terça-feira, 24 de agosto de 2010

DOZE LEIS DA ATRAÇÃO

Mais um mail recebido e, por conta do humor e da veracidade, exposto aqui. Divirta-se.

1- LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA:
Se mexer, pertence à Biologia.
Se feder, pertence à Química.
Se não funciona, pertence à Física.
Se ninguém entende, é Matemática.
Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

2- LEI DA PROCURA INDIRETA:
O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.
Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

3- LEI DA TELEFONIA:
Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver
papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga.
Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA:
Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você...

5- LEI DA GRAVIDADE:
Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.

6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu e os outros 20% será baseada no único livro que você não leu.

7- LEI DA QUEDA LIVRE:
Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.

8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:
A fila do lado sempre anda mais rápido.
Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

10- LEI DO ESPARADRAPO:
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

11- LEI DA VIDA:
Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida.

12- LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:
Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.

(COISAS QUE SE ATRAEM SEM ESFORÇO NENHUM):

Olhos e bunda
Pobre e funk
Mulher e vitrines
Homem e cerveja
Chifre e dupla sertaneja
Carro de bêbado e poste
Tampa de caneta e orelha
Moeda e carteira de pobre
Tornozelo e pedal de bicicleta
Leite fervendo e fogão limpinho
Político e dinheiro público
Dedinho do pé e ponta de móveis
Camisa branca e molho de tomate
Tampa de creme dental e ralo de pia
Café preto e toalha branca na mesa
Dezembro na Globo e Roberto Carlos
Show do KLB e controle remoto (Para mudar de canal)
Chuva e carro trancado com a chave dentro
Dor de barriga e fina l de rolo de papel higiênico
Bebedeira e mulher feia

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MEMORY

No dia dos namorados do ano passado que eu tava lá em Londres, minha amiga Catarinna espalhou pra gente esse texto de Vinícius de Moraes chamado “O Haver”

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
Perdoai!eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens

domingo, 8 de agosto de 2010

ANDRÉ E TATI

Há um ano aconteceu um casamento e eu não pude ir. Segue abaixo o recado que eu mandei pros noivos, mas que infelizmente não chegou em tempo nas mãos deles por fatores que não serão comentados aqui. Mas pelo menos eles tiveram consciência da existência do texto antes mesmo da minha volta pro Brasil. Lá vai:

André e Tati. No exato momento em que escrevo esse pequeno recadinho me encontro num vagão de segunda classe do trem saindo de Enschede na Holanda e indo pra Bruxelas na Bélgica. Tenho duas conexões pela frente além de, em Bruxelas, pegar outro trem pra Gent. Depois ainda me restam Paris, Lisboa, Espanha (Salamanca, Madri, Toledo e Barcelona) e uma rápida passagem por Londres novamente pra rever e me despedir dos meus amigos de lá, pegar minhas coisas e voltar pros amigos daí.

Infelizmente eu não posso estar em todos os lugares que eu quero. Afinal o tele transporte é realidade só nos filmes de ficção. Pra sorte nossa existe o e-mail e a gente não precisa mais ficar dependendo da boa vontade dos correios. Só a do Martin pra imprimir e levar essa mensagem pra vocês. Espero que ele o tenha feito.

Tem uma música que diz que “tristeza não tem fim; felicidade sim”. Eu discordo porque vendo vocês dois juntos e imaginando como devem estar sendo esse momento (vamos trocar muitas figurinhas; vocês mostrando as fotos e vídeos do casório e eu da viagem) acredito piamente que a felicidade é uma constante de modo que estamos em constante aprendizado, seja sozinho numa viagem desbravando o velho continente e descobrindo o mundo, ou seja, a cada dia descobrindo novidades sobre a pessoa que você escolheu pra passar o resto da sua vida. Claro que tem momentos que agente balança. Quantas vezes eu aqui do outro lado do atlântico me pego de saudade da minha família, do meu sobrinho que já fez um ano e dos nossos momentos de alegria e descontração. Peraí que chegou a hora da primeira baldeação.

Pronto. Só espero que eu tenha pegado o trem certo. Já pensou eu perdido na Holanda? Hahahaha. De acordo com a tabelinha agora são duas horas e meia direto. Depois mais uma e depois mais meia. É trilho que não acaba mais. Bem mais que o ramal central-japeri. Onde é que eu tava mesmo? Ah tá. Lembrei.

Eu não sei se eu sou estranho, mas pra mim a felicidade não é uma soma de momentos alegres. E se algo te deixa pra baixo tenha certeza que o que te faz levantar tem muito mais força. É inversamente proporcional a lei da gravidade. E essa força tem muito mais energia quando tem uma pessoa do seu lado. Principalmente se essa pessoa tem uma afinidade enorme contigo a ponto de quererem passar o resto da vida juntos e buscando sempre o mesmo frescor das primeiras vezes.

Peguei o trem certo mesmo. Não se preocupem, não estou perdido.

Eu acredito na força do amor, na felicidade eterna que a gente só lê nos finais dos contos de fada. Acho que somos capazes sim de viver felizes para sempre. E essa celebração que vocês estão fazendo hoje é a prova viva de que o amor vence tudo.

Quando a gente fica sozinho assim fora do país, longe das pessoas que gosta a gente acaba revendo alguns conceitos da vida. Eu aprendi muita coisa com essa experiência. É uma vivencia que ninguém vai tirar de mim e espero revê-los a partir de outubro pra dar pessoalmente o beijo, o abraço e o carinho que vocês merecem acrescidos da puta saudade. Que vocês dois sejam mais felizes para sempre. E tenho coragem e orgulho suficiente pra encher o peito e dizer em alto e bom som – escrito com letras garrafais – EU AMO VOCÊS.

Deixa eu parar por aqui que eu não to mais conseguindo segurar minhas lágrimas. Felicidades hoje e sempre. Um super beijo do super amigo Rafa.
PS: Se forem passar a lua de mel em Paris me avisa pra gente se encontrar.
A VOLTA

Antes de passar a régua nesse incrível, inesquecível e marcante afastamento que durou dez meses em seu total, tenho a obrigação de destacar um fato que eu vivi na minha volta. Contratamos um taxi, apesar de saber que o metrô em Londres chega ao aeroporto, pelo fato de carregarmos muita mala. Duas por pessoa mais a bagagem de mão. Meu amigo, meu irmão, meu apoio, enfim, meu tudo e queridíssimo Airton chegou a cogitar de ir conosco pra se despedir, mas como se atrasou, não por culpa dele e sim pelo fato do metro ficar parado duas estações anterior a que a gente pegava – lá também acontece isso e ninguém fica revoltado - não chegou a tempo de pegar carona com a gente.

Algumas malas e minha mãe foram atrás. Eu fui na frente com o motorista. Era a primeira vez que andava de carro em Londres e como lá a mão é invertida a sensação era diferente. Por mais que já tivesse me acostumado com os ônibus o carro era estranho. Novidade nas últimas horas da cidade. Juro que tentei me segurar, mas não adiantou. Todas as minhas memórias vieram a tona e o filmezinho desses dez meses começou a passar na minha mente.

Um misto de vitória e derrota se fundiu na minha cabeça. Tanta coisa poderia acontecer se eu batesse o pé e ficasse por lá, mesmo que clandestino, ilegal. Poderia dar um outro rumo na minha vida me arriscando a ficar lá e recomeçar do nada em um lugar estranho, correndo sérios riscos, e como derrota eu tava a caminho do aeroporto voltando pro Brasil, como se tivesse jogando por água abaixo um sonho. Por outro lado a vitória de tomar coragem e encarar dez meses pela Europa, desses sete e meio em Londres e dois e meio rodando por oito países e dezoito cidades no total, encubando uma experiência que ninguém nunca mais vai tirar de mim, abrindo minha cabeça mais ainda pra idéias e vivências que até então por falta de oportunidade, preconceito ou algum outro fator não eram assimiladas por mim, mas que depois de conhecer outras culturas se tornaram bem vindas e até normais em minha vida.

Comecei a chorar. Um choro que vinha em ondas e que se agravou na sala de espera do embarque quando pela última vez, ainda em território britânico, o meu Airton me liga pra se despedir. Era ele chorando de casa e eu chorando na fila, tendo que apresentar passaporte, bilhete de embarque sem desgrudar do aparelho por nada nesse mundo. As palavras de apoio, as juras eternas de amizade incondicional e as promesas de novos encontros vindos de uma voz chorosa e com um sentimento puro e verdadeiro me fazem até hoje ficar comovido e encher meus olhos de água até hoje e praticamente toda vez que ligo pra ele lá em Londres.

O vôo correu bem, sem maiores intempéries, absolutamente normal. Vi o filme ‘Anjos e Demônios’ cuja história se passa em Roma e eu passei praticamente por todas as locações utilizadas no filme, identificando todos os locais de acão das cenas. O avião não estava cheio e minha mãe sentou numa ponta e eu na outra dacarreiado meio que tinham quatro poltronas. Dormimos igual a sapatos em caixa.

No desembarque mais comoção. Sei que a mobilização da minha família seria maior se eu chegasse fim de semana, mas tornei a pisar em solo brasileiro na sexta-feira dia dois de outubro de dois mil e nove e fui recepcionado pelas tias Dora e Tania, além do meu pai e do Eduardo, o taxista da família. Cada uma, fantasiada, segurava uma ponta da faixa de “Enfm você voltou. Seja bem vindo Rafa” e com direito a tapete vermelho e tudo. Todo o carinho e a saudade acumulados nesses dez meses da minha família por mim estavam representados ali por elas duas. Estar com a família é muito bom, mas agora, depois disso tudo que vivi, a cada dia que passa eu fico mais convicto de que eu voltei a um lugar que não me pertence mais, apesar de ser o meu porto seguro.