesmo assim mantive comigo todos os comprovantes de passagem e albergue por via das dúvidas. Afinal, por mais que se faça um roteiro e tal, uma viagem, seja pra qualquer ponto da Europa, mesmo estando já dentro dela, quanto ali pra Saquarema, por exemplo, pode acontecer fatos completamente imprevisíveis ao nosso planejamento. E outra, como diz o ditado popular: “o seguro morreu de velho.” Então melhor guardar uns papéis por um tempo maior que depois não ter como provar algo caso fosse exigido.